brun0 SLB Publicado 24 Fevereiro 2016 (editado) Procuro a previsão do governo no OE, não a da OCDE. Edit2: Tens razão esses 3.9% é a previsão do governo para o crescimento do pib nominal. Vi agora no orçamento de estado. Isto porque se prevê um deflator do PIB na casa dos 2 %. Editado 24 Fevereiro 2016 por brun0 SLB Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 24 Fevereiro 2016 Edit2: Tens razão esses 3.9% é a previsão do governo para o crescimento do pib nominal. Vi agora no orçamento de estado. Isto porque se prevê um deflator do PIB na casa dos 2 %. O que dificilmente se concretizará, o BCE está com dificuldades em manter a taxa de inflação nesse nível de referência, Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 24 Fevereiro 2016 Tens de ver algumas coisas para além dos números que são lançadas, porque quando se lida com algo com "envolvente social" não se pode basear tudo em factores de performance e econométricos. Tu sabes isto melhor do que eu, mas como já disse o Sandman a reputação deste é muito má (talvez nos últimos 2 anos tenha melhorado, só se for isso) no que toca ao tratamento de utentes. E eu não vou comentar isso do 1º lugar porque presumo que tu saibas tanto quanto eu sobre os critérios desse prémio ou se há historial de favorecimentos, porque o mundo da medicina sei em primeira mão que está cheio de muita podridão, portanto fico de pé atrás. Se me souberes elucidar agradeço. Quanto ao outro lado da barricada, estás-me a dizer que só os 4 grupos privadas conseguem, podem ou querem negociar? Mais ninguém pode ou quer entrar nessa PPP, principalmente alguém que tenha cunha no concurso público com este governo? O Hospital de Braga já conseguiu fazer bastante m*rda ao longo dos anos, quando vivi aí fartava-me de o ouvir de uma pessoa que sabia o que estava a dizer, para além do que foi noticiado. Como disse, só se nos últimos 2 anos melhorou. Ah, então está explicado. Foi demolido o S.Marcos lá em cima e construíram este? Ahhhhh, bem me parecia que algo não estava a bater certo. O Hospital de Braga só se tornou PPP em 2009 (início de gestão), tendo aberto o novo hospital em Maio de 2011. Não conheço o passado, mas se for como Vila Franca antes era um hospital velho e muito mau a nível de serviço e mudou da água para o vinho com acreditação de topo a nível internacional (Joint Comission), sendo um dos melhores hospitais a nível nacional. Os critérios do prémio são o mais transparente possível e está ao alcance de toda a gente. É atribuído pela Entidade Reguladora de Saúde, é o SINAS. Tens aqui as dimensões avaliadas e metodologias de cálculo Compartilhar este post Link para o post
John Bonifácio Publicado 24 Fevereiro 2016 Só pode ser fundamentada objectivamente porque subjectivamente não é assim? :mrgreen: Eu já esperava por uma resposta destas. :mrgreen: Sabes bem que as estatísticas não refletem tudo. Especialmente na área da saúde ficam muitas coisas escondidas e que não se refletem depois na apreciação dos dados crus. Nunca vi ninguém queixar-se e eu próprio, das várias vezes que já lá fui, não fiquei propriamente insatisfeito. Se o ponto de comparação for um mundo ideal onde os utentes eram atendidos rapidamente, onde haveria camas e espaço para todos, onde não haveria semi-acampamentos de ciganos à porta, etc etc, então sim, o hospital é mau. Mas das situações que se vai lendo na imprensa e que se passam na generalidade dos outros hospitais, não acho que o nosso fique atrás desses. Não te sei precisar nenhuma situação em concreto, mas às condições que o novo hospital oferece haveria a obrigação de se fazer muito melhor, mormente nos tempos de espera e na qualidade de alguns serviços. No entanto, quanto a este último ponto é verdade que têm havido melhorias. Compartilhar este post Link para o post
John Bonifácio Publicado 24 Fevereiro 2016 Não o demoliram, só construiram um novo mais afastado do centro da cidade e mudaram-se para lá. O S. Marcos não tinha condições nenhumas :lol: Olha que agora o S. Marcos não está muito inteiro. :mrgreen: Lembrei-me agora de um caso que foi noticiado nos jornais locais sobre o autarca da Póvoa de Lanhoso que foi encaminhado para a Clipovoa, na altura sob a égide da BESSaúde, porque em Braga esteve às portas da morte. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 24 Fevereiro 2016 Não te sei precisar nenhuma situação em concreto, mas às condições que o novo hospital oferece haveria a obrigação de se fazer muito melhor, mormente nos tempos de espera e na qualidade de alguns serviços. No entanto, quanto a este último ponto é verdade que têm havido melhorias. Eu acho que os tempos de espera é daqueles problemas crónicos que nunca estão verdadeiramente resolvidos nos hospitais portugueses. Mas comparativamente com o antigo, está bastante melhor. Lembro-me de ter rachado a cabeça na escola à hora do almoço e só me coseram por volta das 7h da tarde nesse dia, tendo ficado a sangrar na sala de espera a tarde toda, no antigo hospital. Neste, apesar de continuar a esperar-se algum tempo, nota-se que as pessoas vão e vêm mais rapidamente (ainda neste fim de semana tive de passar lá a tarde, por causa da minha avó) e nem se vê aquelas cenas deprimentes que é ter os velhotes na maca lá espalhados e assim. Mas dito isto, nunca fui a um hospital público fora de Braga, portanto não tenho por onde comparar :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 24 Fevereiro 2016 https://3.bp.blogspot.com/-eRo6lDxXYMU/VsN5M0B8ReI/AAAAAAAAITs/1V6y32jt5C8/s1600/Presta%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Bsociais%2B%25282011-2015%2529.jpg Fonte? Critérios usados? Compartilhar este post Link para o post
doom_master Publicado 24 Fevereiro 2016 (editado) Meanwhile, no site do PSD ( http://www.psd.pt/noticia/804 ): :lol: Editado 24 Fevereiro 2016 por doom_master Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 24 Fevereiro 2016 O que dificilmente se concretizará, o BCE está com dificuldades em manter a taxa de inflação nesse nível de referência, Não acho. O ano passado tiveste um deflator do PIB em 1.9% (dados do OE16). Portanto com o aumento dos rendimentos que vai haver, quer irá gerar alguma inflação é natural que se cumpra os 2% do deflator. Compartilhar este post Link para o post
Stout Publicado 24 Fevereiro 2016 Meanwhile, no site do PSD ( http://www.psd.pt/noticia/804 ): :lol: https://streamable.com/o00h Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 24 Fevereiro 2016 Não acho. O ano passado tiveste um deflator do PIB em 1.9% (dados do OE16). Portanto com o aumento dos rendimentos que vai haver, quer irá gerar alguma inflação é natural que se cumpra os 2% do deflator. O valor de 2% é para a Zona Euro, não só para Portugal. ;) Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 24 Fevereiro 2016 O valor de 2% é para a Zona Euro, não só para Portugal. O que eu estou a falar é para o PIB de Portugal. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 24 Fevereiro 2016 BES com prejuízos de 981M€. Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 24 Fevereiro 2016 Edit2: Tens razão esses 3.9% é a previsão do governo para o crescimento do pib nominal. Vi agora no orçamento de estado. Isto porque se prevê um deflator do PIB na casa dos 2 %. Ok, é o valor absoluto. Bem, se conseguirem forçar a inflacão a subir para valores acima dos 2% é possível... da parte dos combustíveis já trataram :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 24 Fevereiro 2016 (editado) Ok, é o valor absoluto. Bem, se conseguirem forçar a inflacão a subir para valores acima dos 2% é possível... da parte dos combustíveis já trataram Basta aumentar em 0,1 pp. o deflator do ano passado. O aumento dos combustíveis só faz com que os preços se mantenham ao nível do ano passado portanto nao vao ser eles a contribuir para este 0.1 extra. Estes 2% não é de inflação do consumo mas sim da economia. São coisas diferentes. Editado 24 Fevereiro 2016 por brun0 SLB Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 24 Fevereiro 2016 (editado) Basta aumentar em 0,1 pp. o deflator do ano passado. O aumento dos combustíveis só faz com que os preços se mantenham ao nível do ano passado portanto nao vao ser eles a contribuir para este 0.1 extra. o aumento anula a redução que ia haver. se o petroleo começar a subir (é provavel no 3º trimestre) o aumento vai-se notar no preço final. Estes 2% não é de inflação do consumo mas sim da economia. São coisas diferentes. Explica lá melhor. Sempre estive convencido que "PIB a preços corrigidos" significava crescimento bruto descontando a inflação... Editado 24 Fevereiro 2016 por Cabeça de giz Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 24 Fevereiro 2016 o aumento anula a redução que ia haver. se o petroleo começar a subir (é provavel no 3º trimestre) o aumento vai-se notar no preço final. Explica lá melhor. Sempre estive convencido que "PIB a preços corrigidos" significava crescimento bruto descontando a inflação... Nominal :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 24 Fevereiro 2016 Ponto 1 - o aumento anula a redução que ia haver. se o petroleo começar a subir (é provavel no 3º trimestre) o aumento vai-se notar no preço final. Ponto 2 - Explica lá melhor. Sempre estive convencido que "PIB a preços corrigidos" significava crescimento bruto descontando a inflação... Ponto1: tens razao mas se o governo cumprir o que prometeu o preço final permanece aproximadamente igual durante o ano inteiro. Ponto2: Sim o PIB em termos reais é o PIB descontando a inflação. Só que é uma inflação diferente. A inflação considerada para retirar os efeitos dos preços no PIB é chamada de deflator do PIB. A diferença para a inflação oriunda do IPC é que o cabaz dos bens e serviços considerados é diferente. No caso do deflator considera um cabaz representativo da produção nacional, enquanto que o IPC baseia-se num cabaz representativo do consumo. Embora possa parecer semelhante as diferenças são grandes. Por exemplo no OE 2016 prevê para 2016 uma evolução do deflator do PIB em 2% enquanto que do IPC ronda os 1.2%. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 25 Fevereiro 2016 (editado) E esta? Autarcas do PSD criticam ausência de redução do IVA nas refeições escolares Em 2014, no governo, PSD mete o IVA das refeições escolares a 23%. Em 2016 PSD diz que é um escândalo. :lol: ___ Juros de Portugal em queda após aprovação do Orçamento Editado 25 Fevereiro 2016 por Woyzeck Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 25 Fevereiro 2016 (editado) Ontem, no Negócios da Semana, houve uma discussão muito interessante sobre o orçamento de Estado. Quem tiver uma horinha para dispensar, vale a pena, sobretudo para quem acha que é um orçamento do mesmo estilo daqueles do governo anterior :) Já agora, e a palhaçada do empréstimo do Santander de 1800 milhões ao Estado para recapitalizar o Banif? Então eles emprestam o dinheiro para recapitalizar o banco que eles vão comprar praticamente de borla :lol: A diferença entre este método e a compra e posterior recapitalização por parte do próprio Santander é que assim ainda recebem juros do empréstimo :lol: Editado 25 Fevereiro 2016 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 25 Fevereiro 2016 Ontem, no Negócios da Semana, houve uma discussão muito interessante sobre o orçamento de Estado. Quem tiver uma horinha para dispensar, vale a pena, sobretudo para quem acha que é um orçamento do mesmo estilo daqueles do governo anterior Já agora, e a palhaçada do empréstimo do Santander de 1800 milhões ao Estado para recapitalizar o Banif? Então eles emprestam o dinheiro para recapitalizar o banco que eles vão comprar praticamente de borla A diferença entre este método e a compra e posterior recapitalização por parte do próprio Santander é que assim ainda recebem juros do empréstimo Não achei que fosse uma discussão séria sobre o orçamento. Mas também nos últimos anos discussões serias sobre o orçamento da tv é difícil. Do que vi esta discussão sobre este orçamento está ao nível de uma discussão do orçamento do psd feita pela esquerda.net. Novamente sobre as previsões, mais concretamente sobre o deflator do PIB que foi considerando nesse programa optimista. Eu fiz este gráfico com base nos dados do INE: 2011.IV 2012.IV 2013.IV 2014.IV PIB -0.9 1.1 1.6 2.0 Consumo privado 1.5 1.8 0.7 0.8 1º Facto ao contrario do que se disse no programa o facto do IPC ser baixo não implica que o deflator do PIB o seja. Isto consegue-se ver principalmente após 2013. 2º O deflator para o PIB de 2015 até ao 3º trimestre foi de 1.7%, sendo necessário um deflator de 2.2% no 4º trimestre para ser de 1.9% como o governo prevê no OE. 3º Estes 2.2% penso que sejam possíveis de alcançar uma vez que nos últimos quarto 4º trimestres a taxa tem sido sempre superior, tendo em 2014IV atingido os 2%. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 25 Fevereiro 2016 Não achei que fosse uma discussão séria sobre o orçamento. Mas também nos últimos anos discussões serias sobre o orçamento da tv é difícil. Do que vi esta discussão sobre este orçamento está ao nível de uma discussão do orçamento do psd feita pela esquerda.net. Então porque é que achas isso? Por ter sido um discussão bastante crítica é sinal de que estava enviesada à partida? Eu gostei, intervenientes de várias áreas a dar conta dos efeitos das novas medidas do governo nas áreas que lhes tocam, nomeadamente, na parte fiscal. Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 25 Fevereiro 2016 Então porque é que achas isso? Por ter sido um discussão bastante crítica é sinal de que estava enviesada à partida? Eu gostei, intervenientes de várias áreas a dar conta dos efeitos das novas medidas do governo nas áreas que lhes tocam, nomeadamente, na parte fiscal. Compara essa discussão com a do programa Números do Dinheiro na RTP3. Para mim um dos únicos programas onde se debateu o orçamente de um ponto de vista económico e equilibrado. Eu não acho que uma discussão séria do orçamento se centre no efeito que este tem sobre as empresas e acabou. Continuar a olhar para o orçamento do estado como se fosse uma mera folha contabilística de uma empresa é errado e foi um dos grandes problemas dos últimos anos. Em que atingiu o seu pico quando o Vitor Gaspar basicamente não tinha em atenção os efeitos recessivos que as suas medidas tinham e assim falhou todas as metas orçamentais. Virem dizer que a economia vai sofrer horrores e que vai morrer por causa do imposto sobre os produtor petrolíferos é mentira. Até parece que os preços vão aumentar para o dobro. O valor final do preço dos combustíveis vai estar ao nível de dezembro/janeiro. O único consumo que vai reduzido foi o que aumentou nos últimos dois meses. Para além disso não se pode querer diminuir/controlar o défice energético no curto prazo deixando os preços cair a pique. Isto sim seria irresponsável e levaria a que a nossa balança comercial desse o berro novamente. E o ponto alto para mim desse programa foi dizerem que devolver os rendimentos à função publica (obrigatório pelo TC) era recessivo! Pode aumentar artificialmente as desigualdades mas se esta diminuiu quando se cortou nos rendimentos da FP também diminuiu artificialmente. E a ideia de que qualquer espirro em Portugal altera drasticamente a percepção do exterior é demasiado estranha para mim. Nos estamos numa união monetária e económica logo grande parte do aumentos dos juros da divida publica ou descida não tem nada a ver com o que portugal faz ou deixa de fazer. Note-se que unilateralmente nos já temos pouco efeito sobre o nosso país. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 25 Fevereiro 2016 Compara essa discussão com a do programa Números do Dinheiro na RTP3. Para mim um dos únicos programas onde se debateu o orçamente de um ponto de vista económico e equilibrado. Eu não acho que uma discussão séria do orçamento se centre no efeito que este tem sobre as empresas e acabou. Continuar a olhar para o orçamento do estado como se fosse uma mera folha contabilística de uma empresa é errado e foi um dos grandes problemas dos últimos anos. Em que atingiu o seu pico quando o Vitor Gaspar basicamente não tinha em atenção os efeitos recessivos que as suas medidas tinham e assim falhou todas as metas orçamentais. Virem dizer que a economia vai sofrer horrores e que vai morrer por causa do imposto sobre os produtor petrolíferos é mentira. Até parece que os preços vão aumentar para o dobro. O valor final do preço dos combustíveis vai estar ao nível de dezembro/janeiro. O único consumo que vai reduzido foi o que aumentou nos últimos dois meses. Para além disso não se pode querer diminuir/controlar o défice energético no curto prazo deixando os preços cair a pique. Isto sim seria irresponsável e levaria a que a nossa balança comercial desse o berro novamente. E o ponto alto para mim desse programa foi dizerem que devolver os rendimentos à função publica (obrigatório pelo TC) era recessivo! Pode aumentar artificialmente as desigualdades mas se esta diminuiu quando se cortou nos rendimentos da FP também diminuiu artificialmente. E a ideia de que qualquer espirro em Portugal altera drasticamente a percepção do exterior é demasiado estranha para mim. Nos estamos numa união monetária e económica logo grande parte do aumentos dos juros da divida publica ou descida não tem nada a ver com o que portugal faz ou deixa de fazer. Note-se que unilateralmente nos já temos pouco efeito sobre o nosso país. A discussão não se centrou apenas nas empresas - pode ter seguido esse caminho em maior detalhe porque o Orçamento prevê um aumento no Investimento em Portugal na ordem dos 5%, que não só seria irrealista tendo em conta a história recente, como estas mudanças fiscais já vieram, aparentemente, dar cabo de investimento em curso, e o clima de desconfiança actual não augura nada de bom neste campo. E não compreendi essa comparação da folha de cálculo, quem elabora um orçamento tem de ter em conta os diversos multiplicadores económicos, e é um facto - temos n exemplos de instituições que já alertaram para isso - que o aumento dos rendimentos mais baixos não será o suficiente para estimular a economia nacional aos níveis do que é pretendido. Sobretudo porque existe o perigo real, ao substituir os impostos sobre rendimentos por impostos directos, que a receita fiscal venha a ser bastante menor àquela que está prevista no orçamento, já que basta o consumo privado não crescer o suficiente para dar cabo de toda a estratégia deste governo. Quanto ao assunto dos preços do petróleo, tinhamos aqui pano para mangas e não vale a pena entrar numa discussão detalhada. O que tu dizes faz sentido em certo ponto, mas não podemos esquecer que foi aumentado ainda mais o gap entre preços dos combustiveis espanhois e portugueses, que contribui para a redução da nossa fronteira económica, isto é, a diferença de preço justifica que cada vez mais portugueses (e transportadoras) prefiram abastecer em Espanha ao invés do nosso país, o que se traduz numa perda parcial da receita do Estado. Mas, sobretudo, o perigo é o de os preços baixos serem apenas temporários - vimos na semana passada, ao mínimo sinal de acordo entre os países da OPEC, o preço do petróleo dispara. E já se fala numa possível concertação entre estes países para que a oferta diminua de forma a puxar o preço de volta para os 50$. E aí, o que fará o governo? Os preços dos combustiveis atingirão níveis sem comparação por cá, se isso acontecer. E isto é uma preocupação real. E por fim, não concordo contigo quando dizes que o que por cá é feito tem muito pouco peso na variação dos juros da dívida. Podemos argumentar que a variação dos juros da dívida segue tendencialmente a dos restantes países europeus, mas temos N casos em que existiram agravamentos ou desagravamentos consoante os sinais que foram passados - a situação do irrevogável, a indefinição do orçamento quando o esboço foi apresentado, a aprovação do orçamento agora nos últimos dias... tudo isto tem efeitos nos juros da dívida. E mesmo que não tivesse, acho inegável que a execução do orçamento será crucial neste ponto - da mesma forma que as agências de rating vieram mostrar satisfação pela aprovação do orçamento, se este se vier a revelar demasiado optimista e as medidas compensatórias não forem suficientes, as mesmas agências cá estarão para rever a notação da dívida portuguesa, sendo que só precisamos que a DBRS reveja em baixa o nosso rating para que tudo isto vá ao charco (mesmo que o BCE não deixe cair Portugal, os mercados reagirão de imediato em função do perigo de tal acontecer). Compartilhar este post Link para o post