Cabeça de giz Publicado 25 Fevereiro 2016 temos N casos em que existiram agravamentos ou desagravamentos consoante os sinais que foram passados - a situação do irrevogável, a indefinição do orçamento quando o esboço foi apresentado, a aprovação do orçamento agora nos últimos dias... tudo isto tem efeitos nos juros da dívida. só tem efeitos no mercado secundário. em termos de contas nacionais o impacto é zero. o que conta é o que pagas quando emites, ou quando antecipas. Compartilhar este post Link para o post
JackBauerPT Publicado 25 Fevereiro 2016 O Pedro Arroja já deve ter desmaiado. Compartilhar este post Link para o post
Ed Publicado 25 Fevereiro 2016 O grande Observador fez notícia com isso... Se quiserem rir um pedacinho já sabem onde tem de ir. Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 26 Fevereiro 2016 A discussão não se centrou apenas nas empresas - pode ter seguido esse caminho em maior detalhe porque o Orçamento prevê um aumento no Investimento em Portugal na ordem dos 5%, que não só seria irrealista tendo em conta a história recente, como estas mudanças fiscais já vieram, aparentemente, dar cabo de investimento em curso, e o clima de desconfiança actual não augura nada de bom neste campo. E não compreendi essa comparação da folha de cálculo, quem elabora um orçamento tem de ter em conta os diversos multiplicadores económicos, e é um facto - temos n exemplos de instituições que já alertaram para isso - que o aumento dos rendimentos mais baixos não será o suficiente para estimular a economia nacional aos níveis do que é pretendido. Sobretudo porque existe o perigo real, ao substituir os impostos sobre rendimentos por impostos directos, que a receita fiscal venha a ser bastante menor àquela que está prevista no orçamento, já que basta o consumo privado não crescer o suficiente para dar cabo de toda a estratégia deste governo. É irrealista uma taxa de crescimento homologa do investimento em 4.9%? Em 2014 foi de 2.8% e no ano passado prevê-se um valor a rondar os 4.3%. É verdade que desde de 2000 que a taxa não apresenta estes valores (tirando o ano passado). Mas também é verdade que desde 2008 até 2014 o investimento caiu 5.6% ao ano em média considerando o ano de 2015 caiu 4.4% em média, logo os 4.9% só ira repor algum do investimento perdido. Quanto ao assunto dos preços do petróleo, tinhamos aqui pano para mangas e não vale a pena entrar numa discussão detalhada. O que tu dizes faz sentido em certo ponto, mas não podemos esquecer que foi aumentado ainda mais o gap entre preços dos combustiveis espanhois e portugueses, que contribui para a redução da nossa fronteira económica, isto é, a diferença de preço justifica que cada vez mais portugueses (e transportadoras) prefiram abastecer em Espanha ao invés do nosso país, o que se traduz numa perda parcial da receita do Estado. Mas, sobretudo, o perigo é o de os preços baixos serem apenas temporários - vimos na semana passada, ao mínimo sinal de acordo entre os países da OPEC, o preço do petróleo dispara. E já se fala numa possível concertação entre estes países para que a oferta diminua de forma a puxar o preço de volta para os 50$. E aí, o que fará o governo? Os preços dos combustiveis atingirão níveis sem comparação por cá, se isso acontecer. E isto é uma preocupação real. 1º quanto ao gap com espanha o impacto é significativo? como não sei a distribuição territorial da venda de combustíveis a nível nacional não me atrevo a contra por. 2º toda a conversa sobre o aumento do preço do petróleo é uma conversa em trono de zero. Mesmo com a manuteção das quotas de produção o preço continua a cair e quanto muito irá estabilizar. Ainda assim depois do último acordo uma entidade internacional (pelo que ouvi na tv) continua a prever uma queda do preço ate ao fim do ano. Logo um aumento do preço nao me preocupa e é de longe o menor factor contra o OE2016. Por outro lado tendo fé nas palavras do ministro o objectivo da medida é a manutenção da receita fiscal, logo o preço pode aumentar e desce-se o ISPP e recupera-se a receita pelo IVA. E por fim, não concordo contigo quando dizes que o que por cá é feito tem muito pouco peso na variação dos juros da dívida. Podemos argumentar que a variação dos juros da dívida segue tendencialmente a dos restantes países europeus, mas temos N casos em que existiram agravamentos ou desagravamentos consoante os sinais que foram passados - a situação do irrevogável, a indefinição do orçamento quando o esboço foi apresentado, a aprovação do orçamento agora nos últimos dias... tudo isto tem efeitos nos juros da dívida. E mesmo que não tivesse, acho inegável que a execução do orçamento será crucial neste ponto - da mesma forma que as agências de rating vieram mostrar satisfação pela aprovação do orçamento, se este se vier a revelar demasiado optimista e as medidas compensatórias não forem suficientes, as mesmas agências cá estarão para rever a notação da dívida portuguesa, sendo que só precisamos que a DBRS reveja em baixa o nosso rating para que tudo isto vá ao charco (mesmo que o BCE não deixe cair Portugal, os mercados reagirão de imediato em função do perigo de tal acontecer). Em parte o Cabeça de giz ja explicou em parte a irrelevancia em parte do juros do mercado secundário. As agências de rating (infelizmente) essas sim tem algum peso pelo QE. Mas mesmo essas estão mais calmas que os comentadores desse programa. Ainda hoje a Moody's falou sobre portugal e não foi o fim do mundo em cuecas. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 26 Fevereiro 2016 (editado) É irrealista uma taxa de crescimento homologa do investimento em 4.9%? Em 2014 foi de 2.8% e no ano passado prevê-se um valor a rondar os 4.3%. É verdade que desde de 2000 que a taxa não apresenta estes valores (tirando o ano passado). Mas também é verdade que desde 2008 até 2014 o investimento caiu 5.6% ao ano em média considerando o ano de 2015 caiu 4.4% em média, logo os 4.9% só ira repor algum do investimento perdido. 1º quanto ao gap com espanha o impacto é significativo? como não sei a distribuição territorial da venda de combustíveis a nível nacional não me atrevo a contra por. 2º toda a conversa sobre o aumento do preço do petróleo é uma conversa em trono de zero. Mesmo com a manuteção das quotas de produção o preço continua a cair e quanto muito irá estabilizar. Ainda assim depois do último acordo uma entidade internacional (pelo que ouvi na tv) continua a prever uma queda do preço ate ao fim do ano. Logo um aumento do preço nao me preocupa e é de longe o menor factor contra o OE2016. Por outro lado tendo fé nas palavras do ministro o objectivo da medida é a manutenção da receita fiscal, logo o preço pode aumentar e desce-se o ISPP e recupera-se a receita pelo IVA. Mas é claro que acho irrealista um crescimento homologo no investimento a 5%. Se este ano temos menores perspectivas de crescimento da economia global, com o abrandamento da China e recessão Angolana (que tinham vindo a investir cada vez mais por cá nos últimos anos), suspensão dos vistos gold, etc, acho normal que isso vá afectar a disponibilidade de empresas internacionais em continuar a investir por cá. Acrescenta a isso o risco político, onde existe o perigo real de ter eleições legislativas este ano, onde tivemos agora casos de reversão de concessões dos transportes e, em parte, na privatização da TAP, e também não esquecer a situação da migração de dívida obrigacionista para o BES - que causou mau estar junto das instituições financeiras internacionais e consequente perda de credibilidade. Junta ainda a isso uma indefinição fiscal e o travão na reforma do IRC. Tudo isto, e tendo ainda em conta que esses valores de investimento no mandato anterior já leva em conta investimentos massivos que não se irão repetir e que acabam por insuflar esses valores globais de investimento - venda da participação da REN, EDP, CTT, etc - não há razão para achar que iremos seguir essa tendência de crescimento do investimento em relação ao ano passado. E por isto tudo não me surpreende que as empresas tenham deixado de investir tanto, e nada melhor do que um conjunto de advogados de negócios e fiscalistas para dar conta dessa situação, mesmo considerando a possibilidade de estarem a ser um pouco tendenciosos. Quanto ao preço do petróleo, nenhum de nós poderá dizer ao certo o que irá acontecer e eu apenas chamei a atenção para o facto de que existem alguns indicadores (e vontade de alguns, vá http://money.cnn.com/2016/02/25/investing/oil-production-freeze-opec-qatar/) em que o preço do petróleo possa subir, e esta semana (ou a semana passada?) foi indicador disso. Se essa situação de facto ocorrer, aumenta-se o IVA? Não podemos ter um orçamento de estado que pretende estimular o consumo interno e continua a aumentar impostos sobre o consumo, não é coerente. E mais uma vez, chamo a atenção para os perigos de que a execução orçamental não vá ser tão positiva como o governo prevê (a comissão europeia, apesar de ter dado luz verde, manifestou as suas preocupações) e, apesar de o plano B não ter sido ainda divulgado, já se sabe que não irão atacar directamente os rendimentos dos portugueses. Ou seja, provavelmente uma derrapagem orçamental significativa terá de ser compensada também ela com um maior aumento do IVA (é o que se tem falado na imprensa, também). Sei que são dois cenários que dificilmente acontecerão em simultâneo, ou que nenhum deles possa nem sequer vir a ser realidade, mas numa discussão sobre um orçamento de estado, vale a pena chamar a atenção para esta incoerência que é querer estimular a economia através do consumo interno, mas depois a devolução dos rendimentos é minima e a carga fiscal sobre o consumo de certos bens (e sobre o crédito já agora, com o aumento do imposto de selo) aumenta. só tem efeitos no mercado secundário. em termos de contas nacionais o impacto é zero. o que conta é o que pagas quando emites, ou quando antecipas. Em parte o Cabeça de giz ja explicou em parte a irrelevancia em parte do juros do mercado secundário. As agências de rating (infelizmente) essas sim tem algum peso pelo QE. Mas mesmo essas estão mais calmas que os comentadores desse programa. Ainda hoje a Moody's falou sobre portugal e não foi o fim do mundo em cuecas. Que o impacto directo nas contas nacionais é 0 sei eu. O Estado não vende obrigações todos os dias (mas quase :mrgreen:), portanto o movimento dos mercados secundários é o indicador que melhor reflecte a disponibilidade dos investidores para adquirir dívida portuguesa a juros mais altos ou mais baixos e os Estados agem em conformidade com a situação nesses mercados - isto é, vendem novas obrigações a condições mais favoráveis para pagar obrigações em condições não tão favoráveis quando os juros da dívida estão baixos no mercado secundário, e abstêm-se de se financiar através da emissão de mais dívida quando os juros vêm aumentando de forma significativa. Quanto à Moody's, e sei que não foi isso que escreveste, mas já vi pessoal (e jornais, também) a comentar que as agências de rating avaliaram de forma positiva o novo orçamento de estado e que, por isso, é bom. O que acaba por ser errado, já que a nota positiva da Moody's advém do facto de o governo ter passado de um orçamento irrealista e desaprovado por Comissão Europeia e UTAD, para um orçamento mais realista, e de a sua aprovação ter afastado para já o cenário de instabilidade política e eleições antecipadas. Isto é, as expectativas eram tão baixas, que a simples aprovação de um orçamento de estado dito "normal" é o suficiente para gerar alívio nos mercados. Ainda assim, continuam a achar que o crescimento previsto é demasiado optimista, que a meta do défice não será atingida sem medidas adicionais e que melhorias de eficiência na administração pública previstas para este ano são improváveis de acontecer. Resumindo, não há razões para preocupações neste momento. E também não acredito, como muitos dizem, que em Abril já teremos outra prova dos nove e que existirá o perigo real de passarmos a lixo unanimemente entre todas as agências. Mas acredito que será um bico de obra para o governo quando saírem os primeiros dados sobre a execução orçamental e for preciso agir, dentro de todas as restrições que lhes serão impostas, e teremos de ver como vão eles agir nessa situação. Por fim, deixo só uma nota. Esta argumentação toda contra o Orçamento de Estado não se prende com simpatias políticas ou ideológicas de nenhum grau (nada de laranjinhas aqui :mrgreen: ). O meu receio apenas se prende com o facto de que vejo neste orçamento a intenção de maquilhar a austeridade (em vez de actuar sobre os rendimentos, actua-se sobre o consumo, dando a sensação de que houve uma melhoria da situação genérica das familias portuguesas) e assim poder capitalizar alguma simpatia nas próximas eleições que deverão acontecer no inicio de 2017. A preocupação neste momento não deveria estar em aumentar ou diminuir a austeridade, mas actuar sobretudo sobre a estimulação do investimento (estrangeiro ou nacional) que no final de contas, é o que estimula o crescimento da economia e a criação de emprego e, por conseguinte, aumentar por esta via a receita fiscal e reduzir o défice e o peso da dívida pública. No entanto, este orçamento não só dá não dá sinais positivos nesse aspecto, como até agora tudo o que o governo tem feito é dar cabo do trabalho que tinha sido desenvolvido até aqui nesse campo (um dos poucos pontos positivos no mandato anterior). E enquanto não for estimulado o investimento no país, vamos continuar a crescer marginalmente, e todo o alívio que formos tendo ao nível dos impostos terá de ser compensado no futuro. Não acredito que a solução para a prazo atingir as metas do défice e diminuição do peso da dívida pública esteja no ir ao pote constante arrecadar receita, porque é riqueza que sai da nossa economia para pagar dívida (ou, por enquanto, para esta não crescer tanto). Editado 26 Fevereiro 2016 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 26 Fevereiro 2016 Quando é que este topico se tornou tão aborrecido. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 26 Fevereiro 2016 Quando é que este topico se tornou tão aborrecido. Quando tu deixaste de meter aqui os updates do que se vai passando no Médio Oriente :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
brun0 SLB Publicado 26 Fevereiro 2016 Mas é claro que acho irrealista um crescimento homologo no investimento a 5%. Se este ano temos menores perspectivas de crescimento da economia global, com o abrandamento da China e recessão Angolana (que tinham vindo a investir cada vez mais por cá nos últimos anos), suspensão dos vistos gold, etc, acho normal que isso vá afectar a disponibilidade de empresas internacionais em continuar a investir por cá. Acrescenta a isso o risco político, onde existe o perigo real de ter eleições legislativas este ano, onde tivemos agora casos de reversão de concessões dos transportes e, em parte, na privatização da TAP, e também não esquecer a situação da migração de dívida obrigacionista para o BES - que causou mau estar junto das instituições financeiras internacionais e consequente perda de credibilidade. Junta ainda a isso uma indefinição fiscal e o travão na reforma do IRC. Tudo isto, e tendo ainda em conta que esses valores de investimento no mandato anterior já leva em conta investimentos massivos que não se irão repetir e que acabam por insuflar esses valores globais de investimento - venda da participação da REN, EDP, CTT, etc - não há razão para achar que iremos seguir essa tendência de crescimento do investimento em relação ao ano passado. E por isto tudo não me surpreende que as empresas tenham deixado de investir tanto, e nada melhor do que um conjunto de advogados de negócios e fiscalistas para dar conta dessa situação, mesmo considerando a possibilidade de estarem a ser um pouco tendenciosos. Do outro lado tens o programa 2020 que irá injectar dinheiro na economia, para alem disso eu acredito que o consumo aumente o que irá fazer com que as empresas tenham incentivo a emprestar. A reforma do IRC é outra treta. 1º a reforma do IRC não ia criar assim grandes postos de trabalho uma vez que as empresas que mais iriam sentir essa descida são intensivas em capital. 2º se o objectivo era dizer relançar a economia junto das empresas e criar postos de trabalho descia-se a TSU, esta sim beneficia as empresas intensivas em capital. Onde a reforma do IRC teria sentido é como cartaz de propaganda para investirem no pais, mas antes da carga fiscal há muitos outros bloqueios ao investimento em portugal como por exemplo a lentidão da justiça. Uma verdadeira reforma do estado para atrair investimento é reformar a justiça e toda a burocracia inerente ao estado. Um pouco tendenciosos é favor pelo que vi no programa. Houve um que quase verbalizou que as reuniões do costa com o BE e PCP (por ser com estes) anularam muitos investimentos. Quanto ao preço do petróleo, nenhum de nós poderá dizer ao certo o que irá acontecer e eu apenas chamei a atenção para o facto de que existem alguns indicadores (e vontade de alguns, vá http://money.cnn.com...ze-opec-qatar/) em que o preço do petróleo possa subir, e esta semana (ou a semana passada?) foi indicador disso. Se essa situação de facto ocorrer, aumenta-se o IVA? Não podemos ter um orçamento de estado que pretende estimular o consumo interno e continua a aumentar impostos sobre o consumo, não é coerente. E mais uma vez, chamo a atenção para os perigos de que a execução orçamental não vá ser tão positiva como o governo prevê (a comissão europeia, apesar de ter dado luz verde, manifestou as suas preocupações) e, apesar de o plano B não ter sido ainda divulgado, já se sabe que não irão atacar directamente os rendimentos dos portugueses. Ou seja, provavelmente uma derrapagem orçamental significativa terá de ser compensada também ela com um maior aumento do IVA (é o que se tem falado na imprensa, também). Sei que são dois cenários que dificilmente acontecerão em simultâneo, ou que nenhum deles possa nem sequer vir a ser realidade, mas numa discussão sobre um orçamento de estado, vale a pena chamar a atenção para esta incoerência que é querer estimular a economia através do consumo interno, mas depois a devolução dos rendimentos é minima e a carga fiscal sobre o consumo de certos bens (e sobre o crédito já agora, com o aumento do imposto de selo) aumenta. Não! tu tens um preço do bem (antes de impostos) sobre o qual incide o IVA se esse preço desce o IVA recolhido também desce. Por isso é que se compensou essa descida do iva com o aumento do ISPP para anular a perda fiscal. Por isso se o preço dos combustíveis aumentar o ISPP pode diminuir porque a receita perdida e ISPP vai ser recolhida pelo IVA. Bem nenhum de nós sabe o que pode acontecer, certo. Mas para isso é que se fazem previsões e estas se forem bem feitas têm qualidade, para alem disso não são feitas com o dedo no ar a ver para onde sopra o vento. Pelo que vi na tv as previsões após a ultima reunião do produtores foi de que o preço iria continuar a cair ate ao fim do ano. O plano B creio que so vai ser aplicado se houver uma derrapagem muito grande, porque desde que cumpramos com segurança menos de 3%, tipo 2.5 e a economia tiver a crescer não há razões lógicas para introduzir medidas recessivas. Que o impacto directo nas contas nacionais é 0 sei eu. O Estado não vende obrigações todos os dias (mas quase ), portanto o movimento dos mercados secundários é o indicador que melhor reflecte a disponibilidade dos investidores para adquirir dívida portuguesa a juros mais altos ou mais baixos e os Estados agem em conformidade com a situação nesses mercados - isto é, vendem novas obrigações a condições mais favoráveis para pagar obrigações em condições não tão favoráveis quando os juros da dívida estão baixos no mercado secundário, e abstêm-se de se financiar através da emissão de mais dívida quando os juros vêm aumentando de forma significativa. Quanto à Moody's, e sei que não foi isso que escreveste, mas já vi pessoal (e jornais, também) a comentar que as agências de rating avaliaram de forma positiva o novo orçamento de estado e que, por isso, é bom. O que acaba por ser errado, já que a nota positiva da Moody's advém do facto de o governo ter passado de um orçamento irrealista e desaprovado por Comissão Europeia e UTAD, para um orçamento mais realista, e de a sua aprovação ter afastado para já o cenário de instabilidade política e eleições antecipadas. Isto é, as expectativas eram tão baixas, que a simples aprovação de um orçamento de estado dito "normal" é o suficiente para gerar alívio nos mercados. Ainda assim, continuam a achar que o crescimento previsto é demasiado optimista, que a meta do défice não será atingida sem medidas adicionais e que melhorias de eficiência na administração pública previstas para este ano são improváveis de acontecer. Resumindo, não há razões para preocupações neste momento. E também não acredito, como muitos dizem, que em Abril já teremos outra prova dos nove e que existirá o perigo real de passarmos a lixo unanimemente entre todas as agências. Mas acredito que será um bico de obra para o governo quando saírem os primeiros dados sobre a execução orçamental e for preciso agir, dentro de todas as restrições que lhes serão impostas, e teremos de ver como vão eles agir nessa situação. tens o exemplo da divida colocada em Janeiro onde a taxa de juro foi perto de 0 e nessa altura no mercado secundário a taxa andava entre os 2-3%. quanto a historia do orçamento irrealista não vale a pena discutir porque seria falar no abstracto. Eu acredito que vai correr bem é esperar pela execução orçamental. Quanto à Moody's basicamente disse o orçamento esta aprovado agora vamos ver como corre e depois tiramos a ilações disso. Obviamente que as agências de rating não acreditam que o orçamento vá correr bem, porque nos últimos 4 anos tivemos mais de 4 orçamentos e nunca cumprimos as metas. Se usarmos só este histórico é óbvio que ninguém acredita que va correr, mas é necessário ver de uma forma um pouco mais ampla. Por fim, deixo só uma nota. Esta argumentação toda contra o Orçamento de Estado não se prende com simpatias políticas ou ideológicas de nenhum grau (nada de laranjinhas aqui ). O meu receio apenas se prende com o facto de que vejo neste orçamento a intenção de maquilhar a austeridade (em vez de actuar sobre os rendimentos, actua-se sobre o consumo, dando a sensação de que houve uma melhoria da situação genérica das familias portuguesas) e assim poder capitalizar alguma simpatia nas próximas eleições que deverão acontecer no inicio de 2017. A preocupação neste momento não deveria estar em aumentar ou diminuir a austeridade, mas actuar sobretudo sobre a estimulação do investimento (estrangeiro ou nacional) que no final de contas, é o que estimula o crescimento da economia e a criação de emprego e, por conseguinte, aumentar por esta via a receita fiscal e reduzir o défice e o peso da dívida pública. No entanto, este orçamento não só dá não dá sinais positivos nesse aspecto, como até agora tudo o que o governo tem feito é dar cabo do trabalho que tinha sido desenvolvido até aqui nesse campo (um dos poucos pontos positivos no mandato anterior). E enquanto não for estimulado o investimento no país, vamos continuar a crescer marginalmente, e todo o alívio que formos tendo ao nível dos impostos terá de ser compensado no futuro. Não acredito que a solução para a prazo atingir as metas do défice e diminuição do peso da dívida pública esteja no ir ao pote constante arrecadar receita, porque é riqueza que sai da nossa economia para pagar dívida (ou, por enquanto, para esta não crescer tanto). E de azul? estou a brincar. Obviamente que o gostar ou não gostar do OE não implica ser do partido A ou B. Eu gosto do orçamento do ponto de vista económico é mais ponderado e mais equilibrado que os outros e acresce que à partida cumpre a constituição (aquela lei fundamental). Nos estivemos entre 2000 e 2009 a pensar sempre no curto-prazo quando devíamos de estar a pensar a médio prazo. Digo isto porque as obras socraticas tinham como objectivo por a economia a crescer no imediato e não desenvolver infra-estruturas importantes para o desenvolvimento da economia. Agora é preciso pensar das duas formas. A curto prazo para que a economia não afunde mais e possa ter estrutura suficiente para se implementar planos a médio prazo. Este orçamento para mim para a hemorragia da economia e agora é esperar que nos próximos haja já uma perspectiva mais de médio prazo. Principalmente com as mexidas no mercado de trabalho, o que duvido pois o pcp e o be não vão na conversa do centeno, infelizmente. Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 26 Fevereiro 2016 img]https://scontent-mad1-1.xx.fbcdn.net/hphotos-xpt1/v/t1.0-9/12742467_813664892079013_8863596321830716480_n.jpg?oh=49c56c83d18480ed07436d8e5773845e&oe=576273E0[/img] O Pedro Arroja já deve ter desmaiado. Os comentários a essa notícia no Observador são lindos. Rate: 5/5 Só gostava de ver um cartaz do BE a falar de Maomé Emoji smile daqui a umas semanas já tinham uma bomba na sede e estava o assunto resolvido! hehehehehehe. We have a winner! Rate: 4/5 Aconselho os "meninos" do Bloco de Esquerda para não brincar com a religião, já que não são crentes, no mínimo respeitem os que SÃO CRENTES . A continuação de uma boa noite a todos e uma VIDA FELIZ. Rate: 3/5 foi o que faltou aos dirigentes do bloco... pais... ou mães... ou alguém que lhes tivesse dado educação... Compartilhar este post Link para o post
Enzo Dios Perez Publicado 26 Fevereiro 2016 Bruxelas não quer que David Neeleman, empresário da Atlantic Gateway, controle, seja de que maneira for, a TAP. A Direção-Geral Europeia dos Transportes (DG Move) estará a pressionar a Autoridade Nacional de Aviação Civil para que não aceite que cidadãos não-europeus controlem a companhia aérea. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 26 Fevereiro 2016 Parece que afinal a tão famigerada poupança na renegociação das PPP não foi de 2.500 milhões de euros mas sim de 700 milhões. E mais: na tão bendita renegociação ficou estabelecido que as grandes reparações nas vias passam agora a ser da responsabilidade do estado :lol: Compartilhar este post Link para o post
Mr. Bacano Publicado 26 Fevereiro 2016 Jesus Cristo, quanto muito, tinha 1 pai e 1 padrasto. Compartilhar este post Link para o post
Guest Lotterer. Publicado 26 Fevereiro 2016 E jesus cristo tinha uma mãe. Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 26 Fevereiro 2016 O cartaz é apenas uma maneira do BE agradar e conseguir manter próximo o seu eleitorado natural e as suas bases mantendo uma suposta imagem exterior de irreverência e algum "radicalismo" apesar de na prática diária haver a sabida colaboração com o governo, algo ideologicamente não consensual para quem faz o partido existir.. Compartilhar este post Link para o post
Stout Publicado 26 Fevereiro 2016 Parti-me a rir quando vi o cartaz, mas acho mal que o tenham feito depois de a questão já estar decidida. Dá a ideia que é mesmo só para esfregar na cara. Além do mais o BE teve meio milhão de votos e com certeza que muitos deles foram católicos que votaram "para não serem sempre os mesmos" ou apenas para votar numa mulher. Compartilhar este post Link para o post
Homem do Bussaco Publicado 26 Fevereiro 2016 Sou ateu, não suporto o Bloco de Esquerda, mas acho que o cartaz não tem nada de mal. A não ser o facto de ser feio Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 26 Fevereiro 2016 Há que respeitar o direito à liberdade de expressão. Compartilhar este post Link para o post
Guest Lotterer. Publicado 26 Fevereiro 2016 (editado) Há que respeitar o direito à liberdade de expressão. Exacto, eu sou católico e acho que em determinados assuntos a liberdade de expressão tem de ter certos limites para não ir para o insulto mas não vi nada de mal no cartaz, ri-me bastante e foi muito bem apanhado. Não deixa de ser curioso é que depois fiquem todos picados com os jotinhas quando metem imagens do estaline e ai ficam todos picados :mrgreen: Editado 26 Fevereiro 2016 por Lotterer. Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 26 Fevereiro 2016 Há que dar mérito ao BE por fazer um cartaz brutal. Eu achei fantástico. Compartilhar este post Link para o post
Bumblefoot Publicado 26 Fevereiro 2016 Afinal já não somos todos Charlie. Compartilhar este post Link para o post
Carlos Gouveia Publicado 26 Fevereiro 2016 Afinal já não somos todos Charlie. O contorcionismo que toda a gente tenta fazer com política é fenomenal :mrgreen: E isto vai da direita à esquerda. Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 26 Fevereiro 2016 Sou cristão, sou a favor da liberdade dos gays e respectivos direitos que reclamam e achei o cartaz engraçado e também perturbador. Mixed feelings. Compartilhar este post Link para o post
Resende93 Publicado 26 Fevereiro 2016 Btw, cheira-me que está para aí a aparecer um Partido Liberal(de centro) ao estilo dos liberais canadianos. Têm havido muitos artigos sobre isso sobretudo no público e vejam isto: http://liberal.pt/ De referir que quem está à frente disto é entre outros o Alexandre Krauzs que andou a fazer aquela página do facebook do António Costa mas que é do ALDE. Compartilhar este post Link para o post
Guest Lotterer. Publicado 26 Fevereiro 2016 finamente :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 26 Fevereiro 2016 Quem é que já fez match com a Isabel Moreira no Tinder? Compartilhar este post Link para o post