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Tópico da Política e Economia

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Presidente da Águas de Portugal demite-se em ruptura com o Governo

 

Novas orientações do Executivo levaram à saída de Lobato Faria, que foi responsável pela execução da reestruturação do sector, desenhada pelo Governo de Passos Coelho.

 

O presidente da Águas de Portugal, Afonso Lobato Faria, acaba de apresentar a sua demissão à tutela, menos de um ano depois de ter sido reconduzido no cargo que ocupa desde Dezembro de 2011.

 

Em carta enviada à restante administração, a que o Económico teve acesso em primeira mão, o gestor afirma que "tendo em conta os bons resultados obtidos [do grupo] não [pode] de forma alguma concordar com o caminho traçado, que significa um inútil retrocesso para a sustentabilidade do Grupo AdP e por inerência para o sector da água em Portugal".

 

Afonso Lobato Faria acrescenta ainda: "Desfazer o que está bem feito não será certamente uma tarefa que tenha interesse em colaborar muito menos sem perceber nem as razões nem os estudos que suportam tal orientação".

 

Assim, "por não concordar com as ideias que a tutela sectorial defende para o Grupo Águas de Portugal", comunica que renunciou "hoje ao cargo de presidente do conselho de administração da AdP. SGPS, SA pois [entende] que esta será a melhor forma de defender o superior interesse nacional. Esta renúncia, cumprindo o Código das Sociedades Comerciais, produzirá efeitos no final do mês de Abril".

 

O Governo anunciou a reversão do processo de reestruturação a 22 de Março passado.

 

Oito meses depois da adopção do novo figurino do sector – projecto que sempre mereceu forte contestação das autarquias e dos partidos da oposição – a Águas de Portugal garante que os principais indicadores do grupo apresentaram uma melhoria significativa.

 

O processo envolveu a fusão dos 19 sistemas multimunicipais, cujo capital é detido maioritariamente pelas autarquias, encontrando-se o restante nas mãos dos municípios, em apenas cinco empresas.

 

A solução implantada visou a harmonização tarifária entre as regiões do interior, onde as tarifas são mais caras, e as do litoral, mais baixas. Outro dos objectivos era a resolução do grave défice tarifário que o sector atravessa e a dívida das autarquias aos sistemas multimunicipais.

 

E esse é precisamente um dos pontos realçados na renúncia de Lobato Faria: “As dívidas dos clientes municipais que cresceram, no ano de 2012 em cerca de 120 milhões de euros, após a criação das novas empresas diminuíram mais de 40 milhões de euros, permitindo que as empresas tenham uma tesouraria saudável podendo, realizar os investimentos em falta”.

 

A reestruturação empresarial, reforça, “permitiu igualmente iniciar o processo de resolução para o grave problema do défice tarifário”.

 

Prova disso, defende, “é o facto dos desvios tarifários em 2011 no universo das empresas agregadas terem atingido o valor de 82 milhões de euros e no ano de 2016 estima-se que o valor desça para 27 milhões de euros. Este valor é inferior em 60 milhões de euros ao previsto inicialmente nos estudos de viabilidade económico-financeiros (EVEF) o que significa que os custos reais estão a ser ainda mais baixos do que os previstos nos modelos o que indica que as tarifas futuras deverão ser inferiores aos valores inicialmente previstos”.

 

A dívida do Grupo AdP, que no ano de 2012 se cifrava em 3,096 mil milhões de euros, situava-se no final de 2015 em 2,414 mil milhões. Evolução que traduz uma redução de 682 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 22% do valor inicial.

 

“Com a reestruturação a iniquidade tarifária ficou praticamente resolvida já que num período de 5 anos a diferença entre as tarifas de água e saneamento se irão situar numa banda de 11% contrastando com o que existia antes da reestruturação, ou seja, as tarifas necessárias dos sistemas de 2ª geração chegavam a ser mais do dobro das tarifas necessárias dos sistemas de 1ª geração”, afirma Afonso Lobato Faria.

 

«As dívidas dos clientes municipais que cresceram no ano de 2012 em cerca de 120 milhões de euros, após a criação das novas empresas diminuíram mais de 40 milhões de euros, permitindo que as empresas tenham uma tesouraria saudável podendo realizar os investimentos em falta.

Económico

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Tribunal angolano dita sentença

 

O Tribunal Provincial de Luanda condenou os 17 cidadãos angolanos, que estão a ser julgados desde Novembro passado, a penas que vão dos dois a oito anos e seis meses de prisão, pelos crimes, entre outros, de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores. A defesa e o Ministério Público anunciaram que iriam apresentar recurso para o Tribunal Supremo de Angola.

 

Face à instrumentalização deste processo em Portugal, o PCP, reafirmando a defesa do direito de opinião e manifestação e dos direitos políticos, económicos e sociais em geral, tem sublinhado a importância do respeito pela soberania da República de Angola, do direito do seu povo a decidir – livre de pressões e ingerências externas – o seu presente e futuro, incluindo da escolha do caminho para a superação dos reais problemas de Angola e a realização dos seus legítimos anseios.

 

Reiterando a defesa dos direitos e garantias dos cidadãos angolanos – e não se pronunciando sobre as motivações dos cidadãos angolanos envolvidos neste processo, nem sobre a forma como as autoridades angolanas intervieram no decurso deste –, o PCP tem igualmente reiterado que cabe às autoridades judiciais angolanas o tratamento deste ou de outros processos que recaiam no seu âmbito, no quadro do normal funcionamento das suas instituições e de acordo com a sua ordem jurídico-constitucional.

 

Neste sentido, e não esquecendo a longa guerra de subversão e agressão externa que foi imposta ao povo angolano e que tantos sofrimentos e destruição causou, o PCP tem sublinhado que não acompanha campanhas que, procurando envolver cidadãos angolanos em nome de uma legítima intervenção cívica e política, visam efectivamente pôr em causa o normal funcionamento das instituições angolanas e desestabilizar de novo a República de Angola, com a invocação de argumentos e pretextos já utilizados para justificar a ingerência externa exercida sobre outros países, nomeadamente no continente africano.

 

In Avante

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Visitante

Quão a sério devemos levar o aviso do FMI?

 

Não é por ser do FMI, mas já era para levar a sério desde o momento em que começaram a desenhar o orçamento assente em pressupostos irrealistas, e várias entidades nacionais e internacionais chamaram a atenção para isso.

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Melhor debate de toda a corrida

 

Best Trump ever

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Curioso para saber como é que o Tsipras vai reagir publicamente a isto. É que toca-lhe particularmente este assunto. Ele entretanto já marcou um reunião de emergência.

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A morgue

 

 

São 2h00 da madrugada. À entrada, o trânsito adensa-se. As viaturas fazem fila para entrar. A maioria entra com caixões, outras levam mortos. Em cinco horas, até às 7h13, 235 cadáveres sairão da morgue do Hospital Josina Machel, em Luanda, para serem enterrados. É uma média de saída de um caixão a cada minuto e 20 segundos.

 

O governo pode sonegar os dados. Mas não há como esconder os mortos. Basta contá-los, um por um, à saída. É a rotina na morgue do maior hospital do país.

 

Há uma epidemia de febre-amarela, e a malária mata a um ritmo assustador. Como sobressai entre as conversas de familiares, são estas as duas principais causas da mortandade a que se assiste em Luanda. Numa cidade com mais de seis milhões de habitantes, aqueles que recorrem ao Josina Machel são apenas uma pequena amostra da realidade.

 

“Pai [expressão de respeito], não vale a pena. É muita gente a morrer. Nunca vi coisa igual”, lamenta um funcionário da morgue, encarregado de guardar e remover os corpos. Abana a cabeça e vai logo atender à chegada de mais.

 

Numa pequena viatura de duas portas, três senhoras sentadas, vestidas com panos coloridos, levam ao colo o corpo de uma criança, enrolado num pano.

 

São 3h30 da madrugada. Aumenta o já caótico tráfego à entrada da morgue, multiplicando-se o número de entradas e saídas.

 

Na recepção não há um minuto de descanso. Deveria formar-se uma fila por ordem de chegada, mas há problemas de espaço para a demanda de cadáveres. Estabelece-se um pequeno negócio paralelo. Custa seis mil kwanzas para obter espaço imediato.

 

Não há um computador ou uma máquina de escrever. É tudo manual, caótico.

 

Vou até às câmaras frigoríficas, ver para crer. Não pergunto nomes, nem causas. Quero apenas vê-los, ouvir, anotar a realidade, estar ali presente.

 

Conto mais de 20 corpos espalhados, a serem lavados ao ar livre pelos familiares, vestidos, aprumados para o adeus final aos entes queridos. No chão, as águas não escorrem. Misturam-se com sangue, com os plásticos abandonados, luvas, máscaras, panos, roupas retiradas dos mortos. Há uma fossa entupida, com águas putrefactas, no mesmo local.

 

Passo por entre a lavandaria improvisada de mortos, procurando controlar a náusea e evitar as poças de água. Muitos calçam apenas chinelas. Há mulheres descalças. A maioria tem máscaras e luvas. Noto que há alguns lençóis brancos, por estrear, destinados a envolver determinados corpos. Passo por um jovem que segura um fato e uma camisa branca imaculada pelo cabide. No chão, está o seu morto a ser despido, antes do banho. Ao lado, outros jovens retiram o plástico que forra o caixão. Três senhoras atrapalhadas perguntam em voz alta onde podem lavar o seu parente. Parecem perdidas, incrédulas. Várias vozes sugerem espaços livres para que prossigam com a tarefa. Não há iluminação adequada na lavandaria. Improvisa-se.

 

Passo pelos compartimentos assinalados como banhos para homens, mulheres e crianças. Praticamente não têm iluminação e as condições não são melhores que ao ar livre, apenas conferem alguma privacidade. Estão todos ocupados.

 

As câmaras

 

Naquele corredor, estão numeradas, de ambos os lados, um total de 174 gavetas frigoríficas. Pelo chão há luvas, máscaras, restos de roupa, tudo espalhado pelo chão molhado, sujo e ensanguentado. Um grupo cerca uma gaveta. Estão lá quatro corpos, empilhados uns por cima dos outros, com as cabeças viradas para os pés uns dos outros, de forma alternada. Apenas os separam as roupas que vestem. É o que os identifica. Não estão em sacos mortuários (body bags), nem sequer trazem no tornozelo ou no pulso uma etiqueta de identificação.

 

Estão ali 474 corpos.

 

O engarrafamento, a modernidade e a candonga

 

São 4h30 da madrugada. Há engarrafamento numa extensão inferior a 800 metros, entre a ponte do Zamba 2 e a entrada da morgue, na Rua da Samba. Viaturas entram e saem com caixões a todo o momento, causando o caos no tráfego. Familiares e amigos transportam caixões a pé, atravessando a Rua da Samba para o outro lado, no Bairro Azul, onde estacionaram viaturas para evitar o engarrafamento. Alguns estacionam mais abaixo.

 

Vejo um pai, alto e magro, a caminhar com um caixão minúsculo, forrado em plástico, debaixo do seu braço. É para um recém-nascido. O seu olhar é vago, distante.

 

Do outro lado da rua da morgue dilapidada situa-se o novo edifício da Assembleia Nacional, orçado em US $311 milhões

 

Da entrada da morgue vê-se a abóbada rosada da nova Assembleia Nacional, erguida do outro lado da estrada a um custo de US $311.2 milhões [cerca de 278 milhões de euros] (pagos através de fundos secretos à disposição do Presidente). Foi inaugurada em novembro passado, imitando o Capitólio dos Estados Unidos, mas as obras ainda estão por concluir. Os deputados foram informados que a manutenção mensal do edifício custa o equivalente a US $1.7 milhão [cerca de 1,5 milhões de euros]. Um pouco mais acima é a Cidade Alta, a menos de 500 metros, onde se situa o Palácio Presidencial. No mesmo quarteirão da morgue está o Ministério da Saúde. Do outro lado do muro está o maior hospital pediátrico do país, que ali deposita mais de 20 crianças por dia.

 

Um quilómetro a norte está a Marginal de Luanda, símbolo da ilusão de modernidade do regime do MPLA e de José Eduardo dos Santos. É uma obra de requalificação da Baía de Luanda, que custou US $360 milhões [cerca de 322 milhões de euros]. Tem palmeiras importadas da Flórida, nos Estados Unidos da América. Os jardins são bem tratados. Têm sempre água. A Baía é bonita, não importa o mau cheiro das fossas que despejam para lá. Na morgue, cada um leva o seu bidão com água para cuidar dos finados.

 

Tanto na travessa como na área de estacionamento da morgue, consolida-se o pequeno comércio. Três jovens com garrafas térmicas, copos de plástico, pacotinhos de instantâneo e de açúcar vendem café. Algumas mulheres vendem luvas e máscaras descartáveis para que os familiares possam entrar na morgue, identificar, remover os seus cadáveres das gavetas e dar-lhes banho. O par de luvas custa 100 kwanzas, assim como a máscara. Uma senhora reclama, dizendo que há uns meses atrás aqueles itens custavam 20 kwanzas cada. Conhece bem a morgue e os seus negócios. Prefere ir assim. Ofereço-lhe as luvas. Falo-lhe das doenças que pode apanhar. Calça chinelas, não tem protecção para os pés.

 

Mais logo, a filha do presidente, deputada do MPLA, Tchizé dos Santos, aparecerá nos ecrãs da Televisão Pública de Angola (TPA) como madrinha de um Tea Club, a oferecer luvas, máscaras, seringas e outros materiais descartáveis aos hospitais. Os dirigentes têm materiais médicos descartáveis para oferecer aos hospitais, para benefício da imagem pessoal em tempo de crise. Os candongueiros também têm, para vender.

 

Outro negócio próspero é o do whisky sul-africano em pacotinhos. Cada um custa 100 kwanzas. Vende-se também como desinfectante das mãos. Depois de tratar de uma vintena de corpos, um dos funcionários pede um pacote de whisky, porque sente comichão nas mãos, usa umas luvas de cozinha, diz que as descartáveis se rasgam facilmente e que a morgue não lhes providencia material básico de trabalho. O vendedor lembra-lhe que já tem uma dívida de 300 kwanzas.

 

A Câmara Cinco

 

O funcionário tinha acabado de depositar um corpo na famosa Câmara Cinco, a que uns chamam “porão”, outros “contentor”. O tráfego de mortos é de tal ordem que a câmara se mantém praticamente sempre aberta até ao período de acalmia, depois das 7h00. É um congelador único com 450 corpos empilhados, em estantes e no chão. É aqui que se depositam os acidentados, os não identificados, os corpos levados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) e outras forças policiais. O cheiro nauseabundo de corpos em decomposição é insuportável.

 

À entrada da Câmara Cinco, o corrupio de gente em busca dos seus entes queridos é constante.

 

Ode à menina

 

Passo, mais uma vez, pela lavandaria, incapaz de compreender, de aceitar tamanha desumanidade institucional, o destino de um povo perdido. À entrada da câmara principal, vejo uma mulher robusta, sentada, vestida de panos e uma camisola. Ao seu colo tem uma menina, de menos de dois anos, aninhada, vestida apenas com uma fralda. Serena-a com um cântico religioso, enquanto duas outras mulheres lhe limpam o corpo, fazendo coro. Cada uma delas segura-a numa mão e afagam-na com toda a ternura. Fazem o mesmo com os pés. É um momento de amor, de paz, que devolve algum sentimento humano àquele lugar. Por um momento, tive esperança. Retiram-lhe, então, uma pequena fita adesiva que tem colada à testa, com o seu nome. Está pronta para a partida.

 

As três conversadoras

 

Cá fora, à entrada, três mulheres conversam entre si sobre a mortandade em Luanda, o serviço público de saúde e as consequências do estado da Câmara Cinco. Passa o vendedor de whisky, a líder da conversa reclama um pacote. “Eu normalmente não bebo, mas aqui não há como. Dói ver tudo isso”, justifica-se. Conta então como os seus vizinhos receberam do Hospital Josina Machel a notícia de que o seu ente querido tinha falecido durante a madrugada e de que o seu corpo fora transferido para a morgue. Aparentemente, na madrugada seguinte, alguns familiares identificaram o corpo apenas pelos calções pretos que vestia, retiraram-no da Câmara Cinco, deram-lhe banho, colocaram-no no caixão e levaram-no para casa, ao que se seguiu o enterro. Dias depois, o “morto” apareceu em casa, tendo recebido alta do hospital. “Agora não ficou muito bom da cabeça, depois de saber que a família já tinha feito o seu funeral”, conta a mulher.

 

Outra das mulheres refere-se a um engano de identidades na entrega de cadáveres, que levou uma família a enterrar uma desconhecida. “Os bacongo, os langas [termo pejorativo extensivo aos cidadãos da RDC] quando deram conta que a sua irmã já tinha sido enterrada por engano conseguiram identificar a família e foram lá exigir que desenterrassem o corpo”, e desvia a conversa para a classificação dos grupos etnolinguísticos, distinguindo aqueles que a seu ver sabem defender os seus interesses dos que se sujeitam a todo o tipo de abusos. Ao lado, indigna-se um senhor que volta e meia molha a máscara que lhe cobre o rosto com whisky de pacote, para neutralizar o cheiro fétido do local. Insurge-se contra o que considera conversa tribalista e explica que ficou sete anos praticamente sem conseguir calçar sapatos, devido a uma doença que lhe afectava os pés. Por falta de dinheiro para ser transportado para a África do Sul, a Namíbia ou a Europa, deslocou-se até à República Democrática do Congo, onde em pouco tempo recuperou a saúde. “O médico nem sequer aceitou os US $500 [cerca de 447 euros] que lhe ofereci por me ter tratado. Estamos sempre a falar mal dos bacongo e dos congoleses, mas olha que o serviço deles de saúde, mesmo com guerra e corrupção, não se compara com a gatunice e a desumanidade dos angolanos.”

 

Entra nesse momento um carro de uma agência funerária. As três senhoras aguardavam por essa viatura. Já há algum tempo que haviam dado banho ao seu menino. Vestiram-no todo de branco e taparam-no com um lençol. Está ali na “pedra”, como chamam à bancada de cimento, na antessala reservada para as crianças. A interlocutora pede imensas desculpas ao ofendido. As três despedem-se, retiram o pequeno caixão branco da viatura e começam a chorar. Vão à bancada, colocam o menino no seu repouso, transportam-no para o carro numa choradeira e partem.

 

São 7h13. Saíram até agora 235 cadáveres. O ritmo abranda. Já não há lavagem de corpos. Surge pessoal de limpeza para dar uma aparência de normalidade àquele lugar. É como se tivesse tido um pesadelo. É sábado.

 

O Ministério da Saúde

 

Na segunda-feira vou ao gabinete do ministro da Saúde, Luís Sambo, a menos de dez minutos de caminhada da morgue. O impressionante sistema moderno de torniquetes, de activação electrónica, que se vê nos corredores parece já não funcionar.

 

Explico à secretária a razão do meu pedido de audiência. Transmito resumidamente o que vi na morgue. A secretária informa-me da ausência do ministro e encaminha-me para o seu assessor jurídico, Adalberto Miguel. Naquele instante entra o ministro. “Boa tarde”, cumprimenta-me, seguindo para o seu gabinete.

 

O assessor toma nota do meu relato sobre o estado de sítio na morgue, que é ali ao lado. Agradece. Refere que o ministro, nomeado para o cargo a 5 de março, “começará a conceder audiências dentro de duas semanas”. O ministro “é afável, de fácil trato”, sublinha o assessor.

 

Até à sua nomeação, Luís Sambo exercia o cargo de secretário de Estado da Saúde, para o qual havia sido nomeado nove meses antes. Exercera ainda, ao longo de dez anos, o cargo de director regional para África da Organização Mundial da Saúde.

 

Crueldade e insensibilidade

 

Depois de três dias a testemunhar aquilo que se passa na morgue, seria francamente insuficiente afirmar que o país tem um líder insensível e cruel, um regime desumano.

 

Acumulam-se as perguntas. Como é isto possível? Quem são os decisores que permitem que isto aconteça? Por que razão o povo angolano, que sofre há tanto tempo, se sujeita a isto? Quando acabará o sofrimento? O problema é que todos sabemos a resposta, mas estamos imobilizados pelo medo e pela apatia. A passividade dos cidadãos diante da catástrofe é absolutamente alarmante.

 

Os pesadelos pertencem à noite e o relógio não pára.

 

Se tiverem estômago, vejam o vídeo:

 

 

 

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Neste momento no Mundo todo há milhares daquelas máquinas de destruir papeis a funcionar.

 

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A dimensão disto é inacreditável, os dados foram fornecidos ao jornal Alemão Süddeutsche Zeitung que não tendo capacidade para lidar com a totalidade os partilhou com 100 jornais de todo o Mundo, tendo estado cerca de 400 jornalistas a trabalhar durante 12 meses sobre isto. E sem uma unica fuga de informação que se saiba.

Editado por antifa

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Vamos ter assunto para mais de um mês. Vou aguardar com curiosidade para saber quais os portugueses implicados nisto :)

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Ainda vão ser divulgadas mais coisas ou o grosso dos envolvidos já foi divulgado?

 

É incrível como durante tanto tempo e tantos jornalistas não terem divulgado nada

Editado por ascom

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Eu ainda não estou a perceber bem a dimensão deste caso. Mas a justiça vai ter maozinhas para isto?

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Vamos ter assunto para mais de um mês. Vou aguardar com curiosidade para saber quais os portugueses implicados nisto :)

 

Até agora falaram de dois, Idalécio Oliveira (ao nível de um negócio com a Petrobrás) e o outro não me recordo.

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