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Longineu

Maioria chumba coadoção por casais do mesmo sexo

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Por acaso já havia reparado que a opinião pública está um pouco "confusa" com este tema, ainda hoje no trabalho estavam a falar disto e a discutir se seria melhor ter crianças adoptadas por gays ou num orfanato. Mas pior que não compreenderem o que é a co-adopção foram alguns "argumentos" utilizados.

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Isso seria verdade se a determinação do que é eticamente certo decorresse de uma ciência exata.

O mesmo se aplica àquilo que é socialmente reprovável. Isto para dizer que não podes, de forma alguma, formular um raciocínio contra a adoção por casais homosexuais baseado num eventual estigma social daí adquirido quando, ao mesmo tempo, excluis o bónus familiar que essa situação iria provocar na relação com a criança.

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Nem eu com a tua tirada da ciência exacta. Ficámos na mesma :lol:

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O mesmo se aplica àquilo que é socialmente reprovável. Isto para dizer que não podes, de forma alguma, formular um raciocínio contra a adoção por casais homosexuais baseado num eventual estigma social daí adquirido quando, ao mesmo tempo, excluis o bónus familiar que essa situação iria provocar na relação com a criança.

 

Não concordo. O que é socialmente reprovável pode ser medido e analisado até em termos empíricos. E daí podem ser extraídas conclusões científicas. A Sociologia é uma ciência.

 

Concordo que a ação política não pode cingir-se a aplicar medidas socialmente admissíveis. Cabe ao Estado a defesa dos direitos das minorias, por exemplo. Com o que eu não concordo é que se utilizem pessoas, neste caso crianças, como instrumento para alcançar esses fins.

 

Nem eu com a tua tirada da ciência exacta. Ficámos na mesma :lol:

 

A questão é que o teu conceito de do que é certo em termos éticos pode não ser coincidente com o meu. E serem ambos legítimos. Não vejo porque motivo o Estado deve aplicar uma política ou uma medida suportada apenas no teu conceito de eticamente correto. E quem diz o teu diz o meu ou o de um determinado grupo de pessoas sejam elas maioritárias ou minoritárias na sociedade. É certo que há valores básicos e fundamentais que, na prática, correspondem em grande medida aos direitos que estão expressos na DUDH. O que eu não é encontro é uma associação direta da adoção por casais homossexuais a qualquer artigo da DUDH.

Editado por Descartes

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Esta questão é simples...mas as pessoas tendem em complicar... Existe alguma pessoa homossexual que tenha essa preferencia por ter sido criada no seio de uma familia de pais do mesmo sexo? Que eu saiba todos os homossexuais foram criados por familias heterossexuais correcto? entao perem la...não faz sentido... muita gente é contra porque torna a criança gay...algo vai mal...

 

Isto é tudo uma questão de senso comum, Gays ou não gays...SAO PESSOAS...seres humanos com direitos...Se eu quiser tar com a minha noiva na rua aos beijos, porque razao não podem eles tambem tar sem as pessoas olharem ou mandarem bocas? se eu quiser adoptar uma criança por algum problema, porque não podem eles tambem? somos todos iguais... agora vêm falar de nojos e outras balelas que pouco interessam para o caso...isto é basicamente o espelho do país...pequenino e retrogada... tristeza...

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Esta questão é simples...mas as pessoas tendem em complicar... Existe alguma pessoa homossexual que tenha essa preferencia por ter sido criada no seio de uma familia de pais do mesmo sexo? Que eu saiba todos os homossexuais foram criados por familias heterossexuais correcto? entao perem la...não faz sentido... muita gente é contra porque torna a criança gay...algo vai mal...

 

Isto é tudo uma questão de senso comum, Gays ou não gays...SAO PESSOAS...seres humanos com direitos...Se eu quiser tar com a minha noiva na rua aos beijos, porque razao não podem eles tambem tar sem as pessoas olharem ou mandarem bocas? se eu quiser adoptar uma criança por algum problema, porque não podem eles tambem? somos todos iguais... agora vêm falar de nojos e outras balelas que pouco interessam para o caso...isto é basicamente o espelho do país...pequenino e retrogada... tristeza...

 

Bold 1 - Eu não sei nada disso. Com essa frase tu estás a querer dizer que está comprovado com 100% de certeza que os indivíduos criados por casais homossexuais são sempre heterossexuais?

 

Bold 2 - Porque as crianças para adoção não são propriamente uma peça de roupa que está exposta numa montra de pronto-a-vestir nem um carro em exposição num stand de automóveis.

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A questão é que o teu conceito de do que é certo em termos éticos pode não ser coincidente com o meu. E serem ambos legítimos. Não vejo porque motivo o Estado deve aplicar uma política ou uma medida suportada apenas no teu conceito de eticamente correto. E quem diz o teu diz o meu ou o de um determinado grupo de pessoas sejam elas maioritárias ou minoritárias na sociedade. É certo que há valores básicos e fundamentais que, na prática, correspondem em grande medida aos direitos que estão expressos na DUDH. O que eu não é encontro é uma associação direta da adoção por casais homossexuais a qualquer artigo da DUDH.

 

Não entendo de que forma é que os teus termos éticos serão diferentes, quando vivemos na mesma sociedade e com educações provavelmente semelhantes. É uma escolha pessoal e entendo-a. Mas não digas que é eticamente correcto, porque não o é.

 

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.

 

Podes ser picuinhas e dizeres que não há nada no artigo directamente relacionado com a adopção por casais homossexuais. É verdade que não há. Mas digo que é ingenuidade tua esperares tal associação num artigo um pouco mais velho que tu :mrgreen:

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Co-adoção é isto: tens um filho (biológico ou adotivo) e a mãe não existe. Casas-te ou estabeleces uma união de facto com um companheiro. Passas um determinado período de tempo (penso que a proposta do PS apontava para 5 anos mas não tenho a certeza) nessa relação marital. O teu companheiro poderá, se ambos o entenderem, adotar o teu filho. E a criança passa a ter dois pais. Para todos os efeitos em que legalmente seja exigida essa relação parental, desde as corriqueiras visitas ao hospital ou autorizações escolares até às mais sérias questões de herança e custódia no caso de um falecimento.

Finalmente consegui perceber ao certo do que se tratava isto da coadoção e agora que penso nas barbaridades que já ouvi de malta a falar sobre este assunto quando nem sabem do que se trata :facepalm:

 

Obrigado Descartes ;-)

Editado por PeteThaAlcino

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Eu acho que a lei devia ser aprovada tão só porque é uma realidade palpável, estas famílias existem, é uma questão de as legalizar, para proteger as próprias crianças, que sendo-o, legalmente acabam por não ser reconhecidas, com todos os problemas que isso traz.

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Não concordo. O que é socialmente reprovável pode ser medido e analisado até em termos empíricos. E daí podem ser extraídas conclusões científicas. A Sociologia é uma ciência.

 

Concordo que a ação política não pode cingir-se a aplicar medidas socialmente admissíveis. Cabe ao Estado a defesa dos direitos das minorias, por exemplo. Com o que eu não concordo é que se utilizem pessoas, neste caso crianças, como instrumento para alcançar esses fins.

Estamos a ser demasiado literais na abordagem a este assunto. Quem diz "reprovável", diz "mal aceite" ou "visto com preconceito". O que interessa aqui é a correlação entre o sofrimento dos pais, advindo da sua condição homossexual, e a passagem do mesmo para a criança adotada. Há alguma ciência que determine, com exatidão, que uma criança nestas condições irá sofrer o mesmo estigma que os pais? Tendo em conta todas as variáveis possíveis, não acredito. Por outro lado, parece-me que a avaliação das condições ótimas para aprovar uma adoção tem padrões mais facilmente controláveis e bastante menos subjetivos.

 

 

E a orientação sexual nem deveria ser um fator a ter em conta, sequer. Isso é que está mal. À partida, qualquer relação capaz nos planos sentimental, social e legal de formar uma família deveria ser aceite para a adoção. A defesa das minorias não se faz com atos de coragem propagandista, mas é preciso coragem para agir de forma inclusiva- e isso implica tratar as minorias de forma igual ao resto da população.

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Não entendo de que forma é que os teus termos éticos serão diferentes, quando vivemos na mesma sociedade e com educações provavelmente semelhantes. É uma escolha pessoal e entendo-a. Mas não digas que é eticamente correcto, porque não o é.

 

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.

 

Podes ser picuinhas e dizeres que não há nada no artigo directamente relacionado com a adopção por casais homossexuais. É verdade que não há. Mas digo que é ingenuidade tua esperares tal associação num artigo um pouco mais velho que tu :mrgreen:

 

Não entendes? Pode ser uma coisa tão simples como eu ter uma educação fortemente católica e tu não. Só isso basta para termos conceitos diferentes do bem e do mal, do reprovável e do aceitável. Não nos grandes temas mas nas coisas mais miúdas nota-se facilmente. Há pessoas para quem a mentira, por mais inocente ou piedosa que seja, é intolerável. Outras pessoas convivem lindamente com a mentira, principalmente se tiver essas características de inocente ou piedosa. Dito isto, não consigo perceber porque é que a adoção por parte de casais homossexuais é eticamente correta. Escapa-me essa ligação.

 

Se eu fosse picuinhas diria que não há qualquer referência explícita à orientação sexual. Colocaste a bold a questão do sexo mas isso refere-se às diferenças de género. Homem ou Mulher. Mas a minha questão não é essa. Tem a ver com a adoção propriamente dita. Em que artigo é que a adoção surge como um direito?

 

 

Finalmente consegui perceber ao certo do que se tratava isto da coadoção e agora que penso nas barbaridades que já ouvi de malta a falar sobre este assunto quando nem sabem do que se trata :facepalm:

 

Obrigado Descartes ;-)

 

:wink:

 

Estamos a ser demasiado literais na abordagem a este assunto. Quem diz "reprovável", diz "mal aceite" ou "visto com preconceito". O que interessa aqui é a correlação entre o sofrimento dos pais, advindo da sua condição homossexual, e a passagem do mesmo para a criança adotada. Há alguma ciência que determine, com exatidão, que uma criança nestas condições irá sofrer o mesmo estigma que os pais? Tendo em conta todas as variáveis possíveis, não acredito. Por outro lado, parece-me que a avaliação das condições ótimas para aprovar uma adoção tem padrões mais facilmente controláveis e bastante menos subjetivos.

 

 

E a orientação sexual nem deveria ser um fator a ter em conta, sequer. Isso é que está mal. À partida, qualquer relação capaz nos planos sentimental, social e legal de formar uma família deveria ser aceite para a adoção. A defesa das minorias não se faz com atos de coragem propagandista, mas é preciso coragem para agir de forma inclusiva- e isso implica tratar as minorias de forma igual ao resto da população.

 

Não penso assim. O sofrimento dos pais é o que menos me importa. O que interessa aqui é o possível (e não escrevo previsível propositadamente) sofrimento da criança por ser filha de quem é na sua relação com a sociedade.

 

Quanto ao resto do teu post dou de barato... Em termos abstratos concordo, mas não é isso que eu julgo fundamental.

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Não me apetece ler para trás, mas aposto que o Desc é contra...

 

VAI IGUALDADE ESCOLHO-TE A TI!!!

 

http://www.youtube.com/watch?v=hlVBg7_08n0&feature=kp

 

"Man-made rewiring of a predisposition

Playing God, aw nah here we go

America the brave still fears what we don't know

And God loves all his children, is somehow forgotten

But we paraphrase a book written thirty-five-hundred years ago

I don't know

(...)

We press play, don't press pause

Progress, march on

With the veil over our eyes

We turn our back on the cause

'Til the day that my uncles can be united by law

When kids are walking 'round the hallway plagued by pain in their heart

A world so hateful some would rather die than be who they are

And a certificate on paper isn't gonna solve it all

But it's a damn good place to start

No law is gonna change us

We have to change us

Whatever God you believe in

We come from the same one

Strip away the fear

Underneath it's all the same love"

 

F'ckin beautiful :prayer:

 

btw, fui criado boa parte da minha infância rodeado de malta gay e não só sobrevivi como considero ter sido uma experiência enriquecedora e conheço filhos de pais gays e que viveram com casais gay e são malta fixe e quase todos héteros...

Editado por infinito

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Qual aspecto te referes Vaart?

 

Relativamente à homossexualidade. Não me estou a referir à coadoção.

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A minha sign também é à fag. tamojunto, infinito. :D

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Nova sign até a lei ser aprovada!

 

É a sign e o avatar :mrgreen:

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Porque não tenho como adquirido que existam mais crianças para adotar do que candidatos a pais adotivos.

Sabes perfeitamente que muitos candidatos dão preferência por um determinado grupo etário, logo qualquer rácio que se crie não será linear como dás a entender. De qualquer forma, será sempre preferível que haja mais candidatos a pais adotivos do que crianças por adotar, pelo que um acréscimo no número dos primeiros não é de todo preocupante, até aumenta a probabilidade de se encontrar uma boa compatibilidade entre os interessados.

 

Porque a decidir entre um casal heterossexual e um casal homossexual penso que a criança fica mais salvaguardada e protegida no seu crescimento se não tiver esse ónus que a sociedade inevitavelmente lhe imporá.

Presumo que consideras que este peso, imposto pela sociedade, que uma criança adotada por um casal homossexual carrega, seja a transferência consciente ou inconsciente do preconceito latente por homossexuais. Acreditas mesmo que seja inevitável que uma criança passe por um tormento tão gravoso e recorrente que seja suficiente para colocar um verdadeiro travão a essa adoção? Ou consideras que se trata de uma possibilidade, não havendo garantias de que tal aconteça? Responde-me ainda a isto: acreditas que um estado de direito poderia respeitavelmente justificar o impedimento à adoção por casais homossexuais com este argumento?

 

Este argumento, que provavelmente consideras ser um dos mais forte, é para mim um dos mais fracos. Trata-se de um receio, sobre a hipotética atitude que a sociedade poderia evidenciar perante uma criança adotada por uma minoria, a última vítima de preconceito. Com este argumento, declaras indiretamente a vitória do preconceito, quando se trata de um mal que deve ser enfrentado sem receios e sem ser contornado. Acredito que não consideres concebível que a adoção fosse negada a ciganos, por exemplo? Afinal trata-se de uma minoria que também sofre fortes preconceitos em Portugal.

 

Porque não acho legítimo que o Estado utilize as crianças à sua guarda como instrumentos para transformar a sociedade e as mentalidades.

Há um instrumento que o Estado detém para transformar a sociedade e as mentalidades, a educação. É aí que reside a chave para essa transformação. Permitir que casais homossexuais adotem não passa por instrumento nenhum, é algo que devia ser encarado com naturalidade. Só não o é, por receios infundados e exacerbados.

 

Porque acho mais urgente que se tomem medidas para tornar os processos de adoção mais céleres e menos burocráticos.

Uma coisa não impede a outra.

 

Como é lógico admito a existência de exceções. Quase todas passando pelo consentimento expresso da criança.

Basicamente, só aceitarias que crianças acima de um determinado grupo etário pudessem ser adotadas por casais homossexuais. Para mim isto não faz sentido, uma criança que não tenha a idade para aceitar ser adotada por um casal homossexual vai crescer desenvolvendo um grande afeto pelos seus pais/mães, muito mais forte do que qualquer possível preconceito. O ambiente familiar seria portanto muito mais dificilmente afetado por terceiros. Ou seja, o potencial para desastre é maior nos casos que tu defenderias serem exceções, onde os laços de amor e confiança naturalmente demoram mais tempo a formarem-se e, face ao tal sofrimento que consideras provável, podem ser quebrados mais facilmente.

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Sabes perfeitamente que muitos candidatos dão preferência por um determinado grupo etário, logo qualquer rácio que se crie não será linear como dás a entender. De qualquer forma, será sempre preferível que haja mais candidatos a pais adotivos do que crianças por adotar, pelo que um acréscimo no número dos primeiros não é de todo preocupante, até aumenta a probabilidade de se encontrar uma boa compatibilidade entre os interessados.

 

Sei. Preferência por determinado grupo etário e por determinadas características. Os bebés loiros com olhos azuis continuam com muita saída. Como não me parece que os homossexuais sejam pessoas diferentes presumo que as suas preferências sigam as mesmas premissas. Como tal sou levado a concluir, talvez abusivamente, que a abertura da capacidade de adoção a casias homossexuais iria alimentar mais as listas de espera pelas tipologias de crianças mais "requesitadas" e não teria efeitos significativos naquele grupo de crianças que normalmente surgem como suporte a um dos mais utilizados argumentos pelos pró-adoção gay.

 

 

Presumo que consideras que este peso, imposto pela sociedade, que uma criança adotada por um casal homossexual carrega, seja a transferência consciente ou inconsciente do preconceito latente por homossexuais. Acreditas mesmo que seja inevitável que uma criança passe por um tormento tão gravoso e recorrente que seja suficiente para colocar um verdadeiro travão a essa adoção? Ou consideras que se trata de uma possibilidade, não havendo garantias de que tal aconteça? Responde-me ainda a isto: acreditas que um estado de direito poderia respeitavelmente justificar o impedimento à adoção por casais homossexuais com este argumento?

 

Este argumento, que provavelmente consideras ser um dos mais forte, é para mim um dos mais fracos. Trata-se de um receio, sobre a hipotética atitude que a sociedade poderia evidenciar perante uma criança adotada por uma minoria, a última vítima de preconceito. Com este argumento, declaras indiretamente a vitória do preconceito, quando se trata de um mal que deve ser enfrentado sem receios e sem ser contornado. Acredito que não consideres concebível que a adoção fosse negada a ciganos, por exemplo? Afinal trata-se de uma minoria que também sofre fortes preconceitos em Portugal.

 

Presumes bem. Não é inevitável, eu próprio referi a existência dessa possibilidade. A questão é que este estado de direito não tem que justificar o impedimento. Se quiser mudar as regras terá, isso sim, que justificar a permissão à adoção por casais homossexuais havendo essa possibilidade

 

O que não me parece aceitável é que uma medida desta natureza seja promovida no âmbito dessa luta contra o preconceito. Prefiro pensar que existem outros caminhos sem arriscar a eventual existência de vítimas colaterais.

 

Quanto aos ciganos tenho a firme convicção que o preconceito não se dirige à etnia em geral mas sim aos ciganos que praticam ciganices e que vivem de acordo com a tradição cigana. Esses são excluídos por natureza dos processos de adoção porque não cumprem com os critérios de natureza social e/ou económica. Os ciganos devidamente integrados na sociedade, com residência fixa, emprego, cumprimento das obrigações fiscais não são alvo de nenhum preconceito especial.

 

Há um instrumento que o Estado detém para transformar a sociedade e as mentalidades, a educação. É aí que reside a chave para essa transformação. Permitir que casais homossexuais adotem não passa por instrumento nenhum, é algo que devia ser encarado com naturalidade. Só não o é, por receios infundados e exacerbados.

 

Perfeitamente de acordo. A educação é chave. Mas acho que não percebeste bem o que eu quis dizer com a utilização do termo "instrumento". Na minha maneira de ver as crianças adotadas é que seriam um instrumento para alcançar fins. Por muito nobres que me pareçam esses fins, não julgo que seja legítimo.

 

Uma coisa não impede a outra.

 

Claro que não. É apenas a minha visão do que devem ser as prioridades neste assunto da adoção.

 

Basicamente, só aceitarias que crianças acima de um determinado grupo etário pudessem ser adotadas por casais homossexuais. Para mim isto não faz sentido, uma criança que não tenha a idade para aceitar ser adotada por um casal homossexual vai crescer desenvolvendo um grande afeto pelos seus pais/mães, muito mais forte do que qualquer possível preconceito. O ambiente familiar seria portanto muito mais dificilmente afetado por terceiros. Ou seja, o potencial para desastre é maior nos casos que tu defenderias serem exceções, onde os laços de amor e confiança naturalmente demoram mais tempo a formarem-se e, face ao tal sofrimento que consideras provável, podem ser quebrados mais facilmente.

 

Eu falei de exceções. Não tenho competências ao nível da pedopsicologia por isso não sei dizer a partir de que idade as crianças já dispõem de capacidades de formular escolhas conscientes sobre o seu futuro, mas não me parece mal que a adoção por parte de casais homossexuais fosse permitida nos casos em que a vontade expressa da criança seja nesse sentido. Que a adoção tem mais potencialidades para correr bem quanto menor for a idade da criança é um dado adquirido, quer se trate de casais homossexuais ou heterossexuais. Não é por acaso que o grupo etário dos bebés é o preferido por praticamente todos os candidatos a pais adotivos.

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Sei. Preferência por determinado grupo etário e por determinadas características. Os bebés loiros com olhos azuis continuam com muita saída. Como não me parece que os homossexuais sejam pessoas diferentes presumo que as suas preferências sigam as mesmas premissas. Como tal sou levado a concluir, talvez abusivamente, que a abertura da capacidade de adoção a casias homossexuais iria alimentar mais as listas de espera pelas tipologias de crianças mais "requesitadas" e não teria efeitos significativos naquele grupo de crianças que normalmente surgem como suporte a um dos mais utilizados argumentos pelos pró-adoção gay.

*requisitadas

 

Sinceramente discordo com as tuas conclusões. Para além de que ainda existe a possibilidade de adoção internacional.

 

Presumes bem. Não é inevitável, eu próprio referi a existência dessa possibilidade. A questão é que este estado de direito não tem que justificar o impedimento. Se quiser mudar as regras terá, isso sim, que justificar a permissão à adoção por casais homossexuais havendo essa possibilidade.

Eu perguntei se era inevitável, pois usaste essa expressão aliada ao ónus que a sociedade imporia sobre a criança, dando tal peso como garantido. Um lapso teu.

 

O estado só se teria de justificar com a crença de que a sociedade portuguesa tem a capacidade para combater esse preconceito, com a denúncia e devida punição na eventualidade da intolerância à homossexualidade ser dirigida às crianças em causa. Qualquer pessoa madura e inteligente percebe que é descabido fazer uma criança sofrer. Ainda por mais por algo completamente fora do seu controlo.

 

Quando mencionei educação, anteriormente, fi-lo com a convicção que nas escolas as crianças beneficiariam que a discussão sobre estas desigualdades fosse promovida, limitando assim de uma forma eficiente os abusos entre colegas de escola, visto que esse é o ambiente onde as crianças estão mais expostas.

 

O que não me parece aceitável é que uma medida desta natureza seja promovida no âmbito dessa luta contra o preconceito. Prefiro pensar que existem outros caminhos sem arriscar a eventual existência de vítimas colaterais.

A luta contra o preconceito não passa por promover a medida em discussão. A igualdade ajudaria nessa luta, mas não é o tal instrumento de que falas e nem as crianças seriam as bandeiras. As vítimas já existem, de uma maneira ou de outra. Eu prefiro que as crianças tenham o conforto, segurança e amor que um casal homossexual lhes pode oferecer.

 

Quanto aos ciganos tenho a firme convicção que o preconceito não se dirige à etnia em geral mas sim aos ciganos que praticam ciganices e que vivem de acordo com a tradição cigana. Esses são excluídos por natureza dos processos de adoção porque não cumprem com os critérios de natureza social e/ou económica. Os ciganos devidamente integrados na sociedade, com residência fixa, emprego, cumprimento das obrigações fiscais não são alvo de nenhum preconceito especial.

Mencionei a etnia cigana como poderia ter mencionado outra minoria étnica que atualmente sofra discriminação. Tu tens essa firme convicção e eu tenho a de que as crianças não sofreriam os abusos psicológicos que tu prevês, independentemente da etnia, religião ou orientação sexual dos seus pais adotivos.

 

Perfeitamente de acordo. A educação é chave. Mas acho que não percebeste bem o que eu quis dizer com a utilização do termo "instrumento". Na minha maneira de ver as crianças adotadas é que seriam um instrumento para alcançar fins. Por muito nobres que me pareçam esses fins, não julgo que seja legítimo.

A criança nunca seria mais ou menos exposta por ter sido adotada por casais homossexuais. Seria apenas mais uma, entre outras, com pais adotivos. Talvez num contexto escolar pudesse ser alvo de uma maior curiosidade por parte dos colegas, mas há medidas que podem ser tomadas para prevenir qualquer escalar de acontecimentos. Há, por exemplo, psicólogos nas escolas que podem ajudar caso alguma contingência ocorra.

 

Claro que não. É apenas a minha visão do que devem ser as prioridades neste assunto da adoção.

Não considerei que ajudasse à discussão mencionar essas medidas. São medidas a ter em conta, mas não esclarecem a tua opinião sobre a adoção por casais do mesmo sexo. Se me permites, pareceu-me um desviar de assunto.

 

Eu falei de exceções. Não tenho competências ao nível da pedopsicologia por isso não sei dizer a partir de que idade as crianças já dispõem de capacidades de formular escolhas conscientes sobre o seu futuro, mas não me parece mal que a adoção por parte de casais homossexuais fosse permitida nos casos em que a vontade expressa da criança seja nesse sentido. Que a adoção tem mais potencialidades para correr bem quanto menor for a idade da criança é um dado adquirido, quer se trate de casais homossexuais ou heterossexuais. Não é por acaso que o grupo etário dos bebés é o preferido por praticamente todos os candidatos a pais adotivos.

Nem eu tenho essa competência e provavelmente teria de haver um acompanhamento psicológico em todo o processo, analisando caso a caso. Não sei se seria um processo plausível, mas, caso fosse, sempre seria melhor do que o paradigma vigente.

 

Continuo a considerar que as tuas preocupações são desmesuradas.

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O que vale é que isto mais cedo ou mais tarde vai ser uma realidade e com sorte daqui por 20 anos o preconceito existente ameniza.

 

Não aprovar leis deste género é compactuar com uma sociedade retrógada e preconceituosa e negar afecto a seres humanos que precisam de afecto.

 

Continuo a perguntar aí ao Desc, eu que fui criado em boa parte por homossexuais, que passei muitos anos desde a minha infância até ao fim da minha adolescência a passar mais de 6/7/8 horas dia com eles, que fui de férias por meses inteiros e sozinho com eles, em que me iam buscar à escola, brincavam comigo e mais que tudo em que era do conhecimento dos meus colegas de escola que assim era a minha vida e nem por isso fui ostracizado (até era bem "popular"), além da piada ocasional, mas isso faz parte de uma educação providenciar capacidade de encaixe, o que é que ele tem a dizer?

 

Eu só vejo problemas nisto na cabeça das pessoas.

 

Além disso há putos a crescerem com o pai e com um amigo do pai que por acaso vivem juntos e com a mãe e com uma amiga da mãe que por acaso também vivem juntas...

 

Eu curtia mesmo de saber qual é a cena aqui?

 

É serem instigados à homossexualidade? Eu nunca fui. Ouvi umas piadas sobre isso qd fui tendo idade como se houve dum pai sobre as namoradas, mas nada de pesado e nada que ultrapassasse o normal para uma criança de determinada idade (adolescente vá...).

 

Além do mais a maior parte das familias hoje em dia escondem ou não comunicam sobre sexo e sexualidade com os putos. A descoberta na maior parte dos casos é feita sozinho ou através dos amigos. A sociedade além do mais incitata-te a formares relações de amizade com os teus semelhantes e acabas por viver uma fase fulcral da vida com, muito provavelmente, exclusiva ou maioritariamente amigos do mesmo sexo. Até há sitios no mundo, como aqui na Escócia, onde escolas só de gajos e só de gajas são bem comuns.

 

E ajudem-me os psicólogos aqui do burgo, mas é uma tese bem suportada que muitas das primeiras experiências sexuais (impressões sexuais wtv...) são de cariz homossexual em brincadeiras que os putos têm. Mesmo a dos puristas todos que andam aí a pregar a homofobia...

 

E as crianças não são todas gay. Nem tão pouco são todas vitimas de gozo ou humilhadas...

 

O ser gozado parte da idiotice de uns e da falta de estrutura emocional dos outros. Miudos com personalidades fortes e bem construídas tendem a não ser gozados ou a encaixarem bem e muitos deles até virarem situações de gozo para situações de amizade.

 

Quem dá troco e se ofende por norma acaba mal, quem leva na boa e descontraí acaba a ser o rei daquela cocada toda... Nem tem que ver com estigmas, tem que ver com a mentalidade e estrutura das crianças só isso. E isso é educação, dada por heteros ou por homos...

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