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Kygo

4 jogadores do Oriental e presidente do Leixões detidos pela PJ

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O pior para mim é o do Boavista. É certo que aquilo acontece, mas também é facílimo de fazer e parecer não propositado :lol:

Também acho. Ele até está a olhar para a bola.. É algo que acontece quando se tem a cabeça levantada e se vai à confiança, mas nem é o caso.

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O meu cunhado jogou com um dos que foi apanhado no Oriental e diz que o gajo não recebia há 9 meses... pá não desculpa mas é uma atenuante, entre não teres para pagar as contas e banca a família e deixares entrar um golo a escolha é fácil.

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Se dava frangos, ia para o banco. Simples. Não é agora, passado todo este tempo, que se vem levantar a lebre. Até pode ser verdade, mas até que se prove o contrário, esta atitude do Norton de Matos tresanda a oportunismo.

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MP acusa 28 jogadores e dirigentes de corrupção desportiva e apostas fraudulentas

 

MP terminou inquérito da Operação Jogo Duplo e acusou jogadores e dirigentes de corrupção desportiva e apostas fraudulentas. No centro do caso estão as apostas desportivas e jogos da I e da II Liga.

 

É uma prática antiga que já ganhou um nome moderno com direito a anglicismo: match fixing. Em bom português chama-se jogo combinado e a sua importância tem sido exponenciada pelo mercado global das apostas online. É este o crime central da acusação que a 9.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa divulgou esta tarde através do site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa e que envolve a manipulação de resultados de jogos da II Liga nas épocas desportivas 2014/2015 e 2015/2016 por conta de apostadores profissionais que investiam em plataformas de apostas desportivas online.

 

De acordo com o comunicado da Procuradoria Distrital de Lisboa, estão também em causa jogos da I Liga e apostas no jogo Placard, gerido pela Santa Casa da Misericódia de Lisboa. O Observador sabe, contudo, que não foram manipulados jogos da I Liga. Havia, sim, essa intenção por parte de alguns arguidos.

 

São mais de 20 jogadores e dirigentes desportivos os acusados dos crimes de associação criminosa em competição desportiva, corrupção activa e passiva na actividade desportiva e de apostas antidesportivas — designação da lei de corrupção desportiva que criminaliza as apostas fraudulentas e estipula uma pena máxima de prisão até 3 anos.

 

Entre eles estão jogadores de futebol que, à data dos factos, jogavam, entre outros clubes, Oliveirense, Oriental, Penafiel e Académico de Viseu, um dirigente desportivo, assim como diversos empresários e um elemento da claque Superdragões. Além de uma Sociedade Anónima Desportiva.

 

De acordo com o comunicado da PGDL, os factos que levaram à acusação verificaram-se entre “entre Agosto de 2015 e até 14 de Maio de 2016”. Terá sido nest período que os “arguidos constituíram um grupo dirigido à manipulação de resultados de jogos das II Liga de futebol (match-fixing) para efeito de apostas desportivas internacionais. Para tanto aliciaram jogadores de futebol em Portugal para que estes interferissem nos resultados das competições desportivas em prejuízo das equipas que representavam, da integridade das competições, defraudando sócios e investidores dos clubes, espectadores e patrocinadores”, lê-se no comunicado.

 

Segundo o mesmo comunicado, os arguidos auferiam vantagens patrimoniais, seja porque agiam a troco do pagamento de quantias monetárias, em regra não inferiores a €5.000,00, seja porque lucravam com as apostas que efetuavam (tanto em sites internacionais como no Placard), já que sabiam de antemão qual a equipa vencedora dos jogos objeto dessas apostas”.

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Não me surpreende nada. E eles agora também estão a abrir a pestana, é cada vez mais difícil olhar para os números e ver claramente que está a haver ali esquema. Já distribuem o dinheiro pelos bookies, já equilibram as odds para não dar muita cana, já treinam melhor os jogadores... isto vai ser lixado de combater.

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Se dava frangos, ia para o banco. Simples. Não é agora, passado todo este tempo, que se vem levantar a lebre. Até pode ser verdade, mas até que se prove o contrário, esta atitude do Norton de Matos tresanda a oportunismo.

não é tão simples quanto isso. Há muitas pressões para que, por vezes, joguem os emprestados dos grandes. No Olhanense acontecia isso e não duvido que noutros clubes aconteça o mesmo.

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“Norton de Matos. "Acha normal um treinador dizer a um jogador 'basta acertar na baliza que é golo' e a bola vai à figura do guarda-redes... e é golo?”

 

O que aconteceu?

 

Sofremos golos estranhos, que não cabem na cabeça de ninguém... As pessoas não gostam de falar, mas tem de se pôr o dedo na ferida. No outro dia, o presidente do Braga também falou em Ministério Público. Quando toca às pessoas, elas veem que há coisas que são difíceis de compreender. Fala-se - fala-se não, hoje é uma realidade, só que ninguém vai provar nada, não vamos ser hipócritas - e hoje o grande mal do futebol chama-se apostas. As apostas no futebol, infelizmente, existem, há livros e testemunhos sobre isso, e nunca ninguém vai conseguir provar. Porque se eu quiser meter a mão à bola e fazer um penálti contra a minha equipa, faço. É fácil de fazer. Se quiser fazer um autogolo, faço. "Ah, o resultado não foi influenciado", se calhar não, podem estar a ganhar 5-0 e alguém fazer um penálti e ficar 5-1, mas aquilo é suficiente para uma aposta que rende milhões. É um problema no futebol que não sei como vão gerir.

 

Supostamente isso não existe na Liga principal, só existiu na Liga secundária.

 

Se calhar aí preocupam-se menos com os telefonemas e outras coisas. O que é certo é que se começa a falar nisto. Tenho uma idade que já me permitiu passar por muitas fases, já vivi muitas vidas, e lembro-me que sou de um tempo em que se começou a falar do doping, por exemplo. Havia equipas que se dopavam quase até à morte. Nunca se falou, mas o que é certo é que teve de vir um controlo antidoping fortíssimo nas exigências, que hoje quase que se toma um medicamentozinho para os ouvidos ou para o nariz ou para a garganta e uma pessoa acusa. Mas no tempo em que joguei assisti a casos de jogadores que só não foram para o outro mundo por sorte. Obviamente que este problema é muito difícil. Mas o que estou a dizer é que não percebo porque é que ele fala em Ministério Público quando ele foi o primeiro a falar após o campeonato, para se analisar isto tudo. Uma coisa é dizer "esta equipa vai descer", isto acontece muito nos bastidores do futebol português: "Esta vai descer, aquela vai subir". Isso não pode ser assunto de Ministério Público porque para isso é preciso provas. Mas estou no meu direito de dizer que acho estranho algumas situações no futebol. E vivê-las... Você acha normal um treinador dizer para um jogador que nunca marcou um golo na Liga, quando ele vai marcar um livre a 40 metros da baliza, "basta acertar na baliza que é golo?" E a bola vai à figura do guarda-redes e é golo? É estranho. Não estou aqui a dizer que alguém está a influenciar, estou a dizer é que é estranho ouvir isto de um colega e acho estranho que seja golo.

 

O que se faz numa situação assim?

 

O que é que posso fazer? Não posso fazer nada.

 

Não fala com o jogador?

 

O guarda-redes ou escorregou ou não viu a bola partir ou o vento ou a chuva... Por isso é que digo que é muito difícil. Mas estou no meu legítimo direito de dizer que é estranho, até porque paguei caro o facto de estar ligado a uma equipa que desceu. Quis fazer um milagre, porque era um milagre uma equipa com tudo o que passou ao longo do ano, com uma pré-época que não existe, com toda a mediocridade de decisões e facilitismo que existiu, como é que no último jogo ainda está na Liga. Acho estranho. A expulsão do Paulo Monteiro no último jogo é estranha. Mas ninguém prova. O árbitro diz que é o critério dele e tenho de aceitar. Consigo fazer um programa com as nossas expulsões e arranjar jogadas dez vezes piores que nem amarelo têm, por exemplo. Mas não vou ganhar nada com isso. Porquê? "Critério do árbitro".

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e quem mete esse guarda redes a jogar não tem culpa nenhuma? para quem anda metido em negócios no senegal (ou lá onde ele inventou uma pseudo academia) tem muita moral para falar

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Jogador aliciado para manipular jogo de apuramento para a CAN

 

UEFA alertou mais de uma vez a Federação Portuguesa de Futebol para as suspeitas que tinha em relação a alguns jogos da II Liga. Antigo campeão do mundo sub-20 acusado de associação criminosa.

 

O procurador que investigou o caso Jogo Duplo, em que 28 arguidos ligados ao mundo do futebol, incluindo a SAD do Leixões, são acusados de associação criminosa e vários outros crimes, diz que um dos arguidos foi aliciado com 20 mil euros para manipular o resultado do jogo que a sua selecção nacional, a Guiné-Bissau, iria disputar a 12 de Junho do ano passado, no apuramento para a Taça das Nações Africanas (CAN).

 

O despacho de acusação do Ministério Público não apresenta detalhes sobre o aliciamento de Ansumane Faty, o jogador guineense que integrava o plantel da União Desportiva Oliveirense em 2015-2016. Sabe-se, porém, que ele é suspeito de três crimes de corrupção passiva em competição desportiva – dois deles por causa do dinheiro que terá recebido em competições do Sp. Covilhã-Oliveirense e do Oliveirense-Leixões e um terceiro precisamente relacionado com o jogo da selecção da Guiné-Bissau. Os 20 mil euros ter-lhe-ão sido oferecidos pelo antigo treinador e ex-jogador de futebol Rui Dolores, que chegou a representar o Beira-Mar, o Boavista, o Académico de Viseu, o Paços de Ferreira e, no Chipre, o Alki Lanarca e o Nea Salamis.

 

Segundo a acusação, o esquema em que estavam envolvidos Rui Dolores e outros arguidos do processo, incluindo o campeão mundial de Riade sub-20 Abel Silva e dirigentes da claque Super Dragões, passava por servirem de intermediários entre “investidores” de origem malaia e futebolistas da II Liga, que não se importavam de jogar para perder se fossem pagos para tal. Objectivo: fazer ganhar aos “investidores” da Malásia dinheiro nas apostas desportivas, através de uma prática ilegal intitulada match fixing. O mercado de apostas desportivas online movimenta cerca de cinco milhões por jornada na II Liga.

 

Cada jogador corrompido ganhava uma média de cinco mil euros por competição, umas vezes mais, outras menos. O Ministério Público explica o porquê da preferência pela II Liga: “Os montantes menos elevados necessários para a corrupção de equipas/jogadores/dirigentes, bem como a menor exposição mediática dos jogos, muitos deles sem transmissão televisiva”. Mesmo assim, por mais de uma vez a UEFA teve fortes suspeitas de manipulação, que transmitiu à Federação Portuguesa de Futebol, devido aos padrões irregulares das respectivas apostas.

 

Os investigadores descobriram que nem sempre os jogadores actuavam com o conhecimento da direcção dos clubes ou dos treinadores. Era o caso do Oriental, por exemplo, que de resto se constituiu assistente neste processo, para pedir uma indemnização aos arguidos. Já no caso do Leixões o Ministério Público quer que a SAD seja condenada nas penas acessórias de proibição de participação na I e II Ligas nacionais e deixe de receber subsídios ou incentivos do Estado, autarquias locais e demais pessoas colectivas públicas durante pelo menos três anos. O clube já reagiu dizendo que vai lutar contra a acusação “até às últimas instâncias judiciais.”

 

Quanto a Abel Silva, depois de ter deixado de jogar tornou-se empresário do sector, no qual continuava a ter contactos. E foi por isso que chegou a receber 30 mil euros numa casa de banho no Hotel Tryp Oriente, em Lisboa, a 22 de Abril de 2016, diz o Ministério Público. O dinheiro destinava-se a aliciar jogadores do Oriental para facilitarem a derrota do seu próprio clube num jogo contra o Leixões, que devia marcar pelo menos três golos para satisfazer as apostas planeadas. O ex-jogador responde agora por associação criminosa e corrupção activa.

 

Na claque dos Super Dragões foram constituídos arguidos Bruno Mendes, suspeito de nove crimes de corrupção activa, Cláudio Coelho, suspeito de um, e Carlos Silva, indiciado por 16 crimes de corrupção activa e ainda por associação criminosa, crime que pode valer até oito anos de cadeia aos chefes deste tipo de organizações e até cinco aos seus subordinados.

 

Ciente das suas limitadas competências na língua inglesa, Carlos Silva recorria ao tradutor da Google para os malaios entenderem o que lhes dizia. Pode não ter sido, porém, compreendido na perfeição quando os quis avisar, em Agosto de 2015, da necessidade de serem discretos por o treinador e o presidente do Oriental já andarem desconfiados de que o mau jogo não era só azar. "Já demos o dinheiro, temos que fazer isso da maneira certa porque muita gente suspeita. Não dá para andar com muitos filmes, o treinador e o presidente estão em cima", escreveu. Saiu-lhe a seguinte tradução: "We have the money, we have to do it the right way because a lot of people suspected of not to walk with many movies the coach and the president on station."

 

:lol:

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"O membro da primeira geração de ouro do futebol português, conhecia o defesa João Varudo, jogador do Oriental que seria o substituto de João Pedro Carvalho (castigado), e terá tentado aliciá-lo com um novo contrato com um clube cipriota mas sem sucesso. Mais tarde, ofereceu-lhe cerca de 1.000 euros — novamente sem sucesso."

 

Conheço o miúdo e que valor que lhe dou. Um puto humilde que subiu pela qualidade, rejeitar um contrato profissional e dinheiro fácil há que dar valor :prayer:

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Os jogadores já foram condenados?

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Achei que era desta que iam falar do Miguel Silva e das apostas nos jogos contra o Benfica. Fiquei desiludido :/

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Ele está só armado em engraçadinho mas nem nisso é bom :compinchas:

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Como se manipula um jogo de futebol

 

A acusação do processo conhecido como Jogo Duplo, que começa nesta quinta-feira a ser julgado no Campus da Justiça, parece um manual de como viciar resultados. Três dos 28 arguidos continuam em prisão domiciliária.

 

Contactos e dinheiro. Basicamente são estes os dois ingredientes necessários para viciar um jogo de futebol da II Liga. A comprová-lo estão as mais de cem páginas da acusação do processo Jogo Duplo, que começa nesta quinta-feira a ser julgado no Campus da Justiça, em Lisboa. O processo já passou pelo crivo de um juiz de instrução, que em Setembro do ano passado decidiu levar a julgamento todos os acusados do caso.

 

No banco dos réus vão sentar-se 28 arguidos, três dos quais continuam em prisão domiciliária, vigiados por uma pulseira electrónica. Ficaram privados da liberdade no rescaldo da operação lançada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, em Maio de 2016, e ainda não a recuperaram face ao receio da Justiça de que continuem a actividade criminosa. Um deles é um destacado membro da claque do FC Porto Super Dragões.

 

A maioria dos arguidos são jogadores de futebol ou antigos profissionais com contactos no meio, mas também há treinadores e dirigentes desportivos. Do rol faz até parte uma sociedade anónima que controla um clube, o Leixões, acusada de corrupção activa. Quase todos respondem por corrupção desportiva, mas há um grupo de seis que está acusado de associação criminosa. Há ainda cinco arguidos a quem foram imputados crimes de apostas ilegais, por alegadamente não terem resistido à tentação de ganhar uns extras através de apostas em jogos em que tinham intervenção — logo, estavam proibidos de o fazer.

 

Fora da acusação ficaram três cidadãos malaios, identificados no processo, que seriam os “investidores”, como eram apelidados por alguns dos arguidos. Eram eles quem financiava a viciação dos resultados e, desta forma, garantia que as apostas feitas a nível internacional eram bem sucedidas. Estes estrangeiros viajaram várias vezes para Portugal e o seu papel, segundo a acusação, seria transportar o dinheiro usado para pagar as “luvas” de jogadores e as comissões dos intermediários que os contactavam.

 

Os malaios fariam questão de falar pessoalmente com os jogadores que corrompiam. Mas quando não tinham hipótese de o fazer, exigiriam, segundo o Ministério Público, uma videochamada, em que os jogadores confirmavam a adesão ao esquema. Gostavam ainda de assistir ao vivo à maior parte dos jogos nos quais haviam “investido”, na maior parte dos casos, entre 30 a 45 mil euros.

 

Esse dinheiro era depois repartido entre os jogadores e os intermediários que os convenciam, muitas vezes recorrendo a redes sociais como o Whatsapp, a alinhar no esquema. A rede preferia recrutar jogadores com determinadas posições no campo, como guarda-redes e defesas. Um ponta-de-lança comprado podia, no entanto, ter um papel fulcral, como no caso de um jogador da Oliveirense a quem prometeram 5000 euros extra por cada penálti que desse à equipa contrária — no caso, o Leixões.

 

Cinco mil euros é, aliás, a contrapartida mais repetida ao longo da acusação. Mas não havia montantes fixos e a ajuda de um jogador com um papel essencial podia valer 15 mil euros, o valor que a acusação diz ter sido oferecido ao capitão da Oliveirense para deixar o Leixões ganhar, em Maio de 2016.

 

“Fazer” um jogo, como se dizia na gíria dos arguidos, implicava normalmente o conluio de pelo menos quatro atletas. Mas, por vezes, o número podia chegar aos sete.

 

Os jogadores recebiam metade do dinheiro à cabeça e a outra metade depois de os corruptores terem ganhado as apostas e garantido o resultado pedido. Mas a actividade não era isenta de riscos e, por vezes, mesmo com futebolistas comprados, não se conseguiam os resultados pretendidos. Exemplo disso foi o que aconteceu em Abril de 2016, num jogo entre o Oriental e o Leixões. O objectivo era que o clube nortenho vencesse, mas a diferença de golos teria que ser superior a três, o que não aconteceu, já que o jogo terminou 0-1. Tal levou um dos intermediários a exigir a dois dos arguidos a devolução dos montantes recebidos. Neste caso, mensagens detectadas pelos investigadores, contabilizaram um prejuízo de 100 mil euros para a rede luso-malaia.

 

Até porque nem sempre era garantido quem eram os jogadores que o treinador escolhia para o “onze”. E, por isso, havia o risco de se pagar a um atleta que não chegava a por os pés no relvado. Outras vezes, como aconteceu com um jogador do Oriental, a estranheza da sua actuação levou o treinador a desconfiar do que se estaria a passar e a optar por substituir o atleta a meio do jogo.

 

Não é um acaso que os apostadores preferissem competições como a II Liga, ao invés das Ligas da ribalta. A escolha tem em conta a menor exposição mediática dos jogos, muitos sem transmissão televisiva, o que permite poupar nas “luvas”. Não que o negócio em causa seja de míngua — basta ver que só a II Liga nacional movimenta por jornada cinco milhões de euros, aponta a acusação.

 

Apostar na derrota da própria equipa

 

Além de receberem “luvas” para prejudicarem a sua equipa, alguns jogadores terão aproveitado o facto de saberem de antemão que um jogo estava manipulado para apostarem em sites da especialidade que operam em Portugal ou no Placard, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Outros não entrariam nos esquemas de corrupção, mas aproveitavam o conhecimento que tinham dessa situação para ganhar um dinheiro extra.

 

Isso mesmo terá acontecido em Abril de 2016, quando um jogador do Oriental que tinha sido corrompido para facilitar a vitória do adversário, no caso o Penafiel, apostou com um colega de equipa 350 euros na derrota do próprio clube. A aposta rendeu, de lucro, 345 euros, que acabaram por ser divididos pelos dois e por mais um amigo.

 

Em Janeiro desse ano, já dois jogadores do Estarreja que tinham passado antes pela Oliveirense, sabendo que a vitória do Oriental sobre o Leixões estava garantida, investiram 490 euros no Placard, tendo conseguido um lucro de 600 euros, que dividiram pelos dois.

 

São cinco os arguidos que o Ministério Público acusa pelo crime de aposta ilegal, dois dos quais só respondem por este tipo de imputação.

 

Público

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