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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de kareca, há 7 minutos:

Então o que se chama a quem apoia racistas porque está descontente com impostos ou spread? Meio racistas?

As pessoas apoiam o Chega não por ser racista mas apesar de ser racista. Apoiam o Chega porque concordam com algumas coisas que diz e ignoram outras que também diz. O Chega levantou "mortos", isto é, tirou pessoas do sofá que nunca foram votar, porque lhes fez acreditar que não é preciso votar sempre nos mesmos e existe forma de trazer um novo partido para a governação.

O que temos de fazer é deixar a superioridade moral de lado e perceber o que leva as pessoas a achar que a atual democracia não as satisfaz, e em que sentido podemos devolver uma imagem de maior credibilidade ao nosso sistema democrático que vai fazer 50 anos.

Também podemos dizer que temos 1 milhão de grunhos e esperar que o problema se resolva sozinho.

Foi uma derrota de todos, do BE à IL, e todos, sem excepção (sim, o Livre também) precisam de fazer uma introspeção para evitar dar mais razões para o crescimento do populismo. Eu acredito que existe muita coisa que pode ser feita.

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Citação de Petar Musa, há 1 minuto:

Eu digo que os votantes do Chega são poucochinhos. E vou continuar a achar enquanto votarem num partido que não diga uma única forma de melhorar os problemas delas, sejam eles qual forem.

Eu sou da opinião que o Chega só vai crescer enquanto for oposição, quando lhe cair no menino nos braços não vai saber lidar. É um partido de uma pessoa só, um gajo que por acaso tem o dom da palavra e diz o que muitos insatisfeitos sentem no seu dia-a-dia.

Agora é importante, o PS sobretudo, montar estratégias e políticas que solucionem a insatisfação do eleitorado do Chega (e dos restantes portugueses).

"Não é com vinagre que se apanham moscas".

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Citação de JGabriel, há 2 minutos:

Ainda há quem ligue ao que ela diz? Que ressabiada. 

 

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Citação de JGabriel, há 1 minuto:

Ainda há quem ligue ao que ela diz? Que ressabiada. 

O grande mérito do Livre é ter sobrevivido ao fracasso Joacine. 

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Citação de Samaris, há 10 minutos:

É aquilo que eu citei depois, dito pelo Mica. São três eleições consecutivas de crescimento exponencial desse partido. Talvez seja hora de parar para ouvir as pessoas que votam no Chega, saber os reais motivos que os levam a votar nesse sentido, e tentar encontrar as alternativas. No entanto, aquilo que tem sido feito, é ostracizar à partida as pessoas que vão votar no Chega.

Se as pessoas votassem no Chega por uma questão de racismo, não achas que o Mário Machado já teria tido a popularidade do André Ventura, e o PNR o mesmo número de votos do Chega?

 

Vou reformular. O que faz de ti fechar os olhos ao racismo se te disserem que vai haver menos corrupção? Meio racista ou só ignorante em que qualquer coisa vale?

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Citação de Simeone, há 6 minutos:

O grande mérito do Livre é ter sobrevivido ao fracasso Joacine. 

Estiveram muito bem, mas tenho algumas dúvidas sobre o que podem crescer a partir de agora. Só se for buscar votos ao Bloco

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Citação de antifa, há 29 minutos:

Estou a adorar esta onda hoje de não se poder chamar labregos a 1 milhão de pessoas que votaram no Chega.

Alguém que ouve o discurso de ontem do Ventura e aplaude aquilo é o quê? O que há é muita gente iludida a não saber lidar com o facto de viver rodeada de labregos que caem nas táticas do mais básico do populismo.

🏼

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Eu chamo o Chega de Ganadaria porque eles gostam de touros-bravos

Spoiler

E porque eles são uma manada de bois, vacas e vitelos

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A Joacine está a um passo de se juntar ao Chega…

Citação de Lebohang, Agora:

Eu chamo o Chega de Ganadaria porque eles gostam de touros-bravos

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E porque eles são uma manada de bois e vacas

 

E porque o Ventura não tem uma ideia para esbarrar se um esquadrão de cavalaria à desfilada tivesse naquela cabeça.

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Citação de antifa, há 21 minutos:

Estou a adorar esta onda hoje de não se poder chamar labregos a 1 milhão de pessoas que votaram no Chega.

Alguém que ouve o discurso de ontem do Ventura e aplaude aquilo é o quê? O que há é muita gente iludida a não saber lidar com o facto de viver rodeada de labregos que caem nas táticas do mais básico do populismo.

É o que sempre foi. Mas agora já não é tão vergonhoso assumi-lo, porque há um partido que até foi legalizado e diz a mesma coisa, e porque "não sou só eu, os outros também votam neles!". O perigo da normalização para o qual muito se avisou, bem lá no início, é este.

Vejo malta muito optimista por aqui. Eu acho que a única solução para esvaziar o balão é apresentar obra feita, daquela que dá para usar como argumento no tasco, no supermercado ou na fábrica. Aquela que ataca directamente a vida do português que vota neles como se estivesse a votar para expulsar um gajo da Casa dos Segredos na TVI, sabendo lá o que está a fazer (muitos não sabem literalmente ler, como o ADN provou ontem).

É o único argumento que cola por cá, porque a opinião generalizada é a de que são todos + ou - ladrões, corruptos e tachistas, portanto mais vale fazerem algo de concreto pelo caminho. Estes ainda não o são porque não foram governo, quando o forem serão tratados da mesma forma.

Agora, se o PS, supostamente um partido de esquerda, teve 8 anos de uma conjunctura altamente positiva e apresentou bola na obra feita, é de esperar que isso mude com 4 anos de PSD em circunstâncias aterradoras no plano internacional? Pois... boa sorte para todos nós, que vamos precisar.

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Citação de Samaris, há 13 minutos:

Ser corrupto não significa ter casos na justiça, ser arguido ou culpado, mas sim todo aquele nepotismo e camaradismo típico do PS, onde as mesmas caras vão rodando entre si entre os mais diversificados cargos políticos. Quanto ao Pedro Nuno Santos, não sendo ladrão nas tuas palavras, gostava ainda assim de perceber se já tem uma explicação para os 500 mil euros de indemnização à Alexandra Reis, que ao início não sabia, depois já sabia, depois não sabia, não sei se agora já voltou a saber ou não.

Por acaso significa mas já percebi que julgamentos em praça pública é a tua cena. Aliás, diria que o cherry picking dos trâmites legais que têm de ser cumpridos e dos que podem ser ignorados é um traço transversal aos votantes do Chega portanto tens aí um bom grupo para ti.

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Citação de antifa, há 37 minutos:

Estou a adorar esta onda hoje de não se poder chamar labregos a 1 milhão de pessoas que votaram no Chega.

Alguém que ouve o discurso de ontem do Ventura e aplaude aquilo é o quê? O que há é muita gente iludida a não saber lidar com o facto de viver rodeada de labregos que caem nas táticas do mais básico do populismo.

Pior: há muita gente que votou naquilo e está agora a olhar em volta, a aperceber-se que estão rodeados desses labregos, que fazem parte desse rebanho de chalupas e agora andam com conversetas para se tentarem convencer que eles não são tão chalupas como os colegas de trincheira em que se enfiaram.

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Citação de Tio Hans, há 2 horas:

Todos os partidos democráticos deviam estar envergonhados deste resultado do Chega. Todos. Porque todos são culpados e andar a atirar culpas de uns para os outros é só palermice.

Desde ao PSD que nunca conseguiu ser uma verdadeira oposição e apresentou maus candidatos atrás de maus candidatos, passando pelos partidos de esquerda que quando se aliaram ao PS para formar governo abriram a caixa de pandora e traíram muito do seu eleitorado até ao próprio PS que tem governado desde a existência do Chega e tem sido incapaz de resolver a tendência de nos afastarmos cada vez mais dos nossos pares europeus e em direção à cauda da europa. Mas o maior culpado tem de ser o Costa, alimentou o animal, usou-o como cartada politica, pois tanto servia para dividir e repartir votos à direita, como era uma mais distração enquanto ele governava, como punha os outros partidos da direita sempre em cheque com a sua existência e ainda se divertia satirizando as suas ideias e ideais. 

Tudo funcionou às mil maravilhas e culminou com uma maioria absoluta com pouco mais de 40% dos votos que se traduziram em apenas 2,3M de votantes no PS. Mas depois de dois anos de constantes tiros nos pés e extremo egocentrismo o governo vai abaixo e eis que o monstro que tanto lhe servia e que tão felizmente alimentou e de que se foi alimentando tornou-se num ser incontrolável, nocivo, um verdadeiro bicho de sete cabeças...

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Citação de zeca galhão, há 5 minutos:

formar governo abriram a caixa de pandora e traíram muito do seu eleitorado

Sim. Traíram o seu eleitorado não os submetendo a mais 4 anos do Passos que eles tanto tinham adorado. As Grândolas com milhares e milhares de pessoas no Terreiro do Paço era uma peça teatral. 

Esse ter sido o governo com, factualmente, a melhor percepção pública por parte das pessoas também foi um pormenor.

Editado por HappyKing

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Citação de Simeone, há 41 minutos:

Agora em voz alta, Joacine

Ridícula. Está ressabiada pelo partido ter continuado vivo sem ela.  

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Citação de KAralinda, há 7 minutos:

ADN passou de 10.000 votos em 2022 para mais de 100 mil e pode ter “roubado” três deputados à AD

Num cenário em que todos os votos do ADN passariam para a AD, a coligação elegeria mais um deputado em Lisboa, Coimbra e Viseu. Em alguns distritos, nomeadamente no Porto e em Lisboa, o número de votos no partido populista foi superior à diferença entre o PS e a AD

A grande surpresa da noite eleitoral foi o aumento de votação do Alternativa Democrática Nacional (ADN), um partido populista sem representação parlamentar que saltou de 10.911 votos, em 2022, para 100.044 votos. Durante a campanha e, com mais veemência, ainda na própria manhã das eleições, a Aliança Democrática (AD) alertou para uma possível transferência de votos por engano dos eleitores no momento de colocar a cruz no boletim. Fazendo um exercício de transferência de votos do ADN para a AD (meramente hipotético, pois não é obviamente possível apurar a percentagem de votos em que terá existido engano), reproduzindo o método de Hondt, a coligação teria mais três deputados.

Em Lisboa, neste cenário hipotético, a distribuição de deputados passaria dos atuais 14 deputados para a AD e 15 para o PS, respetivamente, para 15 deputados para a AD e 14 deputados para o PS. O ADN obteve 19.067 votos, mais do que a tangencial diferença no distrito entre PS (365.793 votos) e AD (356.542 votos).

Em Coimbra, se todos os 2421 votos do ADN passassem para a Aliança Democrática, a AD passaria de três deputados para quatro, enquanto que o Chega perderia um dos dois deputados eleitos. Já em Viseu, uma transferência dos 6615 votos do ADN para a AD resultaria num aumento da representação da aliança, de três para quatro deputados, e uma perda no PS de três para dois deputados, enquanto que o Chega manteria os seus dois mandatos conquistados.

Esta distribuição manter-se-ia mesmo que, nesta simulação, fossem descontados ao ADN os votos obtidos em 2022 – em Coimbra não tinha sequer concorrido ao sufrágio.

Olhando para todo o país, o ADN – conhecido pela sua defesa de teorias de conspiração, nomeadamente em torno da vacinação contra a Covid-19 e as alterações climáticas, e que se opõe a qualquer apoio a minorias de género e à comunidade LGBTI+ – atingiu os seus melhores resultados nos distritos em que a coligação PSD/CDS-PP/PPM foi o partido mais votado, especialmente no interior norte.

O segundo maior resultado absoluto do partido é no Porto, onde os mais de 19 mil votos obtidos seriam suficientes para ultrapassar a pequeníssima diferença entre a AD (339.096 votos) e o PS (338.084 votos). Ainda assim, mesmo que todos os votos do ADN fossem atribuídos à coligação de Luís Montenegro, a distribuição de mandatos manter-se-ia igual.

Em Santarém, onde o partido nem sequer tinha concorrido nas últimas legislativas, o ADN, com 3505 votos, também teve uma votação superior à diferença entre o PS (69.915 votos) e a AD (68.493). Podemos considerar que a AD só precisaria de menos de metade desses votos para ser primeira no círculo eleitoral – embora, em termos práticos, a distribuição de mandatos seria a mesma, com três deputados para AD, PS e Chega, respetivamente.

Nos distritos de Bragança, Vila Real e Viseu, o ADN chegou ao quarto lugar, atrás apenas da AD, do PS e do Chega; na Guarda, chegou ao quinto lugar, à frente da IL, da CDU, do Livre e do PAN; e, nos círculos eleitorais de Braga, Portalegre e Castelo Branco, o partido teve mais votos do que o PAN.

A melhor prestação do ADN a nível percentual é mesmo em Viseu, com 3,13% dos votos.

Quanto à posição dos partidos nos boletins de voto em cada distrito, notamos que, em Viseu, o ADN é o primeiro nome na lista e a AD o segundo; na Guarda e em Vila Real, onde o ADN teve os segundo e terceiro resultados mais positivos (2,56% e 2,53%, respetivamente), o partido também aparece no primeiro lugar da lista, podendo portanto existir uma relação entre o posicionamento mais alto do ADN em distritos onde teve uma pontuação mais alta e a possível confusão dos eleitores com as forças partidárias.

UMA CONFUSÃO ANUNCIADA

A explicação para a votação no ADN pode estar, pelo menos parcialmente, na aparente confusão com a AD, uma situação para qual a coligação alertou ao final da manhã, após já ter feito referências a isso durante a campanha. Por volta da hora de almoço, um comunicado pedia à Comissão Nacional de Eleições (CNE) que apelasse ao “voto esclarecido” e apontasse para as semelhanças entre os dois grupos políticos.

“Face aos inúmeros relatos que tem chegado à Direção de Campanha Nacional de pedidos de repetição do voto e aos cartazes que estão a circular nas redes sociais, apela à CNE que dirija uma mensagem ao país não de apelo ao voto, em nenhuma força partidária (claro está), mas de apelo ao voto esclarecido devido à semelhança de nomes parecidos nos boletins de voto”, comunicou a AD, dando conta de situações em que eleitores pediram para corrigir o seu voto.

Em resposta, o ADN, liderado por Bruno Fialho, apresentou uma queixa à comissão, falando de publicidade no voto na coligação social-democrata “com a desculpa” dos alegados enganos. "A campanha eleitoral serviu para clarificar essas situações, pelo que usar este subterfúgio ridículo apenas para tentar cativar eleitores a irem votar na AD e denegrir o ADN é inaceitável", afirmou o partido ADN, em comunicado citado pela Lusa.

A suposta confusão foi analisada pela CNE, que falou de casos de queixas e repetições de voto “muito pontuais”, acabando por decidir por volta das 16h30 que os nomes dos partidos e das coligações não deviam ser abordados em dia de eleições, já que o esclarecimento podia ser considerado como um incentivo ao voto num determinado partido e uma violação da lei eleitoral, e proibiu os órgãos de comunicação social de fazerem referências ao tema.

Independentemente das hipóteses de eleger ou não um deputado, uma coisa é certa: com mais de 100 mil votos, o ADN irá receber uma subvenção do Estado. Isto porque a legislação sobre o financiamento de partidos políticos determina que um partido que não tenha representação parlamentar pode receber subvenção pública, desde que atinja os 50 mil votos (como foi o caso do CDS-PP que, em 2022, ficou fora do Parlamento mas continuou a receber um apoio do Estado por ter tido mais de 75 mil votos).

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https://www.facebook.com/miguel.carvalho.3705/posts/pfbid022mKdxHW7kbtozJFK4EPoZGsNyKQnSEjZYvDRqeXTWaTT6MXLnWT4gQ1BM3pz4H9Fl

10 IDEIAS SOBRE AS LEGISLATIVAS
1 - Quem me conhece sabe que ando, no mínimo há dois anos, a dizer a frase que Pedro Nuno Santos proferiu esta noite, (exceptuando a percentagem, claro, pois não seria bruxo para adivinhar): não há tantos racistas e xenófobos em Portugal como se pretende fazer crer. Mas o que fez a esquerda para perceber a potencial base eleitoral do Chega e o seu crescimento? Zero. O Chega cresce à custa das mentiras, enganos e sonhos por cumprir que só responsabilizam PS, PSD e, em parte, o CDS. Mas também cresce porque há uma esquerda que julga que lhe basta ter uma agenda e imensas certezas sobre um povo que, como se nota, não conhece de todo. Nem escuta de verdade.
Pedro Nuno Santos e Rui Tavares parecem ter sido os únicos a perceber, ainda que tarde, que há um trabalho que a esquerda tem de fazer (além de renovar-se, claro): falar com os eleitores, ouvi-los, mostrar que as ideias, mesmo quando são muito boas, também se explicam e podem demorar a convenver quem acumula muitos desencantos, de muitos anos, por esse País fora. Há um quotidiano devastador, no País rural e suburbano, que precisa de ser vivido e percebido, e para os quais não chega uma resposta "pronto-a-vestir". Uma esquerda que só tem agenda e acha que não deve discuti-la terra a terra serve para pouco ou nada.
2 - Para aqueles que achavam que antigos eleitores de esquerda nunca votariam no Chega, eis a resposta, contundente. Ou acham que aqueles 18 por cento vieram de Marte? Pois, é outra tese que ando a pregar há mais de dois anos, quase sempre em minoria. E nem um certo jornalismo que vive numa bolha consegue ouvir ou perceber. Sim, há muitos eleitores ex-PCP, ex-BE, ex-PS que votaram Chega. Ontem como hoje, por fé, sem terem lido Marx nem Mussolini. Mais do que estigmatizá-los, talvez fosse melhor ouvi-los e perguntar-lhes porque escolheram Ventura. Mas isso dá muito trabalho, não é?
3 - Insisto: uma boa parte dos eleitores do Chega é resgatável para o "lado bom" da democracia. Estão lá, foram lá parar pelas mais variadas razões. E é preciso entendê-las, dar uma solução a muitos problemas que se eternizam. Mas o que temos assistido, sobretudo à esquerda, é a um discurso de trincheira que varre tudo a estigmas. Não, não são todos saudosistas, racistas, xenófobos. Há muitos, mas não são todos. Bem sei que a mentira, a desonestidade, o discurso do ódio, anda de Ferrari. Mas o jornalismo e a política que se dão ao respeito não podem responder a estes fenómenos com o discurso de trincheira, estigmatizante, mesmo que a verdade ande, inevitavelmente, de trotinete nos tempos que correm. O escrutínio é necessário e urgente. Mas também deve ser metódico e inclusivo. Quem analisa o Chega não deve confundir quem manda com quem vota. Parece óbvio, mas a verdade é que não foi. O resultado está à vista.
4 - A esquerda tem de ser reponsabilizada pelo que ofereceu de bandeja hoje: a incapacidade de se entender após a "Geringonça"; uma maioria absoluta gerida com amadorismo e sem integridade em muitos setores da governação; posições controversas sobre a guerra na Ucrânia; uma agenda exposta de forma arrogante, como se bastassem as certezas quanto ao seu brilhantismo para que todo um povo as aplaudisse como avanços civilizacionais que são. Parte da esquerda não percebeu o povo português nos anos seguintes ao 25 de Abril. Não, a revolução não estava madura. Como nunca esteve. Passaram 50 anos e a culpa é apenas do povo que não percebe o bem que a esquerda lhe faz?
5 - Uma nota sobre o PCP: podem dar as voltas que quiserem, cultivar a vitimização do costume, repetirem o "olhe que não, olhe que não", mas a posição sobre a Guerra na Ucrânia é algo que eleitores de esquerda de sempre (fora os outros) jamais esquecerão. Na mentalidade de muitos, ainda habituados a pensar entre quatro paredes, a Rússia ainda é um bocadinho a União Soviética. E todos sabemos como Putin também adora ir buscar essas referências históricas enquanto financia a extrema-direita europeia. Mais: um partido que remete um João Ferreira para a humilhação de um 10º lugar em Lisboa merece parte do que lhe aconteceu. O PCP podia, em devido tempo, ter reunido o melhor do que hoje é o BE ou o Livre (e parte do PS até). Escolheu o seu caminho, sempre cheio de certezas sobre o que o povo quer e acabará por reconhecer à CDU. Agora o lema é resistir. Até quando? É assim que se defendem os trabalhadores? É assim que se oferece uma vida melhor? É assim que se representa quem não tem, nas suas vidas, outra representação que não seja dada pelo PCP? É assim que se defende Abril? "Mais 15 dias e isto piava de outra maneira". A sério, Paulo Raimundo? Já agora: na Festa do Avante dos 50 anos do 25 de Abril ainda teremos as barraquinhas da Coreia do Norte e do MPLA? É só para saber...
6 - Chamem-me doido, mas não estou a ver bem o que Ventura vai fazer com tanta euforia, além de berrar mais alto. Aqueles deputados todos vão servir para quê, exatamente, se Montenegro mantiver a palavra dada? Para já, só há um nome para isto: ejaculação precoce. Vejamos: para o governo não vai, acordo parlamentar não vejo como. Festeja o quê? Ah, sim, tem uma bancada gigante, tem. E quadros? E políticas que não andem ao sabor da espuma dos dias e do ressentimento? Ao Chega resta-lhe sonhar que a legislatura dure muito pouco e possa culpar os outros do que não fizeram pela maioria estável de direita. Aí sim, pode ser que lhe saia a sorte grande.
7 - Montenegro fez uma boa campanha, apesar do CDS, do PPM e do cheiro das tintas. Mas o cordão sanitário ao Chega não é convicção. É tática. Montenegro deve ter percebido a tempo que os custos de um qualquer acordo com o Chega seriam devastadores. Temo mesmo que muita gente com peso abandonasse de vez o partido. E com estrondo. Que PSD sobraria para a História depois de um acordo que faria Sá Carneiro dar voltas no túmulo? No momento de avaliar o que pesava mais, escolheu o que pensava ser menos destrutivo para o partido. E vendeu-o como convicção. Fez bem.
8 - O crescimento do Chega deve também muito ao jornalismo "pingue-pongue", de pouco escrutínio de fundo e muito ruído, de declaração e contra-declaração, de casos e casinhos, sem distinção de envergadura e gravidade. Há um jornalismo que também esteve em jogo nestas eleições e perdeu. Prefere a preguiça do Portugal sentado, do comentário e do parlatório, e menos o País real, que há muito anseia por se fazer ouvir no centro das decisões, mas não é escutado. Despovoado, esquecido, negligenciado, deserdado, votou para se fazer ouvir. Não gostaram? É o que lhes resta. Se lhes chamarem "fachos" só vai piorar, acreditem...
9 - Excelente discurso de Pedro Nuno Santos. Goste-se ou não do estilo, foi claro, frontal. Percebe-se que não está ali para "engonhar" e a política precisa dessa transparência, para o bem ou para o mal. Mas o PS tem muito, muito para fazer para recuperar a imagem de um partido confiável, que não trai nem se prostitui de pantufas, quando lhe dá jeito. É o trabalho de uma geração, talvez possa ser esta. “Não há 18% votantes racistas ou xenófobos em Portugal, mas há muitos portugueses zangados que sentem que não tem tido representação, queremos reconquistar a confiança destes portugueses". Estas palavras são todo um programa. Começar agora é um pouco tarde, mas ainda não é o fim do mundo.
10 - O Livre fala para uma esquerda que se cansou do mofo da esquerda. Para poder ser esquerda de novo. Uma esquerda que aprende com os erros é coisa rara. Talvez haja caminho por aqui. Sem Joacines nem outros erros de casting ou de avaliação pode ser que este seja, para muitos, o início de uma bela amizade. (O Livre foi terceiro no Centro Histórico do Porto. O que é que está a acontecer nos subterrâneos da política que ainda não detetamos?).
P.S. Perdoem, mas não estou pessimista em relação à liberdade e à democracia. Pelo contrário. Acho que, para muitos, este é o princípio do fim, embora não pareça. E entretanto, pode ser que o tempo faça cinza da brasa e outra maré cheia venha da maré vaza...
P.S. II Para um artigo que escrevi há umas semanas e será publicado em breve na Divergente, escrevi: "Nos próximos atos eleitorais, a começar pelas Legislativas de março, o eventual aumento da participação eleitoral pode acabar no colo de uma reforçada direita radical ciberpopulista, que afronta a mediação informativa profissional e reduz o escrutínio jornalístico a terra queimada". E mais não digo, leiam o resto depois.
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Citação de HappyKing, há 2 minutos:

Sim. Traíram o seu eleitorado não os submetendo a mais 4 anos do Passos que eles tanto tinham adorado. As Grândolas com milhares e milhares de pessoas no Terreiro do Paço era uma peça teatral. 

Esse ter sido o governo com, factualmente, a melhor percepção pública por parte das pessoas também foi um pormenor.

Claro, vamos então todos acreditar foi apenas pura coincidência o definhar desses partidos depois de terem estado no governo.

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Citação de zeca galhão, há 4 minutos:

Claro, vamos então todos acreditar foi apenas pura coincidência o definhar desses partidos depois de terem estado no governo.

O Bloco, por exemplo, manteve o seu melhor resultado da história em termos de mandatos das eleições de 2015 para 2019, pós geringonça. Logo aí o teu argumento cai por terra. 

Resumir os piores resultados destes partidos a terem estado no governo é tão sem sentido que até dói. 

Editado por HappyKing

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Citação de HappyKing, há 1 minuto:

O Bloco, por exemplo, manteve o seu melhor resultado da história em termos de mandatos das eleições de 2015 para 2019, pós geringonça. Logo aí o teu argumento cai por terra. 

Resumir os piores resultados destes partidos a terem estado no governo é tão sem sentido que até dói. 

Como se perdeu 50mil votantes? E depois em 2022 perdeu outros 250mil. E isto foi só o BE.

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Citação de zeca galhão, Agora:

Como se perdeu 50mil votantes? E depois em 2022 perdeu outros 250mil. E isto foi só o BE.

Reforço do voto no PS, e aparecimento da IL que levou alguns jovens em 2019.

Em 2022, medo do Chega deu voto útil ao PS.

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Visitante
Citação de HappyKing, há 7 minutos:

Sim. Traíram o seu eleitorado não os submetendo a mais 4 anos do Passos que eles tanto tinham adorado. As Grândolas com milhares e milhares de pessoas no Terreiro do Paço era uma peça teatral. 

Esse ter sido o governo com, factualmente, a melhor percepção pública por parte das pessoas também foi um pormenor.

Factual é que pese embora todas as criticas, manifestações, descontentamento, e depois de um governo onde o Passos foi pouco mais do que um mero fantoche da troika, vieram as eleições, e o PSD foi o partido mais votado. Isso é que é factual. Para mim, eu interpreto isso como um voto de confiança das pessoas, para ele prosseguir com o trabalho e ver onde ia dar. Claro que tu podes ter a tua interpretação diferente dos factos, mas não quereres respeitar quem pensa como eu é simplesmente estúpido da tua parte.

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Citação de zeca galhão, há 7 minutos:

Como se perdeu 50mil votantes? E depois em 2022 perdeu outros 250mil. E isto foi só o BE.

Eu falei em mandatos. O Bloco em 2015 tinha 19 deputados. Em 2019 manteve os 19 deputados. É factual. 

As razões para a queda do BE e PCP estão muitíssimo para lá do facto de terem estado no governo (Até porque isto não é verdadeiro, não estiveram). 

Se essa fosse a razão o Livre, que aprovou os últimos orçamentos, não teria quadruplicado a sua votação..

Editado por HappyKing
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