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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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estou a pensar comprar casa com os 1.4 milhões que recebi do reembolso do IRS. Quando é que entra vigor o financiamento a 100% para jovens?

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Citação de Mayday, há 9 horas:

A guerra a sério começa quando elas perceberem que as encomendas da shein foram desviadas pelo irão...

É mandar já a malta do interior para o Irão

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O António Lobo Xavier vai deixar o Princípio da Incerteza - parece que vai assumir um cargo na EDP

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Citação de Solero, há 18 minutos:

O António Lobo Xavier vai deixar o Princípio da Incerteza - parece que vai assumir um cargo na EDP

Chairman. Foi o que li há uns dias pelo menos. Ele e outra mulher saíram da Greenvolt para ir para lá. 

É alguém que se mexe muito bem. Tem/teve presença executiva e não executiva sempre em boas empresas para além da posição na Morais Leitão. Agora na EDP vai ganhar mais de meio milhão brutos. 

Editado por HappyKing
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Citação de Petar Musa, Em 13/04/2024 at 21:57:

Aquela boa xenofobia do Chega.

 

Ser contra pessoas que estão a perpetrar um genocídio é xenofobia? Negas o genocídio do povo Palestino seu ___?

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Citação

Do Chega aos saudosistas, dos nacionalistas ao CDS e PSD: as direitas que não celebram o 25 de Abril juntaram-se neste livro

Os coordenadores de “Abril pelas Direitas” querem colocar as direitas a falar, "sem cordões sanitários". E juntaram textos de mais de 60, com uma perspetiva (maioritariamente) muito crítica de Abril e do país de hoje. Um vice do Chega fala de "uma censura mais opressiva do que a da PIDE”, outro denuncia um novo “regime totalitário”. Jaime Nogueira Pinto critica uma campanha “a denegrir ainda mais a ‘longa noite fascista’”. Há centristas e até uma ex-vice do PSD a falar de “um vírus do PREC bem vivo e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid”. E ainda quem elogie (muito) Salazar e o antigo regime

Chama-se “Abril pelas direitas” e pergunta logo na capa: “Foi bonita a festa, pá?”. Coordenado por uma associação cívica chamada “Farol”, tem como objetivo confesso reunir “gente de bem”, para recuperar “palavra capturadas pela esquerda” e “colocar as direitas a conversar, mostrando uma realidade que ainda é infelizmente muito subterrânea”. O livro lançado agora – e que pretende ancorar duas conferências em cima das comemorações de Abril – tem assim um desígnio: “O povo de direita quer viver em liberdade”. Por “povo de direita”, entenda-se, de uma direita que (muito maioritariamente) não louva a revolução.

Na introdução, os coordenadores da obra e fundadores da Farol (que se assume um espaço de conversa à direita “sem linhas vermelhas nem cercas sanitárias”), Paulo Jorge Teixeira e Rodrigo Pereira Coutinho assumem que o “25 de abril criou na direita um misto de sentimentos”. E explicam: “Vivemos e crescemos a lamber feridas, de uma orfandade consentida pelos vencedores do processo revolucionário”.

Sentindo-se, assim, como perdedores desse processo (“Temos jogado sob as regras de um jogo em que não contamos”), os coordenadores do projeto querem agora assumir “formas de agitação cultural”. Este livro é uma delas, para “pôr as direitas a falar entre elas, para que entendam que existe mais que as une do que as separe”. Mas será apenas parte de um projeto, contado num dos mais de 60 textos por Frederico Nunes da Silva, outro dos homens do "Farol": “Façamos a reconciliação com o regime anterior descontraindo negros mitos, úteis à casta vigente. Criemos espaços de liberdade e instrumentos de luta política pela Direita: associações, tertúlias, revistas, livros, podcasts, jornais independentes. Usemos a tecnologia a nosso favor”. Ele que, umas linhas antes, falava do “português” como “uma espécie ameaçada”, pela “importação de tubas de culturas distantes” e que sugeria “a reconciliação com o regime anterior desconstruindo negros mitos, úteis à casta vigente”.

A luta é, portanto, uma “guerra cultural”, assume Paulo Jorge Teixeira (também da "Farol"), que pede “uma resistência" e se anima com “toda esta bela e festival sociedade de abril, agora alarmada porque aparecem algumas vozes de discórdia”.

É aqui que entram as vozes – ou as escritas – de vários e diferentes dirigentes do Chega. Um deles (também da associação) é Rodrigo Pereira Coutinho, dirigente nas estruturas do Porto, que diz isto da revolução que faz agora 50 anos:

“O 25 de abril dos menos de 10 milhões que viviam no Portugal europeu foi pago muito caro por dezenas de milhões de outros portugueses, brancos, negros, amarelos que viviam no Portugal ultramarino”.

Chega de Abril

Mas há, claro, textos de caras bem mais conhecidas do partido de André Ventura, aqui neste “Abril pelas Direitas”. Um deles é o novo cabeça de lista às próximas eleições europeias, Tânger Correia. O ex-embaixador começa por contar como, a seguir à revolução e “para não ser preso”, saiu “discretamente de Portugal” e foi para o Brasil, “onde estive até setembro de 76.” Concede ele sobre o que aconteceu naquele dia: “É certo que o regime estava podre e Marcelo Caetano não terá sido a melhor escolha para fazer a transição. Com Franco Nogueira estou certo que os acontecimentos teriam sido diferentes”.

O atual vice-presidente do Chega conclui, agora, que “a transição para o regime democrático nunca aconteceu de facto, sendo que a atual censura do politicamente correto é bem mais opressiva, intrusiva e pressionaste do que a PIDE/DGS e das instituições do antigo regime”. E conclui assim: “O 25 de abril que hoje é comemorado nada tem a ver com o de 74, embrulhado numa sucessão de mentiras e visões românticas. Como diz o cantor: ‘foi bonita a festa, pá!’. Mas certamente não para todos, nem para o país que é o nosso.”

Gabriel Mithá Ribeiro, eleito pelo Chega agora como secretário da Mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo tom: “Se a liberdade foi uma conquista, nada de substancialmente novo acrescentou à monarquia constitucional derrubada por um radicalismo progressista.”.

O ex-vice do Chega fala de “uma sobreposição entre uma moral social falhada e a crise mais grave de sempre das mais variadas instituições”, também de uma “engenharia mental imposta pela esquerda às sociedades para instituir ditaduras e corromper por dentro as democracias”. Isto para denunciar “uma crise de saúde mental”, que alarga a uma parte das direitas: “Só uma forte dose de ignorância leva PSD e IL incitam em não perceber que o seu cordão sanitário jamais poderá ser colocado ao Chega. A razão moral está acima das demais, quaisquer que sejam.” Essa, diz, é a “missão civilizacional do Chega”: impor a sua “moral social”.

Chega? Há mais, sim. Miguel Côrte-Real, do Porto, deixa vincado um “não gosto nem festejo o tão celebrado 25 de abril”, por ter “desmantelado toda uma economia e interrompido um ciclo de crescimento económico incomparável”, pela “descolonização criminosa”, por “condenar Portugal à fatalidade socialista” e criado uma “democracia de fachada”.

E Pacheco de Amorim, atual vice-presidente do Parlamento, tantas vezes acusado pelo Bloco de Esquerda por crimes no pós-revolução, ao ter participado no núcleo político de Spínola no MDLP. Amorim (que esteve anos no CDS depois disso), fala de “uma revolução feita honradamente por generais spinolistas, vampirizada pelas milícias do PCP”. E conta que passou “no dia 26 à contra-revolução porque era cristalino que, na sombra de Spinola , era tudo comandado pelo PCP… fizemos o que foi possível — dentro da decência — para impedir a tomada de poder pelas esquerdas totalitárias”.

Só que, todos este anos passados, não se mostra confortável com o resultado dessa luta: “Conseguimos impedir o pior, mas não conseguimos impedir que um sistema voraz se apoderasse de Portugal”. Agora, propõe-se a “lutar para que esse sistema que nos empobrece e fragiliza se esfume. Se o deixarmos prosseguir, nada sobrará de uma herança de dez séculos", porque “corremos o risco de uma mera substituição de um regime autoritário e inepto por um regime autoritário e eficaz em tudo o que tocava a destruir”.

Pacheco de Amorim congratula-se por não estar “sozinho” agora. E não está. Joana Pinto, líder da Juventude do Chega em Braga, escreve ter descoberto “que o melhor do 25 de abril foi o 25 de novembro”. Gonçalo Sousa, do Chega de Oeiras, revela que não vai “desresponsabilizar o 25 de novembro pelo estado em que nos encontramos, permitindo a criação do arco de governação cleptocrático de Bloco Central”, assim como por uma “direita que vive com medo da esquerda”. Para concluir assim: “O meu dia da liberdade ainda não chegou”.

Jaime e a campanha

Não sendo do Chega, Jaime Nogueira Pinto alinha com o discurso. Num texto dedicado ao que diz ser uma “pródiga propaganda com generosa dotação do Estado e do Governo”, o professor antecipa que nas comemorações de Abril "não hão de faltar textos a denegrir ainda mais a “longa noite fascista” ou “os crimes da ditadura”.

Assim, faz o contrário, tentando ponto a ponto contestar a campanha lançada pela equipa de comemoração dos 50 anos da revolução chamada “Antes do 25 de Abril #nãopodias”. Nogueira Pinto descreve, então uma “campanha de ação psicológica”, falando de “horrores que eu, que já contava com 28 anos, não tinha vivido e não sabia”.

Exemplos? #nãopodias viajar sem autorização ("deve estar a confundir o Portugal de antes do 25 de abril com a então União Soviética); #nãopodias ler o livro que quisesses ("Havia alguns proibidos, mas quem tivesse vontade de ler, lia. Agora há livros que só se podem ler quando devidamente expurgados pelos novos censores"); #nãopodias votar ("Podia-se votar… só que de facto, o governo ganhava sempre").

Entre os não militantes do Chega, notam-se neste livro várias direitas que se aproximam.

Miguel Côrte Real, do PSD/Porto (e fundador do jornal Novo), afirma que depois de Abril “mudou-se para que a palavra ‘opressão’ seja agora lida como ‘educação’, onde todos são livres de aprender o que o Estado quiser”. Abel Matos Santos, do CDS, fala da revolução como “um golpe corporativo dos capitões em protesto contra os oficiais milicianos” e do antigo regime assim: “O maior erro de Salazar foi não ter preparado a sua sucessão”. Acredita o líder de uma tendência dos centristas que “hoje não vivemos numa democracia plena e temos uma imprensa totalmente dominada pela censura económica, de Estado e dos poderes políticos”.

Mais casos: Maria Helena Costa, presidente da Associação Familia conservadora, que escreve no Sol e Observador, fala de uma “batalha cultural sem precedentes” onde a “esquerda percebeu que o revisionismo histórico embruteceria o povo e que este se conformaria a chavões”. Quanto à “dita direita”, lamenta a sua “covardia sistemática e vergonhosa”. E sobre Abril? “Este ano os abrideiras comemoram 50 anos de ataque à vida e à família, empobrecimento, corrupção ativa, doutrinamento das massas. Não comemoro o 25 de abril”.

Já Isabel Meireles, ex-vice-presidente do PSD (ao tempo de Rui Rio), entende que “o vírus do PREC continua bem vivo e ativo, e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid, para os quais se descobriram vacinas eficazes” [sic] — sendo “o mais conhecido a chamada ‘geringonça’".

Os nacionalistas

Nestas direitas que se juntam há também os mais saudosistas. É o caso de José Almeida, do Movimento Portugal Lusófono, que fala da revolução como “o momento mais nefasto da nossa história”, um “ato de traição das forças armadas, servindo um regime ilegítimo que jamais foi sufragado em Portugal” e ainda de “um derradeiro ataque ao projeto imperial português”. Para ele, Salazar é “o príncipe perfeito da nossa contemporaneidade”.

Rui Paulino Pereira, que se apresenta como “militante da velha guarda do nacionalismo português”, aponta o dedo a uma “nefasta data que é a abrilada de 74, golpe de estado levado a cabo por militares que desonraram a farda e o seu juramento” e por um “punhado de descerebrados”. Pelo que conclui que “só há uma coisa que me apetece comemorar, o surgimento do Chega de André Ventura”, pedindo aos “aos portugueses de bem ajudar a este projeto de regeneração nacional”.

Porque o livro é grande, há direito a mais contributos.

Miguel Nunes Silva, do Instituto Trezeno, justifica que antes de Abril “a liberdade de consciência era respeitada, à excepção da esfera política”, ou que “as vítimas era excepcionais e não em massa”. Pelo que conclui que “o novo regime foi muitíssimo pior do que o do antecessor", face ao que considera ser a “censura das redes sociais e o totalitarismo progressista”. Assim sendo, termina, “a celebração anual [de Abril] é tão aberrante quanto a fotografia de Mao em Tiananmen”.

Só mais um caso: Nuno Simões de Melo, coronel de cavalaria na reserva, lamenta que “já não se rezam avé-marias nas escolas nem se canta o hino do Pequeno Lusito” e anseia por “uma nova manhã, de um dia normal de abril, para trazer a a garra a Portugal”.

Os (mais e menos) ‘moderados’

Também há autores mais ‘moderados’ no modo como encaram Abril. Talvez menos o caso de Rafael Pinto Borges, da Nova Portugalidade, que lamenta não ter sido esta uma transição à espanhola, que garante que Portugal “aproximava-se a todo o vapor da média de desenvolvimento da Europa além Pirinéus”. Mas será mais a de Luis Pedro Mateus, filiado no CDS, que reclama que “o diálogo, a tolerância e a empatia não podem ser conceitos de bandeira arreados ao primeiro encontro com a diferença”.

Na mesma linha, Teresa Corte-Real (ex-presidente da Causa Real, que publica artigos no Observador) reclama uma “escola liberta de conteúdos de caracter ideológico”; Duarte Nuno Correia, dirigente do CDS, anota a “consolidação da democracia em Novembro, que necessário que saibamos manter”; Teresa Nogueira Pinto fala de uma “crise de representação”; e Catarina Maia, bióloga, sugere que “não percamos mais 50 anos sem concertar a justiça”.

Mais otimistas, só mesmo Nilza de Sena (ex-dirigente do PSD), que anota que “Abril só se cumpriu em parte”, Paulo Sande ("ainda sobra tempo para cumprir Abril"); Paulo Teixeira, ex-autarca do PSD, que se diz “grato” a Abril e Carla Madureira, ex-deputada do PSD, também com elogios aos resultados da revolução.

Não é, portanto, o tom geral, que talvez seja dado pelo contributo mas pequeno da obra. É de Alberto Gonçalves, cronista do Observador, que escreve apenas isto: "Desconfio que não tenho os valores de abril recomendados. Vou marcar análises”.

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tanto nome nesse artigo e só m*rda

deixa-me adivinhar esse pereira coutinho tem alguma coisa a ver com o tachista aldrabão cheiro a m*rda que comenta na cnn

Editado por Pavel

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O giro destas iniciativas é que estes patetas entusiasmam-se e entram claramente em competição para ver quem é que diz a maior alarvidade.

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Esqueceram-se de chamar Gonçalo da Câmara Pereira, Ossanda Liber e José Pinto-Coelho

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Citação de HappyKing, há 4 minutos:

20240415-105902.jpg

O que umas presidenciais à vista não fazem. 

Bom lavar de roupa suja.

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Citação de Lebohang, há 1 hora:
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Do Chega aos saudosistas, dos nacionalistas ao CDS e PSD: as direitas que não celebram o 25 de Abril juntaram-se neste livro

Os coordenadores de “Abril pelas Direitas” querem colocar as direitas a falar, "sem cordões sanitários". E juntaram textos de mais de 60, com uma perspetiva (maioritariamente) muito crítica de Abril e do país de hoje. Um vice do Chega fala de "uma censura mais opressiva do que a da PIDE”, outro denuncia um novo “regime totalitário”. Jaime Nogueira Pinto critica uma campanha “a denegrir ainda mais a ‘longa noite fascista’”. Há centristas e até uma ex-vice do PSD a falar de “um vírus do PREC bem vivo e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid”. E ainda quem elogie (muito) Salazar e o antigo regime

Chama-se “Abril pelas direitas” e pergunta logo na capa: “Foi bonita a festa, pá?”. Coordenado por uma associação cívica chamada “Farol”, tem como objetivo confesso reunir “gente de bem”, para recuperar “palavra capturadas pela esquerda” e “colocar as direitas a conversar, mostrando uma realidade que ainda é infelizmente muito subterrânea”. O livro lançado agora – e que pretende ancorar duas conferências em cima das comemorações de Abril – tem assim um desígnio: “O povo de direita quer viver em liberdade”. Por “povo de direita”, entenda-se, de uma direita que (muito maioritariamente) não louva a revolução.

Na introdução, os coordenadores da obra e fundadores da Farol (que se assume um espaço de conversa à direita “sem linhas vermelhas nem cercas sanitárias”), Paulo Jorge Teixeira e Rodrigo Pereira Coutinho assumem que o “25 de abril criou na direita um misto de sentimentos”. E explicam: “Vivemos e crescemos a lamber feridas, de uma orfandade consentida pelos vencedores do processo revolucionário”.

Sentindo-se, assim, como perdedores desse processo (“Temos jogado sob as regras de um jogo em que não contamos”), os coordenadores do projeto querem agora assumir “formas de agitação cultural”. Este livro é uma delas, para “pôr as direitas a falar entre elas, para que entendam que existe mais que as une do que as separe”. Mas será apenas parte de um projeto, contado num dos mais de 60 textos por Frederico Nunes da Silva, outro dos homens do "Farol": “Façamos a reconciliação com o regime anterior descontraindo negros mitos, úteis à casta vigente. Criemos espaços de liberdade e instrumentos de luta política pela Direita: associações, tertúlias, revistas, livros, podcasts, jornais independentes. Usemos a tecnologia a nosso favor”. Ele que, umas linhas antes, falava do “português” como “uma espécie ameaçada”, pela “importação de tubas de culturas distantes” e que sugeria “a reconciliação com o regime anterior desconstruindo negros mitos, úteis à casta vigente”.

A luta é, portanto, uma “guerra cultural”, assume Paulo Jorge Teixeira (também da "Farol"), que pede “uma resistência" e se anima com “toda esta bela e festival sociedade de abril, agora alarmada porque aparecem algumas vozes de discórdia”.

É aqui que entram as vozes – ou as escritas – de vários e diferentes dirigentes do Chega. Um deles (também da associação) é Rodrigo Pereira Coutinho, dirigente nas estruturas do Porto, que diz isto da revolução que faz agora 50 anos:

“O 25 de abril dos menos de 10 milhões que viviam no Portugal europeu foi pago muito caro por dezenas de milhões de outros portugueses, brancos, negros, amarelos que viviam no Portugal ultramarino”.

Chega de Abril

Mas há, claro, textos de caras bem mais conhecidas do partido de André Ventura, aqui neste “Abril pelas Direitas”. Um deles é o novo cabeça de lista às próximas eleições europeias, Tânger Correia. O ex-embaixador começa por contar como, a seguir à revolução e “para não ser preso”, saiu “discretamente de Portugal” e foi para o Brasil, “onde estive até setembro de 76.” Concede ele sobre o que aconteceu naquele dia: “É certo que o regime estava podre e Marcelo Caetano não terá sido a melhor escolha para fazer a transição. Com Franco Nogueira estou certo que os acontecimentos teriam sido diferentes”.

O atual vice-presidente do Chega conclui, agora, que “a transição para o regime democrático nunca aconteceu de facto, sendo que a atual censura do politicamente correto é bem mais opressiva, intrusiva e pressionaste do que a PIDE/DGS e das instituições do antigo regime”. E conclui assim: “O 25 de abril que hoje é comemorado nada tem a ver com o de 74, embrulhado numa sucessão de mentiras e visões românticas. Como diz o cantor: ‘foi bonita a festa, pá!’. Mas certamente não para todos, nem para o país que é o nosso.”

Gabriel Mithá Ribeiro, eleito pelo Chega agora como secretário da Mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo tom: “Se a liberdade foi uma conquista, nada de substancialmente novo acrescentou à monarquia constitucional derrubada por um radicalismo progressista.”.

O ex-vice do Chega fala de “uma sobreposição entre uma moral social falhada e a crise mais grave de sempre das mais variadas instituições”, também de uma “engenharia mental imposta pela esquerda às sociedades para instituir ditaduras e corromper por dentro as democracias”. Isto para denunciar “uma crise de saúde mental”, que alarga a uma parte das direitas: “Só uma forte dose de ignorância leva PSD e IL incitam em não perceber que o seu cordão sanitário jamais poderá ser colocado ao Chega. A razão moral está acima das demais, quaisquer que sejam.” Essa, diz, é a “missão civilizacional do Chega”: impor a sua “moral social”.

Chega? Há mais, sim. Miguel Côrte-Real, do Porto, deixa vincado um “não gosto nem festejo o tão celebrado 25 de abril”, por ter “desmantelado toda uma economia e interrompido um ciclo de crescimento económico incomparável”, pela “descolonização criminosa”, por “condenar Portugal à fatalidade socialista” e criado uma “democracia de fachada”.

E Pacheco de Amorim, atual vice-presidente do Parlamento, tantas vezes acusado pelo Bloco de Esquerda por crimes no pós-revolução, ao ter participado no núcleo político de Spínola no MDLP. Amorim (que esteve anos no CDS depois disso), fala de “uma revolução feita honradamente por generais spinolistas, vampirizada pelas milícias do PCP”. E conta que passou “no dia 26 à contra-revolução porque era cristalino que, na sombra de Spinola , era tudo comandado pelo PCP… fizemos o que foi possível — dentro da decência — para impedir a tomada de poder pelas esquerdas totalitárias”.

Só que, todos este anos passados, não se mostra confortável com o resultado dessa luta: “Conseguimos impedir o pior, mas não conseguimos impedir que um sistema voraz se apoderasse de Portugal”. Agora, propõe-se a “lutar para que esse sistema que nos empobrece e fragiliza se esfume. Se o deixarmos prosseguir, nada sobrará de uma herança de dez séculos", porque “corremos o risco de uma mera substituição de um regime autoritário e inepto por um regime autoritário e eficaz em tudo o que tocava a destruir”.

Pacheco de Amorim congratula-se por não estar “sozinho” agora. E não está. Joana Pinto, líder da Juventude do Chega em Braga, escreve ter descoberto “que o melhor do 25 de abril foi o 25 de novembro”. Gonçalo Sousa, do Chega de Oeiras, revela que não vai “desresponsabilizar o 25 de novembro pelo estado em que nos encontramos, permitindo a criação do arco de governação cleptocrático de Bloco Central”, assim como por uma “direita que vive com medo da esquerda”. Para concluir assim: “O meu dia da liberdade ainda não chegou”.

Jaime e a campanha

Não sendo do Chega, Jaime Nogueira Pinto alinha com o discurso. Num texto dedicado ao que diz ser uma “pródiga propaganda com generosa dotação do Estado e do Governo”, o professor antecipa que nas comemorações de Abril "não hão de faltar textos a denegrir ainda mais a “longa noite fascista” ou “os crimes da ditadura”.

Assim, faz o contrário, tentando ponto a ponto contestar a campanha lançada pela equipa de comemoração dos 50 anos da revolução chamada “Antes do 25 de Abril #nãopodias”. Nogueira Pinto descreve, então uma “campanha de ação psicológica”, falando de “horrores que eu, que já contava com 28 anos, não tinha vivido e não sabia”.

Exemplos? #nãopodias viajar sem autorização ("deve estar a confundir o Portugal de antes do 25 de abril com a então União Soviética); #nãopodias ler o livro que quisesses ("Havia alguns proibidos, mas quem tivesse vontade de ler, lia. Agora há livros que só se podem ler quando devidamente expurgados pelos novos censores"); #nãopodias votar ("Podia-se votar… só que de facto, o governo ganhava sempre").

Entre os não militantes do Chega, notam-se neste livro várias direitas que se aproximam.

Miguel Côrte Real, do PSD/Porto (e fundador do jornal Novo), afirma que depois de Abril “mudou-se para que a palavra ‘opressão’ seja agora lida como ‘educação’, onde todos são livres de aprender o que o Estado quiser”. Abel Matos Santos, do CDS, fala da revolução como “um golpe corporativo dos capitões em protesto contra os oficiais milicianos” e do antigo regime assim: “O maior erro de Salazar foi não ter preparado a sua sucessão”. Acredita o líder de uma tendência dos centristas que “hoje não vivemos numa democracia plena e temos uma imprensa totalmente dominada pela censura económica, de Estado e dos poderes políticos”.

Mais casos: Maria Helena Costa, presidente da Associação Familia conservadora, que escreve no Sol e Observador, fala de uma “batalha cultural sem precedentes” onde a “esquerda percebeu que o revisionismo histórico embruteceria o povo e que este se conformaria a chavões”. Quanto à “dita direita”, lamenta a sua “covardia sistemática e vergonhosa”. E sobre Abril? “Este ano os abrideiras comemoram 50 anos de ataque à vida e à família, empobrecimento, corrupção ativa, doutrinamento das massas. Não comemoro o 25 de abril”.

Já Isabel Meireles, ex-vice-presidente do PSD (ao tempo de Rui Rio), entende que “o vírus do PREC continua bem vivo e ativo, e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid, para os quais se descobriram vacinas eficazes” [sic] — sendo “o mais conhecido a chamada ‘geringonça’".

Os nacionalistas

Nestas direitas que se juntam há também os mais saudosistas. É o caso de José Almeida, do Movimento Portugal Lusófono, que fala da revolução como “o momento mais nefasto da nossa história”, um “ato de traição das forças armadas, servindo um regime ilegítimo que jamais foi sufragado em Portugal” e ainda de “um derradeiro ataque ao projeto imperial português”. Para ele, Salazar é “o príncipe perfeito da nossa contemporaneidade”.

Rui Paulino Pereira, que se apresenta como “militante da velha guarda do nacionalismo português”, aponta o dedo a uma “nefasta data que é a abrilada de 74, golpe de estado levado a cabo por militares que desonraram a farda e o seu juramento” e por um “punhado de descerebrados”. Pelo que conclui que “só há uma coisa que me apetece comemorar, o surgimento do Chega de André Ventura”, pedindo aos “aos portugueses de bem ajudar a este projeto de regeneração nacional”.

Porque o livro é grande, há direito a mais contributos.

Miguel Nunes Silva, do Instituto Trezeno, justifica que antes de Abril “a liberdade de consciência era respeitada, à excepção da esfera política”, ou que “as vítimas era excepcionais e não em massa”. Pelo que conclui que “o novo regime foi muitíssimo pior do que o do antecessor", face ao que considera ser a “censura das redes sociais e o totalitarismo progressista”. Assim sendo, termina, “a celebração anual [de Abril] é tão aberrante quanto a fotografia de Mao em Tiananmen”.

Só mais um caso: Nuno Simões de Melo, coronel de cavalaria na reserva, lamenta que “já não se rezam avé-marias nas escolas nem se canta o hino do Pequeno Lusito” e anseia por “uma nova manhã, de um dia normal de abril, para trazer a a garra a Portugal”.

Os (mais e menos) ‘moderados’

Também há autores mais ‘moderados’ no modo como encaram Abril. Talvez menos o caso de Rafael Pinto Borges, da Nova Portugalidade, que lamenta não ter sido esta uma transição à espanhola, que garante que Portugal “aproximava-se a todo o vapor da média de desenvolvimento da Europa além Pirinéus”. Mas será mais a de Luis Pedro Mateus, filiado no CDS, que reclama que “o diálogo, a tolerância e a empatia não podem ser conceitos de bandeira arreados ao primeiro encontro com a diferença”.

Na mesma linha, Teresa Corte-Real (ex-presidente da Causa Real, que publica artigos no Observador) reclama uma “escola liberta de conteúdos de caracter ideológico”; Duarte Nuno Correia, dirigente do CDS, anota a “consolidação da democracia em Novembro, que necessário que saibamos manter”; Teresa Nogueira Pinto fala de uma “crise de representação”; e Catarina Maia, bióloga, sugere que “não percamos mais 50 anos sem concertar a justiça”.

Mais otimistas, só mesmo Nilza de Sena (ex-dirigente do PSD), que anota que “Abril só se cumpriu em parte”, Paulo Sande ("ainda sobra tempo para cumprir Abril"); Paulo Teixeira, ex-autarca do PSD, que se diz “grato” a Abril e Carla Madureira, ex-deputada do PSD, também com elogios aos resultados da revolução.

Não é, portanto, o tom geral, que talvez seja dado pelo contributo mas pequeno da obra. É de Alberto Gonçalves, cronista do Observador, que escreve apenas isto: "Desconfio que não tenho os valores de abril recomendados. Vou marcar análises”.

Volta Otelo

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Citação de Lebohang, há 2 horas:
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Do Chega aos saudosistas, dos nacionalistas ao CDS e PSD: as direitas que não celebram o 25 de Abril juntaram-se neste livro

Os coordenadores de “Abril pelas Direitas” querem colocar as direitas a falar, "sem cordões sanitários". E juntaram textos de mais de 60, com uma perspetiva (maioritariamente) muito crítica de Abril e do país de hoje. Um vice do Chega fala de "uma censura mais opressiva do que a da PIDE”, outro denuncia um novo “regime totalitário”. Jaime Nogueira Pinto critica uma campanha “a denegrir ainda mais a ‘longa noite fascista’”. Há centristas e até uma ex-vice do PSD a falar de “um vírus do PREC bem vivo e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid”. E ainda quem elogie (muito) Salazar e o antigo regime

Chama-se “Abril pelas direitas” e pergunta logo na capa: “Foi bonita a festa, pá?”. Coordenado por uma associação cívica chamada “Farol”, tem como objetivo confesso reunir “gente de bem”, para recuperar “palavra capturadas pela esquerda” e “colocar as direitas a conversar, mostrando uma realidade que ainda é infelizmente muito subterrânea”. O livro lançado agora – e que pretende ancorar duas conferências em cima das comemorações de Abril – tem assim um desígnio: “O povo de direita quer viver em liberdade”. Por “povo de direita”, entenda-se, de uma direita que (muito maioritariamente) não louva a revolução.

Na introdução, os coordenadores da obra e fundadores da Farol (que se assume um espaço de conversa à direita “sem linhas vermelhas nem cercas sanitárias”), Paulo Jorge Teixeira e Rodrigo Pereira Coutinho assumem que o “25 de abril criou na direita um misto de sentimentos”. E explicam: “Vivemos e crescemos a lamber feridas, de uma orfandade consentida pelos vencedores do processo revolucionário”.

Sentindo-se, assim, como perdedores desse processo (“Temos jogado sob as regras de um jogo em que não contamos”), os coordenadores do projeto querem agora assumir “formas de agitação cultural”. Este livro é uma delas, para “pôr as direitas a falar entre elas, para que entendam que existe mais que as une do que as separe”. Mas será apenas parte de um projeto, contado num dos mais de 60 textos por Frederico Nunes da Silva, outro dos homens do "Farol": “Façamos a reconciliação com o regime anterior descontraindo negros mitos, úteis à casta vigente. Criemos espaços de liberdade e instrumentos de luta política pela Direita: associações, tertúlias, revistas, livros, podcasts, jornais independentes. Usemos a tecnologia a nosso favor”. Ele que, umas linhas antes, falava do “português” como “uma espécie ameaçada”, pela “importação de tubas de culturas distantes” e que sugeria “a reconciliação com o regime anterior desconstruindo negros mitos, úteis à casta vigente”.

A luta é, portanto, uma “guerra cultural”, assume Paulo Jorge Teixeira (também da "Farol"), que pede “uma resistência" e se anima com “toda esta bela e festival sociedade de abril, agora alarmada porque aparecem algumas vozes de discórdia”.

É aqui que entram as vozes – ou as escritas – de vários e diferentes dirigentes do Chega. Um deles (também da associação) é Rodrigo Pereira Coutinho, dirigente nas estruturas do Porto, que diz isto da revolução que faz agora 50 anos:

“O 25 de abril dos menos de 10 milhões que viviam no Portugal europeu foi pago muito caro por dezenas de milhões de outros portugueses, brancos, negros, amarelos que viviam no Portugal ultramarino”.

Chega de Abril

Mas há, claro, textos de caras bem mais conhecidas do partido de André Ventura, aqui neste “Abril pelas Direitas”. Um deles é o novo cabeça de lista às próximas eleições europeias, Tânger Correia. O ex-embaixador começa por contar como, a seguir à revolução e “para não ser preso”, saiu “discretamente de Portugal” e foi para o Brasil, “onde estive até setembro de 76.” Concede ele sobre o que aconteceu naquele dia: “É certo que o regime estava podre e Marcelo Caetano não terá sido a melhor escolha para fazer a transição. Com Franco Nogueira estou certo que os acontecimentos teriam sido diferentes”.

O atual vice-presidente do Chega conclui, agora, que “a transição para o regime democrático nunca aconteceu de facto, sendo que a atual censura do politicamente correto é bem mais opressiva, intrusiva e pressionaste do que a PIDE/DGS e das instituições do antigo regime”. E conclui assim: “O 25 de abril que hoje é comemorado nada tem a ver com o de 74, embrulhado numa sucessão de mentiras e visões românticas. Como diz o cantor: ‘foi bonita a festa, pá!’. Mas certamente não para todos, nem para o país que é o nosso.”

Gabriel Mithá Ribeiro, eleito pelo Chega agora como secretário da Mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo tom: “Se a liberdade foi uma conquista, nada de substancialmente novo acrescentou à monarquia constitucional derrubada por um radicalismo progressista.”.

O ex-vice do Chega fala de “uma sobreposição entre uma moral social falhada e a crise mais grave de sempre das mais variadas instituições”, também de uma “engenharia mental imposta pela esquerda às sociedades para instituir ditaduras e corromper por dentro as democracias”. Isto para denunciar “uma crise de saúde mental”, que alarga a uma parte das direitas: “Só uma forte dose de ignorância leva PSD e IL incitam em não perceber que o seu cordão sanitário jamais poderá ser colocado ao Chega. A razão moral está acima das demais, quaisquer que sejam.” Essa, diz, é a “missão civilizacional do Chega”: impor a sua “moral social”.

Chega? Há mais, sim. Miguel Côrte-Real, do Porto, deixa vincado um “não gosto nem festejo o tão celebrado 25 de abril”, por ter “desmantelado toda uma economia e interrompido um ciclo de crescimento económico incomparável”, pela “descolonização criminosa”, por “condenar Portugal à fatalidade socialista” e criado uma “democracia de fachada”.

E Pacheco de Amorim, atual vice-presidente do Parlamento, tantas vezes acusado pelo Bloco de Esquerda por crimes no pós-revolução, ao ter participado no núcleo político de Spínola no MDLP. Amorim (que esteve anos no CDS depois disso), fala de “uma revolução feita honradamente por generais spinolistas, vampirizada pelas milícias do PCP”. E conta que passou “no dia 26 à contra-revolução porque era cristalino que, na sombra de Spinola , era tudo comandado pelo PCP… fizemos o que foi possível — dentro da decência — para impedir a tomada de poder pelas esquerdas totalitárias”.

Só que, todos este anos passados, não se mostra confortável com o resultado dessa luta: “Conseguimos impedir o pior, mas não conseguimos impedir que um sistema voraz se apoderasse de Portugal”. Agora, propõe-se a “lutar para que esse sistema que nos empobrece e fragiliza se esfume. Se o deixarmos prosseguir, nada sobrará de uma herança de dez séculos", porque “corremos o risco de uma mera substituição de um regime autoritário e inepto por um regime autoritário e eficaz em tudo o que tocava a destruir”.

Pacheco de Amorim congratula-se por não estar “sozinho” agora. E não está. Joana Pinto, líder da Juventude do Chega em Braga, escreve ter descoberto “que o melhor do 25 de abril foi o 25 de novembro”. Gonçalo Sousa, do Chega de Oeiras, revela que não vai “desresponsabilizar o 25 de novembro pelo estado em que nos encontramos, permitindo a criação do arco de governação cleptocrático de Bloco Central”, assim como por uma “direita que vive com medo da esquerda”. Para concluir assim: “O meu dia da liberdade ainda não chegou”.

Jaime e a campanha

Não sendo do Chega, Jaime Nogueira Pinto alinha com o discurso. Num texto dedicado ao que diz ser uma “pródiga propaganda com generosa dotação do Estado e do Governo”, o professor antecipa que nas comemorações de Abril "não hão de faltar textos a denegrir ainda mais a “longa noite fascista” ou “os crimes da ditadura”.

Assim, faz o contrário, tentando ponto a ponto contestar a campanha lançada pela equipa de comemoração dos 50 anos da revolução chamada “Antes do 25 de Abril #nãopodias”. Nogueira Pinto descreve, então uma “campanha de ação psicológica”, falando de “horrores que eu, que já contava com 28 anos, não tinha vivido e não sabia”.

Exemplos? #nãopodias viajar sem autorização ("deve estar a confundir o Portugal de antes do 25 de abril com a então União Soviética); #nãopodias ler o livro que quisesses ("Havia alguns proibidos, mas quem tivesse vontade de ler, lia. Agora há livros que só se podem ler quando devidamente expurgados pelos novos censores"); #nãopodias votar ("Podia-se votar… só que de facto, o governo ganhava sempre").

Entre os não militantes do Chega, notam-se neste livro várias direitas que se aproximam.

Miguel Côrte Real, do PSD/Porto (e fundador do jornal Novo), afirma que depois de Abril “mudou-se para que a palavra ‘opressão’ seja agora lida como ‘educação’, onde todos são livres de aprender o que o Estado quiser”. Abel Matos Santos, do CDS, fala da revolução como “um golpe corporativo dos capitões em protesto contra os oficiais milicianos” e do antigo regime assim: “O maior erro de Salazar foi não ter preparado a sua sucessão”. Acredita o líder de uma tendência dos centristas que “hoje não vivemos numa democracia plena e temos uma imprensa totalmente dominada pela censura económica, de Estado e dos poderes políticos”.

Mais casos: Maria Helena Costa, presidente da Associação Familia conservadora, que escreve no Sol e Observador, fala de uma “batalha cultural sem precedentes” onde a “esquerda percebeu que o revisionismo histórico embruteceria o povo e que este se conformaria a chavões”. Quanto à “dita direita”, lamenta a sua “covardia sistemática e vergonhosa”. E sobre Abril? “Este ano os abrideiras comemoram 50 anos de ataque à vida e à família, empobrecimento, corrupção ativa, doutrinamento das massas. Não comemoro o 25 de abril”.

Já Isabel Meireles, ex-vice-presidente do PSD (ao tempo de Rui Rio), entende que “o vírus do PREC continua bem vivo e ativo, e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid, para os quais se descobriram vacinas eficazes” [sic] — sendo “o mais conhecido a chamada ‘geringonça’".

Os nacionalistas

Nestas direitas que se juntam há também os mais saudosistas. É o caso de José Almeida, do Movimento Portugal Lusófono, que fala da revolução como “o momento mais nefasto da nossa história”, um “ato de traição das forças armadas, servindo um regime ilegítimo que jamais foi sufragado em Portugal” e ainda de “um derradeiro ataque ao projeto imperial português”. Para ele, Salazar é “o príncipe perfeito da nossa contemporaneidade”.

Rui Paulino Pereira, que se apresenta como “militante da velha guarda do nacionalismo português”, aponta o dedo a uma “nefasta data que é a abrilada de 74, golpe de estado levado a cabo por militares que desonraram a farda e o seu juramento” e por um “punhado de descerebrados”. Pelo que conclui que “só há uma coisa que me apetece comemorar, o surgimento do Chega de André Ventura”, pedindo aos “aos portugueses de bem ajudar a este projeto de regeneração nacional”.

Porque o livro é grande, há direito a mais contributos.

Miguel Nunes Silva, do Instituto Trezeno, justifica que antes de Abril “a liberdade de consciência era respeitada, à excepção da esfera política”, ou que “as vítimas era excepcionais e não em massa”. Pelo que conclui que “o novo regime foi muitíssimo pior do que o do antecessor", face ao que considera ser a “censura das redes sociais e o totalitarismo progressista”. Assim sendo, termina, “a celebração anual [de Abril] é tão aberrante quanto a fotografia de Mao em Tiananmen”.

Só mais um caso: Nuno Simões de Melo, coronel de cavalaria na reserva, lamenta que “já não se rezam avé-marias nas escolas nem se canta o hino do Pequeno Lusito” e anseia por “uma nova manhã, de um dia normal de abril, para trazer a a garra a Portugal”.

Os (mais e menos) ‘moderados’

Também há autores mais ‘moderados’ no modo como encaram Abril. Talvez menos o caso de Rafael Pinto Borges, da Nova Portugalidade, que lamenta não ter sido esta uma transição à espanhola, que garante que Portugal “aproximava-se a todo o vapor da média de desenvolvimento da Europa além Pirinéus”. Mas será mais a de Luis Pedro Mateus, filiado no CDS, que reclama que “o diálogo, a tolerância e a empatia não podem ser conceitos de bandeira arreados ao primeiro encontro com a diferença”.

Na mesma linha, Teresa Corte-Real (ex-presidente da Causa Real, que publica artigos no Observador) reclama uma “escola liberta de conteúdos de caracter ideológico”; Duarte Nuno Correia, dirigente do CDS, anota a “consolidação da democracia em Novembro, que necessário que saibamos manter”; Teresa Nogueira Pinto fala de uma “crise de representação”; e Catarina Maia, bióloga, sugere que “não percamos mais 50 anos sem concertar a justiça”.

Mais otimistas, só mesmo Nilza de Sena (ex-dirigente do PSD), que anota que “Abril só se cumpriu em parte”, Paulo Sande ("ainda sobra tempo para cumprir Abril"); Paulo Teixeira, ex-autarca do PSD, que se diz “grato” a Abril e Carla Madureira, ex-deputada do PSD, também com elogios aos resultados da revolução.

Não é, portanto, o tom geral, que talvez seja dado pelo contributo mas pequeno da obra. É de Alberto Gonçalves, cronista do Observador, que escreve apenas isto: "Desconfio que não tenho os valores de abril recomendados. Vou marcar análises”.

Mostrar mais  

Continuo a achar que é bom saber com que linhas nos cozemos e é bom saber com o que podemos contar das pessoas, principalmente nos tempos que vivemos.

A luz ajuda a desinfetar estes reacionários

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aguardemos as participações nos telejornais em prime time, queixas de censura e vitimização

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Citação de F_Tex, há 5 minutos:

aguardemos as participações nos telejornais em prime time, queixas de censura e vitimização

Há quem escreva livros com várias edições, escreva todas as semanas em crónicas nos jornais e tenha reportagens suas passadas nas TVs e se queixe de ser cancelado.

Na realidade é apenas uma estratégia para vender mais e aparecer mais.

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Citação de antifa, há 52 minutos:

Volta Otelo

Pendurou foi pouco.

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Citação de Lebohang, há 3 horas:
Citação

Do Chega aos saudosistas, dos nacionalistas ao CDS e PSD: as direitas que não celebram o 25 de Abril juntaram-se neste livro

Os coordenadores de “Abril pelas Direitas” querem colocar as direitas a falar, "sem cordões sanitários". E juntaram textos de mais de 60, com uma perspetiva (maioritariamente) muito crítica de Abril e do país de hoje. Um vice do Chega fala de "uma censura mais opressiva do que a da PIDE”, outro denuncia um novo “regime totalitário”. Jaime Nogueira Pinto critica uma campanha “a denegrir ainda mais a ‘longa noite fascista’”. Há centristas e até uma ex-vice do PSD a falar de “um vírus do PREC bem vivo e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid”. E ainda quem elogie (muito) Salazar e o antigo regime

Chama-se “Abril pelas direitas” e pergunta logo na capa: “Foi bonita a festa, pá?”. Coordenado por uma associação cívica chamada “Farol”, tem como objetivo confesso reunir “gente de bem”, para recuperar “palavra capturadas pela esquerda” e “colocar as direitas a conversar, mostrando uma realidade que ainda é infelizmente muito subterrânea”. O livro lançado agora – e que pretende ancorar duas conferências em cima das comemorações de Abril – tem assim um desígnio: “O povo de direita quer viver em liberdade”. Por “povo de direita”, entenda-se, de uma direita que (muito maioritariamente) não louva a revolução.

Na introdução, os coordenadores da obra e fundadores da Farol (que se assume um espaço de conversa à direita “sem linhas vermelhas nem cercas sanitárias”), Paulo Jorge Teixeira e Rodrigo Pereira Coutinho assumem que o “25 de abril criou na direita um misto de sentimentos”. E explicam: “Vivemos e crescemos a lamber feridas, de uma orfandade consentida pelos vencedores do processo revolucionário”.

Sentindo-se, assim, como perdedores desse processo (“Temos jogado sob as regras de um jogo em que não contamos”), os coordenadores do projeto querem agora assumir “formas de agitação cultural”. Este livro é uma delas, para “pôr as direitas a falar entre elas, para que entendam que existe mais que as une do que as separe”. Mas será apenas parte de um projeto, contado num dos mais de 60 textos por Frederico Nunes da Silva, outro dos homens do "Farol": “Façamos a reconciliação com o regime anterior descontraindo negros mitos, úteis à casta vigente. Criemos espaços de liberdade e instrumentos de luta política pela Direita: associações, tertúlias, revistas, livros, podcasts, jornais independentes. Usemos a tecnologia a nosso favor”. Ele que, umas linhas antes, falava do “português” como “uma espécie ameaçada”, pela “importação de tubas de culturas distantes” e que sugeria “a reconciliação com o regime anterior desconstruindo negros mitos, úteis à casta vigente”.

A luta é, portanto, uma “guerra cultural”, assume Paulo Jorge Teixeira (também da "Farol"), que pede “uma resistência" e se anima com “toda esta bela e festival sociedade de abril, agora alarmada porque aparecem algumas vozes de discórdia”.

É aqui que entram as vozes – ou as escritas – de vários e diferentes dirigentes do Chega. Um deles (também da associação) é Rodrigo Pereira Coutinho, dirigente nas estruturas do Porto, que diz isto da revolução que faz agora 50 anos:

“O 25 de abril dos menos de 10 milhões que viviam no Portugal europeu foi pago muito caro por dezenas de milhões de outros portugueses, brancos, negros, amarelos que viviam no Portugal ultramarino”.

Chega de Abril

Mas há, claro, textos de caras bem mais conhecidas do partido de André Ventura, aqui neste “Abril pelas Direitas”. Um deles é o novo cabeça de lista às próximas eleições europeias, Tânger Correia. O ex-embaixador começa por contar como, a seguir à revolução e “para não ser preso”, saiu “discretamente de Portugal” e foi para o Brasil, “onde estive até setembro de 76.” Concede ele sobre o que aconteceu naquele dia: “É certo que o regime estava podre e Marcelo Caetano não terá sido a melhor escolha para fazer a transição. Com Franco Nogueira estou certo que os acontecimentos teriam sido diferentes”.

O atual vice-presidente do Chega conclui, agora, que “a transição para o regime democrático nunca aconteceu de facto, sendo que a atual censura do politicamente correto é bem mais opressiva, intrusiva e pressionaste do que a PIDE/DGS e das instituições do antigo regime”. E conclui assim: “O 25 de abril que hoje é comemorado nada tem a ver com o de 74, embrulhado numa sucessão de mentiras e visões românticas. Como diz o cantor: ‘foi bonita a festa, pá!’. Mas certamente não para todos, nem para o país que é o nosso.”

Gabriel Mithá Ribeiro, eleito pelo Chega agora como secretário da Mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo tom: “Se a liberdade foi uma conquista, nada de substancialmente novo acrescentou à monarquia constitucional derrubada por um radicalismo progressista.”.

O ex-vice do Chega fala de “uma sobreposição entre uma moral social falhada e a crise mais grave de sempre das mais variadas instituições”, também de uma “engenharia mental imposta pela esquerda às sociedades para instituir ditaduras e corromper por dentro as democracias”. Isto para denunciar “uma crise de saúde mental”, que alarga a uma parte das direitas: “Só uma forte dose de ignorância leva PSD e IL incitam em não perceber que o seu cordão sanitário jamais poderá ser colocado ao Chega. A razão moral está acima das demais, quaisquer que sejam.” Essa, diz, é a “missão civilizacional do Chega”: impor a sua “moral social”.

Chega? Há mais, sim. Miguel Côrte-Real, do Porto, deixa vincado um “não gosto nem festejo o tão celebrado 25 de abril”, por ter “desmantelado toda uma economia e interrompido um ciclo de crescimento económico incomparável”, pela “descolonização criminosa”, por “condenar Portugal à fatalidade socialista” e criado uma “democracia de fachada”.

E Pacheco de Amorim, atual vice-presidente do Parlamento, tantas vezes acusado pelo Bloco de Esquerda por crimes no pós-revolução, ao ter participado no núcleo político de Spínola no MDLP. Amorim (que esteve anos no CDS depois disso), fala de “uma revolução feita honradamente por generais spinolistas, vampirizada pelas milícias do PCP”. E conta que passou “no dia 26 à contra-revolução porque era cristalino que, na sombra de Spinola , era tudo comandado pelo PCP… fizemos o que foi possível — dentro da decência — para impedir a tomada de poder pelas esquerdas totalitárias”.

Só que, todos este anos passados, não se mostra confortável com o resultado dessa luta: “Conseguimos impedir o pior, mas não conseguimos impedir que um sistema voraz se apoderasse de Portugal”. Agora, propõe-se a “lutar para que esse sistema que nos empobrece e fragiliza se esfume. Se o deixarmos prosseguir, nada sobrará de uma herança de dez séculos", porque “corremos o risco de uma mera substituição de um regime autoritário e inepto por um regime autoritário e eficaz em tudo o que tocava a destruir”.

Pacheco de Amorim congratula-se por não estar “sozinho” agora. E não está. Joana Pinto, líder da Juventude do Chega em Braga, escreve ter descoberto “que o melhor do 25 de abril foi o 25 de novembro”. Gonçalo Sousa, do Chega de Oeiras, revela que não vai “desresponsabilizar o 25 de novembro pelo estado em que nos encontramos, permitindo a criação do arco de governação cleptocrático de Bloco Central”, assim como por uma “direita que vive com medo da esquerda”. Para concluir assim: “O meu dia da liberdade ainda não chegou”.

Jaime e a campanha

Não sendo do Chega, Jaime Nogueira Pinto alinha com o discurso. Num texto dedicado ao que diz ser uma “pródiga propaganda com generosa dotação do Estado e do Governo”, o professor antecipa que nas comemorações de Abril "não hão de faltar textos a denegrir ainda mais a “longa noite fascista” ou “os crimes da ditadura”.

Assim, faz o contrário, tentando ponto a ponto contestar a campanha lançada pela equipa de comemoração dos 50 anos da revolução chamada “Antes do 25 de Abril #nãopodias”. Nogueira Pinto descreve, então uma “campanha de ação psicológica”, falando de “horrores que eu, que já contava com 28 anos, não tinha vivido e não sabia”.

Exemplos? #nãopodias viajar sem autorização ("deve estar a confundir o Portugal de antes do 25 de abril com a então União Soviética); #nãopodias ler o livro que quisesses ("Havia alguns proibidos, mas quem tivesse vontade de ler, lia. Agora há livros que só se podem ler quando devidamente expurgados pelos novos censores"); #nãopodias votar ("Podia-se votar… só que de facto, o governo ganhava sempre").

Entre os não militantes do Chega, notam-se neste livro várias direitas que se aproximam.

Miguel Côrte Real, do PSD/Porto (e fundador do jornal Novo), afirma que depois de Abril “mudou-se para que a palavra ‘opressão’ seja agora lida como ‘educação’, onde todos são livres de aprender o que o Estado quiser”. Abel Matos Santos, do CDS, fala da revolução como “um golpe corporativo dos capitões em protesto contra os oficiais milicianos” e do antigo regime assim: “O maior erro de Salazar foi não ter preparado a sua sucessão”. Acredita o líder de uma tendência dos centristas que “hoje não vivemos numa democracia plena e temos uma imprensa totalmente dominada pela censura económica, de Estado e dos poderes políticos”.

Mais casos: Maria Helena Costa, presidente da Associação Familia conservadora, que escreve no Sol e Observador, fala de uma “batalha cultural sem precedentes” onde a “esquerda percebeu que o revisionismo histórico embruteceria o povo e que este se conformaria a chavões”. Quanto à “dita direita”, lamenta a sua “covardia sistemática e vergonhosa”. E sobre Abril? “Este ano os abrideiras comemoram 50 anos de ataque à vida e à família, empobrecimento, corrupção ativa, doutrinamento das massas. Não comemoro o 25 de abril”.

Já Isabel Meireles, ex-vice-presidente do PSD (ao tempo de Rui Rio), entende que “o vírus do PREC continua bem vivo e ativo, e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid, para os quais se descobriram vacinas eficazes” [sic] — sendo “o mais conhecido a chamada ‘geringonça’".

Os nacionalistas

Nestas direitas que se juntam há também os mais saudosistas. É o caso de José Almeida, do Movimento Portugal Lusófono, que fala da revolução como “o momento mais nefasto da nossa história”, um “ato de traição das forças armadas, servindo um regime ilegítimo que jamais foi sufragado em Portugal” e ainda de “um derradeiro ataque ao projeto imperial português”. Para ele, Salazar é “o príncipe perfeito da nossa contemporaneidade”.

Rui Paulino Pereira, que se apresenta como “militante da velha guarda do nacionalismo português”, aponta o dedo a uma “nefasta data que é a abrilada de 74, golpe de estado levado a cabo por militares que desonraram a farda e o seu juramento” e por um “punhado de descerebrados”. Pelo que conclui que “só há uma coisa que me apetece comemorar, o surgimento do Chega de André Ventura”, pedindo aos “aos portugueses de bem ajudar a este projeto de regeneração nacional”.

Porque o livro é grande, há direito a mais contributos.

Miguel Nunes Silva, do Instituto Trezeno, justifica que antes de Abril “a liberdade de consciência era respeitada, à excepção da esfera política”, ou que “as vítimas era excepcionais e não em massa”. Pelo que conclui que “o novo regime foi muitíssimo pior do que o do antecessor", face ao que considera ser a “censura das redes sociais e o totalitarismo progressista”. Assim sendo, termina, “a celebração anual [de Abril] é tão aberrante quanto a fotografia de Mao em Tiananmen”.

Só mais um caso: Nuno Simões de Melo, coronel de cavalaria na reserva, lamenta que “já não se rezam avé-marias nas escolas nem se canta o hino do Pequeno Lusito” e anseia por “uma nova manhã, de um dia normal de abril, para trazer a a garra a Portugal”.

Os (mais e menos) ‘moderados’

Também há autores mais ‘moderados’ no modo como encaram Abril. Talvez menos o caso de Rafael Pinto Borges, da Nova Portugalidade, que lamenta não ter sido esta uma transição à espanhola, que garante que Portugal “aproximava-se a todo o vapor da média de desenvolvimento da Europa além Pirinéus”. Mas será mais a de Luis Pedro Mateus, filiado no CDS, que reclama que “o diálogo, a tolerância e a empatia não podem ser conceitos de bandeira arreados ao primeiro encontro com a diferença”.

Na mesma linha, Teresa Corte-Real (ex-presidente da Causa Real, que publica artigos no Observador) reclama uma “escola liberta de conteúdos de caracter ideológico”; Duarte Nuno Correia, dirigente do CDS, anota a “consolidação da democracia em Novembro, que necessário que saibamos manter”; Teresa Nogueira Pinto fala de uma “crise de representação”; e Catarina Maia, bióloga, sugere que “não percamos mais 50 anos sem concertar a justiça”.

Mais otimistas, só mesmo Nilza de Sena (ex-dirigente do PSD), que anota que “Abril só se cumpriu em parte”, Paulo Sande ("ainda sobra tempo para cumprir Abril"); Paulo Teixeira, ex-autarca do PSD, que se diz “grato” a Abril e Carla Madureira, ex-deputada do PSD, também com elogios aos resultados da revolução.

Não é, portanto, o tom geral, que talvez seja dado pelo contributo mas pequeno da obra. É de Alberto Gonçalves, cronista do Observador, que escreve apenas isto: "Desconfio que não tenho os valores de abril recomendados. Vou marcar análises”.

Agora é que vejo, esse Miguel Côrte-Real foi um sujeito que na última AG do FCP foi elogiar o Fernando Gomes e apelar, de forma quase desesperada, à aprovação das contas. 😂

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

Agora é que vejo, esse Miguel Côrte-Real foi um sujeito que na última AG do FCP foi elogiar o Fernando Gomes e apelar, de forma quase desesperada, à aprovação das contas. 😂

e é do PSD, não do Chega como a notícia dá a entender. foi dos que veio pedir entendimentos com o Chega, com o Gomes da Silva

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Citação de F_Tex, há 15 minutos:

e é do PSD, não do Chega como a notícia dá a entender. foi dos que veio pedir entendimentos com o Chega, com o Gomes da Silva

É burro.

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Citação de challenger, há 35 minutos:

 

acrescentaria, só para começar, qq deputada do chega (atuais), cds (antigas), psd (antigas e atuais), governo (ministras, secretarias de estado, staff) psd+cds (antigas e atuais)

Editado por KAralinda

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PQP... Dei uma gargalhada brutal...

Montenegro em Madrid.... pah falar sem guião dá azo a calinadas...  " ... Geografias do ... do... Universo... " .... 😂😂

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Citação de HappyKing, há 23 horas:

20240415-105902.jpg

O que umas presidenciais à vista não fazem. 

Montenegro /kickban Passos Coelho

Citação de Lebohang, Em 15/04/2024 at 09:47:
Citação

Do Chega aos saudosistas, dos nacionalistas ao CDS e PSD: as direitas que não celebram o 25 de Abril juntaram-se neste livro

Os coordenadores de “Abril pelas Direitas” querem colocar as direitas a falar, "sem cordões sanitários". E juntaram textos de mais de 60, com uma perspetiva (maioritariamente) muito crítica de Abril e do país de hoje. Um vice do Chega fala de "uma censura mais opressiva do que a da PIDE”, outro denuncia um novo “regime totalitário”. Jaime Nogueira Pinto critica uma campanha “a denegrir ainda mais a ‘longa noite fascista’”. Há centristas e até uma ex-vice do PSD a falar de “um vírus do PREC bem vivo e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid”. E ainda quem elogie (muito) Salazar e o antigo regime

Chama-se “Abril pelas direitas” e pergunta logo na capa: “Foi bonita a festa, pá?”. Coordenado por uma associação cívica chamada “Farol”, tem como objetivo confesso reunir “gente de bem”, para recuperar “palavra capturadas pela esquerda” e “colocar as direitas a conversar, mostrando uma realidade que ainda é infelizmente muito subterrânea”. O livro lançado agora – e que pretende ancorar duas conferências em cima das comemorações de Abril – tem assim um desígnio: “O povo de direita quer viver em liberdade”. Por “povo de direita”, entenda-se, de uma direita que (muito maioritariamente) não louva a revolução.

Na introdução, os coordenadores da obra e fundadores da Farol (que se assume um espaço de conversa à direita “sem linhas vermelhas nem cercas sanitárias”), Paulo Jorge Teixeira e Rodrigo Pereira Coutinho assumem que o “25 de abril criou na direita um misto de sentimentos”. E explicam: “Vivemos e crescemos a lamber feridas, de uma orfandade consentida pelos vencedores do processo revolucionário”.

Sentindo-se, assim, como perdedores desse processo (“Temos jogado sob as regras de um jogo em que não contamos”), os coordenadores do projeto querem agora assumir “formas de agitação cultural”. Este livro é uma delas, para “pôr as direitas a falar entre elas, para que entendam que existe mais que as une do que as separe”. Mas será apenas parte de um projeto, contado num dos mais de 60 textos por Frederico Nunes da Silva, outro dos homens do "Farol": “Façamos a reconciliação com o regime anterior descontraindo negros mitos, úteis à casta vigente. Criemos espaços de liberdade e instrumentos de luta política pela Direita: associações, tertúlias, revistas, livros, podcasts, jornais independentes. Usemos a tecnologia a nosso favor”. Ele que, umas linhas antes, falava do “português” como “uma espécie ameaçada”, pela “importação de tubas de culturas distantes” e que sugeria “a reconciliação com o regime anterior desconstruindo negros mitos, úteis à casta vigente”.

A luta é, portanto, uma “guerra cultural”, assume Paulo Jorge Teixeira (também da "Farol"), que pede “uma resistência" e se anima com “toda esta bela e festival sociedade de abril, agora alarmada porque aparecem algumas vozes de discórdia”.

É aqui que entram as vozes – ou as escritas – de vários e diferentes dirigentes do Chega. Um deles (também da associação) é Rodrigo Pereira Coutinho, dirigente nas estruturas do Porto, que diz isto da revolução que faz agora 50 anos:

“O 25 de abril dos menos de 10 milhões que viviam no Portugal europeu foi pago muito caro por dezenas de milhões de outros portugueses, brancos, negros, amarelos que viviam no Portugal ultramarino”.

Chega de Abril

Mas há, claro, textos de caras bem mais conhecidas do partido de André Ventura, aqui neste “Abril pelas Direitas”. Um deles é o novo cabeça de lista às próximas eleições europeias, Tânger Correia. O ex-embaixador começa por contar como, a seguir à revolução e “para não ser preso”, saiu “discretamente de Portugal” e foi para o Brasil, “onde estive até setembro de 76.” Concede ele sobre o que aconteceu naquele dia: “É certo que o regime estava podre e Marcelo Caetano não terá sido a melhor escolha para fazer a transição. Com Franco Nogueira estou certo que os acontecimentos teriam sido diferentes”.

O atual vice-presidente do Chega conclui, agora, que “a transição para o regime democrático nunca aconteceu de facto, sendo que a atual censura do politicamente correto é bem mais opressiva, intrusiva e pressionaste do que a PIDE/DGS e das instituições do antigo regime”. E conclui assim: “O 25 de abril que hoje é comemorado nada tem a ver com o de 74, embrulhado numa sucessão de mentiras e visões românticas. Como diz o cantor: ‘foi bonita a festa, pá!’. Mas certamente não para todos, nem para o país que é o nosso.”

Gabriel Mithá Ribeiro, eleito pelo Chega agora como secretário da Mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo tom: “Se a liberdade foi uma conquista, nada de substancialmente novo acrescentou à monarquia constitucional derrubada por um radicalismo progressista.”.

O ex-vice do Chega fala de “uma sobreposição entre uma moral social falhada e a crise mais grave de sempre das mais variadas instituições”, também de uma “engenharia mental imposta pela esquerda às sociedades para instituir ditaduras e corromper por dentro as democracias”. Isto para denunciar “uma crise de saúde mental”, que alarga a uma parte das direitas: “Só uma forte dose de ignorância leva PSD e IL incitam em não perceber que o seu cordão sanitário jamais poderá ser colocado ao Chega. A razão moral está acima das demais, quaisquer que sejam.” Essa, diz, é a “missão civilizacional do Chega”: impor a sua “moral social”.

Chega? Há mais, sim. Miguel Côrte-Real, do Porto, deixa vincado um “não gosto nem festejo o tão celebrado 25 de abril”, por ter “desmantelado toda uma economia e interrompido um ciclo de crescimento económico incomparável”, pela “descolonização criminosa”, por “condenar Portugal à fatalidade socialista” e criado uma “democracia de fachada”.

E Pacheco de Amorim, atual vice-presidente do Parlamento, tantas vezes acusado pelo Bloco de Esquerda por crimes no pós-revolução, ao ter participado no núcleo político de Spínola no MDLP. Amorim (que esteve anos no CDS depois disso), fala de “uma revolução feita honradamente por generais spinolistas, vampirizada pelas milícias do PCP”. E conta que passou “no dia 26 à contra-revolução porque era cristalino que, na sombra de Spinola , era tudo comandado pelo PCP… fizemos o que foi possível — dentro da decência — para impedir a tomada de poder pelas esquerdas totalitárias”.

Só que, todos este anos passados, não se mostra confortável com o resultado dessa luta: “Conseguimos impedir o pior, mas não conseguimos impedir que um sistema voraz se apoderasse de Portugal”. Agora, propõe-se a “lutar para que esse sistema que nos empobrece e fragiliza se esfume. Se o deixarmos prosseguir, nada sobrará de uma herança de dez séculos", porque “corremos o risco de uma mera substituição de um regime autoritário e inepto por um regime autoritário e eficaz em tudo o que tocava a destruir”.

Pacheco de Amorim congratula-se por não estar “sozinho” agora. E não está. Joana Pinto, líder da Juventude do Chega em Braga, escreve ter descoberto “que o melhor do 25 de abril foi o 25 de novembro”. Gonçalo Sousa, do Chega de Oeiras, revela que não vai “desresponsabilizar o 25 de novembro pelo estado em que nos encontramos, permitindo a criação do arco de governação cleptocrático de Bloco Central”, assim como por uma “direita que vive com medo da esquerda”. Para concluir assim: “O meu dia da liberdade ainda não chegou”.

Jaime e a campanha

Não sendo do Chega, Jaime Nogueira Pinto alinha com o discurso. Num texto dedicado ao que diz ser uma “pródiga propaganda com generosa dotação do Estado e do Governo”, o professor antecipa que nas comemorações de Abril "não hão de faltar textos a denegrir ainda mais a “longa noite fascista” ou “os crimes da ditadura”.

Assim, faz o contrário, tentando ponto a ponto contestar a campanha lançada pela equipa de comemoração dos 50 anos da revolução chamada “Antes do 25 de Abril #nãopodias”. Nogueira Pinto descreve, então uma “campanha de ação psicológica”, falando de “horrores que eu, que já contava com 28 anos, não tinha vivido e não sabia”.

Exemplos? #nãopodias viajar sem autorização ("deve estar a confundir o Portugal de antes do 25 de abril com a então União Soviética); #nãopodias ler o livro que quisesses ("Havia alguns proibidos, mas quem tivesse vontade de ler, lia. Agora há livros que só se podem ler quando devidamente expurgados pelos novos censores"); #nãopodias votar ("Podia-se votar… só que de facto, o governo ganhava sempre").

Entre os não militantes do Chega, notam-se neste livro várias direitas que se aproximam.

Miguel Côrte Real, do PSD/Porto (e fundador do jornal Novo), afirma que depois de Abril “mudou-se para que a palavra ‘opressão’ seja agora lida como ‘educação’, onde todos são livres de aprender o que o Estado quiser”. Abel Matos Santos, do CDS, fala da revolução como “um golpe corporativo dos capitões em protesto contra os oficiais milicianos” e do antigo regime assim: “O maior erro de Salazar foi não ter preparado a sua sucessão”. Acredita o líder de uma tendência dos centristas que “hoje não vivemos numa democracia plena e temos uma imprensa totalmente dominada pela censura económica, de Estado e dos poderes políticos”.

Mais casos: Maria Helena Costa, presidente da Associação Familia conservadora, que escreve no Sol e Observador, fala de uma “batalha cultural sem precedentes” onde a “esquerda percebeu que o revisionismo histórico embruteceria o povo e que este se conformaria a chavões”. Quanto à “dita direita”, lamenta a sua “covardia sistemática e vergonhosa”. E sobre Abril? “Este ano os abrideiras comemoram 50 anos de ataque à vida e à família, empobrecimento, corrupção ativa, doutrinamento das massas. Não comemoro o 25 de abril”.

Já Isabel Meireles, ex-vice-presidente do PSD (ao tempo de Rui Rio), entende que “o vírus do PREC continua bem vivo e ativo, e mais contagioso e perigoso que o vírus da SIDA ou do Covid, para os quais se descobriram vacinas eficazes” [sic] — sendo “o mais conhecido a chamada ‘geringonça’".

Os nacionalistas

Nestas direitas que se juntam há também os mais saudosistas. É o caso de José Almeida, do Movimento Portugal Lusófono, que fala da revolução como “o momento mais nefasto da nossa história”, um “ato de traição das forças armadas, servindo um regime ilegítimo que jamais foi sufragado em Portugal” e ainda de “um derradeiro ataque ao projeto imperial português”. Para ele, Salazar é “o príncipe perfeito da nossa contemporaneidade”.

Rui Paulino Pereira, que se apresenta como “militante da velha guarda do nacionalismo português”, aponta o dedo a uma “nefasta data que é a abrilada de 74, golpe de estado levado a cabo por militares que desonraram a farda e o seu juramento” e por um “punhado de descerebrados”. Pelo que conclui que “só há uma coisa que me apetece comemorar, o surgimento do Chega de André Ventura”, pedindo aos “aos portugueses de bem ajudar a este projeto de regeneração nacional”.

Porque o livro é grande, há direito a mais contributos.

Miguel Nunes Silva, do Instituto Trezeno, justifica que antes de Abril “a liberdade de consciência era respeitada, à excepção da esfera política”, ou que “as vítimas era excepcionais e não em massa”. Pelo que conclui que “o novo regime foi muitíssimo pior do que o do antecessor", face ao que considera ser a “censura das redes sociais e o totalitarismo progressista”. Assim sendo, termina, “a celebração anual [de Abril] é tão aberrante quanto a fotografia de Mao em Tiananmen”.

Só mais um caso: Nuno Simões de Melo, coronel de cavalaria na reserva, lamenta que “já não se rezam avé-marias nas escolas nem se canta o hino do Pequeno Lusito” e anseia por “uma nova manhã, de um dia normal de abril, para trazer a a garra a Portugal”.

Os (mais e menos) ‘moderados’

Também há autores mais ‘moderados’ no modo como encaram Abril. Talvez menos o caso de Rafael Pinto Borges, da Nova Portugalidade, que lamenta não ter sido esta uma transição à espanhola, que garante que Portugal “aproximava-se a todo o vapor da média de desenvolvimento da Europa além Pirinéus”. Mas será mais a de Luis Pedro Mateus, filiado no CDS, que reclama que “o diálogo, a tolerância e a empatia não podem ser conceitos de bandeira arreados ao primeiro encontro com a diferença”.

Na mesma linha, Teresa Corte-Real (ex-presidente da Causa Real, que publica artigos no Observador) reclama uma “escola liberta de conteúdos de caracter ideológico”; Duarte Nuno Correia, dirigente do CDS, anota a “consolidação da democracia em Novembro, que necessário que saibamos manter”; Teresa Nogueira Pinto fala de uma “crise de representação”; e Catarina Maia, bióloga, sugere que “não percamos mais 50 anos sem concertar a justiça”.

Mais otimistas, só mesmo Nilza de Sena (ex-dirigente do PSD), que anota que “Abril só se cumpriu em parte”, Paulo Sande ("ainda sobra tempo para cumprir Abril"); Paulo Teixeira, ex-autarca do PSD, que se diz “grato” a Abril e Carla Madureira, ex-deputada do PSD, também com elogios aos resultados da revolução.

Não é, portanto, o tom geral, que talvez seja dado pelo contributo mas pequeno da obra. É de Alberto Gonçalves, cronista do Observador, que escreve apenas isto: "Desconfio que não tenho os valores de abril recomendados. Vou marcar análises”.

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Meu Deus, mas que grande m*rda de livro que deve ser. Não conheço nem metade e da outra metade só conheço um ou outro youtuber. Deve ser uma grande m*rda para ter youtubers a escreverem capítulos do livro, nem falo do conteúdo abjeto.

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