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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Lebohang, há 21 minutos:

E trabalharam até bem tarde visto que só apareceram no fórum agora.

um bom colaborador deve sempre as horas extra à casa :100_pray:

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Citação de Ghelthon, Em 24/11/2024 at 12:44:

Tão óbvio que nem sei como isto não é red flag o suficiente para qualquer pessoa que sequer considere votar nele.

Para quem considera votar nele, diria que essa é a maior green flag.

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Citação de HappyKing, há 9 horas:

Montenegro atribui aumento de casos de violência doméstica a mais denúncias e não a "aumento real"

Chefe do Governo afirmou que o crime de violência doméstica "é muitas vezes um crime silencioso" e, referindo que não queria "chocar ninguém", disse ter dúvidas de que o aumento no número de casos que se regista nas estatísticas "signifique o aumento da criminalidade tipificada para a violência doméstica".

Eles não tinham contratado uma equipa de comunicação? Ninguém o avisou que ter este discurso numa sessão de encerramento da conferência "Combate à violência contra mulheres e violência doméstica" era capaz de ser uma ideotice? 

A alternativa era dizer que o aumento dos casos de violência doméstica devia-se à imigração, mas já se tinham antecipado.

Editado por whatever

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Já que o ministério da saúde tem tido uma prestação aberrante, nada como soltar mais uma aberração e fazer com que a solução para as listas de espera seja algo como "ou resolvem por si próprios ou então que se lixem a pagar isso tudo sozinhos". 

Boa maneira de lixar e fragilizar ainda mais este SNS. Esta senhora é uma vergonha para a classe farmacêutica e tudo o que faz vai contra os valores históricos da ordem que em tempos dirigiu.

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Citação de HappyKing, há 9 horas:

Montenegro atribui aumento de casos de violência doméstica a mais denúncias e não a "aumento real"

Chefe do Governo afirmou que o crime de violência doméstica "é muitas vezes um crime silencioso" e, referindo que não queria "chocar ninguém", disse ter dúvidas de que o aumento no número de casos que se regista nas estatísticas "signifique o aumento da criminalidade tipificada para a violência doméstica".

Eles não tinham contratado uma equipa de comunicação? Ninguém o avisou que ter este discurso numa sessão de encerramento da conferência "Combate à violência contra mulheres e violência doméstica" era capaz de ser uma ideotice? 

Foi uma saída totalmente ao lado, mas vendo e ouvindo, percebe-se que o que ele quis dizer foi que a criminalidade não aumentou, aumentando sim a denúncia. Mas gaguejou tanto, que ficou mal na fotografia.

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Citação de Tio Hans, há 48 minutos:

Foi uma saída totalmente ao lado, mas vendo e ouvindo, percebe-se que o que ele quis dizer foi que a criminalidade não aumentou, aumentando sim a denúncia. Mas gaguejou tanto, que ficou mal na fotografia.

Mas como é que ele pode dizer isso? Tem uma bola de cristal para saber quantos casos há?

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Citação de Ghelthon, há 5 minutos:

Mas como é que ele pode dizer isso? Tem uma bola de cristal para saber quantos casos há?

Vou fazer advogado do diabo. Não, não tem. Da mesma forma que não sabemos se os casos reais aumentaram ou não, o que aumentaram foram as denúncias.

Atenção, acho que vão continuar a aumentar, de ano para ano, mas isso não significa que os "casos reais" aumentem.

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Citação de Ed, Agora:

Vou fazer advogado do diabo. Não, não tem. Da mesma forma que não sabemos se os casos reais aumentaram ou não, o que aumentaram foram as denúncias.

Atenção, acho que vão continuar a aumentar, de ano para ano, mas isso não significa que os "casos reais" aumentem.

Não digo isto para fazer numerologia tirada do cu como faz o Chega. Mas acho que, se o número de denúncias aumentou, não se pode afirmar com certeza que o número de casos não aumentou, porque simplesmente não se sabe.

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Citação de Ghelthon, há 4 minutos:

Não digo isto para fazer numerologia tirada do cu como faz o Chega. Mas acho que, se o número de denúncias aumentou, não se pode afirmar com certeza que o número de casos não aumentou, porque simplesmente não se sabe.

Exato. Não o vês a afirmar que os casos diminuiram.

Citação de HappyKing, há 10 horas:

Montenegro atribui aumento de casos de violência doméstica a mais denúncias e não a "aumento real"

Chefe do Governo afirmou que o crime de violência doméstica "é muitas vezes um crime silencioso" e, referindo que não queria "chocar ninguém", disse ter dúvidas de que o aumento no número de casos que se regista nas estatísticas "signifique o aumento da criminalidade tipificada para a violência doméstica".

Eles não tinham contratado uma equipa de comunicação? Ninguém o avisou que ter este discurso numa sessão de encerramento da conferência "Combate à violência contra mulheres e violência doméstica" era capaz de ser uma ideotice? 

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

Foi uma saída totalmente ao lado, mas vendo e ouvindo, percebe-se que o que ele quis dizer foi que a criminalidade não aumentou, aumentando sim a denúncia. Mas gaguejou tanto, que ficou mal na fotografia.

Para além de não ser factual - é apenas uma percepção dele - dizer isso no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres no encerramento de uma sessão sobre o efeito tinha que intuito?

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Citação de Ed, há 20 minutos:

Exato. Não o vês a afirmar que os casos diminuiram.

Não se pode dizer nenhuma das duas, é esse o meu ponto. Portanto devia ter-se cingido a comentar o que se sabe, que é que o número de denúncias aumentou.

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Se ha coisa que tenho aprendido com o tempo é a nao defender palavras de gente parva.

Ja o fiz muito no passado, evito fazer nestes tempos.

Posto isto, que tirada de m*rda do Montenegro.

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Citação de Ghelthon, há 7 minutos:

Não se pode dizer nenhuma das duas, é esse o meu ponto. Portanto devia ter-se cingido a comentar o que se sabe, que é que o número de denúncias aumentou.

Concordo contigo, atenção. Acho é que é um problema de comunicação.

Pior é o que o governo quer fazer com as listas de espera nas cirurgias...

Citação de smashing_pumpkin , há 1 hora:

Já que o ministério da saúde tem tido uma prestação aberrante, nada como soltar mais uma aberração e fazer com que a solução para as listas de espera seja algo como "ou resolvem por si próprios ou então que se lixem a pagar isso tudo sozinhos". 

Boa maneira de lixar e fragilizar ainda mais este SNS. Esta senhora é uma vergonha para a classe farmacêutica e tudo o que faz vai contra os valores históricos da ordem que em tempos dirigiu.

Basicamente, ou os hospitais metem as listas em dia, ou vão pagar aos privados para porem. O caminho para a privatização da saúde está, cada vez mais, assumido.

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Citação de HappyKing, há 40 minutos:

Para além de não ser factual - é apenas uma percepção dele - dizer isso no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres no encerramento de uma sessão sobre o efeito tinha que intuito?

É burrice, que queres que te faça?

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Citação de Tio Hans, há 4 minutos:

É burrice, que queres que te faça?

Tem de contratar quem treinou/aconselhou o Varandas

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Citação de PRFA47, há 6 minutos:

Tem de contratar quem treinou/aconselhou o Varandas

isso é terrível, ainda diria qualquer coisa tipo "é pra rebentar com elas!!! hehehh"

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Muito bem o Dr. Luís Montenegro a mandar o Dr. Sebastião Bugalho para Bruxelas para diminuir o flagelo da violência doméstica em Portugal.

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Gouveia e Melo não é um perigo, é um aviso ao PSD e PS (e o risco que corre é outro)

Parece que o Almirante Gouveia e Melo decidiu largar a carreira militar e abraçar uma candidatura presidencial, já a partir de março. Parece que muitos políticos se assustaram com isso e que alguns comentadores ficaram mesmo preocupados com a ascensão de um militar ao Palácio de Belém, cerca de 40 anos depois de Eanes. Percebo o susto de uns e o pânico de outros, mas estou em crer que é excessivo: o risco de Gouveia e Melo na Presidência não é ele ser militar, é outro. E talvez nem seja um perigo, mas um aviso.

Neste Observatório da Minoria, tento explicar-lhe porquê.

É melhor começar por explicar o pânico de alguns, porque há razões históricas que o justificam. Experimente, por razões de conforto e rapidez na pesquisa, perguntar ao ChatGPT, quais são os riscos de um militar na Presidência e terá prontamente à mão uma lista de tópicos. Começo por estes:

  • Risco de militarização da política, com maior controlo do Governo pelas Forças Armadas (como tivemos com o Conselho da Revolução, até 1982);
  • Polarização e instabilidade social, “especialmente se o militar tiver apoio das Forças Armadas, mas não da maioria da população”;
  • Potencial para desrespeito aos direitos humanos, como “perseguições políticas, desaparecimentos forçados, tortura e repressão a grupos opositores”;
  • Risco de autoritarismo, como restrição da liberdade de expressão, censura aos media, ou repressão de opositores políticos e enfraquecimento das garantias constitucionais – em nome da “ordem e a estabilidade”;
  • Criação de um precedente perigoso, “encorajando outros militares a envolverem-se na política e desestabilizando a ordem constitucional”;
  • Desconfiança internacional: a comunidade internacional, especialmente as organizações que defendem os direitos humanos e a democracia, “pode ver essa mudança como um retrocesso e isolar o país politicamente ou impor sanções”.


Lendo isto, salta à vista que uma eleição de Gouveia e Melo é inofensiva para a nossa Democracia. Siga comigo: Portugal tem, há quase 50 anos, uma Constituição sólida, imune a retrocessos ou à militarização do Estado – sem que dois terços dos deputados abram esse espaço numa revisão futura; o papel do Presidente não é Executivo, pelo que as ameaças à liberdade de expressão não partem de Belém; não existe na estrutura militar qualquer tentação de subversão da ordem política; não é conhecida qualquer posição do Almirante contrária ao respeito dos direitos fundamentais; e, mais, sendo a eleição direta e unipessoal, Gouveia e Melo teria sempre o apoio da maioria dos votantes – pelo que o país estaria perfeitamente a salvo de tensões com os seus aliados.

Os manuais de história do século XX explicam que estes eram riscos muito sérios no auge da guerra fria. Mas o que os manuais de Ciência Política de hoje nos explicam é que os regimes autoritários já não se impõem, como antigamente, com tomadas de poder feitas pelas armas. Leia “A ditadura adaptada ao século XXI” e perceberá como “uma nova geração de políticos trocou as fardas militares pelos fatos de marca”, fazendo com que o que aconteceu no Chile e Uruguai em 1973, na Argentina em 1976 ou no Brasil em 1964 estejam hoje fora de causa (como prova a facilidade com que o golpe de Bolsonaro caiu por terra).

Sim, é verdade que a ameaça autoritária persiste e que vivemos tempos de visível regressão democrática. Só que, agora, os ditadores vestem-se de Prada, como dizem os autores daquele livro:

“Em vez de julgamentos que eram autênticos espetáculos ou brutais campos de detenção, estes novos ditadores controlam os cidadãos através da manipulação e de ações aparentemente democráticas, para construir a sua base de apoio.”


É por isto que os críticos de Gouveia e Melo estão a olhar para o lado errado da equação: o que nos deve preocupar não são os riscos da eleição de um militar para Belém, é o contexto em que essa eleição se revela possível em pleno século XXI.

Por outras palavras, a pergunta que nos devemos colocar é esta:

Por que é que Gouveia e Melo aparece como favorito?

A resposta a esta pergunta está na fragilidade das instituições democráticas, ou na crise institucional que enfraqueceu o sistema político. Há vários estudos que a atestam, mas veja por exemplo este, publicado pela OCDE há escassos meses:

  • Em Portugal, só 32% confiam (ainda que moderadamente) no Governo central, abaixo dos 37% registados nos restantes países da organização;
  • Os partidos políticos (18%) e o Parlamento (31%) são as instituições em que menos se confia em Portugal;
  • Apenas 43% dos portugueses estão satisfeitos com os serviços administrativos que utilizaram – um importante fator de confiança na função pública – em comparação com a média da OCDE de 66%. Neste campo, notam-se sobretudo níveis baixos de satisfação relativamente ao SNS, à justiça com são tratados os pedidos de apoio ao Estado e à (in)capacidade de proteger vidas em cenários de emergência;
  • Mais problemático ainda, todos os indicadores de confiança desceram nos últimos dois anos, como atesta o gráfico em baixo:
Gouveia e Melo não é um perigo, é um aviso ao PSD e PS (e o risco que corre é outro)

Tudo isto ajuda a explicar as más prestações nas sondagens dos potenciais candidatos vindos dos partidos: todos eles estão, justa ou injustamente, colados à perceção de que os políticos não têm resolvido os problemas quotidianos. Ao que se junta a ideia (muito visível nas comemorações do 25 de novembro esta semana), de que os políticos se entretêm em jogos de palavras, muitas vezes contribuindo ativamente para a má imagem que os cidadãos têm deles – com vergonha de subir os seus salários, quando trocam a disputa por ideias por acusações pessoais, quando falham na ética, na palavra, na proximidade.

O perfil público de Gouveia e Melo parece contrastar: o Almirante resolveu a distribuição das vacinas, no mais difícil dos momentos e contra a maioria das expectativas; e manteve-se visível à frente da Marinha, aproveitando a sua rara visibilidade para passar a mensagem da sua utilidade à frente desse ramo das Forças Armadas. Claro que, de caminho, foi abrindo o caminho para uma candidatura presidencial, conseguindo ótimos resultados nas sondagens.

A candidatura pré-anunciada serve, portanto, de aviso aos políticos e aos principais partidos. Mas será também um perigo?

Para não cair no erro de fazer juízos pré-concebidos, fui reler as várias entrevistas que ele deu à imprensa nos últimos anos. E percebi que o discurso que foi preparando, alinhando, testando, o coloca como um candidato muito forte nas eleições de janeiro de 2026. Repito o que lhe disse ainda há pouco: há um perigo, sim, mas não será aquele que eu próprio identificava como provável.

O que nos foi dizendo Gouveia e Melo, o pré-candidato?

O pressuposto mais frequente sobre o posicionamento do Almirante é de que se trata de um militar com tendências populistas. Mas não é verdade: apesar da tentativa de colagem de André Ventura, Gouveia e Melo não está nem perto do discurso do Chega. Trago-lhe alguns exemplos:

  • "Eu não tenho nada contra o poder político, acho que é uma coisa muito nobre” (Correio da Manhã em dezembro de 2021);
  • “Os partidos são essenciais para a democracia, que não sobrevive sem partidos. Mais uma vez, esta ideia do ‘são todos corruptos’: se são todos corruptos, então somos todos corruptos, não são só os outros. Há gente muito boa nos partidos, e os partidos são a forma como conseguimos congregar ideias políticas. Demonizar a política é péssimo para a democracia” (Expresso, dezembro 2021);
  • “Os negacionistas são gente que vive numa bolha de desinformação, que se autodiminuiu” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
  • "A maior ameaça está relacionada com as alterações climáticas. Não quero ser apocalíptico, mas quando penso nos meus filhos e netos, não posso deixar de estar preocupado” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
  • “O nosso país tem muito problemas que tem de resolver. O que é perigoso é a simplificação de soluções. E haver certas forças políticas que advogam soluções muito simplificadas que podem ser perigosas em termos de execução” (Noticias Magazine, dezembro 2021).

Outra das críticas que lhe têm sido feitas é sobre a ausência de pensamento sobre o país. Quem o diz anota, ao mesmo tempo, que um militar não deve falar de política. Mas Gouveia e Melo, claro, não o evitou grandemente:

  • “Vamos imaginar que alguém é condenado ao fim de 10 anos? É Justiça? A Justiça tem de ser célere” (Correio da Manhã, abril de 2024);
  • "Tem de haver uma classe média forte para afastar as pessoas dos extremismos” (Correio da Manhã, abril de 2024);
  • “Tenho agora um conhecimento superior do SNS, das fragilidades e potencialidades. O SNS mostrou grande capacidade de organização e resiliência na pandemia” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
  • “O centro deve ser forte e deve encontrar soluções” (DN, maio 2024);
  • “Estamos nesta ambição de distribuir a riqueza inexistente, que não produzimos. E um dia vamos acordar sem riqueza para distribuir. Temos de ter a ambição de produzir riqueza para poder distribuir” (Expresso, dezembro 2021);
  • “Sou do centro pragmático. Umas coisas mais à esquerda, outras mais à direita. É preciso que as pessoas tenham fé no sistema: se trabalharem e produzirem, a distribuição não fica acumulada e também vem para elas. Temos de criar um sistema minimamente justo, para que isto aconteça” (Expresso, dezembro 2021).

sobre o mundo de hoje, o Almirante em nada destoa do mainstream político português:

  • “Dois dos pilares da nossa segurança e prosperidade, a NATO e a UE, poderão vir a ser submetidas às maiores provações e testes de stress” (DN, maio 2024);
  • “Se a Europa for atacada e a NATO nos exigir, vamos morrer onde tivermos de morrer para a defender” (DN, maio 2024);
  • “A guerra na Ucrânia vai fazer repensar muitos dos modelos atuais. A Europa vai ter de se defender” (DN, maio de 2023);
  • "Sempre existiu a tentada de criar um pilar europeu dentro da NATO, mas é o mesmo que dizer que temos um clube de futebol e que querem criar mais dois dentro desse clube. Já temos um clube, chama-se NATO, e tem a vantagem de unir as duas partes do atlântico. Começarmos a pensar numa só parte pode fazer como que a outra parte ache que já não vale a pena estar tão unida a nós" (DN, maio de 2023);
  • “Quem levou a Finlândia e a Suécia para a NATO foi o sr. Putin” (DN, maio de 2023);

Por fim, a mensagem política – mas não partidária: ambição, com um cheirinho a ‘ordem’, fazendo lembrar o de Cavaco Silva quando apareceu lá nos idos anos 80:

  • “A Saúde tem muitas coisas, todos os ministérios têm. Este país levava anos a endireitar” (Nascer do Sol, junho de 2021);
  • “Faltam-nos líderes com visão política, para definir objetivos, estratégias e encontrar recursos para os cumprir. Se defino objetivos irrealizáveis, por não ter recursos, o que vou fazer? Passar a vida a escrever papéis e a deixar as coisas a degradarem-se? Porque quero manter-me num pseudo-lugar com um pseudopoder? Isso revolta-me. A população deve ser ambiciosa” (Expresso, dezembro 2021);
  • “Acho que devíamos fazer uma revolução cultural e de atitude que nos libertasse dos pesos que há anos nos prendem ao chão” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
  • “A maioria das pessoas são pessoas do bem. Se calhar, faltava-lhe um bocadinho de ordem” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
  • “Não estou a ver que Portugal tenha de ser um país pobrezinho, um país de coitadinhos, um país periférico. Todos nos temos de lutar” (Nascer do Sol, agosto 2024).

Isto é um aviso ao PSD e PS

Por tudo isto, não admira que os políticos se assustem. É claro que Gouveia e Melo se posicionou, com tempo e método, como um forte candidato presidencial. Tem gravitas, tem discurso e posiciona-se onde os partidos têm tido mais dificuldades em afirmar-se, na concretização.

Henrique Gouveia e Melo será, por isto tudo, um candidato difícil de bater.

  1. As sondagens posicionam-no como favorito e a passagem à segunda volta parece bastante à mão;
  2. Terá uma longa campanha com forte exposição, provavelmente maior do que os adversários – sobretudo se PSD e PS insistirem em manter-se à margem do processo, sem apressar calendário – abdicando de ir à procura dos candidatos mais fortes e de garantir a unidade interna a partir daí;
  3. Pode ter ao lado vários candidatos, porque as direitas parecem insistir em marcar presença e as esquerdas mais ainda. Aliás, tendo em conta a vontade e os egos de muitos, até nos dois maiores partidos há riscos claros de haver sobreposições;
  4. Mais importante ainda, Gouveia e Melo tem um discurso tão longe da direita radical que será improvável que o partido que ficar de fora da segunda volta apele ao voto no candidato do adversário direto – seja o ligado ao PSD ou ao PS. Mais ainda quando é provável que, logo a seguir, venham eleições legislativas antecipadas.

O verdadeiro risco de Gouveia e Melo

Não tenho, portanto, ilusões. Gouveia e Melo tem hipóteses reais de chegar ao Palácio de Belém. O seu maior risco, creio, é um outro que ainda não vi referido: o almirante gosta de se apresentar como um “fazedor”, impaciente quando não vê as vontades alinhadas na direção em que quer, preparado para – como o método próprio de um militar capaz – meter as mãos na massa e resolver os problemas pessoalmente.

O azar é que se esteja a candidatar a um cargo onde não poderá fazer nada disso. Na Presidência da República pede-se alguém que conheça os protagonistas, que saiba trabalhar a fina arte da filigrana política, que consiga criar os incentivos para que os partidos se alinhem, na época mais turbulenta e perigosa da política nacional dos últimos 50 anos. Sempre de fora, sem qualquer poder Executivo.

Um Presidente é um influente, se for bem-sucedido. Se não o conseguir, não será nada – arriscando-se a prejudicar tudo.

Exato, é aí que quero chegar: se não tropeçar na campanha, onde terá de ir mais ao concreto em cada tema, Gouveia e Melo será um forte candidato. Mas será ele realmente um bom Presidente?

O Observatório da Minoria desta semana acaba aqui. Se tiver dúvidas, comentários ou mesmo críticas, envie-me um email para [email protected]

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Representa uma ameaça maior para quem faz da segurança e autoridade o baluarte do seu discurso do que para o PS e PSD.

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Citação de Mica, há 3 horas:

Representa uma ameaça maior para quem faz da segurança e autoridade o baluarte do seu discurso do que para o PS e PSD.

É uma possível interpretação. Espero que mantenha um discurso centrista e não resvale para a zona política desses gajos

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O Ricardo Costa na SIC Notícias acabou de dizer que o Gouveia e Melo já tem gente no terreno para começar a trabalhar nos núcleos de campanha e o apoio de autarcas do PS e PSD

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