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[Benfica] Futebol

Publicações recomendadas

Já escrevi aqui que não fazia sentido despedir o Lage antes do final da época.

Mea culpa, este tem que ser o último jogo dele. É ridículo isto. Este 2020 é ridículo e ele já devia ter sido despedido.

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Ainda há-de vir o NGN com a conversa que o Lage nos deu muito e o crl que o f*da.

Fartinho desta m*rda.

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Well, com o empate do Porto continuamos vivos...

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A verdade é que atualmente não jogámos m*rda nenhuma, mas não é isso que faz não querer ganhar o campeonato. A nossa obrigação é vencer o Tondela e meter pressão no Porto que vai a Famalicão.

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Cada dia que passa é um dia a mais que a "estrutura" e este "treinador" representa este nosso clube. 

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Parece o ano do Trapattoni, nenhum dos grandes joga alguma coisa.

Últimos dois jogos 3 penaltys falhados, continua assim capitão, estás de dulce.

Grimaldo e Ferro há um bom par de jogos a enterrar na defesa, mas não têm concorrência por isso sabem que vão jogar sempre. Tomás Tavares e Chiquinho, sem palavras...

Estou farto do Lage, já nem consigo ver uma conferência de imprensa do gajo, tem o discurso mais que gasto. Acho que a única maneira de conseguirmos conquistar o campeonato é contratando um novo treinador para injectar confiança e um novo ânimo nos jogadores (cada vez mais acredito que foi isto que nos deu o campeonato no ano passado e não as competências táticas do Lage). Apostaria num treinador estrangeiro, apesar de adorar o futebol do JJ não me agrada o seu regresso depois de tudo o que se passou.

 

 

 

Editado por Don Vito Corleone

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Cascar no Pizzi por ter falhado os penaltis é injusto. Alguém o mandou bater esses penaltis...

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Injusto é s braçadeira que ele tem no braço.... alguém lhe mandou bater os pênaltis? Pois claro, no último jogo falhou um e no outro não deixou ninguém bater. 

É incrível como se olha para o Benfica e não se vê uma nesga de esperança que seja. Dos piores planteis que tenho memória, treinador fraco e já cheio de manias no seu segundo ano de treinador principal, estrutura altamente fragilizada, sem um verdadeiro Benfiquista à vista e construída à base de cunhas e não de know-how. É tudo tão mau que duvido que para o ano  as coisas fiquem melhores. 

Pizzi, Almeida, mais metade do plantel. Lage, Tiago Pinto, Rui Costa, NGL, a pseudo estrutura toda - era mandar todos para o caralho0 e refazer quase tudo. 

Editado por HIM

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Tbh o Tiago Pinto é competente no que faz. O trabalho dele é pressionar a arbitragem e ver cartões para que o treinador não o faça :lol:

E já é too much, nem devia ser preciso um gajo desses no banco, mas pronto, isso é outra conversa.

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Citação de JonasThern, há 3 horas:

Cascar no Pizzi por ter falhado os penaltis é injusto. Alguém o mandou bater esses penaltis...

Assim nunca se pode culpar os jogadores pela m*rda que fazem. Alguém os colocou em campo.

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Citação de Almeno, há 32 minutos:

Tbh o Tiago Pinto é competente no que faz. O trabalho dele é pressionar a arbitragem e ver cartões para que o treinador não o faça :lol:

E já é too much, nem devia ser preciso um gajo desses no banco, mas pronto, isso é outra conversa.

Concordo. E “engraçado” o facto de nos arriscar a ganhar 1 campeonato em 3 desde que ele entrou. Mas o que sei eu? Eles é que sabem, estrutura altamente profissional.

 

@Lebohang @Diogo_CFB ou alguma alma consegue arranjar a notícia do Expresso sobre o LFV?  Não tenho conta premium ....

https://tribunaexpresso.pt/futebol-nacional/2020-03-07-Vieira-o-presidente-que-sonha-com-o-Benfica-mundial-deixou-um-buraco-de-175-milhoes

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Sim, mas o Tiago Pinto tem 0 influência nisso. Não o estou a defender, é só um tacho que ele tem porque na realidade não está lá a fazer absolutamente nada.

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Citação de HIM, há 9 minutos:

Concordo. E “engraçado” o facto de nos arriscar a ganhar 1 campeonato em 3 desde que ele entrou. Mas o que sei eu? Eles é que sabem, estrutura altamente profissional.

 

@Lebohang @Diogo_CFB ou alguma alma consegue arranjar a notícia do Expresso sobre o LFV?  Não tenho conta premium ....

https://tribunaexpresso.pt/futebol-nacional/2020-03-07-Vieira-o-presidente-que-sonha-com-o-Benfica-mundial-deixou-um-buraco-de-175-milhoes

Sorry, também não tenho. 

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Vieira e os homens do presidente

Há 16 anos à frente do Benfica, vem resistindo a sucessivos escândalos. O presidente que não fala inglês sonha com um clube de dimensão mundial. Deixou na Promovalor um buraco de €175 milhões. Mas nem por isso abandonou o imobiliário. Como todos os que sobem ao poder, ganhou amigos e inimigos. Eis Luís Filipe Vieira e os seus negócios.

Naquele fim de tarde de sexta-feira, o jardim do luxuo­so Cap Estel Hotel, debruçado sobre o Mediterrâneo, estava impecavelmente decorado para a festa dos 50 anos de Vadim Vasilyev. O vice-presidente do AS Mónaco convidara uma centena de familiares e amigos para celebrar o seu aniversário, num requintado jantar com direito a música, números de circo e a presença de um dos maiores empresários do mundo do futebol. Jorge Mendes e a sua mulher tinham um lugar privilegiado na mesa Monte Carlo, encabeçada por Vadim. Ao lado, na mesa Singapura, falava-se português. Aí estavam o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o treinador do Mónaco, Leonardo Jardim, e o advogado Carlos Osório de Castro, que representa estrelas como Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo.

Na festa de aniversário de Vadim Vasilyev, a 25 de setembro de 2015, o ambiente era descontraído. Vieira e Mendes, de fato escuro e camisa branca, sem gravata. Vadim de sapatos azuis, calças brancas e casaco azul claro. Reinava a boa disposição. Uma nova época futebolística estava a arrancar e a janela de transferências desse verão tinha corrido bem ao Mónaco. Os monegascos haviam pago €73 milhões em novas contratações (incluindo €15 milhões pelo benfiquista Ivan Cavaleiro, num negócio intermediado por Mendes) e encaixaram €216 milhões na venda de vários jogadores (como Anthony Martial, transferido para o Manchester United por €80 milhões).

O Mónaco, detido pelo empresário russo Dmitry Rybolovlev, era já então uma pedra fundamental no xadrez de Jorge Mendes, juntamente com outros clubes europeus com os quais o agente de Ronaldo foi fazendo negócios milionários, como o Atlético de Madrid, o Valência e o Benfica. Nesse mesmo ano 2015 também o português Bernardo Silva, com apenas 30 minutos jogados pela equipa principal do Benfica, foi transferido da Luz para o Mónaco por €15,75 milhões. Os críticos falam de Jorge Mendes como o dono de um carrossel onde o empresário vai faturando largos milhões em comissões em cada volta dada por um dos seus jogadores, do clube A para o B, daí para o C, até chegar ao D. No Benfica foram várias as vendas de jogadores que renderam à Gestifute comissões de 10%, como sucedeu com a transferência recorde de João Félix para o Atlético de Madrid por €120 milhões.

Luís Filipe Vieira encara a parceria com Jorge Mendes com naturalidade. A comissão da Gestifute é como a bandeirada garantida ao entrar num táxi: já sabemos com o que contar. “Fazem disso um bicho de sete cabeças. Chamo-lhe um táxi. É o táxi que o Benfica faz. Há muita gente a ligar para ele para fazer negócios e ele não faz”, comentou o presidente do Benfica em 2018, numa entrevista à TVI. Hoje garante ao Expresso que Mendes é seu amigo, mas não têm quaisquer negócios fora do Benfica.

Carrossel ou táxi, conforme se queira, a parceria com Jorge Mendes tem rendido dezenas de milhões de euros ao Benfica, sendo uma das razões do sucesso financeiro do clube nos últimos anos. As águias têm conseguido manter o controlo da sua sociedade anónima desportiva (SAD), ao contrário de outros clubes europeus, que vêm sendo comprados por investidores estrangeiros, nem sempre em total cumprimento das regras do fair play financeiro da UEFA. O Mónaco, como o PSG, o Manchester City ou o Wolves, acabou por ser um dos alvos do capital externo. Mas os bolsos fundos que financia­ram o clube do Principado não foram árabes nem chineses. O dinheiro veio da Rússia.

No aniversário de Vadim Vasilyev eram muitos os russos presentes no Cap Estel Hotel. Eram pouquíssimos os portugueses. Luís Filipe Vieira faz parte de um seleto grupo de homens de confiança de Jorge Mendes. E Mendes estava no círculo íntimo de Vadim. Amigo do meu amigo meu amigo é, diz a sabedoria popular, e assim apareceu Vieira na festa de Vadim, entre russos endinheirados num hotel de charme no Mónaco. Mas nesse início de outono Luís Filipe Vieira era, em simultâneo, o presidente do bicampeão Benfica, e o dono da altamente endividada Promovalor. No sábado a seguir ao jantar no Mónaco as águias batiam na Luz o Paços de Ferreira por 3-0. Nessa época o Benfica seria tricampeão. Mas os negócios de Vieira fora do futebol agonizavam. Em 2015, a Promovalor somaria prejuízos de €90 milhões. Em falência técnica, o seu capital próprio era já negativo em €162 milhões. O sucesso no relvado florescia. Fora dele nem por isso.

Menos de um ano antes a empresa imobiliária de Luís Filipe Vieira até tinha aberto um hotel de cinco estrelas no Nordeste do Brasil, no complexo turístico Reserva do Paiva, no Recife. A inauguração da unidade hoteleira, com a bandeira Sheraton, teve pompa e circunstância. Um concerto de Maria Rita animou mais de mil convidados. Mas um par de anos mais tarde este empreendimento, uma das joias da coroa da família Vieira, seria entregue a terceiros, por força do elevado endividamento do grupo Promovalor perante o Novo Banco. A instituição que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES) havia herdado uma longa lista de créditos problemáticos. Entre eles os concedidos às empresas de Luís Filipe Vieira no tempo em que a torneira do BES jorrava dinheiro com facilidade.

Durante anos o administrador financeiro do BES Amílcar Morais Pires foi um dos aliados de Luís Filipe Vieira. Em outubro de 2014, pouco depois do colapso do banco, o “Público” escrevia que “eram normais” os jantares na sede do BES entre Morais Pires e Vieira. E o administrador do BES, assumido benfiquista, era presença assídua na Luz. A relação com Vieira era estreita. Em 2013, apurou o Expresso, Morais Pires aceitou um convite para ir a Londres assistir à final da Liga dos Campeões, entre Bayern Munique e Borussia Dortmund. O convite, que incluiu o também administrador do BES António Souto, partiu da Promovalor, através de Manuel Almerindo Duarte, sócio de longa data de Vieira naquela empresa imobiliária, que assumiu as despesas da viagem, com jato privado.

Luís Filipe Vieira era e é um homem com poder. Hipertenso, benfiquista desde sempre, não é de falar com muita gente. Mas rodeou-se, ao longo da vida, de um leque de figuras que o ajudaram a conquistar o que tem hoje: algum património pessoal mas sobretudo a autoridade que vem com o lugar que ocupa à frente de uma das maiores instituições do país. Esse leque de figuras estendeu-se da construção à banca, passando pelo futebol, claro. São os homens do presidente. E com eles vieram os negócios. Os do Benfica e os seus.

Após a queda do BES o Novo Banco foi procurando solucionar muitos dos créditos em incumprimento, ao mesmo tempo que reforçava as imparidades nas suas contas, agravando, ano após ano, a fatura a pagar pelo Fundo de Resolução. O Novo Banco já tinha decidido em 2014 começar a fechar a torneira aos clubes de futebol. No imobiliário, contudo, a solução para não deitar tudo a perder passava por um acordo com Vieira. No caso da Promovalor isso incluiu uma reestruturação coordenada por uma empresa que tinha como sócio minoritário Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica.

Capital Criativo

Criada em 2009, a Capital Criativo é uma sociedade de capital de risco liderada por Nuno Gaioso Ribeiro. À época, o gestor decidira criar o seu próprio negócio, depois de meia dúzia de anos a trabalhar para o grupo espanhol Ibersuizas, um operador de referência no mercado ibérico de private equity, que chegou a ter como acionista o grupo português Imatosgil, o qual tentou controlar a espanhola La Seda de Barcelona, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos (CGD), num dos mais ruinosos financia­mentos do banco público.

Nuno Gaioso Ribeiro trabalhava na área de capital de risco desde 1997, quando se tornou administrador de um fundo, o FIEP, que era detido em 40% pelo Estado e em 60% por um conjunto de sete bancos. Depois dessa experiência e da Ibersuizas, Gaioso Ribeiro lançou em 2009 a Capital Criativo, que em 2010 criava um primeiro fundo, com €20 milhões. Em 2011, a empresa realizou um aumento de capital, admitindo alguns novos sócios, entre os quais Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica.

A ideia de Gaioso Ribeiro era aproveitar a experiência de Tiago Vieira no imobiliário para potenciar a realização de negócios nessa área, já que a Capital Criativo estava então muito focada em pequenas e médias empresas. No ano seguinte, 2012, é Luís Filipe Vieira quem convida Gaioso Ribeiro para ser vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, assumindo o pelouro das relações internacionais e do governo da sociedade, num cargo não remunerado.

Nuno Gaioso Ribeiro considera que a sua entrada na cúpula das águias nada teve a ver com a presença de Tiago Vieira na Capital Criativo, mas antes com a acumulação de anos de participação na vida do clube. Em 2016, Luís Filipe Vieira promoveu-o a administrador da Benfica SAD.

“Sou benfiquista desde sempre, sócio ininterrupto desde que resido em Lisboa, após conclusão dos meus estudos universitários em Coimbra, acionista da Benfica SAD desde a oferta pública de subscrição de 2001, detentor de Título Fundador do estádio desde 2003”, declara Gaioso Ribeiro.

A ligação entre Nuno Gaioso Ribeiro e a família Vieira tornou-se mais próxima quando, em 2017, o Novo Banco impôs a reestruturação da Promovalor. Os mais valiosos e promissores ativos imobiliários da Promovalor e a respetiva dívida foram adquiridos por um fundo da Capital Criativo. Em vez de executar a Promovalor pelas dívidas acumuladas e enviar a empresa para liquidação, o Novo Banco aceitou ficar com unidades de participação desse novo fundo, o FIAE Capital Criativo Promoção e Turismo, deixando à Capital Criativo a responsabilidade de gerir os ativos imobiliários até então propriedade da Promovalor, nomeadamente em Portugal, Espanha, Moçambique e Brasil.

Em resposta a questões colocadas pelo Expresso, Nuno Gaioso Ribeiro esclareceu que a Promovalor ficou detentora de 0,3% das unidades de participação do fundo e Luís Filipe Vieira detém 3,4%. “Os titulares em causa não participam em mais nenhum dos demais cinco fundos geridos por esta sociedade gestora”, explicou o fundador da Capital Criativo.

A reestruturação foi feita quando Nuno Gaioso Ribeiro era administrador da Benfica SAD e vice-presidente do clube. Para Gaioso Ribeiro, esta situação não suscita qualquer dúvida. “Não suscitou, nem suscita, nem à sociedade gestora, nem aos participantes do fundo, nem à entidade supervisora (CMVM), porque pura e simplesmente não existe qualquer conflito de interesses”, respondeu ao Expresso. O gestor nota ainda que a reestruturação da dívida da Promovalor “não envolveu qualquer perdão de créditos e, mais ainda, traduziu-se num reforço substancial de garantias e liquidez para permitir a exploração dos ativos em causa e a posterior recuperação do capital”.

Nuno Gaioso Ribeiro é hoje um dos homens-chave na estrutura de topo do Benfica, mas não está sozinho. A liderança dos negócios encarnados pertence a Domingos Soares de Oliveira, que em 2003 abandonou a consultora Capgemini para comandar as operações do Benfica, depois de um processo de contratação conduzido por uma empresa de headhunters (recrutamento de executivos e gestores). Domingos Soares de Oliveira, simpatizante do Sporting, convenceu de imediato Vieira. Tornou-se o presidente executivo da Benfica SAD, braço direito de Luís Filipe Vieira. A equipa mais próxima inclui ainda o administrador financeiro, Miguel Moreira. São eles os obreiros da recuperação económica da Benfica SAD, que de 2011 para 2019 duplicou as suas receitas operacionais e cortou a dívida líquida de €220 milhões para €125 milhões, tornando-se o clube com o balanço mais robusto no futebol português.

Gaioso Ribeiro mantém o pelouro internacional, tentando procurar lá fora as parcerias e novos negócios que permitam ao clube da Luz crescer. Mas é na Capital Criativo que Gaioso Ribeiro passa a maior parte do tempo, num edifício discreto no centro de Lisboa. Do outro lado da Rua Alexandre Herculano, 50 metros acima, ficam as instalações do Haitong, o antigo BES Investimento. Nuno Gaio­so Ribeiro está perto dos investidores. Conhece-os bem. Mas garante que não só não tirou proveitos económicos dos cargos que ocupa no Benfica como a sua participação na vida das águias tem até afastado dos fundos da Capital Criativo alguns potenciais investidores, por questões reputacionais.

Embora Luís Filipe Vieira e a Promovalor continuem a participar, com uma posição minoritária, no fundo que em 2017 adquiriu os seus ativos mais valiosos, o filho do presidente do Benfica acordou recentemente deixar de ser sócio da própria Capital Criativo, onde tinha entrado em 2011. Tiago Vieira detinha 2,5% da C2 Ventures, que por sua vez controla 60% da Capital Criativo. Nuno Gaioso Ribeiro indicou ao Expresso que foram “estabelecidos acordos de aquisição de participações sociais, incluindo com Tiago Vieira”, para deixar a empresa de capital de risco apenas nas mãos dos quatro administradores executivos.

Nuno Gaioso Ribeiro garante que não tem qualquer outro negócio com Luís Filipe Vieira. Já o presidente do Benfica mantém, à margem do clube, um conjunto de empresas e participações que poderão permitir um regresso aos negócios imobiliá­rios no dia em que deixar a liderança das águias. Entre essas empresas estão algumas sociedades cria­das por um outro benfiquista de longa data, José António dos Santos, presidente do grupo Valouro, “rei dos frangos”. E maior acionista individual da Benfica SAD, com cerca de 13%. Lá chegaremos.

Na lista de execuções

Luís Filipe Vieira é telegráfico nas respostas que dá ao Expresso sobre os seus negócios. Questionámos o presidente do Benfica sobre que negócios quer desenvolver quando deixar o clube. “Os que então tiver. Mas quero sobretudo dedicar-me aos meus filhos e aos meus netos”, respondeu. Vieira é ainda dono de 80% do grupo Promovalor (a mulher e filhos têm outros 15% e Almerindo Duarte 5%). Dentro da Promovalor estão dezenas de sociedades instrumentais para concretizar diversos projetos imobiliários. Mas o presidente do Benfica foi tendo também ao longo dos anos algumas empresas e negócios à margem da Promovalor.

O Expresso fez um levantamento sobre as empresas que têm ou tiveram Luís Filipe Vieira como sócio. Consultando os relatórios de crédito da Informa D&B sobre essas sociedades, é possível constatar a situação patrimonial negativa de muitas delas. Desse universo de negócios fora do Benfica consta ainda uma empresa zombie, resquício de uma outra vida de Vieira nos negócios do tijolo: a Boguerfil, ainda aberta, é uma sociedade que Vieira controla juntamente com Eduardo Rodrigues e Manuel Bugarim. O primeiro foi o principal rosto da falida construtora Obriverca, que fundou com Vieira na década de 80. O segundo, também com negócios na construção, já foi presidente da Alverca SAD.

A Boguerfil, criada em 1998, não publica contas há mais de dois anos e aparenta estar inativa, mas não avançou com qualquer processo de insolvência ou dissolução. Na verdade, em outubro de 2019 passou a constar da lista pública de execuções, por causa de uma pequena dívida, de €6339, que não foi paga por “inexistência de bens”, e que corre no juízo de execução de Loures, no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte.

O Expresso questionou Luís Filipe Vieira sobre que negócios mantém com Eduardo Rodrigues, que se tornou nos últimos anos mais um dos devedores de referência do Novo Banco. A Obriverca, da qual Vieira saiu em 2001, chegou em 2017 a acumular dívidas de €170 milhões ao Novo Banco e de €60 milhões à CGD. O presidente do Benfica garante que já não tem negócios com Eduardo Rodrigues, que era cliente de uma das empresas de pneus de Vieira, para depois se tornarem sócios na construção. “Foi meu sócio. Já há mais de 15 anos que não é. Mas somos grandes amigos”, afirma Vieira. E diz ter saído da Boguerfil “há mais de 15 anos”, apesar de os registos da empresa ainda o tratarem como detentor de um terço da empresa.

Outra empresa que foi trabalhando fora do universo Promovalor dá pelo nome White Walls. Cria­da em dezembro de 2001, era dividida ao meio entre Luís Filipe Vieira e António Cunha Vaz, consultor de comunicação que trabalhou na campanha de Vieira para as eleições de 2003 no Benfica e que é dono de uma das maiores agências de comunicação do país. Cunha Vaz garantiu ao Expresso que há vários anos já não tem nada a ver com a empresa, que foi o instrumento usado para investir num prédio em Lisboa.

A White Walls está ainda operacional e o seu principal objeto foi a reabilitação de um antigo palacete no número 7 da Rua de Santiago, perto do Castelo de São Jorge, em Lisboa. Luís Filipe Vieira deixou em 2014 a administração dessa empresa imobiliária, que é gerida por Tiago Vieira. Deste empreendimento lisboeta falta vender apenas um apartamento.

Lisboa foi, aliás, onde a Promovalor, através da subsidiária Inland, lançou o seu primeiro projeto de habitação. Aconteceu em 2009. O condomínio Santa Catarina, perto da Baixa, era um projeto virado para o luxo. Um total de 19 apartamentos, num edifício desenhado pelo arquiteto Carrilho da Graça, com um investimento de €19 milhões.

As vendas começaram por correr bem. Mas não foi um projeto imaculado. Entre os clientes esteve Ana Maria Caetano, filha mais nova de Salvador Caetano, que em 2017 avançou com um processo em tribunal contra a Inland. Entre os visados estava Luís Filipe Vieira. Ana Maria Caetano reclamava por causa de obras que teve de fazer no seu apartamento, depois de durante vários meses a Inland não ter resolvido os problemas. O processo acabou por ficar resolvido, mas a participada da Inland diretamente visada, designada Avanço, teve ainda em 2018 um par de ações judiciais de outras entidades. No final de 2018 esta empresa registava prejuízos acumulados de mais de €7 milhões.

A Inland e a Promovalor são hoje uma sombra do que eram há uma década. Não foi só o negócio com a Capital Criativo que esvaziou o grupo imobiliário de Luís Filipe Vieira. Um outro fundo de reestruturação, o fundo Aquarius, da Oxycapital, tomou o controlo de 75% do projeto algarvio Verdelago, deixando a Promovalor minoritária, com 25%. Foi a solução encontrada para tentar, sob a gestão da Oxycapital, desenvolver o empreendimento e assim recuperar a dívida ao BCP, CGD e Novo Banco. Trata-se do mesmo fundo que ficou com o Hotel Quinta das Lágrimas, de Miguel Júdice (filho de José Miguel Júdice), e que em janeiro vendeu o The Lake Resort, em Vilamoura, que o Aquarius tinha incorporado em 2014, na reestruturação da dívida da Amorim Turismo.

Um dos administradores do fundo Aquarius é Joaquim Goes, ex-administrador do BES que tinha a seu cargo a gestão de risco do banco. Quando foi ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES, Joaquim Goes confirmou que o grupo, através da seguradora BES Vida, comprou alguns ativos da Promovalor. “A BES Vida estava a diversificar a estrutura dos seus investimentos e decidiu entrar nos ativos imobiliários”, explicou Goes aos deputados em dezembro de 2014. Globalmente, as entidades a que Luís Filipe Vieira estava associa­do chegaram a dever cerca de €600 milhões ao BES e ao Grupo Espírito Santo, segundo declarou no Parlamento.

Quando o futebol e o betão se cruzam

Depois do colapso do BES, a Promovalor foi tentando lutar pela sobrevivência. Em paralelo com a reestruturação de dívida que levou os seus maio­res projetos para os fundos da Capital Criativo e da Oxycapital, Tiago Vieira prosseguiu a venda de alguns ativos na carteira do grupo detido pelo seu pai. Assim aconteceu quando a Promovalor acordou a venda de cinco imóveis, por €787 mil, à empresa Springlabyrinth. Trata-se de uma sociedade de Braga administrada por Bruno Geraldes de Macedo, advogado que é também intermediário de negócios no futebol e que já integrou o conselho fiscal da Britalar, construtora de António Salvador, presidente do Sporting Clube de Braga. Bruno Macedo, que trabalhou com o empresário Hernâni Vaz Antunes na negociação de direitos televisivos da MEO em 2016, chegou a negociar nesse ano com o Futebol Clube do Porto a possível transferência do jogador Yacine Brahimi para os ingleses do Everton, sem sucesso. Mas Bruno Macedo também trabalhou com o Benfica: em 2017, sabe o Expresso, o clube da Luz recorreu à sua empresa BM Consulting para a contratação, por empréstimo, do jogador Douglas Pereira dos Santos, que um ano mais tarde regressaria ao Barcelona.

Bruno Macedo era já então um advogado que se mexia bem no mundo do futebol. Em 2014 foi um dos portugueses convidados para ir a Londres ao 35º aniversário de Nélio Lucas, o empresário português do futebol que durante anos comandou o fundo Doyen. Nélio Lucas, na ocasião, juntou outras figuras importantes nos negócios da bola, como Alexandre Pinto da Costa (filho do presidente do FC Porto) e Pedro Pinho (ambos da empresa Energy Soccer). Para a festa Nélio Lucas também convidou o seu amigo Almerindo Duarte (sócio de Vieira na Promovalor), mas este não foi.

Nélio Lucas chegou a procurar para os seus sócios da Doyen (a família Arif, do Cazaquistão) oportunidades na área da construção através de Almerindo Duarte e das boas ligações da Promovalor à brasileira Odebrecht. Mas Nélio nunca conseguiu furar no Benfica o estatuto privilegiado de Jorge Mendes. A Doyen chegou a firmar com o clube da Luz em 2012 um contrato envolvendo o jogador holandês Ola John, mas não fez mais nenhum negócio de dimensão relevante com as águias.

O cruzamento do futebol e do betão está já bem enraizado em Portugal. Aconteceu em clubes de menor dimensão, mas também nos maiores. O presidente do Braga, António Salvador, é um empresário da construção. O presidente do Benfica fez os seus maiores negócios no imobiliário. O antigo presidente do Sporting Filipe Soares Franco passou pela Tecnovia e OPCA (futura Opway). Ponto comum: as empresas que lhes deram notoriedade mergulharam na crise de forma tão enérgica como enérgicos são os golos de Cristiano Ronaldo.

As fontes ouvidas pelo Expresso relatam que do império imobiliário de Vieira sobraram apenas alguns imóveis de menor interesse. Isso e um buraco financeiro considerável: no final de 2018 a holding Promovalor tinha um capital próprio negativo de €175 milhões (o ativo era de €89 milhões, mas o passivo ascendia a €264 milhões). Em novembro de 2018 o grupo chegou a ser notificado para regularizar a prestação de contas, caso contrário seria dissolvido de forma administrativa. O suficiente para um mês depois a administração de Tiago Vieira regularizar a situação. É um facto que na última década a crise económica varreu o sector da construção, provocando uma onda de insolvências que apanhou também vários grupos de promoção imobiliária. Será a crise a única explicação para o buraco de €175 milhões no grupo imobiliário de Luís Filipe Vieira? Conseguirá o seu filho Tiago reerguer esse negócio?

Com uma dezena de empregados apenas, a Promovalor ocupa um modesto escritório numa zona residencial em Santo António dos Cavaleiros, nos subúrbios de Lisboa, no mesmo prédio onde têm sede várias empresas de pneus. Uma delas, a KHM Racing, pertence a um credor de uma outra empresa de pneus, a David Maria Vilar, da qual Luís Filipe Vieira foi avalista. E foi avalista até que José António dos Santos, o “rei dos frangos”, assumiu parte da dívida da empresa, através de um negócio imobiliário envolvendo uma sociedade que o patrão da Valouro criou de propósito em 2017, a Página Relâmpago. Luís Filipe Vieira garante que os pneus são coisa do passado. “Há 20 anos que não tenho negócios de pneus”, diz ao Expresso.

Dos pneus aos imóveis, passando pelo Benfica, são vários os laços entre Luís Filipe Vieira e José António dos Santos. Os primeiros passos foram dados em 2017. Nesse mesmo ano, o presidente da Valouro não só se chegou à frente numa empresa de pneus da qual Vieira era avalista como recebeu o presidente do Benfica como sócio numa empresa imobiliária com um projeto para a terceira idade no Algarve, acolhendo também a filha de Vieira, Sara, como sócia numa outra firma com um projeto imobiliário para a Alta de Lisboa. E foi igualmente em 2017, recorde-se, que José António dos Santos se tornou acionista da Benfica SAD, comprando as posições que eram do Novo Banco e da Somague.

No final de 2019, Luís Filipe Vieira aprovou o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Benfica SAD, que o Benfica (clube) já controla em dois terços. A operação permitirá a José António dos Santos uma mais-valia superior a €11 milhões, ainda que o presidente da Valouro tenha já afirmado ao Expresso que não quer vender as suas ações do Benfica. A CMVM tem estado a analisar os termos da operação, que ainda não foi aprovada, mas que suscitou suspeitas depois da revelação dos negócios conjuntos entre o presidente do Benfica e o maior acionista individual da SAD.

“Não vou ter qualquer benefício com a OPA sobre a Benfica SAD. Não tenciono vender as minhas ações do Benfica. Mas o Benfica tem a obrigação de mas comprar a €5 [o preço da OPA], que foi por quanto eu as comprei”, afirmou Luís Filipe Vieira ao Expresso. Sobre José António dos Santos, diz conhecê-lo “há muitos anos” e admite ter com ele negócios imobiliários. Situação diferente é a do construtor José Guilherme, o empreiteiro da Amadora que pagou a Ricardo Salgado uma “liberalidade” de €14 milhões. José Guilherme é outro acionista de referência da Benfica SAD e é amigo de Vieira, mas este garante que não têm negócios conjuntos.

O poder e os inimigos

No último fim de semana, num discurso perante sócios do Benfica, Luís Filipe Vieira insurgiu-se contra as críticas à OPA. Apontou o dedo a “comentários dos mais parvos que podem existir” e garantiu estar a preparar um clube de “dimensão mundial”. “Infelizmente, há pessoas que têm um pensamento muito pequenino em Portugal, e o mais fácil para eles é insinuar, caluniar e tentar que o Benfica pare. Digo-lhes abertamente: quanto mais me vão chateando, mais força vou tendo para levar o Benfica onde eu quero”, afirmou.

Desde 2003 à frente das águias, Vieira não bate em longevidade Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto desde 1982. Mas o Benfica acabou por dar a Luís Filipe Vieira uma posição de poder como poucos empresários podem ter. E ninguém tira a Vieira o seu lugar na história da Luz: é o presidente com mais tempo na liderança do Benfica, batendo, por larga margem, os nove anos de presidência de Bento Mântua, entre 1917 e 1926.

Com origens humildes, Vieira começou a trabalhar como vendedor de pneus, criando pouco tempo depois a sua própria empresa. Na década de 80 lançou-se na construção, com Eduardo Rodrigues e a Obriverca. Em 1987 apostou no futebol. Assumiu a presidência do Alverca, cargo que ocuparia até 2001, quando passou a diretor desportivo do Benfica, no mesmo ano em que o clube da Luz foi buscar o avançado Mantorras ao Alverca. Vieira, que já tinha vendido a empresa Hiperpneus, abandonou então a Obriverca. Fez muito dinheiro nessas operações. Mas continuou os negócios imobiliários com a Inland e a Promovalor, cuja gestão corrente foi entregue ao seu filho Tiago e ao sócio Almerindo Duarte.

Acabou por ser o futebol que lhe trouxe os maio­res inimigos. Era amigo de Pinto da Costa, mas as relações azedaram por causa do futebol. Teve como aliado o empresário José Veiga, que chegou a ser diretor-geral da Benfica SAD entre 2004 e 2007, ano em que Vieira o dispensou. Rui Gomes da Silva, que deixou a administração da SAD há vários anos, tornou-se um dos mais sonoros opositores à presidência de Luís Filipe Vieira. Um outro antigo opositor foi o juiz Rui Rangel, que em 2012 concorreu contra Vieira pela presidência do Benfica. Sem sucesso, Rangel passaria a apoiar anos mais tarde o atual líder. De forma semelhante, o antigo diretor-geral da TVI, José Eduardo Moniz, chegou a anunciar uma candidatura às eleições de 2009 do Benfica, mas retirou-a e é administrador da Benfica SAD.

Rui Rangel, José Veiga e Luís Filipe Vieira estão hoje a braços com a Justiça. Na Operação Lex, Rangel, já expulso da magistratura, é suspeito de crimes de tráfico de influência, corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais e fraude fiscal, enquanto Luís Filipe Vieira é suspeito de tráfico de influência. Também o vice-presidente do Benfica Fernando Tavares é arguido pelas mesmas suspeitas que envolvem Vieira. A Operação Lex, ainda em fase de inquérito, nasceu no início de 2018, a partir da Operação Rota do Atlântico, na qual José Veiga já era arguido, por suspeitas de corrupção envolvendo contratos de empresas brasileiras no Congo. Vieira acredita que a Operação Lex não põe em causa a sua presidência. “Sou inocente”, disse ao Expresso.

Este não é o primeiro embate de Luís Filipe Vieira com a Justiça. Em 2014 o presidente do Benfica já tinha sido constituído arguido num inquérito-crime sobre suspeitas de burla num negócio com o antigo BPN. Em causa está um empréstimo de €20 milhões que o banco concedeu à Inland em 2003 para que a empresa de Vieira investisse no fundo BPN Real Estate, bem como um financiamento a uma empresa espanhola para compra de ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN, antiga dona do BPN) que pertenciam à Inland. Esta depois transferiu a sua participação no fundo BPN Real Estate para a Votion, uma outra empresa do universo Promovalor.

Luís Filipe Vieira também manteve durante anos uma disputa fiscal no valor de €1,6 milhões, relativa à tributação de mais-valias do ano 2010. No início de 2019, e depois de uma intervenção do juiz Rui Rangel para desbloquear o processo, a Justiça veio dar razão ao presidente do Benfica, restituindo-lhe o montante de imposto pago a mais.

No final de 2018, Luís Filipe Vieira tinha tido uma outra vitória. No processo E-Toupeira, sobre o acesso do Benfica a processos judiciais em curso, o Tribunal de Instrução Criminal decidiu não levar a julgamento a Benfica SAD pelos 30 crimes de que era acusada, considerando que o ex-diretor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves, atuou sem orientação da empresa, já que “não faz parte dos órgãos sociais da pessoa coletiva, nem representa a pessoa coletiva”. Paulo Gonçalves responderá por corrupção, violação do segredo de justiça, violação do segredo de sigilo e acesso indevido, enquanto o funcionário judicial José Silva será julgado por estes crimes e ainda peculato. Ainda pendente está o inquérito do Ministério Público sobre a oferta de vouchers a árbitros por parte do Benfica.

Aos 70 anos, Luís Filipe Vieira parece ter uma força férrea para conservar a liderança das águias, resistindo a sucessivas crises que mancham no plano reputacional o sucesso que o clube tem tido nos planos desportivo e financeiro. As revelações incómodas são abundantes: da Porta 18 (que levou à prisão de José Carriço, antigo motorista de Vieira, por tráfico de droga, após ser apanhado com 9,5 quilos de cocaína numa mala num carro de serviço do Benfica) à Operação Lex, passando pelos processos E-Toupeira, pelos vouchers, entre outros dossiês que fizeram correr tinta nos últimos anos. As investigações judiciais, as revelações do blogue Mercado de Benfica e as dúvidas sobre os reais beneficiários da OPA em curso começaram a fazer mossa. A divulgação dos e-mails do Benfica e a revelação dos convites que o clube distribuía aos mais diversos decisores criaram um clima de desconfiança. Na tribuna da Luz a afluência de muitos desses decisores é hoje muito menor do que há uns anos.

Mas Luís Filipe Vieira é o mesmo presidente que pegou no clube em 2003. O mesmo fervor, o mesmo trato e a mesma linguagem coloquial. E também a mesma incapacidade de falar inglês fluente, que o deixa desarmado nas receções às comitivas vindas de fora ou nas viagens ao exterior. Mas é a falar de milhões que Vieira se entende. Nas transferências como no imobiliário. Fora das quatro linhas, mas não fora de jogo. O BES acabou, mas discretamente Luís Filipe Vieira ensaiou, com José António dos Santos, um regresso aos negócios imobiliários. Enquanto isso, continua nas viagens de táxi com Mendes. Uma “win win situation”. Para o superagente. E para o clube e o seu superpresidente. O “presi”, como lhe chamava Paulo Gonçalves, um dia deixará a liderança. Tem algum plano para sair, Luís Filipe Vieira? “Não”, sentencia.

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Citação de Lebohang, há 1 hora:
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Vieira e os homens do presidente

Há 16 anos à frente do Benfica, vem resistindo a sucessivos escândalos. O presidente que não fala inglês sonha com um clube de dimensão mundial. Deixou na Promovalor um buraco de €175 milhões. Mas nem por isso abandonou o imobiliário. Como todos os que sobem ao poder, ganhou amigos e inimigos. Eis Luís Filipe Vieira e os seus negócios.

Naquele fim de tarde de sexta-feira, o jardim do luxuo­so Cap Estel Hotel, debruçado sobre o Mediterrâneo, estava impecavelmente decorado para a festa dos 50 anos de Vadim Vasilyev. O vice-presidente do AS Mónaco convidara uma centena de familiares e amigos para celebrar o seu aniversário, num requintado jantar com direito a música, números de circo e a presença de um dos maiores empresários do mundo do futebol. Jorge Mendes e a sua mulher tinham um lugar privilegiado na mesa Monte Carlo, encabeçada por Vadim. Ao lado, na mesa Singapura, falava-se português. Aí estavam o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o treinador do Mónaco, Leonardo Jardim, e o advogado Carlos Osório de Castro, que representa estrelas como Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo.

Na festa de aniversário de Vadim Vasilyev, a 25 de setembro de 2015, o ambiente era descontraído. Vieira e Mendes, de fato escuro e camisa branca, sem gravata. Vadim de sapatos azuis, calças brancas e casaco azul claro. Reinava a boa disposição. Uma nova época futebolística estava a arrancar e a janela de transferências desse verão tinha corrido bem ao Mónaco. Os monegascos haviam pago €73 milhões em novas contratações (incluindo €15 milhões pelo benfiquista Ivan Cavaleiro, num negócio intermediado por Mendes) e encaixaram €216 milhões na venda de vários jogadores (como Anthony Martial, transferido para o Manchester United por €80 milhões).

O Mónaco, detido pelo empresário russo Dmitry Rybolovlev, era já então uma pedra fundamental no xadrez de Jorge Mendes, juntamente com outros clubes europeus com os quais o agente de Ronaldo foi fazendo negócios milionários, como o Atlético de Madrid, o Valência e o Benfica. Nesse mesmo ano 2015 também o português Bernardo Silva, com apenas 30 minutos jogados pela equipa principal do Benfica, foi transferido da Luz para o Mónaco por €15,75 milhões. Os críticos falam de Jorge Mendes como o dono de um carrossel onde o empresário vai faturando largos milhões em comissões em cada volta dada por um dos seus jogadores, do clube A para o B, daí para o C, até chegar ao D. No Benfica foram várias as vendas de jogadores que renderam à Gestifute comissões de 10%, como sucedeu com a transferência recorde de João Félix para o Atlético de Madrid por €120 milhões.

Luís Filipe Vieira encara a parceria com Jorge Mendes com naturalidade. A comissão da Gestifute é como a bandeirada garantida ao entrar num táxi: já sabemos com o que contar. “Fazem disso um bicho de sete cabeças. Chamo-lhe um táxi. É o táxi que o Benfica faz. Há muita gente a ligar para ele para fazer negócios e ele não faz”, comentou o presidente do Benfica em 2018, numa entrevista à TVI. Hoje garante ao Expresso que Mendes é seu amigo, mas não têm quaisquer negócios fora do Benfica.

Carrossel ou táxi, conforme se queira, a parceria com Jorge Mendes tem rendido dezenas de milhões de euros ao Benfica, sendo uma das razões do sucesso financeiro do clube nos últimos anos. As águias têm conseguido manter o controlo da sua sociedade anónima desportiva (SAD), ao contrário de outros clubes europeus, que vêm sendo comprados por investidores estrangeiros, nem sempre em total cumprimento das regras do fair play financeiro da UEFA. O Mónaco, como o PSG, o Manchester City ou o Wolves, acabou por ser um dos alvos do capital externo. Mas os bolsos fundos que financia­ram o clube do Principado não foram árabes nem chineses. O dinheiro veio da Rússia.

No aniversário de Vadim Vasilyev eram muitos os russos presentes no Cap Estel Hotel. Eram pouquíssimos os portugueses. Luís Filipe Vieira faz parte de um seleto grupo de homens de confiança de Jorge Mendes. E Mendes estava no círculo íntimo de Vadim. Amigo do meu amigo meu amigo é, diz a sabedoria popular, e assim apareceu Vieira na festa de Vadim, entre russos endinheirados num hotel de charme no Mónaco. Mas nesse início de outono Luís Filipe Vieira era, em simultâneo, o presidente do bicampeão Benfica, e o dono da altamente endividada Promovalor. No sábado a seguir ao jantar no Mónaco as águias batiam na Luz o Paços de Ferreira por 3-0. Nessa época o Benfica seria tricampeão. Mas os negócios de Vieira fora do futebol agonizavam. Em 2015, a Promovalor somaria prejuízos de €90 milhões. Em falência técnica, o seu capital próprio era já negativo em €162 milhões. O sucesso no relvado florescia. Fora dele nem por isso.

Menos de um ano antes a empresa imobiliária de Luís Filipe Vieira até tinha aberto um hotel de cinco estrelas no Nordeste do Brasil, no complexo turístico Reserva do Paiva, no Recife. A inauguração da unidade hoteleira, com a bandeira Sheraton, teve pompa e circunstância. Um concerto de Maria Rita animou mais de mil convidados. Mas um par de anos mais tarde este empreendimento, uma das joias da coroa da família Vieira, seria entregue a terceiros, por força do elevado endividamento do grupo Promovalor perante o Novo Banco. A instituição que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES) havia herdado uma longa lista de créditos problemáticos. Entre eles os concedidos às empresas de Luís Filipe Vieira no tempo em que a torneira do BES jorrava dinheiro com facilidade.

Durante anos o administrador financeiro do BES Amílcar Morais Pires foi um dos aliados de Luís Filipe Vieira. Em outubro de 2014, pouco depois do colapso do banco, o “Público” escrevia que “eram normais” os jantares na sede do BES entre Morais Pires e Vieira. E o administrador do BES, assumido benfiquista, era presença assídua na Luz. A relação com Vieira era estreita. Em 2013, apurou o Expresso, Morais Pires aceitou um convite para ir a Londres assistir à final da Liga dos Campeões, entre Bayern Munique e Borussia Dortmund. O convite, que incluiu o também administrador do BES António Souto, partiu da Promovalor, através de Manuel Almerindo Duarte, sócio de longa data de Vieira naquela empresa imobiliária, que assumiu as despesas da viagem, com jato privado.

Luís Filipe Vieira era e é um homem com poder. Hipertenso, benfiquista desde sempre, não é de falar com muita gente. Mas rodeou-se, ao longo da vida, de um leque de figuras que o ajudaram a conquistar o que tem hoje: algum património pessoal mas sobretudo a autoridade que vem com o lugar que ocupa à frente de uma das maiores instituições do país. Esse leque de figuras estendeu-se da construção à banca, passando pelo futebol, claro. São os homens do presidente. E com eles vieram os negócios. Os do Benfica e os seus.

Após a queda do BES o Novo Banco foi procurando solucionar muitos dos créditos em incumprimento, ao mesmo tempo que reforçava as imparidades nas suas contas, agravando, ano após ano, a fatura a pagar pelo Fundo de Resolução. O Novo Banco já tinha decidido em 2014 começar a fechar a torneira aos clubes de futebol. No imobiliário, contudo, a solução para não deitar tudo a perder passava por um acordo com Vieira. No caso da Promovalor isso incluiu uma reestruturação coordenada por uma empresa que tinha como sócio minoritário Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica.

Capital Criativo

Criada em 2009, a Capital Criativo é uma sociedade de capital de risco liderada por Nuno Gaioso Ribeiro. À época, o gestor decidira criar o seu próprio negócio, depois de meia dúzia de anos a trabalhar para o grupo espanhol Ibersuizas, um operador de referência no mercado ibérico de private equity, que chegou a ter como acionista o grupo português Imatosgil, o qual tentou controlar a espanhola La Seda de Barcelona, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos (CGD), num dos mais ruinosos financia­mentos do banco público.

Nuno Gaioso Ribeiro trabalhava na área de capital de risco desde 1997, quando se tornou administrador de um fundo, o FIEP, que era detido em 40% pelo Estado e em 60% por um conjunto de sete bancos. Depois dessa experiência e da Ibersuizas, Gaioso Ribeiro lançou em 2009 a Capital Criativo, que em 2010 criava um primeiro fundo, com €20 milhões. Em 2011, a empresa realizou um aumento de capital, admitindo alguns novos sócios, entre os quais Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica.

A ideia de Gaioso Ribeiro era aproveitar a experiência de Tiago Vieira no imobiliário para potenciar a realização de negócios nessa área, já que a Capital Criativo estava então muito focada em pequenas e médias empresas. No ano seguinte, 2012, é Luís Filipe Vieira quem convida Gaioso Ribeiro para ser vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, assumindo o pelouro das relações internacionais e do governo da sociedade, num cargo não remunerado.

Nuno Gaioso Ribeiro considera que a sua entrada na cúpula das águias nada teve a ver com a presença de Tiago Vieira na Capital Criativo, mas antes com a acumulação de anos de participação na vida do clube. Em 2016, Luís Filipe Vieira promoveu-o a administrador da Benfica SAD.

“Sou benfiquista desde sempre, sócio ininterrupto desde que resido em Lisboa, após conclusão dos meus estudos universitários em Coimbra, acionista da Benfica SAD desde a oferta pública de subscrição de 2001, detentor de Título Fundador do estádio desde 2003”, declara Gaioso Ribeiro.

A ligação entre Nuno Gaioso Ribeiro e a família Vieira tornou-se mais próxima quando, em 2017, o Novo Banco impôs a reestruturação da Promovalor. Os mais valiosos e promissores ativos imobiliários da Promovalor e a respetiva dívida foram adquiridos por um fundo da Capital Criativo. Em vez de executar a Promovalor pelas dívidas acumuladas e enviar a empresa para liquidação, o Novo Banco aceitou ficar com unidades de participação desse novo fundo, o FIAE Capital Criativo Promoção e Turismo, deixando à Capital Criativo a responsabilidade de gerir os ativos imobiliários até então propriedade da Promovalor, nomeadamente em Portugal, Espanha, Moçambique e Brasil.

Em resposta a questões colocadas pelo Expresso, Nuno Gaioso Ribeiro esclareceu que a Promovalor ficou detentora de 0,3% das unidades de participação do fundo e Luís Filipe Vieira detém 3,4%. “Os titulares em causa não participam em mais nenhum dos demais cinco fundos geridos por esta sociedade gestora”, explicou o fundador da Capital Criativo.

A reestruturação foi feita quando Nuno Gaioso Ribeiro era administrador da Benfica SAD e vice-presidente do clube. Para Gaioso Ribeiro, esta situação não suscita qualquer dúvida. “Não suscitou, nem suscita, nem à sociedade gestora, nem aos participantes do fundo, nem à entidade supervisora (CMVM), porque pura e simplesmente não existe qualquer conflito de interesses”, respondeu ao Expresso. O gestor nota ainda que a reestruturação da dívida da Promovalor “não envolveu qualquer perdão de créditos e, mais ainda, traduziu-se num reforço substancial de garantias e liquidez para permitir a exploração dos ativos em causa e a posterior recuperação do capital”.

Nuno Gaioso Ribeiro é hoje um dos homens-chave na estrutura de topo do Benfica, mas não está sozinho. A liderança dos negócios encarnados pertence a Domingos Soares de Oliveira, que em 2003 abandonou a consultora Capgemini para comandar as operações do Benfica, depois de um processo de contratação conduzido por uma empresa de headhunters (recrutamento de executivos e gestores). Domingos Soares de Oliveira, simpatizante do Sporting, convenceu de imediato Vieira. Tornou-se o presidente executivo da Benfica SAD, braço direito de Luís Filipe Vieira. A equipa mais próxima inclui ainda o administrador financeiro, Miguel Moreira. São eles os obreiros da recuperação económica da Benfica SAD, que de 2011 para 2019 duplicou as suas receitas operacionais e cortou a dívida líquida de €220 milhões para €125 milhões, tornando-se o clube com o balanço mais robusto no futebol português.

Gaioso Ribeiro mantém o pelouro internacional, tentando procurar lá fora as parcerias e novos negócios que permitam ao clube da Luz crescer. Mas é na Capital Criativo que Gaioso Ribeiro passa a maior parte do tempo, num edifício discreto no centro de Lisboa. Do outro lado da Rua Alexandre Herculano, 50 metros acima, ficam as instalações do Haitong, o antigo BES Investimento. Nuno Gaio­so Ribeiro está perto dos investidores. Conhece-os bem. Mas garante que não só não tirou proveitos económicos dos cargos que ocupa no Benfica como a sua participação na vida das águias tem até afastado dos fundos da Capital Criativo alguns potenciais investidores, por questões reputacionais.

Embora Luís Filipe Vieira e a Promovalor continuem a participar, com uma posição minoritária, no fundo que em 2017 adquiriu os seus ativos mais valiosos, o filho do presidente do Benfica acordou recentemente deixar de ser sócio da própria Capital Criativo, onde tinha entrado em 2011. Tiago Vieira detinha 2,5% da C2 Ventures, que por sua vez controla 60% da Capital Criativo. Nuno Gaioso Ribeiro indicou ao Expresso que foram “estabelecidos acordos de aquisição de participações sociais, incluindo com Tiago Vieira”, para deixar a empresa de capital de risco apenas nas mãos dos quatro administradores executivos.

Nuno Gaioso Ribeiro garante que não tem qualquer outro negócio com Luís Filipe Vieira. Já o presidente do Benfica mantém, à margem do clube, um conjunto de empresas e participações que poderão permitir um regresso aos negócios imobiliá­rios no dia em que deixar a liderança das águias. Entre essas empresas estão algumas sociedades cria­das por um outro benfiquista de longa data, José António dos Santos, presidente do grupo Valouro, “rei dos frangos”. E maior acionista individual da Benfica SAD, com cerca de 13%. Lá chegaremos.

Na lista de execuções

Luís Filipe Vieira é telegráfico nas respostas que dá ao Expresso sobre os seus negócios. Questionámos o presidente do Benfica sobre que negócios quer desenvolver quando deixar o clube. “Os que então tiver. Mas quero sobretudo dedicar-me aos meus filhos e aos meus netos”, respondeu. Vieira é ainda dono de 80% do grupo Promovalor (a mulher e filhos têm outros 15% e Almerindo Duarte 5%). Dentro da Promovalor estão dezenas de sociedades instrumentais para concretizar diversos projetos imobiliários. Mas o presidente do Benfica foi tendo também ao longo dos anos algumas empresas e negócios à margem da Promovalor.

O Expresso fez um levantamento sobre as empresas que têm ou tiveram Luís Filipe Vieira como sócio. Consultando os relatórios de crédito da Informa D&B sobre essas sociedades, é possível constatar a situação patrimonial negativa de muitas delas. Desse universo de negócios fora do Benfica consta ainda uma empresa zombie, resquício de uma outra vida de Vieira nos negócios do tijolo: a Boguerfil, ainda aberta, é uma sociedade que Vieira controla juntamente com Eduardo Rodrigues e Manuel Bugarim. O primeiro foi o principal rosto da falida construtora Obriverca, que fundou com Vieira na década de 80. O segundo, também com negócios na construção, já foi presidente da Alverca SAD.

A Boguerfil, criada em 1998, não publica contas há mais de dois anos e aparenta estar inativa, mas não avançou com qualquer processo de insolvência ou dissolução. Na verdade, em outubro de 2019 passou a constar da lista pública de execuções, por causa de uma pequena dívida, de €6339, que não foi paga por “inexistência de bens”, e que corre no juízo de execução de Loures, no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte.

O Expresso questionou Luís Filipe Vieira sobre que negócios mantém com Eduardo Rodrigues, que se tornou nos últimos anos mais um dos devedores de referência do Novo Banco. A Obriverca, da qual Vieira saiu em 2001, chegou em 2017 a acumular dívidas de €170 milhões ao Novo Banco e de €60 milhões à CGD. O presidente do Benfica garante que já não tem negócios com Eduardo Rodrigues, que era cliente de uma das empresas de pneus de Vieira, para depois se tornarem sócios na construção. “Foi meu sócio. Já há mais de 15 anos que não é. Mas somos grandes amigos”, afirma Vieira. E diz ter saído da Boguerfil “há mais de 15 anos”, apesar de os registos da empresa ainda o tratarem como detentor de um terço da empresa.

Outra empresa que foi trabalhando fora do universo Promovalor dá pelo nome White Walls. Cria­da em dezembro de 2001, era dividida ao meio entre Luís Filipe Vieira e António Cunha Vaz, consultor de comunicação que trabalhou na campanha de Vieira para as eleições de 2003 no Benfica e que é dono de uma das maiores agências de comunicação do país. Cunha Vaz garantiu ao Expresso que há vários anos já não tem nada a ver com a empresa, que foi o instrumento usado para investir num prédio em Lisboa.

A White Walls está ainda operacional e o seu principal objeto foi a reabilitação de um antigo palacete no número 7 da Rua de Santiago, perto do Castelo de São Jorge, em Lisboa. Luís Filipe Vieira deixou em 2014 a administração dessa empresa imobiliária, que é gerida por Tiago Vieira. Deste empreendimento lisboeta falta vender apenas um apartamento.

Lisboa foi, aliás, onde a Promovalor, através da subsidiária Inland, lançou o seu primeiro projeto de habitação. Aconteceu em 2009. O condomínio Santa Catarina, perto da Baixa, era um projeto virado para o luxo. Um total de 19 apartamentos, num edifício desenhado pelo arquiteto Carrilho da Graça, com um investimento de €19 milhões.

As vendas começaram por correr bem. Mas não foi um projeto imaculado. Entre os clientes esteve Ana Maria Caetano, filha mais nova de Salvador Caetano, que em 2017 avançou com um processo em tribunal contra a Inland. Entre os visados estava Luís Filipe Vieira. Ana Maria Caetano reclamava por causa de obras que teve de fazer no seu apartamento, depois de durante vários meses a Inland não ter resolvido os problemas. O processo acabou por ficar resolvido, mas a participada da Inland diretamente visada, designada Avanço, teve ainda em 2018 um par de ações judiciais de outras entidades. No final de 2018 esta empresa registava prejuízos acumulados de mais de €7 milhões.

A Inland e a Promovalor são hoje uma sombra do que eram há uma década. Não foi só o negócio com a Capital Criativo que esvaziou o grupo imobiliário de Luís Filipe Vieira. Um outro fundo de reestruturação, o fundo Aquarius, da Oxycapital, tomou o controlo de 75% do projeto algarvio Verdelago, deixando a Promovalor minoritária, com 25%. Foi a solução encontrada para tentar, sob a gestão da Oxycapital, desenvolver o empreendimento e assim recuperar a dívida ao BCP, CGD e Novo Banco. Trata-se do mesmo fundo que ficou com o Hotel Quinta das Lágrimas, de Miguel Júdice (filho de José Miguel Júdice), e que em janeiro vendeu o The Lake Resort, em Vilamoura, que o Aquarius tinha incorporado em 2014, na reestruturação da dívida da Amorim Turismo.

Um dos administradores do fundo Aquarius é Joaquim Goes, ex-administrador do BES que tinha a seu cargo a gestão de risco do banco. Quando foi ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES, Joaquim Goes confirmou que o grupo, através da seguradora BES Vida, comprou alguns ativos da Promovalor. “A BES Vida estava a diversificar a estrutura dos seus investimentos e decidiu entrar nos ativos imobiliários”, explicou Goes aos deputados em dezembro de 2014. Globalmente, as entidades a que Luís Filipe Vieira estava associa­do chegaram a dever cerca de €600 milhões ao BES e ao Grupo Espírito Santo, segundo declarou no Parlamento.

Quando o futebol e o betão se cruzam

Depois do colapso do BES, a Promovalor foi tentando lutar pela sobrevivência. Em paralelo com a reestruturação de dívida que levou os seus maio­res projetos para os fundos da Capital Criativo e da Oxycapital, Tiago Vieira prosseguiu a venda de alguns ativos na carteira do grupo detido pelo seu pai. Assim aconteceu quando a Promovalor acordou a venda de cinco imóveis, por €787 mil, à empresa Springlabyrinth. Trata-se de uma sociedade de Braga administrada por Bruno Geraldes de Macedo, advogado que é também intermediário de negócios no futebol e que já integrou o conselho fiscal da Britalar, construtora de António Salvador, presidente do Sporting Clube de Braga. Bruno Macedo, que trabalhou com o empresário Hernâni Vaz Antunes na negociação de direitos televisivos da MEO em 2016, chegou a negociar nesse ano com o Futebol Clube do Porto a possível transferência do jogador Yacine Brahimi para os ingleses do Everton, sem sucesso. Mas Bruno Macedo também trabalhou com o Benfica: em 2017, sabe o Expresso, o clube da Luz recorreu à sua empresa BM Consulting para a contratação, por empréstimo, do jogador Douglas Pereira dos Santos, que um ano mais tarde regressaria ao Barcelona.

Bruno Macedo era já então um advogado que se mexia bem no mundo do futebol. Em 2014 foi um dos portugueses convidados para ir a Londres ao 35º aniversário de Nélio Lucas, o empresário português do futebol que durante anos comandou o fundo Doyen. Nélio Lucas, na ocasião, juntou outras figuras importantes nos negócios da bola, como Alexandre Pinto da Costa (filho do presidente do FC Porto) e Pedro Pinho (ambos da empresa Energy Soccer). Para a festa Nélio Lucas também convidou o seu amigo Almerindo Duarte (sócio de Vieira na Promovalor), mas este não foi.

Nélio Lucas chegou a procurar para os seus sócios da Doyen (a família Arif, do Cazaquistão) oportunidades na área da construção através de Almerindo Duarte e das boas ligações da Promovalor à brasileira Odebrecht. Mas Nélio nunca conseguiu furar no Benfica o estatuto privilegiado de Jorge Mendes. A Doyen chegou a firmar com o clube da Luz em 2012 um contrato envolvendo o jogador holandês Ola John, mas não fez mais nenhum negócio de dimensão relevante com as águias.

O cruzamento do futebol e do betão está já bem enraizado em Portugal. Aconteceu em clubes de menor dimensão, mas também nos maiores. O presidente do Braga, António Salvador, é um empresário da construção. O presidente do Benfica fez os seus maiores negócios no imobiliário. O antigo presidente do Sporting Filipe Soares Franco passou pela Tecnovia e OPCA (futura Opway). Ponto comum: as empresas que lhes deram notoriedade mergulharam na crise de forma tão enérgica como enérgicos são os golos de Cristiano Ronaldo.

As fontes ouvidas pelo Expresso relatam que do império imobiliário de Vieira sobraram apenas alguns imóveis de menor interesse. Isso e um buraco financeiro considerável: no final de 2018 a holding Promovalor tinha um capital próprio negativo de €175 milhões (o ativo era de €89 milhões, mas o passivo ascendia a €264 milhões). Em novembro de 2018 o grupo chegou a ser notificado para regularizar a prestação de contas, caso contrário seria dissolvido de forma administrativa. O suficiente para um mês depois a administração de Tiago Vieira regularizar a situação. É um facto que na última década a crise económica varreu o sector da construção, provocando uma onda de insolvências que apanhou também vários grupos de promoção imobiliária. Será a crise a única explicação para o buraco de €175 milhões no grupo imobiliário de Luís Filipe Vieira? Conseguirá o seu filho Tiago reerguer esse negócio?

Com uma dezena de empregados apenas, a Promovalor ocupa um modesto escritório numa zona residencial em Santo António dos Cavaleiros, nos subúrbios de Lisboa, no mesmo prédio onde têm sede várias empresas de pneus. Uma delas, a KHM Racing, pertence a um credor de uma outra empresa de pneus, a David Maria Vilar, da qual Luís Filipe Vieira foi avalista. E foi avalista até que José António dos Santos, o “rei dos frangos”, assumiu parte da dívida da empresa, através de um negócio imobiliário envolvendo uma sociedade que o patrão da Valouro criou de propósito em 2017, a Página Relâmpago. Luís Filipe Vieira garante que os pneus são coisa do passado. “Há 20 anos que não tenho negócios de pneus”, diz ao Expresso.

Dos pneus aos imóveis, passando pelo Benfica, são vários os laços entre Luís Filipe Vieira e José António dos Santos. Os primeiros passos foram dados em 2017. Nesse mesmo ano, o presidente da Valouro não só se chegou à frente numa empresa de pneus da qual Vieira era avalista como recebeu o presidente do Benfica como sócio numa empresa imobiliária com um projeto para a terceira idade no Algarve, acolhendo também a filha de Vieira, Sara, como sócia numa outra firma com um projeto imobiliário para a Alta de Lisboa. E foi igualmente em 2017, recorde-se, que José António dos Santos se tornou acionista da Benfica SAD, comprando as posições que eram do Novo Banco e da Somague.

No final de 2019, Luís Filipe Vieira aprovou o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Benfica SAD, que o Benfica (clube) já controla em dois terços. A operação permitirá a José António dos Santos uma mais-valia superior a €11 milhões, ainda que o presidente da Valouro tenha já afirmado ao Expresso que não quer vender as suas ações do Benfica. A CMVM tem estado a analisar os termos da operação, que ainda não foi aprovada, mas que suscitou suspeitas depois da revelação dos negócios conjuntos entre o presidente do Benfica e o maior acionista individual da SAD.

“Não vou ter qualquer benefício com a OPA sobre a Benfica SAD. Não tenciono vender as minhas ações do Benfica. Mas o Benfica tem a obrigação de mas comprar a €5 [o preço da OPA], que foi por quanto eu as comprei”, afirmou Luís Filipe Vieira ao Expresso. Sobre José António dos Santos, diz conhecê-lo “há muitos anos” e admite ter com ele negócios imobiliários. Situação diferente é a do construtor José Guilherme, o empreiteiro da Amadora que pagou a Ricardo Salgado uma “liberalidade” de €14 milhões. José Guilherme é outro acionista de referência da Benfica SAD e é amigo de Vieira, mas este garante que não têm negócios conjuntos.

O poder e os inimigos

No último fim de semana, num discurso perante sócios do Benfica, Luís Filipe Vieira insurgiu-se contra as críticas à OPA. Apontou o dedo a “comentários dos mais parvos que podem existir” e garantiu estar a preparar um clube de “dimensão mundial”. “Infelizmente, há pessoas que têm um pensamento muito pequenino em Portugal, e o mais fácil para eles é insinuar, caluniar e tentar que o Benfica pare. Digo-lhes abertamente: quanto mais me vão chateando, mais força vou tendo para levar o Benfica onde eu quero”, afirmou.

Desde 2003 à frente das águias, Vieira não bate em longevidade Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto desde 1982. Mas o Benfica acabou por dar a Luís Filipe Vieira uma posição de poder como poucos empresários podem ter. E ninguém tira a Vieira o seu lugar na história da Luz: é o presidente com mais tempo na liderança do Benfica, batendo, por larga margem, os nove anos de presidência de Bento Mântua, entre 1917 e 1926.

Com origens humildes, Vieira começou a trabalhar como vendedor de pneus, criando pouco tempo depois a sua própria empresa. Na década de 80 lançou-se na construção, com Eduardo Rodrigues e a Obriverca. Em 1987 apostou no futebol. Assumiu a presidência do Alverca, cargo que ocuparia até 2001, quando passou a diretor desportivo do Benfica, no mesmo ano em que o clube da Luz foi buscar o avançado Mantorras ao Alverca. Vieira, que já tinha vendido a empresa Hiperpneus, abandonou então a Obriverca. Fez muito dinheiro nessas operações. Mas continuou os negócios imobiliários com a Inland e a Promovalor, cuja gestão corrente foi entregue ao seu filho Tiago e ao sócio Almerindo Duarte.

Acabou por ser o futebol que lhe trouxe os maio­res inimigos. Era amigo de Pinto da Costa, mas as relações azedaram por causa do futebol. Teve como aliado o empresário José Veiga, que chegou a ser diretor-geral da Benfica SAD entre 2004 e 2007, ano em que Vieira o dispensou. Rui Gomes da Silva, que deixou a administração da SAD há vários anos, tornou-se um dos mais sonoros opositores à presidência de Luís Filipe Vieira. Um outro antigo opositor foi o juiz Rui Rangel, que em 2012 concorreu contra Vieira pela presidência do Benfica. Sem sucesso, Rangel passaria a apoiar anos mais tarde o atual líder. De forma semelhante, o antigo diretor-geral da TVI, José Eduardo Moniz, chegou a anunciar uma candidatura às eleições de 2009 do Benfica, mas retirou-a e é administrador da Benfica SAD.

Rui Rangel, José Veiga e Luís Filipe Vieira estão hoje a braços com a Justiça. Na Operação Lex, Rangel, já expulso da magistratura, é suspeito de crimes de tráfico de influência, corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais e fraude fiscal, enquanto Luís Filipe Vieira é suspeito de tráfico de influência. Também o vice-presidente do Benfica Fernando Tavares é arguido pelas mesmas suspeitas que envolvem Vieira. A Operação Lex, ainda em fase de inquérito, nasceu no início de 2018, a partir da Operação Rota do Atlântico, na qual José Veiga já era arguido, por suspeitas de corrupção envolvendo contratos de empresas brasileiras no Congo. Vieira acredita que a Operação Lex não põe em causa a sua presidência. “Sou inocente”, disse ao Expresso.

Este não é o primeiro embate de Luís Filipe Vieira com a Justiça. Em 2014 o presidente do Benfica já tinha sido constituído arguido num inquérito-crime sobre suspeitas de burla num negócio com o antigo BPN. Em causa está um empréstimo de €20 milhões que o banco concedeu à Inland em 2003 para que a empresa de Vieira investisse no fundo BPN Real Estate, bem como um financiamento a uma empresa espanhola para compra de ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN, antiga dona do BPN) que pertenciam à Inland. Esta depois transferiu a sua participação no fundo BPN Real Estate para a Votion, uma outra empresa do universo Promovalor.

Luís Filipe Vieira também manteve durante anos uma disputa fiscal no valor de €1,6 milhões, relativa à tributação de mais-valias do ano 2010. No início de 2019, e depois de uma intervenção do juiz Rui Rangel para desbloquear o processo, a Justiça veio dar razão ao presidente do Benfica, restituindo-lhe o montante de imposto pago a mais.

No final de 2018, Luís Filipe Vieira tinha tido uma outra vitória. No processo E-Toupeira, sobre o acesso do Benfica a processos judiciais em curso, o Tribunal de Instrução Criminal decidiu não levar a julgamento a Benfica SAD pelos 30 crimes de que era acusada, considerando que o ex-diretor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves, atuou sem orientação da empresa, já que “não faz parte dos órgãos sociais da pessoa coletiva, nem representa a pessoa coletiva”. Paulo Gonçalves responderá por corrupção, violação do segredo de justiça, violação do segredo de sigilo e acesso indevido, enquanto o funcionário judicial José Silva será julgado por estes crimes e ainda peculato. Ainda pendente está o inquérito do Ministério Público sobre a oferta de vouchers a árbitros por parte do Benfica.

Aos 70 anos, Luís Filipe Vieira parece ter uma força férrea para conservar a liderança das águias, resistindo a sucessivas crises que mancham no plano reputacional o sucesso que o clube tem tido nos planos desportivo e financeiro. As revelações incómodas são abundantes: da Porta 18 (que levou à prisão de José Carriço, antigo motorista de Vieira, por tráfico de droga, após ser apanhado com 9,5 quilos de cocaína numa mala num carro de serviço do Benfica) à Operação Lex, passando pelos processos E-Toupeira, pelos vouchers, entre outros dossiês que fizeram correr tinta nos últimos anos. As investigações judiciais, as revelações do blogue Mercado de Benfica e as dúvidas sobre os reais beneficiários da OPA em curso começaram a fazer mossa. A divulgação dos e-mails do Benfica e a revelação dos convites que o clube distribuía aos mais diversos decisores criaram um clima de desconfiança. Na tribuna da Luz a afluência de muitos desses decisores é hoje muito menor do que há uns anos.

Mas Luís Filipe Vieira é o mesmo presidente que pegou no clube em 2003. O mesmo fervor, o mesmo trato e a mesma linguagem coloquial. E também a mesma incapacidade de falar inglês fluente, que o deixa desarmado nas receções às comitivas vindas de fora ou nas viagens ao exterior. Mas é a falar de milhões que Vieira se entende. Nas transferências como no imobiliário. Fora das quatro linhas, mas não fora de jogo. O BES acabou, mas discretamente Luís Filipe Vieira ensaiou, com José António dos Santos, um regresso aos negócios imobiliários. Enquanto isso, continua nas viagens de táxi com Mendes. Uma “win win situation”. Para o superagente. E para o clube e o seu superpresidente. O “presi”, como lhe chamava Paulo Gonçalves, um dia deixará a liderança. Tem algum plano para sair, Luís Filipe Vieira? “Não”, sentencia.

Grande! 🖤 assim que tiver tempo leio. 

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Citação de Casual 1904, Em 08/03/2020 at 00:28:

O Porto também não joga um das caldas, é 50/50.

Verdade que o plantel do Porto também não é grande espiga, mas gostei mais de ver o Porto jogar com o Bayer do que o Benfica. Ao menos vejo um Porto a correr mais.

Citação de Don Vito Corleone, Em 08/03/2020 at 05:35:

Parece o ano do Trapattoni, nenhum dos grandes joga alguma coisa.

Últimos dois jogos 3 penaltys falhados, continua assim capitão, estás de dulce.

Grimaldo e Ferro há um bom par de jogos a enterrar na defesa, mas não têm concorrência por isso sabem que vão jogar sempre. Tomás Tavares e Chiquinho, sem palavras...

Estou farto do Lage, já nem consigo ver uma conferência de imprensa do gajo, tem o discurso mais que gasto. Acho que a única maneira de conseguirmos conquistar o campeonato é contratando um novo treinador para injectar confiança e um novo ânimo nos jogadores (cada vez mais acredito que foi isto que nos deu o campeonato no ano passado e não as competências táticas do Lage). Apostaria num treinador estrangeiro, apesar de adorar o futebol do JJ não me agrada o seu regresso depois de tudo o que se passou.

 

 

 

Quem? Quero acreditar que também temos bons portugueses. Precisávamos era de um treinador com eles no sitio para se impor e impor-se aos jogadores. Já é vergonhoso estas exibições europeias! 

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Citação de Almeno, Em 07/03/2020 at 22:16:

Já escrevi aqui que não fazia sentido despedir o Lage antes do final da época.

Mea culpa, este tem que ser o último jogo dele. É ridículo isto. Este 2020 é ridículo e ele já devia ter sido despedido.

olha....e aparentemente foi. pelo menos esta época.

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Vou a meio, tou a gostar bastante. Há aí um rapaz com a voz igual à do Rúben Amorim, penso que é o Vaart 😁

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 Faleceu o sócio numero 1 do Benfica: Carlos Eduardo Matos Galiano, 98 anos. Sócio desde 1932, ex-atleta de ténis de mesa.

Profundo pesar

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Aos interessados, o Gabinete de Crise esta semana falou sobre cepos do futebol português, com particular incidência em cepos do Benfica.

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