Gazza Publicado 22 Setembro 2013 O meu muito obrigado ao Descartes. Todo o tópico está do belo mas estes artigos são top. Compartilhar este post Link para o post
Fajo Publicado 23 Setembro 2013 Estou a ver na RTP Memoria o Domingo Desportivo na época de 1989/1990. Saudades deste belo programa :s Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 23 Setembro 2013 11º Episódio - 1948/1949 Transferências mais ou menos insólitas O toureiro intermediário Em fevereiro de 48, Bravo, interior-direito do Estoril, que conhecera, na pensão onde vivia, um bandarilheiro espanhol que se entusiasmara com o seu futebol, assinou contrato com a Real Sociedad precisamente pelos bons empenhos do toureiro, recebendo 60 contos por ano de luvas, 2500 pesetas por mês, prémios e pensão paga. Para o Estoril, 250 mil pesetas. A despedida contra o F.C. Porto, na Amoreira. Em beleza. Mantendo a tradição, os portistas perderam por 4-1. E de Bravo foram dois golos. A DGD e as transferências Despacho da DGD não autorizou António Leitão, do Oriental, a transferir-se para o Benfica. E Óscar da Silva, do Vianense, além de ter visto o seu pedido indeferido, foi punido com um ano de suspensão por haver tentado induzir em erro o Diretor-Geral dos Desportos. Continuava quente a polémica sobre a liberalização das transferências no futebol. O Estado tutelava cada vez mais e pouco ou nada cedia... António Leitão treinava-se já no Benfica, que lhe pagara 35 contos de luvas e um ordenado mensal de mil escudos, recusando-se a regressar ao Oriental. Durante ano e meio se manteve inativo, por uma questão de honra, trabalhando na Fábrica Nacional dos Fósforos. Foi durante esse período que foi convocado para os treinos da Seleção! Como não jogava, recusou... O F.C. Porto entrou na corrida. Em vão. Ao fim de 18 meses, a reconciliação com o Oriental, que lhe deu uma indemnização de 15 contos. Foi jogar para a II Divisão, na época de 48/49. Contribuiu para a subida, que não haveria de sê-lo em virtude do caso de suborno que se despoletaria... Em nome de outros valores, a DGD autorizou Capela e Castela a transferirem-se do Belenenses para a Académica por, no pedido, terem alegado a condição de estudantes. Mas com uma limitação que haveria de fazer doutrina: «No caso de sairem da AAC, teriam de regressar ao antigo clube, equiparando-se a situação à do Serviço Militar.» Com essa decisão se terá frustrado a verdadeira intenção de Castela se transferir para o F.C. Porto. A DGD indeferiu, em outubro de 49, a transferência de Quaresma para «O Elvas» com este argumento oficial: «Se a transferência fosse requerida para um clube da II Divisão seria aceite, mas não para um clube que pertence à mesma divisão do Belenenses.» No entanto, se o pretendesse, Quaresma poderia exercer no clube alentejano o cargo de... treinador adjunto de Mariano Amaro. De Vila Real para Bissau António Castanheira, jogador do Vila Real, convidado a vestir as camisolas do Benfica, Sporting, Estoril, F.C. Porto, Braga e Belenenses, explicou por que preferiu escolher a União Desportiva Internacional de Bissau: «Vou para a Guiné, não para fazer fortuna, mas com a garantia de um trabalho mais rendoso do que aquele que aqui me ofereciam.» Era assim o futebol de então... Um gatuno no balneário Em fevereiro de 1949 o Estoril estava na crista da onda, tendo chegado a ocupar a 2ª posição no campeonato durante largas semanas. Dissabor apenas com Simplício Amado, futebolista que se transferira do Vilanovense, onde praticara numerosos furtos: assim que os companheiros viravam as costas fazia a limpeza geral das algibeiras, nos vestiários. Tantas vezes o fez que se tornou notado. Então pegou nas malas e tomou rumo ao Estoril, a quem ofereceu os seus préstimos, tornando-se cliente frequente do Casino. Entretanto, assaltou a fazenda do clube, levando consigo dois cheques, no valor de 17 contos, e mais 29 contos e meio em dinheiro. Foi preso e confessou o delito. O «Caso» Famalicão Despoletou-se em abril de 49 o «caso» Famalicão, motivado pela hipótese de suborno de jogadores do Famalicão em desafio com o Oriental, para o Campeonato da II Divisão. A polícia iniciou investigações e a DGD suspendeu a competição. No mês seguinte a Judiciária completou o processo e tornou públicos os seus resultados, dizendo que não houve tentativa de suborno do jogador Manita que, antes de jogar pelos famalicenses, atuara por «Os Fósforos», um dos ramos de onde nasceria o Oriental. Segundo a entidade policial, parecia que a insistência da direção do Famalicão em atacar Manita devia ser atribuída ao propósito de atenuar ou diminuir a eventual responsabilidade do jogador Pires, que aceitou a proposta de não marcar golos, não os marcando, recebendo o dinheiro prometido. Em consequência das investigações, o Ministro da Educação decidiu que Académica e Portimonense disputassem o primeiro lugar da II Divisão, irradiando de toda a atividade desportiva o famalicense Francisco Pires, suspendendo, por um ano, o seu presidente e por três meses, de toda a atividade desportiva, o Oriental. A Académica venceria o jogo com o Portimonense por 2-1, subindo assim à I Divisão. Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946 7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947 9º Episódio - 1948 10º Episódio - 1949 Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 23 Setembro 2013 Estou a ver na RTP Memoria o Domingo Desportivo na época de 1989/1990. Saudades deste belo programa :s Foi o que o Juca foi o convidado? Ter um seleccionador a explicar as escolhas da selecção nacional. <3 Compartilhar este post Link para o post
Fajo Publicado 23 Setembro 2013 Só vi um bocado , e estava a dar a reportagem em que o Fernando Mendes tinha ficado lesionado gravemente. Mas sim devia ser esse , pois só se falava da seleção nacional. Epa tenho muitas saudades deste tipo de programas, ao domingo à noite era sagrado! Compartilhar este post Link para o post
Taj Publicado 23 Setembro 2013 E nesse WC fiquei a conhecer jogadores como o Zidane, Henry, Davor Suker, Trezeguet, Djorkaeff, aqueles Brasileiros que mencionei, Schmeichel, Tomasson, Batistuta, Bierhoff, Matthaus, Vieri, etc... Não estava habituado a ver jogadores desse calibre. Que frase mais homossexual. Compartilhar este post Link para o post
Boo Riquelme Publicado 23 Setembro 2013 O Campeonato do Mundo de '98 foi mesmo a primeira competição que me lembro de assistir, e com uma grande dedicação. Primeiramente, porque os meus primos de França, mandaram-me a bola oficial 2 semanas antes da competição cá para Portugal e pronto. Depois foi aproveitar uma TVmais ou TVguia uma m*rda assim da altura que na página central tinha o calendário todo com espacinhos para por os resultados e os nomes dos marcadores dos encontros. Preenchi aquilo religiosamente. Ainda tinha 6 anos, quase 7.Foi aí que comecei a gostar de futebol. E desde aí nunca parei. p*ta de vício lol Compartilhar este post Link para o post
SAS_Robben Publicado 23 Setembro 2013 O primeiro jogo que me lembro de ver foi a final do WC 94 mas também foi no WC 98 que comecei a ver futebol "a sério" Compartilhar este post Link para o post
Kendrick Lmao Publicado 23 Setembro 2013 lembro-me a espaços do wc98, nao me lembro dos jogos todos porque fui para umas colonias de férias qdo a competição tava a bombar a primeira q segui a serio foi o euro2000 :fofinho: Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 23 Setembro 2013 Primeira competição que me lembro é o WC94 a partir da meia final e lembro-me de tudo do Euro96. Compartilhar este post Link para o post
Fajo Publicado 23 Setembro 2013 Por aqui lembro-me muito da liga 93/94, e depois o WC de 1994. Ficava acordado até tarde com o meu avô e tio , saudades.. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 24 Setembro 2013 12º Episódio - 1949 O Campo Inclinado Pela mesma altura em que o futebol nacional era abalado pelo «Caso» Famalicão, outro escândalo ameaçava mais confusão: o Sporting, campeão nacional, jogou para a Taça de Portugal com o Tirsense, finalista da III Divisão. E perdeu! Por 2-1. Este resultado entrou para a história do futebol como um episódio pitoresco, mas a verdade é que houve justiça no desfecho do jogo. Apesar disso os sportinguistas protestaram o jogo, atitude que deu origem a irónicos comentários dos diversos adversários. Dizia-se então, que o campo do Tirsense era a descer... O «Leão» de Génova A seleção de futebol do Portugal defrontou, em fevereiro de 49, a Itália, em Génova. Tudo começou sob bom signo, com golo de Lourenço aos 21 minutos. Depois, o descalabro. Resultado: 4-1. Barrigana; Virgílio e Feliciano; Serafim, Canário e Francisco Ferreira; Lourenço, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano fizeram a viagem no luxuoso paquete «Anna C», «onde se comia desalmadamente», sendo a preparação a bordo, «motivo de alvoroço dos passageiros». Mas não fora essa a razão de mais um fracasso da seleção. Para Cândido de Oliveira foi outra, bem mais grave. «Muito conseguimos nós fazer dentro do falso amadorismo do futebol português, com jogadores a treinarem-se dois ou três dias por semana, de fugida, com o relógio no pulso, chegando ao campo às oito da manhã para já estarem nos seus serviços principais às dez e picos...» Os portugueses jogaram com «botas Peyroteo» que, fazendo fé nas crónicas, causaram tão boa impressão que os principais clubes italianos se predispuseram a assinar com o Fernando «vantajosos contratos para o fornecimento de chuteiras fabricadas pela sua firma». Nesse encontro Virgílio ganhou esporas de ouro e para a história ficou «Leão de Génova», anulando, literalmente, Carapellese, que, depois do jogo, tomou a sua pálida exibição à conta de «doença de nervos». Com tal fulgor se houvera que, passando pelo Vaticano, o Papa lhe ofereceu uma medalha, que passou a ser a sua maior preciosidade. No regresso de Génova, onde estivera como suplente, Patalino ficou sem a gabardina e o cachecol, roubados no comboio, a caminho de Lisboa. Só não chorou porque não lhe levaram a medalha ganha pela sua presença em Itália e que seria exposta em Elvas como um «ex-libris» de um herói seu... A Tragédia de Superga A 5 de maio acidente trágico em Superga, da equipa do Torino que, poucas horas antes, defrontara o Benfica, na festa de despedida de Francisco Ferreira: 18 jogadores, três dirigentes, o treinador Livevley e dois jornalistas italianos perecem, no embate do avião que os transportara de Lisboa com a cúpula da basílica. Entre os mortos um mago do futebol: Mazzola, que então ganhava, só de ordenados, 90 contos por ano! Sete das vítimas tinham defrontado Portugal em Génova. Os campeões italianos deslocaram-se a Portugal para a festa de homenagem a Francisco Ferreira, capitão do Benfica, filho de um porteiro do campo da Constituição, onde o F.C. Porto começou a jogar. E, premonitório, Valentino Mazzola confidenciou que só viera a Lisboa por se «tratar da festa de despedida do capitão do Benfica e da Seleção de Portugal». O Torino, apesar de ter perdido por 4-3, deu no Estádio Nacional a última prova da sua categoria... Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946 7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947 9º Episódio - 1948 10º Episódio - 1949 / 11º Episódio - 1948/49 Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 24 Setembro 2013 (editado) O acidente do Torino e o do ManU marcaram o mundo do futebol. PS: Já coloco aqui um texto sobre esse incidente com o Manchester United. Editado 24 Setembro 2013 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 24 Setembro 2013 (editado) February 6th 1958: United players killed in air disaster Seven Manchester United footballers are among 21 dead after an air crash in Munich. The British European Airways (BEA) plane caught fire shortly after take off this afternoon with 38 passengers and six crew on board. The footballing world is reeling from the loss of some of its most talented young players - known as the Busby Babes. Their average age was 24 and they included Roger Byrne - the captain - Mark Jones, Eddie Colman, Tommy Taylor, Liam Whelan, David Pegg and Geoff Bent. Queen 'deeply shocked' Eight British sports journalists and several club officials have also been killed. The Queen has said she is "deeply shocked" and has sent a message of condolence to the Lord Mayor of Manchester and Minister of Transport and Civil Aviation. The chartered aircraft was bringing the Manchester United entourage back from a European Cup match against Red Star Belgrade in Yugoslavia and had stopped at Munich's Riem Airport to refuel. On the third attempt to take off the plane over-shot the runway, hit a house with its port wing, veered to the right, hit another building and burst into flames. The fuselage did not catch fire and several crew and passengers went back into the wreckage to rescue the injured. Team manager Matt Busby was described as being the most seriously hurt and is being given blood transfusions in hospital. Star striker Bobby Charlton has been treated for slight head injuries. According to the Chief Executive of BEA, A. H. Milward, there was a heavy snowstorm in Munich and the pilot delayed departure because he was dissatisfied with one of the plane's engines. This was the first fatal accident for this type of BEA aeroplane, which has carried 2,340,000 passengers on 86,000 flights since it began service in 1952. The same plane - called Lord Burghley - took the Manchester United entourage out to Belgrade on Monday. news.bbc.co.uk In Context Messages of sympathy poured in from around the world and clubs across the UK and Europe held two minutes silence at the games on the Saturday following the accident. Red Star Belgrade, the team the Manchester United side had beaten before the crash, suggested they be made honorary champions in the 1958 European Cup. Another player, Duncan Edwards, died in hospital 15 days later. Manchester United battled to complete the season and reached the 1958 FA Cup final - where they were beaten by Bolton Wanderers. A decade later Manchester United became the first English club to win the European Cup. An investigation into the crash initially suggested pilot error, saying Captain James Thain had taken off without de-icing the wings. He was later cleared when it was found that the build-up of slush on the runway had prevented the plane taking-off. New safety limits were subsequently introduced. news.bbc.co.uk Os jogadores que faleceram eram denominados os Busby Babes, veja-se o porquê abaixo: Manchester United history » Busby’s babes (1950s) The phrase ‘Busby’s babes’ was first used in print in 1951. Frank Nicklin, a sub-editor at the Manchester Evening News, coined the phrase in a report on a Liverpool - Manchester United game which saw the debuts of two young Manchester United players. Thereafter, the name attached itself to the talented young players of Manchester United, developed and managed by Matt Busby. Busby himself never thought much of the phrase. In the late 1940s, Busby concluded that Manchester United needed a youth policy. Despite some early post-war success, Busby was sure that the long-term health of the club depended on finding and developing young players. He created a network of talent scouts that toured the country looking for young footballers, and also a team of Manchester landladies who looked after them once they signed for Manchester United. In 1952 the Football Association began ‘The FA Youth Cup’. Manchester United won the competition every year for its first five years. Under the guidance of Busby and his staff, young players developed until many were ready for first-team football. In one first-team game in 1953, seven of the eleven players were under twenty-two. Manchester United won the League Championship in 1955-1956 and 1956-1957. The average age of the 1955-1956 team was just twenty-two. These ‘Busby’s babes’ were hugely talented and promised much further success. Tragically, the further success never came. The 1958 Munich air disaster decimated the ‘babes’. Eight died, two more never played again and others never played again with the same success. Manchester United continued to attract and develop young footballers. In the 1960s such players would still be referred to as ‘Busby’s babes’. But, to many, it was the wonderful 1950s team to which the description classically belonged. To some, a true ‘Busby’s babe’ had to have been born in Manchester and raised only at Old Trafford under the direction of Matt Busby. To others, a looser definition included any talented young Manchester United footballer inspired by Matt Busby to play stylish, attacking football. Using the looser definition, the 1950s ‘Busby’s babes’ included: Geoff Bent*, Johnny Berry, Jackie Blanchflower, Roger Byrne*, Bobby Charlton, Eddie Colman*, John Doherty, Duncan Edwards*, Bill Foulkes, Harry Gregg, Mark Jones*, Wilf McGuinness, Kenny Morgans, David Pegg*, Albert Scanlon, Tommy Taylor*, Dennis Viollet, Liam Whelan* and Ray Wood. (*died at Munich) aboutmanutd.com The "Busby Babes" is the name given to a group of Manchester United players, recruited and trained by the club's chief scout Joe Armstrong and assistant manager Jimmy Murphy, who progressed from the club's youth team into the first team under the management of the eponymous Matt Busby. The Busby Babes were notable not only for being young and gifted, but for being developed by the club itself, rather than bought from other clubs, which was customary then, as now. The term, coined by Manchester Evening News journalist Frank Nicklin[1][2] in 1951,[3]usually refers to the players who won the league championship in seasons 1955–56 and 1956–57 with an average age of 21 and 22 respectively. Eight of the players – Roger Byrne (28), Eddie Colman (21), Mark Jones (24), Duncan Edwards (21), Billy Whelan (22), Tommy Taylor (26), David Pegg (22) and Geoff Bent (25) – died in or as a result of the Munich air disaster in February 1958, while Jackie Blanchflower (24 at the time of the crash) and senior player Johnny Berry (31 at the time of the crash) were injured to such an extent that they never played again. The last remaining player from the pre-Munich side, Bobby Charlton (20 at the time of the crash), retired from playing in 1975; though he had left Manchester United two years earlier, he had continued playing as player-manager of Preston North End. en.wikipedia.org Busby Babes: Editado 24 Setembro 2013 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 24 Setembro 2013 (editado) . Editado 24 Setembro 2013 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
St.Pauli13 Publicado 24 Setembro 2013 A primeira competição de que me lembro, foi o Itália 90 e o Roger Milla com a sua dança na bandeirola de canto. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 25 Setembro 2013 13º Episódio - 1949 Falhou Jesus na Taça Latina... Depois de vários avanços e recuos, a Taça Latina arrancou em 1949, envolvendo na sua primeira edição apenas os campeões portugueses, espanhóis, franceses e italianos. Coube ao Sporting a defesa das cores nacionais. A 26 de junho, no Estádio Metropolitano, em Madrid, contra o que restara do Torino, perante um público renhidamente hostil, sentimentalmente ao lado dos italianos, envolvendo-se, aqui e acolá, em picardias e escaramuças com a pequena falange de apoio que se deslocou a Espanha, na ânsia de confirmar o que por cá se dizia: que o Sporting talvez fosse a melhor equipa europeia... A vitória, fácil, sobre os transalpinos, mercê de três golos de Peyroteo, mais aqueceu as ilusões. Nessa partida, ao nível dos portugueses apenas se houve Carapellese, que se salvou da morte trágica, no choque com a catedral de Superga, por não se ter deslocado a Lisboa, para a festa de homenagem a Francisco Ferreira, devido a doença de nervos de que já se queixara no Itália-Portugal de Génova, depois de literalmente neutralizado por Virgílio. Na final, contra o Barcelona, em Chamartin, mais se adensou, naturalmente, a hostilização ao Sporting que, para infelicidade sua, mais por mérito do defesa Curta do que por outra coisa, não pode contar com o super-Peyroteo de outras andanças. Azevedo foi a grande figura leonina, de tal modo que Basora, catalão loiro e meão, que com o seu génio solitário «ofereceu» a Taça Latina ao Barcelona, não quis calar o encómio: «Azevedo tornou possível o equilíbrio de jogo a que o Sporting logrou chegar, mercê da confiança que as suas magníficas defesas lhe deu. Com outro guarda-redes os portugueses ter-se-iam afundado na primeira meia-hora.» Quiçá... «Longe de ser onze sem rival» Mas o futebol é feito dessas magias - tudo poderia ter sido diferente se, a dois minutos do fim, quando os catalães venciam por 2-1, Jesus Correia, que obtivera o golo do empate aos 26 minutos, não tivesse falhado soberana oportunidade com a baliza escancarada. Com isso teria anulado a vantagem adquirida com o tento de Basora aos 60 minutos, levando para prolongamento o desfecho, numa altura em que os campeões de Espanha já denotavam défices de energia... Na campanha de Madrid, o Sporting contou com Azevedo, Barrosa e Juvenal; Canário, Manuel Marques e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. E o segundo lugar acabou por ter, à imagem dos tempos que corriam, aspeto de vitória moral, com receção e lanche de honra na Embaixada de Portugal - e com apoteótica chegada ao Aeroporto da Portela, diante de milhares de adeptos em eufórico alvoroço. Em Espanha ficaram apenas resquícios de uma «grande equipa, das melhores do continente europeu» como o Sporting foi definido em «A Marca» e de um guarda-redes fabuloso: João Azevedo. Mas, para o jornalista do diário «Madrid», apesar de condescender ter visto uma «equipa valiosa e perigosa, em Portugal», o Sporting ficou longe de se revelar «o onze sem rival que os portugueses querem fazer crer»... Para o «El Mundo Deportivo», de Barcelona, outro homem saiu de Madrid... vencedor, mesmo sem ter ganho: Cândido de Oliveira. Por ter «formado uma grande equipa, atlética no físico e com excelente preparação técnica, cujas linhas atuam com serenidade e precisão, fornecendo constantemente a impressão de uma "coisa" maciça, bem trabalhada». Glória e Dívidas. Amputação e Morte Peyroteo. Um toque castelhano no nome. Natural. Seu avô era de Madrid. Os pais tentaram dar outro sentido à vida, em Angola. Na vila de Humpata, nasceu a 10 de março de 1918. O pai morreu mal acabara de nascer. Com 19 anos chega a Lisboa, a bordo do paquete Niassa. Traz consigo a mãe e uma irmã. O Sporting era o seu destino. Fixou residência em Sintra e aqueceu os sonhos. Logo nos primeiros treinos, no Lumiar, se percebeu o seu enorme talento. Marcaria a época de ouro do futebol do Sporting. E não só. Por esse tempo se dizia em Espanha que o futebol português «peyroteava». Aos 31 anos decidiu abandonar o futebol. Setembro de 49 estava no fim. Inabalável, Peyroteo justificou-se assim, na sua festa de despedida: «Fui soldado nas fileiras do desporto nacional e um soldado não foge ao cumprimento do seu dever, seja qual for e em que circunstâncias for! Mas de hoje em diante reconheço que sou um soldado velho...» Na véspera desabafara: «Não posso corresponder às exigências de preparação de um jogador de futebol que queira manter-se em forma e ser útil ao seu clube e à modalidade que pratica. Os treinos tomam muito tempo e requerem um estado de espírito que nem sempre é favorável. Daqui resultam lesados: eu, porque abandono o estabelecimento, quando lá devia estar; o clube, porque espera um rendimento que é falseado, criando-se, até, mal-estar nos restantes companheiros de grupo que pensam, logicamente, que houve uma situação de favor, mais acentuada ainda quando se trata dos estágios da seleção. Além disso, ou por consequência disso, quando entro em campo vou cheio de vontade de jogar, mas depois de meia-dúzia de pontapés na bola apodera-se de mim um enfastiamento inexplicável...» Posteriormente se saberia que foram outras as razões do abandono: endividado, decidiu fazer a sua festa de despedida com o fito de angariar os cerca de 100 contos de que precisaria para honrar os seus compromissos. Ele próprio pagou as 100 mil pesetas de cachet ao Atlético de Madrid e, no final do balanço, conseguira juntar dinheiro para pagar todas as suas dívidas. 700 golos - uma enormidade! Cândido de Oliveira, a quem coube, na festa de despedida, o elogio público do jogador, premonitório, aventou: «A figura de Peyroteo, como avançado-centro correto e lealíssimo, duro batalhador e extraordinário marcador de golos, começará a ganhar maior prestígio e só atingirá plena grandeza, perante o juízo dos homens, à medida que o tempo passar - e a sua falta for cada vez mais sensível e irremediável. Peyroteo deixa hoje o futebol. E parte em plena glória. Deixa atrás de si, nos retângulos do jogo, uma lembrança indelével. Foi sempre um jogador exemplar. Correto. Leal. Digno. Verdadeiramente modelar!». Lamentaria, também, que a direção do Sporting não tivesse percebido que com pouco mais de 200 contos poderia tê-lo segurado mais um punhado de anos. Peyroteo conseguiu ser o mais notável de todos os avançados-centro devido à sua extraordinária propensão para a tarefa principal desse posto, e que é o poder de remate à baliza. Durante a sua carreira, prematuramente interrompida, ele marcou 700 golos - uma enormidade! E se ele tem continuado a jogar, como podia e devia ter sucedido, alcançaria por certo o magnífico recorde de um milhar de golos! Selecionador de Eusébio Dependuradas as chuteiras, dedicou-se mais aos negócios da Casa Peyroteo, mas a fortuna continuou arredada. Por entre vicissitudes regressou a Angola. E retornou a Portugal chegando, em 1961, a selecionador nacional, num jogo de triste memória: aquela humilhante derrota por 4-2 contra o... Luxemburgo. Da tempestade nasceria, no entanto, um sinal de glória: foi nessa partida, lançado precisamente por Peyroteo, que Eusébio se estreou na seleção. Cinco anos antes, num jogo de veteranos, disputado em Barcelona, Peyroteo sofrera uma lesão que haveria de tornar-se, estupidamente, fatal. A rutura do tendão de Aquiles motivou uma operação. Mais tarde a amputação de uma perna. Morreu em 1978, no Hospital de Santa Maria, vítima de um ataque cardíaco que culminou aquela grave doença de circulação de sangue que já lhe causara a amputação... Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946 7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947 9º Episódio - 1948 10º Episódio - 1949 / 11º Episódio - 1948/49 / 12º Episódio - 1949 Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 25 Setembro 2013 Grande história. Desconhecia essas pormenores do Peyroteo. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 26 Setembro 2013 14º Episódio - 1950 A Provinciana Súplica do Brasil De angústia se fez a eliminatória para o Campeonato do Mundo do Brasil, ante a Espanha. E logo a Espanha, que era a equipa que menos interessava a Portugal. O mesmo acabariam por dizer os espanhóis. Mas foi exatamente isso que aconteceu. O primeiro jogo seria em Madrid. A 2 de Abril. O sonho aqueceu-se em Vale de Lobos, sendo treinador da seleção Ted Smith, também treinador do Benfica. Com um regime «especial para desportistas». Às oito da manhã se levantavam todos, para um passeio higiénico pelos pinhais e valados e pequeno almoço. Ao meio-dia o almoço, de dois pratos, e os... «clássicos três decilitros, tanto do agrado e dos hábitos dos portugueses». À tarde, treino no Jamor, com ginástica ministrada por Fernando Ferreira, ainda um dos melhores barreiristas portugueses. Jantar e um período de liberdade que estava, no entanto, «confinado aos limites do hotel», que quase todos os futebolistas aproveitavam para «contar histórias e ouvir música no esplêndido pick-up emprestado pelo Barrosa ou, então, jogarem ao loto, um desporto inofensivo e apaixonante». E isto até ao «toque simbólico do clarinete» que anunciava a deita para as 11 horas, «sem exceções... nem recalcitrantes». Em Madrid, ilusões desfeitas. Em tarde amarga, derrota por 5-1. Fraca a exibição dos portugueses, que apenas mostraram um bom espírito de luta. Salvador do Carmo, presidente do Comité Selecionador, lamentou-se: «A nossa infelicidade no começo do encontro, com Barrigana a consentir, inexplicavelmente, o primeiro golo e a ação do árbitro influiram decisivamente no desfecho da partida. A equipa não produziu exibição compatível com as possibilidades. Apenas Travassos e Francisco Ferreira se houveram de forma amplamente satisfatória.» Mão de fotógrafo no golo espanhol Havia sempre uma desculpa ou uma condescendência para. Os espanhóis, no entanto, à saída do campo, não calavam o espanto: «De verdad es esta la selleccion de Portugal?». Era. E alinhara assim: Barrigana; Virgílio e Serafim; Barrosa, Félix e Francisco Ferreira; Jesus Correia, Arsénio, Cabrita, Fernando Caiado e Travassos. O golo de Portugal foi apontado por Cabrita, quando o resultado já estava em 3-0. Se Portugal vencesse, em Lisboa, oito dias depois, poderia conquistar o Brasil no desempate em Paris. Empatou, 2-2. E pronto. Francisco Ferreira, capitão da seleção, sardónico, deixou descair: «Ganhámos moralmente, como já é de tradição.» Pois era. Desolado estava Barrosa, por ter falhado um penalty que, ao menos, forçaria o terceiro jogo. Inconsolável também Capela, que substituíra Barrigana: «Resultado injusto para nós. O primeiro golo dos espanhóis foi irregular, pois a bola saiu fora, foi posta nos pés de Gainza por um fotógrafo espanhol com a mão.» Jesus Correia queixou-se de estranho bloqueio: «Após ter marcado o segundo golo, que nos colocou em vantagem, sofri uma comoção que me impossibilitou de dar melhor rendimento.» Mais do que comovidos - aterrados, ficaram todos os portugueses quando, a oito minutos do fim, Gainza refez o empate. No Jamor Portugal apresentou seleção renovada mas, debalde: Capela; Barrosa e Carvalho; Serafim Batista, Félix e Francisco Ferreira; Jesus Correia, Arsénio, Cabrita, Travassos e Albano. Mas, de súbito, renasceu a esperança. A Confederação brasileira entrou em jogo clamando pela presença de Portugal, mesmo eliminado pela Espanha! Ao sinal do desejo da repescagem, respondeu André Navarro, presidente da FPF, assim: «Portugal não deve ir ao Brasil em condições de favor.» No dia em que se anunciava, pomposamente, o II Portugal-Inglaterra, ainda se insistia: «Todo o Brasil aguarda, ansiosamente, a última palavra dos portugueses sobre a sua participação na Taça Jules Rimet.» Enfim, coisas que só acontecem aos pobrezinhos. Mas, vá, ao menos isso, o Governo determinou que não se deveria adquirir administrativamente um privilégio perdido em campo. Desportivamente. E a seleção cá ficou. Naturalmente. Para Montemor em Cadeira de Rodas O desporto é um manancial de histórias que nos falam do louco entusiasmo dos homens, dos seus defeitos, das suas virtudes, também das suas ingenuidades. Em 8 de maio de 1950, corria o Clube Oriental de Lisboa para a I Divisão, numa daquelas lutas cheias de peripécias e dúvidas que só atingem os clubes modestos, mais feitos para lutarem pela vida do que pelos títulos e outras honrarias, um dos seus adeptos mais entusiastas, Joaquim Fernandes, quis ir vê-lo jogar a Montemor-o-Novo. O reboque do automóvel e de repente... zás! Era jogo importante e enorme a vontade do Joaquim, deficiente motor, que se deslocava numa cadeira de rodas. Por incrível que pareça, o Joaquim Fernandes resolveu fazer a viagem até Montemor na sua cadeira. «...A determinada altura, senti-me fatigado e alguém que seguia de automóvel prontificou-se a rebocar-me. A princípio a coisa agradou-me, mas depois é que foi pior, pois, o condutor do automóvel, esquecendo-se de que eu ia atrás dele, aumentou o andamento e, zás, fiquei sentado na estrada.» Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946 7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947 9º Episódio - 1948 10º Episódio - 1949 / 11º Episódio - 1948/49 / 12º Episódio - 1949 / 13º Episódio - 1949 Compartilhar este post Link para o post
Poeira Publicado 26 Setembro 2013 Ri-me muito com esse último parágrafo, coitado do homem :lol: E o texto anterior do Peyroteo também é bastante interessante, desconhecia alguns aspectos da história dele. Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 30 Setembro 2013 No dia 30 de Setembro de 1962, há precisamente 51 anos, Vasco Manuel Vieira Pereira Gervásio estreava-se na Académica numa partida frente ao Ac. Viseu. Seguiram-se 17 temporadas seguidas com a Briosa ao peito: 430 jogos, 284 como capitão e mais de 600 horas em campo. Hoje recordamos o nosso eterno capitão Vasco Gervásio, que nos deixou em 2009. Até sempre! Compartilhar este post Link para o post
Carson Wentz Publicado 30 Setembro 2013 Excelentes esses textos Desc. :prayer: Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 30 Setembro 2013 Um dos aspectos que venho seguindo com atenção, além dos próprios textos, é a organização dos links por parte do Desc. Com um número suficiente de episódios, acho que desenharia o Pacman com os links. Compartilhar este post Link para o post