Lebohang Publicado 27 Janeiro 2019 Fernão de Magalhães e a história de uma viagem que Portugal tentou impedir Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 28 Janeiro 2019 Citação de Lebohang, há 2 horas: Fernão de Magalhães e a história de uma viagem que Portugal tentou impedir Boa leitura, no geral. Ainda assim, algumas das afirmações são algo discutíveis, como de resto quase tudo o é na historiografia. Por exemplo, duvido imenso, mas imenso mesmo, que Colombo tenha morrido convencido que chegou à Ásia. Inicialmente terá acreditado nisso, mas após várias viagens, após ter interagido com os nativos das Antilhas e tendo ele visitado vários locais na costa leste do continente americano, certamente terá ligado os pontos e entendido que aquilo não era a Ásia. Quanto ao rei D. Manuel, pah, olhando em retrospectiva até pode passar a ideia que tomou uma má decisão, mas com os dados que havia na altura até eu teria negado o financiamento à viagem e, depois, teria procurado evitar que ele a fizesse pela coroa espanhola. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 28 Janeiro 2019 Humabon atraiu os dois capitães e uma trintena de tripulantes a um banquete que se revelou uma cilada – todos os europeus morreram. Onde é que eu já vi isto... 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 12 Março 2019 Informe de la Real Academia de la Historia sobre la Primera Circunnavegación a la tierra Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 29 Março 2019 Não se enquadra propriamente em análise histórica, mas isto é bastante interessante. Citação Encontrado ADN surpreendente nos antigos povos da Península Ibérica Um estudo sobre 8 mil anos de genética, de Portugal e Espanha, revela uma imagem inesperadamente complexa dos nossos antepassados. Tldr, o que isto significa é que foi encontrada uma diversidade genética anormalmente elevada nos povos ibéricos. O que em si não é estranho, pois sempre houve a percepção de isto ter sido um cantinho do mundo onde ocorreu enorme intercâmbio entre povos africanos, europeus e mediterrânicos - algo que também é referido no artigo. O mais interessante do estudo foi terem detectado uma mudança abrupta há cerca de 4500 anos - 2500 antes de Cristo -, sendo detectado a partir daí indicadores genéticos associados a povos das estepes da atual Rússia. Isto pode dar a entender que houve nesse período uma migração massiva de povos dessa região do planeta - o que também já se suspeitava -, mas que atravessaram toda a Europa e chegaram cá. Isto deve ter sido numa tal magnitude que a esmagadora maioria dos cromossomas Y foi substituída, o que sugere que foram maioritariamente homens a chegar e que subjugaram em grande parte as populações masculinas que já cá viviam. Se por acção invasora bélica ou por qualquer outro motivo, não há ainda meios de o saber. Aquilo que se especula é que poderão ter chegado a cavalo e com armas de bronze, o que não só poderá explicar o sucesso destes homens - as armas de bronze eram uma inovação em relação às de ferro que seguramente se usariam então na Península Ibérica -, como introduziu a própria Idade do Bronze por cá. Não sou propriamente o maior fã de pré-história, mas isto é tremendamente interessante. 3 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 14 Abril 2019 Bem-vindo, Sr. Escarlate: há 300 anos uma estrela da música instalou-se em Lisboa 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 12 Maio 2019 “Marmelade” é mesmo “marmelada”? E “verandah”? Como o português anda (ou não) nas bocas do mundo É mais uma crítica literária do que um artigo de história mas não deixa de ser interessante. Destaco isto: Citação Nas considerações sobre a língua inglesa, agora já sem ligação ao português, Neves menciona a dicotomia “pig/pork”: “pig é o simpático porco. Pork é o simpático porco, mas morto e pronto a ser comido. As quintas têm pigs, mas à mesa comemos pork. Interessante, não é?”. É, com efeito, e é pena que Neves se fique por aqui e não explique as razões da não coincidência de nomenclatura entre o animal vivo e a sua carne, pois são reveladoras das peculiaridades da língua e da história inglesas. Acontece que o par “pig/pork” é afim dos pares “cow/beef”, “calf/veal” e “sheep/mutton”, relativos a vaca, vitela e carneiro e respectivas carnes, e por trás deles há uma história de conquistadores e conquistados e de diferenças de classe social. A razão para esta dicotomia tem raízes em 1066, quando Guilherme, Duque da Normandia, desembarcou em Inglaterra com o seu exército. Guilherme era trineto do chefe viking Rollo, que fizera, em 911, um acordo com Carlos III de França, permitindo que os vikings se estabelecessem na Normandia (região cujo nome provém, precisamente, dos “homens do norte”). Guilherme era filho ilegítimo de Roberto I o Magnífico e subiu ao trono beneficiando da morte dos seus meios-irmãos legítimos e de vários outros candidatos e do clima de caos e violência que as crises sucessórias tinham instaurado no ducado. Consolidado o poder na Normandia, o apetite de Guilherme voltou-se para o trono inglês, que obteve após derrotar o recém-coroado rei Haroldo, na Batalha de Hastings, a 14 de Outubro de 1066. Neste interim, Guilherme deixou de ter como cognome “o Bastardo” e passou a ser “o Conquistador” (a agência de comunicação que tratou desta mudança merece que se lhe tire o chapéu) e os normandos, que, entretanto, tinham assimilado a língua e os usos franceses, tornaram-se na classe dominante em Inglaterra. Uma vez que os animais eram cuidados pela populaça anglo-saxã, mantiveram os seus nomes; já os senhores normandos, que não sujavam as mãos a tratar do gado e deste só conheciam a carne que lhe era servida à mesa, deram a esta os nomes dos animais em francês e estes, pouco a pouco, foram assimilados pela língua inglesa: “beef” (de “boeuf” = boi), “veal” (de “veel”, hoje “veau” = vitela), “mutton” (de “mouton” = carneiro). É preciso ter presente que na Idade Média o povo, em Inglaterra ou noutro qualquer país europeu, subsistia com uma dieta à base de cereais e legumes, sendo a carne um luxo reservado às elites (ou a um ou dois dias de festa por ano). Até a carne de caça – pelo menos da caça de grande porte – era um privilégio das elites, como atesta o par “deer/venison”, em que “deer” designa o veado e “venison” (da palavra francesa “venaison” = “caça”) a sua carne. Desconhecia por completo isto, confesso. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 17 Maio 2019 'It could change everything': coin found off northern Australia may be from pre-1400 Africa The coin that could tear up Australian history: Scientists probe African copper piece found on a beach which could show Portugal reached the continent 250 years before Captain Cook Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 17 Maio 2019 Citação de Black Hawk, Em 16/01/2014 at 14:00: Foi recentemente descoberta esta gravura a ilustrar um manuscrito português do século XVI, ao que tudo indica. O interessante da gravura é que retrata o que aparenta ser um canguru, num período anterior ao da descoberta do continente por holandeses ou ingleses, suportando a tese (que para mim é mais do que óbvia) de os portugueses terem sido os primeiros europeus a desembarcarem no continente australiano. Citação de Mr. Bacano, Em 16/01/2014 at 14:28: Mas qual foi a principal razão de não termos explorado aquilo? Sempre tive essa curiosidade. Citação de Black Hawk, Em 16/01/2014 at 15:24: Porque o tamanho importa :mrgreen: Portugal era um pequeno reino com pouca mão-de-obra. Não havia recursos naturais nem humanos para sustentar uma exploração intensiva dos territórios descobertos, razão pela qual optámos pelo controlo das rotas comerciais e de pontos específicos de grande interesse económico, ao invés da ocupação efectiva dos territórios. O mais provável é que os primeiros marinheiros a lá chegar tenham achado aquilo um enorme pedaço de nada. Para começar era longe de tudo, obrigaria a um enorme investimento para manter rotas regulares entre a Austrália e Portugal; o investimento em si até poderia ter sido feito se houvesse expectativas de obter retorno, porém o que encontraram foi um território vastíssimo mas desolado, quente, sem sinais de recursos minerais e/ou naturais. O clima também não seria nada propício e não se conhecia absolutamente nada do território, não se sabia se haveria nativos, se estes seriam perigosos, como obter fontes de abastecimento de água, que espécies de cereais conseguiriam subsistir naquele solo. Seria necessário investir recursos materiais e humanos na exploração do território, no estudo da geografia, do clima, das bacias hidrográficas. Era um risco demasiado elevado e potencialmente desastroso. E depois havia outras questões: Portugal na época já tinha a costa brasileira para explorar, e essa sim mostrava alguns sinais de vir a dar retorno; os pontos onde se fixaram mercadores nacionais em África revelaram-se bons investimentos; o comércio na Índia permitia obter lucros astronómicos, mesmo com as frequentes perdas de mercadorias devido a naufrágios e pirataria na longínqua rota do Cabo; e pouco acima da Austrália estavam as Ilhas Molucas, onde facilmente se obtia especiarias para venda por valores absurdos nos mercados europeus. Em comparação com tudo isto, a Austrália não tinha qualquer interesse e os parcos recursos humanos seriam melhor empregues noutros lados. Eu sabia que já tinha escrito sobre esse tema neste tópico. Não pensei que já tivesse sido há CINCO ANOS 2 Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 17 Maio 2019 Btw, a imagem do dito canguru que consta num manuscrito português do século XVI. 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 17 Maio 2019 Também tinha deixado isto por aqui há alguns anos, uma notícia que saiu no Sol (já não há link). Citação A teoria de que terão sido os portugueses os primeiros europeus a chegar à Oceania começa a ganhar consistência. A descoberta de um documento que descreve uma expedição ordenada por D. Manuel I e a presença de nomes lusitanos num mapa que parece representar a costa da Austrália estão a levar académicos australianos a inclinar-se a favor da hipótese de os portugueses terem descoberto aquele continente 250 antes do capitão Cook. Terá sido uma expedição secreta ordenada pelo Rei Dom Manuel I a descobrir a Austrália e a cartografar as suas costas um século antes dos holandeses e 250 anos antes do capitão Cook? As provas que apontam neste sentido continuam a acumular-se. Um documento-chave a favor da descoberta pelos portugueses é o Atlas Vallard, um atlas do mundo então conhecido e produzido em Dieppe, Norte de França, no ano de 1547. Este documento único contém dois mapas de um continente enigmático cujo feitio e posição possuem uma incrível semelhança com a Austrália. Porém, num texto que acompanha a recente edição fac-similada do Atlas Vallard, um académico português recusa a teoria de que estes mapas se teriam baseado em cartas desenhadas por marinheiros de uma expedição ordenada pelo Rei D. Manuel. Pelo contrário, mantém que os lusitanos teriam apenas «uma noção muito vaga do continente australiano» e que o melhor que conseguiriam seria «apenas vislumbres dele». Quem tem razão? Há no mínimo uma certa ironia no facto de um professor português se juntar às hostes dos que contestam a hipótese, quando a opinião dos académicos na Austrália começa a inclinar-se a favor da descoberta portuguesa. John Molony, professor emérito de História na Universidade Nacional da Austrália, uma das mais destacadas universidades mundiais, acaba de fazer um estudo detalhado dos nomes de santos cristãos que aparecem em oito locais do que, no mapa Vallard, se assemelha à costa Leste da Austrália. A sua pesquisa mostra que todos estes nomes têm uma clara ligação à Igreja portuguesa do século XVI – e, ainda mais significativamente, à Índia portuguesa. Com base nos seus resultados, Molony conclui que não podem restar dúvidas de que os nomes atribuídos a estes lugares foram obra de marinheiros portugueses, e de que o mapa Vallard se baseia portanto em cartas marítimas portuguesas. Os resultados do professor Molony constituem um poderoso argumento a favor da descoberta portuguesa da Austrália, e recebem um forte apoio de outra prova que viu recentemente a luz do dia. Trata-se de um testemunho que regista a partida de uma frota do Rei D. Manuel do porto de Cochim, no Sul da Índia, a 4 de Maio de 1521. Até aqui pensava-se que, devido à política de sigilo intransigentemente imposta pelas autoridades portuguesas da altura, não existia qualquer registo em primeira mão da viagem. O relato da partida da frota portuguesa só recentemente se tornou acessível, graças a um projecto financiado pela EU para digitalizar arquivos portugueses com relevo patrimonial. Este conjunto particular de documentos fazia parte de uma colecção intitulada ‘Documentos sobre os Portugueses em Moçambique e na África Central’. Acredita-se que o autor do relato que regista a partida da frota da Ilha do Ouro seja o Controlador do Tesouro da Índia de D. Manuel, Pedro Nunes (mais tarde reitor da Universidade de Lisboa), que se sabe ter estado em Cochim nessa altura. Ele descreveu os quatro navios que participaram na expedição, registou os seus nomes e o dos seus quatro capitães. Nada há de surpreendente acerca da identidade do comandante da expedição, Cristóvão de Mendonça, um nobre e membro da Casa de D. Manuel. Mendonça aparece como capitão do navio que lidera a frota, a nau São Cristóvão. A principal revelação é a identidade do segundo comandante – Pedro Eanes ‘o Francês’, um prestigiado capitão de origem francesa. Agora ao serviço de Portugal, comandou uma nau na grande armada de 18 navios que zarpou de Lisboa em direcção à Índia em 1519. Mendonça também capitaneava uma nau (tal como Pedro Nunes), mas foi a Eanes que foram confiadas as ordens seladas de D. Manuel para o governador português na Índia, Diogo Lopes de Sequeira, decretando que Mendonça teria o comando da frota para procurar a lendária ‘Ilha do Ouro’, que se acreditava estar «para lá da Ilha de Sumatra». A confirmação de Eanes como segundo no comando da exposição esclarece de uma penada um dos grandes enigmas dos mapas Vallard – a mistura enigmática de ortografia portuguesa e francesa em alguns dos nomes dos lugares costeiros. Até aqui, supunha-se que esta mistura havia sido obra do cartógrafo francês do mapa Vallard em Dieppe. Mas Eanes trouxe consigo uma reputação notável de especialista em navegação e cartografia, por isso restam poucas dúvidas de que Mendonça o teria nomeado cartógrafo da expedição. Assumindo que o domínio do português escrito por Eanes estaria longe de ser perfeito, a mistura de português e francês em alguns dos nomes no mapa tem agora uma explicação óbvia. O mapa Vallard que se parece com a Costa Oeste da Austrália, por exemplo, contém um total de 54 nomes de lugares, a grande maioria deles escrita em português. Porém, em oito localizações os nomes não estão escritos em português, mas em francês – por exemplo ‘Cap Vermeil’ (uma descrição precisa de Red Cliff, um marco na costa do Território Setentrional da Austrália), ‘Cap de Vert’, ‘Cap Double’ e ‘Gouffre S. Fransois’ (Exmouth Gulf, próximo do Trópico de Capricórnio). É quase como se Eanes tivesse assinado o mapa em francês uma e outra vez, apenas para mostrar que esteve ali. Eanes recebeu o comando do segundo navio da expedição à ‘Ilha do Ouro’, uma caravela chamada Rosayro. Os outros dois navios eram mais pequenos. Um deles, o Sant António, comandado por Francisco Pollees, aparece descrito como um bergantim, e o outro, capitaneado por Gonçalo Homem, é uma embarcação típica do Sul da Ásia conhecida por prau. Este pequeno navio aparece referido como propriedade pessoal de Homem, mas o registo acrescenta que foi especialmente adaptado a expensas do Rei de forma a poder participar na viagem. A grande viagem de descoberta de Mendonça durou dois anos. O mapa Vallard sugere que após da sua partida de Cochim a 4 de Maio de 1521 a frota navegou até ao Norte da Austrália, próximo da actual Darwin, antes de virar para sudoeste de forma a percorrer e cartografar toda a costa Oeste da ‘Ilha do Ouro’, atingindo o seu ponto mais meridional, o Cabo Leeuwin. A partir daí, aparentemente os navios fizeram-se ao mar, varrendo o Oceano Índico até chegarem a Sumatra. Um breve registo indica que o navio-almirante estava de volta a Malaca a 10 de Janeiro de 1522, para ser reparado e abastecer-se de provisões. Na segunda etapa da viagem, os navios parecem ter feito o mesmo trajecto da primeira viagem até à Austrália setentrional, antes de virarem a Leste através do Golfo de Carpentária e aí, com dificuldade, aberto caminho através do perigoso Estreito de Torres, semeado de recifes, para atingir a costa Leste da Austrália. A afirmação do historiador português de que as viagens nunca ocorreram e que, em vez disso, Mendonça, temendo o desconhecido, ordenou à sua frota que voltasse para trás quando atingiram os mares ao largo da Sumatra meridional, pode ser prontamente rebatida. Resumidamente, baseia-se na impossibilidade de Mendonça ter circum-navegado a Austrália e regressado a Malaca num curto espaço de tempo. Esta conclusão é perfeitamente legítima – o único problema é que nunca escrevi ou sequer sugeri remotamente que Mendonça teria circum-navegado a Austrália. Pelo contrário, o que escrevi deveria ser perfeitamente claro: a expedição de Mendonça (para descobrir a ‘Ilha do Ouro’, como ordenado por D. Manuel) explorou e cartografou as costas da Austrália em duas viagens distintas – a primeira descendo a costa Oeste em 1521, e só então, após ter feito uma paragem para reabastecimento em Malaca, ao longo de toda a costa Leste da Austrália e grande parte da Costa Sul em 1522-1523. Nesta viagem, acredito (com base nos convincentes indícios do mapa Vallard) que Mendonça também descobriu e cartografou a Ilha do Norte da Nova Zelândia antes de regressar a Malaca e à Índia. Dediquei capítulos separados a cada viagem. Por outro lado, parece irónico que tenha sido deixada ao cargo de um académico australiano a tarefa de avaliar o significado da prova-chave que pode ser encontrada nos mais de 100 nomes em língua portuguesa (incluindo nomes de santos católicos) que adornam as costas dos dois mapas Vallard que indiscutivelmente representam as costas da Austrália. Os nomes são reais, e descrevem lugares reais. Como foram ali parar? Seria expectável que um académico português tentasse avaliar o seu significado. Na realidade, foram totalmente ignorados. O Professor Molony, por outro lado, chegou a conclusões interessantes. Entre os Santos da Índia portuguesa que identificou no seu estudo da costa Leste do mapa Vallard, está Santa Catarina, cujo nome Mendonça atribuiu ao que hoje chamamos Rio Maroochy, na costa de Queensland, a Norte de Brisbane. Molony nota que a cidade muçulmana de Goa foi tomada por Afonso de Albuquerque no dia de Santa Catarina (25 de Novembro) de 1510. Albuquerque mandou edificar ali uma igreja dedicada àquela santa. Tornar-se-ia a catedral de Goa e, por essa via, Catarina tornou-se a padroeira da cidade. São Francisco, cujo nome (na sua versão francesa) foi dado ao Rio Fitzroy, no Trópico de Capricórnio, também tinha fortes ligações a Goa. O professor Molony recorda que os Franciscanos portugueses foram os primeiros a chegar a Goa com Albuquerque e que construíram uma igreja dedicada a São Francisco em 1517. Também nota que havia em Goa outra igreja dedicada pelos Franciscanos a Santo André (ainda hoje um destacado local de peregrinação), cujo nome aparece noutro rio mais a Sul. Por fim, mas não menos importante, aparece o nome aparentemente estranho de ‘Baía Neve’. Mas não tão estranho assim se pensarmos que há menos de 60 anos, antes de a mineração industrial de areia ter começado, as costas de Botany Bay estavam cobertas de altas dunas de areia branca, e que ‘neve’ era o termo usado no século XVI para areia branca. O documento recentemente descoberto que regista a constituição e a partida da expedição do Rei D. Manuel também nos ajuda a reconstituir a viagem de regresso do navio-almirante e a identificar pela primeira vez duas importantes ilhas do Pacífico que Mendonça evidentemente descobriu – ilhas que nunca antes haviam sido avistadas por europeus. Perdidas no Pacífico bem a Norte da Nova Zelândia o mapa Vallard representa duas ilhas bastante grandes com os nomes ‘Ila dos Tubaros’ e ‘Ila do Aljofar’. Até aqui, ninguém tinha conseguido identificá-las com algum grau de certeza. O problema tem duas vertentes: primeiro, a sua longitude é incerta porque os navegadores do século XVI não tinham meios para a determinar com rigor; em segundo lugar, porque havia a falsa crença de que a costa Norte da Austrália estava na continuação da costa Norte de Java. Mas agora Pedro Eanes o Francês pode vir em nosso auxílio. Os seus cálculos da latitude no mapa Vallard revelaram-se de uma exactidão extraordinária, como é testemunhado pelo facto de ele ter conseguido indicar o Trópico de Capricórnio na costa Leste da Austrália a uns escassos quilómetros da sua posição correcta – ligeiramente a Norte do estuário do Rio Fitzroy, a que o mapa Vallard chama ‘Rio S. Fransois’. A ortografia francesa parece um indício seguro da mão da Eanes. A ‘Ila dos Tubaros’ no mapa Vallard surge aproximadamente na mesma latitude que outro rio importante de Queenslad, cerca de mil km a Norte do Fitzroy, a que ele no mapa chama Rio Primero. Este equivale ao Rio Daintree. Se seguirmos a linha da latitude para Leste a partir do Daintree o que encontramos? A resposta é que há apenas uma grande ilha no Pacífico próxima desta latitude – a ilha principal das Fiji, Viti Levu. E a costa Oeste de Viti Levu tem uma semelhança inegável com a costa Oeste da ‘Ila dos Tubaros’, com a grande baía de Nandy em destaque. As águas ao largo das Fiji abundam em tubarões. Por isso podemos concluir razoavelmente que o percurso de Mendonça a partir da Nova Zelândia (em relação à qual as Fiji se situam mais ou menos a Norte) o levou a avistar a costa Oeste de Viti Levu. Mas ele certamente não se demoraria a explorar a costa Leste desta ilha desconhecida, pelo que o recorte desajustado da costa Leste deve ser quase de certeza uma tentativa fantasiosa do cartógrafo de Dieppe de preencher o vazio. E quanto à outra grande ilha do Pacífico, a Noroeste, a ‘Ila do Aljofar’? Num mapa moderno, a posição desta ilha em relação às Fiji corresponde a Vanuatu, o grande grupo de ilhas da Melanésia. Mas a qual ilha do arquipélago? No mapa Vallard, esta pequena ilha recebeu o intrigante nome de Illa Carma. Os mapas habituais de Vanuatu não são grande ajuda. Nenhum deles mostra uma grande ilha com outra ilha próxima que corresponda a esta descrição. É só quando se olha para uma mapa satélite de grande escala que a verdade emerge. A ilha representada no mapa do século XVI é sem dúvida a ilha principal de Efate – onde se situa a capital de Vanuatu, Honiara – pois ao largo da costa noroeste de Efate há de facto uma longa e estreita cadeia de ilhas. Parece ser um ancoradouro ideal, abrigado dos ventos de oeste predominantes. E de facto foi usado como tal pela Marinha norte-americana durante a II Guerra Mundial. Terá sido aqui, a sotavento da Illa Carma, que o São Cristóvão de Mendonça ancorou. E o mais notável é que o nome inglês para esta ilha abrigada é ‘Tranquility Island (ilha da tranquilidade) – ou seja, traduzido é quase idêntico ao que Mendonça lhe atribuiu há quase 500 anos! Como adquiriu o nome actual parece ter-se perdido na neblina do tempo. Se há alguma ligação a qualquer visita de um navio português, desconhecemos: provavelmente será pura coincidência. Em relação ao nome atribuído à ilha principal, ‘Ila do Aljofar’, sugere que durante a sua paragem Mendonça e os seus navios se permitiram negociar em pérolas negras do Pacífico, que ainda hoje se encontram à venda em Honiara. Não sabemos se por esta altura o navio-almirante se encontrava sozinho ou na companhia de outro navio mais pequeno. O regresso de Mendonça à Índia ainda nesse ano parece ter sido rodeado de secretismo. Os registos oficiais nada nos dizem. A única coisa que sabemos com certeza é que ele regressou a tempo de comandar a nau Vitória na sua viagem de regresso a Portugal no início de 1524. A viagem épica de Mendonça não merece ser subvalorizada. A sua descoberta e mapeamento da Austrália e Nova Zelândia, ocorrida uns meros 30 anos depois de Cristóvão Colombo ter chegado às Américas, foi um feito notável do qual Portugal se deve justamente orgulhar. 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 18 Maio 2019 Germany to return Diogo Cao Portuguese Stone Cross (1486) to Namibia Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 19 Maio 2019 https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução_Espanhola pq q não aprendemos sobre isto na escola? Compartilhar este post Link para o post
Augusto Publicado 19 Maio 2019 Citação de Plagio o Original, há 8 minutos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução_Espanhola pq q não aprendemos sobre isto na escola? A questão é mais porque não aprendeste sobre isso na escola. Inscreve-te no 12º ano em setembro e eu ensino-te Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 19 Maio 2019 Citação de Augusto, há 2 minutos: A questão é mais porque não aprendeste sobre isso na escola. Inscreve-te no 12º ano em setembro e eu ensino-te só tive historia b 😞 Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 23 Maio 2019 Assinala-se hoje a efeméride da assinatura da bula Manifestis Probatum, a qual reconhecia Portugal como reino independente. A página do Canal de História resolveu fazer uma publicação a assinalar a data. A quantidade de palermas a clamar que a verdadeira independência de Portugal ocorreu em 1128 é de bradar aos céus. Curiosamente, são quase todos de Guimarães. Compartilhar este post Link para o post
Augusto Publicado 23 Maio 2019 Citação de Black Hawk, há 1 hora: Assinala-se hoje a efeméride da assinatura da bula Manifestis Probatum, a qual reconhecia Portugal como reino independente. A página do Canal de História resolveu fazer uma publicação a assinalar a data. A quantidade de palermas a clamar que a verdadeira independência de Portugal ocorreu em 1128 é de bradar aos céus. Curiosamente, são quase todos de Guimarães. É melhor do que discutir onde é que o Senhor nasceu. :senhorverde: 1 Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 24 Maio 2019 (editado) Se alguém quiser compreender melhor os problemas que um historiador passa ao ler fontes antigas, atentem neste exemplo. Estou a ler as crónicas dos reis D. Pedro e D. Fernando, de Fernão Lopes, na escrita original. Durante as crónicas surge muitas vezes referido um grande cavaleiro bretão chamado Beltram de Claquim, envolvido principalmente na guerra civil castelhana. Opa, virei fontes, livros, no desespero até andei a pesquisar páginas e páginas seguidas no Google para tentar descobrir quem raio foi este Beltram de Claquim, que por qualquer motivo tem tanta importância para Fernão Lopes, mas não aparece em mais lado nenhum e não é mencionado por mais ninguém. Há momentos, estava distraído a pensar noutra passagem das crónicas e tive a súbita noção de quem ele é: Bertrand du Guesclin, Condestável de França e um dos maiores cavaleiros da época medieval. O Fernão Lopes, ao escrever as Crónicas, meteu o nome como lhe soava ao ser pronunciado. p*ta que pariu, como é que não percebo isto mais cedo. Andei literalmente semanas a soltar pragas por não encontrar informações sobre o homem e afinal era apenas uma das figuras históricas mais relevantes da Guerra dos Cem Anos. O Fernão Lopes deve estar algures, neste momento, a rir a bandeiras despregadas à minha custa. Fds. Editado 24 Maio 2019 por Black Hawk 9 Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 25 Maio 2019 Eu tenho estado a ler "De Bello Gallico", do Julius Caesar, e deparo-me com isto: Citação "XXVI.—There is an ox of the shape of a stag, between whose ears a horn rises from the middle of the forehead, higher and straighter than those horns which are known to us. From the top of this, branches, like palms; stretch out a considerable distance. The shape of the female and of the male is the same; the appearance and the size of the horns is the same. XXVII.—There are also [animals] which are called elks. The shape of these, and the varied colour of their skins, is much like roes, but in size they surpass them a little and are destitute of horns, and have legs without joints and ligatures; nor do they lie down for the purpose of rest, nor, if they have been thrown down by any accident, can they raise or lift themselves up. Trees serve as beds to them; they lean themselves against them, and thus reclining only slightly, they take their rest; when the huntsmen have discovered from the footsteps of these animals whither they are accustomed to betake themselves, they either undermine all the trees at the roots, or cut into them so far that the upper part of the trees may appear to be left standing. When they have leant upon them, according to their habit, they knock down by their weight the unsupported trees, and fall down themselves along with them." Compartilhar este post Link para o post
Jimpo Publicado 26 Maio 2019 Queria ter acesso a este texto. É possível pagar só pelo texto sem ficar assinante? https://www.publico.pt/2019/05/26/mundo/noticia/proporcionalmente-portugueses-resistir-nazis-franca-franceses-1873894?fbclid=IwAR3e8t1xggWO1nkUaX-7qrtG7A2GNVif-aCJNw3zeyb0nG-9y3qdB3aHu-A Compartilhar este post Link para o post
Cristiano_Ronaldo Publicado 26 Maio 2019 Citação de bmfpcdm, há 23 horas: Eu tenho estado a ler "De Bello Gallico", do Julius Caesar, e deparo-me com isto: e quê? Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 26 Maio 2019 Citação de Cristiano_Ronaldo, há 2 horas: e quê? Numa obra daquelas não esperava deparar-me com descrições fantasiosas da fauna da dita Floresta Hercínia. Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 13 Junho 2019 @Black Hawk, a obra do Joaquim Veríssimo Serrão sobre a História de Portugal vale a pena ou há melhor? Queria adicionar à minha biblioteca uma obra completa sobre a História de Portugal, mas neste caso estamos ainda a falar de 18 volumes, é um bocado. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 13 Junho 2019 (editado) Citação de Peplin, há 20 minutos: @Black Hawk, a obra do Joaquim Veríssimo Serrão sobre a História de Portugal vale a pena ou há melhor? Queria adicionar à minha biblioteca uma obra completa sobre a História de Portugal, mas neste caso estamos ainda a falar de 18 volumes, é um bocado. A obra é muito boa. Há é que ter em conta que é uma obra com perto de 40 anos, pelo que haverá lá coisas que, não estando incorrectas, já terão sido entretanto analisadas por outros prismas e haverá outras interpretações sobre esses temas. O que não é propriamente uma crítica à obra, porque nisto da história surgem todos os anos novas interpretações para temas que se julgavam já consolidados e eram aceites pela comunidade histórica. A obra não tem erros sobre os factos, pode é ter interpretações que na altura eram aceites que hoje podem ser disputados à luz de novas interpretações que surgiram. No entanto, se procuras uma coletânea com um resumo alargado da História de Portugal, sim, é provavelmente do melhor que anda por aí. Editado 13 Junho 2019 por Black Hawk Compartilhar este post Link para o post