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Donnie

[Núcleo] Selecção Nacional

Publicações recomendadas

Citação de DS7, há 5 minutos:

O jogo vai passar na RTP certo?

epá...o jogo vai ser às 6.30 da matina XDXD

Se queres acordar de propósito para isso, força, mas fica ciente 

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Citação de IlidioMA, há 9 minutos:

epá...o jogo vai ser às 6.30 da matina XDXD

Se queres acordar de propósito para isso, força, mas fica ciente 

Eu amanhã não trabalho, sou gajo pra fazer isso 😂

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Citação de DS7, há 11 minutos:

Eu amanhã não trabalho, sou gajo pra fazer isso 😂

f*da-se que heroi XDXD

Epá, quando estiver a tomar o pequeno almoço (ou melhor, being self forced fed o pequeno almoço) posso espreitar 15 minutos, mas acordar mais cedo de propósito é de campeão.

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Citação de DS7, há 4 horas:

Porra era lindo, já acompanho Mundiais femininos desde 2007 e nunca imaginei ver Portugal num torneio desses. O jogo vai passar na RTP certo?

Sim dá na RTP. 

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É certo que vou tentar espreitar o jogo antes de sair de manhã...

Quanto ao 11 titular da seleção portuguesa ... podia ser: Inês Pereira;Catarina Amado,Carole Costa,Ana Seiça/Diana Gomes,Lúcia Alves/Ana Borges;Dolores Silva (ou Fátima Pinto),Tatiana Pinto;Andreia Norton,Kika Nazareth,Jéssica Silva e Diana Silva...Sendo realista não acredito que jogue a Ana Seiça,nem a Lúcia Alves a e a Dolores Silva deverá ser a capitã.A questão da Ana Borges é que na sua posição de origem a extrema é muito mais temível e decisiva,mas na seleção joga a lateral a fazer toda a ala esquerda.

Arescentava antes que apesar do jogo contra a Nova Zelândia (de preparação para este que é decisivo) nos ter corrido bastante bem e foi uma goleada de mão cheia, jogámos num sistema táctico diferente (4-3-3) e Francisco Neto enquanto seleccionador tem falado nas características que o losango (que começou a adoptar e adaptar) que é utilizado na frente beneficia o jogo das jogadoras ,e, na fluidez e "imprevisibilidade" do jogo da equipa neste sistema...

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Entramos bastante bem, marcamos e ficaram todas extremamente nervosas. Tivemos as melhores chances mas há que ter cabeça.

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A saída da Andreia e da Kika mataram a equipa. Parece-me wue principalmente a Andreia fez muita falta no meio-campo

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Citação de Maffu, há 6 minutos:

A saída da Andreia e da Kika mataram a equipa. Parece-me wue principalmente a Andreia fez muita falta no meio-campo

We won!

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Muito bom, a evolução ao longo dos anos tem sido notória, e esta qualificação é de facto a cereja no topo do bolo.

Ainda estamos relativamente longe do top mundial, mas será uma questão de tempo até nos batermos de igual para igual.

  • Concordo! 1

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O grupo no Mundial vai ser EUA, Vietnam e Holanda. Dando de barato o Vietname, o desafio vai ser a Holanda. No ultimo Euro o melhor jogo que fizemos foi contra a Holanda. Dominámos o meio campo. Mas o problema foi a vertente física cá atrás. Aquelas tipas são simplesmente muito mais altas e fortes. Vamos ver como vai ser este desafio.

Mas é um feito notável. O que esta modalidade cresceu nos últimos 5 anos é assombroso. 

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Devíamos tentar, se possível, naturalizar uma das GR estrangeiras em Portugal, para termos hipóteses de passar a fase de grupos.

Meter as nossas centrais a puxar ferro, também não era mal pensado.

De resto, do meio campo para a frente, temos muita qualidade capaz de incomodar qualquer seleção do mundo.

Estou muito feliz por esta conquista.

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Citação de Gilberto Carlos, há 29 minutos:

Meter as nossas centrais a puxar ferro, também não era mal pensado.

depois não podem com o cu e ficam com a mobilidade de um barril.

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Ainda estou com as lágrimas nos olhos. Que emoção logo ao inicio da manhã, feito fantástico das nossas mulheres! É o culminar de uma longa caminhada, onde a evolução foi notória de ano para ano e hoje teve o expoente máximo. Merecem pela dedicação e competência que têm vindo a demonstrar, não só elas mas as gerações anteriores que passaram as "passas do algarve" como se costuma dizer. Tanto se bate na FPF, mas neste capitulo tem feito um trabalho fabuloso juntamente com os clubes. O futuro só pode ser risonho, agora é aumentar o número de clubes a competir com capacidade de investir, conseguir que a primeira divisão seja toda com jogadoras profissionais e claro aumentar ainda mais o número de praticantes. 

Mas estamos no Mundial minha gente, é desfrutar e ter mais um verão fantástico desta vez a apoiar as nossas 💪

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Citação de Fajo, há 23 minutos:

Ainda estou com as lágrimas nos olhos. Que emoção logo ao inicio da manhã, feito fantástico das nossas mulheres! É o culminar de uma longa caminhada, onde a evolução foi notória de ano para ano e hoje teve o expoente máximo. Merecem pela dedicação e competência que têm vindo a demonstrar, não só elas mas as gerações anteriores que passaram as "passas do algarve" como se costuma dizer. Tanto se bate na FPF, mas neste capitulo tem feito um trabalho fabuloso juntamente com os clubes. O futuro só pode ser risonho, agora é aumentar o número de clubes a competir com capacidade de investir, conseguir que a primeira divisão seja toda com jogadoras profissionais e claro aumentar ainda mais o número de praticantes. 

Mas estamos no Mundial minha gente, é desfrutar e ter mais um verão fantástico desta vez a apoiar as nossas 💪

Gosto e concordo!

Editado por Santiago Cologiare
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A Andreia Norton andava na mesma escola que eu, e diria que era a melhor futebolista da escola a nível técnico entre todos os sexos, era uma cena impressionante para mim. Nunca vi um nível de diferença de talento tão significativo entre ela e a concorrência (quando faziam uns jogos no desporto escolar), sem se esforçar dominava o jogo todo.

Não ligo muito ao futebol feminino mas fui acompanhando a carreira dela, aquilo que já conquistou é fenomenal. Fico feliz por ela e pelas suas colegas.

Editado por Shai

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Citação de Hawkeye, há 3 horas:

“Treinávamos e jogávamos em pelado. Era muito amor ao futebol”: uma viagem até ao apuramento para o Mundial feminino de 1999

Extinta entre 1983 e 1993, a seleção portuguesa disputou a qualificação para o Campeonato do Mundo de 1999 contra Dinamarca, Rússia e Bélgica. Carla Couto, Edite Fernandes, Paula Cristina e Anabela Silva recordam à Tribuna Expresso aquela caminhada com tiros de metralhadora e gatos que desapareciam ao barulho, e confessam também as agruras e as esperanças de uma geração que teve de “partir pedra". Na véspera do Portugal-Camarões, que poderá colocar as portuguesas num Mundial pela primeira vez, estas ex-futebolistas explicam como era o futebol feminino no fim do século XX

Depois dos golos de Carole Costa e Glódís Viggósdóttir, no play-off final, os quase 5600 espectadores tiveram de roer as unhas mais um bocadinho naquela fresca terça-feira de outubro, no Estádio Capital do Móvel. Os golpes certeiros de Diana Silva, Tatiana Pinto e Kika Nazareth inauguraram imediatamente o final feliz daquele Portugal-Islândia e autorizaram o sonho maior.

“Fizemos um jogo do outro mundo, que eu não via sequer a seleção masculina fazer”, celebra, tanto tempo depois, Paula Cristina, uma ex-futebolista com 102 internacionalizações. “Estive na bancada com algumas colegas, estavam também a Carla Couto e a Alfredina [Silva], que é mais antiga. As lágrimas vieram-nos aos olhos com a emoção. Não interessa se sou eu, a Maria, a Carla, a Dolores ou a Kika Nazareth, o importante é que é Portugal.” A seleção portuguesa de futebol feminino disputa na próxima madrugada o derradeiro jogo que poderá significar a presença no Campeonato do Mundo, a primeira da história.

Por isso mesmo, a Tribuna Expresso puxou a fita atrás e tentou perceber que mundo era aquele em que Paula Cristina e outras jogadoras tentaram fazer exatamente o mesmo que Jéssica Silva, Tatiana Pinto e companhia tentam agora. A qualificação para o Mundial de 1999 foi a primeira com um formato condizente com os nossos dias. Para o Campeonato do Mundo de 1995 as seleções apuradas dependiam da prestação no Campeonato da Europa (na fase prematura do torneio Portugal só ganhou à Escócia). Antes, no primeiro dos primeiros Mundiais, em 1991, a seleção portuguesa nem existia, pois foi extinta entre 1983 e 1993. Nesse interregno que parece eterno perdeu-se tempo, talento e sonhos.

As histórias contadas a este jornal remetem-nos para outra dimensão e, convém sublinhar, transpiram zero ressentimento ou um puxar dos galões, pois a intenção deste texto e das perguntas era realmente demonstrar o fosso entre 1997/1998 e 2023.

Torna-se quase irresistível abraçar ternamente o passado para descobrir outros sabores e outras camadas no que vem aí, no Portugal-Camarões de quarta-feira (6h30, RTP). Pelados, viagens atribuladas, treinos a acabar às 23 horas e empregos que se perderam por amor à modalidade. Houve também quem tenha recusado convocatórias daquela que era a maior honra para uma jogadora para não correr riscos, por medos e temores a perder o trabalho com que pagava contas. O futebol estava mal visto. Meninas a treinar com meninas desde pequenas? Utopia. Nas concentrações não havia consolas, pois claro, jogava-se à sueca e ao sobe e desce e, com sorte, via-se algum filme que viajava no computador de alguém da comitiva. Profissionalização? Proteção contratual? Maternidade? Excelente guião para uma obra de ficção científica.

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Hoje com 47 anos e oito títulos de campeã nacional na bagageira da lembrança, Paula Cristina admite que era importante a diferença de nível para rivais como a Dinamarca, a cabeça de série do Grupo 4. A esperança espreguiçava-se nos jogos contra Rússia e Bélgica, que tinham um futebol mais ou menos parecido com o das portuguesas, explica. Nessa fase a futebolista ainda jogava pouco tempo, era avançada e tinha nada mais nada menos do que Carla Couto como concorrência “muito pesada”. O sonho comandava as botas em cada entrada em campo, mas as portuguesas, orientadas por Graça Simões, ficariam pelo caminho.

Anabela Silva, ou “Bé” (alcunha que ganhou quando chegou ao Boavista com 14 anos), lembra-se dos resultados e do andamento da coisa. A sua memória é admirável. “Éramos atletas que faziam três treinos por semana, treinávamos e jogávamos em pelado. Era tudo diferente”, sinaliza a portuense que também fez quase 80 jogos pela seleção. Na altura, Anabela Silva trabalhava em contabilidade, mas antes já havia sido despedida por causa do futebol. “Todas as atletas, tirando as que eram professoras de Educação Física e trabalhavam para o Estado, tinham dificuldade em ir para estágio porque a entidade patronal não facilitava”, conta a ex-jogadora, de 52 anos. Esta empresária na área do Turismo chegou a viajar na véspera de uma partida apenas para jogar, outras jogavam com as folgas e férias que podiam gozar. “Treinávamos [nos clubes] até às 22h30, no pelado, com bolas de pelado e depois era relva [nesses jogos internacionais], em que tínhamos dois dias para nos adaptarmos. Todas as equipas estavam muito mais preparadas do que nós.”

A explicação para tanto ombro a ombro com a adversidade é simples. “Valia muito a pena”, diz Bé. “Era muito amor ao futebol. Costumo dizer que não era amor à camisola, era amor ao futebol. Joguei em mais do que uma equipa e por futebol deixei de fazer tudo.”

A caminhada para o Mundial 1999 começou com uma goleada sofrida na Dinamarca. Seguiu-se uma derrota caseira com a Rússia e, depois, os sorrisos nos dois jogos contra a Bélgica. Edite Fernandes estreou-se pela seleção contra as belgas, em casa. “Foi um jogo muito bem divulgado”, revela a ex-jogadora que disputaria mais de 130 jogos pela seleção. “Estavam a assistir umas 1000 e poucas pessoas, estava ali uma coisa bem constituída. Recordo-me por ser o primeiro”, confessa. A jogadora, descoberta pela selecionadora Graça Simões num Boavista-Lobão (entrou a 13 minutos do fim, fez dois golos, virou o marcador e resolveu o título nacional), trabalhou na Expo 98 e pela capital ficou, dando continuidade ao futebol no 1.º Dezembro, em Sintra, enquanto trabalhava na restauração.

Carla Couto, uma ameaçadora 9, não se lembra do 1-0 que meteu à Bélgica. Foram muitos, não é? Do outro lado da linha veio a mansa gargalhada. “Mas sei que era um objetivo e um sonho que gostávamos de ter alcançado”, menciona em alusão ao apuramento para o Mundial 1999, nos Estados Unidos. “As diferenças entre as seleções eram muito mais acentuadas. Jogávamos contra jogadoras profissionais, nós éramos completamente amadoras. Outros tempos, outras realidades”, suspira com as palavras. Se o golo à Bélgica se varreu da memória, a profissão de então talvez não. “Em 1997 e 1998 creio que era vendedora de pilhas. Já fiz tanta coisa…”

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Após as vitórias contra as belgas, a esperança aterrou na alma das jogadoras da seleção nacional. A ida à Rússia era então decisiva, mas foi um desastre logístico com um desfecho desolador. Edite Fernandes e Paula Cristina usam a mesma palavra para descrever a aventura: “Caricata”. A cidade onde iam jogar e pernoitar era a três horas de Moscovo: “De dia era hotel, à noite era bordel”, recorda Carla Couto. “Era um lugar meio creepy, de guerra, sujo. Houve ali algumas peripécias”, admite Fernandes, hoje com 43 anos. “Ouvimos tiros de metralhadora lá fora e fechámos a janela com medo.”

As jogadoras estavam distribuídas por alguns quartos em pisos diferentes. “Para nos deslocarmos foi um bocadinho assustador porque havia uma senhora que ficava em cada um dos andares”, lembra Paula Cristina, descrevendo uma mulher gigante aos gritos, o que levou duas companheiras suas de equipa a desatar a correr pelas escadas, também elas numa berraria.

A alimentação foi outro problema. A gastronomia local não caiu bem em algumas futebolistas, por isso os enlatados levados de Portugal salvaram alguns estômagos roncadores. A selecionadora chegou a vigiar quem comia o quê, insistindo para que se alimentassem. Para comprovar o delírio em que estavam metidas, Paula Cristina menciona que havia sempre muitos gatos no meio delas e que, à medida que as alimentações eram servidas naqueles dias, estes iam desaparecendo. “'O que estamos aqui a comer!?’: foi um bocadinho a nossa imaginação”, concede entre risos. Conclusão: o jogo, disputado numa zona industrial com muito fumo à volta, terminou com derrota, por 2-0, e facada no sonho de participar no Campeonato do Mundo, cuja apuramento foi fechado com uma pesada derrota contra as dinamarquesas. De regresso à capital para descansar antes do voo, o conceito de hotel-bordel manteve-se: “A única diferença era que as p… eram mais finas porque estávamos em Moscovo”, conta uma das entrevistas.

À distância, as palavras de Carla Couto, com 11 títulos nacionais no currículo e uma passagem pela Lazio, soam como um encolher de ombros digno e honesto, de quem fez tudo e tentou realmente. “Na altura estávamos a começar. O futebol feminino não era assim tão bem visto, não tinha tantos apoios como agora. Não tinha mediatismo, nem condições para a prática como temos agora. Foram outros tempos, que tinham de ser vividos para que hoje esta geração possa usufruir desta realidade. Também é fruto de toda a dedicação de gerações passadas, como a minha e a antes da minha, de que ninguém fala”, reflete.

E continua: “Olhavam a modalidade como sendo apenas para homens. Tivemos de ultrapassar estigmas e preconceitos. Hoje vivemos uma realidade em que se discute prémios e ordenados com base na igualdade de género. Houve uma grande mudança e ainda bem que assim é. De uma vez por todas, é a aceitação da mulher no futebol e a fazer aquilo que gosta”. Resumindo, as meninas que hoje dão uns toques na bola podem aspirar a algo, seja uma carreira profissional, seja um mero espaço para se sentirem felizes. “A mentalidade dos pais também mudou”, valoriza Couto.

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Também Paula Cristina, uma mulher encantada pela maneira de estar no futebol de Kika, chocou com alguns desses grãos de cinismo da sociedade de então. “Tive professores na faculdade que me disseram: ‘Tens de decidir, ou queres ser professora de Educação Física, ou queres ser jogadora de futebol’. É ridículo quando eu estava a tirar o curso de Desporto”, conta, lamentando ainda que alguns clubes de hoje se comportem como antigamente, com “treinos até às 23 horas e sem condições”. Esta ex-média (deixou de ser avançada a certa altura) tem “vibrado imenso” com as jogadoras dos nossos dias. “Muitas delas foram minhas colegas enquanto eu era capitã da seleção. As mais velhas foram miúdas que começaram connosco. Fico muito feliz por elas”, desabafa, explicando que a “qualidade de hoje” – as atletas – teve mais oportunidades do que a qualidade de tempos idos. “Tínhamos jogadoras que meu deus…”

Agora, apesar de uma liga com tanta disparidade de condições entre os clubes, sonha-se com os olhos abertos. Edite Fernandes, capitã durante oito anos até decidir deixar a seleção, também jogou com algumas destas jogadoras que estão a 90 minutos de algo inédito. “Vejo tudo com muito orgulho. Apesar de elas serem a geração que está a conquistar isto, houve um trabalho muito árduo de outras gerações para trás que abriram caminhos para estas jogadoras chegarem onde chegaram”, vai explicando. “Sinto-me parte integrante desse trajeto, até porque deixei a seleção há pouco mais de quatro ou cinco anos. Conheço as jogadoras desde tenra idade. A Dolores [Silva] começou a jogar comigo com 15 ou 16 aninhos, vejam onde chegou. A Ana Borges… São jogadoras com extrema importância. Todas têm importância, vieram acrescentar um grãozinho ao que tem acontecido.”

Carla Couto, que aproveita esta conversa para dar às jogadoras da seleção nacional “uma palavra de boa sorte”, sublinha que a relevância de um apuramento nunca será só de natureza futebolística, pois dará peso a outras lutas. “É um passo muito importante para nós”, sentencia a embaixadora do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol para o futebol feminino.

Escutando futebolistas como Anabela Silva, que chegaram a conduzir 50 quilómetros para cada treino a horas pouco amigas e encaixaram um então quase desavindo futebol no puzzle da sua vida, percebe-se a dimensão do feito que estamos prestes a testemunhar. Mesmo que já não goste tanto de futebol como antes, vê a seleção quando pode. Sente-se parte da história. Afinal, pertence a uma geração que “partiu pedra”.

“O apuramento vai dar força e visibilidade ao futebol feminino, é preciso que as pessoas vejam. Muita gente acha que elas não jogam nada”, garante Bé. “Se formos ao Mundial, para além do prestígio, as pessoas vão ver que o futebol feminino é bom. É um futebol com menos faltas, com mais tempo útil de jogo, não há ronha para perder tempo. Jogam por jogar, é diferente. Ainda há a paixão do futebol, de querer marcar golos.”

Ou seja, ainda está perto do que mais belo e puro há no amadorismo? “Sim!"

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