Ir para conteúdo
What

Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Inkie, há 1 hora:

Os manuais escolares não são dados aos alunos, são emprestados e têm de ser devolvidos ou pagos ao estabelecimento de ensino do estudante, caso queira ficar com eles. O investimento do estado nos manuais escolares vai obviamente para as instituições de ensino públicas, que depois têm o dever de distribuir os manuais pelos alunos matriculados.

A pergunta não devia ser "porque é que o estado não dá manuais ao privado", mas sim porque é que as instituições privadas não têm um banco de manuais escolares para fornecer aos alunos, à semelhança do que fazem as públicas.

Se há algo que, a meu ver, não se pode criticar na nossa governação na última década é a facilitação que existe no acesso à educação. Lembro-me bem dos meus pais não terem possibilidade de comprar todos os manuais e ter de ficar um/dois meses a ver se conseguia arranjar fotocópias de certas páginas para estudar/fazer tpcs. O sistema atual funciona de forma impecável e é exemplar, a meu ver.

 

A única alteração que deveria ser feita era os manuais serem únicos e editados por uma entidade independente. Quando fosse necessária actualização de um outro manual fazia-se uma nova edição. 

O actual sistema continua a dar de mamar às editoras que é uma coisa maluca. 

Editado por challenger

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Black Hawk, há 36 minutos:

Não quero entrar numa dog fight contigo, não é esse o intuito de nenhum dos posts feito. O que referi, de forma clara, é que podias ter dado o exemplo dos 2000 euros logo de início, mas não deste; deste o de 1200 euros, e assumo que por ter sido um valor que entendeste ser já relevante para sustentar o teu argumento.

O facto de teres avançado esse valor, e não outro mais elevado, leva-me a pensar que estás desfasado da realidade do país. O que não tem nada de mal, do que vais partilhando por cá dá para perceber que tens um bom nível de vida e que a fazes no estrangeiro, logo podes não estar a acompanhar a situação de cá. É natural se assim for, e foi isso que referi no primeiro post: que "perdeste completamente a noção da realidade do que se passa em Portugal".

É que ao dares valores errados como base para o teu argumento, todo ele é assente numa prerrogativa errada. O que te procurei explicar é que famílias no patamar de vencimento que referiste já não têm folga orçamental para andar a pensar sequer em gastos supérfluos.

E claro que dou o exemplo da Amadora. Esta discussão baseia-se no arquétipo da família média (ou mediana, sei lá, mas dá para entender aonde quero chegar) com esse nível de vencimentos que referiste, que naturalmente é o que se encontra na sua maioria nos grandes centros urbanos. A não ser que penses mesmo que é uma cidade na fronteira com 15 mil habitantes a que representa o melhor exemplo do custo de vida médio de 10 milhões de portugueses. Ou então que será exequível ir morar para Elvas e ir todos os dias a Lisboa.

Quanto à discussão sobre as escolas privadas, não entro até por não ter conhecimento de monta sobre o tema. Mas digo-te uma coisa: pode-se discutir na boa a lógica de se atribuir benefícios a quem tem filhos a estudar em boas escolas privadas, e em termos de retórica até dará para o justificar perfeitamente; mas boa sorte a explicar às tais famílias de 1200 euros que têm de fazer sacrifícios para conseguir pagar as rendas da Amadora (ou de Loures, da Malveira, da Amora, de Coimbra ou do Porto), que têm os filhotes a estudar em escolas com janelas partidas, luzes fundidas que não são trocadas há anos, mesas que ainda têm gatafunhos de 2003 a dizer "João loves Joana", refeições deficientes, falta de funcionários e professores esgotados e mal pagos, boa sorte a explicar-lhes que o Estado vai atribuir fundos de apoio a famílias que têm os filhos a estudar em escolas privadas com boas condições, bons professores, explicações privadas e actividades extra curriculares integradas.

Pois mas como ja te disse 1200 foi basicamente o primeiro numero que me veio a cabeca (podia ter sido outro e se calhar podia ter pensado melhor mas foi esse que calhou). La por estar fora nao quer dizer que nao venha a Portugal todos os meses e saiba bem o que se passa, mas se queres mesmo os numeros certos, a familia media em Portugal tem um rendimento liquido de 1652 Euros e paga 860 de renda (numa media que é um T2).

O argumento baseado num exemplo como algo pode ser injusto nao necessita de ter dados como o rendimento correctos porque qualquer rendimento que la ponhas vai dar o mesmo resultado pratico.

O exemplo de Elvas que percebeste muito bem é apenas para exemplificar como estas discussoes sao, existe sempre algum cromo a dizer, "mas eu que moro em Elvas e pago 100 Euros de aluguer" ou "eu que moro no Chiado e pago 3000"

Quanto ao bold deste exactamente o exemplo tipico do politica portuguesa, nao se vai fazer uma coisa que ate resulta noutros paises e pode melhorar o ensino portugues na sua globalidade, para nao ofender uma certa classe profissional...esta visto porque o pais nao anda para a frente.

Em relacao ao que disseste ainda e sei bem disso por razoes familiares e por conhecer varios tipos de ensinos:

Os professores nao sao mal pagos, os professores em inicio de carreira sao mal pagos

Os professores nao trabalham a mais, os professores em inicio de carreira trabalham a mais

Mas la esta isso sao outros 500...ha mais interesse em manter uns dinossauros contentes do quem em entendem como é possivel que custe mais um aluno em Portugal ao estado do que num pais onde o custo de vida e rendimentos sao 3x mais altos...

 

 

Citação de Gorki, há 8 minutos:

Devia ser o estado a imprimir e a editar os manuais. Tem recursos para isso. O governo é que não quer tirar a mama às editoras (que até ganharam com isto) 

Isto por exemplo era uma boa medida, mesmos manuais por 5 anos (por exemplo) tanto no privado como no publico

Editado por Burkina2008

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 1 hora:

Em relacao ao que disseste ainda e sei bem disso por razoes familiares e por conhecer varios tipos de ensinos:

Os professores nao sao mal pagos, os professores em inicio de carreira sao mal pagos

As carreiras estão congeladas há mais de 10 anos. O que faz com que um professor com 40 anos ainda esteja em início de carreira...

Mas esse é também outro problema. As condições de vida de um tipo com 40 anos hoje são incrivelmente piores do que as condições do mesmo tipo que tinha 40 anos há uns 15 ou 20 anos. 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 2 horas:

 

 

 

Isto por exemplo era uma boa medida, mesmos manuais por 5 anos (por exemplo) tanto no privado como no publico

Pelo menos no público já é assim, 5 anos

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 2 horas:

Pois mas como ja te disse 1200 foi basicamente o primeiro numero que me veio a cabeca (podia ter sido outro e se calhar podia ter pensado melhor mas foi esse que calhou). La por estar fora nao quer dizer que nao venha a Portugal todos os meses e saiba bem o que se passa, mas se queres mesmo os numeros certos, a familia media em Portugal tem um rendimento liquido de 1652 Euros e paga 860 de renda (numa media que é um T2).

O argumento baseado num exemplo como algo pode ser injusto nao necessita de ter dados como o rendimento correctos porque qualquer rendimento que la ponhas vai dar o mesmo resultado pratico.

O exemplo de Elvas que percebeste muito bem é apenas para exemplificar como estas discussoes sao, existe sempre algum cromo a dizer, "mas eu que moro em Elvas e pago 100 Euros de aluguer" ou "eu que moro no Chiado e pago 3000"

Quanto ao bold deste exactamente o exemplo tipico do politica portuguesa, nao se vai fazer uma coisa que ate resulta noutros paises e pode melhorar o ensino portugues na sua globalidade, para nao ofender uma certa classe profissional...esta visto porque o pais nao anda para a frente.

Em relacao ao que disseste ainda e sei bem disso por razoes familiares e por conhecer varios tipos de ensinos:

Os professores nao sao mal pagos, os professores em inicio de carreira sao mal pagos

Os professores nao trabalham a mais, os professores em inicio de carreira trabalham a mais

Mas la esta isso sao outros 500...ha mais interesse em manter uns dinossauros contentes do quem em entendem como é possivel que custe mais um aluno em Portugal ao estado do que num pais onde o custo de vida e rendimentos sao 3x mais altos...

 

 

Isto por exemplo era uma boa medida, mesmos manuais por 5 anos (por exemplo) tanto no privado como no publico

Sobre a primeira parte da discussão, que não vai chegar a lado algum porque já ambos apresentámos os argumentos respetivos, só quero realçar que sobre o argumento inicial que apresentaste (o da má gestão da hipotética família que criaste para efeitos de argumentação) continuo a achar errado partir de um outlier para definir um problema que até é bem mais profundo.

Ou seja, pegaste num exemplo de uma hipotética má gestão do orçamento familiar para justificar a dificuldade das famílias portuguesas quando, por esta altura, as famílias portuguesas mesmo afastando gastos supérfluos estão objectivamente a ficar sem pé. Não discordo de ti sobre a má gestão de algumas, conheço até alguns casos, mas isso não significa que não exista um problema de fundo bem mais grave que começa a atingir uma maioria de famílias um pouco por todo o lado. Ignorá-lo ou desvalorizá-lo argumentando-se que *algumas* gerem mal o seu dinheiro é pegar numa parte para definir um todo. Foi isso que procurei indicar, porventura não com a melhor argumentação, mas era aí que pretendia chegar.

Isso é até uma falácia argumentativa comum, mas a minha memória já não guarda o nome dela. Alguém há de saber e se puderem chegar-se à frente, seria uma curiosidade interessante até em termos de conhecimento geral.

No resto, só referir que não me estava a referir à classe dos professores, mas sim às próprias famílias. A realidade portuguesa não é a da Dinamarca, que julgo que foi o exemplo que deste noutro post. As famílias portuguesas carenciadas não são famílias que vivem modestamente; são mesmo, literalmente, carenciadas.

Que têm de escolher entre comprar roupa ou andar com calças coçadas e casacos já com as forras descosidas para guardar o dinheiro para comprar material escolar para os filhos. Que têm de adiar idas ao dentista durante meses apesar de lhes doer os dentes pois o frigorífico está velho e mal fecha a porta, o carro está a fazer um barulho esquisito e em breve é capaz de ir parar à oficina ou o filho vai precisar de um aparelho para os dentes.

E, se por um acaso dos diabos, acontece de facto o carro e o frigorífico avariarem em simultâneo, contraem um crédito na Cofidis para suportar os custos, pois não podem ficar sem nenhum deles, e às dificuldades que já tinham acresce um crédito que não conseguem suportar. Algures, em algum momento, sai mais uma estatística a demonstrar como as famílias portuguesas são irresponsáveis e contraem créditos que não podem suportar, estatística em que estará englobada esta hipotética família que referi - hipotética em termos argumentativos, porque isto são exemplos que estão efetivamente a acontecer.

É a essas famílias que me refiro quando digo que é difícil explicar que passam dificuldades e que têm de fazer escolhas não entre o que é essencial ou supérfluo, mas entre o que é mais essencial e menos essencial, que vivem constantemente com uma corda abstracta na garganta cada vez mais apertada, mas que depois haverá subsídios para quem tem o suficiente para meter filhos na escola privada.

Porque, como te disse, em termos lógicos e até retóricos pode fazer todo o sentido o que disseste, nem eu argumento contra isso. Mas como disse há uns dias noutro lado sobre a discussão do mercado imobiliário, que as casas estão cada vez mais caras mas que isso é o mercado a funcionar, vá-se dizer às pessoas que têm de sair de onde vivem porque se tornou incomportável lá morar e têm de ir morar para os arredores dos arredores "que está tudo bem pois é o mercado a funcionar, temos pena". Aqui é a mesma coisa, "sabemos que os vossos filhos estudam em escolas velhas e gastas, sem aquecimento, sem funcionários, sem nada, mas o nosso modelo prevê que se financie também as escolas privadas e subsídios para os meninos que lá estudam, é assim, temos pena".

Pah, se a realidade do nosso país fosse remotamente como a da Dinamarca, nem estaria aqui a discutir. Se as infraestruturas fossem boas, se os professores fossem bem pagos (como o Gouveia referiu aí atrás, as carreiras estão congeladas e há por aqui professores na escola pública que te podem dar um fact check sobre o volume de trabalho a que estão sujeitos), se os apoios fossem suficientes para as famílias não andarem perpetuamente à beira do precipício, estaria no mesmo comboio que tu sobre os subsídios à escola privada e ao alunos que lá estudam.

Mas não é essa a nossa realidade, e se há subsídios para atribuir, que sejam preferencialmente para a melhoria das infraestruturas da escola pública, para o apoio às famílias dos estudantes carenciados e para o descongelamento das carreiras dos professores, e só depois disso para os privados.

Antes disso, tenham lá paciência.

  • Concordo! 3

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 3 horas:

Pois mas como ja te disse 1200 foi basicamente o primeiro numero que me veio a cabeca (podia ter sido outro e se calhar podia ter pensado melhor mas foi esse que calhou). La por estar fora nao quer dizer que nao venha a Portugal todos os meses e saiba bem o que se passa, mas se queres mesmo os numeros certos, a familia media em Portugal tem um rendimento liquido de 1652 Euros e paga 860 de renda (numa media que é um T2).

O argumento baseado num exemplo como algo pode ser injusto nao necessita de ter dados como o rendimento correctos porque qualquer rendimento que la ponhas vai dar o mesmo resultado pratico.

O exemplo de Elvas que percebeste muito bem é apenas para exemplificar como estas discussoes sao, existe sempre algum cromo a dizer, "mas eu que moro em Elvas e pago 100 Euros de aluguer" ou "eu que moro no Chiado e pago 3000"

Quanto ao bold deste exactamente o exemplo tipico do politica portuguesa, nao se vai fazer uma coisa que ate resulta noutros paises e pode melhorar o ensino portugues na sua globalidade, para nao ofender uma certa classe profissional...esta visto porque o pais nao anda para a frente.

Em relacao ao que disseste ainda e sei bem disso por razoes familiares e por conhecer varios tipos de ensinos:

Os professores nao sao mal pagos, os professores em inicio de carreira sao mal pagos

Os professores nao trabalham a mais, os professores em inicio de carreira trabalham a mais

Mas la esta isso sao outros 500...ha mais interesse em manter uns dinossauros contentes do quem em entendem como é possivel que custe mais um aluno em Portugal ao estado do que num pais onde o custo de vida e rendimentos sao 3x mais altos...

 

 

Isto por exemplo era uma boa medida, mesmos manuais por 5 anos (por exemplo) tanto no privado como no publico

Não sei em que tipos de ensinos, ou escolas, ocorrem essas situações de que falas, mas por favor elabora sobre porque achas como sabes bem que só os professores no início de carreira é que trabalham a mais.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Carlos Gouveia, há 8 horas:

As carreiras estão congeladas há mais de 10 anos. O que faz com que um professor com 40 anos ainda esteja em início de carreira...

Mas esse é também outro problema. As condições de vida de um tipo com 40 anos hoje são incrivelmente piores do que as condições do mesmo tipo que tinha 40 anos há uns 15 ou 20 anos. 

Quanto aos salarios podes ver este grafico (https://eacea.ec.europa.eu/national-policies/eurydice/sites/default/files/teacher_and_school_head_salaries_2016_17.pdf) - A informacao é de 2016 (logo metes congelamento de mais 5 anos em cima, o que é obviamente mau, mas mesmo em inicio de carreira estas aos niveis da UE a nivel de rendimento. Quem esta nos ultimos escaloes, esta bastante acima da media da UE.

Aqui é como ja tinha dito, um problema dos sindicatos que sempre defenderam mais os que sao mobilia do que os que estao a chegar

Screenshot%2Bfrom%2B2019-05-12%2B14-15-54.png

Citação de doom_master, há 6 horas:

Não sei em que tipos de ensinos, ou escolas, ocorrem essas situações de que falas, mas por favor elabora sobre porque achas como sabes bem que só os professores no início de carreira é que trabalham a mais.

Sei porque conheco duas pessoas directoras de agrupamentos escolares (ainda é assim que se diz) de aglomerados populacionais grandes e que quando chega a altura de fazer horarios, teem mil dificuldades, porque aqueles em final de carreira so fazem 12 horas de aulas, porque os professores desse grupo nao podem ter furos, etc...

Vou te dar exemplos da Alemanha (inclusive da Escola alema de Lisboa) e da Dinamarca. Quando comecam a fazer os horarios é obrigatorio por lei que os horarios para todas as turmas sejam seguidos (o unico furo possivel é a hora de almoco). Os professores ate aos 60 anos teem de permanecer na escola a fazer trabalho docente (pelo menos x% de aulas), durante 40 horas semanais.

Se alguem falta, um professor que tenha aula livre tem de o substituir. E ainda levam trabalho para casa como em Portugal. Isso é trabalhar muito? Depende, muita gente que eu conheco trabalha 50-60 horas por semana, o que é normal se queres um pouco mais do que a media.

Mas os professores teem de aturar miudos o que é desgastante. O que dizer entao dos medicos que tem de aturar coisas semelhantes e ainda por vezes teem de tomar decisoes que afetam a vida dessas pessoas? O que dizer dos operadores da MEO que tem de ouvir gente a berrar com eles 40 horas por semana? O que dizer de quem trabalha numa fabrica em que tem de estar 40 horas por semana em pe a fazer trabalho desgastante fisicamente? O que dizer de algumas posicoes de chefia com taxas de stress e doencas relacionadas bastante acima da media?

  • Concordo! 3

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 2 minutos:

Quanto aos salarios podes ver este grafico (https://eacea.ec.europa.eu/national-policies/eurydice/sites/default/files/teacher_and_school_head_salaries_2016_17.pdf) - A informacao é de 2016 (logo metes congelamento de mais 5 anos em cima, o que é obviamente mau, mas mesmo em inicio de carreira estas aos niveis da UE a nivel de rendimento. Quem esta nos ultimos escaloes, esta bastante acima da media da UE.

Aqui é como ja tinha dito, um problema dos sindicatos que sempre defenderam mais os que sao mobilia do que os que estao a chegar

Screenshot%2Bfrom%2B2019-05-12%2B14-15-54.png

Sei porque conheco duas pessoas directoras de agrupamentos escolares (ainda é assim que se diz) de aglomerados populacionais grandes e que quando chega a altura de fazer horarios, teem mil dificuldades, porque aqueles em final de carreira so fazem 12 horas de aulas, porque os professores desse grupo nao podem ter furos, etc...

Vou te dar exemplos da Alemanha (inclusive da Escola alema de Lisboa) e da Dinamarca. Quando comecam a fazer os horarios é obrigatorio por lei que os horarios para todas as turmas sejam seguidos (o unico furo possivel é a hora de almoco). Os professores ate aos 60 anos teem de permanecer na escola a fazer trabalho docente (pelo menos x% de aulas), durante 40 horas semanais.

Se alguem falta, um professor que tenha aula livre tem de o substituir. E ainda levam trabalho para casa como em Portugal. Isso é trabalhar muito? Depende, muita gente que eu conheco trabalha 50-60 horas por semana, o que é normal se queres um pouco mais do que a media.

Mas os professores teem de aturar miudos o que é desgastante. O que dizer entao dos medicos que tem de aturar coisas semelhantes e ainda por vezes teem de tomar decisoes que afetam a vida dessas pessoas? O que dizer dos operadores da MEO que tem de ouvir gente a berrar com eles 40 horas por semana? O que dizer de quem trabalha numa fabrica em que tem de estar 40 horas por semana em pe a fazer trabalho desgastante fisicamente? O que dizer de algumas posicoes de chefia com taxas de stress e doencas relacionadas bastante acima da media?

Isso de não haver furos já era assim no colégio alemão do Porto quando eu lá andava, há mais de 20 anos.

Depois quando fui para a escola pública, jovem inocente de 12 anos, logo na primeira aula que era para ter, o professor não aparece. Dá o segundo toque (algo que eu não fazia o que era) baza toda a gente e fica aqui o idiota plantado à porta da sala.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Black Hawk, há 7 horas:

Sobre a primeira parte da discussão, que não vai chegar a lado algum porque já ambos apresentámos os argumentos respetivos, só quero realçar que sobre o argumento inicial que apresentaste (o da má gestão da hipotética família que criaste para efeitos de argumentação) continuo a achar errado partir de um outlier para definir um problema que até é bem mais profundo.

Ou seja, pegaste num exemplo de uma hipotética má gestão do orçamento familiar para justificar a dificuldade das famílias portuguesas quando, por esta altura, as famílias portuguesas mesmo afastando gastos supérfluos estão objectivamente a ficar sem pé. Não discordo de ti sobre a má gestão de algumas, conheço até alguns casos, mas isso não significa que não exista um problema de fundo bem mais grave que começa a atingir uma maioria de famílias um pouco por todo o lado. Ignorá-lo ou desvalorizá-lo argumentando-se que *algumas* gerem mal o seu dinheiro é pegar numa parte para definir um todo. Foi isso que procurei indicar, porventura não com a melhor argumentação, mas era aí que pretendia chegar.

Isso é até uma falácia argumentativa comum, mas a minha memória já não guarda o nome dela. Alguém há de saber e se puderem chegar-se à frente, seria uma curiosidade interessante até em termos de conhecimento geral.

No resto, só referir que não me estava a referir à classe dos professores, mas sim às próprias famílias. A realidade portuguesa não é a da Dinamarca, que julgo que foi o exemplo que deste noutro post. As famílias portuguesas carenciadas não são famílias que vivem modestamente; são mesmo, literalmente, carenciadas.

Que têm de escolher entre comprar roupa ou andar com calças coçadas e casacos já com as forras descosidas para guardar o dinheiro para comprar material escolar para os filhos. Que têm de adiar idas ao dentista durante meses apesar de lhes doer os dentes pois o frigorífico está velho e mal fecha a porta, o carro está a fazer um barulho esquisito e em breve é capaz de ir parar à oficina ou o filho vai precisar de um aparelho para os dentes.

E, se por um acaso dos diabos, acontece de facto o carro e o frigorífico avariarem em simultâneo, contraem um crédito na Cofidis para suportar os custos, pois não podem ficar sem nenhum deles, e às dificuldades que já tinham acresce um crédito que não conseguem suportar. Algures, em algum momento, sai mais uma estatística a demonstrar como as famílias portuguesas são irresponsáveis e contraem créditos que não podem suportar, estatística em que estará englobada esta hipotética família que referi - hipotética em termos argumentativos, porque isto são exemplos que estão efetivamente a acontecer.

É a essas famílias que me refiro quando digo que é difícil explicar que passam dificuldades e que têm de fazer escolhas não entre o que é essencial ou supérfluo, mas entre o que é mais essencial e menos essencial, que vivem constantemente com uma corda abstracta na garganta cada vez mais apertada, mas que depois haverá subsídios para quem tem o suficiente para meter filhos na escola privada.

Porque, como te disse, em termos lógicos e até retóricos pode fazer todo o sentido o que disseste, nem eu argumento contra isso. Mas como disse há uns dias noutro lado sobre a discussão do mercado imobiliário, que as casas estão cada vez mais caras mas que isso é o mercado a funcionar, vá-se dizer às pessoas que têm de sair de onde vivem porque se tornou incomportável lá morar e têm de ir morar para os arredores dos arredores "que está tudo bem pois é o mercado a funcionar, temos pena". Aqui é a mesma coisa, "sabemos que os vossos filhos estudam em escolas velhas e gastas, sem aquecimento, sem funcionários, sem nada, mas o nosso modelo prevê que se financie também as escolas privadas e subsídios para os meninos que lá estudam, é assim, temos pena".

Pah, se a realidade do nosso país fosse remotamente como a da Dinamarca, nem estaria aqui a discutir. Se as infraestruturas fossem boas, se os professores fossem bem pagos (como o Gouveia referiu aí atrás, as carreiras estão congeladas e há por aqui professores na escola pública que te podem dar um fact check sobre o volume de trabalho a que estão sujeitos), se os apoios fossem suficientes para as famílias não andarem perpetuamente à beira do precipício, estaria no mesmo comboio que tu sobre os subsídios à escola privada e ao alunos que lá estudam.

Mas não é essa a nossa realidade, e se há subsídios para atribuir, que sejam preferencialmente para a melhoria das infraestruturas da escola pública, para o apoio às famílias dos estudantes carenciados e para o descongelamento das carreiras dos professores, e só depois disso para os privados.

Antes disso, tenham lá paciência.

Eu estou contigo e tambem nao quero entrar em discussoes retoricas, mas se pensas que esses problemas nao existem na Dinamarca ou noutros paises da zona, estas bem enganado, porque existem.

A primeira escola onde andava a minha filha aqui (que era publica) teve de fechar durante uma semana porque um tecto caiu devido ao velho que era. Os professores em relacao ao custo de vida sao pagos a um nivel semelhante ao portugues.

Agora queremos sempre justificar o nosso atraso com problemas externos...e ate nisso, o subsidio nao era para o privado, mas sim dar a opcao a quem paga impostos de usar o dinheiro que o estado vai gastar, de acordo com a sua escolha pessoal

Se mantivermos sempre tudo na mesma é que nada vai mudar de certeza, e nao é com mais investimento num modelo fora do seu tempo que a coisa melhora.

Quanto ao custo das casas, podes colocar a pergunta de outra forma. Como vai o estado justificar que ao proprietario dessa casa que so pode receber de renda, metade do que o mercado paga, porque as familias que la vivem nao podem pagar? É isso que é justo? Ate porque em Portugal a maioria da pessoas que tem apartamentos para alugar nem sao grandes empresas, mas maioriamente pessoas singulares que tem isso como complemento do rendimento ou como unica fonte de rendimento

 

Citação de Tio Hans, há 5 minutos:

Isso de não haver furos já era assim no colégio alemão do Porto quando eu lá andava, há mais de 20 anos.

Depois quando fui para a escola pública, jovem inocente de 12 anos, logo na primeira aula que era para ter, o professor não aparece. Dá o segundo toque (algo que eu não fazia o que era) baza toda a gente e fica aqui o idiota plantado à porta da sala.

Sem duvida,

Eu tambem andei no de Lisboa. Basicamente os professores portugueses aguentavam um ou dois anos, depois saiam porque a carga horaria era demasiado grande ou eram despedidos porque havia queixas dos pais (devido a demomarem mais tempo do que deviam a corrgir testes por exemplo).

Isto provavelmente em alguns sitios nao iria dar resultado devido ao pouco interesse ou poucas qualificacoes dos pais, mas aqui na Dinamarca (e na Alemanha tambem é assim) os pais teem assento nas reunioes da direccao da escola e professores incompetentes duram um ano lectivo e rua... 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 21 minutos:

Sem duvida,

Eu tambem andei no de Lisboa. Basicamente os professores portugueses aguentavam um ou dois anos, depois saiam porque a carga horaria era demasiado grande ou eram despedidos porque havia queixas dos pais (devido a demomarem mais tempo do que deviam a corrgir testes por exemplo).

Isto provavelmente em alguns sitios nao iria dar resultado devido ao pouco interesse ou poucas qualificacoes dos pais, mas aqui na Dinamarca (e na Alemanha tambem é assim) os pais teem assento nas reunioes da direccao da escola e professores incompetentes duram um ano lectivo e rua... 

Mas agora que falas nisso, não me recordo disso dos professores. Os professores portugueses que tinha já faziam parte da mobília. 🙂 Cheguei a ter mãe e filha como professoras, mais do que uma vez. 

Outra coisa que faziam quando um professor faltava era: se o professor da penúltima aula falta, e se o professor da última estiver disponível, a aula é antecipada.

 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 1 hora:

 

Mas os professores teem de aturar miudos o que é desgastante. O que dizer entao dos medicos que tem de aturar coisas semelhantes e ainda por vezes teem de tomar decisoes que afetam a vida dessas pessoas? O que dizer dos operadores da MEO que tem de ouvir gente a berrar com eles 40 horas por semana? O que dizer de quem trabalha numa fabrica em que tem de estar 40 horas por semana em pe a fazer trabalho desgastante fisicamente? O que dizer de algumas posicoes de chefia com taxas de stress e doencas relacionadas bastante acima da media?

Malta do atendimento ao público, difícil lidar com pessoas 😔

Compartilhar este post


Link para o post

De certeza que renovou a carta com um atestado passado pelo médico sem lá ir. Típico.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Peplin, há 2 horas:

Espelhos é para meninos.

Um carro daqueles nem é preciso usar espelhos para aquilo. Os sensores devem ter apitado por todo o lado, além de que deve ter sido bem visível a parede na câmara traseira.

Citação de Ghelthon, há 1 hora:

De certeza que renovou a carta com um atestado passado pelo médico sem lá ir. Típico.

O médico tem teste para detectar nabos?

Compartilhar este post


Link para o post

não sei se já se falou aqui, mas no Japão, o Partido do poder venceu. com alguma surpresa, as eleições, com maioria absoluta e tudo.

Embora seja o partido que governa o Japão, quase sempre, desde os naos 50 (estranho que cá quando se quer atacar o PS se fale da Mexicanização, e não da Japonização do país...), desta vez previa-se que perdesse, pois havia muito cansaço pós-covid, mais um lider partidário recem empossado que é um aparatchick pouco popular ou notável entre a população, e a oposição tinha, em larga medida, feito uma grande coligação. Os analistas esperavam uma derrota (que seria a primeira desde 2009...que foi a única que o Partido Liberal teve no Japão pós Guerra...), mas acabou por vencer com resultados similares aos de à 4 anos. Pior, o principal parido da oposição baixou o número de mandatos.

Isto tudo para dizer que o António Costa está a olhar para esta eleção no Japão cheio de esperança.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de IlidioMA, há 4 minutos:

não sei se já se falou aqui, mas no Japão, o Partido do poder venceu. com alguma surpresa, as eleições, com maioria absoluta e tudo.

Embora seja o partido que governa o Japão, quase sempre, desde os naos 50 (estranho que cá quando se quer atacar o PS se fale da Mexicanização, e não da Japonização do país...), desta vez previa-se que perdesse, pois havia muito cansaço pós-covid, mais um lider partidário recem empossado que é um aparatchick pouco popular ou notável entre a população, e a oposição tinha, em larga medida, feito uma grande coligação. Os analistas esperavam uma derrota (que seria a primeira desde 2009...que foi a única que o Partido Liberal teve no Japão pós Guerra...), mas acabou por vencer com resultados similares aos de à 4 anos. Pior, o principal parido da oposição baixou o número de mandatos.

Isto tudo para dizer que o António Costa está a olhar para esta eleção no Japão cheio de esperança.

O LDP no poder no Japão só vai servir para continuarem a fazerem revisionismo histórico, a exultar o nacionalismo fanático e impedir a sociedade japonesa de se modernizar nos direitos sociais e de trabalho.

Editado por SAS_Robben
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de IlidioMA, há 42 minutos:

não sei se já se falou aqui, mas no Japão, o Partido do poder venceu. com alguma surpresa, as eleições, com maioria absoluta e tudo.

Embora seja o partido que governa o Japão, quase sempre, desde os naos 50 (estranho que cá quando se quer atacar o PS se fale da Mexicanização, e não da Japonização do país...), desta vez previa-se que perdesse, pois havia muito cansaço pós-covid, mais um lider partidário recem empossado que é um aparatchick pouco popular ou notável entre a população, e a oposição tinha, em larga medida, feito uma grande coligação. Os analistas esperavam uma derrota (que seria a primeira desde 2009...que foi a única que o Partido Liberal teve no Japão pós Guerra...), mas acabou por vencer com resultados similares aos de à 4 anos. Pior, o principal parido da oposição baixou o número de mandatos.

Isto tudo para dizer que o António Costa está a olhar para esta eleção no Japão cheio de esperança.

Ninguem esperava derrota nenhuma... o LDP ia na frente nas sondagens, ate tinhas sondagens a dar 49.1 ao LDP quando eles tiveram 34.7.  Quem pensasse que eles perdiam so estava a ser burro.
Quanto ao Costa, a menos que haja grandes surpresas nao ganha com maioria nenhuma, ele e fraco em campanha. Em todas as eleicoes ate hoje em que participou foi perdendo gas com o decorrer da campanha. Nao ha espaco a esquerda para maioria do Costa. E muito nao roubara a direita, se e que rouba alguma coisa. Alias, IL e Chega vao buscar muitos abstencionistas do passado, o que ajuda a diluir o resultado do Costa e da esquerda.

https://en.wikipedia.org/wiki/Opinion_polling_for_the_2021_Japanese_general_election

Editado por Ticampos
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora

×
×
  • Criar Novo...