Mayday Publicado 4 Agosto 2016 Ofensivo é não nos lembrarmos de quantas pessoas trabalham no sector da cultura. Tu falas de cinemas, museus, teatros, festivais (que são suportados inteiramente por voluntários) mas não sabes que há artistas, empresas e serviços que dependem da actividade destas para funcionarem. Já para não falar nos funcionários das produtoras, dos cinemas, teatros que estão meses sem verem o seu ordenado (estes também pagam essa sobrecarga de impostos, também pagam contas, reformas já não têm porque muitos vivem da miséria dos recibos verdes) porque o dinheiro dos apoios que serve para pagar a renda do edificio, a luz, à empresa de limpeza, à empresa de carpintaria, à policia, aos bombeiros, etc., não aparece e tem-se que se ir buscar ao ordenado destes trabalhadores. Podemos também pensar nos arquitectos, se é uma classe que vos deixa menos enervados, que vêem os seus projectos de lado (estes também são apoiados pela DGArtes) por ausência de apoios. Falamos de empresas ou jovens arquitectos sempre limitados. Embora seja isso que esteja a acontecer (com as nomeações compradas de patrimónios imateriais pela UNESCO) a cultura não é bibelot que se oferece aos turistas. Há pessoas que vivem desse sector. Como há professores sem emprego também há outros funcionários do sector da cultura. É exactamente por isto que não há sectores prioritários. Eu sobre o estado da cultura não me alongo. Nem comento sequer a tua apreciação sobre o estado da cultura porque não sabes claramente do que falas. Digo apenas (e desculpem-me os mais sensiveis) que o estado da cultura actual, hoje, é comparado ao do tempo do Estado Novo, censurada, oprimida e manipulada. Os métodos são diferentes, é verdade. Há quem goste e há quem não goste. Mas se te interessar alongo-me sobre os exemplos. Compartilhar este post Link para o post
toze2 Publicado 4 Agosto 2016 Ofensivo é não nos lembrarmos de quantas pessoas trabalham no sector da cultura. Tu falas de cinemas, museus, teatros, festivais (que são suportados inteiramente por voluntários) mas não sabes que há artistas, empresas e serviços que dependem da actividade destas para funcionarem. Já para não falar nos funcionários das produtoras, dos cinemas, teatros que estão meses sem verem o seu ordenado (estes também pagam essa sobrecarga de impostos, também pagam contas, reformas já não têm porque muitos vivem da miséria dos recibos verdes) porque o dinheiro dos apoios que serve para pagar a renda do edificio, a luz, à empresa de limpeza, à empresa de carpintaria, à policia, aos bombeiros, etc., não aparece e tem-se que se ir buscar ao ordenado destes trabalhadores. Podemos também pensar nos arquitectos, se é uma classe que vos deixa menos enervados, que vêem os seus projectos de lado (estes também são apoiados pela DGArtes) por ausência de apoios. Falamos de empresas ou jovens arquitectos sempre limitados. Embora seja isso que esteja a acontecer (com as nomeações compradas de patrimónios imateriais pela UNESCO) a cultura não é bibelot que se oferece aos turistas. Há pessoas que vivem desse sector. Como há professores sem emprego também há outros funcionários do sector da cultura. É exactamente por isto que não há sectores prioritários. Eu sobre o estado da cultura não me alongo. Nem comento sequer a tua apreciação sobre o estado da cultura porque não sabes claramente do que falas. Digo apenas (e desculpem-me os mais sensiveis) que o estado da cultura actual, hoje, é comparado ao do tempo do Estado Novo, censurada, oprimida e manipulada. Os métodos são diferentes, é verdade. Há quem goste e há quem não goste. Mas se te interessar alongo-me sobre os exemplos. Podes-te alongar. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 Ofensivo é não nos lembrarmos de quantas pessoas trabalham no sector da cultura. Tu falas de cinemas, museus, teatros, festivais (que são suportados inteiramente por voluntários) mas não sabes que há artistas, empresas e serviços que dependem da actividade destas para funcionarem. Já para não falar nos funcionários das produtoras, dos cinemas, teatros que estão meses sem verem o seu ordenado (estes também pagam essa sobrecarga de impostos, também pagam contas, reformas já não têm porque muitos vivem da miséria dos recibos verdes) porque o dinheiro dos apoios que serve para pagar a renda do edificio, a luz, à empresa de limpeza, à empresa de carpintaria, à policia, aos bombeiros, etc., não aparece e tem-se que se ir buscar ao ordenado destes trabalhadores. Desculpa ter cortado o teu post, mas esta é a parte essencial que te escapa neste tipo de discussões. Se essas empresas não conseguem sobreviver sem apoio do Estado, então porque existem? Porque é que os artistas, as empresas e serviços que dependem da actividade destas para funcionarem, as produtoras de cinema e os teatros, existem se não têm público? Porque é que hão-de ser diferentes do resto da sociedade? Se não há interesse colectivo e existem outras áreas onde o dinheiro faz tanta ou mais falta, porque não aplica-lo aí ? Não é por haver mais ou menos dinheiro para a cultura que vai haver oferta, se calhar não aquela que mais te agrada pessoalmente porque és mais erudito, mas para uma pessoa normal, sim. Livros, espectáculos, festivais, património histórico, museus... felizmente temos de tudo :) Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 4 Agosto 2016 Outra coisa que vos falta é a noção de que a Cultura e a Educação são complementares, não "alternativas". Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 Outra coisa que vos falta é a noção de que a Cultura e a Educação são complementares, não "alternativas". Não nos falta nada. Na última discussão que tivemos sobre exactamente a mesma coisa, ficou desde logo patente que a sensibilidade para a cultura tem de ser feita desde cedo, nas escolas, e recordo-me de dizer que a haver mais apoios, que fossem direccionados para as escolas para esse fim ao invés de dar directamente às produtoras para criar mais actividades sem público. Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 4 Agosto 2016 Não nos falta nada. Na última discussão que tivemos sobre exactamente a mesma coisa, ficou desde logo patente que a sensibilidade para a cultura tem de ser feita desde cedo, nas escolas, e recordo-me de dizer que a haver mais apoios, que fossem direccionados para as escolas para esse fim ao invés de dar directamente às produtoras para criar mais actividades sem público. Depende de quais são essas actividades. Não tenho números concretos, mas tenho a ideia de que os filmes portugueses, como esta "trilogia" recente, têm bom público, mesmo sendo filmes sobejamente fracos. Potenciar o cinema português seria bastante importante, por exemplo. Depois, também tenho ideia de que há muita gente a ir ao teatro. Claro que isto não acontece em todas as peças, mas mostra um desejo do povo pela arte. Sinceramente acho que menosprezas esse desejo. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 (editado) Depende de quais são essas actividades. Não tenho números concretos, mas tenho a ideia de que os filmes portugueses, como esta "trilogia" recente, têm bom público, mesmo sendo filmes sobejamente fracos. Potenciar o cinema português seria bastante importante, por exemplo. Depois, também tenho ideia de que há muita gente a ir ao teatro. Claro que isto não acontece em todas as peças, mas mostra um desejo do povo pela arte. Sinceramente acho que menosprezas esse desejo. Mas lá está, isso foi o que eu disse aí em cima. Temos uma oferta cultural muito boa e que tem público, e que, por isso são rentáveis (mesmo que a qualidade seja discutivel). Ou, se são rentáveis, mas não ao ponto de viver disso (porque imagino que fazer um filme, ainda que seja top na bilheteira, pode sair dispendioso), que se dê um apoio a esses. E eu não menosprezo esse desejo, porque também não menosprezo a lei da oferta e da procura. E também não sei porque é que as companhias de teatro, se algumas delas não são rentáveis, porque é que têm de continuar a existir. A cultura tem um valor intangível que é importante para a sociedade, eu reconheço isso, mas havendo uma oferta cultural razoável, não creio que se justifique aplicar o dinheiro em - reforço - actividades que não são rentáveis. Sobretudo quando há outros aspectos mais graves na nossa Educação ou Saúde, por exemplo, que não são resolvidos por falta de recursos. Editado 4 Agosto 2016 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 4 Agosto 2016 Porque nem tudo na vida é um investimento à espera de retorno. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 Porque nem tudo na vida é um investimento à espera de retorno. A Educação e a Saúde não são investimentos com retorno. Quando se tem poucos recursos, é preciso definir prioridades e, na minha opinião, patrocinar algo que interessa a uma minoria em sacrifício do interesse de uma maioria é errado. Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 4 Agosto 2016 A educação, de certa forma, é um investimento com retorno no futuro. Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 4 Agosto 2016 Pois, só que isso aconteceu... nunca. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 A educação, de certa forma, é um investimento com retorno no futuro. Depende do quão lato é o teu significado de investimento. Se consideras a Educação como um investimento (esperando o retorno em impostos, no futuro), então tudo é um investimento - Segurança, Saúde, Defesa, Justiça, Cultura, etc. E logo aí o problema mantém-se, já que o retorno de uns investimentos é mais claro do que noutros. Compartilhar este post Link para o post
Lip McBoatface Publicado 4 Agosto 2016 A Cultura também é um serviço público, uma forma de educação da sociedade... e bem importante. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 A Cultura também é um serviço público, uma forma de educação da sociedade... e bem importante. E o Estado não faz essa educação cultural na escola? Em termos de literatura, história, geografia, línguas estrangeiras, idas ao teatro, visitas de estudo a locais históricos... Mas o que é que falta à cultura em Portugal para que seja tão importante aplicar mais fundos? Compartilhar este post Link para o post
Lip McBoatface Publicado 4 Agosto 2016 Não faz, novamente porque o orçamento disponibilizado não permite fugir dos serviços mínimos. Idas ao teatro, visitas de estudo a locais históricos? Eu lembro-me de já no início do século ter-se cortado nisso tudo por falta de dinheiro na minha escola :mrgreen: Para ti isso cobre a educação cultural na escola? Contentas-te com pouco :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 4 Agosto 2016 Desculpa ter cortado o teu post, mas esta é a parte essencial que te escapa neste tipo de discussões. Se essas empresas não conseguem sobreviver sem apoio do Estado, então porque existem? Porque é que os artistas, as empresas e serviços que dependem da actividade destas para funcionarem, as produtoras de cinema e os teatros, existem se não têm público? Porque é que hão-de ser diferentes do resto da sociedade? Se não há interesse colectivo e existem outras áreas onde o dinheiro faz tanta ou mais falta, porque não aplica-lo aí ? Não é por haver mais ou menos dinheiro para a cultura que vai haver oferta, se calhar não aquela que mais te agrada pessoalmente porque és mais erudito, mas para uma pessoa normal, sim. Livros, espectáculos, festivais, património histórico, museus... felizmente temos de tudo :) A mim não me escapa nada. Tu achas que a cultura só deve existir (cultura existe sempre com ou sem dinheiro) se rentabilizada e para massas. Eu acho que o estado deve respeitar a constituição e ser um dos motores da cultura. Da mesma forma que o estado investe na educação para formar os seus cidadãos mais jovens, deve investir na cultura para continuar a formar (embora aqui o sentido seja mais lato) os seus cidadãos (e entreter também, embora para mim esteja interligado). O problema é que tu vês cultura apenas como entretenimento e para massas. Existem porque são necessárias. Porque há muita gente que gosta e necessita deste tipo de actividades. Acabamos sempre a falar de teatro, e segundo a tua lógica eu vou-te dizer o que é que nos restava de teatro se este existisse sem apoios da DGArtes: em Lisboa, O Lá Féria e o Henrique Feist no Casino. No Porto, como no tempo do Rui Rio? Nada! No resto do páis, exactamente nada. Tu estás a esquecer-te de que a contratação destes serviços é importante, ou não? O dinheiro subsidiado não é bem aplicado? A contratação de serviços, o pagamento de contas, a compra de bens... o dinheiro não acaba por retornar ao estado? E não é diferente da sociedade. Pagamos impostos, como todos! Aí é que te enganas! Havendo mais dinheiro há mais oferta. Basta pesar que se neste momento, por haver menos dinheiro, nos pontuais de 50 candidaturas se escolhe 20, se houvesse mais dinheiro seria possivel distribuir por essas 50 passando a existir mais oferta. Eu vou-te só dar um pequeno exemplo de como os apoios são importantes. As escolas todos os anos programam visitas a teatros para complementar com peças a aprendizagem de determinado programa. Mas com a história da crise as escolas começaram a deixar de ir. Ou passaram a levar apenas uma turma em vez de duas. Quando era possivel, e havia escolas com dificuldades, os teatros comprometiam-se a fazer descontos nos bilhetes, por exemplo, para permitir que as escolas tivessem dinheiro para o autocarro. Agora não é possivel e as escolas que não têm dinheiro não vão. Livros é interessante. Porque se pensarmos que também existem apoios à tradução, à edição, à publicação, à divulgação da lingua Portuguesa no estrangeiro. Se não houvesse se calhar só lias em Português e nas linguas estrangeiras. Mas só lias em Inglês. E lias porque sabes. Mais elitismo. Espectáculos? Corta o apoio à criação e ficas sem espectáculos. Corta o apoio à circulação e ficas sem espectáculos fora de Lisboa e Porto. Mais elitismo. Museus? Têm que começar a pagar aos seus empregados, primeiro. Festivais? Por favor, isto é feito sustentado por voluntários para enriquecer empresários. Património Histórico? Corta os apoios às instituiçoes de restauro e preservação de património e só vais ver ruinas (para alguns isto é que é história). Infelizmente temos tudo subaproveitado. Mas claro, olhar para a cultura de fora e não usufruir dá uma ideia ilusória. Parece que está tudo muito bem. Se calhar neste ultimo semestre, nem leste, foste a um espectáculo, visitaste um museu ou um monumento. Talvez tenhas ido a uma mega festival ver uma mega banda estrangeira. Já te dei este exemplo e volto a repeti-lo. O que tu achas que deve ser a cultura foi aplicada no Porto pelo Rui Rio. Apelidada de Tempo das Trevas pelos Portuenses. O seu contrário, próximo daquilo que eu defendo, está a ser feito pelo Rui Moreira. As diferenças são obvias. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 4 Agosto 2016 E o Estado não faz essa educação cultural na escola? Em termos de literatura, história, geografia, línguas estrangeiras, idas ao teatro, visitas de estudo a locais históricos... Mas o que é que falta à cultura em Portugal para que seja tão importante aplicar mais fundos? Não, não faz. Não faz porque estes dois sectores complemetam-se e o dinheiro nos dois é escasso. Tens um exemplo no meu post. Eu já trabalhei nas duas áreas. E já trabalhei numa área em proximidade com a outra. E não faz porque a actividade cultural dos jovens adultos é quase nula. Em resposta à tua última pergunta eu vou-te responder com duas outras. Porque é que o Reino Unido consegue ter os estadios de futebol cheios e os teatros também? Porque é que o UK, a França, a Itália (não esta itália), e até mesmo a Alemanha não menosprezam nos seus orçamentos (nem a sua importancia) o sector da cultura? Eu não acho que devamos recorrer sempre aos exemplos olhando lá para fora mas neste caso acho importantissimo. Podes-te alongar. Já cá venho. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 4 Agosto 2016 (editado) Não faz, novamente porque o orçamento disponibilizado não permite fugir dos serviços mínimos. Idas ao teatro, visitas de estudo a locais históricos? Eu lembro-me de já no início do século ter-se cortado nisso tudo por falta de dinheiro na minha escola :mrgreen: Para ti isso cobre a educação cultural na escola? Contentas-te com pouco :mrgreen: Pá, eu não sou assim tão velho e tive isso na escola. Os meus primos mais novos, igualmente. Se cortaram, foi muito recentemente. Mas aí já acho mal que se corte, porque acredito que o investimento na cultura deva ser feito através da educação e não através da fruição. E sim, isto cobriria a meu ver uma educação cultural razoável. Eu não tive mais do que isto, e considero-me uma pessoa minimamente culta, com gosto pela leitura, pela música e pela história. Se calhar muitas das pessoas da minha idade não partilham desses interesses, mas também parte do interesse de cada um após ser feito o estimulo durante o percurso escolar, sobretudo junto dos mais novos. A mim não me escapa nada. Tu achas que a cultura só deve existir (cultura existe sempre com ou sem dinheiro) se rentabilizada e para massas. Eu acho que o estado deve respeitar a constituição e ser um dos motores da cultura. Da mesma forma que o estado investe na educação para formar os seus cidadãos mais jovens, deve investir na cultura para continuar a formar (embora aqui o sentido seja mais lato) os seus cidadãos (e entreter também, embora para mim esteja interligado). O problema é que tu vês cultura apenas como entretenimento e para massas. Como tu disseste, a cultura existe com ou sem dinheiro. Indirectamente, podemos inferir que existe independentemente da quantidade de apoios que o Estado distribui, certo? Então não estamos a discutir a existência de oferta cultural em Portugal, mas do pouco investimento que o Estado faz para fomentar ainda mais essa oferta. Eu apoio o investimento na cultura, desde que seja feito na educação cultural dos mais novos durante o percurso escolar, na criação de condições - infraestruturas e apoios à divulgação - para os artistas poderem desenvolver o seu trabalho, e em casos muitos pontuais, em que haveria um interesse generalizado por um dado "produto cultural", mas em que este não pudesse realmente ser levado a cabo de forma a ser rentabilizado. Posto isto, aí sim acredito que tudo o que venha a seguir só deve ser levado a cabo por iniciativa privada - podem perder dinheiro com isso, ou ganhar se conseguirem. O que é facto é que - mais uma vez, a meu ver - com recursos tão escassos como nós temos, estes devem ser aplicados em áreas essenciais. E apesar de reconhecer a importância do papel que a cultura tem para a sociedade, existem sectores prioritários que vão beneficiar muito mais gente do que o "produto cultural" que não gera interesse nas massas (e massas acaba por ser um termo exagerado, certamente conseguirás pensar em vários eventos que nem necessitariam assim de tanto público para poderem ser levados a cabo sem apoios estatais). Existem porque são necessárias. Porque há muita gente que gosta e necessita deste tipo de actividades. Acabamos sempre a falar de teatro, e segundo a tua lógica eu vou-te dizer o que é que nos restava de teatro se este existisse sem apoios da DGArtes: em Lisboa, O Lá Féria e o Henrique Feist no Casino. No Porto, como no tempo do Rui Rio? Nada! No resto do páis, exactamente nada. Há gente que gosta e necessita deste tipo de actiividades, mas se são poucos e não conseguem sustentar toda a actividade, o que é que se pode fazer? Se eu estiver a vender um produto que não gera interesse suficiente para pagar os meus custos, tenho de fechar a loja. Mas o teatro tem uma vantagem, que é poder continuar a ser feito por gosto - em Braga temos no Verão várias peças de rua, umas pagam-se para assistir, outras não, mas em que todos os atores são amadores. Se não é possível fazer teatro de forma profissional, é uma pena, mas este não tem de deixar de existir. Tu estás a esquecer-te de que a contratação destes serviços é importante, ou não? O dinheiro subsidiado não é bem aplicado? A contratação de serviços, o pagamento de contas, a compra de bens... o dinheiro não acaba por retornar ao estado? Por essa lógica, então o Estado subsidiava todas as pequenas empresas no país. O dinheiro acabava por voltar ao Estado na mesma, independentemente de estas empresas terem utilidade ou não. E não é diferente da sociedade. Pagamos impostos, como todos! É diferente na medida em que têm o produto, mas não têm o cliente. Em qualquer outro sector, eras obrigado a terminar a actividade. Aí é que te enganas! Havendo mais dinheiro há mais oferta. Basta pesar que se neste momento, por haver menos dinheiro, nos pontuais de 50 candidaturas se escolhe 20, se houvesse mais dinheiro seria possivel distribuir por essas 50 passando a existir mais oferta. Há mais oferta, mas a procura - a repartir por mais eventos - diminui, levando a que os gastos sejam superiores :lol: Mais uma vez digo, se há recursos escassos e realmente os querem aplicar em subsídios, pelo menos que seleccionem as candidaturas que vêm acrescentar mais valor à cultura portuguesa. Eu vou-te só dar um pequeno exemplo de como os apoios são importantes. As escolas todos os anos programam visitas a teatros para complementar com peças a aprendizagem de determinado programa. Mas com a história da crise as escolas começaram a deixar de ir. Ou passaram a levar apenas uma turma em vez de duas. Quando era possivel, e havia escolas com dificuldades, os teatros comprometiam-se a fazer descontos nos bilhetes, por exemplo, para permitir que as escolas tivessem dinheiro para o autocarro. Agora não é possivel e as escolas que não têm dinheiro não vão. Já disse em cima, esse é um dos casos em que eu defendo os apoios. Neste caso não estamos a falar de apoio à Cultura de uma forma genérica, mas sim à educação cultural. E esse dinheiro é bem investido porque contribui para a formação dos mais novos, e porque no futuro se poderá traduzir em mais público e, por conseguinte, mais oferta cultural sem mais peso do Estado no sector. Livros é interessante. Porque se pensarmos que também existem apoios à tradução, à edição, à publicação, à divulgação da lingua Portuguesa no estrangeiro. Se não houvesse se calhar só lias em Português e nas linguas estrangeiras. Mas só lias em Inglês. E lias porque sabes. Mais elitismo. Espectáculos? Corta o apoio à criação e ficas sem espectáculos. Corta o apoio à circulação e ficas sem espectáculos fora de Lisboa e Porto. Mais elitismo. Museus? Têm que começar a pagar aos seus empregados, primeiro. Festivais? Por favor, isto é feito sustentado por voluntários para enriquecer empresários. Património Histórico? Corta os apoios às instituiçoes de restauro e preservação de património e só vais ver ruinas (para alguns isto é que é história). Infelizmente temos tudo subaproveitado. Sem apoios estatais à tradução ficarias sem livros escritos em português? As editoras, que eu saiba, pertencem ao sector privado. Não deixariam de existir espectáculos, é a mesma situação do teatro de que falei em cima - se não dá para o fazer de forma profissional, que o façam de forma semi-profissional ou amadora. Museus fazem parte dos casos que mencionei em cima em que de facto é necessário o apoio do Estado, o mesmo para a restauração e conservação. Quanto aos festivais, estás a vê-lo da forma errada, independentemente da forma como são montados, é um produto cultural que gera interesse generalizado e pode ser rentabilizado. E não é feito por voluntários que trabalham à borla como queres fazer parecer - os artistas, a esmagadora maioria portugueses (os festivais não se resumem a Alives ou Sudoestes) são quase sempre pagos, a montagem da estrutura é paga (o meu tio que trabalha com transporte e montagem de stands estaria bem lixado sem a ajuda dos festivais), os voluntários em muitos dos festivais são pagos (experiência própria), e há um impacto positivo no comércio local através do turismo. Mas claro, olhar para a cultura de fora e não usufruir dá uma ideia ilusória. Parece que está tudo muito bem. Se calhar neste ultimo semestre, nem leste, foste a um espectáculo, visitaste um museu ou um monumento. Talvez tenhas ido a uma mega festival ver uma mega banda estrangeira. Vou ter de discordar contigo. Chegamos ao ponto principal desta discussão, a meu ver. Tu estás do lado de lá, de quem faz e promove a cultura, e eu estou do lado de cá, de quem selecciona a partir da oferta existente e consome. E eu, que não tenho qualquer tipo de pretensiosimo, consigo olhar à minha volta e satisfazer-me com o que vejo. Não vou ao teatro nem a festivais mainstream - gosto de ler (muito, de momento a meio do Winston Churchill, Uma Vida do Martin Gilbert), assistir ocasionalmente a um concerto ao ar livre ou numa sala tipo ZDB, e, felizmente, já tive oportunidade de visitar quase tudo o que há para visitar em Braga, Porto e Lisboa, bem como algumas capitais europeias. E não esquecer as idas regulares ao cinema, claro, incluindo alguns filmes portugueses pelo meio. Não que isto faça diferença, mas se serve de algo, não sou nada anti-cultura e dou o meu contributo sempre que seja do meu interesse, por isso é que me sinto confortável a dar a minha opinião. Já te dei este exemplo e volto a repeti-lo. O que tu achas que deve ser a cultura foi aplicada no Porto pelo Rui Rio. Apelidada de Tempo das Trevas pelos Portuenses. O seu contrário, próximo daquilo que eu defendo, está a ser feito pelo Rui Moreira. As diferenças são obvias. O Rui Rio deixou a Câmara com as contas saudáveis (em contraste com o estado pobre em que as encontrou) e não poupou esforços na reabilitação da cidade. Vamos ver o que o Rui Moreira vai deixar :) Não, não faz. Não faz porque estes dois sectores complemetam-se e o dinheiro nos dois é escasso. Tens um exemplo no meu post. Eu já trabalhei nas duas áreas. E já trabalhei numa área em proximidade com a outra. E não faz porque a actividade cultural dos jovens adultos é quase nula. Em resposta à tua última pergunta eu vou-te responder com duas outras. Porque é que o Reino Unido consegue ter os estadios de futebol cheios e os teatros também? Porque é que o UK, a França, a Itália (não esta itália), e até mesmo a Alemanha não menosprezam nos seus orçamentos (nem a sua importancia) o sector da cultura? Eu não acho que devamos recorrer sempre aos exemplos olhando lá para fora mas neste caso acho importantissimo. Já respondi à primeira parte em cima. Quanto aos exemplos internacionais, não consigo deixar de sorrir perante os exemplos que escolheste. Basta comparar os rendimentos per capita de uns com os nossos, e ver onde está a diferença. Pirâmide de Maslow, amigo, existem necessidades que são prioritárias entre si, e se os portugueses vivessem tão bem como alemães ou britânicos, não tenho dúvidas nenhumas de que o interesse pela cultura fosse mais generalizado, simplesmente porque teriam fundos para investir em outras actividades que não pagar contas. Diz-me lá se agora não ficaste mais interessado no crescimento da economia a prazo, ao invés da sua estagnação mas mais fundos para a Cultura :mrgreen: Agora, não tentes fazer passar esse interesse pela cultura como uma das razões porque são mais evoluidos do que nós. Editado 4 Agosto 2016 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 4 Agosto 2016 Woyzeck vou te explicar porque tu não consegues entender por estares de alguma forma associado a esse meio... Vamos meter o exemplo de um escultor (podes por outro qualquer exemplo de actividade no mundo cultural). O rapaz faz o curso universitario de cultura = despesa do estado O rapaz não consegue encontrar emprego = despesa do estado O estado subsidia que ele faça uns trabalhos = despesa do estado - impostos (que veem do pagamento do proprio estado) Ser escultor = despesa do Estado Ou seja andam os outros a pagar para um gajo andar a esculpir coisas que não teem publico alvo A ideia que a cultura gera trabalho é o mesmo que dizer que se o estado pagar a 20 macacos para estarem a abrir e fechar buracos, também é criacao de trabalho...alias um metodo utilizado por alguns paises no leste... E a tua ideia é passar o investimento em educação, saude e segurança social para cultura? E depois antes de dizeres coisas como "Portugal não investe em cultura", olha para as estatisticas do Eurostat antes de falares, PT gasta 0,9% do seu PIB em cultura, a média europeia é 1,0%...e paises de grande cultura como Italia e Grecia tem 0,7% e 0,6% respectivamente http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/images/f/ff/Total_general_government_expenditure_on_recreation_culture_religion%2C_2014_%28%25_of_GDP_%25_of_total_expenditure%29.png Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 4 Agosto 2016 @Elliot 1- Acho que tens que pensar um bocadinho mais sobre o que é a cultura. A dieta mediterrânica é cultura (património imaterial da Humanidade pela Unesco), percebes porque é que existe sem dinheiro? Mas há áreas da cultura que para existirem precisam da contribuição permanente do estado. Isto é um contrassenso. Tu reconheces a importância da Cultura para a sociedade (e olha uma novidade, não és só tu a sociedade) mas queres limitá-la primeiro aos eventos para massas, segundo ao que tu achas válido, terceiro à iniciativa privada que em actividades cobra o dobro de uma iniciativa financiada pelo estado. Elitismo, portanto. Como é que é possivel pensar num modelo único e tão limitado para um país que partilha uma cultura atlântica e mediterrânica e que é tao variada nas suas diferentes áreas geográficas. 2- Poucos em quê? A Cultura quando financiada pelo Estado é para TODOS os cidadãos. É por isso que um dos critérios mais forte para atribuição de um apoio é a circulação e abrangência. E mesmo que seja só um, esse cidadão deve ficar privado? Ele ("os outros" como diz aí o outro) que também paga impostos? Vai ser obrigado a seguir as massas? Regressámos ao Admiravel Mundo Novo, foi? Continuas a comparar isto a um negócio sem conseguir compreender que cultura não é um negócio. Como não é a educação, nem a saúde... Isso de que tu falas em Braga acontece um pouco por todo o país no verão. São actividades financiadas (ou compradas) pelas Câmaras com o intuito de envolver as comunidades e metê-las a participar. Por isso é que são amadores. Porque os actores são os próprios habitantes, lol. 3- E o estado não tem apoios para PME's? Mas isto é apenas um argumento para refutar a ideia de que os apoios são mal gastos. 4- Mas qual cliente? Não estamos a falar de cafés. Os clientes da Cultura são os cidadões de cada país! 5- E um adulto não deve ter educação cultural? Ou simplesmente pode escolher onde e como quer passar o seu tempo livre? Aquele público mais velho privado de cultura no tempo do estado novo (alguns que só tiveram direito à quarta classe) não tem agora direito a isso, é? De repente já só és a favor da formação cultura para os jovens :lol: 6- As editoras (quase todas elas com saldo negativo, não se o grupo Leya tem lucro sequer) recorrem muito aos apoios à tradução que são dados pelos institutos de cultura dos vários paises presentes em Portugal. Tal como o Instituto Camões tem esses apoios para a tradução de obras portuguesas em linguas estrangeiras. Sem livros não ficávamos mas a oferta seria muito melhor e estariamos limitados aos Best-Sellers. 7- Eu estou do dois lados. É isso. Que exista o que tu gostas para que te sintas satisfeito. Não te esqueças é que isto não é sobre ti. Há mais 11 milhões de pessoas que ou também se sentem satisfeitas ou gostavam de mais, ou de menos ainda. É por isso que eu o faço, também. Que não lá vás, bem, tenho pena. 8- Deixou as contas saudáveis? Olha que bom. Para o fazer sacrificou uma cidade como o Porto a ser uma cidade de provincia. Mas se a folha de excel está Ok, que se lixem as pessoas. 9- Eu piâmides só a de Gizé. Eu sorrio é com essas teorias de pirâmides e similares que têm funcionado todas que é uma maravilha. Nota-se pelo estado actual das coisas. Todos os exemplos que eu dei têm hábitos culturais porque sempre houve investimento no sector da cultura. São hábitos, só isso. Há oferta e há interesse. Tu para além dos pensamentos distópicos és pouco altruísta. Se estás bem e satisfeito então é assim que o mundo deve funcionar. Mas não podemos reduzir uma sociedade inteira a nós próprios. Nem a ver tudo com estes $.$ Compartilhar este post Link para o post
Pan Publicado 4 Agosto 2016 (editado) A maneira como se reduz a cultura a simples números é assustadora. Editado 4 Agosto 2016 por Pan Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 4 Agosto 2016 (editado) Não é só a Cultura, é tudo. Uma criança numa turma custa X, um doente numa cama de hospital custa X, um policia a fazer patrulha de carro custa X... Mudando de assunto, Governo mantém secretários de Estado e vai aprovar código de conduta Um código de conduta :lol: É estúpido mas quase que dou por mim a concordar. Editado 4 Agosto 2016 por Woyzeck Compartilhar este post Link para o post
Stout Publicado 5 Agosto 2016 Essa m*rda das viagens da Galp é uma vergonha. Ponham-se todos nas p*tas masé. Ao menos não devolviam a m*rda do dinheiro e fingiam que tava tudo bem. Devolver e fingir que podem continuar ainda é mais ridículo.. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 5 Agosto 2016 (editado) 1. Podes incluir quase todo o tipo de actividades na Cultura. É por isso que vais distribuir fundos por todas? Não. Então tens de ser capaz de seleccionar aqueles que valem a pena ser apoiadas, e aquelas que não. Sou elitista por sugerir que um dos critérios mais importantes nessa selecção seria o interesse que determinados eventos geram junto do público alvo? A não ser que tenhas uma fórmula mágica para calcular o valor acrescentado que determinado evento tem junto da sociedade, acho que estou a ser razoável no meu argumento. Já tu nem tanto. Tu sim és elitista, porque fazes parte de uma minoria que se julgam representantes por direito dos interesses culturais da sociedade. Se o público não tem interesse em pagar pelo teu trabalho, então aceita que não o podes fazer de forma profissional (o que não quer dizer que o deixes de fazer de todo, por voluntarismo ou através de donativos). Não vale a pena vir com conversas de que a cultura vai mal em Portugal, ou que não há cultura, ou que esta não tem qualidade. A Cultura é tão importante no nosso dia-a-dia, tão abrangente e tão subjectiva, que vai muito além do que qualquer companhia de teatro, produtora de cinema ou actor pode oferecer. 2. Os impostos que tu pagas são para assegurar necessidades básicas e de acesso generalizado, como é a Saúde, Justiça ou Educação, entre outros, e que fundamentalmente não podem ser responsabilidade do sector Privado. Distribuir subsídios a entidades privadas para que estas possam levar a cabo a sua actividade porque não têm público suficiente para serem rentáveis, para além de ser um acto de nobreza questionável (mais uma vez, como distinguir cultura boa da cultura má? O que tem valor e o que não tem?), é uma distorção daquilo que deve ser o papel do Estado. Mais uma vez te digo, eu não sou contra o papel do Estado na Cultura - há um papel que não pode ser desempenhado por mais nenhuma entidade como é a conservação e rentabilização do seu património histórico e cultural, como são os museus, monumentos ou literatura. Em tudo o resto, que se invista se houver recursos para tal. Não é, de todo o caso de Portugal. Portanto é só ridículo estares a falar em mais apoios para áreas não prioritárias neste momento, quando todos sabemos as consequências que a falta de recursos está a ter na Educação e na Saúde (e na situação do país em geral). O exemplo de o Estado financiar uma actividade cultural para um só individuo porque este paga impostos é, então, inqualificável. Compreendo que mais apoios para a Cultura significaria mais trabalho para ti e para os teus companheiros, mas por favor, não o tentem conseguir à custa do dinheiro dos contribuintes em nome de uma moral superior, em representação do interesse cultural do país. 3. O Estado tem linhas de crédito de apoio às PME's . Estou certo que as companhias de teatro ou produtoras de cinema também conseguiriam acesso a linhas de crédito semelhantes se fossem rentáveis. Mas já agora, afinal a Cultura é um negócio ou não é? 4. A partir do momento em que vais consumir um produto (ou mesmo pagar bilhete), és um cliente. Ou um consumidor, escolhe o termo que te fizer menos confusão. 5. Eu não sou a favor da cultura para jovens, sou a favor da educação cultural dos mais jovens, que não é a mesma coisa nem tão limitado como queres fazer parecer. E acho que os adultos têm igualmente direito a consumir quanta cultura estes quiserem. Mas não devem ser obrigados a comparticipar a sua fruição. O Estado tem meios próprios para educar culturalmente os adultos, através da rentabilização do seu património cultural e histórico - museus, bibliotecas, pontos históricos, etc. Se estes quiserem produtos oferecidos pelo Privado, então que façam como em qualquer outra área, que paguem e que consumam à vontade. Os mais novos não têm estas condições, e por isso é que defendo que não devam ser limitados na sua escolha. 6. Não sei até que ponto esses apoios na tradução se estendem a todos os livros ou a todas as editoras, por isso não consigo dizer grande coisa quanto a isso. Mas uma coisa é certa, Portugal é um mercado muito pequeno para tantas editoras, e já começamos a assistir a uma consolidação da indústria que levará, inevitavelmente, para uma situação em que teremos poucas editoras mas quase todas rentáveis (o Grupo Leya é o que está mais avançado). O problema está na oferta, não na procura. 7. Mas foste tu que perguntaste por mim :biggrin: de qualquer forma, só facto de estarmos a ter esta discussão acaba por me dar razão. Se procuram apoios do Estado porque o público não existem em número suficiente que torne certas actividades rentáveis, não é por aumentar a oferta que ele vai aparecer. 8. Uma cidade de província? Mas tu já foste ao Porto? :lol: é uma cidade quase tão vibrante como Lisboa, tens espectáculos, teatro, museus, pontos turísticos, uma gastronomia muito própria e que atravessa as fronteiras da cidade, tem imensos habitantes estrangeiros, tem de tudo. Só não tem mais porque o Estado acaba por concentrar grande parte das suas infraestruturas dedicadas à cultura em Lisboa, mas isso já é um assunto bem mais antigo do que o Rui Rio, ele que o diga... 10. A Pirâmide das Necessidades não é uma teoria que exija assim tanto esforço para compreender: As necessidades prioritárias começam na base, e só depois de uma estar satisfeita, é que o indivíduo procura satisfazer a seguinte. Como deves imaginar, as idas ao teatro ou a concertos estarão algures na categoria junto ao vértice, e mesmo aí partilhando o espaço com outras necessidades. Familias com orçamentos mais baixos gastam a quase totalidade dos seus rendimentos em necessidades básicas, e quanto maiores os seus rendimentos, menor é a percentagem gasta em bens de primeira necessidade. Em todos os países que tu enunciaste, o facto de o PIB per capita ser bastante superior permite que os seus habitantes possam gastar em serviços que não são prioritários e que encaixam na última categoria da pirâmide. Se todos os eventos culturais em Portugal fossem à borla, também terias uma adesão brutal - basta ver o que acontece nesses concertos ao ar livre que algumas Câmaras propõem durante o Verão... só te mexes com os olhos. O problema é que essas borlas não são bem borlas, saem do nosso bolso e levam a que mais tarde tenhamos de pagar a factura, como é o que está a acontecer neste momento por cá. Nem tudo tem a ver com $.$, mas uma vez que foste tu quem começou a debater o tema e se focou na falta de $.$ destinado à cultura, acho que não fugi muito ao assunto. De qualquer forma, sou um gajo das finanças, e no primeiro ano a trabalhar a tempo inteiro, já estou a descontar por mês o equivalente a uma propina mensal do Mestrado, e isso deixa-me muito cauteloso no que toca a tudo o que envolva finanças públicas. E agora a reler, tenho noção de que as minhas opiniões possam parecer muito radicais e fundamentalistas. Provavelmente, estando no teu lugar e tendo contacto directo com os casos que conheces, talvez fosse repensar algumas das coisas que escrevi, mas abordando o assunto da forma mais abrangente possível e com a informação que tenho disponível (que é a mesma que a esmagadora maioria daqueles que não trabalham na cultura terá), é o que me é possivel opinar :) EDIT: Que p*ta de muralha de texto, mais vale seguir falando da Galpgate :lol: A maneira como se reduz a cultura a simples números é assustadora. Oxalá faças o mesmo com todas as tuas despesas se algum dia chegar a uma altura em que os teus rendimentos não chegam para fazer face às tuas necessidades :medinho: Editado 5 Agosto 2016 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 5 Agosto 2016 @Elliot 1- Acho que tens que pensar um bocadinho mais sobre o que é a cultura. A dieta mediterrânica é cultura (património imaterial da Humanidade pela Unesco), percebes porque é que existe sem dinheiro? Mas há áreas da cultura que para existirem precisam da contribuição permanente do estado. Isto é um contrassenso. Tu reconheces a importância da Cultura para a sociedade (e olha uma novidade, não és só tu a sociedade) mas queres limitá-la primeiro aos eventos para massas, segundo ao que tu achas válido, terceiro à iniciativa privada que em actividades cobra o dobro de uma iniciativa financiada pelo estado. Elitismo, portanto. Como é que é possivel pensar num modelo único e tão limitado para um país que partilha uma cultura atlântica e mediterrânica e que é tao variada nas suas diferentes áreas geográficas. 2- Poucos em quê? A Cultura quando financiada pelo Estado é para TODOS os cidadãos. É por isso que um dos critérios mais forte para atribuição de um apoio é a circulação e abrangência. E mesmo que seja só um, esse cidadão deve ficar privado? Ele ("os outros" como diz aí o outro) que também paga impostos? Vai ser obrigado a seguir as massas? Regressámos ao Admiravel Mundo Novo, foi? Continuas a comparar isto a um negócio sem conseguir compreender que cultura não é um negócio. Como não é a educação, nem a saúde... Isso de que tu falas em Braga acontece um pouco por todo o país no verão. São actividades financiadas (ou compradas) pelas Câmaras com o intuito de envolver as comunidades e metê-las a participar. Por isso é que são amadores. Porque os actores são os próprios habitantes, lol. 3- E o estado não tem apoios para PME's? Mas isto é apenas um argumento para refutar a ideia de que os apoios são mal gastos. 4- Mas qual cliente? Não estamos a falar de cafés. Os clientes da Cultura são os cidadões de cada país! 5- E um adulto não deve ter educação cultural? Ou simplesmente pode escolher onde e como quer passar o seu tempo livre? Aquele público mais velho privado de cultura no tempo do estado novo (alguns que só tiveram direito à quarta classe) não tem agora direito a isso, é? De repente já só és a favor da formação cultura para os jovens :lol: 6- As editoras (quase todas elas com saldo negativo, não se o grupo Leya tem lucro sequer) recorrem muito aos apoios à tradução que são dados pelos institutos de cultura dos vários paises presentes em Portugal. Tal como o Instituto Camões tem esses apoios para a tradução de obras portuguesas em linguas estrangeiras. Sem livros não ficávamos mas a oferta seria muito melhor e estariamos limitados aos Best-Sellers. 7- Eu estou do dois lados. É isso. Que exista o que tu gostas para que te sintas satisfeito. Não te esqueças é que isto não é sobre ti. Há mais 11 milhões de pessoas que ou também se sentem satisfeitas ou gostavam de mais, ou de menos ainda. É por isso que eu o faço, também. Que não lá vás, bem, tenho pena. 8- Deixou as contas saudáveis? Olha que bom. Para o fazer sacrificou uma cidade como o Porto a ser uma cidade de provincia. Mas se a folha de excel está Ok, que se lixem as pessoas. 9- Eu piâmides só a de Gizé. Eu sorrio é com essas teorias de pirâmides e similares que têm funcionado todas que é uma maravilha. Nota-se pelo estado actual das coisas. Todos os exemplos que eu dei têm hábitos culturais porque sempre houve investimento no sector da cultura. São hábitos, só isso. Há oferta e há interesse. Tu para além dos pensamentos distópicos és pouco altruísta. Se estás bem e satisfeito então é assim que o mundo deve funcionar. Mas não podemos reduzir uma sociedade inteira a nós próprios. Nem a ver tudo com estes $.$ Nem vale a pena discutir porque tu tens zero de conhecimento sobre o que significa gerir um orçamento no longo prazo...ainda bem que o mundo vai continuar a gastar esses 1% em cultura e tu vais continuar a dizer coisas disparatadas...a que esta a bold é uma perola, visto que se chegarmos a um certo ponto em que as contas estao desiquilibradas, vai ser cortar por exemplo nas ajudas socias para continuar a dar cultura... E a parte da piramide de Maslow que tu dizes ser uma teoria...diz mais ou menos que antes de teres cultura, necessitas de das coisas basicas como comer, dormir, seguranca, etc... achares que isto é uma teoria não valida faz de ti simplesmente uma pessoa sem qualquer nocao da realidade Compartilhar este post Link para o post