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PeteThaAlcino

Livro de exercícios da Porto Editora sugere que meninas são mais limitadas

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A questão é que eu acho perigoso um caminho que passa pela censura ou, pelo menos, pelo condicionamento dos conteúdos dos livros ou das publicações.

 

Tu dizes num post anterior que não se ganha nada em haver distinções nos conteúdos para cada um dos géneros. Que não há nada positivo em ter livros com princesas e bailarinas e outros com piratas e exploradores. Mas há. Para a empresa. Se assim não fosse eles não os publicariam. E também para mim enquanto consumidor porque me dá o direito de escolher.

 

Pela minha parte entendo que não há aspetos negativos relacionados com a existência desse tipo de conteúdos. Por outro lado a normalização desses materiais com motivos neutros restringe-me a escolha. Se, por absurdo, a minha filha não utilizar o livro porque não acha jeito ter um rapaz a fazer ballet na capa ou o meu filho não o utilizar porque não gosta de ballet, fico impedido de lhes fornecer o livro. Perde a empresa, porque não vende e perdem os meus filhos porque não dispõem desse material educativo que pode ser importante.

 

Sublinho o por absurdo porque, de facto, este assunto é de tal forma irrelevante que acabamos por esgrimir argumentos que deixam de fazer qualquer sentido prático.

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A questão é que eu acho perigoso um caminho que passa pela censura ou, pelo menos, pelo condicionamento dos conteúdos dos livros ou das publicações.

 

Tu dizes num post anterior que não se ganha nada em haver distinções nos conteúdos para cada um dos géneros. Que não há nada positivo em ter livros com princesas e bailarinas e outros com piratas e exploradores. Mas há. Para a empresa. Se assim não fosse eles não os publicariam. E também para mim enquanto consumidor porque me dá o direito de escolher.

 

Pela minha parte entendo que não há aspetos negativos relacionados com a existência desse tipo de conteúdos. Por outro lado a normalização desses materiais com motivos neutros restringe-me a escolha. Se, por absurdo, a minha filha não utilizar o livro porque não acha jeito ter um rapaz a fazer ballet na capa ou o meu filho não o utilizar porque não gosta de ballet, fico impedido de lhes fornecer o livro. Perde a empresa, porque não vende e perdem os meus filhos porque não dispõem desse material educativo que pode ser importante.

 

Sublinho o por absurdo porque, de facto, este assunto é de tal forma irrelevante que acabamos por esgrimir argumentos que deixam de fazer qualquer sentido prático.

um dos pontos importantes é este...ninguém é obrigado a comprar...ao consumidor é oferecida escolha e ele escolhe comprar ou não

 

restringir esta opção de escolha é coisa que se fazia há 50anos atrás....

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A questão é que eu acho perigoso um caminho que passa pela censura ou, pelo menos, pelo condicionamento dos conteúdos dos livros ou das publicações.

 

Tu dizes num post anterior que não se ganha nada em haver distinções nos conteúdos para cada um dos géneros. Que não há nada positivo em ter livros com princesas e bailarinas e outros com piratas e exploradores. Mas há. Para a empresa. Se assim não fosse eles não os publicariam. E também para mim enquanto consumidor porque me dá o direito de escolher.

 

Pela minha parte entendo que não há aspetos negativos relacionados com a existência desse tipo de conteúdos. Por outro lado a normalização desses materiais com motivos neutros restringe-me a escolha. Se, por absurdo, a minha filha não utilizar o livro porque não acha jeito ter um rapaz a fazer ballet na capa ou o meu filho não o utilizar porque não gosta de ballet, fico impedido de lhes fornecer o livro. Perde a empresa, porque não vende e perdem os meus filhos porque não dispõem desse material educativo que pode ser importante.

 

Sublinho o por absurdo porque, de facto, este assunto é de tal forma irrelevante que acabamos por esgrimir argumentos que deixam de fazer qualquer sentido prático.

Mas por que raio é que o mesmo livro não pode ter princesas/príncipes, exploradores/exploradoras, bailarinos/bailarinas, etc.? Eu só desejo que não haja esta clara distinção de género, que em certo ponto é a roçar o ridículo (porque eu a ver as capas nem queria acreditar, pois mais parece algo satírico, só faltava a ilustração da miúda ter o gelado espetado na testa).

 

Caberá também à própria editora e suas competidoras colocarem no mercado essa desejada variedade nas ilustrações que tu, como consumidor, procuras, mas neste contexto não vejo como esta distinção de género faça algum sentido.

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Mas por que raio é que o mesmo livro não pode ter princesas/príncipes, exploradores/exploradoras, bailarinos/bailarinas, etc.? Eu só desejo que não haja esta clara distinção de género, que em certo ponto é a roçar o ridículo (porque eu a ver as capas nem queria acreditar, pois mais parece algo satírico, só faltava a ilustração da miúda ter o gelado espetado na testa).

 

Caberá também à própria editora e suas competidoras colocarem no mercado essa desejada variedade nas ilustrações que tu, como consumidor, procuras, mas neste contexto não vejo como esta distinção de género faça algum sentido.

 

Claro que pode. Mas essa é uma decisão que cabe às editoras e autores. Se esse assunto é tão relevante para os defensores da Igualdade de Género, Associações e Comissões porque raio não os produzem e colocam no mercado em concorrência com os outros?

 

Às editoras não cabe coisa nenhuma a não ser colocar no mercado produtos que respondam à sua estratégia comercial. Sendo certo que no caso dos manuais escolares e outros materiais educativos devem corresponder a regras específicas relativas à adequação dos conteúdos ao desenvolvimento intelectual do seu público alvo e aos programas curriculares. Tendo presente que a questão da complexidade diferenciada dos conteúdos foi de imediato desmascarada neste caso, parece-me não haver mais nada a acrescentar.

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E eu nem sei se nas lojas os livros estão lado a lado, ou se há divisão dos produtos para raparigas e rapazes; porque neste último caso, de certa forma, estar-se-ia a limitar as opções do consumidor no que concerne este produto em particular, porque a não ser que fossem dar uma vista de olhos à secção do outro género, estariam indiretamente limitados à oferta disponível para um dos sexos, num tipo de material em que tal distinção é inútil.

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Precisas de trocar as visitas regulares à C&A por umas quantas à FNAC para tirares essas dúvidas...:mrgreen:

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Precisas de trocar as visitas regulares à C&A por umas quantas à FNAC para tirares essas dúvidas...:mrgreen:

Não se vendem só na FNAC.

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Não se vendem só na FNAC.

 

Pois não. E agora seria uma excelente altura para tu identificares livrarias ou outros pontos de venda de livros onde existe essa diferenciação por género mas como já admitiste que não sabes se existem torna-se complicado. Portanto trata-se de mais um pormenor deste não-assunto. Achas mal que aconteça uma coisa que não fazes a mínima ideia se acontece e em que se sabe que não acontece nos principais pontos de venda como as livrarias mais conceituadas ou hiper-mercados...

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:lol: Isso foi só um apontamento e curiosidade minha. Falas como se fosse o ponto fulcral deste assunto.

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O estudo que o Carmelo apresentou é a respeito de brinquedos, não é isso que eu tenho estado a discutir.

 

O estudo que o Carmelo orientou é relevante e pertinente pois rema contra a ideia que foi sendo construída neste tópico que os estereótipos são para serem quebrados, quando na realidade existe uma fundamentação científica que prova o contrário. Que estes existem naturalmente e que não são apenas uma construção social.

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Nada disso. Já me pronunciei suficientemente sobre o que considero o ponto fulcral nos posts anteriores. Quanto a este mero apontamento teu só fiz um comentário ligeiro com um :mrgreen: à frente e tudo... :wink:

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O estudo que o Carmelo orientou é relevante e pertinente pois rema contra a ideia que foi sendo construída neste tópico que os estereótipos são para serem quebrados, quando na realidade existe uma fundamentação científica que prova o contrário. Que estes existem naturalmente e que não são apenas uma construção social.

Eu nunca defendi que rapazes devam começar a brincar com Barbies, ou raparigas devam começar a brincar com carros. Claro que dependendo do sexo, as crianças inclinam-se mais para um certo tipo de brinquedo. Eu nunca coloquei isso em causa.

 

A discussão não é relativa a brinquedos puramente lúdicos. A discussão é relativa a material com um teor lúdico e didático, nesse aspeto é o teor lúdico que atrai a criança, e que associado ao teor didático ajuda ao desenvolvimento de funções básicas de raciocínio. Assim, as ilustrações têm como única função a de oferecer contexto para as várias atividades, daí que eu considere negativa esta exclusividade que se cria ao fazer a separação de género, pois contraria o objetivo didático, ao reforçar certas expectativas da sociedade a respeito dos meninos e das meninas; ou seja, num contexto de aprendizagem está-se também a transmitir conceitos diferenciadores de género, efetivamente consciencializando as diferenças entre rapazes e raparigas, quando estas diferença nem sempre se refletem na realidade.

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Já agora. Pensando bem, esse estudo até dá razão à Inês Pedrosa, pois se as crianças por sua própria volição são atraídas para brinquedos particulares, não há mal nenhum em estes serem organizados por tipo de brinquedo em vez das tais secções de brinquedos para meninas e para meninos. Ou seja, espaço de peluches, onde unicórnios coexistem com dinossauros; secção de bonecos/bonecas, onde estes coexistem... Seria algo a considerar, porque nem todas as crianças seguem essa tendência clara e podem sentir a necessidade de evitar a secção do sexo oposto por simples embaraço.

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Um último ponto sobre esse estudo, Rōnin.

 

O estudo indica que há componentes, tanto da biologia como do meio ambiente associado ao desenvolvimento da criança, que determinam, dependendo do sexo, a preferência de certos objetos em detrimento de outros.

 

Um dos resultados da experiência foi o seguinte:

“(...) the ball was a favourite choice for the youngest boys and the youngest girls favoured the cooking pot."

 

As meninas deram preferência ao brinquedo sob a forma de um instrumento de cozinha. Todos nós sabemos da existência do estereótipo de a cozinha ser o lugar da mulher (até marcou presença múltiplas vezes neste tópico). Portanto, deparamo-nos com uma preferência completamente inocente, mas que oferece uma certa luz ao estereótipo a respeito de tarefas domésticas.

 

Ao estabelecer-se estas óbvias diferenciações de género, seja nas secções de brinquedos, seja neste caso do livro, considero que se esteja também a contribuir para o enraizamento da ideia de que há uma linha bem delineada que separa os géneros. Da minha parte, limito-me a contestar a implementação dessa diferenciação de género em materiais de cariz didático, pois considero prejudicial que este conceito, em muitos aspetos ilusório, seja feito manifesto na consciência das crianças num contexto de estímulo e desenvolvimento intelectual.

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E em pouco mais de 10 minutos se mostra como é tão fácil manipular a opinião pública nesta era da (des)informação. O que expõe ainda mais ao ridículo o Governo, que "aconselhou fortemente" que os livros em questão fossem retirados das bancas, numa espécie de "censura voluntária", motivado só e apenas pelo burburinho gerado nas redes sociais por uma imagem claramente tendenciosa que desvirtua a realidade. Isto, para mim, é o mais grave em toda esta situação.

Editado por doom_master

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Este momento de histerismo teve o alto patrocínio das redes sociais

e

de um suposto Gabinete para a Igualdade que aplica censura.

Já a seguir, não percam a casa favorita dos portugueses onde iremos assistir a um Ministro claudicar perante a pressão de uns quantos idiotas.

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Público, mais uma vez, a mostrar como é boa a classe jornalistica. :handclap:

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Uma das atividades foi revelada como podendo ser interpretada como condescendente para um dos sexos, mesmo que acidentalmente. Quem olha para essa atividade pode claramente ver que a disparidade em complexidade é de facto gritante.

 

O Público conclui que: “No conjunto das 62 actividades propostas, existem seis cuja resolução é mais difícil no livro dos rapazes e três que apresentam um grau de dificuldade superior no das meninas.”

 

A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género não só determina que essa disparidade está presente, como também identifica que há estereótipos de género no que respeita o papel dos sexos na sociedade, oferecendo os exemplos: “numa atividade dirigida aos rapazes, é promovido o contacto com o exterior (campo, árvore, ancinho, águia, etc.), enquanto que, para as raparigas, a actividade apresenta cinco objectos, todos eles ligados a actividades domésticas (leite, manteiga, iogurte, alface e maçã)”; "Ainda num outro exemplo, a proposta para os rapazes é a de um cientista construir um robô, enquanto para as raparigas é a de ajudar a mãe a preparar o lanche".

 

O próprio RAP admite existirem “estereótipos nocivos” para ambos os sexos.

 

Com base nestes factos a CIG oferece a recomendação para a retirada destes livros do mercado, tal como se disponibilizou “para colaborar com a editora na revisão dos conteúdos dos dois livros no sentido de eliminar as mensagens que possam ser promotoras de uma diferenciação e desvalorização do papel das raparigas no espaço público e dos rapazes no espaço privado”. A Porto Editora aceitou tanto a recomendação, como a colaboração com a CIG, planeando “sugerir o agendamento de uma reunião de trabalho com a brevidade possível.”

 

Face a isto não percebo esta insistência em usar o termo censura. Considero que a situação foi bem ajuizada e tratada com bom senso por ambas as partes.

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É o que tenho dito desde o início: os problemas são os estereótipos e o simples facto de haver diferenciação entre livros didáticos para meninos e meninas.

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