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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

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Citação de Fajo, há 2 horas:

Mais um capitulo incrível deste teu Amora. Agora percebo porque é que tiveste de andar a alterar tudo 😅 Muito bom ter a lotação aumentada, e pelo andar da carruagem vais ter casa cheia em quase todos os jogos. O 12º jogador!

Sobre o jogo com o Mafra, uma pena teres perdido nos penáltis mas faz parte. Deu para tirar algumas ilações, e perceber que os próximos tempos vão ser duros. Importante entrar bem no campeonato e ir pontuando, porque quando se cai para o fundo da tabela torna-se difícil sair de lá (a tua briosa que o diga 😞 ). 

Em termos de jogadores, vais já lançar algum dos putos da equipa sub 23 ou aguentar mais algum tempo?

A ideia é lançá-los aos poucos. Alguns dos suplentes terminam contrato nesta temporada, quero despachá-los em Janeiro a ver se alguém pega neles e promovo alguns putos para irem entrando a partir do banco durante os jogos.

A ver se não me lixo e não caio novamente na Liga 3 com esta aposta. Os putos que tenho são dispensados de outras equipas, que não renovaram com eles, portanto também não há de estar ali nenhum supercraque.

É o que há e é com o que vamos. Logo se vê.

Já que falaste na Briosa, era algo desde género que defendo para a Académica. Apostar nos putos, a Briosa tem uma área de recrutamento gigantesca em toda a região centro e uma Academia certificada.

Em vez disso, andaram a atafulhar o plantel com trintões que estavam sem clube. Agora correm o risco de ficar com um plantel envelhecido e descer à mesma.

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Capítulo IX - É tudo contra o Amora
 
 
Os adeptos entusiasmaram-se com a conquista do pontapé de canto. O capitão colocou a bola no quarto de círculo e olhou para a área, levantando um dos braços.
 
O cruzamento levou a bola a descrever um arco e a cair na zona do segundo poste. Um molho de jogadores lutou pela posição e um deles saltou mais alto, cabeceando na direcção da baliza.
 
"Golo!", gritou-se nas bancadas. Os jogadores dispararam em velocidade na direcção da bandeirola de canto, celebrando aquele golo tardio que os repunha na liderança do marcador.
 
Frodo Zarco estava a assistir ao lance junto à linha lateral, bem longe da sua zona técnica, e reagiu intempestivamente: rodou nos calcanhares, deu três passos acelerados na direcção do seu banco de suplentes e deu um pontapé numa garrafa de água que tivera o azar de ali estar. A garrafa passou a centímetros da cabeça de um dos elementos da equipa técnica do Amora e esbarrou com estrondo na estrutura de acrílico do banco de suplentes, esguichando água em todas as direcções.
 
Não estava furioso. Aquela reacção foi uma expressão de frustração, um sentimento de injustiça. Os deuses do futebol estavam a punir injustamente o Amora.
 
"É tudo contra o Amora!", dizia Frodo Zarco, numa expressão que se popularizara na região para descrever uma situação em que tudo corre mal e à qual ele recorria frequentemente.
 
O Amora deslocara-se a Chaves para defrontar a equipa local. Longe vão os tempos em que ir a Chaves era quase tão difícil quanto ao Camp Nou. A viagem era extenuante, obrigando a percorrer de autocarro o medonho IP4: curvas e contracurvas ao longo das encostas íngremes do Marão, primeiro a subi-las, depois a descê-las. As equipas chegavam a Chaves já desgastadas, começando os jogos a 80 ou 90 por cento das suas capacidades físicas e psicológicas. Hoje em dia, e apesar de continuar a ser uma longa viagem de mais de 450 quilómetros para cada lado, as infraestruturas rodoviárias permitiam outro conforto aos jogadores.
 
Mas isso não tornava o Chaves um adversário fácil, pois continuava a ser um osso duro de roer. Perpétuo candidato à subida de divisão desde que voltara a cair na Segunda Liga e com um público apaixonado sempre presente no apoio à sua equipa, a deslocação a Trás-os-Montes marcava sempre um dos momentos mais críticos da temporada para qualquer equipa - e mais ainda a quem, como o Amora, lá ia desde o sul do país.
 
Essas dificuldades manifestaram-se desde o início do jogo e com naturalidade os flavienses chegaram à vantagem no marcador por intermédio de um remate de João Mendes à entrada da área. O intervalo fez bem ao Amora e na segunda parte a tendência do jogo inverteu-se em prol da equipa da Margem Sul, que foi empurrando o Chaves no terreno e surgindo com perigo em zonas de finalização. Faltava apenas melhor definição no passe e na finalização.
 
O golo do empate surgiu aos 71 minutos, num lance gizado pelo maestro Léléco, que descobriu Flávio Silva na área; o avançado, de costas para a baliza, deu para o lado e Gildo, sem oposição, finalizou para uma justa igualdade. O Amora cresceu ainda mais e dava a sensação que poderia sair de Trás-os-Montes com os três pontos, mas contra a corrente do jogo surgiu um pontapé de canto que Nuno Coelho cobrou e João Queirós concluiu com um cabeceamento imparável.
 
Frodo Zarco não conseguiu conter-se e chutou a garrafa de água que ali estava mesmo a jeito de servir de escape para extravasar a sua frustração. A sua equipa fizera tudo bem; souberam sofrer quando estiveram pressionados; conseguiram inverter o ímpeto do jogo; anularam os pontes fortes do adversário; chegaram ao empate e estavam mais próximos de virar o resultado do que de perder.
 
E, no entanto, era o Chaves que estava a vencer aos 83 minutos, numa partida perversa que os deuses do futebol pregavam aos seus jogadores.
 
Aquele pontapé irreflectido numa inocente garrafa de água levava a frustração que trazia acumulada há semanas e que, naquele momento, extravasou. Foi a gota de água que fez transbordar um copo que estava cheio até ao limite.
 
 
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Os modestos objectivos do Amora para a sua participação na Segunda Liga
 
 
O Amora estreou-se na Segunda Liga recebendo o Académico de Viseu. Seria o primeiro jogo de um campeonato profissional na Medideira desde 21 de Maio de 1995 - na altura com uma brilhante vitória sobre o mesmo Leça que se sagraria campeão da Segunda Divisão de Honra, como então se designava a atual Segunda Liga. Os adeptos deslocaram-se em massa para apoiar o Amora e estavam confiantes num bom resultado.
 
Havia bons motivos para isso. O Amora vinha de uma temporada em que fora campeão da Liga 3 não perdendo qualquer jogo em casa. Na sua última participação na Segunda Divisão de Honra, na temporada 1994/95, ninguém venceu na Medideira além do Amora: sete vitórias e dez empates em dezassete jogos, valendo 24 dos 27 pontos conquistados no campeonato (as vitórias valiam dois pontos). Insuficientes para evitar a despromoção, é certo, mas números que atestam o inferno que a Medideira sempre representou para os adversários do Amora.

No entanto, naquela tarde de Agosto não houve estatísticas ou memórias que valessem ao Amora. Não que faltasse tenacidade aos jogadores; não, o Amora batalhou, deixou tudo o que tinha em campo, mas nos momentos decisivos os jogadores pareciam constrangidos - hesitantes, até.

E houve um Paul Ayongo que fez toda a diferença.

 

 

A diferença de intensidade competitiva foi evidente até para os leigos do futebol. O Amora jogou de igual para igual, rematou tanto como os adversários, equilibrou a percentagem de posse de bola, mas os jogadores do Académico de Viseu tinham uma segurança nas suas acções que os amorenses não tinham. O efeito prático foi o Amora a desperdiçar as suas ocasiões e o adversário a aproveitar erros infantis para construir uma robusta vitória.

A inexperiência dos jogadores foi tão gritante que Frodo Zarco teve receio das consequências de sujeitar a sua miudagem a nova goleada e optou por os resguardar, abordando os jogos seguintes por uma perspectiva mais reservada, expondo-os menos ao risco.

Isso teve um elevado impacto nos resultados seguintes.

 

 

Os dois jogos seguintes, frente a Farense e Covilhã, foram tão enfadonhos quanto as estatísticas dão a entender. O Amora juntou linhas e procurou compensar em números e entreajuda aquilo que lhes faltava em qualidade individual e intensidade competitiva no momento da decisão.

Foi após a deslocação à Póvoa de Varzim que Frodo Zarco sentiu a equipa mais preparada para o ritmo de jogo da Segunda Liga. O Amora atropelou o Varzim durante os noventa minutos e o empate foi difícil de engolir após tamanho desperdício ofensivo. Foi também o jogo em que a frustração começou a encher o âmago de Frodo Zarco.

Faltava menos de cinco minutos para o término do tempo regulamentar e o Amora procurava reagir ao golo sofrido no Estádio Municipal de Chaves. A equipa procurava furar a defensiva flaviense, procurando brechas que pudesse aproveitar e falhando em fazê-lo quando surgiam - havia sempre um toque a mais, uma hesitação no momento certo do passe, um receio na hora de assumir a responsabilidade de rematar.

Tal e qual como na Póvoa de Varzim, onde a equipa teve muito volume de jogo, mas cada vaga de ataque era rebatida como ondas a bater num molhe. E tal e qual como na recepção ao Casa Pia.

 

 

A segunda derrota da temporada, novamente na Medideira, deixou Frodo Zarco a ferver de frustração. A equipa jogava bem e não era inferior aos seus adversários. Circulava a bola com rigor. Criava ocasiões. Falhava, porém, nos momentos decisivos e acabava por sentir-se depois injustiçada quando os adversários marcavam, aproveitando - e não desperdiçando - os erros alheios.

O quarto árbitro levantava a placa que anunciava quatro minutos de compensação em Chaves e o Amora atacava novamente. Papou Mendes combinou com Gabriel Capixaba pela esquerda, puxou a bola para dentro e surgiu a hipótese de servir Flávio Silva na área. Hesitou. Foi meio segundo de hesitação, mas quando tentou o passe já um defesa tinha tapado o espaço e interceptou a bola, lançando o contra-ataque.

O jovem João Carvalho tentou antecipar-se ao adversário, mas foi ligeiramente mais lento do que ele. Perdendo o tempo de entrada à bola, restou-lhe agarrá-lo e derrubá-lo, evitando uma transição perigosa que deixaria o Chaves em superioridade numérica.

Franzindo o cenho, Frodo Zarco reflectia que pelo menos João Carvalho aprendera com os erros.

 

 

A deslocação a Vila Franca de Xira saldara-se noutra derrota difícil de digerir. O Amora criou várias ocasiões de golo, viu Flávio Silva ter dois golos anulados por fora-de-jogo e ainda assim recuperar de uma desvantagem injusta. E, no entanto, bastou um erro defensivo de João Carvalho, que fruto da inexperiência da idade falhou uma intercepção e depois teve receio de cortar o lance com uma falta, para o Vilafranquense vencer um jogo que não merecia.

"É tudo contra o Amora!"

Era assim que o Amora chegava a Chaves: com a sensação que os deuses do futebol estavam a inclinar o campo contra si. A equipa jogava, criava, mas a bola não entrava, e os erros defensivos eram aproveitados pelos adversários que desperdiçavam menos do que o Amora.

 

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A imprensa começa a questionar as chances do Amora e o próprio Frodo Zarco...

 

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... e embora o treinador continue a merecer a confiança de Bilbo Himura...

 

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... a dúvida parece começar a crescer até entre os jogadores

 

O Amora saía para um último ataque com Léléco a colocar em Flávio Silva, prontamente derrubado por um adversário que assim cortou o lance ofensivo. Mas dava um livre frontal ao Amora, naquele que seria seguramente o último lance do jogo.

Foi Léléco quem pegou na bola. Olhou para Frodo Zarco, que a partir da linha lateral fez um aceno com a cabeça, dando a sua concordância. Rematou à baliza.

A bola descreveu um arco em volta da barreira e percorreu os vinte e cinco metros até à baliza, ultrapassando o guarda-redes e aninhando-se nas redes flavienses.

Todo o banco do Amora invadiu o terreno de jogo. Aquele golo foi o da libertação de toda a frustração acumulada, de toda a fúria contida. Não era uma vitória, mas sabia como tal. Uma vingança aos deuses do futebol que se divertiam a criar contratempos ao Amora.

 

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Relatório do jogo

 

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A vitória sobre o Beira-Mar, em jogo a contar para a Taça de Portugal, foi a única vitória do Amora na temporada

 

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Apesar do titubeante arranque e de ocupar a última posição, a linha de água está a meros três pontos do Amora

 

O jogo terminou logo após o golo do Amora e havia sorrisos entre jogadores e equipa técnica. Sentiam que podiam ter levado algo mais de Chaves, mas também estiveram perto de não levar qualquer ponto.

O magistral livre directo de Léléco marcou, de resto, o primeiro momento da temporada em que o Amora sentiu que tirava algo de um jogo - até aí, a equipa estava habituada a que os últimos minutos trouxessem amargos de boca, golos sofridos e pontos perdidos.

Havia esperança em dias melhores entre o plantel do Amora. Afinal de contas, em último lugar já estavam, pior não podiam ficar - só havia margem para melhorar.

Editado por Black Hawk
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Estádio com novas e merecidas condições para o clube! E deste uma boa réplica perante um adversário complicado para a taça da liga! A eliminação por penalties foi dura mas há que dar mérito pelo que a equipa fez!

Algo que tem tido dificuldade de demonstrar na segunda liga! O mês de agosto teve muitos jogos, uma equipa inexperiente e com menos qualidade acaba por ter algumas dificuldades em se adaptar a esta nova realidade!

No meu save (que é algo completamente diferente e que acredito ter jogadores, de um modo geral, mais capazes) senti a obrigação de mudar ligeiramente as instruções à equipa, algo mais pragmático mas que funcionava.

Confirma-se que será um campeonato muito complicado! Olhando para a tabela vemos nomes muito fortes mas acredito que Zarco terá as ferramentas necessárias para dar a volta à situação. Que este jogo perante o Chaves traga a força que a equipa precisa!

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Inicio muito complicado mas foi apenas o inicio, acredito que seja possível dar a volta.

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Citação de Kluivert, há 14 horas:

Estádio com novas e merecidas condições para o clube! E deste uma boa réplica perante um adversário complicado para a taça da liga! A eliminação por penalties foi dura mas há que dar mérito pelo que a equipa fez!

Algo que tem tido dificuldade de demonstrar na segunda liga! O mês de agosto teve muitos jogos, uma equipa inexperiente e com menos qualidade acaba por ter algumas dificuldades em se adaptar a esta nova realidade!

No meu save (que é algo completamente diferente e que acredito ter jogadores, de um modo geral, mais capazes) senti a obrigação de mudar ligeiramente as instruções à equipa, algo mais pragmático mas que funcionava.

Confirma-se que será um campeonato muito complicado! Olhando para a tabela vemos nomes muito fortes mas acredito que Zarco terá as ferramentas necessárias para dar a volta à situação. Que este jogo perante o Chaves traga a força que a equipa precisa!

Também senti a mesma necessidade de mudar. Aqueles três empates a zero consecutivos foram consequência disso, meti a equipa a jogar mais recuada do que nunca.

O que noto é que os meus defesas são lentos a reagir. Os adversários desmarcam-se nas costas e eles quando arrancam já os gajos vão disparados. Daí achar que muitos dos desaires são devido à qualidade individual.

No ataque, é o que disse no capítulo: os passes demoram muito a sair, quando saem são interceptados ou saem ligeiramente ao lado do que deveriam, os remates ou vão para a baía do Seixal ou vão à figura.

Não sinto que estejamos a jogar mal, mas nos momentos decisivos falta-nos um danoninho e isso tem feito a diferença.

Ando a ver se descubro um modo de proteger a equipa dos erros individuais, mas ainda não acertei a afinação. Se calhar só a acerto quando melhorar a qualidade individual do onze titular...

Citação de six_strings, há 13 horas:

Apesar de nada estar perdido, este foi um começo nada abonatório para o Amora. É tudo contra eles.

PEACE

Tudo o que pode correr mal, corre...

Citação de Banks29, há 12 horas:

Inicio muito complicado mas foi apenas o inicio, acredito que seja possível dar a volta.

... e também acredito que damos a volta. Até porque se não dermos o Frodo Zarco acaba despedido e ninguém quer isso, pois não? 😄

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Não está fácil companheiro, mas também não se esperava outra coisa. Subir à 2a liga a época passada foi um feito notável, tinham equipas mais apetrechadas que ficaram pelo caminho. Como não havia grande graveto para comprar craques (e nem é a filosofia do teu save 😉 ) é normal que esta época seja cada jogo "mata mata" como diria o grande Scolari. Vão ser jogos decididos nos detalhes, portanto é conseguir equilibrar a equipa e marcar nas ocasiões que a equipa cria. O Flávio precisa de voltar a carburar, faz falta!

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Citação de Fajo, há 12 horas:

Não está fácil companheiro, mas também não se esperava outra coisa. Subir à 2a liga a época passada foi um feito notável, tinham equipas mais apetrechadas que ficaram pelo caminho. Como não havia grande graveto para comprar craques (e nem é a filosofia do teu save 😉 ) é normal que esta época seja cada jogo "mata mata" como diria o grande Scolari. Vão ser jogos decididos nos detalhes, portanto é conseguir equilibrar a equipa e marcar nas ocasiões que a equipa cria. O Flávio precisa de voltar a carburar, faz falta!

Não havia graveto e continua a não haver. Já tenho uns quantos putos recomendados pelos observadores para apresentar contrato em Janeiro, da mesma forma que fiz para esta época, já tive de renovar alguns contratos na equipa principal e pelas minhas contas só fico dentro do orçamento porque há quatro suplentes a acabar contrato com os quais não renovo e alivia o orçamento. Se não me aumentam o orçamento para a próxima época volta a não haver reforços, e desta vez estava a pensar trazer três ou quatro gajos mais experientes para servirem de mentores aos putos mais promissores.

Sobre esta época, o Flávio não tem marcado mas durante os jogos é incrível, o gajo parece o Paulinho, faz funcionar tudo. Ainda no último capítulo fez a assistência para o primeiro em Chaves e sofreu a falta para o segundo. Noutros jogos anda por lá a isolar colegas ou a ligar o jogo, mas rematar à baliza é que é pior. Mas isso é mal transversal, o Gabriel Capixaba, estrela da equipa, ainda não marcou, por exemplo. O Juancho e o Gildo, que vão tentando substituir o Joca, pouco marcaram também.

Está difícil. Nada que não se previsse, o @Burkina2008 já tinha comentado num dos capítulos anteriores que às vezes os jogadores têm uma boa época e depois num nível superior não conseguem replicá-la. Alguns estão a dar esse sinal. Mas também só vamos na 7a jornada.

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Estás a pagar caro a subida de divisão, até porque mantiveste alguns dos jogadores que tantas alegrias nos deram na época passada. É o que é e vale o que vale. Noto que nem sempre é fácil que os jogadores rendem duas épocas seguidas (sobretudo quando há uma clara subida em termos de patamar competitivo, como aliás é o caso.

Estás com um estádio novo e isso é um motivo de alegria, para fazer coisas bonitas, junto dos adeptos. 

A eliminação na Taça da Liga foi mesmo na última gota (penalys) e é sempre caricato cair dessa forma. A equipa é obviamente pouco experiente para estas andanças e isso está a revelar-se um contratempo. Agosto mostrou algumas debilidades e dificuldades. Não foram jogos fáceis e parece que tudo caminhava sempre no sentido oposto àquele que querias.

O campeonato será bem duro. Tens apenas 4 pontos, estás no último lugar... Isso é certo! Mas nem tudo ao mar, nem tudo à terra... Há margem de manobra e o que interessa é fazer as contas no final. Este jogo com o Chaves poderá ser um tónico. Espero que seja verdade!

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Como disseste é um inicio complicado na segunda liga, especialmente porque jogas bem mas na frente a coisa nao funciona quando toca a finalizar...se calhar um reforco no ataque?

De facto esse golo do Leleco de livre no ultimo minuto dos descontos foi uma grande alegria mas poderá ser mesmo o arranque para melhores resultados? É que ainda nem jogaste com os da frente...parece negra a vida ai...

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Citação de Martini Branco, há 21 horas:

Estás a pagar caro a subida de divisão, até porque mantiveste alguns dos jogadores que tantas alegrias nos deram na época passada. É o que é e vale o que vale. Noto que nem sempre é fácil que os jogadores rendem duas épocas seguidas (sobretudo quando há uma clara subida em termos de patamar competitivo, como aliás é o caso.

Estás com um estádio novo e isso é um motivo de alegria, para fazer coisas bonitas, junto dos adeptos. 

A eliminação na Taça da Liga foi mesmo na última gota (penalys) e é sempre caricato cair dessa forma. A equipa é obviamente pouco experiente para estas andanças e isso está a revelar-se um contratempo. Agosto mostrou algumas debilidades e dificuldades. Não foram jogos fáceis e parece que tudo caminhava sempre no sentido oposto àquele que querias.

O campeonato será bem duro. Tens apenas 4 pontos, estás no último lugar... Isso é certo! Mas nem tudo ao mar, nem tudo à terra... Há margem de manobra e o que interessa é fazer as contas no final. Este jogo com o Chaves poderá ser um tónico. Espero que seja verdade!

 

Citação de Burkina2008, há 20 horas:

Como disseste é um inicio complicado na segunda liga, especialmente porque jogas bem mas na frente a coisa nao funciona quando toca a finalizar...se calhar um reforco no ataque?

De facto esse golo do Leleco de livre no ultimo minuto dos descontos foi uma grande alegria mas poderá ser mesmo o arranque para melhores resultados? É que ainda nem jogaste com os da frente...parece negra a vida ai...

Respondendo a ambos, yah, estou a pensar de facto em reforços para dar experiência e servirem de exemplo à miudagem. E claro, que tragam qualidade. A cena é que não sei com que contas me coso para a próxima época, se me aumentarem o orçamento talvez dê.

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Capítulo X - O afroastro

 

"Azul!

E a cor azul!

O céu do mundo!

Vai-nos salvar, iluminar!"

 

A instalação sonora da Medideira difundia ruidosamente o tema dos Delfins, cuja alusão às cores do Amora deixava subentendido que a escolha musical não seria aleatória.

A música ia animando o ambiente ainda murcho nas bancadas. Alguns adeptos já se instalavam nas suas cadeiras, mas a maioria ainda não entrara no estádio ou permaneciam pela zona do bar, resguardados do frio outonal e do vento cortante que varria a Cidade de Amora naquela tarde de finais de Outubro, discutindo o momento do Amora, as hipóteses da equipa para aquele jogo e, claro está, a bomba que rebentou no futebol português.

 

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Jorge Jesus abandona o futebol depois de uma longa carreira de treinador, iniciada no Amora no início dos anos 90

 

A notícia surgiu durante a noite anterior e deixou o país em estado de choque: o seleccionador nacional Jorge Jesus abandonou a selecção e retirou-se do futebol, alegando motivos pessoais.

O assunto fez manchetes nos jornais diários e abriu telejornais em todos os canais televisivos. Comentadores desportivos afadigavam-se a discutir as implicações em programas de opinião. Reportagens a historiar a carreira do célebre treinador enchiam os espaços noticiosos, enfatizando as conquistas e as polémicas de uma longa e bem sucedida carreira. Alguns meios de comunicação mais sensacionalistas enviaram jornalistas para a porta da casa de Jorge Jesus, na expectativa de obter qualquer fugaz imagem do homem que pudesse passar por notícia de última hora, como abutres à espera que a sua presa desse o seu último suspiro.

 

"Estamos aqui à porta da casa de Jorge Jesus, que até ao momento se mantém resguardado no seu interior"

 

"Ouvimos há pouco cães a ladrar no interior da propriedade de Jorge Jesus, o que poderá indiciar a presença de gente no exterior da casa"

 

"Foi visível há momentos uma luz acesa no interior da casa, através de uma das janelas, não sendo perceptível se seria Jorge Jesus ou outro familiar seu quem lá estava"

 

Independentemente do nível - ou falta dele - das tentativas em obter qualquer insignificância que passasse por notícia, a verdade é que era o assunto do dia e com boa razão. Além de ser uma figura sempre polémica e mediática, Jorge Jesus deixava a selecção nacional órfã de liderança a pouco menos de um mês de rumar ao Qatar para iniciar o estágio preparatório para o Mundial 2022 - e a Federação Portuguesa de Futebol com uma decisão difícil em mãos acerca da sua sucessão.

 

"Então o gajo abandona a selecção em cima do Mundial?", perguntavam muitos anónimos, perplexos.

"Deve ter acontecido alguma coisa muito séria para ele fazer isto!", garantiam alguns, naquele tipo de verdade de La Palisse em que tanta gente é especialista.

"Se calhar até foi pelo melhor, já imaginaste o que seria o Jorge Jesus a dizer carailhadas ao Ronaldo? O gajo mandava-o logo a um certo sítio!", ironizavam outros.

"E agora, quem será o novo seleccionador?"

 

Era a pergunta que todos faziam: e agora? A maioria dos treinadores de topo estavam empregados, em clubes ou selecções, e o universo de treinadores de gabarito disponíveis, e que simultaneamente conhecessem em detalhe os jogadores convocáveis para a selecção nacional, não era extenso. Bem pelo contrário.

Aproximava-se a hora do jogo e os jogadores já se tinham equipado e preparavam-se para entrar no relvado. Aquelas questões passavam para segundo plano: era hora de Amora. Os adeptos começaram a aflorar às bancadas que rapidamente ficaram coloridas, o azul a destacar-se claramente, mas com uma mancha negra bem visível na bancada superior norte.

Os jogadores do Amora já estavam perfilados para subir ao terreno quando Frodo Zarco passou por eles, dando alguns incentivos. Parou junto de um jogador específico e disse-lhe algo ao ouvido. Ele ouviu e respondeu-lhe, acenando com a cabeça. Frodo Zarco sorriu-lhe e, antes de entrar no relvado para se dirigir ao seu banco de suplentes, dirigiu-lhe apenas um último pedido.

"Dá-lhes com tudo, afroastro."

Edson Baessa riu-se. Era uma piada pessoal entre os dois.

Edson Baessa é cabo-verdiano. Nascido há 32 primaveras na simpática ilha de Santiago, era o jogador mais experiente do plantel do Amora. Estreou-se no futebol sénior representando clubes locais como o Vitória e o Boavista da Praia, antes de se mudar para Portugal em 2011 para jogar no Estrela de Vendas Novas. A primeira metade da sua carreira desportiva em Portugal foi marcada por várias mudanças de clube, tendo representado ainda Madalena dos Açores, Juventude de Évora, Operário da Lagoa, Oliveirense e Felgueiras, até que em 2017 chegou a Olhão.

Foi com a camisola do Olhanense que encontrou alguma estabilidade a nível pessoal e desportivo. Ao longo de três bem sucedidas temporadas - e a primeira metade de uma quarta -, Edson Baessa espalhou pelos campos do Campeonato de Portugal o perfume do seu futebol refinado, o toque de bola aprimorado e a magia das suas execuções, tornando-se célebre pelo penteado afro que era a sua imagem de marca. A importância que assumiu no seio do clube algarvio foi premiada com a braçadeira de capitão e o cabo-verdiano sentia-se em casa.

O destino trocou-lhe as voltas. Motivos familiares obrigaram-no a deixar o Algarve e a procurar refúgio na região de Lisboa, tendo chegado a ter um pré-acordo com o Real Massamá, mas foi no Torreense que deu continuidade à sua carreira. Jogou durante seis meses pelos de Torres Vedras, embora o destino ainda não estivesse satisfeito e o tenha obrigado a mais uma vez procurar outro clube. Um que estivesse mais próximo de Lisboa.

Foi assim que em 2021 surgiu a hipótese de jogar pelo Amora, cujo projecto lhe agradou, integrando a equipa treinada pelo então estreante Frodo Zarco e rapidamente conquistando a titularidade.

Se estiverem com dúvidas sobre quem é Edson Baessa, ficarão esclarecidos quando souberem que o seu nome de guerra é Léléco.

 

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O criativo Léléco enquanto jogador do Amora na Segunda Liga; com um ordenado de 40 mil euros anuais, é um dos jogadores mais bem pagos do clube

 

A vida dá voltas inesperadas. Léléco adorava Olhão: a cidade, a região, as pessoas, o clima, a gastronomia e acima de tudo o Olhanense. Ao sair, julgou nunca mais encontrar um local onde se sentisse tão bem - onde se sentisse em casa.

E, no entanto, foi essa saída que o fez chegar à Medideira. Sem esse passo, não teria conquistado a Liga 3, o único título da sua carreira, e não estaria agora a disputar pela primeira vez um campeonato profissional, um sonho que ainda não conseguira cumprir após mais de dez anos em Portugal.

A integração no grupo de trabalho foi fácil. A equipa era unida e trabalhadora, a juventude abundava no clube e a equipa técnica era competente. Frodo Zarco, em especial, surpreendeu-o: era exigente no treino e nos jogos, mas fora deles era dos primeiros a entrar nas partidas que pregavam uns aos outros, de riso fácil e piadas sempre na ponta da língua.

Foi o próprio treinador que, numa dessas ocasiões, saiu-se com a alcunha afroastro, gerando risos entre os colegas. Passara mais de um ano e ainda era assim que Frodo Zarco o tratava quando era altura de relaxar.

As equipas já estavam prontas para iniciar o jogo. O árbitro confirmava com os seus assistentes se também estavam prontos. Léléco aguardava próximo do grande círculo o anunciado passe de Flávio Silva que daria início ao jogo.

Os adeptos aguardavam com alguma excitação, sentindo-se no ar a ansiedade por ver a bola rolar. Os Espírito Azul optaram pelo simples, mas sempre efectivo, cântico "Amora! Amora! Amora!", enquanto do outro lado os adeptos visitantes entoavam já um dos seus consagrados temas.

 

"Somos ultras da Briosa!

Doa lá a quem doer!

Nosso nome é Mancha Negra!

E viemos p’ra vencer!"

 

O apito do árbitro mal se ouviu por entre o ambiente electrizante, mas Flávio Silva passou a bola a Léléco e começava, por fim, o muito aguardado Amora v Académica.

A Briosa é um dos grandes clubes do futebol português. A equipa de Coimbra carrega em si uma mística inigualável, não só por ser o grande representante da cidade que foi a primeira capital de Portugal e de toda a região centro do país, mas principalmente pelas suas ligações ao movimento estudantil e à Associação Académica de Coimbra - e, por isso, é habitualmente conhecida como a equipa dos estudantes.

Com sessenta e quatro participações no principal campeonato do futebol português e vencedor de duas Taças de Portugal - tendo sido o primeiro vencedor da competição em 1939 e vencendo-a pela segunda vez em 2012 -, a Briosa caiu na Segunda Liga em 2016 e não mais de lá saiu, arrastando-se penosamente num patamar competitivo nada condizente com a sua grandeza.

 

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A Mancha Negra a marcar presença no apoio à Briosa na Medideira

 

E não seria certamente em 2022/23 que voltaria a conquistar a subida de divisão. Volvidas dez jornadas na Segunda Liga, a Académica ocupava a segunda metade da tabela, mais próxima dos lugares de despromoção do que do topo, tendo conquistado apenas 11 pontos.

O Amora, por outro lado, fazia o campeonato que seria expectável. Com apenas três participações na Primeira Divisão e cumprindo agora a sua vigésima presença na Segunda Liga - a primeira desde 1995 -, os amorenses estavam envolvidos numa acérrima batalha pela manutenção, lutando por cada ponto como se as suas vidas dependessem disso - o que em termos desportivos era bem verdade.

Depois de um início de temporada atribulado, com três empates e três derrotas nas primeiras seis jornadas, o Amora foi arrancar um empate a Chaves que lhes deu algum alento para os jogos seguintes. A equipa partiu para uma sequência particularmente difícil, que incluía defrontar alguns dos adversários da metade superior da tabela, com alguma esperança em inverter a tendência de maus resultados... mas as vitórias continuavam teimosamente a não surgir.

 

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Relatório do jogo

 

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Relatório do jogo

 

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Os jogos contra Rio Ave e Leixões não têm relatório porque me esqueci de tirar print; a versão mobile apaga as notícias ao fim de algum tempo

 

O Amora perdeu a referência que era Joca após a sua saída para o Famalicão. O antigo capitão era a figura principal do grupo de trabalho, tanto no balneário como em campo, e na sua ausência outros jogadores começaram a assumir maior protagonismo.

Léléco foi um deles. Mesmo não sendo capitão de equipa, era o líder de facto em campo, coordenando o futebol da equipa e surgindo nos momentos decisivos: em Chaves, marcou o magistral livre directo que permitiu o empate no último lance do jogo; na jornada seguinte, marcou o golo do Amora no empate contra o Estrela da Amadora; e na semana seguinte fez a assistência para o golo de Flávio Silva, que não foi suficiente para evitar a derrota frente ao Rio Ave.

O Amora, de resto, mantinha a tendência de jogar bem, equilibrar os jogos e disputá-los taco-a-taco com adversários de maior calibre, mas os resultados continuavam a não ser os desejados. A eliminação da Taça de Portugal às mãos do Arouca, equipa da Primeira Liga, foi frustrante, embora não tanto quanto o empate contra o Estrela da Amadora num jogo de sentido único - o da baliza amadorense.

A derrota contra o Rio Ave até seria natural, sendo estes um dos fortes candidatos à promoção, não tivesse surgido apenas no último lance do jogo, e o empate em Matosinhos esteve perto de dar a primeira vitória ao Amora, que até teve uma grande penalidade que o menino Papou Mendes pediu para marcar, acabando por desperdiçá-la [nota: ele é apenas o quarto designado para marcar penalidades, mas o motor de jogo decidiu colocá-lo a batê-la apesar de os três primeiros estarem em campo... também não percebi porquê].

Por tudo isto, o Amora v Académica a contar para a 11a jornada era um jogo muito aguardado por todos: pelo Amora, porque era mais uma oportunidade para finalmente vencer na Segunda Liga, sendo a única equipa que à 10a jornada ainda não tinha vitórias; pela Académica, porque o Amora parecia um adversário acessível para derrotar e dar um salto na classificação.

O jogo avançara e o Amora estava bem em campo. A equipa manietava a Académica, que apesar dos incitamentos da Mancha Negra não conseguia manter a posse de bola muito tempo. Léléco continuava a assumir o papel central no meio-campo, nesse dia com o apoio de Papou Mendes, finalmente titular ao seu lado.

 

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Léléco e Papou Mendes desenvolveram uma amizade especial durante o último ano

 

Léléco nunca o previra, mas desde que chegou ao Amora deu consigo num papel novo. Era agora o jogador mais velho da equipa e os mais jovens viam nele um exemplo a seguir, um mestre em campo. Papou Mendes, de apenas 21 anos, crescera imenso desde que chegara à Medideira e era inegável que muita dessa evolução tinha o toque de Léléco.

A partida avançara até à meia hora e o Amora mantinha a pressão constante sobre a Académica... mas ainda não marcara. Léléco descobria linhas de passe e criava lances potencialmente perigosos, mas que não tinham o devido seguimento. A frustração começava a aflorar entre algumas pessoas e também o afroastro estava a ficar agitado.

Quando um cruzamento de Lucas Silva foi devolvido pela defesa dos estudantes, Papou Mendes ganhou a bola à entrada da área. Olhou em volta e deu em Léléco, que surgira para dar uma linha de passe. A bola chegou-lhe e pela cabeça passou-lhe apenas uma palavra: "basta!".

Se não ia de outra forma, seria ele a assumir. Rematou mesmo dali, dando na bola com toda a força que conseguiu reunir naquele momento.

As redes balançaram.

 

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Foi uma explosão de alegria na Medideira. A bola entrou no canto superior da baliza, imparável e indefensável. Léléco e Papou Mendes correram lado a lado até à bandeirola de canto, apontando um para o outro numa celebração privada com o resto da equipa a correr atrás.

O mais difícil estava feito, mas o momento era crítico. O Amora conseguira diversas vezes marcar golos que colocavam a equipa em vantagem no marcador ou permitiam recuperar de desvantagens, apenas para sofrer golo pouco depois. A memória recente do jogo contra o Estrela da Amadora, em que Léléco abrira o marcador e este permaneceu assim apenas três minutos, passou pela memória de todos.

Talvez por isso, o Amora manteve a pressão e impediu a reacção conimbricense. Léléco, entusiasmado com o golo, voltou a tentar a sua sorte pouco depois quase do mesmo local do primeiro golo, mas desta vez o remate foi defendido.

Foi defendido para a frente.

Flávio Silva surgiu solto de marcação pronto para a recarga. Os defesas levantaram braços a pedir fora-de-jogo. O matador renascido não se preocupou com isso - só via bola e baliza.

O guarda-redes deu um salto e abriu os braços, tentando cobrir o máximo de espaço na esperança de bloquear aquele remate à queima-roupa.

Não conseguiu.

O Amora vencia por duas bolas de diferença pela primeira vez na Segunda Liga.

Este era um cenário novo para a equipa. Os jogos, na sua generalidade, haviam sido equilibrados, decidindo-se em detalhes, normalmente relacionados com a qualidade da execução das individualidades. Como consequência, a maioria dos resultados do Amora eram empates ou derrotas por um golo de diferença - a excepção a ser a goleada na primeira jornada perante o Académico de Viseu.

Quando as equipas recolheram aos balneários, Frodo Zarco pediu-lhes concentração. Ele sabia, por experiência própria, que um golo sofrido poderia gerar um efeito dominó catastrófico para o Amora. Era fulcral manter a baliza inviolada.

Os seus receios revelaram-se infundados. O Amora manteve a personalidade, jogando bem e impedindo a Académica de os apertar. Tirando um par de lances perigosos, mas que não se concretizaram em golo, o Amora manteve o resultado e a confiança foi crescendo à medida que o cronómetro avançava rumo ao final da partida - e à tão ansiada primeira vitória da temporada na Segunda Liga.

O momento grande da tarde ainda estava, porém, por surgir. Faltavam dez minutos para o final quando o quarto árbitro levantou a placa exibindo o número 10. Quase sete mil almas levantaram-se das suas cadeiras e aplaudiram efusivamente o afroastro, cantando o seu nome.

 

"Léléco! Léléco! Léléco!"

 

Era um dos preferidos dos adeptos. Ele sentia o seu carinho e eles sabiam que era recíproco. Léléco retribuiu os aplausos e colocava a mão no peito, sobre o símbolo do Amora Futebol Clube. O afroastro conquistara o seu estatuto na Medideira.

 

 

Foi preciso esperar até à 11a jornada para os amorenses verem o seu Amora vencer na Segunda Liga. Era a primeira vitória neste escalão desde que Osmar Bueno marcou o solitário golo com que o Amora derrotou o Leça em 1995 - há mais de vinte e sete anos.

O Amora deixava de ser o lanterna vermelha com esta vitória, embora permanecesse abaixo da linha de água. Sendo fulcral para a luta pela permanência, a vitória não era, porém, decisiva. Longe disso: havia um longo caminho a percorrer para o maior da Margem Sul alcançar os seus objectivos nesta temporada de regresso à Segunda Liga.

Talvez a vitória fosse um tónico e uma inspiração para a equipa começar a alcançar mais vitórias... mas naquele momento, no final do encontro, ninguém estava preocupado com análises a longo prazo. Era tempo de celebrar a muito aguardada primeira vitória.

Léléco era o centro das atenções. Colegas e adversários parabenizavam-no pela estrondosa exibição que registara. Frodo Zarco era um deles.

"Afroastro! Não me enganas, não sabias o que fazer à bola e olha, chutaste e calhou dar golo!"

Léléco, acompanhado de Flávio Silva e Papou Mendes, riu-se.

"Não, mister, foi tudo planeado."

"Não acredito. Aposto que não fazes um igual no próximo jogo."

"Se tiver oportunidade, até faço dois."

"Hum...", soltou Frodo Zarco, com um ar travesso. "Aposto a tua cabeleira em como não fazes."

"Eh! A cabeleira não, isto demora a crescer!"

"Isso cresce num instante à vossa malta."

"Isso é racista!"

"Racista? Eu? Até tenho amigos pretos", gracejou Frodo Zarco, colocando os braços sobre os ombros de Flávio Silva e Papou Mendes.

Riram-se todos à gargalhada.

Os adeptos permaneciam no estádio, convivendo com a equipa e aplaudindo. Alguns adeptos chamavam Léléco, pedindo-lhe a camisola do jogo. Acedeu e ofereceu-a a um adolescente que estava próximo, deliciando-se com a expressão extasiada do rapaz a olhar para aquele presente.

Léléco absorveu o ambiente, o calor dos adeptos e a amizade dos colegas. Encontrara uma nova casa na Medideira.

Aquela era a sua casa.

 

Editado por Black Hawk
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Já notamos algumas melhorias nos resultados! E pelas estatísticas dos jogos (não sendo algo muito fiável) parece que a equipa está a responder melhor, ainda para mais, numa fase em que jogas com equipas da metade superior da tabela!

E falando da única derrota (para o campeonato), a verdade é que apenas acontece no último minuto de jogo!

Uma vitória saborosa frente à Académica e que deixa no ar a ideia que coisas boas poderão estar para vir!

Depois da venda de Joca (e sem a entrada de reforços) é importante que os outros jogadores arregassem as mangas e que demonstrem dentro de campo que podem fazer a diferença!

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É isso, apesar de por vezes ate dominares, a equipa parece que la na frente necessita desesperadamente de novo sangue. Dito isto vem ai o mercado de inverno...e quem sabe? O cabo-verdiano apesar dos 32 anos e da experiencia nao pode levar a equipa sozinho...afroastro, enfim...

Agora que essa vitoria te de alento! Curioso tambem para saber quem substituio o JJ

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Citação de Kluivert, Em 26/02/2022 at 14:56:

Já notamos algumas melhorias nos resultados! E pelas estatísticas dos jogos (não sendo algo muito fiável) parece que a equipa está a responder melhor, ainda para mais, numa fase em que jogas com equipas da metade superior da tabela!

E falando da única derrota (para o campeonato), a verdade é que apenas acontece no último minuto de jogo!

Uma vitória saborosa frente à Académica e que deixa no ar a ideia que coisas boas poderão estar para vir!

Depois da venda de Joca (e sem a entrada de reforços) é importante que os outros jogadores arregassem as mangas e que demonstrem dentro de campo que podem fazer a diferença!

💪

Citação de Burkina2008, há 12 horas:

É isso, apesar de por vezes ate dominares, a equipa parece que la na frente necessita desesperadamente de novo sangue. Dito isto vem ai o mercado de inverno...e quem sabe? O cabo-verdiano apesar dos 32 anos e da experiencia nao pode levar a equipa sozinho...afroastro, enfim...

Agora que essa vitoria te de alento! Curioso tambem para saber quem substituio o JJ

Vou-te ser muito sincero: nesta altura não contrato porque... não consigo. E não consigo por vários motivos.

Primeiro, porque tenho uma regra rígida de apenas contratar jogadores que constem dos relatórios de observação dos olheiros e eles só me recomendam malta que não trariam nada de novo.

Segundo, os que eles recomendam e seriam mais-valias pedem-me valores incomportáveis. A direcção permite-me oferecer valores até 57 mil euros anuais, nesta altura. Nenhum jogador de qualidade para a Segunda Liga aceita receber isto.

Terceiro, tive de renovar com alguns titulares (falo disso no próximo capítulo) e o orçamento está à justa.

Posto de forma simples: não há dinheiro. Podia canalizar algum do dinheiro do Joca para aumentar o orçamento de salários, mas esse é para conservar e investir nas infraestruturas, que continuam a ser o objectivo do save. Terá de ser com o que há e ver se algum dos meninos da Sub23 surpreende. Entretanto subi quatro à equipa principal e já começaram a ser convocados, a ver no que dá.

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A equipa está a melhorar e até já venceu. Continuo a acreditar que a equipa pode melhorar muito mais e luta pela manutenção tranquilamente

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Racismo não e 27 à espera de uma vitória na Liga 2 foi muito tempo. Esperemos que seja a primeira de muitas, a caminho da recuperação para os lugares de manutenção.

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Citação de Banks29, Em 27/02/2022 at 15:24:

A equipa está a melhorar e até já venceu. Continuo a acreditar que a equipa pode melhorar muito mais e luta pela manutenção tranquilamente

Eu também, eu também. Se descermos é um golpe jeitoso na equipa, principalmente porque já notei que simplesmente jogar num escalão mais competitivo permitiu aumentar um pouquito os atributos de vários jogadores.

Descer seria uma queda na evolução que estou a projectar.

Citação de cadete, há 19 horas:

Racismo não e 27 à espera de uma vitória na Liga 2 foi muito tempo. Esperemos que seja a primeira de muitas, a caminho da recuperação para os lugares de manutenção.

💪

 

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Bom jogador o Leleco, pena que com 32 anos agora a tendencia é que os atributos venham a cair. Entretanto já conseguiste a tua primeira vitória, e acredito que se a direção te segurar até ao final da época independentemente dos resultado que este Amora consiga fazer uma sgeunda volta muito melhor que a primeira, pois a verdade é que o plantel que tens não tem a meu ver o nivel ainda aceitavel apra uma segunda liga, mas com muitos jogos em cima acredito que muitos deles estejam a ter uma boa evolução e a tendencia será os resultados melhorarem.

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Estava difícil conseguir a primeira vitória no campeonato, mas finalmente a equipa conseguiu aguentar a pressão. Não é fácil jogar na segunda liga, todos os jogos são muito competitivas e os jogos decidem-se nos detalhes. Acho que a falta de experiência é que tem provocado a perda de vantagem, afinal este patamar é novidade para a maior parte (ou toda lol).

A saída do Joca, que provavelmente com a sua liderança poderia acalmar a equipa nos momentos mais duros, está a ser colmatada pelo Leleco. Faz todo o sentidos, é dos mais experientes para além de ser o maestro da equipa. Por outro lado, estava à espera de ver um Flávio Silva de pé quente contudo não tem feito muitas vezes o gosto ao pé. Vamos ver os próximos jogos, mas isto vai ser até à última jornada.

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Citação de Lavrador, há 8 horas:

Bom jogador o Leleco, pena que com 32 anos agora a tendencia é que os atributos venham a cair. Entretanto já conseguiste a tua primeira vitória, e acredito que se a direção te segurar até ao final da época independentemente dos resultado que este Amora consiga fazer uma sgeunda volta muito melhor que a primeira, pois a verdade é que o plantel que tens não tem a meu ver o nivel ainda aceitavel apra uma segunda liga, mas com muitos jogos em cima acredito que muitos deles estejam a ter uma boa evolução e a tendencia será os resultados melhorarem.

É mesmo essa a minha percepção. Alguns dos jogadores estão um pouquito melhores nos atributos, mesmo os que já não são novos. Só o Léléco está mais ou menos como no início do save, provavelmente devido à idade.

Citação de Fajo, há 7 horas:

Estava difícil conseguir a primeira vitória no campeonato, mas finalmente a equipa conseguiu aguentar a pressão. Não é fácil jogar na segunda liga, todos os jogos são muito competitivas e os jogos decidem-se nos detalhes. Acho que a falta de experiência é que tem provocado a perda de vantagem, afinal este patamar é novidade para a maior parte (ou toda lol).

A saída do Joca, que provavelmente com a sua liderança poderia acalmar a equipa nos momentos mais duros, está a ser colmatada pelo Leleco. Faz todo o sentidos, é dos mais experientes para além de ser o maestro da equipa. Por outro lado, estava à espera de ver um Flávio Silva de pé quente contudo não tem feito muitas vezes o gosto ao pé. Vamos ver os próximos jogos, mas isto vai ser até à última jornada.

Mas tem sido o nosso Paulinho. Tem assistências e tal, o gajo é rijo a segurar a bola.

Estou a demorar um pouco mais com o novo capítulo porque estou a tentar condensar muito jogo e informação num capítulo que não seja demasiado grande. Não está fácil lol

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Estava a pensar em amanhã continuar a ler o Caim mas se calhar troco por isto.

Só porque me chamaste boi.

❤️

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Citação de Su1, há 5 horas:

Estava a pensar em amanhã continuar a ler o Caim mas se calhar troco por isto.

Só porque me chamaste boi.

❤️

Su1cinho ❤️

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Capítulo XI - Rivalidades revisitadas

 

O que é o futebol sem rivalidades?

É um fenómeno de massas curioso e já gente bem mais inteligente que este narrador o procurou estudar e explicar. Não que haja uma resposta consensual. Afinal, o que é uma rivalidade? Porque se ama especificamente um clube e se odeiam outros?

Há quem justifique opções clubísticas por razões familiares. É justo, uma criança que tenha pais e avós de uma determinada cor tenderá a ser adepto do mesmo clube. Outros procuram explicá-las por razões regionais. O que também é justo, a proximidade a um clube que seja representativo da região poderá influenciar um jovem indivíduo a consigo criar laços.

Mas e a rivalidade? Por que motivo um adepto sente a necessidade de não apenas apoiar o seu clube, mas também de odiar outros? Não bastaria apoiarem incondicionalmente o seu clube e ignorar os restantes?

Será por ameaça? Ir ao estádio e apoiar uma equipa tem muitas semelhanças com o fenómeno religioso; é até lugar-comum dizer-se que o futebol é uma religião. Poderá a rivalidade surgir de um receio de a nossa fé ser ameaçada pelo sucesso de infiéis de outras cores, colocando em causa um sentimento comum de pertença que todos partilhamos quando apoiamos um clube?

Poderá haver alguma verdade nisso. Agora que 2022 terminou, podemos constatar como a rivalidade entre FC Porto e Sporting CP atingiu os píncaros e extravasou para fora das quatro linhas. As duas equipas digladiaram-se pela supremacia do futebol português, repartindo entre si os títulos em disputa: os azuis vencendo a Primeira Liga, os verdes a Taça de Portugal e a Supertaça. A batalha entre ambos extendeu-se às redes sociais e ao espaço público, com ofensas, ameaças e acusações nada abonatórias para a imagem do futebol português.

Mas, se assim for, a rivalidade não passaria de uma metafórica medição de falos destinada a aferir quem é o maior da aldeia?

Não pode ser apenas essa a resposta.

Portugal e Espanha são velhos rivais com um historial de quase mil anos de dramas, intrigas e guerras - bem, tecnicamente a Espanha não existe há mais de quinhentos e poucos anos, mas ignoremos essas tecnicalidades por agora. Essa rivalidade mantém-se de forma bem mais atenuada nos dias de hoje, mas ressurge em força quando as suas respectivas selecções se enfrentam. Porquê? O que tem o futebol para acicatar velhos ressentimentos e trazer à tona sentimentos que estão ocultos no dia-a-dia?

Lamento, mas as divagações deste narrador apenas serviram para complicar ainda mais o assunto. Mais do que respostas, só trouxe mais questões.

Seja como for, caía o pano sobre o ano 2022 e 2023 estava aí. Muita coisa aconteceu em 2022: a já referida batalha entre Sporting CP e FC Porto, o título da Liga 3 e as dificuldades do Amora na Segunda Liga, o apuramento de Portugal para o Mundial e a própria prestação da selecção de todos nós no Qatar.

Comecemos por aqui.

O futebol português parou em Novembro de 2022 com a aproximação do Mundial. Os convocados foram anunciados e a selecção partiu para um estágio preparatório para a maior competição do mundo do futebol, levando consigo o sonho de onze milhões de almas em Portugal e mais alguns espalhados pelo mundo.

Sem Jorge Jesus, que abandonara a selecção (ver Capítulo X - O afroastro). Mas com, imagine-se...

 

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Jorge Costa foi a surpreendente escolha para guiar a selecção no Qatar

 

A escolha foi recebida com estupefacção. Jorge Costa, o Bicho, antigo capitão do FC Porto, com uma carreira pouco mais do que banal enquanto treinador, foi anunciado pela Federação Portuguesa de Futebol como seleccionador nacional. Também havia muito pouco por onde escolher tão perto do início da competição, verdade seja dita - e talvez um antigo internacional conhecido pela sua capacidade de liderança pudesse reunir as tropas e criar o espírito de grupo capaz de conduzir Portugal ao sucesso.

Jorge Costa não teria uma tarefa fácil. Tinha imenso talento à sua disposição, mas teria de fazer em um mês aquilo que por vezes demora anos a construir. As dúvidas eram legítimas e não tardou a que tudo fosse colocado em causa, inclusivé aqueles que habitualmente eram intocáveis.

 

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Pepe era causa de discórdia entre os adeptos

 

Pepe e Ronaldo marcaram uma era na selecção nacional e no futebol português. Alguns dos seus colegas de selecção estrearam-se já eles eram líderes no balneário, juntamente com Bilbo Himura. Foi com eles que Portugal foi campeão europeu na Batalha do Campo das Mariposas. Foi com a sua liderança que Portugal alcançou a final do Mundial em 2018, perdida contra a França naquela que foi a despedida internacional de Bilbo Himura, considerado o melhor jogador desse torneio.

Bilbo Himura saiu da selecção, ficando Pepe e Ronaldo para transmitir a mística no balneário. Mas já tinham 39 e 37 anos, respectivamente, e havia dúvidas legítimas sobre as suas capacidades para continuarem a ser as figuras da selecção de todos nós.

Jorge Costa soube estar à altura dos acontecimentos. Defendeu os seus jogadores e realçou a importância da sua experiência numa competição em que a pressão seria elevada. A equipa apresentou-se coesa no relvado e unida fora dele.

Jogo a jogo, Portugal foi avançando na competição.

 

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Portugal entrou em acção num grupo com algumas semelhanças ao que encontrou no Mundial de 2018: a Espanha voltava a ser o grande adversário; em vez do Irão de Carlos Queiroz, aparecia a Coreia do Sul de Paulo Bento; e no lugar de Marrocos, que em 2018 regressou a um Mundial pela primeira vez desde 1998, estava agora a Jamaica, cuja última participação havia sido também em 1998.

Com Jorge Costa no banco e Pepe e Ronaldo em campo, Portugal rumou aos Oitavos-de-Final em ritmo de cruzeiro, batendo facilmente os adversários mais acessíveis e empatando com os nossos velhos rivais, os nuestros hermanos.

Os bons resultados animaram os portugueses. Raro foi o Mundial em que Portugal goleou os seus adversários e se bateu de igual para igual contra um colosso como a Espanha, conseguindo-o sem que Rui Patrício concedesse qualquer golo.

E, por isso, Portugal foi em altas para a fase a eliminar.

 

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México e Peru foram os adversários que se seguiram, despachados em eliminatórias equilibradas, mas das quais os bravos lusitanos saíram vitoriosos.

Em Portugal, já se sentia que ninguém nos parava. A equipa ganhava, marcava golos e jogava bem. As dúvidas iniciais rapidamente deram lugar à euforia: bandeiras começaram a surgir em janelas e varandas, os edifícios públicos eram iluminados com as cores da bandeira, as praças enchiam-se de pessoas para ver os jogos em ecrãs gigantes.

Os jornalistas desdobravam-se em entrevistas e reportagens, detalhando o número de toques que um jogador deu na bola durante um treino, filmando a entrada do hotel que servia de base à selecção ou anunciando em primeira mão o que seria o almoço ou o jantar da comitiva.

O olhar do país estava fixo no Qatar e contavam-se os dias para a Meia-Final.

Deixemos Portugal a preparar as Meias-Finais do Mundial e voltemos a atenção para o nosso país - é que o futebol português não parara por completo. Não havia férias para a Segunda Liga e para o Amora também não.

Onze jogos. Foi preciso aguardar até à 11a jornada para o Amora bater a Académica e conquistar a sua primeira vitória na Segunda Liga. Continuava, porém, debaixo da linha de água e a sequência de jogos que se aproximava não parecia promissora, já que incluía quatro jogos fora de casa e apenas dois na Medideira até ao final da primeira volta... e confrontos contra equipas como o Vizela, o Boavista, o Penafiel e as equipas B de Benfica e Sporting CP - tudo equipas de elite da Segunda Liga.

 

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A vitória sobre a Académica foi sucedida por uma dupla deslocação ao norte do país. Seriam sempre dois jogos duros, tanto por serem em terreno alheio como por serem duas das equipas mais fortes do escalão: Penafiel e Boavista eram sétimo e segundo classificados, respectivamente.

O Amora bateu-se bem, como a imprensa fez questão de realçar, mas se em Penafiel a vitória poderia perfeitamente ter caído para qualquer um dos lados, já no Bessa a superior qualidade individual dos boavisteiros não deixou grande margem para dúvidas quanto ao vencedor do encontro apesar da boa réplica dos azuis da Margem Sul.

De regresso à Margem Sul, a equipa comandada por Frodo Zarco teve depois três embates consecutivos disputados em casa. Dois deles literalmente em casa, na Medideira, e outro no Seixal, do outro lado da baía que abriga o braço esquerdo do estuário do Tejo.

A recepção ao Feirense garantiu a segunda vitória na Segunda Liga. Arrancada a ferros, o golo da vitória surgiu apenas ao minuto 90 pelo sempre fiável Fidelis Irhene, que saltou do banco para desferir o golpe certeiro com que se derrotou justamente o Feirense. Um golo celebrado com a mesma emoção de um título - e, algures, um certo smartphone foi atirado ao ar durante os efusivos festejos.

A deslocação ao Seixal foi mais dura, perante uma equipa que apresentava nomes como Meite, Gilberto, Vertonghen ou Rodrigo Pinho - não era por acaso que o Benfica B ocupava a terceira posição na classificação. Mas o Amora resistiu, combateu e obteve a justa recompensa graças à fulgurante cabeçada do jovem central João Carvalho, um elemento já indispensável no centro da defesa amorense.

Por fim, a recepção ao Vizela trouxe um jogo em larga medida semelhante ao do Bessa. Os vizelenses lideravam a Segunda Liga e em campo foi evidente a diferença de qualidade individual e experiência competitiva. O resultado acabou por ser natural.

A maioria dos portugueses nem se apercebeu destes jogos, focado que estava todo o país nos acontecimentos no Qatar. Disputava-se a Meia-Final, a qual Portugal disputava pela quarta vez na sua história.

Costuma dizer-se que Portugal é o país dos três Fs, sendo um deles o futebol. Isto não descreve bem a sua importância social. O futebol é a paixão dos portugueses e o escape da dura realidade que muitos atravessam; noventa minutos em que se podem alienar das dificuldades financeiras, dos dramas pessoais, das pandemias, guerras e dos cintos metafóricos que a classe política insiste que se aperte mais um pouco a cada ano que passa.

No entanto, apesar de ser um país de futebol, a selecção muito raramente alcançou as fases finais de Mundiais da modalidade. As brilhantes prestações dos Magriços,  em 1966, e dos Patrícios, em 1984, foram excepções em décadas de desilusões e apenas no século XXI tornou-se habitual ver Portugal nos grandes palcos, destacando-se as campanhas de 2006, travada pela França de Zidane, e a de 2018. Nesta última, Bilbo Himura e Cristiano Ronaldo levaram Portugal a derrotar a Espanha na Fase de Grupos, seguindo-se as eliminações de Rússia, Croácia e Inglaterra, mas falhando-se na final perante a França.

Agora já sem Bilbo Himura, mas com Ronaldo e Pepe, Portugal voltava às Meias-Finais onde defrontaria um adversário que correspondia às preces de milhões de adeptos do futebol espalhados pelo mundo.

A Argentina de Lionel Messi.

Um jogo que fechava um ciclo: uma rivalidade revisitada. Ronaldo e Messi marcaram uma geração no futebol mundial, competindo por Bolas de Ouro a um nível de tal forma estratosférico que nem se colocava a hipótese de alguém se intrometer entre eles - bem, talvez Bilbo Himura tenha estado lá próximo num ano ou noutro.

Os dois venceram campeonatos em vários países, Ligas dos Campeões e foram campeões continentais pelas suas selecções. Havia apenas algo que lhes faltava; algo que eleva grandes jogadores ao estatuto de heróis intemporais, ao Olimpo dos deuses do futebol.

Faltava-lhes levar as suas selecções ao título mundial.

Há mais de uma década que adeptos de futebol por todo o mundo rezavam por ver Cristiano Ronaldo e Lionel Messi defrontarem-se num Mundial, mas os deuses do futebol nunca lhes deram essa mercê.

Nunca até agora. No último Mundial de ambos, já nas fases descendentes das suas brilhantes carreiras, defrontar-se-iam finalmente dois jogadores que marcaram uma era, cuja rivalidade os puxou aos limites e os fez ultrapassá-los continuadamente.

O mundo parou para ver um momento único na história do futebol. Não era Portugal v Argentina que todos queriam ver; não, esse era apenas o palco para a verdadeira batalha a que todos queriam assistir. Um último duelo entre duas lendas.

Ronaldo v Messi.

 

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Foi Ronaldo quem saiu vitorioso do campo de batalha.

O jogo foi decidido com os dois golos de Rafa Silva, herói improvável de uma batalha em que se esperava que fosse mero figurante, e por conseguinte Portugal apurou-se para a Final do Mundial.

Daí a muitos anos, porém, quando os acontecimentos dessa noite em Al Khor passaram a ser apenas estatísticas de outros tempos há muito idos, o que todos se recordariam seria o duelo Ronaldo v Messi. Porque é esse o impacto das rivalidades: o de tornar memoráveis meros confrontos de uma modalidade desportiva.

A Meia-Final do Mundial disputou-se alguns dias antes da derrota do Amora frente ao Vizela na Medideira, a contar para a 16a jornada. A Segunda Liga parou para o período de festas natalícias e ano novo e foi já no início de Janeiro de 2023 que a sua primeira volta terminou.

O Amora há muito assumiu o epíteto O Maior da Margem Sul como propaganda e autopromoção, mas no início de 2023, tecnicamente, estava correcto: o Amora era a única equipa da Margem Sul a disputar campeonatos profissionais.

O Seixal Futebol Clube, quase tão antigo quanto o Amora Futebol Clube, faliu e cessou o seu futebol sénior em 2007 - no mesmo ano em que a crise financeira do Amora o levou a cair da III Divisão para as Distritais. Os clubes de Almada e o Barreirense há muito deixaram de contar para estas lides, o Pinhalnovense desapareceu e até o Vitória Futebol Clube agonizava pela Liga 3.

Na ausência de rivalidades locais que alimentassem os adeptos, o Amora virou-se para aqueles que, embora lisboetas, estavam sediados na Margem Sul: as equipas B de Sporting CP e Benfica.

Por isso, a deslocação a Alcochete que fechava a primeira volta mobilizou especialmente os adeptos do Amora. O catalizador não era apenas a proximidade relativa. Na verdade, o Sporting B surgia nesta fase como um rival ao qual o Amora se podia comparar: não só tinham subido ambos em simultâneo, o que criava uma espécie de competição para ver quem se dava melhor na Segunda Liga, como tinham sido adversários na luta pelo título da Liga 3 há poucos meses, pelo que o confronto da 17a jornada era outra rivalidade revisitada.

O Sporting B fazia uma época tranquila na metade superior da tabela, em muito pelo reforço da equipa com nomes como Eduardo Quaresma, Tiago Ilori, Eduardo Henrique e Gonzalo Plata. Este acréscimo de qualidade fazia toda a diferença, elevando a já competitiva equipa que o Amora defrontara no Restelo até um patamar com que o Amora, por agora, apenas poderia sonhar.

O Estádio Aurélio Pereira estava praticamente cheio e havia amorenses em força por entre a maioria sportinguista. Esperava-se uma vitória tranquila dos miúdos do Sporting...

Mas o Amora tinha muito a provar naquele jogo. Ao longo dos noventa minutos ficou a ideia que os três pontos eram mais importantes para os amorenses, o que era evidente a cada disputa de bola ou duelo físico.

Havia mais Amora e não admirou ninguém que o afroastro, Léléco de seu nome, abrisse o marcador na cobrança de um livre directo em zona frontal. O jogo desbloqueou definitivamente e o Amora não tardou a resolver o assunto por intermédio de Gabriel Capixaba - que, incrivelmente e apesar de ser um elemento sempre activo e fulcral na manobra ofensiva da equipa, marcava à 17a jornada apenas o seu primeiro golo da temporada.

 

 

A primeira vitória fora de portas do Amora para a Segunda Liga desde 1992 (!!!) permitiu, pela primeira vez na temporada, tirar a cabeça fora da linha de água. Depois de uma volta inteira a suster a respiração, o Amora emergia das águas turbulentas da despromoção e inspirava uma golfada profunda de ar puro.

Um autêntico balão de oxigénio para a segunda metade da temporada.

Estou a esquecer-me de algo? Sinto que este narrador se está a esquecer de algo.

Ah! A final do Mundial.

Portugal bateu a Argentina e estaria na Final, a disputar em Lusail. O adversário? Ora imaginem.

Pois claro. Os nossos rivais de sempre, os nosso vizinhos, ora amigáveis, ora inimigos. Nuestros hermanos.

As Guerras Fernandinas. Aljubarrota e a padeira. A Guerra da Sucessão de Castela. O Tratado de Tordesilhas e a divisão do mundo. O domínio filipino. A Guerra da Restauração. A Guerra das Laranjas. Olivença. Quase mil anos de convivência e rivalidade a servir de base a esta rivalidade revisitada no Qatar.

Haveria final mais apropriada do que esta?

 

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Infelizmente, este narrador não pode descrever os acontecimentos do jogo pois a eles não teve acesso.

Pode ainda assim adiantar que, por uma vez, os portugueses saíram em peso às ruas para celebrar, colocando de parte as suas diferenças. Naquela noite de Dezembro, com um frio de enregelar os ossos, nas ruas não havia sportinguistas, benfiquistas ou portistas, não havia divergências políticas ou sociais. Eram todos portugueses. Eram todos irmãos.

Jorge Costa, figura sempre controversa junto de boa parte dos portugueses pelas suas ligações ao FC Porto, tornou-se unanimemente um ídolo nacional e Cristiano Ronaldo um incontestável herói. O facto de o grande derrotado ter sido a Espanha apenas acrescentou epicidade ao feito.

Talvez seja essa a força das rivalidades: obrigar-nos a não nos conformarmos, a procurar sermos melhores e a ultrapassarmos os nossos limites. Seja a rivalidade entre dois jogadores, dois clubes, selecções nacionais ou povos, ela impele-nos a ser melhores do que os outros - e quanto mais fortes forem esses outros, mais fortes ambicionamos ser.

E, convenhamos, quem não gosta de derrotar um rival e poder olhar para ele no final com um sorriso escarninho nos lábios?

 

Notas adicionais

Este capítulo tinha muita informação e tive de cortar muita coisa. Era para ser contado na perspectiva do Gabriel Capixaba, mas não consegui descobrir uma forma de fazer sentido contar isto da perspectiva dele e incluir a descrição do Mundial. Escrevi dois capítulos, acabei por desistir, apaguei-os e escrevi esta versão.

 

Deixo alguns prints adicionais de coisas que aconteceram e que são relevantes para o acompanhamento do save, mas que não cabiam na história.

 

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O guardião David Grilo lesionou-se com gravidade, uma baixa de vulto que implicou a promoção de Guilherme Fernandes à titularidade

 

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Rony Fernandes havia expressado num capítulo anterior a intenção de deixar o Amora, mas afinal o mal dele era outro

 

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João Carvalho conquistou o seu lugar na equipa e foi recompensado

 

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Léléco aceitou prolongar por mais um ano a sua permanência na Medideira (no capítulo anterior o print dele já tinha a informação desta renovação)

 

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O agente do matador renascido causou reboliço ao entrar na Medideira com exigências...

 

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... mas nada que não se resolvesse havendo interesse de ambas as partes

 

A relevância destas renovações é que a tal folga orçamental que referi no início da época, precisamente a prever eventuais renovações... foi-se.

A perda do David Grilo assustou-me, tem sido dos melhores jogadores da equipa desde o início do save e pouco usei o suplente Guilherme Fernandes, tem jogado nas Taças. Mas não está a correr mal, tem defendido fixe, evoluiu um pouco mesmo não jogando e desde que começou a jogar melhorou imenso. Está próximo do nível do David Grilo.

Estou a tentar contratar alguns jovens, como na época passada, nota-se que agora na Segunda Liga já há jogadores jovens melhores com interesse em vir, vamos lá ver o que desenrascamos.

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Bom antes de mais referenciar que as vitorias com o Feirense e Sporting B sao como ja referiste, verdadeiros baloes de oxigenio para a equipa. Estavas a precisar e esperemos que aqui seja um ponto de viragem para nao mais voltares a cair nesses lugares da parte baixa da tabela.

De resto quem diria que venceriamos um Mundial com o Jorge Costa...feito enorme de um treinador muito mediano (podia ate substituir o Kennedy no BB). De resto curioso para saber quem Espanha venceu na outra meia-final?

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