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Gavazzo

Sporting - Presidência, SAD e Análises Financeiras

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Basta ver que só hoje fez 5 ou 6 posts. Tirando aquele, todos a apontar o dedo a sportinguistas de facebook que fizeram um post contra ele. E a avaliar pelos comentários, a malta fica bem arisca com esse tipo de coisas.

 

Cheira-me que a AG é capaz de dar molho, principalmente se os resultados não legitimarem o Bruno.

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Gostas sim. És é selectivo na cor que escolhes para te meteres nas discussões, mas gostas.

 

Não gosto de me meter aqui no espaço dos núcleos.

 

É raríssimo veres um post meu por aqui. Seja nos núcleos dos Grandes ou dos outros. Nem sequer sou participante habitual no tópico do Belenenses.

 

Fora daqui claro que gosto de me meter. Indiscutivelmente.

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O Bruno está naquela fase do mês

 

Do mês? O Bruno está é naquela fase em que tem a mulher grávida prestes a dar à lu... errr... ter a filha e já não dá uma há uns tempos.

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Triste, sozinho, cada vez mais infeliz sem perceber o que se passou para eu sentir dentro de mim tanta ingratidão que me faz querer ir embora? Como me fizeram isto?

 

Hello darkness, my old friend...

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Isto até à data da AG vai ser assim.

Vê lá tu que ele até foi ao grupo do Facebook do Sporting, aquele principal com uns quantos milhares de membros. Foi lá parar a propósito da questão do gajo que ele acusou de mandar o vídeo da AG para o Record. O acusado disse, uma vez mais, que não tinha sido ele, e a resposta do Bruno foi algo do estilo "se me mandar o seu vídeo e der para perceber que não foi você, eu retiro a acusação, se não me mandar vou continuar a dizer que foi você" :lol:

 

Claro que depois ficou por lá ainda à conversa sobre outros assuntos, voltou a pregar que é fundamental passar as alterações estatutárias, e blá blá blá.

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Dava uma perna para conseguir escrever assim.

 

Mas basicamente é isto tudo.

 

Em que consistiu o radicalismo, na prática? Para começar, em demonstrar que fim-do-mundo em cuecas podia ser protelado. Depois mostrando, nas funções essenciais do cargo, essa mistura caótica de intuição, bom senso, trabalho, confiança e sorte a que chamamos competência, e que permitiu reequilibrar as finanças precárias do clube, reduzir o fosso orçamental para os rivais, bater recordes de lucros da SAD e de transferências do clube, contratar Piccinis por três milhões, revitalizar a tradição eclética ressuscitando modalidades extintas e tornando outras competitivas, aumentar o número de sócios e a média de assistências no estádio, cumprir a promessa de fornecer aos sócios informação financeira com mais transparência, criar um canal televisivo, construir um pavilhão, resolver o problema crónico do relvado, e não fuzilar ninguém. No futebol profissional, não trouxe os títulos mais desejados, mas até aqui se recuperou algo perdido: a possibilidade de sentir, na sua plenitude, a mágoa profunda de não ganhar, e de poder encarar uma derrota com o Estoril como uma violenta desgraça e não apenas como aquilo que costuma acontecer ao domingo. (O fenómeno mais desolador durante os últimos estertores do Roquettismo não foi as vitórias terem deixado de acontecer, mas sim as derrotas terem deixado de doer).

 

 

Uma dos efeitos desta novidade (um efeito sentido, embora me pareça que não totalmente compreendido) foi a irreversível transformação em texto do que até então tinha sido subtexto. Não é tanto que Bruno de Carvalho tenha vindo perturbar, com os tabus da flatulência e brejeirices sobre terceiros olhos, a Arcádia do futebol nacional, com a sua pastoral promiscuidade, as suas idílicas buscas da PJ, as suas bucólicas prostitutas oferecidas a árbitros, e as suas tranquilas suspeitas de corrupção sistémica. Mas ao apresentar-se na orla do bosque com o seu próprio lança-chamas e o seu próprio latão de gasolina, proclamando em alta e rouquíssima voz que aquelas árvores estavam ali a tapar coisas muito graves, destruiu a artificial barreira profilática entre a comum retórica do adepto (que anda há mais de trinta anos a presumir, com resignada indignação, um pântano de ilegalidades e conspirações nos bastidores da modalidade) e a típica retórica institucional (que sempre tratou o "clima de suspeição" como mais um instrumento estratégico, a ser utilizado ou descartado em função das necessidades).

 

Reside aqui, provavelmente, uma das (várias) explicações para a aversão profunda e mais ou menos generalizada que a sua presença e o seu estilo abrasivo provocam, tanto nos adeptos dos clubes rivais, como até em pessoas cuja ligação com o fenómeno desportivo é pouco mais que turística. A popular objeção do “adepto-adepto” ao “Presidente-adepto” é no fundo o reconhecimento de um espírito coevo, e da sua cooptação efectiva da retórica do café, da barbearia e da cantina do emprego; o corolário é óbvio: se aquela linguagem é a nossa, então o lugar dele é aqui, e não ali. Porque a diferença é que no café, na barbearia e na cantina do emprego, se pode responder em conformidade e em tempo real. A própria natureza diária e recíproca do ritual, conduzido entre amigos, colegas ou pelo menos conhecidos, permite cumprir a função de desabafo, e tornar o processo de provocação minimamente salutar. Quando o mesmo discurso é mediado por um ecrã de televisão ou pelas páginas de um jornal, e responder é impossível, o efeito será muito mais corrosivo e insatisfatório. (E mesmo a promissora alternativa digital de lhe deixar comentários diretos no Facebook deve produzir em quem não o suporta uma catarse deprimentemente analógica).

 

Ao nível interno, o ambiente também está longe de ser pacífico, até porque é inevitável que alguma desta massa de reacções atávicas se infiltre pelos adeptos do próprio clube. Um clube desabituado de vitórias tende a apegar-se em demasia ao conforto terapêutico da superioridade moral: se não podemos sentir-nos maiores, queremos ao menos sentir-nos melhores. Na ausência de festejos, procura-se o refúgio da dignidade e rejeita-se tudo o que cheire a embaraço adicional. Tudo isto é saudável (será, pelo menos, a saúde possível), desde que não se deixem os parâmetros desse embaraço ser definidos à revelia por terceiros.

 

Feito o somatório de jogos ganhos e troféus conquistados, muito do mercado clubístico civil tende a transformar-se numa luta pela posse dos meios de produção de gozo e pelo controlo dos circuitos de irrisão: quem consegue largar a boca mais eficaz, reduzindo o interlocutor à inferioridade simbólica; quem consegue afirmar, com maior plausibilidade, que algo no outro clube é "patético", "ridículo" ou digno de risota. Com maior ou menor bonomia, o adulto clubista mais funcional nunca sai totalmente deste recreio. É neste campo secundário que alguns adeptos do Sporting, mesmo entre aqueles que não partilharam a aversão inicial e instantânea ao seu estilo e personalidade, foram revelando (a meu ver) alguma falta de imaginação, aceitando uma herança não examinada de lugares-comuns sobre "dignidade", "correção" e "elevação" que não devia sobreviver a cinco minutos de olhos abertos à frente do futebol português (e até de outras áreas), e, munidos desse abrantesmendismo serôdio, foram-se deixando convencer que o comportamento do Presidente seria um factor adicional na sua vulnerabilidade colectiva, porque os outros meninos no recreio assim o dizem, com memes e loles e dedos no nariz. Em resposta, foram recalibrando um conjunto de exigências cada vez mais esotéricas, separando personalidade e competência, retórica e prática, ansiando por um Presidente mítico, que seja um leão com a Doyen e um cocker spaniel na tribuna, um Bonaparte na sala de reuniões e uma Elena Ferrante na sala de imprensa, uma louca na cama, mas uma lady na mesa.

 

Uma coisa é manter a vontade de melhorar e o discernimento necessário para saber identificar uma alternativa superior quando ela se apresenta. Outra é passar um ano a redescobrir semanalmente, com renovada desilusão, que Slimani era um ponta-de-lança com tanta agressividade competitiva que era uma pena não ter melhor toque de bola; e o ano seguinte a redescobrir semanalmente, com renovada desilusão, que Bas Dost é um ponta-de-lança tão letal que era uma pena não ter mais agressividade competitiva: não será possível encontrar um que tenha tudo? Se calhar é, mas não todas as décadas. E, até ver, o exercício retórico de quem reclama alguém, no universo sportinguista, capaz de fazer o trabalho deste Presidente sem todo aquele lastro tão incomodativo, parece-me o suspiro mais messianista de todos. Talvez haja um Bismarck potencial em cada esquina do Campo Grande, mas num clube em que, nos últimos atos eleitorais, se apresentaram alternativas tão empolgantes como Pereira Cristóvão, Zeferino Boal, Madeira Rodrigues, Carlos Severino e o treinador do Setúbal, não será má ideia atenuar alguma dessa fé no património interno de talento, carisma e qualidades de liderança.

 

:prayer:

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Todos os textos do Casanova são bons.

eu depois de ler fico com a ideia que o Casanova é Sportinguista, este texto está qb mais sério, analítico e ao mesmo tempo emotivo (menos gozão, pelo menos) que os textos normais dele.

 

EDIT: confirmei passados 2 minutos no último parágrafo:

Para além de tudo o resto, permitiu-me a novidade estonteante de ver o Sporting dirigido simultaneamente por alguém competente e que gosta mais do clube do que eu próprio.

:mrgreen:

Editado por Cabeça de giz

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eu depois de ler fico com a ideia que o Casanova é Sportinguista, este texto está qb mais sério, analítico e ao mesmo tempo emotivo (menos gozão, pelo menos) que os textos normais dele.

 

EDIT: confirmei passados 2 minutos no último parágrafo:

Para além de tudo o resto, permitiu-me a novidade estonteante de ver o Sporting dirigido simultaneamente por alguém competente e que gosta mais do clube do que eu próprio.

:mrgreen:

O Casanova é escritor residente da TE sobre o Sporting :mrgreen: ele escreve as crónicas "humorísticas" depois de cada jogo, como faz o Kralj para o Benfica e a Catarina qualquer cena para o Porto.

 

http://tribunaexpresso.pt/rogerio-casanova

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O meu problema com muitos dos textos e análises que pululam por aí continua a ser só um: fazer disto tudo um ataque à liderança do Bruno de Carvalho. É que não foi o caso. Se a liderança dele está em xeque foi porque ele se colocou nessa posição. Se na próxima assembleia geral ele deixar de ser presidente não será por os sócios assim o pretenderem, mas porque ele assim decidiu.

 

Os sócios apenas estão a deliberar sobre uma proposta apresentada. Tudo o mais vem da postura e da vontade (ou falta dela) do presidente do clube. Agora andamos a discutir se o Bruno deve sair e se a sua governação teve méritos, quando deveríamos estar a analisar as consequências da alteração aos estatutos.

 

Muito mérito para o Bruno de Carvalho. Perdeu é todo o respeito que tinha por ele, e como eu haverá muitos por aí. É que isto de se fazer ultimatos é uma daquelas acções que apenas conduz a extremismos: ou és por mim, ou és contra mim. Pura e simplesmente matou qualquer chance de os sócios discutirem o futuro do clube. Morreu para mim.

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Eu sinceramente não tenho opinião definida.

 

Não gosto de algumas coisas que diz e acho que se expõe demasiado. Tem tiques de mandão, mas faz sentido um ditador por assim a cabeça no cepo? É que 75% é uma percentagem elevadíssima.

 

Gostaria que ele continuasse de forma mais contida.

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Eu sinceramente não tenho opinião definida.

 

Não gosto de algumas coisas que diz e acho que se expõe demasiado. Tem tiques de mandão, mas faz sentido um ditador por assim a cabeça no cepo? É que 75% é uma percentagem elevadíssima.

 

Gostaria que ele continuasse de forma mais contida.

 

Põe a cabeça no cepo para sair com poderes reforçados, nomeadamente o de poder expulsar sócios como bem entender sem precisar de levar a AG, e de garantir que em futuros mandatos sejam de lista única. Esse argumento de "ah ir mais uma vez a votos só prova que ele não é um ditador e é um democrata" é uma treta. Não só ele vai a votos como forma de chantagem para sair com estes poderes reforçados, como faz posts sucessivos a incutir o medo sobre quem possa vir a seguir e sobre os sportinguistas que dizem mal do clube e que se vão querer aproveitar deste assim que ele saia. Se ele fosse um democrata, teria proposto nova AG, levava os regulamentos a votação e, se estes não fossem aprovados e ele não se sentisse confortável sem eles, saía no final do mandato. Simples.

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Nada do que dizes é mentira, mas a conclusão que retiras da tua premissa é falaciosa e deslocada da questão principal.

 

Está para além de qualquer discussão que o BdC é uma pessoa sem qualquer noção de civilidade, eu não o queria como amigo ou vizinho, nem sequer o queria a almoçar nos restaurantes que costumo frequentar. O homem é doente, primeiro porque existe em função de um clube desportivo, o que é muito bonito no plano romântico do futebol, mas disfuncional no plano em que tem de conviver com a restante sociedade, e em segundo lugar porque tem aquela característica maravilhosa nas crianças que é a de habitar no realidade que ele próprio cria. Agora, não só essa característica é perigosa em pessoas que têm algum poder, como é especialmente perigosa em pessoas que têm a capacidade de movimentar o ambiente que as rodeia.

 

Eu não faço nenhuma defesa do carácter do BdC, o homem há muito tempo que perdeu o direito de exigir o respeito seja de quem for, mas também não é isso que aqui está em causa. O bate-boca constante, que pelos vistos faz parte do modo de vida dele, é só mais um dos faits divers que rodeiam o BdC e que alimentam a CS que o adora pelas notícias fáceis e os cliques garantidos. Quando digo que está exausto, não é porque ele o diz, é porque lhe passou pela cabeça sugerir alterações draconianas aos estatutos, alterações essas que ficariam para a posteridade do clube ao alcance sabe deus de quem, quando digo que o melhor que faz é pegar na família e ir descansar é porque leio nesta exigência mirabolante de 75% e 86% dos votos para se manter como um pedido de demissão encapotado.

 

Eu não tenho pena da situação em que o BdC se encontra, como disse lá atrás, se não sabia para o que estava guardado quando se candidatou pela primeira vez, quando se candidatou pela terceira já sabia o que a casa gastava. O que tu dizes ser um spin para mim é uma evidência, as guerras que tu falas como se fossem simétricas e meras questões de agressão e resposta são uma constante desde o primeiro minuto que o BdC apareceu e tu sabes disso perfeitamente, ele não precisou de abrir a boca para ter a vida devassada.

O que aqui está em causa não são as cartilhas dos vendidos, as bocas foleiras de outros presidentes ou as discussões infantis e intermináveis no Facebook com outros adeptos que acabam invariavelmente com ele amuado. A questão principal é todo o movimento que começa com a gentalha que toda a vida se alimentou do Sporting e que sempre fez dele um Vale e Azevedo em potência, que passou pelos criminosos que conseguiram literalmente incendiar boletins de votos e roubar uma eleição nas barbas de toda a gente e pelos vistos continua com os piscopatas que se divertem a perseguir-lhe a família para gáudio de dementes iguais.

A diferença nesta situação é que para os comuns dos mortais isto é um caso de polícia e no caso do BdC é visto como algo natural porque ele é evidentemente estúpido.

 

Apesar da retórica habitual neste sentido, isto não acontece só porque o BdC é o presidente de um dos três grandes ou porque, como tu dizes e com razão, é uma pessoa sem educação que compra guerras em todos os quartéis e não é capaz de discutir sem se enfurecer ou de ouvir críticas sem se sentir atraiçoado, é porque é alguém de fora da máfia do futebol que teve sucesso apenas através do próprio trabalho e do trabalho das pessoas que o rodeavam. É isso que motiva o movimento de fundo que existe contra ele e contra qualquer pessoa que se atreva a entrar no negócio do futebol e a querer mudar as regras e é por isso que digo que não tenho esperança nenhuma em qualquer pessoa que o possa suceder, que é o foco da questão principal. O Sporting está condenado a eleger um mafioso ou a eleger um suicida que esteja disposto a passar pelo mesmo que o BdC passou.

 

Eu não escrevo isto em defesa do BdC, não abdico dos meus princípios para votar num presidente que já deixou de funcionar no mundo do real, por maiores que sejam os méritos passados e presentes, escrevo isto porque existe um sistema montado , sim, o tal sistema que tantas piadas motivou ao longo de tantos anos, que serve não para roubar este ou aquele clube, mas para afastar qualquer pessoa do futebol que não esteja lá para fazer parte do negócio mafioso que hoje em dia existe no lugar do que até há uns anos era só um desporto.

 

Sem ironias, acertaste na mouche.

 

Existe muita hipocrisia de quem critica o BdC.

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Será ele um ditador? Estão os poderes judiciais, legislativos e executivos unificados neste Sporting?

Editado por Che

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