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@Elliot Reid, eu sinceramente acho que toda a gente aqui consegue reconhecer mérito. Não o mérito de criar uma empresa de raiz (pelo menos pessoalmente eu não o faço). Claro que tem mérito em ter conseguido manter e expandir o negócio, mas não sei até que ponto não teve ajudas que não diz por motivos óbvios.

A questão da Católica foi só um exemplo para o w0 perceber que 70% da população não tem as oportunidades que ele teve. Claro que quem estudar bem quando é mais novo consegue entrar com bolsas de mérito. Os empréstimos é algo para deixar uma pessoa agarrada para a vida se correr mal. Para além disso, trabalhei na CGD dos 18 aos 20 anos e ainda tenho traumas de ver os juros que uma pessoa paga num empréstimo. Então com carências que é só juros a acumular. Para além disso, maior parte dos pedidos são recusados por falta de fiador ou devido ao rendimento do agregado. 

Next point, a questão da formação tens toda a razão, conhecimento adquirido vai ser sempre útil na vida. Eu pessoalmente também tenho essa noção, estou a acabar gestão e deu-me jeito tanto para a banca (não tanto que já tinha algumas bases but something) como para o trabalho actual (completamente diferente da banca). No entanto os conhecimentos de finanças permitem-me explicar Tim Tim por Tim Tim como é que algo que custa 65k para a empresa de facto só custa 40k. Não era isso que queria abordar. Eu ando há quase 3 anos a estudar e a trabalhar, sair de casa às 8 e chegar à meia-noite. Achas que me vou sujeitar à mesma coisa novamente? Eu adorava estudar psicologia, nos meus 40 penso nisso. Como eu existem muitos outros que até queriam mudar após o primeiro ano só que sentem-se presos aos 1000€ de propinas já gastos. 

Claro que custa, é um esforço gigante. A diferença é uns não tem mesmo outra opção se não fazer isso, é só esse o meu ponto. Porque eu fui obrigado a tal, não tive outra opção. Felizmente sempre fui bem renumerado e ver a poupança aumentar todos os meses ajuda, mas há quem receba o salário mínimo e que não consegue sequer poupar um cêntimo destes 3/4 anos de sacrifício (porque gastam onde não devem mas isso já é conversa para outro testamento). 

Penso apenas que estão a desvalorizar muito as possibilidades de maior parte da população, que têm de se desenmerdar à grande para sobreviver. E quando se anda a sobreviver não há grandes possibilidades de se fazer o que se quer, como querem fazer parecer. 

 

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Citação de ElliotReid13, há 4 horas:

Ele não disse que os pais lhe arranjaram clientes. Ele disse que usou o estúdio da empresa do pai para fotografar e que contratou uma pessoa conhecida da mãe.

Só fazer um reparo a esta parte do post sem estar a referir-me ao resto: Disse eu já há meia dúzia de posts.

O trabalho que o pai lhe fez só em trabalho de agência vale 75K a ser amigo. Lá porque vocês não o conseguem vislumbrar não quer dizer que não tenha sido feito mas também não quer dizer que não tenham essa informação. Neste caso, tens. Tens uma pessoa com quase 10 anos de agências a dizer-te isso mesmo. Conheço perfeitamente o percurso do Fred e que o trabalho que lhe foi feito numa agência média rondava esse valor. 

Citação de ElliotReid13, há 23 horas:

Se eu lançasse um negócio, poupava uns trocos com: o facto de o meu pai ser contabilista e me tratar da parte fiscal de borla; da minha prima ser advogada e me tratar da ocasional burocracia de borla; do facto de os meus avós terem uma casa grande na aldeia onde tenho internet e sossego, de borla pois claro. Se vou investir o meu tempo e esforço num negócio, não é normal tentar tirar partido de todas as ajudas que conseguir? Não faríamos todos o mesmo? Mesmo com essas ajudas, continua a ser necessário o essencial - ter clientes. E para ter clientes precisas de um produto diferenciado. E para ter um produto diferenciado, tens de por tempo e esforço sem saber se, no final, vai valer a pena ou não.

 

Nem ninguém disse o contrário.

Agora: 

- Essas ajudas não valem 0
- Não podes dizer que está ao alcance de todos criar o seu caminho pelo teu próprio argumento

Nem estou a dizer se concordo ou não. Na verdade eu acredito que consegues fazer tudo sem praticamente dinheiro nenhum. O percurso é no entanto muito mais longo sem dinheiro à partida.

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Vou tentar ser sintético no comentário que vou fazer sobre este caso. O facto de o jovem em causa ter tido apoio económico, apoio da empresa do Pai e beneficiar do capital social da sua Mãe foi crucial para alcançar o patamar de sucesso que tem atualmente. Isso não invalida o mérito da sua ideia de negócio, longe disso, mas que foi uma grande ajuda, isso foi. Tenho alunos que tentam (ou tentaram) lançar ideias de negócio e encontraram sempre duas barreiras, financeiras e ausência de capital social, leia-se conhecimentos. Se tivessem tido um apoio semelhante, teriam tido o mesmo sucesso (ou talvez maior) que este jovem? Em algumas situações, sem dúvida.

No final do dia, quando não há dinheiro para financiar uma ideia e não há contactos, é muito difícil levar a ideia avante. Até porque as pessoas, ao final de cada mês, têm de pagar despesas e, em algumas situações, têm filhos para criar. Como tal, as pessoas são obrigadas a colocar em segundo plano as suas ambições e optam por trabalhar por conta de outrem, o que lhes garante maior segurança financeira e laboral. 

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Peço desculpa por me intrometer na conversa mas já algum de vós fez estágio de verão nas big 4? Valem alguma coisa ou é fazer powerpoints durante um mês?

Editado por Syn

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Citação de Syn, há 53 minutos:

Peço desculpa por me intrometer na conversa mas já algum de vós fez estágio de verão nas big 4? Valem alguma coisa ou é fazer powerpoints durante um mês?

Em que área?

Não fiz estágio de verão mas trabalho numa big4. Houve um ano em que estive quase durante o verão todo a trabalhar com um dos estagiários e o rapaz fez várias coisas diferentes e saiu satisfeitíssimo do estágio. Mas pronto, claro que podes não apanhar um colega como eu. 😁

Editado por Thierry Henry

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Citação de Syn, há 22 minutos:

Peço desculpa por me intrometer na conversa mas já algum de vós fez estágio de verão nas big 4? Valem alguma coisa ou é fazer powerpoints durante um mês?

Depende do plano de estágio e de quem te acompanhar no estágio. Na pior das hipóteses ficas com isso no currículo. 

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Por falar em estágios, tou a fazer agora o meu, mas estou farto disto. Hoje então foi a gota de água. Levei na cabeça porque uma cena que demorei um mês a fazer e testar estava a dar mal ao cliente, umas listagens com queries à base de dados e com filtros e quê, não aparecia tudo o que estavam à espera.

Grande filme, e as queries estão mal, os filtros estão mal, e o meu código é de amador e mais não sei o quê, e agora tem de reescrever o código todo que eu fiz e apagar tudo.

Conclusão, afinal o erro não é do que eu fiz, a culpa é do cliente que não sabe mexer na aplicação e de outro serviço que não garantia uma das pré-condições para o que eu fiz funcionar bem. Claro que assim é difícil as queries irem buscar tudo se na base de dados os valores estão a null.

E depois o amador sou eu. E fazer debug é para quem não sabe programar.

Epa pó crl, ainda bem que isto tá quase a acabar, pá semana não venho, o patrão que vá mamar na quinta pata do cavalo.

Um mês de salário em atraso, todos os developers já bazaram daqui, ficámos só nós os 4 estagiários e o gajo tá à espera que lhe salvemos a empresa. LOL gigante pó homem.

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Citação de paladino77, há 6 horas:

A verdade é que os pais também lhe arranjaram os clientes segundo o próprio. Clientes, instalações, contactos, profissionais qualificados na área. Se não lhe montaram o negócio pelo menos fizeram grande maior parte. 

Acho que não estás a perceber o que chateia nisto. Não é a questão do mérito dele, é a arrogância de vir dizer que toda a gente se quiser pode quando não é assim funciona. Isto é dito por alguém que não tem noção da outra realidade do mundo, que não dá valor aquilo que os pais lhe conseguiram oferecer. 

w0 sinceramente achas que todos podem ir estudar para a católica? Achas que todos podemos deixar o que estamos a fazer e o investimento realizado na nossa formação a meio porque não gostamos da área?? É que há quem não tenha pais sequer com capacidade para pagar o ensino público, já experimentaste trabalhar em full-time e estudar ao mesmo tempo como muita gente tem de fazer? 

Isto sim são falácias de quem não sabe as dificuldades que maior parte da população passa. Agora vir dizer que a sociedade acha que é vergonha ser rico.. Tens ai um trauma qualquer, se calhar até foi o que te levou a ter sucesso, a vontade de combater essa tua ideia, mas isso não é de todo verdade. 

Eu acho que deves reler o meu último post e o anterior e todos os outros que faço neste fórum desde o tempo da outra senhora. Nota que até falei na dificuldade existente, conhecida e aceite por todos, na quebra do ciclo de pobreza, portanto é com alguma estranheza, e mesmo estupefação, que vejo essa pergunta.

Claro que nem todos podem estudar na Católica. Nem eu disse o contrário. Estava a dar o meu exemplo. Não fiz condição de sucesso estudar na Católica.

Relativamente à mudança de área, acho que não percebeste o meu comentário. Ou me expliquei mal ou leste mal. Considerando o teu primeiro ataque, acho que acabaste por ler mal. O que eu quis dizer, vamos lá ver se agora sou mais claro, é que não acredito, nem nunca acreditei, que uma pessoa tira um curso e fica condenada a fazer aquele trabalho para a vida toda. Essa é a mentira que nos vendem na escola e na faculdade. 

E fyi, trabalhava a full-time, estava no mestrado, a fazer a ordem dos advogados, voluntariado e a tentar lançar as bases para uma das minhas empresas. Não me acho estranho ao tema sacrifícios. Mas a tua frase é demonstrativa do tal preconceito que falei. Por ter andado na Católica achaste que eu era 'rico' (que palavra feia), que não tinha noção das dificuldades do comum dos mortais e que era um lambão que nunca tinha feito nada. Como podes ver, é preconceito.

Quanto ao último paragrafo, acho que é absurdo. Quem me conhece (e falo aqui do fórum) sabe que dizeres que "nao sei das dificuldades que a maior parte da população passa" é algo injusto. Bastante até. Quanto ao trauma é verdade. Tenho um trauma com o nosso país que olha sempre com desdém para quem consegue ter sucesso. Segundo o vox pop, é raro enriquecer de forma lícita. 

Citação de paladino77, há 1 hora:

@Elliot Reid, eu sinceramente acho que toda a gente aqui consegue reconhecer mérito. Não o mérito de criar uma empresa de raiz (pelo menos pessoalmente eu não o faço). Claro que tem mérito em ter conseguido manter e expandir o negócio, mas não sei até que ponto não teve ajudas que não diz por motivos óbvios.

A questão da Católica foi só um exemplo para o w0 perceber que 70% da população não tem as oportunidades que ele teve. Claro que quem estudar bem quando é mais novo consegue entrar com bolsas de mérito. Os empréstimos é algo para deixar uma pessoa agarrada para a vida se correr mal. Para além disso, trabalhei na CGD dos 18 aos 20 anos e ainda tenho traumas de ver os juros que uma pessoa paga num empréstimo. Então com carências que é só juros a acumular. Para além disso, maior parte dos pedidos são recusados por falta de fiador ou devido ao rendimento do agregado. 

Next point, a questão da formação tens toda a razão, conhecimento adquirido vai ser sempre útil na vida. Eu pessoalmente também tenho essa noção, estou a acabar gestão e deu-me jeito tanto para a banca (não tanto que já tinha algumas bases but something) como para o trabalho actual (completamente diferente da banca). No entanto os conhecimentos de finanças permitem-me explicar Tim Tim por Tim Tim como é que algo que custa 65k para a empresa de facto só custa 40k. Não era isso que queria abordar. Eu ando há quase 3 anos a estudar e a trabalhar, sair de casa às 8 e chegar à meia-noite. Achas que me vou sujeitar à mesma coisa novamente? Eu adorava estudar psicologia, nos meus 40 penso nisso. Como eu existem muitos outros que até queriam mudar após o primeiro ano só que sentem-se presos aos 1000€ de propinas já gastos. 

Claro que custa, é um esforço gigante. A diferença é uns não tem mesmo outra opção se não fazer isso, é só esse o meu ponto. Porque eu fui obrigado a tal, não tive outra opção. Felizmente sempre fui bem renumerado e ver a poupança aumentar todos os meses ajuda, mas há quem receba o salário mínimo e que não consegue sequer poupar um cêntimo destes 3/4 anos de sacrifício (porque gastam onde não devem mas isso já é conversa para outro testamento). 

Penso apenas que estão a desvalorizar muito as possibilidades de maior parte da população, que têm de se desenmerdar à grande para sobreviver. E quando se anda a sobreviver não há grandes possibilidades de se fazer o que se quer, como querem fazer parecer. 

 

É aqui que reside a nossa discórdia. E finalmente percebi. 

O teu problema está exactamente ai. Porque não haverias de te sujeitar à mesma coisa se te fosse garantir um futuro melhor? Uma vida melhor, mais feliz, mais realizado ou qualquer que seja o teu objetivo de vida (não falo só financeiramente, pode ser realização pessoal)? É aqui que discordamos diametralmente.

4 anos de curso, 1.5 de mestrado, 1 ano a viver fora, quase 7 anos a trabalhar nos diferentes ramos do direito. Noitadas. Sair de casa às 08h, quando não antes, chegar depois das 00h. Passar fins-de-semana a estudar. Não ter férias durante dois verões. Passar o meu aniversário a trabalhar num outro continente. E a lista continua. Onde quero chegar? Fui feliz, mas quando senti que procurava algo diferente na minha vida, mudei, sujeito a, se isto não correr bem, ter de voltar a comer muito pó. Fa-lo-ia as vezes que fossem necessárias. E não acho, que por já ter tido momentos mais difíceis, que ganhei um lugar ao sol. Para esse lugar ao sol tenho de trabalhar todos os dias. E não choro por isso.

Quanto ao segundo bold, há que pesar algumas coisas. Imagina que estás numa área sem empregabilidade. Por já teres f*dido 1000 paus vais continuar e f*der mais 2k, 3k ou 4k? Fará sentido? Ou estás numa área que odeias. Abominas. Não tens aproveitamento na faculdade e não te imaginas a trabalhar naquela área. Vais acabar por ter de ir para um emprego qualquer pouco qualificado, porque naquela área não consegues trabalhar (desmotivaste, tiraste más notas, não tens conhecimentos, etc.). Achas que faz sentido condenares a tua vida a 40 anos de prisão? Eu não seria capaz, pois sentiria que estava a deitar a minha vida para o lixo, independentemente do argumento dos 1000 Euros, que têm um peso importante nesta história. 

Em suma, onde discordo é no facto de tu aceitares que podes estagnar e ficar numa situação que não te faz feliz simplesmente porque (i) já passaste por muito e (ii) porque não queres voltar a passar pelo mesmo. Esse é o tipo de atitude que me deixa...desconfortável. 

 

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Visitante
Citação de Lewa, há 2 horas:

Só fazer um reparo a esta parte do post sem estar a referir-me ao resto: Disse eu já há meia dúzia de posts.

O trabalho que o pai lhe fez só em trabalho de agência vale 75K a ser amigo. Lá porque vocês não o conseguem vislumbrar não quer dizer que não tenha sido feito mas também não quer dizer que não tenham essa informação. Neste caso, tens. Tens uma pessoa com quase 10 anos de agências a dizer-te isso mesmo. Conheço perfeitamente o percurso do Fred e que o trabalho que lhe foi feito numa agência média rondava esse valor. 

Nem ninguém disse o contrário.

Agora: 

- Essas ajudas não valem 0
- Não podes dizer que está ao alcance de todos criar o seu caminho pelo teu próprio argumento

Nem estou a dizer se concordo ou não. Na verdade eu acredito que consegues fazer tudo sem praticamente dinheiro nenhum. O percurso é no entanto muito mais longo sem dinheiro à partida.

Mas aí já estamos a cair outra vez na questão do dinheiro. Usando o estúdio do pai poupou esses 75k. Se não tivesse essas ajudas, provavelmente o crescimento teria de ser muito mais gradual uma vez que teria a questão de ir gerando mais liquidez para suportar os custos - foi logo das primeiras coisas que escrevi aqui, o mérito de construir um negócio bem sucedido ninguém o pode tirar, mas tê-lo conseguido aos 24 ou 25 anos é que é duvidoso.

Estamos, lá está, a falar outra vez na duração do processo. É verdade que saltou passos, mas o mérito de ter sido bem sucedido não se mantém? Isto é, mesmo com essas ajudas, uma má ideia continuaria a ser uma má ideia, e dificilmente daria num bom negócio como o da Sonder, fossem 75k, 100k ou 200k. E volto também a pegar num ponto que já apresentei há um par de posts atrás: se essas "ajudas" tivessem vindo, não da parte do pai ou avó, mas de investidores de VC ou BA, a discussão continuaria a fazer sentido? Porque é exatamente isso que acontece quando os fundadores não têm meios próprios para começar atividade com escala suficiente.

Citação de Syn, há 1 hora:

Peço desculpa por me intrometer na conversa mas já algum de vós fez estágio de verão nas big 4? Valem alguma coisa ou é fazer powerpoints durante um mês?

Não fiz nem conheço quem tenha feito, mas tendo em conta a conversa que tivemos anteriormente, é sempre um ponto do CV a ter em conta quando estiveres a candidatar para o primeiro estagio "a sério" no mestrado 😉

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Estou a gostar imenso desta discussão, sem qualquer tipo de ironia.

 

Antes de mais queria só expressar a minha compreensão com o w0 pelo "estigma" do falso menino rico. Passei muito por isso quando estava na faculdade (ainda o sinto hoje em dia por continuar a conviver com os meus ex-colegas), em que as pessoas assumem que tens pais ricos só porque cresceste num certo meio, rodeado de certas pessoas. No meu caso foi em Cascais, e por ter estudado num colégio privado. Claro que eu teria de ser um menino dos papás, com todos os facilitismos na vida. Para a malta da Universidade de Évora ser de Lisboa já era "fancy", Cascais então era o máximo. Não interessava que eu não receba ajuda de casa desde os 18 anos ou que a minha mãe estivesse a receber o RSI e o meu pai o correspondente a isso mas no estrangeiro.

Mas no entanto considero-me extremamente privilegiado. Haviam pessoas em situações mais complicadas e conviver com elas ajuda-nos a crescer. Tive colegas de quarto que tinham fugido dos seus países para escapar à guerra por exemplo.

 

E era um bocado por aí que queria dar a minha opinião.

 

O sucesso e o mérito devem ser contextualizados. Esse puto claramente que teve mérito. Começou num nível absurdamente alto para a realidade portuguesa? Sim, sem dúvida. Acrescentou valor àquilo que lhe foi dado e conseguiu crescer? Também.

 

Agora o que cria alguma comichão é quando te dão a entender que qualquer pessoa pode chegar a este patamar. É como dizer que podes ficar rico se jogares no Euromilhões. Qualquer um pode, mas a probabilidade é quase nula. 

Uma pessoa pode alegar que "com punho" podes fazer com que a empresa funcione, mesmo com o mínimo investimento. E que com a atitude certa podes criar os contactos. Que com a dedicação podes ser bom aluno e ter a bolsa para a Católica. Tudo verdade. 

Mas se não estiveres no contexto certo isto pode ser praticamente impossível. Um puto que chegue a casa e leve porrada do pai alcoólico, ou os berros da mãe abusiva que o rebaixa e chama de burro provavelmente não vai ser brilhante a nível académico. E isto nem é um caso assim tão rebuscado. É só a vida lol.

 

Portanto quando estes gajos te vendem a ideia do "eu consegui, se tu fizeres por isso também consegues", fico sempre com o pé atrás. Seria muito mais sincero se dissesse "eu consegui, porque estive inserido no contexto certo para isso e depois dei tudo aquilo que tinha para tornar isto possível", mas muitas das vezes acho que nem eles têm consciência disso, a realidade deles é outra. E quando queres ser um motivational speaker também não é boa publicidade lol.

Editado por joe
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Citação de Thierry Henry, há 4 horas:

Não fiz estágio de verão mas trabalho numa big4. Houve um ano em que estive quase durante o verão todo a trabalhar com um dos estagiários e o rapaz fez várias coisas diferentes e saiu satisfeitíssimo do estágio. Mas pronto, claro que podes não apanhar um colega como eu. 😁

Que conhecimentos é que uma pessoa tem de ter quando vai para um estágio de verão em big4? Contabilidade?

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Citação de Thierry Henry, há 4 horas:

Em que área?

Não fiz estágio de verão mas trabalho numa big4. Houve um ano em que estive quase durante o verão todo a trabalhar com um dos estagiários e o rapaz fez várias coisas diferentes e saiu satisfeitíssimo do estágio. Mas pronto, claro que podes não apanhar um colega como eu. 😁

Eu sou das finanças! Na empresa não sei, na KPMG e na Deloitte não dá para escolher o departamento, na EY dá mas ainda ando a estudar o assunto, o mais curto é de 3 meses e eu só poderia a partir de Julho.

Não sei como é que os estágios de verão funcionam nessas empresas, nem conheço ninguém que já tenha feito.

 

Citação de migxstoper, há 4 horas:

Depende do plano de estágio e de quem te acompanhar no estágio. Na pior das hipóteses ficas com isso no currículo. 

 

Citação de ElliotReid13, há 2 horas:

 

Não fiz nem conheço quem tenha feito, mas tendo em conta a conversa que tivemos anteriormente, é sempre um ponto do CV a ter em conta quando estiveres a candidatar para o primeiro estagio "a sério" no mestrado 😉

Sempre deve ser mais produtivo e valorizado do que passar o verão a ler no jardim da estrela.

Enfim, quero mesmo fazer qualquer coisa este verão, já ando de olho nisso. Também me candidatei à Vodafone, se alguém tiver feedback.

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Citação de claudiojp, há 4 horas:

E fazer debug é para quem não sabe programar.

😂

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Há uma coisa que sempre me faz confusão: a deslocação da realidade de quem diz que não é rico mas vive em zonas nobres, estudou em colégios privados ou faculdades como a Católica e raramente lhes faltou alguma coisa. Como é que isto acontece se não são ricos? Vocês terão certamente noção que, sem ajuda externa, isto é vida de rico? Não há sequer a possibilidade de isto acontecer sem extremas dificuldades à classe média. 

Como é que se pagava o colégio e a faculdade? E o resto da vida no dia a dia? Do que é que abdicavam para terem este luxo? Acho que é preciso algum contexto para compreender como é que vos aconteceu tanta coisa boa.

Depois, a ideia de sacrifício, como se esta fosse conforme para todos. Estudaram e trabalharam ao mesmo tempo. Ok. Mas onde? Num escritório de advogados ou no McDonalds? Numa pública ou numa privada? E qual o salário? Quais as despesas? 

É sacrifício estudar e trabalhar ao mesmo tempo, sim, mas se no final do dia saem de carro da faculdade e vão jantar bem ou saem para ficar à espera do autocarro e depois de trabalho e faculdade ainda fazem 1h ou mais para chegar a casa e não jantam para poupar dinheiro, é bastante diferente. 

Vá lá, não banalizem a ideia de sacrifício nem distorçam a realidade só porque se sentem desconfortáveis com determinadas situações. Num país onde 23% da população vive em risco de pobreza e quase um milhão ganha o salário mínimo a vida não vos deve ter corrido assim tão mal. E se calhar o que vos aconteceu foi chocarem com estas realidades.

Fazem-me lembrar estes novos putos betos com estilo super xunga. Xunga, sim, mas com sketchers de 150€.

Uma coisa eu sei, fui pobre, e ter sequer material escolar, só com a ajuda do estado. E a diferença para mim, o pobre, e a classe média, meus colegas, era precisar ou não de SASE. Colégios e Católica? Nem eu nem eles. Portanto, há qualquer nas vossas tristes histórias que não bate certo.

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Citação de Mayday, há 4 minutos:

Há uma coisa que sempre me faz confusão: a deslocação da realidade de quem diz que não é rico mas vive em zonas nobres, estudou em colégios privados ou faculdades como a Católica e raramente lhes faltou alguma coisa. Como é que isto acontece se não são ricos? Vocês terão certamente noção que, sem ajuda externa, isto é vida de rico? Não há sequer a possibilidade de isto acontecer sem extremas dificuldades à classe média. 

Como é que se pagava o colégio e a faculdade? E o resto da vida no dia a dia? Do que é que abdicavam para terem este luxo? Acho que é preciso algum contexto para compreender como é que vos aconteceu tanta coisa boa.

Depois, a ideia de sacrifício, como se esta fosse conforme para todos. Estudaram e trabalharam ao mesmo tempo. Ok. Mas onde? Num escritório de advogados ou no McDonalds? Numa pública ou numa privada? E qual o salário? Quais as despesas? 

É sacrifício estudar e trabalhar ao mesmo tempo, sim, mas se no final do dia saem de carro da faculdade e vão jantar bem ou saem para ficar à espera do autocarro e depois de trabalho e faculdade ainda fazem 1h ou mais para chegar a casa e não jantam para poupar dinheiro, é bastante diferente. 

Vá lá, não banalizem a ideia de sacrifício nem distorçam a realidade só porque se sentem desconfortáveis com determinadas situações. Num país onde 23% da população vive em risco de pobreza e quase um milhão ganha o salário mínimo a vida não vos deve ter corrido assim tão mal. E se calhar o que vos aconteceu foi chocarem com estas realidades.

Fazem-me lembrar estes novos putos betos com estilo super xunga. Xunga, sim, mas com sketchers de 150€.

Uma coisa eu sei, fui pobre, e ter sequer material escolar, só com a ajuda do estado. E a diferença para mim, o pobre, e a classe média, meus colegas, era precisar ou não de SASE. Colégios e Católica? Nem eu nem eles. Portanto, há qualquer nas vossas tristes histórias que não bate certo.

Nem vou responder muito. A classe média está onde? 

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Pessoal, estou em processo de recrutamento para uma vaga X, mas entretanto e após a primeira entrevista a mesma empresa lançou uma vaga Y que me agrada ainda mais. Quero dizer que preferia a última mas não sei bem como dizer, já alguém passou por isto?

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Eu paguei a católica com empréstimo bancário (para estudantes) e continuo a trabalhar e estudar a 60km de casa, sendo que 50km deles faço de comboio, 7km de metro e 3km a pé (sendo que o percurso se repete duas vezes por dia, obviamente). Logo não dou muito valor a esse tipo de discurso de quem tem ou teve as mesmas dificuldades que eu, mas que não faz nada para mudar. Ninguém é obrigado a fazer mais do que o estritamente necessário para ir sobrevivendo, mas não me venham com histórias de embalar de que sou um privilegiado, porque sei bem o que tive de fazer para chegar ate aqui. 

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Citação de ElliotReid13, há 1 minuto:

Eu paguei a católica com empréstimo bancário (para estudantes) e continuo a trabalhar e estudar a 60km de casa, sendo que 50km deles faço de comboio, 7km de metro e 3km a pé (sendo que o percurso se repete duas vezes por dia, obviamente). Logo não dou muito valor a esse tipo de discurso de quem tem ou teve as mesmas dificuldades que eu, mas que não faz nada para mudar. Ninguém é obrigado a fazer mais do que o estritamente necessário para ir sobrevivendo, mas não me venham com histórias de embalar de que sou um privilegiado, porque sei bem o que tive de fazer para chegar ate aqui. 

Está aqui, @Jimpo

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Citação de Solero, há 5 minutos:

Pessoal, estou em processo de recrutamento para uma vaga X, mas entretanto e após a primeira entrevista a mesma empresa lançou uma vaga Y que me agrada ainda mais. Quero dizer que preferia a última mas não sei bem como dizer, já alguém passou por isto?

eu adiei tentei adiar a minha resposta definitiva. quando estive na ultima fase do processo de recrutamento da vaga x, "ai dsclpe aconteceu uma coisa horrivel é pessoal, daqui a uma/duas semanas pode ser?" e fiz o processo para a vaga y sabendo q daqui a uma/duas semanas ia combinar algo para a vaga x

felizmente a proposta da vaga y veio antes

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Citação de Solero, Agora:

Estudar na Católica não é propriamente sinónimo de ser rico.

Pois não. E o Elliot é esse exemplo. Mas nós sabemos como é que ele fez para estudar na Católica não sendo rico.  

Agora, fui fazer rapidamente as contas. Deu-me 17 mil € para tirar uma licenciatura. Estudaste na Católica, pagaste 17 mil € sem recorrer a empréstimo ou bolsa e não és rico? hhmm.

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Visitante
Citação de Solero, há 7 minutos:

Estudar na Católica não é propriamente sinónimo de ser rico.

Generalizações. Mas eu repito o mesmo ponto, eu aceito perfeitamente o ponto de vista do Mayday, porque se ele me der razão, deixa de ter como justificar o facto de estar resignado com a origem da sua insatisfação.

Editado por Visitante

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Citação de Mayday, há 1 minuto:

Está aqui, @Jimpo

Não cheguei lá. 

Parece que só há ricos, um bocado menos ricos, e depois os muitos pobres no limiar de nem conseguirem comer. 

Estudei numa privada 4 anos, nunca me faltou nada porque tive pais que abdicaram de muita coisa que muitos não tiveram a mesma coragem, emigraram nos anos 70/80 para puderem ter e dar uma vida mais confortável aos filhos.

Infelizmente não tive média para entrar numa pública que aqui em Lisboa só há uma e média de entrada foi 17, sendo que eu só tinha 15,5. Tive de ir pra uma privada durante 4 anos, todos os meses 450 euros, isto claro se não chumbares, pedires recursos, exames em época extra, etc. 

Tive colegas de todos os tipos. Alguns com boas posses, outros de classe média , outros normais, e alguns pobres. Os meus dois melhores amigos, um tinha bolsa porque só a mãe é que o sustentava com o ordenado mínimo e tinha boas notas, e o outro teve de pedir um empréstimo, sendo que trabalhava num café depois das aulas e fds. Chegou a trabalhar durante a semana num café e aos fds no Lx Factory como vigilante.

Acabei o curso e deparei-me com a realidade do mercado de trabalho, 6 euros à hora com recibo para o fisio normal. No meio disto se queres ser melhor tens de tirar cursos que pagas do teu bolso porque o “patrão” para o qual trabalhas não desembolsa nada. 

Resultado, podia andar a chorar-me e triste com a minha profissão mas vim trabalhar pra fora. 

 

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mas @ElliotReid13, achas justo que os "não privilegiados" se tenham de se esfolar só para ter o mesmo tipo de educação que os "privilegiados"?

E que qualquer pessoa consegue criar um negócio de sucesso se insistir tipo bue?

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