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Esqueci-me de falar do caso da minha mulher. A mãe é auxiliar num lar, o pai é mecanico na força aérea. E tirou o mesmo curso. Também tiveram de fazer um empréstimo para pagar o curso da filha. 

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Citação de Jimpo, há 1 minuto:

Não cheguei lá. 

Parece que só há ricos, um bocado menos ricos, e depois os muitos pobres no limiar de nem conseguirem comer. 

 Estudei numa privada 4 anos, nunca me faltou nada porque tive pais que abdicaram de muita coisa que muitos não tiveram a mesma coragem, emigraram nos anos 70/80 para puderem ter e dar uma vida mais confortável aos filhos.

 Infelizmente não tive média para entrar numa pública que aqui em Lisboa só há uma e média de entrada foi 17, sendo que eu só tinha 15,5. Tive de ir pra uma privada durante 4 anos, todos os meses 450 euros, isto claro se não chumbares, pedires recursos, exames em época extra, etc. 

 Tive colegas de todos os tipos. Alguns com boas posses, outros de classe média , outros normais, e alguns pobres. Os meus dois melhores amigos, um tinha bolsa porque só a mãe é que o sustentava com o ordenado mínimo e tinha boas notas, e o outro teve de pedir um empréstimo, sendo que trabalhava num café depois das aulas e fds. Chegou a trabalhar durante a semana num café e aos fds no Lx Factory como vigilante.

 Acabei o curso e deparei-me com a realidade do mercado de trabalho, 6 euros à hora com recibo para o fisio normal. No meio disto se queres ser melhor tens de tirar cursos que pagas do teu bolso porque o “patrão” para o qual trabalhas não desembolsa nada. 

 Resultado, podia andar a chorar-me e triste com a minha profissão mas vim trabalhar pra fora. 

  

Ou seja, qual é o teu ponto nesta discussão?

Citação de Jimpo, Agora:

Esqueci-me de falar do caso da minha mulher. A mãe é auxiliar num lar, o pai é mecanico na força aérea. E tirou o mesmo curso. Também tiveram de fazer um empréstimo para pagar o curso da filha. 

Sim, já temos esse exemplo aqui no fórum. 

Citação de Plagio o Original, há 1 minuto:

mas @ElliotReid13, achas justo que os "não privilegiados" se tenham de se esfolar só para ter o mesmo tipo de educação que os "privilegiados"?

E que qualquer pessoa consegue criar um negócio de sucesso se insistir tipo bue?

Ele não pode combater o que é ou não justo a não ser fazendo o que ele fez que é preocupar-se consigo e fazer os impossíveis. De que lhe valeria lamentar-se com o azar dele e a sorte dos outros?

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Citação de Mayday, há 1 minuto:

Ou seja, qual é o teu ponto nesta discussão?

Sim, já temos esse exemplo aqui no fórum. 

O meu ponto é que um curso também é um investimento.

Houve uma altura no curso em que disse aos meus pais que ia deixar o futebol para poder trabalhar em part-time no Lidl para ajudar a pagar as despesas. E o meu pai disse-me algo do género, “não te preocupes porque é um investimento, isto só não serve de nada se tirares o curso e não conseguires ter uma vida estável”. 

Da mesma maneira de que os que pediram empréstimo já o devem ter pago e “estão a ter lucros”. Se se tivessem limitado ao “não sei se vou tirar porque não quero arriscar” estariam se calhar sem curso e com um ordenado mínimo? Ou até poderiam estar melhores se tivessem investido noutra coisa. 

Mas continuo sem perceber o sinónimo de seres rico por estudares numa privada. Dei-te exemplos de 3 exemplos de próximos que não eram e estudaram numa privada. Tinha mais alguns na turma mas não conheço tão detalhados como este 

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Visitante
Citação de Plagio o Original, há 17 minutos:

mas @ElliotReid13, achas justo que os "não privilegiados" se tenham de se esfolar só para ter o mesmo tipo de educação que os "privilegiados"?

E que qualquer pessoa consegue criar um negócio de sucesso se insistir tipo bue?

Não acho justo, de todo. Mas também é errada a ideia de que a católica é só para meninos com dinheiro - o nível de exigência, mesmo à entrada, é brutal (em termos de mestrado), e ninguém anda lá só porque pode pagar propinas. Provavelmente, os excelentes resultados que estás faculdades conseguem nos rankings internacionais tem mais a ver com a qualidade dos alunos do que propriamente com métodos milagrosos de ensino. Acredita que são mais os que ficam  pelo caminho do que  aqueles que entram . E se há tanta gente como eu, que tenta arranjar formas de entrar "mais arriscadas", é porque o retorno a prazo é bastante superior aos sacrifícios mais imediatos.

O segundo parágrafo é bater sempre na mesma tecla, mas eu respondo outra vez: nem toda a gente pode ser bem sucedida; ser resiliente, motivado e criativo é mais importante do que ter dinheiro na esmagadora maioria das vezes; não podendo sermos todos bem sucedidos (ou sequer a maioria), aquele que se auto-motiva e trabalha mais e melhor está sempre mais perto de o ser do que aquele que se queixa e se resigna. E é exatamente isso que o rapaz diz no vídeo, ele incentiva as pessoas a olhar mais para aquilo que as faz feliz.

Editado por Visitante

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Citação de Jimpo, há 1 minuto:

O meu ponto é que um curso também é um investimento.

Houve uma altura no curso em que disse aos meus pais que ia deixar o futebol para poder trabalhar em part-time no Lidl para ajudar a pagar as despesas. E o meu pai disse-me algo do género, “não te preocupes porque é um investimento, isto só não serve de nada se tirares o curso e não conseguires ter uma vida estável”. 

Da mesma maneira de que os que pediram empréstimo já o devem ter pago e “estão a ter lucros”. Se se tivessem limitado ao “não sei se vou tirar porque não quero arriscar” estariam se calhar sem curso e com um ordenado mínimo? Ou até poderiam estar melhores se tivessem investido noutra coisa. 

Mas continuo sem perceber o sinónimo de seres rico por estudares numa privada. Dei-te exemplos de 3 exemplos de próximos que não eram e estudaram numa privada. Tinha mais alguns na turma mas não conheço tão detalhados como este 

Está bem, mas isso nunca esteve em causa.

Não é estudares numa privada, é como é que a pagaste e as circunstância. E os exemplos que deste já tinham sido tidos em conta na discussão e exemplificam os casos da classe média que procura as privadas em que, como disse, têm que fazer sacrifícios extremos. É que pedir um empréstimo para estudar (é um investimento, mas) demora anos a pagar e essa despesa extra num orçamento de um jovem trabalhador em Portugal (sem os contactos do Francisco ou dos Mello) é pesado. 

É que o sacrifício de um empréstimo pode-te levar uma década a concluir ou então um sacrifício extra para antecipar esse prazo, adiando o inicio da vida adulta e da sua independência. Isto é um sacrifício, o resto são quimeras.

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Visitante

@Mayday se serve de algo, o que eu fui ganhar no meu primeiro emprego e a diferença para o que os meus colegas de licenciatura foram ganhar no seu primeiro emprego mais do que compensava os 180 euros de mensalidade, fora a vantagem de crescer mais rápido quando estás integrado numa empresa com programas próprios. Portanto o sacrifício nem era tanto por aí, mas sim o que foi preciso abdicar dentro da católica: saídas todas as semanas? Nada. Morar em Cascais? É gozo, repartia um T3 a cair de podre com mais dois colegas (200 euros a cada um, mas tivemos de aguentar uma infestação de percevejos). Semestre internacional na Bocconi, St.Gallen, Singapura ou Austrália? Esta bem, está. Foi bem mais complicado estar inserido num meio em que claramente não pertencia do que ter de arcar com as despesas eu próprio. Ainda assim, que se f*da, o sotaque lisboeta faz-me dores de cabeça de qualquer forma.

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Citação de Mayday, há 22 minutos:

Está bem, mas isso nunca esteve em causa.

Não é estudares numa privada, é como é que a pagaste e as circunstância. E os exemplos que deste já tinham sido tidos em conta na discussão e exemplificam os casos da classe média que procura as privadas em que, como disse, têm que fazer sacrifícios extremos. É que pedir um empréstimo para estudar (é um investimento, mas) demora anos a pagar e essa despesa extra num orçamento de um jovem trabalhador em Portugal (sem os contactos do Francisco ou dos Mello) é pesado. 

É que o sacrifício de um empréstimo pode-te levar uma década a concluir ou então um sacrifício extra para antecipar esse prazo, adiando o inicio da vida adulta e da sua independência. Isto é um sacrifício, o resto são quimeras.

Acho que te baseias muito nos valores de proprinas sem pensares que há famílias com poupanças. E não é por terem poupanças que são ricas. 

É chato teres de ir às poupanças para pagares a educação do teu filho, mas se não queres ter gastos mais vale não teres filhos. Tirando a Dolores que teve a sorte de não ter feito o aborto e ter ganho o Euromilhões, ter um filho é sempre um mau investimento :3_grin:

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Citação de ElliotReid13, há 6 minutos:

@Mayday se serve de algo, o que eu fui ganhar no meu primeiro emprego e a diferença para o que os meus colegas de licenciatura foram ganhar no seu primeiro emprego mais do que compensava os 180 euros de mensalidade, fora a vantagem de crescer mais rápido quando estás integrado numa empresa com programas próprios. Portanto o sacrifício nem era tanto por aí, mas sim o que foi preciso abdicar dentro da católica: saídas todas as semanas? Nada. Morar em Cascais? É gozo, repartia um T3 a cair de podre com mais dois colegas (200 euros a cada um, mas tivemos de aguentar uma infestação de percevejos). Semestre internacional na Bocconi, St.Gallen, Singapura ou Austrália? Esta bem, está. Foi bem mais complicado estar inserido num meio em que claramente não pertencia do que ter de arcar com as despesas eu próprio. Ainda assim, que se f*da, o sotaque lisboeta faz-me dores de cabeça de qualquer forma.

Acredito. E acredito que valha a pena, como investimento, e como valência positiva no mercado de trabalho. Nem coloco isso em causa. E eu já falei disso neste mesmo tópico quando disse que uma forma de nos fazermos valer no mercado de trabalho, para não andarmos a a concorrer com o mesmo CV padrão com os outros, é oferecermos qualquer coisa de diferente da maioria. E um mestrado na Católica pode ser essa diferença. 

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Citação de Jimpo, há 29 minutos:

Acho que te baseias muito nos valores de proprinas sem pensares que há famílias com poupanças. E não é por terem poupanças que são ricas. 

É chato teres de ir às poupanças para pagares a educação do teu filho, mas se não queres ter gastos mais vale não teres filhos. Tirando a Dolores que teve a sorte de não ter feito o aborto e ter ganho o Euromilhões, ter um filho é sempre um mau investimento :3_grin:

Eu não me baseio em nada. Eu pergunto a quem conseguiu pagar tamanho valor não sendo rico, como é que o pagou? Se não são privilegiados nesse sentido, alguma coisa deve ter sido feita. 

Ok. Podes ter poupanças. Podes ter herança. Podes ter herdado casa e não teres despesas extra o que flexibiliza o teu orçamento. Podes ter outros rendimentos extra-trabalho. Morreram-te os pais, deixaram-te uma casa e alugas por mês. Há uma série de factores. A discussão seguinte é o que é ser rico? Como é que se determina? O @w0, por exemplo, disse que os pais não eram milionários e trabalhavam muito. Isto invalida que sejam ricos? Num país com a nossa realidade não tens que ser milionário para ser rico. Ou é a minha percepção porque estou a olhar de baixo? 

Se num país onde um milhão de trabalhadores recebe o salário mínimo e o ordenado médio é de 800€, escusado será dizer que quem consegue pagar a Católica só tirando do bolso tem privilégio de rico. É que não é só propinas. Há despesas e um custo de vida associado. 

Quanto ao bold, depende do valor das poupanças.

Editado por Mayday

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Citação de Mayday, há 16 minutos:

Acredito. E acredito que valha a pena, como investimento, e como valência positiva no mercado de trabalho. Nem coloco isso em causa. E eu já falei disso neste mesmo tópico quando disse que uma forma de nos fazermos valer no mercado de trabalho, para não andarmos a a concorrer com o mesmo CV padrão com os outros, é oferecermos qualquer coisa de diferente da maioria. E um mestrado na Católica pode ser essa diferença. 

Acho que, de qualquer forma, foi errado ter acabado por personalizar este tipo de discussão. O que faz sentido para mim não tem de fazer sentido para outras pessoas, e mesmo dentro das minhas dificuldades, existem pessoas com outras ainda piores.

O que eu gostava mesmo de deixar claro é que o tipo de discurso de "bater punho" e "arriscar" pode revoltar aqueles que não têm mesmo hipótese, e que são pisados pela vida dia sim dia sim. Mas esse mesmo discurso pode ser também o clique que algumas pessoas precisam para ter mais uma razão para querer escapar à m*rda de condições que têm à sua volta. E, independentemente de fazer ressonância com este ou aquele, acho que podemos concordar que não há mal nenhum em querer incentivar as pessoas a encontrar aquilo que as motiva.

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Citação de ElliotReid13, há 2 minutos:

Acho que, de qualquer forma, foi errado ter acabado por personalizar este tipo de discussão. O que faz sentido para mim não tem de fazer sentido para outras pessoas, e mesmo dentro das minhas dificuldades, existem pessoas com outras ainda piores.

 O que eu gostava mesmo de deixar claro é que o tipo de discurso de "bater punho" e "arriscar" pode revoltar aqueles que não têm mesmo hipótese, e que são pisados pela vida dia sim dia sim. Mas esse mesmo discurso pode ser também o clique que algumas pessoas precisam para ter mais uma razão para querer escapar à m*rda de condições que têm à sua volta. E, independentemente de fazer ressonância com este ou aquele, acho que podemos concordar que não há mal nenhum em querer incentivar as pessoas a encontrar aquilo que as motiva.

Pessoalmente, não valorizo esse discurso porque, hoje, é um negócio e porque é apenas vender uma ilusão. É fácil dizê-lo, lucra-se com isso, e os outros que se iludam. Não se pode dizer o mesmo a toda a gente porque não parte toda a gente do mesmo ponto, temos obstáculos e condicionantes diferentes pelo caminho - usando vocabulário a condizer. O que não quer dizer que o discurso não esteja certo. Mas é só parte dele. Falta o resto. Falta complementar dizendo ao João que vem do interior e que tem a mesma ideia de negócio que o Francisco que ele vai ter que jogar um jogo diferente. Mas dizê-lo de forma concreta e não metafóricamente. E é errado dizer ao João, quando ele sucumbir perante as dificuldades e vir o Francisco a crescer tão rápido, que a culpa é do João e que se ele quisesse mais e tivesse mais vontade, que se trabalhasse o dobro também tinha conseguido. Isto é mentira e desonesto. Mas funciona na mente das pessoas, é o que queremos ouvir. Os clichês e lugares comuns têm dois problemas: são excessivamente usados mas estão sempre certos.

A diferença não está só nas condições socio-económicas, há factores biológicos que podem determinar o que tu consegues ou não fazer. E isto nunca é tido em conta nesse discurso. E quando é, aparecem os lugares comuns como o Francisco diz quando o Unas usa esta contra-argumentação, qualquer coisa como: "quanto maior o obstáculo, maior é o herói". Uau. 

O arriscar é muito bonito, parece uma coisa grande e vitoriosa, mas quando o arriscar significa até aquilo que não temos traz-nos consequências dolorosas. Não quero exemplificar, mas eu já segui o que esse discurso propõe (ainda hoje o faço, aliás), já agi da forma que ele recomenda, já pensei como é suposto pensar, fiz, arrisquei, esforcei-me, trabalhei o dobro, bla bla, e esbarrei sempre no mais óbvio, que é o resto do discurso que os bater punho não dizem. 

Bold: Mal não tem, pergunto é as intenções. Eu sou muito desconfiado por isso há duas coisas que tento sempre descodificar: as intenções e a moral.

Eu trabalho mais ou menos no meio onde a empresa do Francisco actua e agências iguais à dele há às dezenas. Todos os anos aparece mais uma mão cheia que rapidamente desaparecem. A razão para o Francisco ter conseguido e estas empresas não é que o Francisco saltou etapas, entrou mais facilmente no mercado, chegou mais facilmente aos clientes. Sorte a dele, azar o deles. Tendo em conta a concorrência neste meio se o Francisco fizesse o percurso normal ou ainda não tinha destaque ou já tinha tido o destino das outras. Perante isto, peço-lhe que seja mais honesto e menos voluntarioso. 

Aliás, vejam o Unas a expor o ridículo ao ridículo ao minuto 53:35. Ainda bem que ele percebeu a tempo o que estava a dizer e calou-se. Mas o outro também não abriu a boca e só lhe ficava bem dizer que aquele é o exemplo dele.

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Citação de Solero, há 2 horas:

Pessoal, estou em processo de recrutamento para uma vaga X, mas entretanto e após a primeira entrevista a mesma empresa lançou uma vaga Y que me agrada ainda mais. Quero dizer que preferia a última mas não sei bem como dizer, já alguém passou por isto?

Isso aconteceu-me recentemente, os meus posts andam para aí perdidos. Eu não disse nada, mas na segunda entrevista tentei dar a dica de forma subtil, também porque eram vagas no mesmo departamento e o responsável máximo era o mesmo, ao demonstrar interesse na área da segunda vaga.

Depois dos RH ligaram a dizer que queriam que fosse a entrevista para essa segunda função, mas antes da entrevista acontecer ligaram a fazer uma proposta para a primeira função. Um pouco confuso, mas na realidade foi isto.

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Visitante
Citação de ElliotReid13, há 7 horas:

Mas aí já estamos a cair outra vez na questão do dinheiro. Usando o estúdio do pai poupou esses 75k. Se não tivesse essas ajudas, provavelmente o crescimento teria de ser muito mais gradual uma vez que teria a questão de ir gerando mais liquidez para suportar os custos - foi logo das primeiras coisas que escrevi aqui, o mérito de construir um negócio bem sucedido ninguém o pode tirar, mas tê-lo conseguido aos 24 ou 25 anos é que é duvidoso.

Estamos, lá está, a falar outra vez na duração do processo. É verdade que saltou passos, mas o mérito de ter sido bem sucedido não se mantém? Isto é, mesmo com essas ajudas, uma má ideia continuaria a ser uma má ideia, e dificilmente daria num bom negócio como o da Sonder, fossem 75k, 100k ou 200k. E volto também a pegar num ponto que já apresentei há um par de posts atrás: se essas "ajudas" tivessem vindo, não da parte do pai ou avó, mas de investidores de VC ou BA, a discussão continuaria a fazer sentido? Porque é exatamente isso que acontece quando os fundadores não têm meios próprios para começar atividade com escala suficiente.

Não fiz nem conheço quem tenha feito, mas tendo em conta a conversa que tivemos anteriormente, é sempre um ponto do CV a ter em conta quando estiveres a candidatar para o primeiro estagio "a sério" no mestrado 😉

Pronto. E a ideia sobrevivia a ter um crescimento gradual? Ele conseguia romper o mercado sem os milhares investidos em automação e em marketing?

Segundo parágrafo: Claro que era diferente, admira-me especialmente tu dizeres isso. Se os 20/100/200k fossem investidos por parte de VC ou BA ou ele tinha perdido % que depois seria muito mais valiosa e o impedia de tomar decisões sozinho (o que podia ser bom ou mau) ou estava imediatamente a pagar juros e com um negócio com dívida.

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@w0, não quis de todo que te sentisses atacado. Não te conheço pessoalmente mas já te conheço aqui pelo fórum ainda antes dos tempos do Bjergsen, dos projectos de gaming que apresentaste aos 3 grandes, etc.. Se há alguém aqui no fórum que considero ter "espírito empreendedor" e que vai à luta és tu, não me interpretes mal. 

Achei foi pelo teu comentário que te estava a faltar alguma noção da vida de muita gente, não quero ser injusto mas foi com essa sensação que fiquei. Ninguém fica condenado a fazer a mesma coisa para o resto da vida, nem sei como é que alguém olha para isso e não pensa no aborrecimento que tal será. Mas em termos de estudos ou de possibilidade de arriscar e fazer algo diferente, muita gente não tem outra solução que se sujeitar à escolha que fez e de seguir em frente, devido a X motivos. Responsabilidades familiares, falta de capacidade financeira, satisfação com algo melhor do que aquilo onde cresceram etc. (esta última é capaz de chatear, pode sugerir falta de ambição mas mais do que compreendo alguém que fique satisfeito com um trabalho estável e que lhe permita viver a vida sem a corda ao pescoço). 

Essa do acharem que os ricos são isto e aquilo é que não é conversa para mim que isso não tem ponta por onde se pegue. 

 

Na última parte do teu post descobriste de facto a nossa discórdia. Até não é bem discórdia, porque concordo com muito do que escreveste.

A verdade é que também depende do espírito de muita gente, da capacidade de pensar no futuro e de arriscar. Uns sentem-se mais à vontade para arriscar naturalmente e outros fazem-no porquê simplesmente têm a possibilidade (e é destes que pretendia falar). Outros simplesmente não têm onde se apoiar ou para onde se virar sem ver solução, e como tal seguem em frente com esperança que algum milagre aconteça. 

 

O meu ponto inicial era exactamente sobre não podermos ignorar o contexto de cada um quando falamos sobre as possibilidades e o à vontade de abrir o seu próprio negócio. Eu no meu trabalho convivo com uma realidade completamente diferente daquela onde cresci, eu literalmente vejo esta diferença de oportunidades todos os dias. Malta que está a gastar 120k em algo que não é um bem de primeira necessidade, que vale quase 2x a minha casa. É este nível que para mim é ser rico, é destas possibilidades que estou a falar. É muito difícil não ter sucesso na vida nascendo numa família deste género. Nada contra, é isto que quero oferecer aos meus filhos. O caso do Frederico é um excelente exemplo. Alguém que cresceu com possibilidades muito acima da média e que triunfou. Tem todo o mérito, mas não se pode ignorar o contexto em que cresceu e a ajuda que lhe deram a montar o negócio. Achar que toda a gente tem a hipótese de fazer o mesmo é irrealista. Aliás, até tu próprio o referiste de forma exagerada, é 1 num milhão. 

Eu referi o meu caso em relação a gostar de ter mudado para psicologia mas não é das minhas possibilidades que falo. Felizmente tenho um excelente trabalho, que me dá gosto, bem renumerado (acima de média pelos vistos), com expectativas de carreira fenomenais e que me permitiu até agora conciliar estudo e trabalho. Mas eu sou um sortudo, porque maior parte está a receber 600 e poucos, mal tem dinheiro para manter a casa quanto mais pensar em investir o quer que seja ou a ir estudar algo que gostem mais. Eu mais do que compreendo quem está nesta situação e que se conforme. 

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Bom o meu dia de trabalho hoje foi uma montanha russa.

Pontos prévio: Sou consultor numa empresa especializada em base de dados.

Esta semana o projeto ao qual estava alocado no cliente sofreu alterações e a minha alocação ficou tremida.

Por um lado queriam que eu continuasse noutro projeto (e eu não me importava), mas ainda não havia alocação certa. Por outro a minha empresa tem um projeto a começar em Espanha no qual eu seria Team Leader da equipa de desenvolvimento. A resposta tinha que ser dada hoje, eu não me meti e disse para eles se resolverem. Conclusão, a partir de segunda feira serei o Team Leader nesse projeto e sei que deixei uma porta aberta no outro cliente.

Estou super motivado para este novo desafio por dois motivos, é desafiante e uma oportunidade que provavelmente não voltaria a ter tão cedo e depositaram uma enorme confiança em mim, confiança essa que vem do CEO da empresa.

Editado por Kiko17
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Citação de Mayday, Em 21/02/2019 at 20:54:

Há uma coisa que sempre me faz confusão: a deslocação da realidade de quem diz que não é rico mas vive em zonas nobres, estudou em colégios privados ou faculdades como a Católica e raramente lhes faltou alguma coisa. Como é que isto acontece se não são ricos? Vocês terão certamente noção que, sem ajuda externa, isto é vida de rico? Não há sequer a possibilidade de isto acontecer sem extremas dificuldades à classe média. 

Como é que se pagava o colégio e a faculdade? E o resto da vida no dia a dia? Do que é que abdicavam para terem este luxo? Acho que é preciso algum contexto para compreender como é que vos aconteceu tanta coisa boa.

Depois, a ideia de sacrifício, como se esta fosse conforme para todos. Estudaram e trabalharam ao mesmo tempo. Ok. Mas onde? Num escritório de advogados ou no McDonalds? Numa pública ou numa privada? E qual o salário? Quais as despesas? 

É sacrifício estudar e trabalhar ao mesmo tempo, sim, mas se no final do dia saem de carro da faculdade e vão jantar bem ou saem para ficar à espera do autocarro e depois de trabalho e faculdade ainda fazem 1h ou mais para chegar a casa e não jantam para poupar dinheiro, é bastante diferente. 

Vá lá, não banalizem a ideia de sacrifício nem distorçam a realidade só porque se sentem desconfortáveis com determinadas situações. Num país onde 23% da população vive em risco de pobreza e quase um milhão ganha o salário mínimo a vida não vos deve ter corrido assim tão mal. E se calhar o que vos aconteceu foi chocarem com estas realidades.

Fazem-me lembrar estes novos putos betos com estilo super xunga. Xunga, sim, mas com sketchers de 150€.

Uma coisa eu sei, fui pobre, e ter sequer material escolar, só com a ajuda do estado. E a diferença para mim, o pobre, e a classe média, meus colegas, era precisar ou não de SASE. Colégios e Católica? Nem eu nem eles. Portanto, há qualquer nas vossas tristes histórias que não bate certo.

Eu acho é que existe uma deslocação da realidade face ao que é a realidade portuguesa. Esse discurso é tipo de quem vê apenas três tons: o negro, o cinza e o branco. Ou seja. Os pobres. Os de classe média e os ricos. Mas há não sei quantos layers entre todos esses, em especial entre a classe média e os ricos.

Ricos, no meu entendimento, são aqueles que olham para a compra de uma casa ou de um carro como eu olho para a compra de uma pastilha. Mas entre os ricos e a classe média, há todo um conjunto de pessoas que, com maiores ou menores dificuldades sacrificios (imb4, completamente das dificuldades e sacrifícios que quem vive com 600€/mês passa), consegue ter uma vida mais desafogada. Não faz é deles ricalhaços. 

O contexto, para responder ao primeiro bold, é relativamente simples. Compreender como é que aconteceu tanta coisa boa explica-se pelo facto de as pessoas que ma proporcionavam terem tido a capacidade, mas também a sorte, de conseguir criar negócios que, felizmente, lhes permitia ganhar mais do que os 600€ de tabela que são pagos em Portugal. Ou os 1000. Ou os 1200, consoante a profissão. Claro que, quando veio a dita cuja crise, as coisas agudizaram-se para todos, contrariamente à imagem que se tenta passar.

O segundo bold é o exemplo perfeito de que só existe um tipo de esforço e sacrifício que devem ser valorizados. Ou és calceteiro, trolha, varredor de rua, trabalhaste no McDonalds, na Zara ou no Lidl, ou não sabes o que é sacrifício. Quando falei no preconceito com aqueles que conseguiram ter uma vida melhor, é aqui que ele reside. Claro que, fisicamente, custa mais levantar às 05h, carregar pedras, estar curvado o dia todo e, ao final do dia, ter de apanhar dois autocarros para chegar a casa. Nem ponho isso em causa. Mas isso justifica que se ponha em causa os sacrifícios de quem trabalhou, noutras áreas, e estudou ao mesmo tempo? Pelos vistos sim.

O bold 3 é o seguimento lógico de uma argumentação falaciosa. Lá porque 23% vivem em risco de pobreza e 1M ganha o salário mínimo, os restantes não podem dizer que trabalham bastante? Que entrar às 08h e sair às tantas, sabados e domingos incluído, não custa? Certo. Depois podem ir jantar fora, andar de carro e fazer férias. É o preço que aceitaram pagar. Mas daí a negar-lhes o direito de, também eles, terem hipótese de dizer que trabalham no duro vai uma distância considerável. O que me irrita nesta argumentação é tão somente isto. Na tua óptica tem de haver vergonha em trabalhar num escritório de advogados, ir para casa de carro e jantar em restaurantes. Vê lá tu, com o dinheiro ganho por essa pessoa depois de longos dias e semanas de trabalho. Que imoral que é...

Não te devias revoltar com isto, mas antes sim, como eu, contra o facto de ainda termos 23% a viverem em risco de pobreza e mais de 1M a ganhar uma miséria. O problema de Portugal não está naqueles que ganham bem, está nos outros que ganham demasiadamente mal. Isso é que é vergonhoso. Isso é que não é aceitável. Parece que há uma parte da sociedade que acha que por um jovem advogado ganhar 1200 Euros no início do estágio, 12 meses, sem seguro de saúde, e a recibos verdes, btw, devia ser punido. Que ele estaria bem era a carregar pedras ao sol. É esta mentalidade que me enoja, sinceramente. 

E só uma achega, porque falei em advogados, classe pela qual não nutro qualquer sentimento de pertença e que não defendo cegamente. Mas é irónico que para se ser considerado advogado se tenha de fazer um estágio. Ora durante esse estágio o jovem advogado estagiário tem de pagar à Ordem dos Advogados. Sucede, porém, que a vasta maioria dos jovens advogados estagiários, em especial fora de Lisboa, trabalham à borla. Portanto: não só não recebem, como ainda têm de pagar. Está bem montado o sistema, sem dúvida. Na volta todos os que conseguem acabar o estágio são ricos...

E para finalizar. Há zero tristeza na minha história, antes pelo contrário. Nem sei onde foste buscar essa ideia. Triste é trabalhar-se 20 anos ou 30 anos numa coisa que não se gosta e ganhar pouco. Triste é levantar às 5 todos os dias, ter um trabalho duro, chegar a casa e, a paginas tantas, não ter a certeza que há dinheiro para alimentar os filhos. Isso sim, é triste. 

Citação de Plagio o Original, Em 21/02/2019 at 21:17:

mas @ElliotReid13, achas justo que os "não privilegiados" se tenham de se esfolar só para ter o mesmo tipo de educação que os "privilegiados"?

E que qualquer pessoa consegue criar um negócio de sucesso se insistir tipo bue?

 

Citação de ElliotReid13, Em 21/02/2019 at 21:33:

Não acho justo, de todo. Mas também é errada a ideia de que a católica é só para meninos com dinheiro - o nível de exigência, mesmo à entrada, é brutal (em termos de mestrado), e ninguém anda lá só porque pode pagar propinas. Provavelmente, os excelentes resultados que estás faculdades conseguem nos rankings internacionais tem mais a ver com a qualidade dos alunos do que propriamente com métodos milagrosos de ensino. Acredita que são mais os que ficam  pelo caminho do que  aqueles que entram . E se há tanta gente como eu, que tenta arranjar formas de entrar "mais arriscadas", é porque o retorno a prazo é bastante superior aos sacrifícios mais imediatos.

O segundo parágrafo é bater sempre na mesma tecla, mas eu respondo outra vez: nem toda a gente pode ser bem sucedida; ser resiliente, motivado e criativo é mais importante do que ter dinheiro na esmagadora maioria das vezes; não podendo sermos todos bem sucedidos (ou sequer a maioria), aquele que se auto-motiva e trabalha mais e melhor está sempre mais perto de o ser do que aquele que se queixa e se resigna. E é exatamente isso que o rapaz diz no vídeo, ele incentiva as pessoas a olhar mais para aquilo que as faz feliz.

Eu também não acho justo. Mas também não vivo num mundo de ideais onde todos podemos ter acesso às mesmas coisas independentemente de todos os demais critérios. Mas isto já seria entrar num outro tipo de discussão que acho que vai acabar por arruinar esta boa troca de argumentos.

Como alguém disse em tempos, there is always room at the top. Daí que essas faculdades tenham criado programas para premiar os alunos de excelência, que, por diversos motivos, possam não ter recursos suficientes para ter acesso a este tipo de estabelecimentos de ensino. Dir-me-ás, e bem, que um tipo que trabalha no McDonalds e num call center tem mais dificuldades em ter aproveitamento escolar do que um tipo que não trabalha. Dou-te toda a razão. Não é justo? Sem dúvida. Por isso é que o Estado garante um ensino tendencialmente gratuito. Depois se faz o devido follow-up, se as vagas estão correctas, se os cursos estão a acompanhar a exigência do mercado de trabalho, isso são outros quinhentos e, uma vez mais, para não arruinar esta boa troca de argumentos vou fazer pass.

Quanto à questão do bater punho, é estar de má fé, quando todos nós já dissemos que esse discurso não faz sentido.

Citação de Mayday, Em 21/02/2019 at 22:23:

Eu não me baseio em nada. Eu pergunto a quem conseguiu pagar tamanho valor não sendo rico, como é que o pagou? Se não são privilegiados nesse sentido, alguma coisa deve ter sido feita. 

Ok. Podes ter poupanças. Podes ter herança. Podes ter herdado casa e não teres despesas extra o que flexibiliza o teu orçamento. Podes ter outros rendimentos extra-trabalho. Morreram-te os pais, deixaram-te uma casa e alugas por mês. Há uma série de factores. A discussão seguinte é o que é ser rico? Como é que se determina? O @w0, por exemplo, disse que os pais não eram milionários e trabalhavam muito. Isto invalida que sejam ricos? Num país com a nossa realidade não tens que ser milionário para ser rico. Ou é a minha percepção porque estou a olhar de baixo? 

Se num país onde um milhão de trabalhadores recebe o salário mínimo e o ordenado médio é de 800€, escusado será dizer que quem consegue pagar a Católica só tirando do bolso tem privilégio de rico. É que não é só propinas. Há despesas e um custo de vida associado. 

Quanto ao bold, depende do valor das poupanças.

Respondido acima. Há mais do que ricos, paupérrimos e classe média.

Citação de Mayday, Em 21/02/2019 at 23:14:

Pessoalmente, não valorizo esse discurso porque, hoje, é um negócio e porque é apenas vender uma ilusão. É fácil dizê-lo, lucra-se com isso, e os outros que se iludam. Não se pode dizer o mesmo a toda a gente porque não parte toda a gente do mesmo ponto, temos obstáculos e condicionantes diferentes pelo caminho - usando vocabulário a condizer. O que não quer dizer que o discurso não esteja certo. Mas é só parte dele. Falta o resto. Falta complementar dizendo ao João que vem do interior e que tem a mesma ideia de negócio que o Francisco que ele vai ter que jogar um jogo diferente. Mas dizê-lo de forma concreta e não metafóricamente. E é errado dizer ao João, quando ele sucumbir perante as dificuldades e vir o Francisco a crescer tão rápido, que a culpa é do João e que se ele quisesse mais e tivesse mais vontade, que se trabalhasse o dobro também tinha conseguido. Isto é mentira e desonesto. Mas funciona na mente das pessoas, é o que queremos ouvir. Os clichês e lugares comuns têm dois problemas: são excessivamente usados mas estão sempre certos.

A diferença não está só nas condições socio-económicas, há factores biológicos que podem determinar o que tu consegues ou não fazer. E isto nunca é tido em conta nesse discurso. E quando é, aparecem os lugares comuns como o Francisco diz quando o Unas usa esta contra-argumentação, qualquer coisa como: "quanto maior o obstáculo, maior é o herói". Uau. 

O arriscar é muito bonito, parece uma coisa grande e vitoriosa, mas quando o arriscar significa até aquilo que não temos traz-nos consequências dolorosas. Não quero exemplificar, mas eu já segui o que esse discurso propõe (ainda hoje o faço, aliás), já agi da forma que ele recomenda, já pensei como é suposto pensar, fiz, arrisquei, esforcei-me, trabalhei o dobro, bla bla, e esbarrei sempre no mais óbvio, que é o resto do discurso que os bater punho não dizem. 

Bold: Mal não tem, pergunto é as intenções. Eu sou muito desconfiado por isso há duas coisas que tento sempre descodificar: as intenções e a moral.

Eu trabalho mais ou menos no meio onde a empresa do Francisco actua e agências iguais à dele há às dezenas. Todos os anos aparece mais uma mão cheia que rapidamente desaparecem. A razão para o Francisco ter conseguido e estas empresas não é que o Francisco saltou etapas, entrou mais facilmente no mercado, chegou mais facilmente aos clientes. Sorte a dele, azar o deles. Tendo em conta a concorrência neste meio se o Francisco fizesse o percurso normal ou ainda não tinha destaque ou já tinha tido o destino das outras. Perante isto, peço-lhe que seja mais honesto e menos voluntarioso. 

Aliás, vejam o Unas a expor o ridículo ao ridículo ao minuto 53:35. Ainda bem que ele percebeu a tempo o que estava a dizer e calou-se. Mas o outro também não abriu a boca e só lhe ficava bem dizer que aquele é o exemplo dele.

Mas tirando os gajos do bater punho, ninguém consegue defender que basta bater punho, que se deve arriscar a todo o custo. Aliás, basta ver que os que sucederam só arriscaram quando sentiram que tinham uma saída. Arriscar por arriscar é, no mínimo, imprudente. 

É verdade, ninguém o negou aqui. Mas ele tem o mérito de saber aproveitar as ferramentas que tem. Já citei exemplos de pessoas que, com ferramentas semelhantes, nada conseguiram fazer. Mas isto está em linha com o teu discurso dos ricos, dos pobres e da classe média. É tudo demasiado compartimentado, não existe meio termo.

Citação de paladino77, Em 22/02/2019 at 00:19:

@w0, não quis de todo que te sentisses atacado. Não te conheço pessoalmente mas já te conheço aqui pelo fórum ainda antes dos tempos do Bjergsen, dos projectos de gaming que apresentaste aos 3 grandes, etc.. Se há alguém aqui no fórum que considero ter "espírito empreendedor" e que vai à luta és tu, não me interpretes mal. 

Achei foi pelo teu comentário que te estava a faltar alguma noção da vida de muita gente, não quero ser injusto mas foi com essa sensação que fiquei. Ninguém fica condenado a fazer a mesma coisa para o resto da vida, nem sei como é que alguém olha para isso e não pensa no aborrecimento que tal será. Mas em termos de estudos ou de possibilidade de arriscar e fazer algo diferente, muita gente não tem outra solução que se sujeitar à escolha que fez e de seguir em frente, devido a X motivos. Responsabilidades familiares, falta de capacidade financeira, satisfação com algo melhor do que aquilo onde cresceram etc. (esta última é capaz de chatear, pode sugerir falta de ambição mas mais do que compreendo alguém que fique satisfeito com um trabalho estável e que lhe permita viver a vida sem a corda ao pescoço). 

Essa do acharem que os ricos são isto e aquilo é que não é conversa para mim que isso não tem ponta por onde se pegue. 

 

Na última parte do teu post descobriste de facto a nossa discórdia. Até não é bem discórdia, porque concordo com muito do que escreveste.

A verdade é que também depende do espírito de muita gente, da capacidade de pensar no futuro e de arriscar. Uns sentem-se mais à vontade para arriscar naturalmente e outros fazem-no porquê simplesmente têm a possibilidade (e é destes que pretendia falar). Outros simplesmente não têm onde se apoiar ou para onde se virar sem ver solução, e como tal seguem em frente com esperança que algum milagre aconteça. 

 

O meu ponto inicial era exactamente sobre não podermos ignorar o contexto de cada um quando falamos sobre as possibilidades e o à vontade de abrir o seu próprio negócio. Eu no meu trabalho convivo com uma realidade completamente diferente daquela onde cresci, eu literalmente vejo esta diferença de oportunidades todos os dias. Malta que está a gastar 120k em algo que não é um bem de primeira necessidade, que vale quase 2x a minha casa. É este nível que para mim é ser rico, é destas possibilidades que estou a falar. É muito difícil não ter sucesso na vida nascendo numa família deste género. Nada contra, é isto que quero oferecer aos meus filhos. O caso do Frederico é um excelente exemplo. Alguém que cresceu com possibilidades muito acima da média e que triunfou. Tem todo o mérito, mas não se pode ignorar o contexto em que cresceu e a ajuda que lhe deram a montar o negócio. Achar que toda a gente tem a hipótese de fazer o mesmo é irrealista. Aliás, até tu próprio o referiste de forma exagerada, é 1 num milhão. 

Eu referi o meu caso em relação a gostar de ter mudado para psicologia mas não é das minhas possibilidades que falo. Felizmente tenho um excelente trabalho, que me dá gosto, bem renumerado (acima de média pelos vistos), com expectativas de carreira fenomenais e que me permitiu até agora conciliar estudo e trabalho. Mas eu sou um sortudo, porque maior parte está a receber 600 e poucos, mal tem dinheiro para manter a casa quanto mais pensar em investir o quer que seja ou a ir estudar algo que gostem mais. Eu mais do que compreendo quem está nesta situação e que se conforme. 

Tudo joia 🙂 

O bold é verdade. Mas também denota um mal geral: muita gente não pensa bem antes de escolher e todos acham que têm (dever e direito) de tirar um curso superior, nem que seja algo que os condena a nunca trabalharem na área deles. E depois queixam-se que não têm trabalho na área deles. O problema aqui é que não há coragem para ver as coisas como elas são: há faculdades más, que prestam um mau serviço à comunidade e que não deviam ter licença para operar. Há cursos cuja utilidade para a sociedade é diminuta. Dir-me-ão, os mais líricos, que a vida não pode ser só números. Concordo, em parte. Mas depois a realidade ataca-nos e relembra-nos que para comprar comida no supermercado precisamos de dinheiro. Para não termos frio idem. Para vivermos abrigados também. Porém, existem cursos que, de há muitos anos para cá, não oferecem possibilidade de ingressar no mercado de trabalho, pelo menos não na área dos respetivos cursos. E o que aconteceu? O Estado gastou dinheiro, o estudante (ou os pais) gastou dinheiro e depois não consegue recuperar o investimento feito. E depois manifesta-se por melhores condições, quando foi o próprio que deu o nó que leva à garganta.

Infelizmente o bold 2 é uma realidade em Portugal. Basta ouvir o opinião pública de quando em vez. Ou ler os comentários dos jornais. Ou ouvir aquelas entrevistas de rua. Pode ser uma minoria disfarçada de muita gente pois dão-lhes tempo de antena? Talvez. Mas depois lembro-me de ouvir determinadas figuras políticas que incentivam a estes discursos, e percebo que afinal não é um mal isolado.

O terceiro bold é falacioso. Há inúmeros casos de pessoas que não conseguem ter sucesso tendo nascido numa família daquele género, isso por diversos factores. Podem não ter o drive necessário. Pode-lhes faltar outros skills fundamentais. Não basta ter dinheiro. A história já o demonstrou, também.

No quarto bold podemos concordar. Efetivamente não nascemos todos para fazer o mesmo. Não devemos todos ganhar o mesmo, se nem todos aportamos o mesmo. Não chega apenas querer. Concordamos. E estes gurus do empreendedorismo não o dizem. E nisso estou com o @Mayday. Não o dizem porque lucram com a ilusão que vendem às pessoas. Esses gurus que vendem e-books, serviços de 1on1, etc., precisam que os outros acreditem que basta querer para ter.

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Para mim existem os trabalhadores e os capitalistas. E existem ainda os pequenos-capitalistas e os lumpen-trabalhadores e os lumpen-capitalistas.

Uns querem trabalhar para ganhar dinheiro, outros querem investir para ganhar dinheiro. Uns fazem carros, outros vendem carros. Uns fazem meias, outros vendem-nas nas feiras.

Pode-se ainda admitir a aristocracia-laboral, contudo entrar por este caminho causa-me uma ligeira urticaria.

Debatam entre vós, estou a gostar, mas sem perder a consciência de classe. Travem lutas, sempre reconhecendo onde pertencem e quais os vossos interesses.

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O que eu mais odeio é a conversa do ter uma boa ideia significa que vais ter sucesso. Tenta conjugar um emprego a salário mínimo,sem condições, com horas extras sem serem pagas porque se te queixas vais para o olho da rua, sem curso superior porque tiveste que ir trabalhar para ajudar os teus pais mais a tua avó doente, a morar num barraco a hora e meia de transportes do trabalho, com o desenvolver da tua ideia a ver se é assim tão fácil.

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Citação de Cannonball, há 28 minutos:

O que eu mais odeio é a conversa do ter uma boa ideia significa que vais ter sucesso. Tenta conjugar um emprego a salário mínimo,sem condições, com horas extras sem serem pagas porque se te queixas vais para o olho da rua, sem curso superior porque tiveste que ir trabalhar para ajudar os teus pais mais a tua avó doente, a morar num barraco a hora e meia de transportes do trabalho, com o desenvolver da tua ideia a ver se é assim tão fácil.

Mas porque é que esta malta vem aqui, pega num ponto e descontextualiza como mais lhe convém, e depois fala em revolta? Ter uma boa ideia põe-te mais perto do sucesso do que não a ter. Ter dinheiro faz-te chegar lá mais rápido do que se não o tiveres. Trabalhar no duro e bater punho pode levar-te mais longe do que estar à espera que a oportunidade apareça ou que as coisas se resolvam por ti. Nenhum destes pontos garante, por si só, que alguém vá ser bem-sucedido e já começa a fartar um bocadinho que, ao final de uns 15 posts de 3 ou 4 pessoas diferentes, continuem a pegar em fragmentos e a fazer a interpretação que for mais conveniente.

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Tenho um tio que sempre me ensinou que um homem não precisa de dinheiro, precisa é de ideias. Mandou com cada calote, nem foi bom. 🤣

Não soube reinvestir. :/

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Eu acho é que 80% das pessoas que estão aqui a falar não entenderam bem o que ele quis dizer. Ele disse que, tal como ele, há pessoas que acordam todos os dias infelizes porque fazem algo que não gostam e sentem-se mal. Seja universidade, um trabalho, o que seja.

Tal como ele, aconselha as pessoas a procurarem algo que as preencha e acho que isso é muito importante porque eu sinto na pele isso. Quando tive que procurar um trabalho para ajudar a pagar os custos da universidade, fui servir à mesa. Só deus sabe o quanto eu odiava aquela porra. A forma como as pessoas me tratavam, literalmente como lixo, e a ingratidão de quem eu servia, como se eu fosse um escravo. Muitas vezes era espezinhado só porque precisavam de aumentar o seu ego. Um dia bati o punho e fui procurar algo melhor, algo que me fizesse feliz. Não precisava de receber mais, só queria algo que não fizesse com que a minha única vontade ao acordar todos os dias fosse a de bater com a cabeça na parede. Procurei bastante e finalmente encontrei um sitio onde gosto do que faço, os meus patrões gostam de mim e, a cima de tudo, sinto-me valorizado. Não é um trabalho a tempo inteiro mas não me importava nada que fosse. 

Pelo que eu percebi (fui ver a entrevista toda para poder entender esta discussão), ele não tenta vender um sonho de que vai tudo correr bem e vamos todos ser ricos, ele apregoa que se estás mal, procura algo que te faça bem. Isto nesta sociedade é muito problemático, porque quando estava prestes a inscrever-me na universidade o único conselho que as pessoas me davam, principalmente professores era: "escolhe algo que pague bem ou nem vale a pena ires". Imagina eu ter que seguir a minha vida pelo dinheiro, se entrar numa depressão que se lixe, pelo menos ganho bem.

 

 

Editado por Robe
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Citação de Robe, há 17 minutos:

Eu acho é que 80% das pessoas que estão aqui a falar não entenderam bem o que ele quis dizer. Ele disse que, tal como ele, há pessoas que acordam todos os dias infelizes porque fazem algo que não gostam e sentem-se mal. Seja universidade, um trabalho, o que seja.

Tal como ele, aconselha as pessoas a procurarem algo que as preencha e acho que isso é muito importante porque eu sinto na pele isso. Quando tive que procurar um trabalho para ajudar a pagar os custos da universidade, fui servir à mesa. Só deus sabe o quanto eu odiava aquela porra. A forma como as pessoas me tratavam, literalmente como lixo, e a ingratidão de quem eu servia, como se eu fosse um escravo. Muitas vezes era espezinhado só porque precisavam de aumentar o seu ego. Um dia bati o punho e fui procurar algo melhor, algo que me fizesse feliz. Não precisava de receber mais, só queria algo que não fizesse com que a minha única vontade ao acordar todos os dias fosse a de bater com a cabeça na parede. Procurei bastante e finalmente encontrei um sitio onde gosto do que faço, os meus patrões gostam de mim e, a cima de tudo, sinto-me valorizado. Não é um trabalho a tempo inteiro mas não me importava nada que fosse. 

Pelo que eu percebi (fui ver a entrevista toda para poder entender esta discussão), ele não tenta vender um sonho de que vai tudo correr bem e vamos todos ser ricos, ele apregoa que se estás mal, procura algo que te faça bem. Isto nesta sociedade é muito problemático, porque quando estava prestes a inscrever-me na universidade o único conselho que as pessoas me davam, principalmente professores era: "escolhe algo que pague bem ou nem vale a pena ires". Imagina eu ter que seguir a minha vida pelo dinheiro, se entrar numa depressão que se lixe, pelo menos ganho bem.

 

Isto. A discussão está muito boa e interessante mas muitos dos pontos negativos estão a partir da falácia que o rapaz disse que todos conseguem ter sucesso se quiserem. Quando na verdade, o discurso dele centra-se apenas no bold.

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Para uma pessoa que esteja há 1 ano e 4 meses na mesma empresa, e quando completar o ano e 6 meses passa a efectivo, quando é o que a entidade patronal tem que dar o aviso caso não tenha intenção de renovar e mandar o funcionário embora?

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Citação de Kanye, há 4 horas:

Para uma pessoa que esteja há 1 ano e 4 meses na mesma empresa, e quando completar o ano e 6 meses passa a efectivo, quando é o que a entidade patronal tem que dar o aviso caso não tenha intenção de renovar e mandar o funcionário embora?

Um colega meu passou a efetivo hoje (1 de março). O contrato de estágio acabava ontem (28 de fevereiro). O aviso veio ontem.

Não sei se vai dar ao mesmo. 

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Citação de Kanye, há 4 horas:

Para uma pessoa que esteja há 1 ano e 4 meses na mesma empresa, e quando completar o ano e 6 meses passa a efectivo, quando é o que a entidade patronal tem que dar o aviso caso não tenha intenção de renovar e mandar o funcionário embora?

Sem certezas, mas acho que nesse caso são 15 dias.

Editado por UnReal

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