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[Benfica] Direcção, SAD, Eleições & Assembleias

Publicações recomendadas

O Neymar já está acabado para o futebol há anos. Aliás, está acabado para tudo o que implique esforço físico e não seja enfardar picanha e cerveja.

O Rui Costa devia meter mais tabaco se acha que serve como algum trunfo eleitoral lmao

Editado por JGabriel
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Jurgen Klopp, que desde o início do ano ocupa o cargo de diretor global de futebol do grupo Red Bull, assumiu agora mais uma responsabilidade. A Liga Alemã de Futebol (DFL) anunciou na quinta-feira que o antigo treinador do Liverpool fará parte de um recém-criado grupo de especialistas.

https://www.abola.pt/noticias/klopp-assume-nova-funcao-na-alemanha-2025101706391977481

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Citação de Poeira, há 42 minutos:

Mas o Neymar seria para jogar futebol ou, sei lá, patrocinar os eSports? É que, nesta fase, a segunda é quase mais provável que a primeira.

O Neymar só voltará a tentar jogar a sério se, por milagre, o Ancelotti o convocar por nome e estatuto para o Mundial e ele não estiver fisicamente despedaçado como nos últimos anos. Mas é isso, a carreira de futebolista dele acaba aí.

Mas lembras-te dos meses antes da Copa de 2022, certo? Encurtou as férias e de agosto até à copa, que foi em novembro ou dezembro, ele tinha mais G/A do que jogos. Lembro-me de eu fazer disso um meme no tópico da ligue 1, dele e do Messi. 

Resta saber se ele tem pernas para repetir a brincadeira. 

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Citação de Che, há 5 minutos:

Mas lembras-te dos meses antes da Copa de 2022, certo? Encurtou as férias e de agosto até à copa, que foi em novembro ou dezembro, ele tinha mais G/A do que jogos. Lembro-me de eu fazer disso um meme no tópico da ligue 1, dele e do Messi. 

Resta saber se ele tem pernas para repetir a brincadeira. 

Foram os únicos meses divertidos do Messi no PSG. Ele, o Neymar e o Mbappé em modo preparação para o Mundial.

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Vinha só dizer que 15 milhões para orçamento de basket nem é assim tanto. É comprar menos um jurasek por ano.

😂😂

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Cristóvão Carvalho: “Tenho um projeto muito disruptivo. Tirando eu, nenhum outro candidato se compromete com nada. É tudo poucochinho”

Nasceu em Paris há 52 anos e foi criado em Trancoso. Foi lá, numa Volta a Portugal em bicicleta, que soube o que era o Benfica. Cristóvão Carvalho é advogado, promete um investimento de 400 milhões de euros e quer ganhar uma Champions nos próximos 12 anos. Diz que falta capacidade de liderança a Rui Costa, que Mourinho não é o treinador certo para um projeto europeu do Benfica e que o clube tem de ser um player na hora de discutir os direitos televisivos, comprando-os. Esta é a primeira entrevista da Tribuna Expresso aos candidatos à presidência do Benfica, nas eleições de 25 de outubro

Qual foi a sua primeira experiência de Benfica?
Até agora não encontrei uma pessoa que me dissesse que a primeira experiência de Benfica é aquela que eu lhe vou dizer. Todos dizem a mesma coisa, que foi um jogo, levados pelo pai ou pelo avô ao Estádio da Luz, ver o Eusébio... Não, a minha primeira experiência de viver o Benfica, de sentir o Benfica, foi com a Volta a Portugal em bicicleta. Estamos a falar dos anos 70, eu vivia com os meus avós em Trancoso. Naquela altura não havia eletricidade, nem nada disso, só havia rádio. Então o grande evento do ano era a Volta a Portugal, que passava no interior de Portugal. A vila parava para ver passar os ciclistas. E na altura aquilo que me encantava eram as camisolas, as camisolas vermelhas dos ciclistas. Ver aquilo que eles falavam, ficavam ali a conversar. Eu era muito pequenino e aquilo mexeu comigo. O futebol vem depois, muitos anos depois. Vem pelos relatos e eu só entro no Estádio da Luz com 19 anos, quando venho estudar para Lisboa. A partir dos 10 já via na televisão, mas só com 19 vou ao estádio. O meu primeiro sentimento de Benfica é com o ciclismo.

A ideia desta candidatura tem quanto tempo e porque é que decidiu avançar?
Quando começo a ter uma intervenção mais forte e a participar nas assembleias gerais, há 15 anos, era uma participação muito anónima. Nunca expus o meu benfiquismo em comentários e várias vezes me pediram, mas achei que não o devia fazer e focar-me na minha profissão de advogado - a reserva é uma coisa importante para nós. Mas ia tendo as minhas tertúlias sobre o Benfica. Entro nas eleições com o Rui Gomes da Silva, quando ele me convida para ser vice-presidente. Explicou-me como é que a máquina estava organizada. E na altura explicou-me o porquê de se candidatar. Eu percebi a razão: era claramente para enfraquecer Luís Filipe Vieira, porque as coisas nos últimos mandatos não estavam a correr bem e havia ali uma contestação muito forte. Eu aceitei ajudá-lo nessa tarefa. E a partir daí começo a ter um conhecimento e uma intervenção mais forte no Benfica. Vieira ganha essas eleições e passado pouco tempo cai e entra Rui Costa. Nessa altura o Benfica já estava numa crise de títulos.

É aí que chega o ímpeto para se candidatar?
Quando aparece Rui Costa pareceu-nos a todos os benfiquistas, ou a muitos - a mim também -, que seria uma sequência normal, acreditando que ele iria trazer o perfume do campo para dentro do clube, iria conseguir libertar-se ali de algumas amarras antigas. Todos acreditámos nisso. Eu só não votei Rui Costa porque, nesse momento, estava em trabalho fora de Portugal e não fui votar. Mas percebo logo no primeiro ano que não ia correr bem. Percebo que lhe faltavam algumas características: sentia-se logo claramente a falta de liderança, era alguém que se amarrava demasiado a treinadores, se amarrava demasiado à bola, às decisões dentro de campo. E havia decisões estruturais que era necessário tomar que Rui Costa não estava a fazer e estava a postergar fazer. Reuni tropas. Começámos a reunir com periodicidade, a partir provavelmente ali do terceiro ano do mandato do Rui Costa. Íamos conversando, começámos a acompanhar as contas do Benfica com mais detalhe, percebemos que as coisas iam para um caminho complicado, fizemos uma espécie de governo sombra, alguém a acompanhar áreas essenciais. Há dois anos reunimos esta equipa de trabalho para apresentarmos uma candidatura sólida, coerente, com critério, quer na parte financeira, quer na parte desportiva. Estou praticamente em full time, fiz basicamente uma sabática no meu escritório de advogados. Tem sido uma viagem bonita, mas dura.

Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Nuno Botelho

Quando fala de decisões que Rui Costa não tomou, mas devia ter tomado, fala de quê, essencialmente?
Há uma decisão que foi sintomática do que era o presidente Rui Costa, que foi todo o processo do treinador Roger Schmidt. Se analisarmos o processo do princípio ao fim, tirando a contratação e o primeiro ano até às últimas jornadas, tudo o resto é o mapa daquilo que não se pode fazer. Não só a renovação do treinador sem qualquer nexo ou rigor, mas também a falta de visão absoluta de que a equipa ganhou aquele campeonato, sim, mas se houvesse mais duas ou três jornadas podíamos não ter ganhado, a equipa estava em decréscimo. Percebeu-se que o treinador tinha um determinado plano para a equipa de futebol e que o presidente não acompanhou esse plano. E depois amarrou-se ao treinador, com uma capacidade de indecisão de o dispensar na altura própria, num momento próprio, que não o faz. E quando o vem a fazer é outra vez num momento absolutamente errado. A entrada de Bruno Lage é numa situação de recurso. Outro foi não ter renovado a equipa nos timings e nos momentos próprios, e assistimos a saídas de pessoas no tempo em que elas quiseram, não sob orientações do presidente, e também a entrada de outras pessoas que muito pouco tempo depois saíram, o que demonstrou que internamente o clube não estava sólido. As decisões prioritárias do Benfica não passam pelo presidente, passam por assessores do presidente.

Ser o menos mediático dos candidatos é um problema? As sondagens não são favoráveis.
É uma contingência, obviamente que é uma contingência. Eu costumo dizer que sou um cristão-novo do Benfica. Eu chego ao Benfica e a notoriedade que eu tenho é na minha área de trabalho, é na minha profissão, nos meus pares. É óbvio que a notoriedade para os sócios do Benfica ajuda, porque o sócio liga notoriedade com credibilidade. Isso comigo não existiu. Podia ter-me desmotivado? Sim, mas eu acredito que tenho um excelente projeto e que tenho de o apresentar aos benfiquistas. Tenho um projeto muito diferente de todos os candidatos, muito disruptivo, muito ambicioso, não só a nível desportivo como também a nível financeiro, e tendo a perfeita noção que é difícil para os benfiquistas entenderem. Se um benfiquista hoje tem muitas dúvidas se é campeão nacional, aparece alguém a dizer-lhe que quer ser campeão europeu e vai dizer tu não vives no mesmo mundo que eu. Mas a mensagem tem passado. As sondagens valem o que valem, porque quando eu vou para o terreno as pessoas dizem-me outra coisa. Se isso agora vai ser convertido em votos? Acho que ninguém sabe neste momento. Temos o voto útil, temos uma maioria silenciosa. A única coisa que sabemos é que há duas candidaturas com grande tração nas redes sociais, uma grande intervenção nas Assembleias Gerais e muita votação em Lisboa. Fora de Lisboa estamos todos em pé de igualdade. Como acredito no projeto, acho que vou capitalizar bastantes votos e como vai haver uma 2.ª volta, estas eleições vão ser também substancialmente diferentes.

Vamos primeiro ao projeto desportivo. Tem a ambição de ganhar 75% dos campeonatos a cada quatro anos e em 12 anos ganhar três títulos europeus, um deles uma Champions. Face ao atual estatuto do futebol português na Europa, não é demasiado ambicioso?
Não existe isso da demasiada ambição. Se não tivermos ambição, não atingimos os nossos objetivos. O Benfica é um clube enorme, que vem do povo. Eu ando pelo país inteiro e conheço benfiquistas que são muito diferentes dos de Lisboa, não são melhores nem são piores, são diferentes. A realidade deles é diferente, é uma realidade mais dura, mais cruel, mais saída do corpo, mais esforçada. E o Benfica, para eles, é aquilo que eles podem dizer: Eu ganhei, porque eu sou do Benfica. Porque a vida não lhe traz nada de bom, traz-lhes agruras. E o Benfica traz-lhe isso de bom. Nós olhamos para estas pessoas e vemos que o Benfica, nos últimos 7, 8, 9 anos, a única coisa que fez foi com que eles aceitassem a derrota. O que o Benfica lhes dá é justificativas para aceitarem a derrota. O Benfica, com a dimensão que tem, não pode ganhar um título em quatro anos. Muitos estão muito descrentes, é óbvio. Quando nós apresentamos um projeto destes, eles pensam que eu sou louco, porque nem conseguimos ganhar uma Taça de Portugal. Mas eu não posso pensar assim se me quero candidatar ao Benfica. O Benfica é muito maior que Portugal, nós não temos mais nada para crescer aqui, temos que crescer no mundo. E no mundo só vamos crescer se tivermos um projeto com ambição, porque depois tudo isto gravita à volta dessa ambição.

Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Nuno Botelho

Não vê essa ambição nos restantes candidatos?
Eu não vou fazer um projeto emocional. Todos os projetos que você vai encontrar nos outros candidatos são emocionais. O último programa que saiu, do Noronha Lopes, tive a curiosidade de ler e não há uma ideia a nível financeiro e a nível desportivo a não ser os chavões típicos. Vamos ser hegemónicos. Mas o que é isso? Respeitar o manto sagrado e ser hegemónico. Mas onde é que estão as medidas? Os objetivos? Ninguém se compromete com nada. Tirando o Cristóvão Carvalho, nenhum candidato se compromete com nada. É tudo poucochinho, eu tinha vergonha de apresentar aquilo. Isso para mim não é o Benfica. Como Presidente, tenho de procurar colocar objetivos a mim próprio e à minha equipa. Não posso deixar de ser coerente comigo mesmo e de fixar os objetivos naquilo que eu acho que consigo alcançar, por muito longe que estejamos agora. Porque eu não apresento um projeto a quatro anos, apresento um projeto a 12 anos. Uma empresa e um clube da dimensão do Benfica não aguenta um projeto a quatro anos. É impossível. Em quatro anos, não conseguimos fazer as reformas necessárias a nível financeiro e a nível desportivo. No início da época, na Liga dos Campeões, o benfiquista tem de pensar: eu vou passar a fase de liga fácil. E a seguir vou estar a jogar quartos e meias-finais com facilidade. E em um, dois, três, quatro anos, há um em que vamos estar a jogar o raio da final. Quando jogarmos a final eu vou levar a estátua do Béla Guttmann para lá e é lá que vamos perder a maldição. Garanto que vou fazer isso. Se eu não tiver esta ambição transmitida para a minha equipa, transmitida para os sócios, diga-me, eu vou para o Benfica fazer o quê? Eu não preciso do Benfica, tenho a minha vida organizada, sou um advogado muito reputado na minha área.

E em José Mourinho, não vê nele essa sua ambição europeia?
[Pausa] Eu gosto muito do José Mourinho. José Mourinho é o melhor treinador português de todos os tempos, fez um trabalho fantástico de abertura de mercado para os treinadores portugueses. É um treinador super titulado, ganhou tudo o que havia para ganhar, mas neste preciso momento do clube, não acho que seja o treinador certo para um projeto europeu do Benfica. Pratica um futebol que para mim não é o futebol que o Benfica precisa, nem que os sócios gostem. O Benfica precisa de um futebol de ataque, um futebol bonito, solto, alegre. No Benfica não basta ganhar: temos de encantar. Sinto que Mourinho pode ser a base para ganharmos alguns títulos - espero que o José Mourinho seja campeão nacional este ano e comigo a presidente, espero mesmo - mas não é aquela pessoa que eu ache que vai revolucionar o futebol do Benfica. Porque não é um treinador de projeto. Nós precisamos de um treinador que esteja aqui 5, 6, 7 anos.

Jürgen Klopp ainda há pouco tempo disse que não quer voltar a treinar. Como vai convencê-lo?
Ele não disse isso, disse mais ou menos isso. Tenho a certeza que o consigo convencer. Eu quis explicar qual é o meu modelo de treinador, que é alguém com um futebol de ataque, que encante. E um treinador de projeto, que ajude a montar um projeto europeu. Se Klopp vem treinar o Benfica? Acredito que virá, comigo ou sem mim. Eu sei que ele quer. Se é fácil convencê-lo? Nada é fácil, mas eu tenho um argumento que muitos poucos clubes têm: a grandiosidade do Benfica, a sua história e os seus sócios. Se a isso juntar um projeto financeiro com critérios rigorosos, jogadores que temos na academia, se lhe der segurança e continuidade, eu não tenho dúvidas. Estou plenamente convicto disso. Eu não desisto facilmente. O Benfica tem todas as condições, tem um estádio fantástico, uma academia fantástica, mais de 400 mil sócios. Esteve em 10 finais europeias. É um unicórnio, todos querem esse treinador. Mas poucos têm os argumentos do Benfica.

Tudo isto tem de estar ligado a um plano financeiro bem-sucedido. Promete um investimento de 400 milhões de euros em quatro anos. De onde vem esse empréstimo, em que condições de mercado e servirá para investir imediatamente em quê?
O Benfica tem um problema financeiro muito complexo: nos últimos dois anos praticamente duplicámos a dívida bancária e os empréstimos obrigacionistas. O Benfica não pode criar mais dívida. Temos outro problema crónico que já vem do último mandato de Vieira: pelas minhas contas, o Benfica tem um défice anual de 100 milhões de euros. Tirando as receitas normais, faltam 100 milhões de euros. Como se tem resolvido? Venda extraodinária de jogadores. Os Joões Neves desta vida. Que vêm da academia, têm um custo zero e é tudo lucro. Agora isso acabou, acabaram com o pote de ouro, este ano não há um jogador que tenha subido. O modelo financeiro do Benfica está falido há quatro anos. Fomos ver como se financiam os grandes clubes europeus e encontrámos a empresa mais bem cotada na assessoria desses clubes. Tive de utilizar o meu prestígio e disse: eu preciso de 400 milhões de euros para o Benfica e quero pagar uma taxa de juro de mercado, 50% da que o Benfica paga, que é 6%, nós queremos pagar 3%. Estivemos a trabalhar com eles sete ou oito meses, tive uma equipa só para trabalhar com eles. E eles disseram que estavam disponíveis para encontrar uma pool de bancos para poder financiar o montante. A operação está completamente negociada, temos o parceiro.

E quem é esse parceiro?
Não posso dizer, porque há um contrato de confidencialidade. Mas eu disse-lhes que se passar à 2.ª volta os benfiquistas vão exigir saber quem eles são. E então criei uma cláusula: caso eu passe à 2.ª volta fazemos uma conferência de imprensa com essa empresa em que iremos explicar a operação e quem são os parceiros. É tudo sólido, sustentável e está protocolado. São alemães, vão explicar qual é a pool e todos os detalhes. Nenhum outro candidato fala sequer onde é que vai arranjar estes 100 milhões de euros para o Benfica. E podem dizer que isso vai aumentar a dívida em mais 400 milhões. É óbvio, mas é uma dívida de investimento. Eu preciso desse valor nos primeiros anos, mas no projeto financeiro estão previstas as receitas para, no final do quarto ano, esse valor estar pago.

Que receitas são essas?
Há muitas coisas para fazer no Benfica. Uma delas é recomprar as ações da SAD, revalorizar a SAD, porque a SAD do Benfica vale muito pouco dinheiro, 80 a 100 milhões de euros. O último critério da Deloitte diz-nos que a SAD vale €600 milhões. Temos de fazer essa revalorização e quando a formos vender, vendemos por esse valor. Depois quero escolher três parceiros que acrescentem ao Benfica. Um deles terá de ser a Adidas, depois temos de ter uma entidade bancária connosco e uma empresa portuguesa de referência, uma Galp, por exemplo. Só aqui vamos buscar muito valor. Temos o naming do estádio que não foi negociado, porque não há credibilidade. Podemos ir buscar aqui 10 a 12 milhões por ano. Temos os direitos televisivos que é algo que temos de explorar ao máximo.

Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Candidato a presidência do Sport Lisboa e Benfica
Nuno Botelho

Quanto às infraestruturas do clube: estão desaproveitadas?
O Benfica tem duas grandes infraestuturas: a academia e o estádio. Já foram construídas há algum tempo, cumpriram o seu objetivo e precisam de reformulação. Daí o meu projeto ser a 12 anos, porque há coisas que demoram o seu tempo. Tudo o que estamos a falar de infraestuturas chama-se investimento, o Benfica tem de investir muito e não há dinheiro para o fazer. Quando nos vêm dizer que vamos encontrar um parceiro que paga as infraestruturas é só alguém que é tonto ou quer chamar-me de tonto. Ninguém paga nada a ninguém nesta vida. Se alguém aceitar fazer isso, é porque quer receber dinheiro de volta e o Benfica não pode aceitar alguém dentro do clube e fique a explorar aquilo durante 15 ou 20 anos, não nos serve para nada. O Seixal tem de crescer, nomeadamente para poder abarcar as equipas femininas, para ter melhores condições e um lar para ex-atletas. E temos de fazer uma reformulação interna no Seixal que dote a nossa academia das últimas tecnologias disponíveis para o treino, que não tem, perdemos muito nesse aspecto.

E o estádio?
Temos uma infraestrutura no centro de Lisboa que oferece dois espectáculos por mês. Não é possível. O projeto tem de ser construído com os parceiros que estão à volta do estádio. Por exemplo, o Benfica District não faz sentido quando se implementa um centro comercial ao lado do Colombo. Nós não percebemos nada de centros comerciais. Todo o negócio que fossemos ali colocar seria ruinoso. Precisamos ali de dois hotéis? Honestamente acho que não. Temos é de potencializar todo aquele estádio e infraestrutura para zonas de espectáculo que sejam vividas todos os dias da semana, com jogo ou sem jogo. Temos de trazer pessoas e vida. Temos de ter o melhor restaurante de Portugal. Todas a zonas de trabalho têm de sair do estádio, ir para outro edifício, e essas zonas têm de ser transformadas em lugares corporate, rentáveis para o Benfica. Isto é um projeto que vai demorar algum tempo a pensar, não pode ser em cima do joelho. E depois é preciso manter na mesma a vida do Benfica, algumas modalidades têm de continuar ali, mas não será o centro. Temos de pensar noutra solução para as modalidades, uma cidade desportiva nos arredores de Lisboa, com outras condições.

Quanto à centralização, que modelo defende?
Os direitos televisivos, não estou a falar de centralização, que eu nem sei bem o que é isso, mas os direitos televisivos é só a principal e fundamental receita do Benfica. É onde recebemos mais dinheiro e é aquela que é certa: todos os anos o Benfica recebia 40 milhões de euros. Quer faça chuva ou sol, quer a bola entre ou não entre. Quando dizem que querem a centralização e que o Benfica tem de abdicar de valores eu digo: parou. Esqueçam. Eu não posso mexer nessa receita, é a primeira coisa que se tem de dizer. Não aceitamos o diálogo de que não podemos pedir mais do que os outros. O diálogo é este: o Benfica tem um valor e ele é infinitamente superior ao dos nossos concorrentes. Querem levar-nos para uma negociação em que nós vamos ceder os nossos direitos a uma empresa, uma organização, e depois fazer a tal redistribuição, que ninguém sabe como é, para melhorar o futebol português. Eu não faço ideia o que é que é isso. Não sei, não quero saber e não me interessa. Não é um problema do Benfica. É da Liga e da Federação e do estado. Mas eu não vou hipotecar os meus direitos a favor de algo que eu não domino.

E então qual será o papel do Benfica nessa negociação?
Já negociei muita coisa na minha vida e sei em que é que aquela negociação vai dar. Nós temos claramente muito valor, mas vão ser vinte e tal contra um e vai ficar difícil. E, portanto, o que o Benfica tem de fazer é dizer que não vai ceder, mas se querem fazer uma pool de direitos, tudo muito bem: quanto é que vocês querem pela vossa parte? Temos dois anos em que ainda podemos negociar os direitos diretamente e esse parceiro tem de ser o mesmo que vai connosco à negociação. Vamos entrar em parceria, comprar os restantes direitos e sermos nós a trabalhá-los.

Não há aqui um conflito de interesses?
Não, nenhum. É um negócio como outro qualquer. Repare, o Benfica vai pagar o melhor valor. Esse valor é entregue a essa empresa e essa empresa faz o que achar, o Benfica não se mete nisso. Conflito de interesses era se o Benfica opinasse sobre isso. E depois através desse parceiro vamos vender para a Europa, África, Ásia, Índia, Estados Unidos. Vamos investir provavelmente 150 ou 200 milhões e transformá-los em quatro ou cinco vezes mais esse valor. Correndo o risco, porque podemos comprar e não vender nada a ninguém. Mas eu estou disposto a assumir esse risco. E vou negociar que os jogos em casa e fora do Benfica sejam gratuitos para os nossos sócios. É fundamental para passar a mística e respeitar os sócios.

Qual será a primeira medida que tomará no Benfica caso seja eleito?
Entrar imediatamente no processo da negociação dos direitos audiovisuais, de onde o Benfica nunca devia ter saído. E dizer que quero comprar e ser um player. Porque é a nossa principal receita. Vai ser a primeira coisa: marcar a reunião e no dia seguinte estar lá.

Se tivesse que identificar apenas um, qual é o maior problema que o Benfica tem neste momento?
É o problema financeiro, este défice de 100 milhões de euros. É um garrote no Benfica. O Benfica não vai conseguir ganhar se não se libertar deste garrote. O Benfica tem de se libertar imediatamente da venda extraordinária de jogadores para poder evoluir e vencer. Uma equipa sem estabilidade não ganha, tenha o treinador que tiver. Eu posso ir buscar o Klopp e neste modelo ele não vai funcionar porque não há estabilidade financeira, porque eu vou vender jogadores oito meses depois de os comprar. Não se ganha assim, basta olhar para o nosso rival da 2.ª Circular. Está ali mesmo ao lado, eles estão a fazer o que deve ser feito. Venderam um jogador este ano. Acha que não tiveram propostas por outros jogadores? O segredo é este. Tem de se acabar com o despedir o treinador ao fim de um ano, é um modelo emocional, que está falido. Eu garanto aos benfiquistas que em três, quatro anos vamos ter outra equipa, outra motivação, vitórias, vamos estar a jogar finais, a jogar bem e isto depois é uma bola de neve e nós ficamos imparáveis.

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Esse zé meteu a tromba à entrada da A2, sentido sul/norte. Levar com esse focinho com ferias a acabar é dose.

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tenho ideia que o Neymar voltou ao Santos para se reformar e não para relançar a carreira. Mas seria engraçado ele encontrar-se com a Luana Piovani em Lisboa.

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Esses videos das recepções parecem-me sempre super staged, qualquer que seja o candidato. Vêem-se umas 20 pessoas, 700 tochas e 1 gajo a cantar sozinho. O que é que isso é assim de tão impressionante? E tem sido assim com todos os candidatos

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depois queixam-se quando o culto de personalidade dá m*rda

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Citação de me_and_no_more_, há 1 hora:

Esses videos das recepções parecem-me sempre super staged, qualquer que seja o candidato. Vêem-se umas 20 pessoas, 700 tochas e 1 gajo a cantar sozinho. O que é que isso é assim de tão impressionante? E tem sido assim com todos os candidatos

Felizmente ontem estive em Paredes para testemunhar exatamente o contrário. As pessoas estão lá por elas. Galvanizam-se por elas. Existe, logicamente, uma coordenação no momento da chegada de quem quer que seja.

Mas isto não se substitui um ismo por outro ismo.

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Citação de bobzz, Agora:

depois queixam-se quando o culto de personalidade dá m*rda

Isto é tudo por uma questão de ótica muito simples. Com tantos candidatos, para uns é preciso transmitir força para evitar a bipolarização do voto (nos candidatos mais atrás nas sondagens), e para outros é preciso desmobilizar quem está atrás/puxar voto útil.

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Citação de w0, há 6 horas:

Felizmente ontem estive em Paredes para testemunhar exatamente o contrário. As pessoas estão lá por elas. Galvanizam-se por elas. Existe, logicamente, uma coordenação no momento da chegada de quem quer que seja.

Mas isto não se substitui um ismo por outro ismo.

Eu não duvido que haja entusiasmo e até torço para que esse entusiasmo seja bem superior em eventos do Noronha Lopes (seria bom sinal para aquilo que quero que aconteça) mas estes vídeos que todas as campanhas têm feito das recepções são das coisas mais fake que tenho visto nas campanhas e farto-me de ver malta a partilha-los como se fossem algo de extraordinário. A maioria das vezes são 2 ou 3 a gritar com o resto da entourage da lista a bater palmas a volta e um monte de fumo por todo o lado como se as churrasqueiras fossem o símbolo mais alto do benfiquismo.

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João Diogo Manteigas: “Temos que reter talento, colocando jogadores da formação que são excecionais ao nível dos mais bem pagos do plantel”

Promete que se for presidente do Benfica os jogadores mais talentosos vindos do Seixal só deixarão o clube a partir dos 24 anos. Apesar de ser contra a obrigatoriedade da centralização dos direitos audiovisuais, afirma que vai proteger o clube de um “sistema Robin dos Bosques” e defenderá um acordo em que seja “reconhecida a importância” dos encarnados. Tem pensadas reformas na Luz que, se os sócios entenderem, podem passar pela construção de um novo estádio. Esta é a segunda entrevista da Tribuna Expresso aos candidatos à presidência do Benfica, nas eleições de 25 de outubro

Define a sua candidatura como sendo de "rutura total". Neste momento, o Benfica tem mais aspetos maus do que bons?

Não acho que seja uma questão de estar mal ou de estar bem. Digo sempre que é uma rutura geracional e uma rutura total com o passado. Geracional, porque a lista tem uma média de idades relativamente mais baixa do que aquilo que tem acontecido no passado do Benfica. Total, porque nunca ninguém esteve lá dentro. Vamos mudar as pessoas e a forma de pensar, mas sempre com o objetivo de meter o Benfica a ganhar. O Benfica é um clube desportivo, tem várias empresas participadas que atuam noutras áreas, mas o objetivo é ganhar. Com pessoas que nunca estiveram no Benfica, teremos uma mente fresca e pura, experiência associativa e experiência profissional. São pessoas que sabem o que é necessário e que são muito competentes e especializadas na área. Só eu trabalho no desporto há 18 anos. O Vítor Pataco, o nosso vice-presidente para as modalidades, trabalha há bem mais tempo, quer a nível público quer até a nível privado. O Paulo Ferreira, o nosso homem forte da SAD para a parte económico-financeira, ia fazer 25 anos como diretor financeiro da Federação Portuguesa de Futebol.

Tem igualmente referido que é uma candidatura de um sócio comum. Toca muito no associativismo, na importância que é reconhecerem-no em dias de jogo. O Benfica tem sido gerido com alguma altivez?

Enquanto sócio, ao longo destes anos todos, os dirigentes do Benfica fizeram-me sentir cada vez mais distante. Uma das críticas que faço a esta direção, que está prestes a acabar o seu mandato, é a de ter desaproximado ainda mais os sócios, eventualmente, por receio de críticas ou algum debate. Não acho que seja legítimo, mas tenho a certeza que isto existiu. A nossa candidatura é de base associativa. Somos sócios comuns, mas não somos uns sócios quaisquer. Conhecemos perfeitamente o meio onde nos vamos inserir, algo que é diferenciado das outras candidaturas. Um dos grandes falhanços dos últimos 25 anos foi ter existido um processo com o objetivo indireto de fazer com que os sócios não tivessem tanta intervenção na vida do clube. As Assembleias Gerais do Benfica, do ano 2000 para a frente, foram sendo compostas por cada vez menos pessoas. Em 2010, na presidência de Luís Filipe Vieira, foram alterados os estatutos e só estavam presentes pouco mais de 100 pessoas. Esses estatutos estiveram em vigor até 8 de março deste ano e eram altamente perniciosos para o Benfica. Só pessoas com 25 anos de sócio efetivo, ou seja, no mínimo, com 43 anos de idade, se podiam candidatar à presidência do Conselho Fiscal, da Assembleia Geral e da Direção.

Assumia o rótulo de presidente-adepto se este não pertencesse já a outra pessoa [Rui Costa]?

É um caso de sucesso quando um presidente consegue chegar aos sócios. As pessoas têm tendência a falar negativamente de um presidente próximo dos sócios, porque têm receio que, de alguma forma, haja um grupo de pessoas que mandem no Benfica de forma externa. Não tem nada a ver com isso. Não tenho receio, contrariamente ao que aconteceu nos últimos 25 anos, de meter ao crivo dos sócios determinadas situações. Vi uma entrevista onde um ex-presidente do Benfica, que é candidato [Luís Filipe Vieira], dizia que os sócios não podiam ter tanta palavra nas Assembleias Gerais e que não podiam ter tantos direitos. Um homem que agrediu um sócio na penúltima AG em que esteve presente agora quer as Assembleias Gerais televisionadas. Temos que saber lidar com os rótulos que nos colam. Não acho que o rótulo de presidente-adepto seja pernicioso. Tenho conhecimento das necessidades dos sócios. Isto significa que vou gerir a máquina do Benfica de acordo com tudo aquilo que os sócios me vão exigir? Os sócios não fazem os plantéis de futebol. Os sócios não me dizem como é que nós devemos negociar os direitos audiovisuais ou a alteração dos quadros competitivos da Liga. No entanto, os sócios vão ter muito mais poder do que aquele que têm. Muito mais. Não se preocupem com isso.

João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
Nuno Fox

Com base nesse associativismo, tem divulgado algumas ideias como o Red Family, o Red Points, projetos relacionados com a angariação de sócios e para premiar a participação dos mesmos na vida ativa do clube. Também pretende lançar o o Passaporte Digital e o Espólio Digital. O Benfica deve ser pensado para além do jogo?

O Benfica é uma instituição a caminho dos seus 122 anos. O Benfica está dividido e recuso-me a aceitar isso. Quero ser a cola urgente de todos os sócios. Para isso, vou ter que me expor perante eles. Temos o objetivo de chegar aos 500 mil sócios até 2029 e tivemos que criar medidas para reaproximá-los e tornar sócios aqueles que são adeptos e simpatizantes. Os Red Points servem para que um sócio seja recompensado por cada interação que tem com o Benfica. Ir a uma Assembleia Geral vale pontos, ir a um jogo de futebol e modalidades vale pontos. Tudo isto vai ser utilizado para que o sócio seja recompensado pela sua contribuição. É o mínimo que o Benfica tem que dar de volta. Agregado a isso, entendemos que falta benfiquismo. Falta as pessoas conhecerem mais o Benfica.

As ideias para o futebol masculino são as que têm estado a ser mais debatidas. Serão elas a decidir as próximas eleições?

Sou obrigado a concordar. O futebol tem mais peso do que o resto. Ninguém ganha eleições do Benfica a falar só em modalidades, questões económico-financeiras ou associativismo. O Benfica é muito mais que o futebol, é cultura e sociedade. O Benfica tem uma hierarquia de resultados urgentes. O futebol está em cima. A máquina que é o setor comercial do futebol exige que o Benfica esteja constantemente a ganhar. O que não concordo é que desvalorizem o resto para dar supremacia ao futebol. O resto pode não ser tão importante a nível comercial, financeiro, exposição e mediatismo, mas isso tem a ver com a sociedade em geral. O Benfica tem o dever de manter o ecletismo. O futebol não é esquecido. O futebol não vai ser minorado, vai-lhe ser dada a relevância que a sociedade lhe dá.

O modelo desportivo que propõe para o futebol baseia-se na otimização do valor do mercado das equipas. Em que é que consiste?

Baseia-se em três vetores essenciais. Primeiro, passa por uma melhor eficiência daquilo que é a gestão dos contratos no Benfica. O Benfica tem plantéis muito compridos e tem que os reduzir. É algo necessário para obtermos mais qualidade em menos quantidade. O Benfica contrata muitos jogadores e gasta muito dinheiro. O Benfica pode gastar dinheiro de uma forma mais inteligente e criteriosa. Segundo vetor: apostar mais na formação. Este é o nosso grande desiderato. Temos que apostar e reter talento. Terceiro vetor: o Benfica vende bem, mas também contrata caro. Temos aqui um problema desportivo e um problema financeiro. O Benfica este ano ultrapassa, mais uma vez, €100 milhões.

Qual é o número ideal de épocas que um jogador da formação tem de estar na equipa principal até sair do clube?

Tem que ser um produto finalizado, ou seja, ter 24 anos. A venda do João Neves é quase um crime de lesa-pátria. Temos uma visão estudada de que um jogador só deve sair do Benfica a partir dos 24 anos. É a idade, segundo o entendimento e o estudo da UEFA e da FIFA, em que um jovem jogador está preparado para jogar em qualquer competição ao mais alto nível - também pode não estar. O Rúben Dias provou isso. Aos 24 anos, era dos melhores jogadores da liga Inglesa e capitão. Não estou a dizer que todos os jogadores vão ter a oportunidade para jogar no Benfica.

Imagina-se a resistir a propostas milionárias para reter jogadores que cheguem a um nível alto antes dos 24 anos?

É o caso do João Neves e do João Félix. Só há uma forma de defender o Benfica. Tudo isto é um processo. Isto não se faz em dois anos. É preciso aplicar já esse modelo desportivo, falar com os pais, com os agentes de futebol e dizer que nós temos um progresso de carreira para os jogadores. Nem todos vão lá chegar, mas nós temos e vai ser implementado. A defesa final do assédio aos jogadores faz-se com condições de vida muito apetecíveis, aumento de salário dentro daquilo que é o teto salarial do Benfica - que não é nada mau, diga-se de passagem - e colocando aqueles que são jogadores da formação que são excecionais ao nível dos mais bem pagos do plantel para os motivar. Também não teremos problema em dar-lhes a braçadeira de capitão.

Pretende oferecer-lhes contratos de longa duração?

Os contratos devem ser de cinco anos. Cinco anos para jogadores da formação, porque é o período mínimo para poder ver se o jogador desponta. Cinco anos para jogadores mais experimentados, porque é o prazo para amortizar o investimento e é um prazo que estou a dar para ter a certeza que o jogador vai compensar desportivamente.

João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
Nuno Fox

Não entrou no jogo de apresentar treinadores. Por que não o fez?

O Benfica tem um treinador. Temos um portfólio de treinadores que são ajustados ao nosso modelo desportivo, mas seria irresponsável da minha parte estar a dizer ou a anunciar um treinador quando tenho José Mourinho. Já sei de antemão que José Mourinho não planeou a época desportiva, não foi ele que contratou os jogadores. José Mourinho está a fazer pela vida. O sucesso do José Mourinho é o nosso sucesso. Não acho justo estar a chegar ao clube e dizer-lhe que vai ter de sair. Cumpro com contratos. José Mourinho tem a possibilidade de sair no final da época, altura em que será feita a avaliação. Isto é dar estabilidade. Já é difícil José Mourinho ter que fazer o que está a fazer, mesmo sendo o melhor treinador de sempre, o mais titulado, um homem que serve para tudo. Não acho justo desestabilizar.

Ainda vai ter que apresentar um diretor desportivo para o futebol profissional e um diretor desportivo para a formação...

O diretor desportivo para a formação é o mais importante. O diretor de desportivo para o futebol profissional é alguém que tem contrato de trabalho, está ligado a um grupo. O departamento de scouting finalmente vai passar a ter uma palavra no Benfica e vai ter poder para nos dizer para onde devemos apontar. Depois, decidimos em conjunto com o treinador e com os diretores desportivos. O diretor desportivo da formação é alguém que fui escolher a dedo, é alguém que traz duas coisas muito importantes: identidade e muita experiência naquilo que é o mecanismo e o processo para fazer com que os jovens jogadores despontem. O mais difícil para um jogador não é ter qualidade, é o grande teste de jogar no Estádio da Luz com 65 mil pessoas. Se o jogo não estiver a correr bem, como é que a cabeça daquele miúdo vai aguentar?

Quanto ao scouting, o mercado nacional vai merecer mais atenção?

Sem dúvida. O diretor desportivo para o futebol profissional, que trabalhará em conjunto com o diretor desportivo para a formação, vai ter muito foco no campeonato nacional. Vamos tentar descobrir jogadores como o Manu Silva, que estava no Feirense.

Definiu-se como obcecado pela hegemonia. É a maneira correta de estar no desporto?

É aquilo que o Benfica nos exige. Queremos ser hegemónicos, respeitando sempre os outros. Acima de tudo, isto é desporto, nunca sabemos o que é que vai acontecer. Eu vivi o Benfica hegemónico, no futebol e nas modalidades, num enquadramento mais natural e puro. Hoje em dia, com a dimensão comercial, há ainda mais a necessidade de provar que somos melhores do que os outros. Os nossos rivais é que contribuem para sermos melhores. A hegemonia é um objetivo dificílimo de conseguir, mas também é o que nos motiva. O Benfica foi fundado para ganhar e foi hegemónico durante muito tempo da sua vivência, mas perdeu isso.

João Diogo Manteigas vai contribuir para a sanidade do futebol português ou a cada lance mais polémico vai sair um comunicado por parte do Benfica?

Não somos adeptos de comunicados. A nossa comunicação vai ser completamente alterada. Vai ser uma comunicação muito mais direta e aberta aos sócios e a terceiros. Não temos problemas absolutamente alguns em discutir o que for necessário. No caso da arbitragem, o Benfica vai ter que passar a ser mais vigilante. Não falo nos lances de arbitragem. Isso é esmiuçado nas televisões e na própria BTV. Quando falo em arbitragem, falo numa coisa mais macro. O Benfica tem que acompanhar o trabalho que o Conselho de Arbitragem está a fazer, acompanhar o novo diretor técnico nacional, Duarte Gomes, para saber qual é o planeamento, a visão, o projeto. Temos que saber que tipo de formação estão a dar aos árbitros. Por que é que ainda não há uma lei para os árbitros? Não têm um regime de incompatibilidades, não têm formação, não têm um regime de profissionalização. O Benfica tem que ter um dedo na atualização deste setor.

Quando, durante a campanha, se deixam de fora assuntos como futebol feminino, modalidades e projeto olímpico está-se a deixar de fora uma grande parte do coração do Benfica?

É deixar de lado mais de dois terços do coração do Benfica. Não deixámos isso de fora. Somos pessoas que vão às modalidades. Temos noção que não é um chamariz para os sócios votantes.

Recentemente, tem-se falado da Liga dos Campeões masculina que José Mourinho conquistou com o FC Porto numa altura em que os tubarões não investiam como agora. Parece-lhe que a equipa feminina do Benfica, com projeto e estratégia, ainda vai a tempo de se intrometer na luta pela Liga dos Campeões?

O Benfica, a par da FPF, é o grande promotor do futebol feminino em Portugal. Porém, o Benfica não aparenta ter estratégia nenhuma para o futebol feminino. Desde que o tirou do clube e o meteu na SAD, acho que ainda é pior. Os resultados desportivos estão à vista. Perdeu a Taça de Portugal e a Supertaça contra o mesmo clube [Torreense]. A questão para o futebol feminino é empoderar, é ser um marco desportivamente e para as mulheres em Portugal. A nossa visão é criar uma SAD com um parceiro estratégico que tenha muita especialização naquilo que é o futebol feminino, em particular fora da Europa.

Estados Unidos, portanto...

Estados Unidos. O Benfica é que manda, gere e faz tudo nessa entidade. O que nós queremos é know-how. Basicamente, um intercâmbio de conhecimentos. Relativamente à Liga dos Campeões, o Benfica lida com um sistema que já existia há muito tempo, antes do Benfica ter equipa feminina, nomeadamente nos países nórdicos, Reino Unido, França e Alemanha. Não há milagres. O Benfica até conseguiu contratar jogadoras experientes como a Cristina Martín-Prieto, a rapariga que veio do Real Madrid também [Caroline Møller], a Andrea Falcón...

Segundo a imprensa desportiva, o Benfica falhou vários alvos de primeira linha do futebol mundial...

Porque não é um projeto desportivo sustentável. Ou desatamos a gastar dinheiro e a contratar as melhores jogadoras do mundo, o que, mesmo assim, não garante sucesso desportivo, ou criamos um projeto desportivo sustentável para o futebol feminino. O Benfica tem uma formação ótima. As jogadoras precisam de ter infraestruturas autónomas e independentes para este projeto. Quando tivermos essas condições todas criadas, que podem servir para ganhar em Portugal, mas não servem para ganhar lá fora, vão ter que ganhar mais experiência a jogar na Liga dos Campeões.

Consigo como será a estrutura das modalidades?

Teremos um diretor desportivo para as modalidades em geral e um diretor geral de operações. Quero retirar do diretor desportivo o peso de questões como comunicação, logística... Esses diretores trabalharão diretamente com o vice-presidente para as modalidades, o Vítor Pataco, e com os coordenadores todos das cinco principais modalidades de pavilhão e do projeto olímpico também.

Em termos infraestruturais, pretende fazer uma avaliação relativamente à construção de um novo estádio ou ao aumento da capacidade do existente. Que aspetos vão pesar na decisão?

A questão tem a ver com o que os sócios querem. Depois, agarramos no projeto e nas várias soluções. Uma das preocupações que temos com o Estádio da Luz tem a ver com a segurança. Por exemplo, a lei dos incêndios exige que o estádio esteja composto de outra maneira. Há apenas dois escoamentos. Uma infraestrutura básica, que já devia existir, é uma ponte pedonal por cima da Avenida Lusíada e da Segunda Circular. É obrigatório. Há questões de segurança. Há questões de segurança ao nível das entradas e saídas. No terceiro piso, o Benfica tem no seu estádio mais de 50% de circulação, o que significa que eu posso entrar por uma porta e sair por outra. Depois, há a questão do estacionamento. É possível criar cerca de mil lugares de estacionamento numa cave. Ou resolvemos os problemas todos de uma só vez ou andamos a atualizar parcialmente o estádio e a infraestrutura. O que é que é prioritário? É dar lugar às 27 mil pessoas em espera para terem Red Pass ou é fazer um projeto com pés e cabeça? A questão da lotação tem que ser muito falada.

Há algo mais que queira mudar em termos de infraestruturas?

Para nós, o Benfica Campus é o mais importante para aumentar, é a nossa maior preocupação. Neste momento, está a rebentar logisticamente. Depois, as modalidades também têm um problema. Relativamente ao pavilhão, nós temos aqui um de dois caminhos. Podemos criar mais um pavilhão. Passávamos para o sítio onde estava a MediaMarkt. Ou então criamos um pavilhão multiusos com 10 mil lugares exatamente onde estão hoje os dois pavilhões. Nunca colocaremos em causa o foco desportivo. Por isso é que temos de estudar o que é mais viável. O Benfica gasta muito dinheiro fora. Queremos otimizar e tornar mais eficientes esses custos. Por exemplo, o polo aquático não joga nem treina nas piscinas do Benfica, porque estas não têm a profundidade e as medidas suficientes.

João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
João Diogo Manteigas, advogado e candidato à presidência do Sport Lisboa Benfica.
Nuno Fox

Em que é que o Benfica pode contar consigo para recuperar a saúde financeira?

Entendemos que há algumas alterações que são necessárias e urgentes. Primeiro, o Benfica consegue aumentar os patrocínios. Na SAD, o Benfica ganha à volta de €24,1 milhões em patrocínios. O clube ganha muito pouco, €2 milhões em patrocínios. Vamos falar com todos os patrocinadores para saber onde é que nos podem ajudar a aumentar esse nível. Depois, temos o naming do estádio. Sabemos que os valores de mercado são sempre os mesmos, entre os €7 e os €10 milhões. Não vai mais longe do que isto. Depois, a questão dos direitos audiovisuais. É a maior receita de todas que o Benfica tem para manter ou melhorar. O Benfica ganha à volta de €46 milhões de euros por ano. Vem aí um novo contrato de dois anos e depois temos a centralização dos direitos audiovisuais. Também temos que reduzir custos. Há custos que são exagerados, tais como custos operacionais com o estádio, com a BTV e os fornecimentos e serviços externos. Temos que reestruturar a dívida financeira. O Benfica aumentou 5% das suas receitas operacionais, mas aumentou os seus custos operacionais em 18%, o passivo em 25% e a dívida financeira em 40%. Nesta dívida financeira, o problema é que o Benfica está a pagar empréstimos obrigacionistas a três anos. O Benfica tem que fazer uma reestruturação financeira da sua dívida de acordo com as receitas que recebe para não estar constantemente estrangulado. Pela conjuntura, o Benfica consegue aumentar a maturidade da dívida e ajustá-la às receitas.

Qual é o maior problema que o Benfica tem neste momento?

Falta de identidade. Os atletas que vêm para o Benfica não têm um onboarding que lhes permita perceber a exigência para onde vêm. Ou seja, falta compromisso aos jogadores que são contratados. É um trabalho que tem de ser feito aquando da sua contratação. Não podemos ter jogadores como Ivanovic que disse que o Benfica é um bom clube para poder dar o salto. O Benfica tem de ter mais qualidade, equilíbrio e compromisso. Os jogadores têm de aceitar, reconhecer e promover a história, os valores e os princípios do Benfica. A outra parte relacionada com a falta de identidade tem a ver com os sócios. Os sócios estão muito divididos. Cada um vive o Benfica à sua maneira, mas nota-se que há pouca ligação ao clube. Se calhar, é fruto da indústria. Logo no primeiro dia, vamos tentar aproximar muito mais os sócios ao Benfica.

Quanto à centralização dos direitos televisivos, qual o modelo que propõe?

O modelo que proponho será aquilo que nós temos de negociar. O modelo ideal implica uma reestruturação dos quadros competitivos da Liga. Não há centralização dos direitos audiovisuais sem a alteração dos quadros competitivos. O objetivo da Liga e da FPF sempre foi reduzir os quadros competitivos. Portugal é insustentável com 18 clubes na Primeira Liga e 18 clubes na Segunda Liga. A Segunda Liga é uma liga amadora que tem sociedades desportivas que não conseguem ter receitas suficientes para fazer face aos seus custos e não os baixa. Depois, o problema da competitividade em Portugal não está nos três grandes. Os três grandes são competitivos entre si. A falta de competitividade começa a partir do quarto classificado. Temos que criar condições para que esses clubes intermédios sejam competitivos com os três grandes. Isso só vai lá através da redução do número de clubes e da alteração do formato da Taça de Liga para que o calendário seja mais folgado e quem estiver na Liga dos Campeões se possa preparar para os jogos de grande envergadura. É importante termos noção que o futebol português é um produto que não é muito vendável lá fora, não há muito interesse. Primeiro, temos que auscultar quem quer comprar e depois é que apresentamos um modelo à Autoridade da Concorrência.

Já que fala em auscultar os compradores, estaria disponível para que o Benfica realizasse um jogo das competições nacionais no estrangeiro?

Não sou um grande apologista, confesso. Tenho que me meter na veste do sócio. É com jogos lá fora que nós vamos criar interesse no campeonato português? Vamos meter um Benfica-Sporting nos Estados Unidos para captar o interesse de emigrantes ou de terceiros que não conhecem os clubes portugueses? Portugal pode fazer uma Supertaça lá fora. Mas como é que ficam os sócios e os adeptos que estão cá e raramente têm facilidade para ir ver um jogo? Não acho que seja isso que vai promover o futebol português. Temos que nos focar em aumentar o valor do produto. O futebol português vale pouco, vale aquilo que os três grandes estão a fazer. Depois, temos um problema cultural. 95% do mercado em Portugal é Benfica, FC Porto e Sporting. Isto é muito difícil de combater, as pessoas gostam de ganhar.

Após este parêntesis, aceitava que o Benfica baixasse as receitas após a centralização?

Não aceitava, de todo. Já se recebe pouco. Fazendo o exercício de aplicar o modelo espanhol em Portugal: o modelo espanhol dos direitos audiovisuais divide 50% da receita entre todos. É justo, porque todos jogam contra outros e contribuem para o campeonato. 25% vão para quem venceu títulos nos últimos 10 anos. Em Portugal, quem ganhou nos últimos dez anos? Os três grandes. Por fim, 25% de implantação social. Em Portugal, quem acha que vai ganhar? O Benfica. Não concordo com o sistema Robin dos Bosques em que os grandes têm que dar dinheiro aos mais pequenos. O Benfica tem que receber mais, porque dá muito mais do que os outros dão. É preciso arranjar um critério que é justo e equilibrado para todos, mas onde é reconhecida a importância do Benfica. O mercado dos direitos audiovisuais está a contrair. A Liga Espanhola, internamente, não tem grandes vendas. Onde está muito bem alavancada é nas receitas de vendas internacionais, quase 45%. Mas porquê? Tiveram o Ronaldo e o Messi. As pessoas não podem estar a falar dos temas do futebol sem olharem para o passado. De repente, há uma lei que diz que a partir de 2028 os direitos vão ser centralizados. Porquê? O campeonato português foi o que teve o maior pico de aumento, porque foi negociado individualmente. Há muito mais margem de negociação, há muito mais concorrência. Culturalmente, onde estamos implementados, é o que resulta. Não tenho nada contra os clubes pequenos receberem mais, mas também têm que ter projetos desportivos sérios. Quantas sociedades desportivas foram compradas e caíram: B SAD, União de Leiria, Olhanense, Beira-Mar... Estou aqui o dia todo.

Qual a primeira medida que vai tomar se for presidente do Benfica?

Há coisas que têm que ser feitas na primeira semana. Reuniões na Liga e na FPF para apresentarmos a nossa equipa e a nossa visão para o futebol em Portugal. Iniciar a implementação do modelo desportivo e reunir com José Mourinho e equipa técnica. Reunir com o Governo para criarmos e alterarmos algumas leis. Por fim, desencadear as propostas para que os sócios se comecessem a sentir desde já mais ligados ao clube e isso passa pela comunicação, que vai mudar do dia para a noite.

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o gajo que andou a ameaçar meio mundo na AG, espantem-se, anda nos almoços de convivio do Vieira.

 

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Nestas m*rda é que ninguém pega...

 

E para quem tinha a SCI no bolso, tá giro o que está a acontecer na SIC agora.... só falta ao jornalista ter um cachecol a dizer "Vieira À Primeira"

Editado por HIM

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