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Eutanásia

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Portanto tu absténs-te por causa dos outros?

 

Este user é incrível.

 

Eu não me abstenho por causa dos outros, apenas se um dia mais tarde tiver alguma doença incurável gostava de ter opinião na matéria. Se Deus quer que eu morra daquilo, eu sei que vou morrer daquilo de qualquer maneira, mas ao mesmo tempo não gostava que os meus filhos me vissem a sofrer com o avançar das coisas, só os iria traumatizar ainda mais.

 

Eu percebo o porque das discussões sobre os temas, mas cada um é livre de ser feliz como gosta. E vivemos num mundo onde cada um tem a sua opinião. Conceso é algo que nunca irá haver, e tens aquelas pessoas lá por alguem não concordar com a sua maneira de pensar é logo considerada que é do contra, não havendo meio termo.

Editado por Genzo

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Acho ridículo porque é uma matéria de costumes que mexe com o sentido moral de cada pessoa e, por isso, a decisão deve ser tomada pelas próprias pessoas em referendo, e não deixada para o Parlamento. Até porque tenho a certeza que uma boa parte do eleitorado de Direita, que vota ou votou por razões económica, não se revê no conservadorismo de CDS e PSD, logo não faz sentido deixar aos partidos a tomada de decisão. E é ainda mais ridículo porque em matérias semelhantes no passado (aborto), a lógica foi exactamente essa. Não há razão absolutamente nenhuma para a discussão e tomada de decisão ter sido capturada pelo Parlamento num regime de quase exclusividade, e é um mau serviço que se está a prestar ao manter as pessoas afastadas do tema.

 

Eu discordo logo na primeira frase: não acho que isto deva ser analisado como uma matéria de costumes. A eutanásia acaba por ser uma decisão individual de cada indivíduo, de acordo com o sentido moral individual e não colectivo. Não acho que seja tema para se levar a referendo porque não é uma matéria que influencie directamente a vida de todos.

 

De qualquer forma, também não me oponho a um eventual referendo. Só não considero que seja necessário.

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A posição do PCP neste tema não surpreende, tendo em conta o eleitorado a que responde.

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Há coisas que nunca podem faltar ao PCP. São os pobres e os velhos. Então se forem velhos e pobres ainda melhor. Portanto, despenalizando isto poderiam correr no risco de perder alguns eleitores.

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Mas não se diz que o Marcelo vai vetar isto de qualquer forma?

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Tou plenamente convencido que isto é daquelas coisas que daqui a 100 anos vão olhar pa trás, e pensar que na nossa cultura eramos uns bárbaros do crl, que deixávamos pessoas a sofrer durante meses ou anos só porque sim.

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Mas não se diz que o Marcelo vai vetar isto de qualquer forma?

 

Vai depender do resultado da votação parlamentar e, consequentemente, do tipo de veto.

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A posição do PCP neste tema não surpreende, tendo em conta o eleitorado a que responde.

 

Há coisas que nunca podem faltar ao PCP. São os pobres e os velhos. Então se forem velhos e pobres ainda melhor. Portanto, despenalizando isto poderiam correr no risco de perder alguns eleitores.

 

Isto é misturar alhos com bugalhos (bem sei) mas até há pouco tempo atrás o Alentejo, um forte bastião comunista, era uma das regiões europeias com mais suicídios per capita.

 

Porque é que no Alentejo o suicídio é natural?

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Seria capaz de matar a Ana Catarina?

 

No dia em que a Ana Catarina me apresentou o formulário do testamento vital para assinar caí das nuvens. O cancro incurável, diagnosticado dias antes à mulher que eu amava e com quem vivia há trinta anos, deixara-me atordoado. A leitura do documento, que faria de mim o responsável pela execução da sua vontade médica quando chegasse a fase terminal da doença, arrancou-me do torpor narcótico onde me refugiara, em negação, e despertou-me, violenta, para a crua, sibilina e mesquinha realidade... Fez-me bem.

 

Tenho a dizer, então, que a realidade de uma doença incurável e prolongada comprovou-me as limitações dos cuidados paliativos.

 

Apesar de dispor do melhor da medicina, a Ana Catarina recusou passar o tempo que lhe restava metida em consultórios e hospitais e, muito menos, a ficar permanentemente drogada com analgésicos poderosos, carregados com morfina ou derivados. Ela não quis viver os seus últimos dias com alucinações, semiconsciente, sem capacidade de raciocínio, sem emoções para dar ou receber, com o cérebro entorpecido e o corpo dormente. As dietas, os exercícios, as massagens, os cremes, os mais de 30 comprimidos diários, os ventiladores, a dedicação de médicos e enfermeiros excecionais, que foram capazes de fazer milagres a prevenir e a eliminar dores fortíssimas, acabariam por perder o combate.

 

A Ana Catarina recusou o excesso de tratamentos porque recusou fingir viver, recusou deixar de ser a Ana Catarina e, por isso, a ciência quase nada conseguiu fazer, nos últimos quatro meses, quando a doença lhe deu a "Dor", a grande, insuportável e prolongada "Dor".

 

Primeiro, a "Dor" começou por fazer visitas semanais, depois de três em três dias... Cheguei a estar oito horas sentado, ao lado dela, de mão dada, sem nada poder fazer.

 

Por vezes, a Ana Catarina aceitava aumentar a química até aos limites receitados pelos médicos, mas, na verdade, mesmo depois de o corpo deixar de responder à força de vontade, ela, de cama, em casa, manteve a maior parte do tempo lucidez, controlo da situação e, até, sentido de humor!

 

Falámos de eutanásia. Na prática era muito fácil: a acumulação de sobras de doses gigantescas de analgésicos receitados durante dois anos e meio permitiu à Ana Catarina ter no armário uma quantidade suficiente de drogas para executar, com segurança, um hipotético suicídio. Mas ela perguntava: "Se eu não for capaz, tu fazes-me isso?..."

 

Não foi preciso responder. Depois de receber no quarto, bem-disposta, durante uma tarde inteira, uma verdadeira procissão de familiares e amigos, depois de ter brincado na cama com um gatinho recém-nascido que lhe trouxeram, ela adormeceu, cansada, a sorrir. Quando chegou a hora de lhe dar os comprimidos habituais, não a consegui acordar. No dia seguinte, morreu, serena.

 

A primeira coisa que penso quando oiço algumas pessoas debaterem o tema da eutanásia é detetar uma certa indiferença sobre a forma de viver o tempo que antecede o tempo de decidir a morte. Há muita gente preocupada sobre a melhoria da qualidade dos cuidados paliativos - e têm razão - mas esta questão vai muito para além do controlo da dor.

 

A Ana Catarina ensinou-me que o sistema de saúde, público ou privado, não entende doentes que procuram, como ela, diminuir ao mínimo o tempo passado com médicos, exames clínicos, quimioterapias ou salas de espera.

 

Pessoas como a Ana Catarina, que decidem enfrentar a "Dor" para viverem todo o processo de forma plena e consciente, não são bem tratadas pelo sistema, apesar de estarem informadas, documentadas e esclarecidas por especialistas sobre a medicação capaz de lhes dar mais tempo mas que produz efeitos secundários com perda dramática de qualidade de vida. A medicina, a farmácia, sabem internar, diagnosticar, receitar, consultar, testar, experimentar, drogar... Um doente que exige estar fora desta indústria é um embaraço.

 

Os cuidados paliativos, disse-me a experiência mais violenta da minha vida, não são o cerne da questão no debate sobre o sofrimento atroz que justifica a eutanásia. O cerne da questão é este: como dar a estes doentes um tratamento e um final de vida verdadeiramente humano, muito para lá do mero saber médico? Como dar a estas pessoas tudo o que elas desejam, seja apenas ausência de dor, seja apenas ir para casa ter com a família? Que podemos fazer por eles nos dias anteriores ao dia de encarar a forma de morrer?

 

Se a sociedade souber responder bem a estas perguntas, então a questão da eutanásia pode debater-se de consciência tranquila por tudo ser feito para ajudar, de facto, as pessoas que optam por morrer. Agora, estamos longe disso.

 

Aprovar, porém, a eutanásia nesta fase será bom para respeitar a liberdade individual dos desesperados. Aceito isso, com muito receio. Mas exijo a toda a sociedade muito mais para tentar evitar o desespero dessas pessoas.

 

Eu mataria a Ana Catarina, se ela, impotente no sofrimento, me tivesse pedido? Acho que sim, mas não tenho a certeza.

DN

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Eu não me abstenho por causa dos outros, apenas se um dia mais tarde tiver alguma doença incurável gostava de ter opinião na matéria. Se Deus quer que eu morra daquilo, eu sei que vou morrer daquilo de qualquer maneira, mas ao mesmo tempo não gostava que os meus filhos me vissem a sofrer com o avançar das coisas, só os iria traumatizar ainda mais.

 

Eu percebo o porque das discussões sobre os temas, mas cada um é livre de ser feliz como gosta. E vivemos num mundo onde cada um tem a sua opinião. Conceso é algo que nunca irá haver, e tens aquelas pessoas lá por alguem não concordar com a sua maneira de pensar é logo considerada que é do contra, não havendo meio termo.

Ou seja, absténs-te porque és a favor.

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Protesto contra a eutanásia também em inglês

 

O protesto em frente ao Parlamento não se faz apenas em português. Barbara veio do Oregon, o primeiro estado dos EUA a aprovar a eutanásia, em 1994, e vive há três décadas em Portugal. Está aqui “contra o egoísmo” de quem “pensa que pode ter controlo sobre a própria vida”.

 

Como grande parte dos presentes, baseia-se em convicções religiosas para a sua posição. “A vida vem de Deus e só Deus pode tirar a vida”, garante.

 

Na mão empunha um cartaz onde se lê, em inglês, que a eutanásia não é ética, é desnecessária e é incontrolável.

 

Lindo, para completar o ramalhete só faltava mesmo isto, uma fanática religiosa norte-americana. :lol:

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Espero que seja aprovada. E digo isto como portador de uma doença degenerativa cerebral e pensando também no meu futuro, não quero andar a definhar quando e se chegar a altura.

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Esta Rubina Berardo (PSD) pelo que estou a ler é uma grande contorcionista. Fala de dignidade e de liberdade mas esquece-se que é preciso ver na óptica do doente (1ª pessoa) não do médico.

 

Quem sabe melhor o que fazer da sua vida e perceber que, eventualmente, já não vale a pena lutar mais do que a própria pessoa que sofre da doença?

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Sou a favor da eutanásia mas a leviandade com que se fala da mesma por quem é pro acaba por me fazer alguma confusão.

 

No entanto adoro o argumento "religioso" de quem é contra.

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Ter deputados sem qualquer formação na área de saúde a debater sobre questões de saúde, Juramento de Hipócrates e como os médicos devem proceder na sua prática clínica devia ser totalmente inaceitável nos dias que correm...

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Entre uns e outros, os que defendem e os que se manifestam contra a eutanásia, está um grupo de estudantes de um curso técnico jurídico do Montijo, que hoje passa o dia de aulas aqui na Assembleia da República. Os alunos estão a tomar notas sobre as intervenções dos vários deputados e no final vão ter de apresentar um trabalho onde resumem o que se passou esta tarde no Parlamento e apresentam a sua opinião sobre o tema, explica um dos estudantes.

 

Pobres coitados. :lol:

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Sou a favor da eutanásia mas a leviandade com que se fala da mesma por quem é pro acaba por me fazer alguma confusão.

 

No entanto adoro o argumento "religioso" de quem é contra.

 

É um bocado isto. Se calhar só quando lhes chegar ao pêlo é que pensarão que isto é mais complexo do que aquilo que dão a entender.

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