lastdance Publicado 7 Março 2021 Não li nenhum desses livros obrigatórios portanto nao sei qual eram para alem do memorial, e nem sei que nota tive no exame de português, mas acho que foi 9 ou 10. Acho que saiu camões no meu exame. Obrigado por perguntarem. Por acaso tenho aí os lusiadas para ler, e tambem aquela compilação do alvaro de campos, que gosto bastante mais. Compartilhar este post Link para o post
noikeee Publicado 7 Março 2021 Eu não sei o que comi ontem, quanto mais o que li no 11º e 12º anos Mas opa a sociedade portuguesa no século 19 aos olhos da sociedade actual era racista, inequivocamente, ponto. Basta dizer que tamos a falar duma altura que havia colonialismo e está tudo dito, esse colonialismo era justificado por histórias paternalistas em que basicamente toda a sociedade acreditava (muito graças à propaganda do estado) de que "estamos a civilizar os atrasadinhos bárbaros lá de África que nem sequer cristãos são" etc etc. Como é que é possível sequer disassociar qualquer autor do pensamento completamente dominante e omnipresente da época. Imaginem que daqui a 100 anos o consumo de carne animal, ou o abate de animais para consumo sem normas éticas super restritas (eutanasiados sem dor), torna-se considerado bárbaro, cruel e inaceitável. Se calhar vão considerar passagens de obras escritas em 2021, em que o autor escreve "o João foi ao Mac comer um hambúrguer" como obras "carnívoras" ou de "propaganda carnívora". Agora parece-me saudável o estarmos a começar a nos olhar ao espelho sobre o nosso passado colonial, coisa que Portugal nunca fez, não me parece nada errado acrescentar uma adenda oficial qualquer ao programa escolar e aos livros escolares do género : "estas obras contêm excertos que reflectem correntes de pensamento da época, que hoje em dia poderiam ser consideradas racistas, tal como o paternalismo colonial, ou o associar da cor negra a traços negativos". Mas mais do que isso parece-me excessivo. A não ser que eu não esteja a entender o que está lá escrito, porque.. Não li ou não me lembro se li o raio dos livros Compartilhar este post Link para o post
Jpa Publicado 7 Março 2021 Citação de Plagio o Original, há 1 hora: o melhor é mesmo este: 4 Compartilhar este post Link para o post
Pablo Honey Publicado 8 Março 2021 Eu acho a escrita do Eça demasiado detalhada para o meu gosto, mas quando o homem acerta é mesmo literatura de qualidade. Não me esquece de ler na aula a cena do Sarau da Trindade ou o crl e ter adorado completamente. E o final é fixe. "Falhámos a vida, menino" ❤️ Compartilhar este post Link para o post
SAS_Robben Publicado 8 Março 2021 Os Mais é um dos meus livros de eleição. Incrível como logo no inicio já sabemos como a coisa vai acabar mas mesmo assim consegue agarrar imenso uma pessoa. 2 Compartilhar este post Link para o post
a.lopes Publicado 8 Março 2021 Tentei ler os Maias no Secundario, mas o FM puxou demais 😞 Felizmente tive um amigo como o black hawk que me fez um resumo do livro e deu-me boas dicas para tirar boa nota nos testes. Do pouco que li...não houve uma cena de incesto? ou estou a confundir com algum porn manhoso da altura? Compartilhar este post Link para o post
Sandes. Publicado 8 Março 2021 Citação de a.lopes, há 1 minuto: Tentei ler os Maias no Secundario, mas o FM puxou demais 😞 Felizmente tive um amigo como o black hawk que me fez um resumo do livro e deu-me boas dicas para tirar boa nota nos testes. Do pouco que li...não houve uma cena de incesto? ou estou a confundir com algum porn manhoso da altura? Opah na prática o incesto é o grande ponto do livro. Se pusermos toda a critica social e historica do livro de lado e nos concentrarmos no plot, é uma historia de incesto acidental. Também já não leio desde o 11º (e já lá vão uns 10 anos praí) Compartilhar este post Link para o post
Spikey Publicado 8 Março 2021 Depois de uma parte deixa de ser só acidental 😆 Eu li no 11º quase tudo (tirando a parte inicial com os antepassados do protagonista) e no geral gostei, mas só entendi mesmo a crítica social e isso tudo ao ler os resumos. Compartilhar este post Link para o post
Sandes. Publicado 8 Março 2021 Citação de Spikey, há 8 minutos: Depois de uma parte deixa de ser só acidental 😆 Eu li no 11º quase tudo (tirando a parte inicial com os antepassados do protagonista) e no geral gostei, mas só entendi mesmo a crítica social e isso tudo ao ler os resumos. O acidental era mais porque começou sem ele (já não me lembro do nome do gajo) saber que ela era a irmã dele. Depois já foi a paixão a sobrepor-se à razão e ele continua a ter essa relação mesmo sabendo que é errado. Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 8 Março 2021 Citação de Black Hawk, há 13 horas: Imagina que eu decido abrir uma discussão no CMPT sobre a participação do @andriy pereplyotkin. Intitulo o tópico "É a participação do @andriy pereplyotkin negativa para a comunidade?" e decido apresentar tópicos com pontos de vista para servirem de guia para a discussao. Num deles refiro que "o vocabulário utilizado pelo utilizador é demasiado técnico, o que dificulta a percepção dos restantes utilizadores e torna a sua participação negativa". Não estou a dizer que a participação do @andriy pereplyotkin é negativa; estou apenas a lançar uma perspetiva que será alvo de interpretação e análise pelos participantes na discussão. É uma hipótese académica que seria certamente refutada, pois a participação dele não é negativa, mas alguém mal intencionado poderia pegar naquela citação e vir dizer "Vêem? O Black Hawk diz que a participação dele é prejudicial para o fórum!". Tou a sentir aqui alguma coisa mal resolvida... Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 8 Março 2021 Citação de bmfpcdm, há 12 horas: Eu considero que essas passagens servem mais para estabelecer a preconceção/instinto da época de que negro/escuro=negativo/inferior, enquanto branco/claro=positivo/superior. De salientar que a associação de negro/escuro com feio não tem somente conotações estéticas; pois o racismo científico, muitas vezes, utilizava esse conceito como um sinal de superioridade das raças brancas sobre as raças negras, nomeadamente no que respeita a moralidade. há ali, pelo menos, uma redundância quando ele escreve negra melancolia. Naquela época estavam a ser aceites cada vez mais as teorias darwinistas sociais ou o evolucionismo social. A escrita e as ideias do João da Ega são um bom reflexo disso. No entanto, também há ali algo de antropológico, que já vem desde há milénios, de associar a escuridão ao desconhecido e ao avanço inadvertido de perigos. Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 8 Março 2021 Citação de smashing_pumpkin , há 15 horas: Em 2002-2004 era Maias na 11 e Aparição no 12. Mas julgo que no 12 havia outra hipótese. O Saramago julgo que ainda não tinha entrado nessa altura. Era isto. Os Maias para mim foram um tormento. Não que não esteja bem escrito, é uma obra incrível, uma pessoa está a ler a descrição do Ramalhete (era assim que se chamava a casa não era?) e parece que viveu lá a vida toda. Mas é demasiado denso. As tais descrições estão maravilhosamente bem feitas, mas são chatas. Meti na cabeça que tinha que ler o livro até ao fim. Bem me custou, mas fi-lo. Compartilhar este post Link para o post
Caviar Publicado 8 Março 2021 Os liberais celebram o Dia Internacional da Mulher? Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 8 Março 2021 Citação de Caviar, Agora: Os liberais celebram o Dia Internacional da Mulher? Porque não? Compartilhar este post Link para o post
Elvis Publicado 8 Março 2021 Citação de Caviar, há 7 minutos: Os liberais celebram o Dia Internacional da Mulher? Esses gajos atrevem-se? Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 8 Março 2021 Citação de Puto Perdiz, há 1 hora: No entanto, também há ali algo de antropológico, que já vem desde há milénios, de associar a escuridão ao desconhecido e ao avanço inadvertido de perigos. Daí eu ter mencionado também instinto, para além de preconceção; muitas vezes o primeiro leva ao segundo. O Fanon procura explicar o fenómeno: Citação (...) Continuing to take stock of reality, endeavoring to ascertain the instant of symbolic crystallization, I very naturally found myself on the threshold of Jungian psychology. European civilization is characterized by the presence, at the heart of what Jung calls the collective unconscious, of an archetype: an expression of the bad instincts, of the darkness inherent in every ego, of the uncivilized savage, the Negro who slumbers in every white man. And Jung claims to have found in uncivilized peoples the same psychic structure that his diagram portrays. Personally, I think that Jung has deceived himself. Moreover, all the peoples that he has known–whether the Pueblo Indians of Arizona or the Negroes of Kenya in British East Africa–have had more or less traumatic contacts with the white man. I said earlier that in his Salavinizations the young Antillean is never black; and I have tried to show what this phenomenon corresponds to. Jung locates the collective unconscious in the inherited cerebral matter. But the collective unconscious, without our having to fall back on the genes, is purely and simply the sum of prejudices, myths, collective attitudes of a given group. It is taken for granted, to illustrate, that the Jews who have settled in Israel will produce in less than a hundred years a collective unconscious different from the ones that they had had before 1945 in the countries which they were forced to leave. On the level of philosophic discussion, this would be the place to bring up the old problem of instinct and habit: instinct, which is inborn (we know how we must view this “innateness"), invariable, specific; habit, which is acquired. On this level one would have only to demonstrate that Jung has confused instinct and habit. In his view, in fact, the collective unconscious is bound up with the cerebral structure, the myths and archetypes are permanent engrams of the race. I hope I have shown that nothing of the sort is the case and that in fact the collective unconscious is cultural, which means acquired. Just as a young mountaineer of the Carpathians, under the physico-chemical conditions of his country, is likely to develop a myxedema, so a Negro like Rene Maran, who has lived in France and breathed and eaten the myths and prejudices of racist Europe, and assimilated the collective unconscious of that Europe, will be able, if he stands outside himself, to express only his hatred of the Negro. One must move softly, and there is a whole drama in having to lay bare little by little the workings of processes that are seen in their totality. Will this statement be susceptible of understanding? In Europe, the black man is the symbol of Evil. One must move softly, I know, but it is not easy. The torturer is the black man, Satan is black, one talks of shadows, when one is dirty one is black–whether one is thinking of physical dirtiness or of moral dirtiness. It would be astonishing, if the trouble were taken to bring them all together, to see the vast number of expressions that make the black man the equivalent of sin. In Europe, whether concretely or symbolically, the black man stands for the bad side of the character. As long as one cannot understand this fact, one is doomed to talk in circles about the “black problem.” Blackness, darkness, shadow, shades, night, the labyrinths of the earth, abysmal depths, blacken someone’s reputation; and, on the other side, the bright look of innocence, the white dove of peace, magical, heavenly light. A magnificent blond child–how much peace there is in that phrase, how much joy, and above all how much hope! There is no comparison with a magnificent black child: literally, such a thing is unwonted. Just the same, I shall not go back into the stories of black angels. In Europe, that is to say, in every civilized and civilizing country, the Negro is the symbol of sin. The archetype of the lowest values is represented by the Negro. And it is exactly the same antinomy that is encountered in Desoille’s waking dreams. How else is one to explain, for example, that the unconscious representing the base and inferior traits is colored black? With Desoille, in whose work the situation is (without any intention of a pun) clearer, it is always a matter of descending or climbing. When I descend I see caverns, grottoes where savages dance. Let there be no mistake, above all. For example, in one of the waking-dream sessions that Desoille describes for us, we find Gauls in a cave. But, it must be pointed out, the Gaul is a simple fellow. A Gaul in a cave, it is almost like a family picture–a result, perhaps, of “our ancestors, the Gauls.” I believe it is necessary to become a child again in order to grasp certain psychic realities. This is where Jung was an innovator: He wanted to go back to the childhood of the world, but he made a remarkable mistake: He went back only to the childhood of Europe. In the remotest depth of the European unconscious an inordinately black hollow has been made in which the most immoral impulses, the most shameful desires lie dormant. And as every man climbs up toward whiteness and light, the European has tried to repudiate this uncivilized self, which has attempted to defend itself. When European civilization came into contact with the black world, with those savage peoples, everyone agreed: Those Negroes were the principle of evil. Jung consistently identifies the foreign with the obscure, with the tendency to evil: He is perfectly right. This mechanism of projection–or, if one prefers, transference–has been described by classic psychoanalysis. In the degree to which I find in myself something unheard-of, something reprehensible, only one solution remains for me: to get rid of it, to ascribe its origin to someone else. In this way I eliminate a short circuit that threatens to destroy my equilibrium. One must be careful with waking dreams in the early sessions, because it is not good if the obscenity emerges too soon. The patient must come to understand the workings of sublimation before he makes any contact with the unconscious. If a Negro comes up in the first session, he must be removed at once; to that end, suggest a stairway or a rope to the patient, or propose that he let himself be carried off in a helicopter. Infallibly, the Negro will stay in his hole. In Europe the Negro has one function: that of symbolizing the lower emotions, the baser inclinations, the dark side of the soul. In the collective unconscious of homo occidentalis, the Negro–or, if one prefers, the color black–symbolizes evil, sin, wretchedness, death, war, famine. All birds of prey are black. In Martinique, whose collective unconscious makes it a European country, when a “blue" Negro–a coal-black one–comes to visit, one reacts at once: “What bad luck is he bringing?” The collective unconscious is not dependent on cerebral heredity; it is the result of what I shall call the unreflected imposition of a culture. Hence there is no reason to be surprised when an Antillean exposed to waking-dream therapy relives the same fantasies as a European. It is because the Antillean partakes of the same collective unconscious as the European. If what has been said thus far is grasped, this conclusion may be stated: It is normal for the Antillean to be anti-Negro. Through the collective unconscious the Antillean has taken over all the archetypes belonging to the European. The anima of the Antillean Negro is almost always a white woman. In the same way, the animus of the Antilleans is always a white man. That is because in the works of Anatole France, Balzac, Bazin, or any of the rest of “our” novelists, there is never a word about an ethereal yet ever present black woman or about a dark Apollo with sparkling eyes. . . . But I too am guilty, here I am talking of Apollo! There is no help for it: I am a white man. For unconsciously I distrust what is black in me, that is, the whole of my being. (...) "Black Skin, White Masks", Frantz Fanon 3 Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 8 Março 2021 Citação de Puto Perdiz, há 3 horas: há ali, pelo menos, uma redundância quando ele escreve negra melancolia. Já agora, sobre a redundância na expressão “melancolia negra”. À primeira vista pode ser interpretada como redundante; mas proponho o exercício de substituir o adjetivo que qualifica o estado mental pelo seu antónimo: “melancolia branca”. Nestas circunstâncias, não seremos capazes de denotar uma diferença? Não poderá a “melancolia branca” ser interpretada como um estado de espírito inócuo, benigno, desejado até? Então, por oposição, não será a “melancolia negra” um estado de espírito maligno e indesejado? Para confirmar esta hipótese, o próprio texto (“Os Maias”) deveria ser capaz de oferecer exemplos de melancolias distintas, idealmente, uma maligna: “(...) Era em tudo um fraco; e esse abatimento contínuo de todo o seu ser resolvia-se a espaços em crises de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho. (...)” E uma benigna: “ (...) Pouco a pouco, entre o afinar de rebecas e o rumor das cadeiras Ega revia, numa onda de recordações que o sufocava, o grande leito da vila Balzac, certos beijos e certos risos, as perdizes comidas em camisa à borda do sofá, e a melancolia deliciosa das tardes, quando ela saia furtivamente, coberta de véus, e ele ficava, cansado, no crepúsculo poético do quarto, cantarolando a Traviata... (...)” Observemos ainda outra benigna: “(...) Fachadas de casas, caladas e pálidas, surgiam, de entre as árvores com um ar de melancolia romântica. (...)” Ora outra maligna: "(...) e não lhe desagradava que um sentimento qualquer, humano e forte, lhe fosse arrancando o filho à estroinice bulhenta, ao jogo, às melancolias sem razão em que reaparecia o negro ripanço... (...)" 1 Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 8 Março 2021 Citação de bmfpcdm, há 1 hora: Já agora, sobre a redundância na expressão “melancolia negra”. À primeira vista pode ser interpretada como redundante; mas proponho o exercício de substituir o adjetivo que qualifica o estado mental pelo seu antónimo: “melancolia branca”. Nestas circunstâncias, não seremos capazes de denotar uma diferença? Não poderá a “melancolia branca” ser interpretada como um estado de espírito inócuo, benigno, desejado até? Então, por oposição, não será a “melancolia negra” um estado de espírito maligno e indesejado? Para confirmar esta hipótese, o próprio texto (“Os Maias”) deveria ser capaz de oferecer exemplos de melancolias distintas, idealmente, uma maligna: “(...) Era em tudo um fraco; e esse abatimento contínuo de todo o seu ser resolvia-se a espaços em crises de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho. (...)” E uma benigna: “ (...) Pouco a pouco, entre o afinar de rebecas e o rumor das cadeiras Ega revia, numa onda de recordações que o sufocava, o grande leito da vila Balzac, certos beijos e certos risos, as perdizes comidas em camisa à borda do sofá, e a melancolia deliciosa das tardes, quando ela saia furtivamente, coberta de véus, e ele ficava, cansado, no crepúsculo poético do quarto, cantarolando a Traviata... (...)” Observemos ainda outra benigna: “(...) Fachadas de casas, caladas e pálidas, surgiam, de entre as árvores com um ar de melancolia romântica. (...)” Ora outra maligna: "(...) e não lhe desagradava que um sentimento qualquer, humano e forte, lhe fosse arrancando o filho à estroinice bulhenta, ao jogo, às melancolias sem razão em que reaparecia o negro ripanço... (...)" é uma redundância porque a palavra melancolia já tem negro na sua composição (bílis negra). O mais próximo em termos de composição é a bílis amarela associado à cólera. O romantismo usava muitas vezes a melancolia (a par da ironia) como um estado de alma da recusa da banalidade do mundo moderno. Muitas vezes faziam a distinção entre uma melancolia negativa e uma melancolia "mais colorida" ligada ao iluminismo da época com esses termos. Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 8 Março 2021 Citação de bmfpcdm, há 3 horas: Daí eu ter mencionado também instinto, para além de preconceção; muitas vezes o primeiro leva ao segundo. O Fanon procura explicar o fenómeno: "Black Skin, White Masks", Frantz Fanon essa é a visão eurocêntrica do assunto que é muito semelhante à de várias regiões do globo. Em vários locais e mitologias (inca e maia, egípcia) há muitas vezes uma ligação entre as trevas/submundo e algo que é mal. E é natural que essas ideias milenares tenham influência no pensamento. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 8 Março 2021 (editado) Citação de Puto Perdiz, há 1 hora: é uma redundância porque a palavra melancolia já tem negro na sua composição (bílis negra). O mais próximo em termos de composição é a bílis amarela associado à cólera. O romantismo usava muitas vezes a melancolia (a par da ironia) como um estado de alma da recusa da banalidade do mundo moderno. Muitas vezes faziam a distinção entre uma melancolia negativa e uma melancolia "mais colorida" ligada ao iluminismo da época com esses termos. Deve-se precisamente a isso que eu considero que o uso daquela expressão deixa de constituir uma redundância, pois a função do adjetivo (negra) deixa de ser a de repetir uma ideia já presente na condição (melancolia), para servir a função de distinguir entre a desejabilidade daquele estado de espírito. EDIT: Citação de Puto Perdiz, há 48 minutos: essa é a visão eurocêntrica do assunto que é muito semelhante à de várias regiões do globo. Em vários locais e mitologias (inca e maia, egípcia) há muitas vezes uma ligação entre as trevas/submundo e algo que é mal. E é natural que essas ideias milenares tenham influência no pensamento. A análise é eurocêntrica pois era esse o contexto da sua experiência; foi, também, a civilização europeia que projetou o dito ‘instinto’ para o ‘hábito’, produzindo e perpetuando a desumanização do indivíduo negro; chegando ao ponto de causar a internalização desse ‘hábito’ nos próprios indivíduos negros. Editado 8 Março 2021 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Caviar Publicado 8 Março 2021 Citação Presidenciais: Jovens votaram menos em Marcelo e Ventura, Ferreira em último - sondagem Os jovens portugueses, entre 18 e 30 anos, votaram menos em Marcelo Rebelo de Sousa e em André Ventura do que a restante população, nas eleições presidenciais de janeiro, e colocaram João Ferreira na última posição. Segundo uma sondagem do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), realizada pela Universidade Católica, cerca de metade desta fatia do eleitorado participou no sufrágio de 24 de janeiro (entre 45 e 52%), no qual se registou um recorde de abstenção global de 60,74%, sendo o índice de participação oficial do universo de cidadãos inscritos de apenas 39,26%. O estudo estima que o recandidato Marcelo Rebelo de Sousa, apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP, obteve menos três pontos percentuais (58%) entre os jovens, o mesmo sucedendo com o líder do Chega, André Ventura (9%). Quem tem ainda menos votos entre os eleitores até aos 30 anos é o dirigente comunista João Ferreira, com menos um ponto percentual, mas relegado para a sétima e última posição em vez do quarto lugar obtido nas urnas. A ex-eurodeputada socialista Ana Gomes (PAN, Livre), entre os jovens, obteve mais um ponto percentual (14%), tal como a sua antiga colega bloquista em Bruxelas, Marisa Matias, também com mais um ponto percentual (5%) e ascendendo assim ao quarto lugar. O advogado e fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan Gonçalves granjeou igualmente mais votos entre os cidadãos mais novos, aumentando o pecúlio em dois pontos percentuais (5%), bem como o calceteiro e líder do RIR, Vitorino Silva, com mais um ponto (4%). Os resultados da sondagem foram calculadas “com base nas estimativas da população publicadas pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), de 15 de junho de 2020, os resultados eleitorais oficiais Presidenciais 2021, de 04 de fevereiro e os dados da sondagem realizada à boca das urnas no dia das eleições”. “Os resultados refletem o afastamento dos jovens em relação à política, o que é particularmente preocupante, pois conduz ao empobrecimento da democracia”, declarou o presidente do CNJ, João Pedro Videira, citado em comunicado. Segundo este responsável, “é urgente encontrar soluções que promovam a participação das gerações mais jovens nos momentos eleitorais por forma a reverter esta tendência”, a qual, segundo Videira se deve a “polarização da política, a não identificação dos jovens com a classe política e o sentimento de que o seu voto não terá impacto no resultado das votações”. Oficialmente, segundo a Comissão Nacional de Eleições, Marcelo Rebelo de Sousa obteve um total de 2.531.692 votos (60,66%) no universo de 4.258.356 votantes. Com 10.847.434 cidadãos eleitores inscritos, a abstenção saldou-se em 60,74%, o valor mais alto de sempre em Presidenciais. A Ana Gomes ficou na segunda posição, com 540.823 votos (12,96%), seguida do deputado único do partido da extrema-direita parlamentar, André Ventura, com 497.746 (11,93%). O eurodeputado e vereador lisboeta do PCP, João Ferreira, alcançou 179.764 votos (4,31%), enquanto a sua homóloga do BE, Marisa Matias, conseguiu 165.127 (3,96%). Tiago Mayan quedou-se pela sexta posição, com 134,991 (3,23%) e o ex-autarca socialista “Tino de Rans” foi o último classificado, com 123.031 (2,95%). Registaram-se ainda 47.164 votos em branco e outros 38.018 nulos. Estes dois tipos de boletins juntos correspondem a mais de 85 mil, ou seja, 2%. Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 8 Março 2021 Citação de bmfpcdm, há 1 hora: Deve-se precisamente a isso que eu considero que o uso daquela expressão deixa de constituir uma redundância, pois a função do adjetivo (negra) deixa de ser a de repetir uma ideia já presente na condição (melancolia), para servir a função de distinguir entre a desejabilidade daquele estado de espírito. ele está a pegar numa palavra composta e a juntar-lhe parte dessa palavra para a adjectivar. Citação de bmfpcdm, há 1 hora: Citação de bmfpcdm, há 1 hora: A análise é eurocêntrica pois era esse o contexto da sua experiência; foi, também, a civilização europeia que projetou o dito ‘instinto’ para o ‘hábito’, produzindo e perpetuando a desumanização do indivíduo negro; chegando ao ponto de causar a internalização desse ‘hábito’ nos próprios indivíduos negros. Aqui vou precisar de uma régua temporal. Qual é a data que consideras que começou o hábito? Grécia Antiga, Império Romano, expansão? Nos escritos de Almaçudi ( falava da "organização imperfeita de seu cérebro”), de Mocadaci (pouco inteligentes e capazes de compreender unicamente poucas coisas) entre outros dá para ver que eles não tinham em boa conta os zanje em termos de inteligência, já havia uma discriminação bem patente. Antes disto ainda tens os poemas dos "corvos dos árabes" que relatavam o que sofriam por causa da cor da pele “Se minha pele fosse rosa, as mulheres me amariam, mas o Senhor me afligiu com uma pele negra”, "“somos da mesma cor; nossos rostos são negros e feios, nossos nomes são vergonhosos”. A coisa ficou pior, em termos de tratamento, aquando da rebelião no sec IX, mas também ajudou a que se começasse a rejeitar os mitos de inferioridade em termos de inteligência por parte de alguns estudiosos Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 8 Março 2021 Citação de Puto Perdiz, há 3 minutos: ele está a pegar numa palavra composta e a juntar-lhe parte dessa palavra para a adjectivar. Aqui vou precisar de uma régua temporal. Qual é a data que consideras que começou o hábito? Grécia Antiga, Império Romano, expansão? Nos escritos de Almaçudi ( falava da "organização imperfeita de seu cérebro”), de Mocadaci (pouco inteligentes e capazes de compreender unicamente poucas coisas) entre outros dá para ver que eles não tinham em boa conta os zanje em termos de inteligência, já havia uma discriminação bem patente. Antes disto ainda tens os poemas dos "corvos dos árabes" que relatavam o que sofriam por causa da cor da pele “Se minha pele fosse rosa, as mulheres me amariam, mas o Senhor me afligiu com uma pele negra”, "“somos da mesma cor; nossos rostos são negros e feios, nossos nomes são vergonhosos”. A coisa ficou pior, em termos de tratamento, aquando da rebelião no sec IX, mas também ajudou a que se começasse a rejeitar os mitos de inferioridade em termos de inteligência por parte de alguns estudiosos Eu entendo isso, mas não o considero suficiente, tendo em conta o contexto, para o rotular de redundância, parece-me demasiado simplista. Naturalmente que me estou a referir à projeção que culminou com os conceitos de racismo científico, isso tem o inegável carimbo europeu. Não nego que outras culturas teriam o potencial para projetar 'instinto' para com o 'hábito', mas não foram outras culturas que refinaram e perpetuaram esse tipo de pensamento, esse é o legado da cultura europeia. Compartilhar este post Link para o post