Lebohang Publicado 6 Março 2024 Citação ASJ, GMR, GAC, PRT, LCI, PSR, PST, LST, FER, BE… a longa história de dissidências e fusões que desemboca na guerra pelo pequeno partido MAS Entalado numa luta entre Gil Garcia e Renata Cambra, o Movimento Alternativa Socialista ficou fora das legislativas de 10 de março. Essa zanga é só uma de muitas na história da esquerda radical portuguesa, que só conseguiu ter eleitos quando convergiu no BE Nas eleições do próximo domingo faltará no boletim de voto um partido que tinha intenção de concorrer. Trata-se do Movimento Alternativa Socialista (MAS), que o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa impediu de ir a votos, no passado dia 7 de fevereiro, devido à disputa entre Gil Garcia e Renata Cambra, as suas duas figuras mais conhecidas. A contenda é uma de muitas no historial da esquerda radical portuguesa, de que revisitaremos em parte neste texto. Cambra e Garcia reclamam a liderança do pequeno MAS. Ela avançou com a candidatura às legislativas, mas João Pascoal, militante aliado do rival Garcia, queixou-se à justiça de que a mesma era falsa, pois a legítima direção do partido decidira não entrar neste ato eleitoral. Cambra recorreu para o Constitucional, que deliberou não se pronunciar, por considerar que o recurso deveria ter sido interposto junto do tribunal que travou a candidatura do MAS. Os dois beligerantes dividiram-se também na apreciação de uma proposta de aproximação ao movimento Juntos Vamos Mudar (entretanto crismado Mudar), lançado por professores como André Pestana, militante do MAS e líder do Sindicato de Todos os Professores (STOP), onde a sua última reeleição também foi objeto de contestação. Cambra era contra essa estratégia e prevaleceu na discussão interna, Garcia estava a favor da mesma e não se conformou. MELHOR RESULTADO FOI DE 0,11% O MAS foi reconhecido pelo Tribunal Constitucional a 29 de julho de 2013, fundado por antigos militantes do Bloco de Esquerda ligados ao movimento Ruptura e à Frente da Esquerda Revolucionária (já lá vamos). Nas legislativas de 2022, com Cambra cabeça de lista em Lisboa, o MAS obteve 6494 votos (0,11%), à frente de outras cinco forças políticas, tendo sido elogiada a prestação da candidata no debate das formações sem representação parlamentar. Foi bem melhor do que a estreia em nome próprio, em 2019, com o veterano Garcia: 3331 votos (0,06%) e o 21º e último lugar. Em 2015, o MAS disputara legislativas na coligação Agir, com o minúsculo Partido Trabalhista Português e o apoio do açoriano Partido Democrático do Atlântico, que o Constitucional dissolveria nesse mesmo ano. Garcia candidatou-se pelo Porto, na capital a aposta foi na mediática Joana Amaral Dias. Somaram 20.748 votos (0,38%) no país. Na sequência do duelo entre Cambra e Garcia em torno do Juntos Vamos Mudar, escreve a revista “Visão”, aquela acusou este de ter cortado o acesso à sede, contas bancárias e palavras-chave dos emails e redes sociais do partido aos membros da Comissão Nacional do MAS, que ela garante chefiar. Garcia assegura que é ele o genuíno coordenador do partido político. A Aliança Socialista da Juventude movia-se nos meios escolares no tempo do PREC Pode parecer bizarra ao leitor uma luta tão acesa por um partido sem relevância, nem impacto prático, mas não é nova. O grupo de Garcia protagonizou várias entradas e saídas em partidos e frentes de esquerda. Talvez fossem mais compreensíveis nos anos 70 do que hoje. Vivia-se a infância da democracia, tempo de “polarização ideológica, debates teóricos e visões apocalípticas de certa esquerda”, como diz ao Expresso um protagonista da época, que pede o anonimato por não querer surgir como “analista de museu” em tempos de campanha eleitoral. NO AUGE DA ESQUERDA RADICAL Recuemos aos tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso), há quase 50 anos. A 31 de janeiro de 1975 nascia o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT, trotskista), uma de muitas forças de esquerda radical que pulularam qual cogumelos após meio século de ditadura fascista. O PRT tinha por símbolo a imagem de um operário munido de maço e aderiu à corrente da Quarta Internacional (trotskista) seguidora do argentino Nahuel Moreno. O revolucionário argentino Nahuel Moreno foi figura tutelar para uma fação da Quarta Internacional Gil Garcia fez parte da Aliança Socialista da Juventude (ASJ), que publicava o jornal “Combate Socialista”. Próxima do PRT, a ASJ nasceu em outubro de 1974, na senda do Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa (MAESLI), com jovens que animavam o jornal “O Grito” ou os boletins “Movimento Outubro” e “Impulso” e se desdobravam nos clandestinos Grupo Marxista Revolucionário (GMR) e Grupos de Ação Comunista (GAC). João Pascoal, desde sempre parceiro de Garcia, membro dos GMR, GAC, FER e MAS e autor da queixa que travou a candidatura deste último em 2024, afirmou a um boletim comemorativo publicado em 2009 que o grupo se radicalizou “nas primeiras horas do 25 de Abril”, face à lentidão que Spínola queria impor à revolução, sem sequer desmantelar logo a PIDE. O Partido Revolucionário dos Trabalhadores e a Liga Comunista Internacionalista fundiram-se em 1978 para criar o Partido Socialista Revolucionário O PRT não participou nas eleições para a Assembleia Constituinte de 25 de abril de 1975, mas, passado um ano, concorreu à Assembleia da República (AR). Foi o último entre 14, com 5171 voos (0,09%), atrás de formações como a Aliança Operária Camponesa ou Partido Comunista de Portugal (Marxista-Leninista), entre outas agremiações que se extinguiriam pouco depois. FUSÕES, CISÕES E FEDERAÇÕES Este sector político assistiu a copiosas fusões e cisões. Em 1978 o PRT uniu-se à Liga Comunista Internacionalista (LCI, de outra fação trotskista e na qual militou Francisco Louçã) para constituir o Partido Socialista Revolucionário (PSR). A LCI nascera em 1973, em Peniche, da junção de três filiais regionais dos GAC, críticas do colonialismo e que distribuíam publicações com títulos como “Acção Comunista”, “Luta Proletária” ou “Toupeira Vermelha”. A Toupeira Vermelha, outrora nome de publicação clandestina, ainda é imagem usada por militantes trotskistas A LCI era a secção lusa da Quarta Internacional Reunificada, assim chamada por ter fechado, dez anos antes, um cisma entre facões. Após a Revolução dos Cravos, a LCI absorveu proletários e estudantes e fez as pazes com a União Operária Revolucionária, dissidência dos GAC em que militou Augusto Santos Silva, que hoje é presidente da AR dirigente do PS. A LCI chegou a fazer parte da Frente de Unidade Revolucionária (FUR), surgida em pleno Verão Quente de 1975 para apoiar o V Governo Provisório, de Vasco Gonçalves, contra os militares moderados reunidos em torno do Documento dos Nove. Outros membros eram o PCP, o seu satélite MDP/CDE (Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral, relevante sobretudo antes do 25 de Abril), o Movimento de Esquerda Socialista (MES, onde estiveram Ferro Rodrigues ou Jorge Sampaio), a Frente Socialista Popular (cisão do PS encimada por Manuel Serra), a Liga de Unidade e Ação Revolucionária (com nomes como Palma Inácio, Camilo Mortágua ou o futuro dirigente do PSD Emídio Guerreiro, responsável pelo assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz), o Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias (PRP/BR, de Isabel do Carmo e Carlos Antunes) e entidades que não partidos, de que é exemplo a Organização 1º de Maio. O PSR (aqui com símbolo adotado em 1993) uniu-se à UDP e à Política XXI para fundar o Bloco de Esquerda, formalizado em 1998 O PSR duraria décadas e seria, em 1991, o partido extraparlamentar mais próximo de conseguir um deputado. No âmbito de uma cisão internacional, porém, alguns membros vindos do PRT — entre eles Gil Garcia e João Pascoal — viriam a abandonar o partido, tendo mais tarde criado a Liga Socialista dos Trabalhadores (LST), que nas legislativas de 1983 teve 11.500 votos (0,2%). Outros ex-PSR fundaram o Partido Socialista dos Trabalhadores, de curta vida: durou um ano e só se apresentou às legislativas de 1980 em coligação com o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), resultante de uma cisão do PS e encabeçado por Carmelinda Pereira e António Aires Rodrigues, que o conduziriam até à extinção já neste século. Garcia considerou que o PRT e a LCI, “cada um a seu modo, cometeram erros e alguns grosseiros”, o primeiro “desvalorizando a rutura de massas e pela esquerda” encarnada nos Grupos de Dinamização da Unidade Popular (GDUPs) e na candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho às presidenciais de 1976, a segunda por “seguidismo” do PCP e de Vasco Gonçalves. ADESÃO AO BLOCO DE ESQUERDA, MAS COM PÉ ATRÁS Foi da LST que nasceu a FER, numa mudança de nome consumada em 1989, a tempo das europeias (0,19%). Daí para baixo foi sempre a descer em sufrágios, até que em 2000 a FER se uniu ao movimento estudantil Ruptura, que surgira no início dos anos 90, acirrado pela imposição de propinas no ensino superior pelo Governo de Cavaco Silva. A Liga Socialista dos Trabalhadores, cisão do Partido Socialista Revolucionário, transformou-se em Frente da Esquerda Revolucionária nos anos 80 Em 1998 nasce o Bloco de Esquerda (BE), único acrescento significativo e não efémero ao sistema partidário português até ao recente surgimento do Chega, Iniciativa Liberal, Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Livre. Resultou da convergência do PSR de Louçã com a União Democrática Popular (UDP, estalinista), a Política XXI (ex-comunistas, como Miguel Portas), tendo atraído figuras de esquerda que não militavam em partidos, e muitos universitários. O Ruptura/FER veio a integrar o BE enquanto tendência interna, tendo a FER deixado de existir como partido em 2005. “O que nos deve preocupar é ajudar o Bloco a transformar-se numa potência de massas, ligado aos jovens, aos trabalhadores, em oposição ao governo PS, contra uma política de ensino elitista, uma política de desemprego e trabalho precário, de insegurança social para quem vive dos seus magros salários”, defendia na altura Gil Garcia. A entrada para o BE não roubou identidade a este grupo. Se o partido queria entrar para a AR, o que conseguiu em 1999 com a eleição de Louçã e Luís Fazenda (este vindo da UDP), Garcia alertava que “a inegável importância do peso parlamentar do BE não nos deve desviar do essencial: construir uma alternativa na base do país, junto da classe trabalhadora”, atalhando que “um partido com muitos votos, mas sem peso significativo na classe, jamais chegará a qualquer socialismo, mesmo que venha a ter 20% ou 30% dos votos e dezenas de deputados”, pois “o socialismo não se constrói no Parlamento”. O grupo ligado à revista “Rubra” afastou-se do movimento Ruptura/FER Terá sido esta visão que levou o grupo de Garcia a desvincular-se do BE em 2011, achando-o aburguesado e, segundo Garcia, “cada vez mais institucionalizado e parlamentarizado”. Dois anos depois surgia o MAS, partido novo que afinal era a enésima ressurreição de um grupo ativo há décadas, sempre propício ao conflito. DESENTENDIDOS ATÉ NO APELO AO VOTO A Ruptura/FER e o MAS também conheceram cisões. Da primeira saiu o grupo afeto à historiadora Raquel Varela e à revista “Rubra”, já extinta. O segundo perdeu os agora integrantes do Em Luta (em 2017, contra a decisão do MAS de abandonar a Liga Internacional dos Trabalhadores/Quarta Internacional, acusando-a de ter posto em marcha “uma revisão teórico-programática esquerdista, sectária e auto-proclamatória”) e Semear o Futuro (2020, inspirado por André Pestana, do sindicato STOP). Alguns destes últimos voltaram para o BE. De que vale uma guerra sem quartel por um partido que vale tão poucos votos? Já vimos que a legitimidade eleitoral tem menos importância para Garcia do que a luta na rua. O MAS empenhou-se em tempos recentes em sindicatos como o STOP ou o STCC, dos trabalhadores de call centers. No fundo, mantêm uma tendência de divisões a que a criação do BE veio pôr fim, culminando na participação na solução de Governo que lembramos como “geringonça”. Há que dizer, por questão de justiça, que não foi só o grupo sobre o qual aqui se escreve a passar por zangas e dissidências. Sem entrar em detalhes, são disso testemunho siglas dos anos 70 em Portugal como Partido Comunista (Reconstruído), Partido Comunista de Portugal (Marxista-Leninista), Partido de Unidade Popular, Comité Marxista-Leninista Português, Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, Frente Eleitoral de Comunistas (Marxistas–Leninistas) ou Organização para a Reconstrução do Partido Comunista (Marxista-Leninista). Já vimos que o grupo que hoje se digladia no MAS nunca abandonou certa lógica sectária. Tentando terminar com uma nota conciliatória, frise-se que o MAS até apelou, há dias, a um “voto crítico” no BE no próximo domingo, aceitando por isso alguma convergência com o partido de onde saíram os seus fundadores. No entanto, há que lembrar que esse é o MAS de Gil Garcia. O de Renata Cambra recomenda simplesmente que se vote “à esquerda do PS”. 5 Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 6 Março 2024 Os trotskos chateiam-se até a fazer a barba. Compartilhar este post Link para o post
IlidioMA Publicado 6 Março 2024 Citação de Che, há 28 minutos: Os trotskos chateiam-se até a fazer a barba. já se sabe o que sempre se disse dos trotskistas: têm a razão, só não têm o eleitorado. 1 Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 6 Março 2024 esta senhora desempenha provavelmente o papel mais ridículo e parcial da televisão portuguesa que falta de tudo Compartilhar este post Link para o post
BrunoCardoso Publicado 6 Março 2024 https://observador.pt/2024/03/06/dona-do-pingo-doce-fecha-2023-com-lucros-de-756-milhoes-de-euros-um-aumento-de-28/#Echobox=1709758534 Esta gente quer que nos tornemos a Cuba da europa Compartilhar este post Link para o post
Axadrezado Publicado 6 Março 2024 O Sapo do Rui Gomes da Silva ansioso na CNN para baixar as calças para o Ventura. Que escroque. Compartilhar este post Link para o post
Jpa Publicado 7 Março 2024 Citação de Ticampos, há 8 horas: A última sondagem do Público/RTP/Católica sai quando? Compartilhar este post Link para o post
smashing_pumpkin Publicado 7 Março 2024 (editado) Citação de Ed, há 18 horas: Isto, e é a única forma de elegerem alguém. Mas hoje saiu uma sondagem no JM-Madeira que dá 3 PSD, 2 PS, 1 Chega. Se isto acontecer, depois das trapalhadas do PSD regional, com casos e casões, é importar os psicólogos todos destes país para aqui de modo a estudar esta república das bananas. A sondagem de hoje do dnmadeira dá vitória grande(mais de 40%) ao PSD cá. Acho que chegámos a um ponto em que é apenas utópico e desanimador ter esperança que esta ilha mude. Vai ser até não restar nada que se salve. Editado 7 Março 2024 por smashing_pumpkin Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 7 Março 2024 Citação de Descartes, há 19 horas: Também devo escolher a RTP. Por exclusão de partes. Para ver o Penim todo excitadão a usar a parede mágica basta-me ver o best-off no programa do RAP. Passar a noite a ouvir o Bugalho e o Jonet era coisa para ter de meter 3 dias de baixa para recuperar. O mesmo se passa se tiver de ouvir o Calafate e o Paixão Martins. E embora não me desagradasse passar a noite a olhar para a Sara Pinto e a Mafalda Anjos, é à política que se deve destinar essa noite. Resta a RTP. Que até tem algumas vantagens. Por exemplo, ouvir o Rodrigues dos Santos a anunciar o novo Primeiro-Ministro com o mesmo entusiasmo que nos informa que "Morreram Todos!". E as saudades que já tenho de ver o Adelino Faria a moderar uma mesa de comentadores. Eu não sou fã do JRS, mas é mesmo uma questão de hábito. Adicionalmente, gosto muito de ouvir o senhor da Católica a falar das projecções. Ainda não apareceu, em nenhum canal, nenhum melho do que ele. De qualquer forma, acompanhei a noite eleitoral dos Açores na RTP 3 (pq era o único canal a acompanhar em permanência, salvo erro) e não gostei nada. Havia comentadores que pareciam bêbados. Compartilhar este post Link para o post
HappyKing Publicado 7 Março 2024 De qualquer das formas que alternativas restam? Ouvir o Bugalho, o Ferrão, a Avillez ou a Ângela Silva na SIC? Ou o Miguel Relvas na TVI? Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 7 Março 2024 (editado) Citação de HappyKing, há 1 minuto: De qualquer das formas que alternativas restam? Ouvir o Bugalho, o Ferrão, a Avillez ou a Ângela Silva na SIC? Ou o Miguel Relvas na TVI? CMPT. Podes ter a certeza que vou acompanhar por aqui. edit: por aqui e por aquele site que diz os resultados em direto com mapa interactivo Editado 7 Março 2024 por Mica Compartilhar este post Link para o post
HappyKing Publicado 7 Março 2024 Citação de Mica, Agora: CMPT. Podes ter a certeza que vou acompanhar por aqui. Sim, também. Eu digo em termos de televisões. Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 7 Março 2024 Citação de HappyKing, há 1 minuto: Sim, também. Eu digo em termos de televisões. Pois, era aí que queria chegar: por nenhuma. 2 Compartilhar este post Link para o post
Ed Publicado 7 Março 2024 Citação de smashing_pumpkin , há 55 minutos: A sondagem de hoje do dnmadeira dá vitória grande(mais de 40%) ao PSD cá. Acho que chegámos a um ponto em que é apenas utópico e desanimador ter esperança que esta ilha mude. Vai ser até não restar nada que se salve. Também vi isso hoje, e não sei o que dizer. A realidade é que estamos enclausurados num clima de medo, a larga maioria do povo está refém do governo ou do universo envolve o mesmo, os chamados grupos económicos, ou os donos disto tudo, AFA, Pestana, Sousa. Isto não é de agora, analisando o percurso político da Madeira é uma região que foi governada pelos mesmo desde que passou a ser uma Região Autónoma, e é um clima que começou a ser cultivado pelo AJJ e PSD ao qual se mantém aos dias de hoje. A receita é simples, arranjas um inimigo externo e passamos a culpá-lo de tudo. Aqui é o "continente", o que consequente sobra para o PS. Ao fazer isso cria o tal clima de medo em relação à mudança. E podemos voltar ao início deste ano e com a mega-operação. O povo sentiu que era uma cabala do "continente" contra a Madeira. Depois houve o medo de os grandes senhores ficarem em prisão preventiva e o que aconteceria às empresas do grupo AFA, o que levou logo a pensar que iam ser despedidos, que viria uma crise aí, etc. Há ainda o problema da insularidade, e a falta de cultura crítica, tal foi fomentado pelo já mencionado AJJ durante 40 anos. O problema na insularidade prende-se no aspeto da exportação de crânios, digamos, a maioria dos jovens quando tem pela frente o ensino superior não tem grande alternativa a não ser a saída para o continente, a Universidade da Madeira a nível académico não é das melhor, e para ser sincero falta uma comunidade académica, o que depois leva a muitos a não regressarem. A realidade é que ainda tens, em muito, a mentalidade se queres fazer alguma coisa, ou ser alguém, é preciso ser do partido, e isso mostra-se. 1 Compartilhar este post Link para o post
hugoooo_17 Publicado 7 Março 2024 Citação de Ticampos, há 10 horas: As mulheres vão pender para o ps, be e para o pan, enquanto que os mais jovens, sendo zona norte, para o chega. Mas isto vai ficar uma diferença mínima... nunca a ad tem mais 6% que o ps. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 7 Março 2024 Citação Mudam-se os tempos e os votos: Setúbal pode preferir o Chega ao PCP De Almada a Sines, todo do distrito já foi pintado de vermelho. Os comunistas foram perdendo influência, mas a esquerda manteve-se firme. A tradição irá manter-se nestas eleições ou o Chega vai ser responsável pela guinada do círculo eleitoral que vai eleger 19 deputados? As razões de uns e de outros para o que pode acontecer a 10 de março “Vivemos num país democrático e só vota no Chega quem quer!” A política é tema de conversa entre as duas mulheres que atravessam rapidamente o parque no jogging matinal. Vota quem quer e as sondagens dizem que podem vir a ser muitos. Até no distrito de Setúbal, terra de tradições de esquerda, onde o PCP já dominou e, no pós-25 de Abril, liderava as 13 autarquias do distrito. Mudaram-se os tempos e os votos. Vários estudos colocam o Chega como a segunda força política no distrito, quase a par do PS, relegando a CDU quase para o fim da tabela numas legislativas em que o círculo elege mais um deputado – passa de 18 para 19. É precisamente com o país democrático que os apoiantes do Chega argumentam para recusar classificações de partido extremista. “Quem diz isso não sabe que a Constituição proíbe partidos de extrema-direita. E o Chega foi aprovado pelo Tribunal Constitucional" - as palavras são do setubalense Pedro Oliveira, 50 anos, que nas legislativas de 2022 já votou Chega e que está “disponível para arriscar” para haver mudanças efetivas. Ao nível dos impostos, do combate à corrupção, na saúde, na imigração… e para que o dinheiro da “bazuca” não seja “aproveitado para propaganda política e não para fazer crescer o país”. É também na democracia que António Manuel (nome fictício), 50 anos, empresário de Almada, pega para apontar baterias à esquerda e justificar o porquê de não querer dar a cara. “Parece que não vivemos num país democrático, com liberdade. Este movimento de esquerda criou um sistema social fraturante de tal maneira que quem pensa 50% fora dessa linha é de extrema-direita.” As críticas continuam: “A esquerda é refém de poderes instituídos, pior que no tempo de Salazar, segue uma linha de pensamento que só tem interesse económico.” António Manuel, que antes votava CDS, identifica-se com os valores do Chega e começa por criticar o revisionismo histórico com vista a branquear alguns factos. “Tenho orgulho na história de Portugal e isso não é ser nacionalista ou extremista.” Muito menos xenófobo ou racista, acrescenta. Diz o empresário que a política de imigração não pode passar pela criação de guetos, que é isso que pode acontecer com a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). “Portugal precisa de imigrantes como de pão para a boca, mas uma imigração com dignidade.” Esse é também o discurso de Pedro Oliveira ao recusar a atribuição do epíteto racista/xenófobo ao partido e que garante ter entre os seus três melhores amigos um cigano, um africano e um imigrante romeno. RACISMO SUBTIL NO PARLAMENTO Há quem tenha vivenciado experiências contrárias. E não foi num local comum, foi dentro da Casa da Democracia. A cor da pele da deputada socialista Romualda Fernandes, eleita por Lisboa, mas a viver no Seixal há 40 anos, já foi motivo de piadas racistas de dois deputados do Chega nos corredores do Parlamento – “não de forma primária e direta, mas subtil”. Conta como foi: “Por duas vezes, passaram por mim e disseram boa noite, em vez de bom dia.” Reagiu normalmente. “Respondi: ‘Compreendo que o senhor deputado tenha passado a noite sem dormir e não deu conta de que já é de dia’.” Episódios que a deputada de origem guineense (não integra as listas às legislativas de 10 de março) considera uma tremenda falta de consideração e que não dignificam a posição ocupada pelas pessoas que os suscitam. Mesmo que na bancada do Chega também se sente um parlamentar de origem moçambicana, Gabriel Mithá Ribeiro. O mesmo que afirmou não ter sido eleito vice-presidente da Assembleia da República por uma “questão racial”. A viver na Margem Sul há quatro décadas, a jurista Romualda Fernandes encontra explicações para a ascensão do partido de André Ventura no círculo de Setúbal: “É preciso recordar que este distrito também acolheu muita gente que veio das ex-colónias. Acredito que havia na sociedade portuguesa algum racismo subjacente, que não foi desconstruído, e que se optou pelo politicamente correto. Partidos como o Chega avivam e trazem à superfície esses preconceitos que estavam recalcados.” A tarde de domingo está soalheira e a concelhia do Chega de Setúbal anda pelas docas a tentar convencer eleitores. A militante Sofia (nome do meio porque não diz o primeiro nem o último), 43 anos, participa na ação de campanha e vai logo afirmando que o país precisa da ideologia do Chega. Não espera por perguntas. “E olhe que sou filha de retornados de Angola que vieram de lá sem nada.” As palavras saem de rajada: “Não me considero de modo nenhum racista, vivo paredes meias com o bairro da Bela Vista, tenho amigos negros e ciganos. Só chama extremista ao partido quem não conhece o verdadeiro Chega. Sou a favor do aborto e da eutanásia. Não é por isso que deixo de ser Chega.” A funcionária de uma cadeia de supermercados continua o discurso contra a subsidiodependência, (“metade a trabalhar para os outros”),contra a corrupção (“é preciso parar com isto de uma vez por todas”) e a imigração descontrolada (“não precisamos de receber imigrantes de qualquer maneira e feitio. Também somos um país de emigrantes e vivemos com regras”). Várias associações que apoiam as comunidades imigrantes na região disseram ao Expresso que se limitam a falar da importância do voto, sem referências a partidos, apesar de algumas preocupações com o discurso securitário relacionado com a imigração. Cyntia de Paula é a presidente da Casa do Brasil em Lisboa, mas extrapola a sua apreensão para a região de Setúbal, onde vive a terceira maior comunidade de brasileiros do país, com grande expressão no concelho de Almada. “O reforço de estereótipos está na base do racismo e da xenofobia. Não tínhamos em eleições anteriores a mensagem a que assistimos agora, de apontar a pessoa migrante como um problema. Sobretudo quando as estatísticas contrariam isso, quer no trabalho, quer na segurança. É fácil culpar quem já é fragilizado”. E faz questão de sublinhar que esta retórica “muito preocupante” é usada não só pelo Chega, mas também pela AD. INDÚSTRIA PERDEU PESO E INFLUÊNCIA DO PCP Historicamente, o distrito de Setúbal deu uma guinada à direita na segunda maioria absoluta de Cavaco Silva, em 1991, mas corrigiria a trajetória à esquerda com os socialistas, mantendo o PCP logo atrás. Em 2019, no primeiro ano que André Ventura se apresentou ao eleitorado – e foi eleito o único deputado do Chega – a votação no círculo de Setúbal não chegou aos 2%,com menos de oito mil votos. A coligação PCP/PEV ainda mantinha o segundo lugar, com quase 16% das preferências (62 mil votos). Naturalmente, o distrito de tradições comunistas acompanhou o crescimento nacional do Chega nas eleições de 2022 – os comunistas só alcançaram pouco mais de 4000 votos do que o Chega. Algumas sondagens relegam agora o partido de Paulo Raimundo para 7º lugar no distrito e colocam o Chega em segundo lugar. O que poderá justificar este fenómeno? Para alguns, a mesma cultura de protesto que dava os votos ao PCP. Mas também o facto de a região ter perdido o forte peso industrial, onde as comissões de trabalhadores e sindicatos, ligados ao PCP, tinham grande influência. António Sousa Pereira, diretor do jornal Rostos, do Barreiro, conhece bem esta realidade e aponta exatamente a desindustrialização por ser uma das razões desta quebra. Mas também o facto da maioria das câmaras terem sido lideradas pelo PCP – “logo a culpa do que está mal é dos comunistas”. A estes fatores, soma “o descontentamento e a falta de emprego na região, onde só há uma grande empresa, a Auto Europa.” O politólogo Adelino Maltez considera, por seu lado, que não existem partidos fortemente ideológicos em Portugal. Logo André Ventura pode apanhar tudo. “Quem vota Chega é um eleitorado suburbano que votava PCP. Mas não acredito que os resultados do PCP venham a ser aquilo que as sondagens definem, por causa da Intersindical", diz ao Expresso. Já Donizete Rodrigues, professor de Sociologia da Religião aponta para uma “significativa mudança na composição demográfica e religiosa da população”. E o que diz o próprio PCP sobre esta transformação política? “As razões para este crescimento do Chega são várias, mas podemos dizer que a principal radica na desesperança e descontentamento com as promessas não cumpridas por diferentes ministros dos governos do PS, PSD e CDS que, com a sua ação ao longo de mais de quatro décadas, são responsáveis pela atual situação e problemas com que os portugueses se confrontam”, afirma Eduardo Vieira, da comissão política do PCP de Setúbal e membro do Comité Central. E acrescenta: “Os resultados da CDU são influenciados por diversos fatores, nomeadamente uma enorme campanha ideológica nos planos nacional e internacional contra as forças progressistas e amantes da paz, que em Portugal tem como alvo principal o PCP, deturpando as nossas posições, ocultando as nossas propostas, visando estimular o preconceito anti-comunista e a promoção de forças políticas reacionárias e populistas como é o Chega.” Também o PS e a AD de Setúbal desvalorizam o crescimento do Chega. Mendonça Mendes, líder da Federação do PS de Setúbal, não vê razões para que se mudasse a rota durante a campanha eleitoral – “Era o que faltava!”. E apesar de não dar como adquirido que o partido de Ventura venha a alcançar os resultados que as sondagens antecipam, está convencido que a forma como as pessoas expressam a intenção de votar no Chega tem a ver com “o cansaço e o descontentamento” resultantes de uma pandemia, da inflação e da subida das taxas de juro. Já a coligação PSD/CDS prefere ignorar o Chega: “A AD Setúbal só tem um adversário – o PS. Nestas eleições só há duas alternativas, a AD e o PS e só a AD pode garantir a mudança que o país precisa", foi a única resposta que o Expresso conseguiu. Enquanto os partidos de esquerda e até a Iniciativa Liberal já passaram pelo distrito de Setúbal, alguns até várias vezes. Mas a AD só tem passagem por Setúbal no último dia de campanha. Já o Chega tem um jantar esta quinta-feira em Santiago do Cacém e um almoço na sexta na Costa da Caparica. O líder do PSD, Luís Montenegro, mantém a recusa de se aliar a André Ventura para garantir uma maioria de direita, mas os apoiantes do Chega discordam da narrativa. Como Pedro Oliveira: “Se vivemos em democracia, temos que respeitar a vontade da maioria. Não sei se o PSD pode querer dois partidos mortos e excluir um partido que está a ganhar força.” Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 7 Março 2024 Citação de HappyKing, há 1 hora: De qualquer das formas que alternativas restam? Ouvir o Bugalho, o Ferrão, a Avillez ou a Ângela Silva na SIC? Ou o Miguel Relvas na TVI? Eu sincermente nem sei quem vai estar em cada um dos canais, ainda. Compartilhar este post Link para o post
F_Tex Publicado 7 Março 2024 Citação de HappyKing, há 1 hora: De qualquer das formas que alternativas restam? Ouvir o Bugalho, o Ferrão, a Avillez ou a Ângela Silva na SIC? Ou o Miguel Relvas na TVI? estádio da luz, numa roulotte qualquer no alto dos moinhos 1 Compartilhar este post Link para o post
Lifehouse Publicado 7 Março 2024 O PNS levou aquilo do Ricardo um bocadinho a sério, não? Compartilhar este post Link para o post
Apocalypse Now Publicado 7 Março 2024 a boca à divida da sic foi boa não achei que estivesse mal Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 7 Março 2024 Citação de Lifehouse, há 26 minutos: O PNS levou aquilo do Ricardo um bocadinho a sério, não? o que o RAP pensava que um dia o Ventura fosse fazer, fez o PNS Citação de Apocalypse Now, há 3 minutos: a boca à divida da sic foi boa quando o PNS falar de dívidas é só dizer que não pagam e que até lhes tremem as pernas. Compartilhar este post Link para o post
Pavel Publicado 7 Março 2024 foi agressivo mas também não acho que tenha estado mal de todo, foi fixe 1 Compartilhar este post Link para o post
Robe Publicado 7 Março 2024 Estava muito nervoso para o tipo de programa que é. Mas é a imagem dele, tbh Compartilhar este post Link para o post
Shai Publicado 7 Março 2024 A Mortágua gostar do Piruka e jogar CoD não estava de todo no meu bingo. Compartilhar este post Link para o post