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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Carson Wentz, há 10 minutos:

Isso é do amianto nas coberturas em Coimbra B não é? Ligar o esquentador, f*da-se! Estamos no mar, é dar banho à minhoca crl!

Dar banho à minhoca é apenas para ir ao mar, pah.

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Citação de Tibraco, há 7 minutos:

Engraçado que a tua posição sobre a imigração e a correlação da mesma com o aumento do preço das casas continua um mistério.

Portanto, tu achas que há um aumento de população estrangeira mas só de surfistas. Surfistas esse que vivem no mar, não inflacionam o preço das casas e, por conseguinte, desmonta toda a minha teoria. É esse o teu grande contra-argumento? LOL

Então continua a discutir as burkas, faz o que quiseres. Eu é que te estava a chamar para te juntares ao "pessoal da direita" mas, mais uma vez, ficas do outro lado da barricada.

O problema é puxar para a extrema-direita.

 

Aliás, desculpa, extreminha-direita porque tal como no vosso partido vocês nem a decência têm de se assumir como são e usam sempre o argumento de não poder se racista, xenófobo e misógino porque até têm uma amiga preta que veio do Brasil.

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Estes zés sentem os choques culturais como se fossem choques electricos. Há raça mais comninhas que essa?

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Citação de bug, há 10 minutos:

Referes-te a isto certo? "Será que esse possível "aumento da sensação de insegurança" está mais baseado em dados estatísticamente relevantes, ou será que acaba por ser mais influenciado por discursos anti-imigração por parte de demagogos e manchetes sensacionalistas?"

Mais atrás já disse que existe aproveitamento político de ambos os lados da barricada. Não tenho dados estatísticos, mas seria interessado fazer um inquérito na rua à população sobe este tema. 

O que sei é de situações particulares e isso ninguém me contou ou li no twitter. 4 manos correrem atrás de 1 mulher cria um clima de insegurança e não é propriamente um crime.

Era esta questão: "Se não existirem crimes, porque se haveriam de se sentir mais inseguras? Por puro preconceito e manipulação da opinião pública, certo?", mas essa é equivalente.

Dizes que não tens dados estatísticos, mas basta procurares um pouco e verificas que não há aumento da criminalidade associado à imigração. Esse mito já foi desmentido umas quantas vezes.

Como já te disseram, esses casos que conheces ou que leste no twitter não sao relevantes estatisticamente (mesmo que tenham de facto ocorrido), por isso não podes generalizar e dizer que existe maior sentimento de insegurança. 

Eu sinceramente só vejo aproveitamento politico e até invenção de crimes cometidos por imigrantes (sim, já aconteceu), pelo partido CHEGA, ou pelos grupos de extrema direita. Talvez devas ter mais cuidado nas fontes que consultas...

Editado por Rajnack

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Citação de bug, há 2 minutos:

Foi o primeiro link que encontrei.

Artigo 7.º
Condições de utilização

1 - Todos os/as utentes obrigam-se a respeitar as regras instituídas, devendo ter comportamento e higiene próprias de qualquer lugar público, cumprindo ainda as normas constantes no presente documento, designadamente:

1.1. Só é permitido o acesso à zona dos tanques das piscinas a pessoas equipadas com vestuário de banho (fato de banho ou calções específicos para a prática da natação, touca e chinelos), sendo proibido o uso de trajes e calçado de rua nas zonas de banho, exceto se corretamente protegidos;

https://piscina.cm-oaz.pt/?op=artigo&mn=568&id=1889

 

Presumo que nas outras Câmaras Municipais seja mais ou menos semelhante.

Este gajo foi mesmo buscar o regulamento de piscinas de natação 

 

Ai cum crl que eu não aguento de tanto rir socorrooooooooo

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Citação de bug, há 10 minutos:

Podes lançar os dados do INE de quantos portugueses mijam na água?

Tu consegues explicar-me, sinceramente, como é possível fazer um estudo sobre a arte de urinar na água? A única variável que se pode controlar consiste nos casos que são apanhados. Ora, para isso alguém teria de andar a espiar as pilinhas e os pipis alheios na praia...

... o que ironicamente é outra prática bem portuguesa. Quem tiver frequentado a Fonte da Telha nos anos 90s e 2000s lembra-se dos famigerados "mirones", munidos de binóculos no topo da ravina para espiar as moçoilas.

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Pessoal, é assim. Agradeço a vossa atenção e carinho mas vou ter que me ausentar.

Não tenho consulta às 17h, mas este corpinho não se alimenta sozinho.

O @Tibraco fica a assegurar o meu turno.

Até logo.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 1 minuto:

Com acesso a um sem número de dados, desde a compreensão de fluxo migratórios, dados das forças de segurança, de serviços de saúde, de inspeções laborais, de habitação, de serviços administrativos etc.

Com uso de fórmulas, estimativas baseadas na informação recolhida, margens de erro e por aí fora, como qualquer trabalho estatístico.

 

Deixo-te o exemplo do estudo do projecto MirreM sobre imigração a nível europeu: https://www.publico.pt/2024/10/12/sociedade/noticia/numero-imigrantes-ilegais-europa-ha-16-anos-representa-menos-1-populacao-2107681

O estudo está aqui: https://irregularmigration.eu/wp-content/uploads/2024/10/MIRREM-Kierans-and-Vargas-Silva-2024-Irregular-Migrant-Population-in-Europe-v1.pdf
E podes encontrar mais infos sobre a base de dados deles aqui: https://zenodo.org/records/13856861

 

Os estudos são um bom ponto de partida e as "percepções" são um mau ponto de partida precisamente porque, estatisticamente, são pouco representativas e não respondem a método cientifico de qualquer tipo. Saíste à rua e viste mais pombas do que no dia anterior. E quê? Tu é que ignoras contexto, não são os estudos.

 

Como gajo de esquerda: onde é que ideias de direita são necessariamente críticas de imigração - seja ela legal ou ilegal? Tanto a Social Democracia como a Democracia Cristã têm, na sua origem, ideias compactuantes com o acolhimento e integração dos mais necessitados.

Então, vamos lá ver. Os dados dizem que a imigração ilegal é a mesma de há 16 anos. Ou seja, toda a conversa da imigração descontrolada, ilegal, não faz sentido para ti? Mesmo que vejas que existem cada vez menos casas disponiveis, mesmo que se saiba dos tais 10 nepaleses a dividirem um quarto? As nossas percepções não vale nada, temos de engolir os dados dos estudos, é isso?

 

A Direita, de modo geral, defende um controlo da Imigração. A Esquerda defende que deveremos receber todos. E o "acolhimento e integração dos mais necessitados" tem muito que se lhe diga. Porque essa teoria abre, precisamente, a porta a todos. Basta termos um conceito de "necessitado" bastante lato.

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Citação de bug, há 2 minutos:

Pessoal, é assim. Agradeço a vossa atenção e carinho mas vou ter que me ausentar.

Não tenho consulta às 17h, mas este corpinho não se alimenta sozinho.

O @Tibraco fica a assegurar o meu turno.

Até logo.

Não posso, amigo. Também tenho de trabalhar um bocado.

Tchau aí malta. Peço desculpa ao Perep e ao Carson, usaram bons argumentos e de forma educada. Fossem todos como vocês. Abraço

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Citação de André Sousa, há 11 horas:

É, como se a manipulação de dados estatísticos não existisse...

Ainda assim, quando procuro por dados estatísticos, o que me aparece é:

https://www.publico.pt/2024/03/31/sociedade/noticia/criminalidade-atinge-2023-valor-elevado-10-anos-2085387

 

No fundo os dados são manipulados, salvo quando dizem o que pensas. Obrigado por confirmares o meu ponto. 🙂 

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Citação de bug, há 1 minuto:

Sabes que na Arábia Saudita as mulheres, mesmo que estrangeiras, podem ser presas de não adoptarem certos costumes?

Obviamente que não estou a defender que devam prender em Portugal pessoas desses países. O que estou a querer dizer é que é normal que nos sintamos desconfortáveis com estes hábitos porque não os temos cá. Daí o choque cultural.

Eu não disse que é ilegal usar burka. Disse que causa desconforto a quem cá habita (não a todos).

Felizmente não estamos na Arábia Saudita, estamos em Portugal, portanto não nos regemos pelas suas leis e não faz grande sentido puxá-las para a conversa.

Eu sei que causa estranheza, não é algo que estejamos habituados a ver. Mas porque haveria de deixar alguém desconfortável? É precisamente esse o meu ponto. Tu próprio já disseste que em Portugal "as pessoas são livres para se vestirem como quiserem" e que não há opressão por isso. Então porque ficas desconfortável ao ponto de achares que não o devem fazer?

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Usar um país como a Arábia Saudita para expor ideias sobre liberdades e, sobretudo, sobre as mulheres é genial. A cereja no topo do bolo, diria.

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Citação de bug, há 9 minutos:

Pessoal, é assim. Agradeço a vossa atenção e carinho mas vou ter que me ausentar.

Não tenho consulta às 17h, mas este corpinho não se alimenta sozinho.

O @Tibraco fica a assegurar o meu turno.

Até logo.

Por favor, por favor, antes de ires diz-me só se as muçulmanas que tu ou os teus amigos ou lá o que é viram de burka nas piscinas de natação estavam a praticar bruços, crawl, mariposa...

Era individual ou estafetas?

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Citação de Tibraco, Agora:

Então, vamos lá ver. Os dados dizem que a imigração ilegal é a mesma de há 16 anos. Ou seja, toda a conversa da imigração descontrolada, ilegal, não faz sentido para ti? Mesmo que vejas que existem cada vez menos casas disponiveis, mesmo que se saiba dos tais 10 nepaleses a dividirem um quarto? As nossas percepções não vale nada, temos de engolir os dados dos estudos, é isso?

 

A Direita, de modo geral, defende um controlo da Imigração. A Esquerda defende que deveremos receber todos. E o "acolhimento e integração dos mais necessitados" tem muito que se lhe diga. Porque essa teoria abre, precisamente, a porta a todos. Basta termos um conceito de "necessitado" bastante lato.

Sim, a conversa da imigração descontrolada não faz sentido para mim.

Não, não faço qualquer correlação entre a imigração e os problemas habitacionais, que estarão muito mais relacionados com a degradação do parque habitacional, a ausência de resposta pública e até da perda de poder de compra do que com a existência de mais pessoas no país (em 2012 os Censos estimavam 10 487 289 pessoas no país e, em 2021, 10 467 366 pessoas).

As nossas percepções valem o que valem, não faz sentido é ignorarmos dados de estudos devidamente comprovados só porque a nossa SENSAÇÃO diz algo diferente.

 

As tuas ideias de Direita e Esquerda são completamente redutoras. Controlo de Imigração é defendido em todos os sectores, mesmo que de formas distintas. A Esquerda mais à esquerda mesmo também o defende, em benefício do imigrante - já que o ilegal tende a ser muito mais explorado e explorável.

Controlo de imigração não é contrário à ideia de acolhimento e integração. O aumento da suspeita vem de um só sítio: a extrema direita populista, que viu (como sempre) no mais fraco um alvo. Alimentou a ideia, empolou casos, forçou percepções (eles comem cães e gatos!) e deixou o resto acontecer.

Como gajo de Esquerda volto a dizer, nem toda a Direita vê na imigração algo problemático. E ainda bem.

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Citação de bug, há 20 minutos:

Referes-te a isto certo? "Será que esse possível "aumento da sensação de insegurança" está mais baseado em dados estatísticamente relevantes, ou será que acaba por ser mais influenciado por discursos anti-imigração por parte de demagogos e manchetes sensacionalistas?"

Mais atrás já disse que existe aproveitamento político de ambos os lados da barricada. Não tenho dados estatísticos, mas seria interessante fazer um inquérito na rua à população sobe este tema. 

O que sei é de situações particulares e isso ninguém me contou ou li no twitter. 4 manos correrem atrás de 1 mulher cria um clima de insegurança e não é propriamente um crime.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/sentimento-de-inseguranca-no-porto-e-contrariado-por-dados-oficiais_a1569888

https://expresso.pt/sociedade/2024-02-29-Sentimento-de-inseguranca-caiu-na-ultima-decada-a9c220c7

https://www.publico.pt/2024/07/15/local/noticia/norma-percepcao-inseguranca-nao-acompanha-numeros-criminalidade-2097536

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Citação de Tibraco, há 11 minutos:

 As nossas percepções não vale nada, temos de engolir os dados dos estudos, é isso?

bem vindo à Flat Earth amigo 🙏

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Citação de Tibraco, há 1 hora:

 

Este user, que eu nem o vou apelidar, tentou ser engraçado mas deu a resposta certa. Eu adorava saber como é que a malta sabe a quantidade de imigrantes ilegais que existem em Portugal. 

oh 😞

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Citação de Tibraco, há 13 minutos:

Então, vamos lá ver. Os dados dizem que a imigração ilegal é a mesma de há 16 anos. Ou seja, toda a conversa da imigração descontrolada, ilegal, não faz sentido para ti? Mesmo que vejas que existem cada vez menos casas disponiveis, mesmo que se saiba dos tais 10 nepaleses a dividirem um quarto? As nossas percepções não vale nada, temos de engolir os dados dos estudos, é isso?

 

A Direita, de modo geral, defende um controlo da Imigração. A Esquerda defende que deveremos receber todos. E o "acolhimento e integração dos mais necessitados" tem muito que se lhe diga. Porque essa teoria abre, precisamente, a porta a todos. Basta termos um conceito de "necessitado" bastante lato.

Mas isto é mesmo uma questão séria ? Qual é a dúvida ?

 

 

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Este tópico está a consumir demasiado tempo do meu horário laboral.

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Citação de Shai, há 9 minutos:

Este tópico está a consumir demasiado tempo do meu horário laboral.

Não pode ser, há que continuar a labutar, senão depois quem é que financia a substituição populacional?

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Citação de Shai, há 9 minutos:

Este tópico está a consumir demasiado tempo do meu horário laboral.

Fica com esta foto de uma capivara a confraternizar com outros animais completamente diferentes. E, por incrível que pareça, até faz sentido neste tema

51

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o silvares que aumente o limite que cheguei aqui tinha 15 paginas pra ler e ainda faltam 5  

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Uma tarde tranquila no Bairro do Zambujal • Luhuna Carvalho

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Cheguei ao Bairro do Zambujal com alguns amigos, a tempo de acompanhar a marcha que passava em frente à casa de Odair Moniz e dos seus familiares. Eram momentos de uma tristeza imensa. Alguém importante para toda aquela gente, para toda aquela comunidade, não iria voltar. Não por seu desejo, não por sua culpa, não por doença, não por acidente, apenas por ter estado no local errado à hora errada, sendo esse local errado a mira da arma de um agente da PSP demasiado assustado com o mundo para conseguir exercer conscientemente o poder mortal que lhe tinha sido confiado.

Parte de cada funeral, de cada vigília, de cada luto, é o encontro com aqueles com quem partilhamos a perda. Este não era diferente. Algumas pessoas choravam ao mesmo tempo que algumas crianças brincavam. Sem contraste nem dicotomia, apenas parte desse modo de estar juntos em que celebrar a vida dos que partiram preenche a amplitude da vida dos que ficaram.

A marcha ia caminhando pelo bairro. Muitas mulheres de várias idades, alguns homens, uma mão cheia de activistas de outros locais. Numa avenida pedonal circulou um megafone. Falou-se de justiça, de racismo, de uma polícia que era trazida de longe para infligir violência no bairro. Exigiu-se o fim ao «aperto na barriga que todas as mães sentem quando os seus filhos negros ou ciganos saem de casa» por não saberem se não é nesse dia que um polícia de 20 anos que nunca saiu da sua terriola decide que é ele o Cowboy de serviço na Amadora.

Raiva, muita raiva, mas uma raiva contida, porque não foi a primeira vez nem será a última. Ao longe bastante polícia. No sentido contrário, no final do quarteirão, na esquina do café, vários jovens, alguns já de cara tapada, deixam o tempo passar. De onde em onde vão buscar um contentor do lixo, ou arrancam um sinal de trânsito, ou explodem um petardo. Aguardam pela noite, reunindo elementos para uma barricada. Muitos são ainda crianças.

Saltam e pulam gritando «vingança, vingança!». Um miúdo já maior, de cara tapada, empurra um contentor até onde a polícia o pode ver e grita «ch*pa aqui ó bófias do crl» enquanto segura os seus genitais. Pouco depois vem uma senhora à janela que o chama pelo nome para voltar para casa. Mal sabe ele que incorreu no crime de injúria à autoridade e que pôs em causa a ordem pública.

As pessoas da concentração e os jovens parecem constituir mundos diferentes. Pouco falam. Os jovens irão armar uma enorme confusão e ninguém os poderá impedir. Mas ao mesmo tempo há uma certa familiaridade presente. A situação contém algo de trágico, que não se esgota ali. Todos eles terão de continuar a lidar com o que há de violento e brutal no modo como Odair morreu, quando já nada disto aparecer nas notícias.

A tarde vai fazendo o seu caminho. Passam táxis, autocarros, pessoas a regressar do trabalho e da escola, pais com crianças. Numa esquina, alguns homens da Ásia do Sul fazem obras na entrada da sua mercearia, aparentemente indiferentes à situação que se aproxima. Dir-se-ia ser um dia normal num bairro tranquilo, não fosse o aparato policial numa ponta da rua e um motim em preparação na outra. Mas nem isso parece perturbar as pessoas. Ninguém corre, ninguém foge, apesar de toda a gente saber o que vai acontecer. A calma chega a ser sedutora, e à medida que vamos conhecendo as pessoas que nos vêm perguntar quem somos e o que andamos ali a fazer, quase nos esquecemos do que ali aconteceu, do que ali estamos a fazer. Podia ser apenas uma tarde bem passada a conhecer pessoas. Estamos, de certo modo, sozinhos no bairro. Não conhecemos ninguém, não temos nenhum contacto. E ainda assim nenhuma hostilidade. Toda a gente se apressa a falar amigavelmente connosco.

Explicam-nos que não acreditam na versão da polícia, que desmantelam de mil maneiras: «Onde estava a faca então? Se houvesse faca já a tinham mostrado»; «Isso são polícias do Norte que vêm para aqui para nos matar»; «Ele estava bêbado e tinha tido um acidente, como é que era uma ameaça?»; «o mais provável é que já lhe tivessem dado o tiro antes do carro bater no muro»; «Então porque é que se houve uma voz do oficial da PSP a dizer que que não havia necessidade?»

As opiniões repetem-se. Um homem cigano que tem uma banca em Benfica conta de um tio seu que morreu num tiroteio com a polícia, mas esse era bandido a sério, e quem vive pela espada morre pela espada. Todos concordam, que sim, que se ele fosse bandido a sério, amigo ou não, estaria a jogar um jogo onde estas coisas acontecem, mas que Odair era um tipo tranquilo, pacífico, inocente. Nada justifica os dois tiros que levou. Um outro homem, segurando um pitbull, pergunta se somos da CMTV. Explicamos que não e vamos falando, conta-nos dos seus programas de informais de assistência social, termina a conversa dizendo que aqui na Amadora são eles os Palestinianos. As pessoas vão-se juntando e afastando da conversa conforme a tarde vai passando.

O sol desaparece por trás dos edifícios. Toda a gente sabe o que vai acontecer. «Os putos não têm juízo» todos concordam, «mas eles têm razão, isto não podia ser assim». Escutamos várias versões disto ao longo do dia, como se as pessoas conversassem consigo mesmas. Por um lado, têm consciência que os motins que se avizinham serão perigosos e destrutivos, mas por outro também sentem um ultraje a que nenhum político ou comentador saberá alguma vez responder. Sabem que no dia seguinte serão crucificados nas televisões por uma dúzia de cabeças falantes que projectarão naqueles quarteirões os filmes americanos e brasileiros que viram na Netflix, falando de traficantes de droga e de gangues que reinam sobre o bairro com uma mão de ferro, mas também sabem que é precisamente por isso que tantos daqueles jovens passarão as próximas horas a queimar tudo a que conseguirem deitar mão. Portugal inteiro tem uma palavra a dizer sobre as suas vidas sem nunca ter passado cinco segundos perto delas.

A noite cai. Enquanto ponderamos se vamos ou se ficamos vemos no final do quarteirão um autocarro parado. As suas janelas estão a ser quebradas com calhaus da calçada. Depois chovem cocktails molotovs e o veículo começa a arder. Ao longe, várias pessoas observam o fogo atónitas e incrédulas, enfeitiçadas pelas chamas, como se o tempo tivesse parado, até que alguém grita «polícia!» e as ruas ficam imediatamente vazias.

Só paramos de correr no final da rua, já perto do túnel que dá para a Buraca. Uma torre de fumo gigante corta o azul-escuro do céu. As pessoas que estão a chegar ao bairro, vindas do comboio, aguardam ali que a situação acalme. É uma imagem estranha, que ecoa aquelas que toda a gente já viu mil vezes na televisão, mas em locais distantes do globo.

Uma jovem mulher negra, arranjada como se viesse de um emprego corporate no centro da cidade, repete o que ouvimos até então: «porra, agora ficamos sem paragem de autocarro? Mas olha, fizeram bem, estamos revoltados».

É essa a contradição em jogo: toda a gente ali aspira a ter uma vida normal, mas essa vida normal ser-lhes-á sempre negada com a mesma violência com que serão castigados por não a ter.

https://www.revistapunkto.com/2024/10/uma-tarde-tranquila-no-bairro-do.html?m=1

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