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Sumudica by Night

A vida dura dos trabalhadores de supermercado

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A malta é sempre célere a julgar, mas a verdade é que sem se conhecer a realidade de cada trabalhador não se pode compreender o porquê de se aceitar certas coisas.

 

Para uma pessoa que precise desesperadamente daquele dinheiro para pagar as suas contas, a renda de casa ou para alimentar filhos, torna-se incomportável recusar certas exigências como algumas que já foram aí descritas, sabendo-se que se corre o risco de os contratos precários (geralmente quinzenais ou mensais) não serem renovados.

 

É um risco que a maioria das pessoas não pode correr, e os patrões sabem disso, daí pressionarem e exigirem pois sabem que os trabalhadores vão ceder. Cedem o seu tempo, a sua vida e a sua dignidade se necessário for, pois precisam daquele dinheiro no fim do mês. É bonito dizer-se que só se aceita se se quiser, se não concordarem que procurem outro local, mas a maioria destes trabalhadores não se pode dar a esse risco. O que falta? Entidades que realmente fiscalize a pressão (eu chamo-lhe chantagem) exercida sobre os trabalhadores, legislação que as ajude e proteja, o fim (ou pelo menos a limitação) dos contratos precários.

 

As pessoas não são burras nem masoquistas, e não se dão a estas condições laborais por gosto. Fazem-no por necessidade. Enquanto houver margem para esta gente aplicar impunemente este tipo de pressão e falta de respeito para com os trabalhadores, isto vai continuar. A ideia de todos resistirem e combaterem individualmente estas práticas, recusando-se às exigências, é bonita, mas só funciona se houver uma verdadeira adesão e união de todos. Mas em Portugal quando se fala em sindicatos parece que se está a falar do Belzebu em pessoa :lol:

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O Estado deve ser essa entidade reguladora dos privados.

 

Tens exemplos aqui dados onde a coisa é controlada como deve ser. Nem todos os privados são o bicho papão.

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O Lidl e o Aldi possuem um know-how de recursos humanos um pouco diferente. O Lidl tem vindo a mudar aquilo que fazia aos seus trabalhadores, que era trabalho de escravo. O Aldi, pelo que sei sempre foi um empresa mais respeitadora.

De resto, Sonae e Jerónimo Martins é do pior que pode existir. Trabalhei na Sonae, numa Worten, mas via os meus colegas do Continente e coitados.

Entrei no Lidl, vai fazer agora um ano e a diferença é da noite para o dia. Pagam melhor, as chefias são mais acessiveis e tentam que exista um grande respeito entre cargos. Um dos grandes objectivos da empresa é o de melhorar a sua gestão de recursos humanos e forma como os trabalhadores se dão.

Claro que podes ter azar e ires parar a uma loja onde apanhas uma chefia da velha guarda e aí só passas o dia a rezar para ir para casa mas aos poucos essas pessoas vão desaparecendo.

De resto, as empresas Portuguesas deviam meter a mão na consciência em relação aquilo que pagam aos seus trabalhadores. 620€ para uma pessoa efectiva com tantos anos de casa é ridiculo quando tens empresas Alemãs a pagar 700€ e 800€ e secalhar com menos volume de negócio em Portugal.

O Lidl anunciou agora que todas as pessoas que entrem na empresa a partir de Abril deste ano entram logo para efectivas, deixaram de existir os contratos a termo.

Trabalhaste em que Worten?

 

Eu trabalhei na do Colombo e muitas das queixas que ouço de pessoal do Continente, também as vivi na Worten do Colombo. Mas pelo que percebi também é mais naquela Worten do que nas outras porque aquela é a maior do país e onde se exige mais e milho aos pardais.

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Lembrei-me agora de uma cena engraçada... tinha eu acabadinho de entrar a serviço, isto 16h, vira-se o chefe do armazém para mim - olha, Fred, vai lá à loja levar essa palete de água (garrafão) que aquilo está vazio, já faz um tempinho - e eu pensei, f*da-se, que raio andas tu a fazer? :funny:

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Tens exemplos aqui dados onde a coisa é controlada como deve ser. Nem todos os privados são o bicho papão.

Nem devem ter liberdade para o ser. O privado e o público podem coexistir, embora salvaguardando os direitos da população.

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As pessoas não são burras

 

Concordo com o argumento todo, é senso comum.

Mas generalizamente falando, as pessoas são burras, sim. Ou melhor, não procuram sair da ignorancia e de forçar as coisas a melhorarem como grupo. Trabalhei 5 anos num Pingo Doce e era sofrível como a prioridade das pessoas é f*der a pessoa que no dia anterior tinha deixado X trabalho por fazer ou porque não quis trocar as férias.

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Um dos melhores sítios onde trabalhei foi no Pingo Doce cá da cidade. Colegas de trabalho top, chefes top e salário acima do ordenado mínimo. Quentinho no Inverno, fresquinho no Verão, para compor a coisa. E, segundo sei, no Lidl pagam muito melhor que o ordenado mínimo.

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Concordo com o argumento todo, é senso comum.

Mas generalizamente falando, as pessoas são burras, sim. Ou melhor, não procuram sair da ignorancia e de forçar as coisas a melhorarem como grupo. Trabalhei 5 anos num Pingo Doce e era sofrível como a prioridade das pessoas é f*der a pessoa que no dia anterior tinha deixado X trabalho por fazer ou porque não quis trocar as férias.

 

 

mt vdd

 

as chefes e supervisoras, além de mal humoradas, eram burras pa cacete

 

não organizaste as faturas por ordem. não repuseste os frescos q a senhora deixou na tua caixa antes de ires embora. deixaste a caixa suja ontem. anulaste este detergente 2 vezes. quantos detergentes é q esta pessoa levava? n te lembras? então vamos ver nas camaras amanhã. então não reparaste que o preto levou mentos da tua caixa?

 

uma das melhores foi qnd perguntei se tinha direito a férias e a resposta foi um não e um afastamento de 10 metros

 

o q vale é q pagavam bem as horas extra e as férias n gozadas.

 

outra fixe foi quando vi duas clientes à porrada na minha caixa por eu ter dado prioridade a uma delas por ter uma criança ao colo (q podia andar sozinha mas prontes tinha de ceder passagem). houve sangue. eram ciganas.

 

mas a melhor de todas foi a seguinte: em julho disseram q n iam renovar o contrato, q acabava no final de agosto. Na segunda semana de agosto a chefe entrega-me o horário de setembro. mandei-a po crl nesse dia e foi uma confusão desgraçada

 

mas prontos lá comprei o meu punto

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Trabalho no Lidl fez ontem 1 ano e meio. No inicio de Outubro passado propuseram-me a subida para chefe assistente ao qual aceitei portanto muito sinceramente não me posso queixar e sei totalmente que só depende de mim e da minha força de vontade para conseguir chegar mais além.

É verdade que há dias em que simplesmente não paras, sendo tu parte da chefia, tens N coisas para fazer e o tempo por vezes escasso, mesmo como vendedor já sentia essa pressão mas logico que a responsabilidade não era a mesma, mas mesmo assim é um trabalho que se faz bem, mas tens que dar ao cabedal muitas vezes mas o melhor de tudo é que no final do mês vês que o esforço te foi compensado.

O nosso periodo de trabalho é contabilizado ao minuto. Se estas a part-time de 4h mas o teu turno de trabalho durou 4h15min, esses 15min de trabalho a mais irão-te ser pagos. Não é como a minha namorada que trabalha no Pingo Doce e sempre que faz horas a mais, essas horas vão para o banco de horas para depois serem dadas em dias de folga e não em salário. Acho isso um absurdo, isso e fazerem-na picar a hora de saida e depois ainda ter que ficar lá mais tempo a arrumar coisas e etc etc, se fosse comigo não aceitava logicamente mas ele precisa e acaba por ceder. Já pensei sinceramente em ir fazer queixa ao sindicato.

Btw, acredito nesse longo texto, até porque já ouvi alguns relatos de "escravidão" que existem em certas empresas, mas falando apenas da experiencia que tenho no Lidl posso dizer que essas coisas lá não acontecem. Não trabalhamos mais que 5h seguidas sem ter 1h de pausa e se alguem fizer 5h e 1min de trabalho já está a entrar em incumprimento o que para nós é grave. Ganhamos mais que o salario minimo e temos bonificações salariais por cada ano de casa. Temos prospectivas de evolução de carreira dependente da tua vontade e empenho e logicamente das oportunidades que surjam.

No entanto nem tudo é um mar de rosa e existem N coisas a melhorar, mas o feedback que tenho dos meus superiores é que o Lidl está a trabalhar para melhorar essas coisas e não estão parados no tempo como outros.

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Trabalho no Lidl fez ontem 1 ano e meio. No inicio de Outubro passado propuseram-me a subida para chefe assistente ao qual aceitei portanto muito sinceramente não me posso queixar e sei totalmente que só depende de mim e da minha força de vontade para conseguir chegar mais além.

É verdade que há dias em que simplesmente não paras, sendo tu parte da chefia, tens N coisas para fazer e o tempo por vezes escasso, mesmo como vendedor já sentia essa pressão mas logico que a responsabilidade não era a mesma, mas mesmo assim é um trabalho que se faz bem, mas tens que dar ao cabedal muitas vezes mas o melhor de tudo é que no final do mês vês que o esforço te foi compensado.

O nosso periodo de trabalho é contabilizado ao minuto. Se estas a part-time de 4h mas o teu turno de trabalho durou 4h15min, esses 15min de trabalho a mais irão-te ser pagos. Não é como a minha namorada que trabalha no Pingo Doce e sempre que faz horas a mais, essas horas vão para o banco de horas para depois serem dadas em dias de folga e não em salário. Acho isso um absurdo, isso e fazerem-na picar a hora de saida e depois ainda ter que ficar lá mais tempo a arrumar coisas e etc etc, se fosse comigo não aceitava logicamente mas ele precisa e acaba por ceder. Já pensei sinceramente em ir fazer queixa ao sindicato.

Btw, acredito nesse longo texto, até porque já ouvi alguns relatos de "escravidão" que existem em certas empresas, mas falando apenas da experiencia que tenho no Lidl posso dizer que essas coisas lá não acontecem. Não trabalhamos mais que 5h seguidas sem ter 1h de pausa e se alguem fizer 5h e 1min de trabalho já está a entrar em incumprimento o que para nós é grave. Ganhamos mais que o salario minimo e temos bonificações salariais por cada ano de casa. Temos prospectivas de evolução de carreira dependente da tua vontade e empenho e logicamente das oportunidades que surjam.

No entanto nem tudo é um mar de rosa e existem N coisas a melhorar, mas o feedback que tenho dos meus superiores é que o Lidl está a trabalhar para melhorar essas coisas e não estão parados no tempo como outros.

 

Às vezes bastava - olha estiveste bem, reparei que até saíste mais tarde para deixares o trabalho pronto e tal, portanto, no próximo dia podes vir mais tarde -, só que não. Em algumas empresas, parece que receber um ordenado é um luxo e, falo do mínimo, enquanto os outros (chefões) se riem de ti (dos "m*rda" ) que lutam por 500€. Mais, "lamentam" não poder aumentar os empregados(mesmo tu sabendo que a empresa teve um bom ano). No entanto o belo dos prémios nunca falta para os "chefões", esse nunca falha, cai sempre.

A maioria da malta que trabalha em Continentes, por exemplo, são apenas um número ou mercadoria e não um colaborador, um de muitos responsáveis pela riqueza daqueles que mandam. Não acho que as grandes empresas nacionais do retalho trate os seus colaboradores como deve ser, como ser humanos.

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Trabalhaste em que Worten?

 

Eu trabalhei na do Colombo e muitas das queixas que ouço de pessoal do Continente, também as vivi na Worten do Colombo. Mas pelo que percebi também é mais naquela Worten do que nas outras porque aquela é a maior do país e onde se exige mais e milho aos pardais.

 

Na Tapada, o ambiente é totalmente diferente.

 

Um dos melhores sítios onde trabalhei foi no Pingo Doce cá da cidade. Colegas de trabalho top, chefes top e salário acima do ordenado mínimo. Quentinho no Inverno, fresquinho no Verão, para compor a coisa. E, segundo sei, no Lidl pagam muito melhor que o ordenado mínimo.

 

Confirmo. Posso-te te dizer que conheço quem está na empresa desde 2012, tem horário semanal de 15hrs e recebe 440€ de base.

 

Às vezes bastava - olha estiveste bem, reparei que até saíste mais tarde para deixares o trabalho pronto e tal, portanto, no próximo dia podes vir mais tarde -, só que não. Em algumas empresas, parece que receber um ordenado é um luxo e, falo do mínimo, enquanto os outros (chefões) se riem de ti (dos "m*rda" ) que lutam por 500€. Mais, "lamentam" não poder aumentar os empregados(mesmo tu sabendo que a empresa teve um bom ano). No entanto o belo dos prémios nunca falta para os "chefões", esse nunca falha, cai sempre.

A maioria da malta que trabalha em Continentes, por exemplo, são apenas um número ou mercadoria e não um colaborador, um de muitos responsáveis pela riqueza daqueles que mandam. Não acho que as grandes empresas nacionais do retalho trate os seus colaboradores como deve ser, como ser humanos.

 

É como o Gaitan disse. O trabalho do Lidl é puxado mas és sempre reconhecido, seja monetariamente, como em termos de progressão de carreira ou mesmo uma palavra de agradecimento.

Agora eu enquanto empregado tenho muito mais predisposição em dar mais de mim a uma empresa, seja pedirem-me para fazer horas extra, safar um dia, ir a outra loja trabalhar se me reconhecerem mérito do que tratando-me como mercadoria.

Nesse aspecto, tanto Lidl como Aldi são empresas mais modernas e adequadas ao mercado de trabalho. Ainda existem algumas exceções nestas empresas mas a tendência é para as eliminar.

As grandes empresas nacionais de retalho, principalmente alimentar, deviam ter vergonha daquilo que fazem.

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Concordo com o argumento todo, é senso comum.

Mas generalizamente falando, as pessoas são burras, sim. Ou melhor, não procuram sair da ignorancia e de forçar as coisas a melhorarem como grupo. Trabalhei 5 anos num Pingo Doce e era sofrível como a prioridade das pessoas é f*der a pessoa que no dia anterior tinha deixado X trabalho por fazer ou porque não quis trocar as férias.

 

Isso eu atribuo ao carácter (ou falta dele) ou frustração com a vida que têm. E é bem verdade, sim. Mas eu estava a referir-me às condições que as pessoas aceitam no seu dia-a-dia. Se puderem estar num local onde são respeitadas enquanto seres humanos e o seu trabalho valorizado, certamente não vão estar noutro onde são espezinhadas e tratadas como criaturas inferiores - e se estão é porque precisam desesperadamente de se agarrar a sítios assim. Era nesse sentido que referi que as pessoas não são burras.

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Na Tapada, o ambiente é totalmente diferente.

 

Qual Tapada?

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Qual Tapada?

 

Das Merces boi, mas vim embora ao fim de três contratos de 6 meses. Foi em 2015, ainda eras uma criança.

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Aposto que me atendeste ou me viste nesse período :lol:

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Aposto que me atendeste ou me viste nesse período :lol:

 

Eras o gajo feio, tenho a certeza.

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Eu moro a 3 minutos de carro (se tanto) desse Continente/Worten.

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Entidades que realmente fiscalize a pressão (eu chamo-lhe chantagem) exercida sobre os trabalhadores, legislação que as ajude e proteja, o fim (ou pelo menos a limitação) dos contratos precários.

Depois do escreveste, chegar a este ponto e não usar o termo coação é uma atitude muito simpática de tua parte. Coação. Esta gente é sujeita a coação pura e dura.

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Eu moro a 3 minutos de carro (se tanto) desse Continente/Worten.

 

top.

morar no centro de lisboa :lol:

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O problema é haver muitas pessoas com esta mentalidade.

Depois quem não aceita ser escravo e levar com condições de trabalho deploráveis leva logo com bocas do tipo "nao quer é trabalhar" ou "é preguiçoso".

Mas hey lá por haver quem aceite não quer dizer que os demais tenham de aceitar.

 

Há casos bem piores ao meu redor. Tenho poucas alternativas e às vezes temos que fazer aquele esforço, mas não vou fazer isto a minha vida inteira, eu nem metade de um ano seguido conseguia levar esta vida.

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