Lebohang Publicado 9 Novembro 2018 Vs Competição: Copa dos Libertadores - Final (1ª Mão) Data: Sábado, 10 de Novembro de 2018 Hora: 20.00 (menos 1 hora nos Açores) Estádio: La Bombonera Transmissão: Citar Não tentes perceber o superclássico do bairro. Já muitos tentaram, quase todos falharam Porque é impossível entender tudo o que houve, existe e sempre aparecerá entre o Boca Juniors e o River Plate, os dois maiores clubes da América do Sul, vindos do mesmo bairro, da mesma cidade, com 246 jogos entre eles e que só este sábado (20h, Sport TV1) se encontram na final mais importante de um continente: a Copa dos Libertadores, a Liga dos Campeões sul-americana Mauricio acercava-se da porta de casa, em Buenos Aires, com as chaves na mão, quando três tipos o rodearam, bruscos e agressivos, um a socá-lo na cara, outro a agarrá-lo pelo pescoço. A abordagem, que passaria por enfiá-lo dentro de um caixão que estava na bagageira de uma carrinha Volkswagen, fê-lo perceber, de vez, que o que julgara ser um simples assalto era afinal um violento sequestro. Encapuzado, de olhos vendados e com as mãos atadas, apenas voltou a ver no interior de uma pequena sala, três metros por dois, dotada de uma cama, uma televisão, dois lençóis, uma mesa e uma retrete incrustada na parede. Nada mais. Fora construída no sótão de uma casa e, no teto, havia um buraco com 20 centímetros de diâmetro, por onde Mauricio recebeu comida, bebida e instruções durante 11 dias. Escondido para lá da fronteira do buraco estava Mario. O nome da da voz que falava com Mauricio não era Mario. Ele nunca o viu. Mas ouvia-o, questionava-o e respondia-lhe; era o seu confidente no cerco físico e psicológico que, reconheceria, lhe daria um certo síndrome de Estocolmo, provocado por conversas como esta: “Ele falava comigo às duas da manhã. Contava-me que era hincha do Boca Juniors e contei-lhe que o meu sonho era ser presidente do Boca”. Disse-o e repetiu-o tantas vezes, como se lê em alguns relatos na Argentina, que o sequestrado até insistiu com o captor que um dia também presidira ao país. “Quando o meu pai pagou o resgate, foi o meu pior momento. Não sabia se iam matar-me, porque debatiam o que iam fazer comigo. [Mas] o Mario aparecia e tranquilizava-me, dizia que me estava a defender”, contaria, um quarto de século mais tarde, o Mauricio cujo apelido é Macri. Libertado em 1991, esse filho do abastado milionário de Franco Macri tornar-se-ia mesmo presidente do Boca, em 1995. Conquistou 17 títulos nos 12 anos que lá passaria, antes de passar a mandar na câmara de Buenos Aires, o degrau que subiu para, depois, ser o presidente que mais manda no país, desde 2015. A história resumida de Mauricio Macri serve de exemplo para a forma como os argentinos vivem a vida à volta do futebol e não do sol, numa órbita que é quase doentia e nem sempre saudável, sobretudo se o tema é Boca Juniors e River Plate, os mais odiados rivais de Buenos Aires, que este sábado (às 00h55 de domingo, em Portugal, Sport TV1) jogam a primeira mão da final da Copa Libertadores. “O que os argentinos vão viver é uma final histórica. Também é uma oportunidade para demonstrar maturidade e que estamos a mudar, que se pode jogar em paz. Pedi à Ministra da Segurança que trabalhe com a Cidade para que o público visitante possa ir [ao estádio].” O presidente Mauricio Macri pediu que a Conmebol, entidade que rege o futebol no continente, autorizasse os adeptos da equipa visitante a entrarem nos estádios, coisa que o governo do seu país proíbe desde antes (2013) de ele ter palavra a dizer no assunto. Porque, lá, os recintos dos clubes são lugares de fervor, fanatismo e exaltação que brotam violência desde 1922, ano em que se registou a primeira das mais de 200 mortes em estádios de futebol. Findos e contados 246 jogos entre Boca e o River, o acaso quis fugir às probabilidades para só agora, à 59ª Copa Libertadores, os rivais se encontrarem na final, a última que será dividida por duas partidas. Dadas as circunstâncias, nenhuma terá sido tão verdadeira ao fator caseiro de se jogar em casa. A primeira mão fará a bola rolar no retângulo de relva da La Bombonera, a banalizada alcunha do estádio Alberto J. Armando, sítio de bancadas verticais a precipitarem-se sobre o campo. Fica em La Boca, o bairro pobre, operário e humilde junto ao porto e às docas de Buenos Aires, onde se avistavam barcos a entrar pelo Rio de la Plata no início do século passado. Para sábado, esse estádio, que tem secretárias na bancada para 250 jornalistas, recebeu mais de 2.500 pedidos de acreditação. A culpa só pode ser da história. Em 1910, cinco anos volvidos após um grupo de cinco amigos fundar o Boca Juniors e de a equipa oscilar entre o negro, o branco ou o celeste nos equipamentos, que a irmã de dois fundadores cozia para os jogadores, decidiu-se pelo azul e o amarelo. Banalizou-se, também, a história que assim o foi por culpa da bandeira da Suécia, erguida na primeira embarcação que atracou no porto quando alguém disse que se decidiria de vez a coisa com o próximo barco que aparecesse por ali. E lá foi o Boca, apoiado pelos xeinezes, alcunha para os adeptos que significa genoveses, por muitos imigrantes italianos terem puxado pelo clube nos primórdios, a cortar a lista amarela na camisola azul que vestiu os corpos de tipos lendários, como Hugo Gatti, Juan Román Riquelme, Martin Palermo – ou Diego Armando Maradona, a lenda reinante sobre todos eles. Incluindo Guillermos Barros Schelotto, hoje treinador da equipa e o responsável por Fernando Gago e Carlos Tévez, outros jogadores com peso e história no clube, provavelmente não jogarem de início. Mas antes de haver cores ou equipa, havia já o River Plate, clube do mesmo bairro, que adotou o nome inglesado do rio de onde também nasceu, em 1901, da fusão de dois clubes. Coberto pelo branco e com uma lista vermelha, mudou quatro vezes de casa nos primeiros tempos, saindo e voltando de La Boca até ter que fugir, uns 16 quilómetros para norte. Fixou-se no bairro de Belgrano, onde arranjou um terreno para arquitetar o circular estádio Antonio Vesputi Liberti, debruçado sobre uma pista de atletismo, que conhecemos como El Monumental. Ficou como a residência dos milionarios, assim batizados para todo o sempre, em 1931, quando foram considerados culpados de cometerem o ‘crime’ de de comprarem Carlos Peucelle por 10 mil pesos. Foi o primeiro de muitos que chegaram, ou saíram, por milhões em dinheiro ou em prestígio no clube. Alfredo di Stefano. Daniel Passarela. Enzo Francescoli. Pablo Aimar. E Marcelo Gallardo, outro 10 dos tempos em que havia os 10, agora treinador do River que terá de arranjar pouso diferente para ver a final, ao longe, ainda mais suspenso do que estava na meia-final contra o Grémio de Porto Alegre, quando desceu ao balneário da equipa sem autorização. Os braços e as mãos Gallardo será o castigado maior no clássico que extravasou um bairro, deixa gente louca e põe milhares de almas extasiadas, incapazes de controlar tanta emoção, ou de a manter aprisionada no corpo. Os argentinos, tenham nascido xeinezes ou milionarios, cantam nos estádios esticando os braços e abanando-os, soltando o pulso como se todos os ossos que o ligam à mão tivessem partidos. Talvez esteja aí a explicação. Em maior número serão sempre as coisas inexplicáveis, as impossíveis de serem entendidas. As lamentáveis, também. Em 2015, na segunda mão dos oitavos de final, última vez que os rivais colidiram na Libertadores, os jogadores do River Plate foram atingidos com gás pimenta na Bombonera, à saída do túnel, quando regressavam do balneário para a segunda parte. O Boca Juniors foi desqualificado e o rival continuaria a jogar até vencer a sua terceira Copa, metade das que estão no museu azul e amarelo. Nove jogadores restam desse tempo, entre os dois clubes. E, agora, a loucura alastra-se ao ponto de se desconfiar que Leandro Paredes, argentino germinado no Boca que emigrou o seu futebol para o Zenit de São Petersburgo, provocou a própria expulsão num jogo do campeonato russo, libertando a agenda para viajar até Buenos Aires. Ou de criticarem a tatuagem que Cristián Pavón, avançado do Boca, cravou no peito, suspeitosos de que poderá limitar-lhe os movimentos, a corrida e a vida dentro de campo. Porque os argentinos jogam as vidas na cancha, onde parece estar a razão de viver de toda a gente que apoia uma das equipas. O ruído e barulho ensurdecedores que as bancadas gritam, com sotaque, são a música que nem o filtro da televisão abafa. Os saltos de milhares de corpos, em sincronia, abanam os estádios e, com eles, as transmissões para quem vê, à distância. Foi assim nas 88 vitórias do Boca, nas 81 do River, nos menos interessantes empates que sobram em todas as 246 vezes que se defrontaram. Quem se mantém no bairro de nascimento de ambos têm 67 títulos, quem se deslocou para norte são donos de 63. Mas só os azulados e amarelados adeptos têm um, entre eles, na bancada, mascarado de fantasma e com um 'B' pintado a vermelho, quando os rivais se voltam a reunir - é a memória de descida de divisão do River Plate, em 2011. No sábado deles, que já será a madrugada do domingo português, começarão a colidir para afetarem estas contas. No seu mundo onde nada é comum, os dois maiores de uma Buenos Aires onde, na metrópole, cabem mais de 40 clubes (e 12 estão na primeira divisão do país), o que seria de uma final dada à normalidade. Apenas cinco de 130 jogos das finais foram jogadas a um sábado, a mais recente em 1987. Será a duas mãos com uma grande distância entre os jogos (a segunda-mão disputa-se no dia 25). É inusitado e, entre as partidas, haverá uma cimeira do G20 na capital argentina, que obrigou a distanciar ainda mais as datas, porque o superclássico exige toda a polícia disponível; e jogar-se-ão ainda encontros de seleções, às quais a Conmebol pediu que não convocassem pares de pernas do River e do Boca. Eles são preciosos por jogarem, serem e estarem e significarem tanto para tantas vidas. E preciosidade seria justificar a atenção devida a este superjogo com nuances, comportamentos, dinâmicas, organizações ofensiva e defensiva de Boca e River, ou demais jargões futebolísticos que há entre Barros Schelotto, chefe do bicampeão argentino (feito inédito), e Marcelo Gallardo, treinador da equipa que prospera, com ele, em taças e jogos a eliminar (conquistaram uma Libertadores, uma Sul-Americana e uma Recopa). Se calhar, o melhor é apenas apreciar a vista. Expresso Compartilhar este post Link para o post
Jpa Publicado 9 Novembro 2018 O vídeo da AFA está espetacular. Que jogaço que vai ser, é pena que o Porto-Braga seja quase à mesma hora. Compartilhar este post Link para o post
Josep Publicado 9 Novembro 2018 Está soberbo o vídeo. Dois jogos para entrar na história. Só é pena colidir com jogos como o Porto v Braga e o Barça v Atlético na segunda mão. Que ganhe o Boca! Compartilhar este post Link para o post
Activate Publicado 9 Novembro 2018 Acho que irá cair para o Boca. PS- Espero como quase sempre acontece um jogo quente e com expulsões a mistura 😄 Compartilhar este post Link para o post
DarkDragonaite12 Publicado 9 Novembro 2018 Vamos River ❤️ Quintero decide Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 9 Novembro 2018 Espero que seja lindo e que sejam dois grandes jogos, o futebol merece. Compartilhar este post Link para o post
pedropb13 Publicado 9 Novembro 2018 Uma bela de uma mrda a paragem para as seleções no meio da final :lol: River ♥️ Pity Martínez destrói. Compartilhar este post Link para o post
Mesut Ozil Publicado 9 Novembro 2018 Vamos Boca ❤️ Porque motivo no texto se fartam de fazer referência sobre o jogo ser na madrugada de Domingo? Que era perfeito lá isso era, não calha nada bem ser à mesma hora do Porto. Compartilhar este post Link para o post
Carmelo Anthony Publicado 9 Novembro 2018 Azul e amarelo sempre. Vamos Boca 💙💛 Compartilhar este post Link para o post
Shai Publicado 9 Novembro 2018 Eu nem ligo muito à Libertadores, mas esta tenho de ver. Compartilhar este post Link para o post
IlidioMA Publicado 9 Novembro 2018 Só espero que não haja porrada nem confusões. Compartilhar este post Link para o post
pedritsh Publicado 9 Novembro 2018 Citação de IlidioMA, há 2 minutos: Só espero que não haja porrada nem confusões. Tem que haver, é o clássico da Libertadores. Compartilhar este post Link para o post
Mesut Ozil Publicado 9 Novembro 2018 Sempre é uma provocação mais original que o tradicional "filhos da p*ta slb" dos clubes cá do sítio. Compartilhar este post Link para o post
Josep Publicado 9 Novembro 2018 Do último Boca v River para a Libertadores: 1 Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 9 Novembro 2018 De todos os superclásicos que assisti, este talvez seja o melhor. Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 9 Novembro 2018 Citação de Mesut Ozil, há 41 minutos: Sempre é uma provocação mais original que o tradicional "filhos da p*ta slb" dos clubes cá do sítio. é, mas quando descobrirem que eles cantam isso em jogos que não contra o River vai dar chatice Compartilhar este post Link para o post
Poeira Publicado 9 Novembro 2018 Citação de IlidioMA, há 1 hora: Só espero que não haja porrada nem confusões. Porra, acho que nem o árbitro do jogo espera isso. E ainda bem. Eu quero é a essência do "Superclásico" bem representada aqui. Aquilo não é só um jogo, é uma batalha. Acho que fica bem aqui, é uma boa leitura. Sou e serei sempre River nesta rivalidade, mas quero é um grande espectáculo, que faça jus à dimensão deste duelo. Em teoria, tem potencial para ser a final mias icónica da história da Libertadores. Só é pena ter sido "europeizada" em termos de datas e horários. Já estou a deprimir de antecipação porque não vou conseguir ver a primeira parte. Compartilhar este post Link para o post
Gui Fla Publicado 10 Novembro 2018 O maior clássico do mundo pela primeira vez disputando uma final continental. Eu estou me mordendo de ansiedade. Compartilhar este post Link para o post
Alonso. Publicado 10 Novembro 2018 Maior clássico do mundo não é certamente mas que vai ser especial isso vai. Pena calhar na hora do Porto Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 10 Novembro 2018 É claro que é discutível, mas para mim também é. 1 Compartilhar este post Link para o post
Alonso. Publicado 10 Novembro 2018 Mas tens a noção que não é :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post