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Sr. Inácio

Literatura | Discussão Geral

Publicações recomendadas

O Retrato de Dorian Grey do Oscar Wilde vale a pena? Alguem já leu?

Já li há uns anos e gostei muito. Recomendo.

 

Uma pessoa que eu conheço está a vender uns livros, da colecção de livros que essa pessoa está a vender, houve uns que me chamaram a atenção, que formam uma trilogia. Gostava de saber se alguém tem feeback para me dar. O que procurei na net deixou-me na dúvida se será muito infantil/juvenil ou se serão realmente boas obras para qualquer idade.

 

Os livros em questão são Os reinos do norte, A torre dos Anjos e O telescópico de ambar, que fazem então parte da trilogia mundos paralelos do autor Phillip Pulman. Se alguém já tiver lido alguma coisa e tiver feedback, agradeço.

Sou fã dessa trilogia, adorei e já a li 2 vezes, sendo que na segunda tinha uns 20 anos. É algo juvenil mas nada de mais, pelo menos não mais que um Harry Potter. Quando a li já lia coisas bem diferentes e não me fez confusão nem achei que estava a ler um livro para crianças.

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Só tive agora conhecimento, a Antígona está com 40 % de desconto em todo o seu catálogo (excepto saldos e novidades) até às 0h de hoje.

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“Haruhi Suzumiya”, de Nagaru Tanigawa

 

Acabei por ler os livros todos. Os que se resumem a coleções de contos são os mais decentes, pois o autor claramente tem dificuldade em estruturar a história, resultando facilmente em desnorte e falta de foco quando o enredo se prolonga por um livro inteiro.

 

 

Ao mesmo tempo tenho lido alguma banda-desenhada, já que tenho estado a ver os filmes da Marvel.

Até agora li “Iron Man: Extremis”, “Captain America: Winter Soldier”, “Marvel’s Civil War” e“The Thanos Quest”.

‘Extremis’ e ‘Winter Soldier’ são decentes; ‘Civil War’ é uma confusão e acabei por não gostar da reta final; gostei bastante de “The Thanos Quest”, é um prelúdio simples, direto e entretido, estou com boas expetativas para “The Infinity Gauntlet”.

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"Para onde vão os guarda-chuvas" é dos maiores tesouros da nossa literatura. As emoções que o livro nos vai despertando e que a escrita do Afonso Cruz acentua, são qualquer coisa de fenomenal. Fiquei exacerbado durante as quase 600 páginas. Agora saltei para o "Luto de Elias Gro", do João Tordo e, apesar de estar a gostar, é um salto muito desconfortável.

Porém, como aviso que gostaria que me tivessem feito antes, se se encontrarem numa fase da vida mais "down", não vos recomendo o "Para onde vão os guarda-chuvas".

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Finalmente reuni a coragem para terminar o "O Nome do Vento", do Patrick Rothfuss. Terminando é fácil perceber porque é comparado com Harry Potter, mas ainda acho a comparação ligeiramente forçada. É mais maduro, não sendo necessariamente adulto. Gostei bastante e definitivamente vou seguir para a sequela.

Salvo erro está na calha para ser adaptado para série televisiva. Acho que tem potencial, honestamente. Preocupa-me que não seja muito bem feito e seja apenas uma tentativa de aproveitar o hype de Game of Thrones, mas...

 

Entretanto acabei a ir ver a próxima parte. Em Portugal está dividido em duas edições, cerca de 650 páginas cada um e custa 20,90€ cada. A original, inglesa, tem cerca de 1000 páginas e está a 11€ na bookdepository. Assim é complicado não optar pela via do inglês.

Editado por El Shafto
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Ainda não terminei, mas o Cemitério de Pianos do José Luis Peixoto é genial.

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Os Nossos Candidatos ao Nobel

Infelizmente este artigo está disponível apenas para assinantes. Mas, espantem-se, Maria Magdalena Martel Patricio, escritora Portuguesa do século XX que publicou, entre 1915 e 1944, cerca de trinta livros de poesia, ficção e ensaio e hoje ninguém sabe que existe, foi catorze vezes candidata ao Nobel da Literatura. Catorze!!

Já Aquilino e Torga que em 1959 e 1960 criaram uma pequena querela, dividindo as letras Portuguesas sobre quem deveria ser o candidato ao Nobel, esses dois pesos pesados da literatura Portuguesa nem sequer constam dos arquivos. Nunca foram sequer propostos. 

Isto só prova que o Nobel é esperar sentado para saber quem ganha, fazer apostas ou ter cabeças de cartaz é inútil. 

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Citação de Mayday, há 1 hora:

Os Nossos Candidatos ao Nobel

Infelizmente este artigo está disponível apenas para assinantes. Mas, espantem-se, Maria Magdalena Martel Patricio, escritora Portuguesa do século XX que publicou, entre 1915 e 1944, cerca de trinta livros de poesia, ficção e ensaio e hoje ninguém sabe que existe, foi catorze vezes candidata ao Nobel da Literatura. Catorze!!

Já Aquilino e Torga que em 1959 e 1960 criaram uma pequena querela, dividindo as letras Portuguesas sobre quem deveria ser o candidato ao Nobel, esses dois pesos pesados da literatura Portuguesa nem sequer constam dos arquivos. Nunca foram sequer propostos. 

Isto só prova que o Nobel é esperar sentado para saber quem ganha, fazer apostas ou ter cabeças de cartaz é inútil. 

António é chamado ao gabinete do subdiretor: “O senhor procure estar aqui porque eu tenho de ter uma conversa consigo por volta das seis e meia da tarde.” No “República”, o jornal onde ingressara pouco tempo antes, o subdiretor Alfredo Guisado (1891-1975), poeta, colaborador da revista “Orpheu”, confia ao jovem jornalista António Valdemar (n. 1938) um trabalho especial. Guisado pede-lhe para realizar um inquérito. É necessário saber a opinião de alguns intelectuais sobre a intenção do professor Jean-Baptiste Aquarone, da Universidade de Montpellier, de propor ao Comité do Nobel da Academia Sueca o nome de Miguel Torga (1907-1995) para o Prémio Nobel da Literatura.

Acabado de chegar ao jornalismo, António Valdemar só perceberá a importância desse inquérito anos depois. As intenções de Guisado não se resumem a querer saber a opinião de outros intelectuais. A ideia é lançar outra ‘candidatura’ ao Nobel, a de Aquilino Ribeiro (1885-1963). Na Rua da Misericórdia, sede do jornal “República” e do “Diário Ilustrado”, começa uma luta fratricida entre duas fações da oposição à ditadura de Salazar.

O ano de 1959 não é fácil. Salazar vive os efeitos de ter enfrentado um opositor destemido, enquanto a oposição recupera da esperança de ver Humberto Delgado (1906-1965), na presidência da República. Ao perder as eleições, um ano antes, o ‘General Sem Medo’ parte para o exílio no Brasil. Uma nova tentativa para derrubar a ditadura também fracassará, em 1962, em Beja. Mas até lá haverá muitas movimentações, congeminações. Levarão ao desvio do paquete “Santa Maria” por Henrique Galvão, ao início da Guerra Colonial e à invasão de Goa, Damão e Diu pela União Indiana em 1961; ao lançamento dos panfletos de Palma Inácio sobre Lisboa; à crise estudantil em 1962. São anni horribili para Salazar, lembra Manuel Alegre (n. 1936), e o “milagre é o regime não cair.”

Os ânimos estão acesos, e tudo serve de acha à fogueira. Uma das primeiras pessoas que António Valdemar ouve, naquele inquérito, é Francisco Vieira da Almeida (1891-1975), apoiante da candidatura de Delgado a Presidente da República, preso em 1958. O professor da Faculdade de Letras volta a ser preso em 1959, na companhia de Jaime Cortesão, António Sérgio e Azevedo Gomes, pelo facto de querer trazer a Portugal dois socialistas, Aneurin Bevan e Mendès-France. Anos mais tarde, António Valdemar perceberá que Vieira de Almeida e Manuel Mendes são os cérebros da operação que visa lançar a candidatura de Aquilino Ribeiro. O jornalista ouve, de seguida, os críticos João Gaspar Simões, João Pedro de Andrade e Jacinto do Prado Coelho — sendo que este último se revela apoiante de Miguel Torga. Do lado oposto da rua, no “Diário Ilustrado”, o crítico literário Amândio César aposta tudo em Miguel Torga. “Começa a haver um despique feroz entre o ‘República’ e o ‘Diá­rio Ilustrado”, conta o jornalista.

Há uma razão além da literária para agitar as hostes, e é política. Aquilino Ribeiro enfrenta os juízes fascistas do Tribunal Plenário, por ter escrito “Quando os Lobos Uivam” (1958) — um livro no qual descreve a saga dos beirões para defender os terrenos baldios, quando o Estado Novo decide “expropriá-los”, nos anos 40, para plantar pinheiros. “Aquilino só não é preso porque Acácio Gouveia, amigo próximo do escritor, lhe paga a fiança”, lembra António Valdemar. A dupla Vieira de Almeida e Manuel Mendes está convencida de que a polémica e a notoriedade que estas geram “podem conferir a Aquilino Ribeiro alguma proteção nacional e internacional”, continua o jornalista.

Do lado de Torga está um grupo de escritores, poetas e intelectuais, como é o caso de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) e seu marido, Francisco Sousa Tavares. A 31 de dezembro de 1959, Sophia escreve a Jorge de Sena, enviando-lhe, em anexo, uma carta que fez seguir para a Sociedade Portuguesa dos Escritores, assinada pela própria e pelo marido.

Aquilino Ribeiro tem anticorpos. O possível passado de bombista, acusação que pesa sobre ele desde que lhe rebentaram dois caixotes de explosivos em casa, em Lisboa, na Rua do Carrião, e a suspeita de estar ligado aos regicidas de 1908 afastam dele alguns intelectuais, menos simpatizantes das ideias anarquistas. Há ainda o facto de a sua escrita ser de difícil tradução, dada a natureza do léxico. Já em 1957, o crítico Óscar Lopes (1917-2013), um dos apoiantes do “beirão que veio para as Letras com uns sentidos limpos, de pilha-ninhos e caçador de brenhas”, fala das objeções ao estilo de Aquilino, da dificuldade em traduzi-lo, “carecendo portanto de universalidade potencial”, e do facto de muitos protestarem que só se pode ler os seus livros “compreensivelmente com o dicionário ao lado.”

Sophia, conta o editor Zeferino Coelho (n. 1945), não aprecia Aquilino: “Escreve com perdigotos”, confessa um dia a poeta ao editor, para lhe dizer que não gosta das palavras usadas pelo autor de “A Casa Grande de Romarigães”, cujos restos mortais, por ironia, descansam ao lado dela no Panteão Nacional.

Na carta a Jorge de Sena, Sophia escreve: “Os escritores e intelectuais portugueses não querem que o Torga receba o Nobel. Há panfletos, grupos, manobras, guerras, sofismas e etc. Eu penso que um Prémio Nobel em Portugal só pode ser dado à poesia. E, para além da minha admiração pelo Torga, que você conhece, penso que um prémio dado ao Torga significa um prémio à poesia portuguesa, um prémio a Teixeira de Pascoaes e ao Fernando Pessoa, como o prémio ao Jiménez significa um prémio à poesia espanhola. Por isso pus o meu nome à cabeça numa lista de assinaturas de apoio à candidatura do Torga. Quer mandar a sua assinatura? Entre as pessoas que assinaram estão Eugénio de Andrade, Alexandre O’ Neill, David Mourão-Ferreira, Hernâni Cidade, Fernando Amado, Salette Tavares e mais de que agora não me lembro. Muitas pessoas se abstêm com os mais variados pretextos.”

Em janeiro de 1960, Sophia envia a Sena “uma espécie de dossier do caso do Prémio Nobel do Torga”. Na carta dirigida à Sociedade Portuguesa de Escritores, é sublinhado o facto de que muitos dos que se pronunciam a favor da candidatura de Aquilino Ribeiro ignoravam que já se encontrava proposta a candidatura de Miguel Torga, e que “a candidatura de Aquilino pode tomar o aspeto duma grave discordância ou oposição à candidatura já em curso de Torga”. Sophia e restantes apoiantes de Torga pretendem que a Sociedade de Escritores se solidarize com o poeta, e o defenda junto da Academia Sueca. Isso, porém, não irá acontecer. Nascem novos ódios e divisões. Almada Negreiros coloca-se de parte: “Basta um escritor de língua portuguesa ser indigitado para Nobel da Literatura para eu me congratular”, recorda António Valdemar, que o entrevista por diversas vezes (“Almada — Os Painéis, a Geometria e Tudo”, edição Assírio & Alvim).

A ESQUERDA E A MENOS ESQUERDA

O futuro editor de José Saramago, Zeferino Coelho, é à época um jovem: “Estava a começar a despertar para estas questões, e absorvia os reflexos que chegavam ao Porto. Parece-me que as pessoas mais à esquerda eram apoiantes do Aquilino, enquanto as pessoas que não eram tão à esquerda, mas igualmente contra Salazar, eram pelo Torga. Uma boa parte dos mais à esquerda irão aparecer depois do 25 de Abril ligados ao Partido Comunista, os outros ligados ao Partido Socialista, que ainda não existia. Sophia e Francisco eram muito próximos do Mário Soares.”

Manuel Alegre tem, naquela época, ligações ao Partido Comunista, mas opta por ser um dos proponentes da candidatura de Miguel Torga — homem que considera uma pessoa autónoma, com a fama injusta de ter mau génio: “Além das questões de gosto, as pessoas não lhe perdoavam a liberdade e a independência de espírito. Penso que o Aquilino teve mais apoiantes em Lisboa, embora fosse beirão. Torga era um homem mais só, mais isolado, de mais difícil abordagem.”

Aquilino Ribeiro não é o único a ter problemas com o regime. Torga também é perseguido. Conhece a prisão do Aljube, entre 1939 e 1940. A PIDE observa-o, devassa a sua vida, reúne informação minuciosa, conforme os arquivos da polícia política de Salazar vieram revelar anos depois. Clara Rocha, a filha, diz que o pai não fala do assunto em casa. Sabe da história, e dos seus contornos, mais tarde: “O meu pai contou-me os factos quando eu era estudante universitária. Mais tarde, quando já era professora da Universidade Nova de Lisboa, li muitos recortes de imprensa de 1960 que documentam a polémica. O meu pai foi um democrata independente. A candidatura de Aquilino foi apoiada maioritariamente por intelectuais ligados ao Partido Comunista.” Miguel Torga não só é ‘não comunista’, é também um“crítico da intervenção do Pacto de Varsóvia na Hungria”, quando da tentativa de Revolução contra a União Soviética, em 1956, sublinha Manuel Alegre.

Maria Teresa Horta (n. 1937), jovem a preparar o primeiro livro de poesia, conhece a polémica pelo pai. “Era médico, apreciava a leitura, tinha uma grande biblioteca, mas não gostava de poesia, a não ser de ‘Os Lusíadas’ de Camões. O Torga era para ele um desconhecido. O Ferreira de Castro (1898-1974) era assim-assim, e o Aquilino maravilhoso, merecia todos os Nobéis da vida.” Só anos depois, Maria Teresa Horta conhecerá os dois escritores. Torga em Coimbra. Aquilino em Lisboa.

A distância geográfica não é a única coisa que os separa. Clara Rocha acredita que o pai e Aquilino nunca se chegaram a conhecer. O diferendo, defende Manuel Alegre, é prejudicial para os dois, do ponto vista do reconhecimento literário. Não o é, porém, em termos políticos. Aquilino morre em 1963, sem que o processo em Tribunal Plenário o condene. Salazar usa o diferendo entre as duas fações que apoiam os escritores para dar a entender que o país é democrata, e que permite a discussão e a oposição. “Já se contava, na altura, que Salazar fazia uso da polémica, para dizer à imprensa estrangeira: ‘Não há liberdade? Como não há? Uma pessoa como o Aquilino Ribeiro escreve os livros que quer’”, conta Zeferino Coelho. “Uma amnistia política, inventada à pressa, encerra o caso ‘Quando os Lobos Uivam’”, conclui António Valdemar. Tal como Vieira de Almeida e Manuel Mendes pensaram ser possível, ao lançar a candidatura de Aquilino, as notícias atravessam fronteiras. “Os jornais são enviados para fora do país, através de Jorge Reis, que consegue a assinatura de Simone de Beauvoir e de François Mauriac (Nobel da Literatura em 1952),” continua António Valdemar. Ainda assim, em 1960, e já com a polémica a decorrer, a polícia detém Torga e apreende todos os exemplares do último livro, o oitavo tomo do seu diário, onde, segundo a PIDE, o poeta faz algumas “depreciações sobre episódios da vida política portuguesa”. No documento interno da polícia política de Salazar escreve-se: “Miguel Torga é candidato ao Prémio Nobel da Literatura de 1960. A sua candidatura foi apresentada pela Sociedade Portuguesa dos Homens de Letras.”

A apreensão dos livros de Torga gera um protesto assinado por alguns intelectuais, como Jaime Cortesão, Raul Rêgo, Manuel da Fonseca, Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Piteira Santos... Nesse texto de indignação é referido o processo contra Aquilino, ainda que o motivo seja demonstrar solidariedade com “o admirável poeta e grande escritor que é Miguel Torga”. A proibição do “Diário VIII” dura apenas cinco dias, embora a censura proíba referências ao livro na imprensa nacional. Esta é uma das grandes consequências da polémica, recorda a filha de Torga: “Como tinha sido proposto ao Nobel, o regime de Salazar achou prudente evitar o escândalo internacional.”

A parte mais estranha desta história é que nem Torga nem Aquilino aparecem na lista da Academia Sueca como escritores propostos ao Prémio Nobel da Literatura, durante o ano de 1960. Segundo os arquivos, disponíveis na internet, o que nos é dado a saber é que Miguel Torga é proposto pela primeira vez pelo linguista sueco Goran Hammarstrom, em 1965, e em 1966 por Jean-Baptiste Aquarone, o homem que segundo esta história inicia a polémica anos antes. Clara Rocha não tem explicação para o facto de ‘a candidatura Aquarone’ de 1960 não aparecer nos arquivos online da Academia Sueca: “A verdade é que toda a imprensa portuguesa da época testemunha essa propositura e até os documentos da PIDE acompanham de perto o processo.” A última entrada nessa mesma lista, antes de 1965, é de 1950: Júlio Dantas proposto pela Academia das Ciências de Lisboa.

A ACADEMIA DAS CIÊNCIAS

Salvos os escritores das garras do regime e da ditadura, os estragos no meio literário são muitos. A guerra feroz que divide os intelectuais portugueses prevalecerá, e afastará amigos de sempre, como é o caso de Jaime Cortesão (1864-1960) e Aquilino Ribeiro. O primeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, diz, quando inquirido por António Valdemar, que prefere isentar-se de tomar posição, não dando apoio a nenhum dos escritores: “Fui a casa dele buscar o seu testemunho, mas ele disse-me: ‘Já enviei uma carta, aos jornais, através de Fernando Namora, a dizer que, como presidente, não posso pronunciar-me. A Sociedade Portuguesa de Escritores congratula-se com as duas candidaturas prestigiosas para a atribuição do Prémio Nobel.’” Aquilino não o perdoará. “Retira-lhe uma dedicatória que lhe tinha feito em ‘Abóboras no Telhado’”, continua o jornalista.

No meio da polémica, e num ambiente de cortar à faca, aparece uma terceira candidatura, lançada pelo crítico Jaime Brasil, que considera que só Ferreira de Castro (1878-1974) é capaz de ganhar o galardão. A Academia das Ciências de Lisboa, que já antes se tinha dado ao trabalho de se meter no assunto, quando, em 1933, avança com a candidatura do poeta do regime António Correia de Oliveira (1879-1960) e com a de Júlio Dantas (1876-1962) em 1950, prefere ficar de fora da guerra Aquilino/Torga. Segundo António Valdemar, que hoje é sócio-efetivo da Academia das Ciências de Lisboa, “o patrocínio da Academia começa a ser apontado como exigência prioritária e fundamental, pelo professor Vieira de Almeida, em 1960”.

Vergílio Ferreira (1916-1996) terá sido um dos escritores a pedir a colaboração da Academia das Ciências, como escreve nos seus diários: “O espanhol Lázaro Carreter lembrou-se de me propor para o Nobel. Achei simpático, quase divertido, embora, que diabo!, a condecoração me não fique pior que a qualquer outro confrade. Mas parecia-me mesquinho, um tanto pindérico, que a proposta não fosse acompanhada de uma outra entidade. E pensei na Academia (das Ciências) de que Jacinto do Prado Coe­lho é presidente. Expus a questão. Levei uma tampa, que a Academia só apadrinhava os seus académicos (...) o Torga, que o não é, embora tivesse um aparato impressionante de apoios de Universo, não levou o de Academia. Agachei-me para a minha humildade, despedi-me.” Num texto que António Valdemar escreve para assinalar o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, o jornalista conta que o escritor “foi contactado para ingressar (na Academia das Ciências), mas afirmou que só aceitaria ‘depois de envelhecer um pouco mais’”. O convite volta em 1992. É eleito, “mas nunca aparece nos trabalhos”. É nesse mesmo texto que Valdemar descreve outro episódio que terá ocorrido a propósito do Nobel, na Academia das Ciências. Torga morre em 1995. Pouco depois, conta ao Expresso António Valdemar, “o presidente da academia, Pinto Peixoto, envia para o presidente da Classe de Letras, uma circular da Academia Sueca para serem recolhidas as opiniões dos seus membros. A Classe das Letras divide-se em três grupos: Vergílio Ferreira é apoiado por Pina Martins, e numa fase mais tarde por Mário Soares; José Saramago é defendido por Urbano Tavares Rodrigues e Francisco Rebello e outros; e Sophia de Mello Breyner, e com surpresa de todos, proposta por mim (António Valdemar) e Henrique Barrilaro Ruas. Sophia, reconhecerá depois Mário Soares, é a candidata mais adequada, ‘dado que a poesia é a componente mais representativa em todas as épocas da literatura portuguesa’”. Ao ter conhecimento da circular, Vergílio Ferreira envia uma carta à Academia dizendo que não “se pode manifestar por ser parte interessada.” Ora, ser parte interessada não deve ter sido um problema para Júlio Dantas. Em 1950, Dantas é proposto ao Nobel pela própria Academia de Ciências, onde é presidente até 1959. Ou seja, é nomeado pela Academia durante a sua presidência. Não admira o manifesto anti-Dantas, de Almada Negreiros.

A ENIGMÁTICA MARTEL

A lista, disponibilizada online pela Academia Sueca, não permite aceder aos nomes propostos aos Nobel nos últimos 50 anos. A contagem é feita para trás. Percebe-se que Portugal começa por se estrear na Literatura ao propor o dramaturgo João da Câmara (1852-1908), em 1901, e também engenheiro responsável pela construção das linhas de comboio de Sintra e Cascais. A seguir aparece João Bonança (1836-1924). O escritor e político é indicado em 1907, por Teófilo Braga, Presidente da República em 1915. Para o Nobel da Paz aparece, em 1909, a sugestão do diplomata Sebastião Magalhães Lima, futuro fundador da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem (1921) e grão-mestre da Maçonaria portuguesa.

Egas Moniz entra na ‘corrida’ ao Nobel da Medicina em 1928, e é proposto por 18 vezes, por diferentes pessoas, até 1950, o que é estranho porque ganha o galardão em 1949. Na mesma categoria segue-se Aldo Castellani, médico italiano, exilado em Portugal, a trabalhar no Instituto de Medicina Tropical, e António de Sousa Pereira, médico cirurgião da Universidade do Porto.

Entre os anos 30 e os 50, do século XX, saltam à vista dois nomes. O do poeta do regime António Correia de Oliveira (1879-1960) e o da aristocrata Maria Madalena Patrício Martel (1884-1947). Esta última é nomeada 14 vezes. Menos uma que Correia de Oliveira. A última vez que aparece o seu nome é em 1947, ano em que Maria Madalena Martel morre.

A primeira mulher portuguesa a ser proposta para o Prémio Nobel afigura-se o melhor exemplo de como a fama é efémera. Numa volta pelos alfarrabistas de Lisboa ninguém conhece Maria Madalena Martel. Não há nota dos seus livros, nem de leitores interessados neles. Na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, pode ler-se um pequeno suplemento, de sete páginas, intitulado “A Nossa Amiga Lisboa”, publicado pela Império, em 1944 (que terá sido uma separata do Boletim do Grupo “Amigos de Lisboa”); no Gabinete de Estudos Olisiponenses há uma ficção para adultos “Sombras na Estrada” (livro que assina como Maria Magdalena); e na Biblio­teca Nacional aparece o livro “Os Sete Demónios”, uma versão fac-simile de um original guardado na Biblio­teca Municipal de Pombal. Pouca memória há de uma mulher que na época terá tido quem a considerasse escritora merecedora de um Nobel. Sabe-se que terá escrito para os jornais sobre as aparições em Fátima, e à distância parece que poderá ter protagonizado uma disputa com António Correia de Oliveira, na corrida ao Nobel.

Com raízes em Pombal, Maria Martel começa por escrever em francês, em 1915 (“Le Livre du Passé Mort”). Bento Carqueja, fundador do jornal “O Comércio do Porto”, membro da Academia das Ciências, propõe o seu nome pela primeira vez em 1934, e volta a insistir em 1935, ano em que ele morre. Da primeira vez, Carqueja tem a seu lado António Pereira Forjaz, cientista, futuro diretor da Faculdade de Ciências de Lisboa. Forjaz não repetirá a proposta, apesar de ter vivido até 1960. Em 1939, volta a sugerir um nome ao Nobel, mas na área da Química, ao propor o francês Ernerst F. Fourneau.

Nos anos seguintes, Maria Martel, casada com Francisco Ribas Patrício, juiz de Direito e desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa, conquista outro elemento da Academia das Ciências: António Baião, um historiador que a irá propor à Academia Sueca, nos 11 anos seguintes. Baião será o primeiro diretor do Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Ao todo, Correia de Oliveira, o poeta do saudosismo que preenche as páginas dos livros usados no ensino primário e secundário, é nomeado 15 vezes, sendo que a última das nomeações é efetuada em 1942. Além de ‘competir’ com Maria Madalena Patrício Martel, Correia de Oliveira disputa o lugar com Teixeira de Pascoaes, que só entra na corrida em 1942, nomeado por cinco vezes pelo historiador João António Mascarenhas Júdice, especialista em história dos Descobrimentos.

António Correia de Oliveira é ao longo dos anos proposto para Nobel por diferentes pessoas, inclusive por um sueco, Knut Hjalmar Leonard Hammarskjold (primeiro-ministro da Suécia entre 1914 e 1917), que o escolhe por duas vezes, em 1934 e 1942. Outro sueco, o escritor impressionista Per Hallström, sugere-o em 1939. Teixeira de Pascoaes, escritor praticamente esquecido nos dias de hoje, tem, no entanto, na sua época, alguma projeção europeia, lembra Zeferino Coelho: “Pascoaes teve uma repercussão muito grande em muitos sítios. Thomas Mann, nos seus diários, refere o livro de Teixeira de Pascoaes, ‘São Paulo’, como sendo um livro extraordinário, e cita-o.”

FO, SARAMAGO E GRASS

Para saber ao certo quantas vezes chega à Academia Sueca o nome de José Saramago será preciso esperar mais 30 anos. Nessa altura, terão passado os 50 anos necessários para abrir os arquivos. A história tornada pública por António Valdemar, enquanto sócio-efetivo da Academia das Ciências, garante que Saramago foi proposto por aquela instituição antes de ganhar o prémio em 1998, mas pode muito bem ter sido também indigitado por outras pessoas ou entidades estrangeiras. O mais curioso é que o dramaturgo Dario Fo ganha o prémio um ano antes de Saramago, em 1997, e telefona-lhe dizendo: “Este ano roubei-te o prémio”, conta Zeferino Coe­lho. Em 1998, na Feira do Livro de Frankfurt, Saramago hesita entre entrar num avião ou esperar a chamada dos suecos. Algo (ou alguém) lhe diz que pode ser naquele ano. E no regresso a Lisboa, num encontro promovido no Instituto Alemão, no final de outubro desse mesmo ano, com o escritor Gunter Grass, promete indigitar o alemão que escreveu “O Tambor de Lata”. Grass ganha o Nobel da Literatura no ano seguinte a Saramago, em 1999, mas já era dado como um dos prováveis vencedores em 1998. Saramago diz, durante a conferência, que tomou a decisão horas antes de conhecer Grass. O escritor alemão agradece e conta que quando soube que o vencedor era Saramago confidenciou à mulher: “Olha, ele tem mais cinco anos do que eu, por isso também podemos esperar mais outros cinco.” Saramago, desfeito em simpatias, avança a confissão de que poderia ter dividido o prémio com o escritor alemão, assim a Academia Sueca o tivesse decidido. A comunhão entre o português e o alemão fica-se, no entanto, pela literatura. “A dada altura, o copo de Gunter encheu-se de vinho branco, fresquinho, Planalto. O de Saramago de água, lisa, Luso. Foi azeite que caiu sobre água. Evidenciara-se então as devidas distâncias políticas da ‘esquerda comprometida’ de Grass e da ‘esquerda com discurso revolucionário’ de José Saramago”, escrevi na altura no “Diário de Notícias”. Nessa altura, ainda não se sabia que Grass tinha aderido jovem ao ideário nazi, ao ponto de se tornar membro da Waffen-SS.

No fim dessa conferência, em Lisboa, pergunto a Saramago, se não pensou escolher um nome português para indigitar, ao que Saramago me devolve em tom bastante agressivo: “Em quem é que está a pensar?” Saramago vitorioso é um homem irascível, capaz de colocar a mão no meu ombro e de me abanar enquanto me devolve a pergunta. Acabará por ensaiar uma resposta: “Há uns anos disse ao ‘Jornal de Letras’ que escolhia Sophia de Mello Breyner, agora não seria inteligente. Por ser no ano seguinte.”

Lobo Antunes não deixa de ser o eterno rival de José Saramago. Malquerença, de resto, correspondida, por Lobo Antunes, que, na última entrevista ao Expresso, em 2017, diz: “Ele (Saramago) tinha-me um pó. Uma inveja. Nunca percebi porquê... Achava-se mesmo um grande escritor. Eu sempre achei aquilo uma m*rda.”

A disputa entre Lobo Antunes e Saramago acontece muito mais fora de portas, do que no próprio país, embora Lobo Antunes seja admitido como sócio-correspondente da Academia das Ciências, “talvez na expectativa de que esta o possa sugerir”, diz António Valdemar. Artur Anselmo acompanha desde 2014 as candidaturas, como presidente da Academia das Letras e da Classe das Letras, e garante que em 2016 António Lobo Antunes foi proposto.

ALEGRE, MOREIRA E O TARRAFAL

Mais recentemente, o Expresso notícia o convite feito pela Academia Sueca à Academia das Ciências para indicar os candidatos ao Prémio Nobel da Literatura de 2018. No dia 11 de janeiro deste ano faz-se uma votação. Uma fonte avança que Manuel Alegre e Agustina Bessa-Luís são os nomes mais votados. Mais tarde, o presidente da academia, Artur Anselmo, esclarece que Manuel Alegre “tem 11 votos e que os restantes cinco foram dirigidos a outros cinco escritores”. Nesse caso, Agustina teria apenas um voto. Não se sabe o nome dos restantes escritores. Manuel Alegre diz que toma conhecimento do sucedido pelo Expresso e que apesar de ser sócio-efetivo da Academia não vota. António Valdemar não participa na votação: “Já previa o resultado e não podia conceber nem admitir que Manuel Alegre com as responsabilidades políticas que tem fosse proposto pelo ministro de Salazar, que reabriu o Tarrafal, Adriano Moreira. Manuel Alegre, pensando ou não no caso, deverá ter a consciência disso.” Confrontado com esta informação Manuel Alegre responde: “Nunca ouvi falar. Não sei quem votou nem e quem não votou em mim.” O voto é secreto confirma Artur Anselmo, que adianta que o nome de Manuel Alegre já havia sido proposto em 2017. O presidente da Academia das Ciência garante que Adriano Moreira se limita a apoiar a candidatura de Manuel Alegre, como outros, e acrescenta que “Alegre foi também o candidato proposto pela Academia, já em 2018, para o Prémio Holberg, da Universidade de Bergen, que tem um prestígio enorme, embora não tenha a notoriedade do Nobel”.

Agustina Bessa-Luís também é proposta pela Academia em 2014 e 2015, avança Artur Anselmo. A filha recordou, certa vez, ao Expresso que a mãe costumava dizer, com um sorriso nos lábios, que só teria gosto em ganhar o Nobel se fosse para dançar com o Rei da Suécia, abrindo o baile da cerimónia da entrega do prémio. Este ano, ninguém dançará, pelo menos na literatura.

 

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https://capicua73.wordpress.com/ 

Conheço alguns dos participantes. A ideia é fazer uma revista diferente. Tem textos sobre cinema, música, etc. feitos por pessoal que percebe disso. Vejam aí e digam o que acham, sff. É um projeto promissor, na minha opinião.

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Citação de Simeone, há 22 minutos:

https://capicua73.wordpress.com/ 

Conheço alguns dos participantes. A ideia é fazer uma revista diferente. Tem textos sobre cinema, música, etc. feitos por pessoal que percebe disso. Vejam aí e digam o que acham, sff. É um projeto promissor, na minha opinião.

Vi por alto, parece-me bastante interessante. Embora gostasse de mais elementos visuais, a mim ajuda-me. Por exemplo, na parte das criticas de cinema ao 8 1/2 e ao Ran.

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Premiar a literatura e a poesia lusófonas pela primeira vez com Manuel Alegre era demasiado triste para ser verdade. Mas belo artigo, obrigado pela partilha!

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“The Infinity Gauntlet“, “Infinity War”, “Infinity Crusade”

‘Gauntlet’ é muito bom, simples e direto; ‘War’ e ‘Crusade’ não gostei tanto, as histórias não são tão boas e os ‘crossovers’ quebram demasiado o ritmo.

“Twenty Thousand Leagues Under the Sea”, “The Mysterious Island”, “Robur the Conqueror” & “Facing the Flag”, de Jules Verne

Os dois primeiros foram as minhas leituras favoritas. ‘Robur’ é similar a ’20.000 Leagues’, mas no céu e, consequentemente, menos interessante. O último também adota elementos de ’20.000’.

“The Haunting of Hill House”, de Shirley Jackson

Fantástico. Há vários anos lembro-me de ver “Rose Red” (Stephen King) na sic radical (e de ter gostado), mas não fazia ideia que tinha uma ligação ao filme “The Haunting” (1963), que por sua vez é uma adaptação deste livro. Portanto, ao ler o livro não evitei sentir uma certa nostalgia. Até “The Shining” tem ecos desta obra.

“Don’t Look Now and Other Stories”, de Daphne du Maurier

Muito boa antologia de contos. “Don’t Look Now”, “The Way of the Cross” e “The Breakthrough” foram os meus favoritos.
 

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Sitios para comprar livros a bom preço ? Novos ou usados, tanto faz. Costumo fazer negócios pelo OLX mas quando quero algo mais específico é complicado encontrar na altura certa. 

 

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Citação de johan, há 1 minuto:

Sitios para comprar livros a bom preço ? Novos ou usados, tanto faz. Costumo fazer negócios pelo OLX mas quando quero algo mais específico é complicado encontrar na altura certa. 

 

bookdepository se não te importares que sejam em ingles.

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Mesmo com o free shipping, todos os livros que vejo são mais baratos no bookdepository do que no amazon. O que é estranho, porque o segundo é dono do primeiro.

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