Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Guest Dpitz

Tópico da Política e Economia

Publicações recomendadas

Quando os jornalistas são o centro do problema

 

Vivemos uma primeira investida da direita contra o governo do PS e contra a estratégia acordada entre o PS e as restantes forças de esquerda.

 

Recordam-se da gritaria da direita a respeito deste orçamento? Recordam-se da satisfação com que os arautos dos partidos da direita repetiram que este orçamento seria chumbado sem apelo nem agravo pelos poderes de Bruxelas? Recordam-se do seráfico Marco António Costa a dizer que o orçamento não era credível, como se ele o fosse? Recordam-se da voz embargada de emoção com que os comentaristas da direita que enchem os telejornais desenhavam cenários de queda do Governo devido ao fim do apoio dos partidos à esquerda do PS e liam nas borras de café a perdição de António Costa? Recordam-se da emoção com que o PSD e o CDS anunciavam um novo resgate, uma nova troika, uma nova austeridade? Recordam-se dos líderes do Partido Popular Europeu repreendendo publicamente o governo português por fazer um orçamento que defende os interesses nacionais, com uma desfaçatez que não pode deixar de ter sido avalizada pelo PSD e pelo CDS? Recordam-se dos mesmos líderes a criticar o governo português por ser apoiado por “partidos antieuropeístas” como se fosse proibido ser crítico da UE? Recordam-se de Jorge Braga de Macedo a defender que Bruxelas deve tratar Lisboa com mais severidade agora que o governo português não está alinhado com a ideologia dominante na Comissão porque tem apoios (outra vez) de “partidos antieuropeístas”?

 

Durante semanas, foi esta a paisagem revelada pelos media. O PS tinha feito um orçamento disparatado que iria abria as comportas do Inferno graças à sua cedência ao radicalismo dos esquerdistas, todas as organizações tinham “arrasado” o orçamento, Bruxelas não iria aceitar, o financiamento ia desaparecer, o governo ia cair, vinha aí novo resgate e nova austeridade, o caos.

 

Depois, quando Bruxelas deixou afinal passar o orçamento, todos esqueceram as previsões catastróficas que tinham feito, para exprimir apenas dúvidas, críticas e discordâncias.

 

Mas o que aconteceu? O que foi isto que vivemos nas últimas semanas? Porquê tanta agitação por algo que afinal não se concretizou?

 

Aquilo que vivemos foi uma primeira investida em regra da direita contra o governo do PS e contra a estratégia acordada por este com as restantes forças de esquerda. Uma primeira investida em regra contra uma política alternativa à austeridade e que teve como actores não apenas a direita nacional mas toda a direita europeia, com mobilização sincronizada pelo Partido Popular Europeu. Isso pode aceitar-se como normal. O que não é normal é que uma estratégia partidária deste tipo, - onde para a direita portuguesa contava mais obter uma derrota do governo português (pelo simples facto de ser do PS) do que a defesa dos interesses nacionais - tivesse tido uma tão entusiástica e sectária cobertura da imprensa em geral e dos jornalistas em particular.

 

Entendamo-nos: a imprensa, seja um jornal ou uma televisão, tem espaços de opinião e espaços de informação. Nos espaços de opinião, existem pessoas que são livres de defender as suas opiniões, quaisquer que elas sejam. Nos espaços de informação, da responsabilidade de jornalistas, espera-se uma abordagem isenta. Repare-se: isenta. Não uma abordagem que mostre “os dois lados da história” - porque uma história tanto pode ter dois lados como dez e porque dois sectarismos não são a mesma coisa que isenção - mas uma abordagem que explique o que está a acontecer, as consequências do que está a acontecer e que desmonte a propaganda.

 

Para desgraça de todos nós, o jornalismo é caro e o bom jornalismo mais caro ainda (porque exige profissionais de qualidade, equipas multidisciplinares com meios e tempo) e, por isso, a informação tem vindo a ser substituída com prejuízo por espaços com opinadores. O problema é que, não só a cobertura jornalística da política em geral é de um enorme sectarismo (muitos jornalistas são de direita e fazem propaganda das suas preferências políticas ou são maus e limitam-se a repetir o discurso hegemónico do poder, de direita) como os espaços de opinião estão invadidos por comentadores de direita ou do “centro” - alguns apresentados sob uma roupagem técnica como “economistas”, “politólogos” ou mesmo “jornalistas” - e estão praticamente desprovidos de uma visão alternativa. Qualquer jornalista sabe isto e sabe que isto é desonesto. O resultado é um brutal enviesamento da informação e da opinião oferecida aos cidadãos, que não podem deixar de aderir às teses que lhe são marteladas de manhã à noite, em particular pelas televisões, por falsas que sejam (como a tese do aumento da carga fiscal ou do ataque à classe média). E é por isso que todos conhecemos as mil coisas que podem correr mal na execução orçamental e que se fala tanto disso. A direita radical quer que este orçamento corra mal, que o governo caia e que o pais entre em bancarrota. Não está a olhar a meios para o conseguir. E o meio principal é esta lavagem ao cérebro que espera que se torne uma profecia auto-realizadora.

https://www.publico.pt/politica/noticia/quando-os-jornalistas-sao-o-centro-do-problema-1722761

 

:)

Editado por Woyzeck

Compartilhar este post


Link para o post

saudades quando o governo era de direita que armava-se a p*ta por cada cêntimo :lol:

 

Acho que nunca me insurgi contra o aumento do ISPP. O ano passado também aumentou 5 ou 6 cêntimos e não me lembro deste barulho...

 

Mas se isso acontecia era porque o governo que veio para cortar as gorduras, só cortou salários. Este ano mudou um bocadinho...

Compartilhar este post


Link para o post

Pouco tempo depois de ter sido eleito fizeram uma reportagem sobre o 'grupo parlamentar' do PAN e já ele se tinha queixado espaço e com toda a razão. A AR reúne num palácio gigantesco e não há a porcaria de uma sala decente para (alguns) deputados trabalharem.

Claro que o presidente da AR tem um gabinete que mais parece um salão de bailes e que só serve para tirar fotografias, mas enfim, estamos em Portugal não é verdade?

Compartilhar este post


Link para o post

Qual enrabadela? 6 centimos de ISPP.... e?


  •  
  • no que toca ao IRS o aumento até € 225 das deduções por descendente ou ascendente não compensa a abolição do quociente familiar para os rendimentos superiores a um escalão situado entre € 12.000 e € 16.000 (aqui estão muitos cêntimos para quem ganha menos);
  • a manutenção da taxa de IRC, a alteração do participation exemption e do patent box, bem como a redução do prazo de reporte dos prejuízos fiscais, ilustram a enorme imprevisibilidade do sistema fiscal;
  • a redução da taxa de IVA nos serviços de restauração (13%), com exceção de certas bebidas (23%), apesar de lhes ser aplicável a taxa reduzida quando sejam vendidas sem serviço de restauração (6%), incentivará a criatividade das práticas comerciais, para possibilitar a aplicação das taxas de IVA mais reduzidas (6 e 13%);
  • a transposição dos novos requisitos do participation exemption para a isenção de Imposto do Selo nos suprimentos, criará indesejáveis dificuldades ao financiamento das empresas e à circulação de fundos no interior dos grupos económicos;
  • em 2016, os VPT dos prédios comerciais, industriais ou de serviços serão objecto de uma atualização extraordinária de 2,25%, não prevista nas regras do Código do IMI, o que agravará a carga fiscal das empresas.

 

Foram só uns cêntimos!

Compartilhar este post


Link para o post

E dizer que a troika de esquerda era anti-austeridade ou que não tinham sentido de compromisso?

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante

Tipo, é novamente um governo incompetente e de compadrios. Onde está a surpresa?

 

Não há surpresa nenhuma. O país está dividido ao meio, e quando uma parte está lá em cima, os outros cá em baixo chamam a atenção para o que se vai fazendo de mal. Não é assim a política? Neste caso tens a agravante de ser um governo cujo partido que o compõe fez campanha contra austeridade e que cai no ridículo de tentar passar como anti-austeridade.

Compartilhar este post


Link para o post

Há quem seja mais ridículo ainda...

:mrgreen:

 

que lufada de ar fresco, com estas eleições acabou a austeridade, acabaram os governos que financiam todas as novas ideias com mais impostos e... acabou a oposição que critica só por criticar sem achar que deve mostrar alternativas.

 

ufa, ainda bem 8-)

Compartilhar este post


Link para o post

TAP suprime discretamente voo da noite para o Porto e obriga milhares a dormir em Lisboa

09-02-2016

 

A TAP decidiu, discretamente, descontinuar o voo noturno entre Lisboa e Porto, que servia de ligação à Invicta para os passageiros que vinham de voos de médio curso, a partir da Europa. Este voo, operado pela própria TAP, com aviões Airbus A319 e A320, tinha lugar às 22,35 horas e viajava sistematicamente lotado. Agora, o último voo, a hélice, passa para as 20 horas.

 

 

Apesar da TAP ter anunciado uma "ponte aérea" entre Lisboa e Porto a partir de Março, data em que descontinuará vários voos de médio curso europeus a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a companhia aérea nacional, repartida a 50% entre o Estado e os privados da Atlantic Gateway, não anunciou publicamente a supressão deste estratégico voo TAP.

 

 

Contudo, já hoje é impossível marcar voos para Abril nesse voo, que e a Câmara do Porto sabe ter sido descontinuado. A TAP, propriamente, dita nem sequer terá voos durante a tarde entre Lisboa e Porto, limitando-se à ponte aérea realizada com os aviões recondicionados da companhia brasileira Azul.

 

 

Este facto obrigará a que os passageiros de mais de 20 voos que provêm da Europa para Lisboa, entre as 19,30 horas e as 22,00 horas, fiquem sem voo de ligação ao Porto e tenham que pernoitar em Lisboa, uma vez que o último voo entre as duas cidades passa a ser às 20 horas. Mesmo este voo terá capacidade para apenas 68 passageiros, pois será operado num dos ATR-72, aviões a hélice ao serviço da companhia White, a que a TAP chamará TAP Express, mas que mais não são do que os aviões que a Azul tem subaproveitados no Brasil.

 

 

Tendo em conta que o voo das 22,35 horas, descontinuado discretamente pela TAP a partir de março, viajava sempre cheio, contabilizam-se cerca de 45 mil passageiros por ano. Estes passageiros, provindos da Europa para o Porto, serão agora obrigados a pernoitar em Lisboa e subtraídos diretamente a pernoitas no Porto.

 

 

A estes, somam-se mais algumas dezenas de milhar que serão obrigados ao mesmo destino, uma vez que apenas 68 deles caberão no último e no penúltimo voo nos ATR a hélice operados sob a sigla TAP Express, mas que, na verdade, são voos da White, com aviões da Azul (às 19 e 20 horas). Nos Airbus, que até agora ligavam Lisboa ao Porto, cabiam pelo menos 124 passageiros, no caso do A319 - 100, o avião mais pequeno da TAP.

 

 

Em dias normais, esta interrupção de fluxo de ligação ao Porto, poderá afetar entre 20 e 30 voos diários e milhares de passageiros, oriundos da Europa para o Porto, para quem a supressão representará mais um dia de viajem, o pagamento de uma pernoita e das respetivas taxas turísticas que são cobradas na capital, mas que ainda não existem no Porto e que revertem, diretamente, para a Câmara de Lisboa.

 

 

A ponte aérea anunciada pela TAP inclui 15 voos por dia, mas apenas dois ou três serão operados pela TAP. Os restantes serão operados com os pequenos aviões a hélice.

 

 

As imagens que revelamos correspondem a um dos primeiros aviões da Azul, já recondicionado, segundo a AEROIN.

 

Porto.pt

 

Isto é o serviço público que uma empresa detida a 50% por capitais públicos presta.

Compartilhar este post


Link para o post


  •  
  • no que toca ao IRS o aumento até € 225 das deduções por descendente ou ascendente não compensa a abolição do quociente familiar para os rendimentos superiores a um escalão situado entre € 12.000 e € 16.000 (aqui estão muitos cêntimos para quem ganha menos);
  • a manutenção da taxa de IRC, a alteração do participation exemption e do patent box, bem como a redução do prazo de reporte dos prejuízos fiscais, ilustram a enorme imprevisibilidade do sistema fiscal;
  • a redução da taxa de IVA nos serviços de restauração (13%), com exceção de certas bebidas (23%), apesar de lhes ser aplicável a taxa reduzida quando sejam vendidas sem serviço de restauração (6%), incentivará a criatividade das práticas comerciais, para possibilitar a aplicação das taxas de IVA mais reduzidas (6 e 13%);
  • a transposição dos novos requisitos do participation exemption para a isenção de Imposto do Selo nos suprimentos, criará indesejáveis dificuldades ao financiamento das empresas e à circulação de fundos no interior dos grupos económicos;
  • em 2016, os VPT dos prédios comerciais, industriais ou de serviços serão objecto de uma atualização extraordinária de 2,25%, não prevista nas regras do Código do IMI, o que agravará a carga fiscal das empresas.
     

 

Foram só uns cêntimos!

 

- O filho de um rico, "passa a valer" tanto como o de um pobre, beneficiando as famílias mais pobres e a maior parte das famílias portuguesas. Só podias ser contra....

- Não sou uma empresa.

- E? Provavelmente acabo a pagar menos a minha febra ou vou ter mais escolha. Parece-me difícil os restaurantes absorverem todos a baixa do IVA...

-Não sou uma empresa.

-Não sou uma empresa.

 

E este ano tens medidas "boas" ou "simpáticas" para contrapor ao ISPP. Para as pessoas, não para as empresas...

Compartilhar este post


Link para o post

Quando achas que 12.000€/anuais deve ser tratado como rico, está tudo dito.

É, ventos de mudança. A malta ganha o mesmo que antes, e aos poucos vai ganhando menos. Mas se dizermos que quem ganha 1000 é rico, já podemos dizer que quem ganha 600 é classe média. E fica tudo mais feliz, ainda não passaram 3 meses e já se vê melhorias, nem que seja só na classificação.... Mais 6 meses e chamamos milionários a quem ganha mais de 2000, aposto que vamos aparecer na CNN como exemplo de crescimento exponencial, até conseguimos acabar com 1 ou 2 milhões de pobres no entretanto :celebracao:

Compartilhar este post


Link para o post

12000 anuais é um salário ilíquido de 857 euros, btw. Portanto tamos a falar de uma pessoa que ganha praí 700 e tal euros ao mês.

Compartilhar este post


Link para o post

Quando achas que 12.000€/anuais deve ser tratado como rico, está tudo dito.

 

Mas disse alguma coisa sobre 12.000€ anuais? O que disse é que o filho de um rico "passa a valer tanto" como o de um pobre e é verdade. O filho de quem ganha 12.000€ anuais passa a valer tanto como o de quem ganha 120.000€.

 

Dá-me um exemplo de uma família que receba 12.000 €anuais e passe a ganhar menos sff.

Compartilhar este post


Link para o post

E venceu com uma margem do crl. Em Junho do ano passado estava 40 pontos atrás nas sondagens, agora ganha com perto de 20% de diferença.

Compartilhar este post


Link para o post

E venceu com uma margem do crl. Em Junho do ano passado estava 40 pontos atrás nas sondagens, agora ganha com perto de 20% de diferença.

 

É, 56 % para 42 %, ao que parece.

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante
Este tópico está impedido de receber novos posts.
Entre para seguir isso  

×
×
  • Criar Novo...