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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Publicado (editado)
Citação de Sandes., há 6 horas:

A green party no geral subiu imenso. Acredito que muitos ex-labour votaram green nestas eleições, devido à centralização do partido.

Yup. Se bem que o Labour é uma mistura de centro, centro-esquerda e esquerda. O facto de o Reino Unido ter o sistema eleitoral que tem, mata alternativas de raiz mais à esquerda que não conseguem eleger. Portanto quem é de Esquerda tipo Bloco usualmente está lá no Labour também por não haver alternativa. 

Editado por Ticampos

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Publicado (editado)

Parecendo que não o Boris foi muito estratega ao aumentar o investimento público e assumir posições económicas mais estatais. secou o Labour quase completamente. Isso a juntar ao típico populismo que o acompanha que também ganha votos. 

Editado por Ticampos

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Na sexta-feira, Portugal entrou na lista verde do UK. Isto significa que, neste momento, o Algarve é praticamente o único destino de praia europeu que não implica 15 dias de quarentena no regresso ao UK. Quem quiser ir para Espanha, Grécia, Malta, França, etc. fica 15 dias fechado em casa.

Consequência imediata, os ingleses desataram a marcar viagens de avião para Faro. Os preços subiram exponencialmente e as companhias aéreas reagiram. Excluindo as lowcost, que têm uma flexibilidade anormal, a British Airways já a anunciou 4 rotas de aeroportos onde não tem bases para Faro.

A TAP, com pessoal em lay-off, com aviões parados, nada fez. Fica a assistir e a ver toda a gente a ganhar dinheiro. Não deve ser relevante para o país voar de Faro, ou então têm medo de apanhar DST ou algo do género.

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

Na sexta-feira, Portugal entrou na lista verde do UK. Isto significa que, neste momento, o Algarve é praticamente o único destino de praia europeu que não implica 15 dias de quarentena no regresso ao UK. Quem quiser ir para Espanha, Grécia, Malta, França, etc. fica 15 dias fechado em casa.

Consequência imediata, os ingleses desataram a marcar viagens de avião para Faro. Os preços subiram exponencialmente e as companhias aéreas reagiram. Excluindo as lowcost, que têm uma flexibilidade anormal, a British Airways já a anunciou 4 rotas de aeroportos onde não tem bases para Faro.

A TAP, com pessoal em lay-off, com aviões parados, nada fez. Fica a assistir e a ver toda a gente a ganhar dinheiro. Não deve ser relevante para o país voar de Faro, ou então têm medo de apanhar DST ou algo do género.

Eu tinha um voo com a ryanair de Manchester para o Porto para fins de Maio que foi cancelado em fins de Abril - marquei o meu voo pela TAP (com escala em Lisboa). Agora a Ryanair não só "descancelou" o voo, como adicionou voos logo a partir de dia 17. A facilidade que têm em cancelar, descancelar, reagendar e adicionar voos surpreende-me e irrita-me ao mesmo tempo. Agora até me dava mais jeito ir pela Ryanair, mas a TAP também nao tem um sistema muito aberto a mudar as datas do voos ou pedir um reembolso.

Como dizes, é uma pena que não estejam a competir com estas companhias, mas não sei o suficiente para perceber se há algum motivo para não o fazerem.

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Sei que o pessoal cansa-se de ler sobre aquele partido em particular, mas hoje ouviu-se em tribunal a familia acusada pelo candidato presidencial do chega de serem uns bandidos (no debate com o Marcelo).

https://observador.pt/2021/05/10/ventura-em-tribunal-com-familia-do-bairro-da-jamaica-lider-do-chega-recusa-acusacoes-de-racismo-e-diz-que-se-tratou-de-um-tema-politico/

Destaque-se que, se entendi bem, estas pessoas do chega dizem em tribunal que a pagina de twitter do partido não é mesmo do partido, por isso lavam as mãos do circo que se passou lá a seguir. Isso e que, relativamente à acusação de bandidagem, " o objetivo político não era retratar pessoas de forma negativa". Que náuseas. 

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Citação de Sandes., há 6 horas:

Como dizes, é uma pena que não estejam a competir com estas companhias, mas não sei o suficiente para perceber se há algum motivo para não o fazerem.

Não há nenhum novo aeroporto para se fazer em Faro.

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Citação de Simeone, há 9 horas:
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Luís Filipe Vieira: a história de um dos grandes devedores do Novo Banco em cinco capítulos

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Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica

tiago miranda

Promete ser, esta segunda-feira, uma das mais mediáticas audições da comissão de inquérito do Novo Banco. Luís Filipe Vieira é o rosto da mais duradoura presidência do Benfica, mas também da pesada herança do Novo Banco com a elevada exposição do BES aos negócios da construção. Eis o que aconteceu

9 Maio 2021 21:30

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Há 20 anos Luís Filipe Vieira, um bem sucedido empresário no ramo dos pneus, trocava o Alverca pelo Benfica e deixava a construtora Obriverca para seguir com um negócio próprio de promoção imobiliária, recauchutando uma empresa criada como Interpisos e renomeada Inland.

Os primeiros anos, alavancados em financiamento bancário, sobretudo do BES, foram bem sucedidos. Arquitetos de renome eram contratados para desenhar empreendimentos de prestígio. Muitos negócios foram feitos. Mas o grupo imobiliário de Vieira, a Promovalor, foi acumulando prejuízos. Os anúncios de projetos avançavam, mas a demonstração de resultados não saía do vermelho. Era como um avançado que driblava veloz pelo relvado, fintando metade da equipa adversária e na hora decisiva, em frente à baliza, rematava para a bancada. Uma vez. E outra. E outra.

A pesada dívida contraída para comprar terrenos em Portugal, Espanha, Brasil e Moçambique foi rolando e em 2014 a "batata quente" passou do BES para o Novo Banco, sem que a Promovalor conseguisse converter em lucros a ambição que nos primeiros anos se materializou num condomínio de luxo perto do Chiado, em Lisboa, num hotel e num edifício de escritórios no Parque das Nações, e num "resort" com um hotel Sheraton em Recife, no Brasil.

Luís Filipe Vieira terá a sua própria explicação do que aconteceu e como aconteceu, e a oportunidade para o fazer, publicamente, será esta segunda-feira, em audição na comissão parlamentar de inquérito sobre o Novo Banco. Os seus negócios começam bem lá atrás, na década de 1970. Eis o que aconteceu desde então.

1. Os primeiros negócios

Luís Filipe Vieira, hoje com 71 anos, é o presidente do Benfica com maior longevidade no cargo (17 anos), mas também um dos empresários do imobiliário que mais pesaram nos últimos anos na lista de grandes devedores do Novo Banco, uma herança dos elevados financiamentos antes concedidos pelo Banco Espírito Santo (BES). Mas bem antes de o BES deixar de ser BES já Vieira tinha deixado a sua primeira vida de empresário.

Vieira começou a trabalhar, na década de 1970, numa loja de pneus em Lisboa. O olho para os negócios levou-o, ainda antes dos 30 anos, a abrir a sua primeira empresa, a Auto-Pneus da Póvoa, com o sócio Eduardo Carvalho. A sua agressividade comercial valeu-lhes mais tarde, entre empresários concorrentes, o estatuto de “terroristas”, e a Luís Filipe Vieira, em particular, o epíteto “Kadafi dos pneus”.

Na década seguinte lança-se no negócio da construção, em parceria com Eduardo Rodrigues. Em 1985 fundam em Alverca a construtora Obriverca (que se tornaria um dos grandes devedores do BES e do Novo Banco).

Eduardo Rodrigues foi sócio de Luís Filipe Vieira na Obriverca.

Eduardo Rodrigues foi sócio de Luís Filipe Vieira na Obriverca.

paulo alexandrino

No início dos anos 1990, entra no mundo do futebol, como presidente do Alverca. Mas mantém os seus negócios na construção e nos pneus. Neste último ramo Luís Filipe Vieira manteve-se até 1999, quando vende a Hiperpneus (sociedade que antes tinha absorvido a Auto-Pneus da Póvoa), na qual chegou a trabalhar o seu filho Tiago Vieira, antes de tirar o curso de Comunicação Empresarial.

Em 2001 Luís Filipe Vieira deixa a Obriverca e também a presidência do Alverca. Nesse mesmo ano torna-se diretor desportivo do Benfica. E as águias contratam o avançado Pedro Mantorras ao Alverca. Logo a seguir cria a Inland, precursora de uma nova vida de Luís Filipe Vieira como promotor imobiliário.

Na verdade, Vieira “recauchutou” uma sociedade que já detinha na área dos pneus, criada em dezembro de 1999, a Interpisos – Recauchutagem a Frio SA. Em 2002 mudou-lhe o nome para Inland – Serviços de Consultoria e Gestão. Uma designação que voltaria a mudar em 2008, para Promovalor.

2. Entre o futebol e o imobiliário, o homem dos dois ofícios

Vieira precisou apenas de um par de anos na Luz para se lançar em voos mais altos. Em 2003 candidatou-se à presidência do Sport Lisboa e Benfica e ganhou. Nesse mesmo ano a Inland assegurava um financiamento de 17,4 milhões de euros do BPN para adquirir uma participação no fundo BPN Real Estate, participação que mais tarde seria transferida para uma outra empresa do grupo de Vieira chamada Votion. Este financiamento levaria Vieira a ser constituído arguido em 2014 num inquérito sobre suspeitas de burla, que envolviam também um financiamento do banco a uma empresa espanhola para a compra de ações na “holding” que detinha o BPN, a Sociedade Lusa de Negócios. Este processo foi arquivado no passado mês de abril.

A presidência do clube da Luz não impediu Luís Filipe Vieira de fazer avançar os seus negócios imobiliários. Vieira detinha 80% da Inland (futura Promovalor, na qual a mulher e filhos têm mais 15%), mas não conduzia a gestão quotidiana da empresa. Delegou esse papel ao filho Tiago Vieira, com o apoio do também administrador José Gouveia na área financeira. E ainda do sócio Manuel Almerindo Duarte (com 5% da Promovalor).

Terá sido nos primeiros anos da Promovalor que também se retirou de uma outra sociedade imobiliária com o dono da Obriverca, Eduardo Rodrigues, a Boguerfil. Esta empresa, criada em 1998, estava até ao ano passado na lista pública de execuções, por uma dívida incobrável de alguns milhares de euros.

Em 2005 Luís Filipe Vieira põe fim a mais de uma década de jejum do Benfica no campeonato nacional. Mas o Futebol Clube do Porto conseguiria logo depois quatro títulos de seguida, antes de o Benfica voltar a conquistar o campeonato, na temporada 2009-2010.

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Em 2008 tinha caído o Lehman Brothers, iniciando uma profunda crise económica global. Mas a Promovalor estava lançada em altos voos. Em 2005 tinha concluído e vendido um moderno edifício de escritórios no Parque das Nações, o Central Office. Nesse mesmo ano completara a construção, na mesma zona de Lisboa, do hotel Art's, que venderia em 2008 a um fundo alemão gerido pelo Credit Suisse.

A zona oriental de Lisboa foi um dos alvos da família Vieira. Em 2001 a sua empresa comprara à Petrogal e Gás de Portugal terrenos na Matinha. Segundo escreveu o “Observador” num artigo sobre os negócios de Luís Filipe Vieira, essa aquisição foi feita por cerca de 100 milhões de euros e terá contado com financiamento do BES. Em 2005, numa parceria com o Grupo Espírito Santo, estes ativos passam para o fundo FIMES Oriente, ficando 45% das respetivas unidades de participação para a Promovalor.

Em 2009 foi a vez de a Inland concluir a construção do seu primeiro projeto residencial, o edifício Santa Catarina, com 19 apartamentos de luxo perto do Chiado, em Lisboa, com a assinatura do arquiteto Carrilho da Graça.

Mas a fome de crescer era elevada, um apetite alavancado em dívida que se viria a revelar nefasto para este e outros grandes clientes do BES e, posteriormente, do Novo Banco. A Promovalor pretendia construir “resorts” turísticos (como o Verdelago, no Algarve), hotéis no Brasil (como o Sheraton Reserva do Paiva), edifícios de escritórios em Moçambique, entre outros empreendimentos.

Só para o projeto Verdelago, em Castro Marim, a Promovalor firmou, em fevereiro de 2008, um financiamento de 252 milhões de euros com um sindicato bancário composto pelo BCP, BES e CGD. Este trio acabou por dividir entre si, durante anos, os devedores de maior dimensão mais arriscados, e entre os vários casos de clientes que acabaram em tribunal esteve, por exemplo, Berardo, cuja história também se cruzou com o Benfica.

José Berardo tentou em 2007 lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Benfica SAD, que o clube, já então presidido por Vieira, recusou. Mas o empresário madeirense não desistiu dos negócios com as águias. Berardo foi um dos investidores que adquiriram unidades de participação do Benfica Stars Fund, criado em 2009 para deter percentagens dos passes dos jogadores do Benfica.

Em dezembro de 2009 o grupo de Luís Filipe Vieira viria a firmar, para o resto da sua atividade, um outro empréstimo no valor de 153 milhões de euros junto do BES.

O BES foi a grande (e em alguns casos a única) alavanca para a família Vieira se lançar em ambiciosos projetos, como o empreendimento de Benagil, no Algarve, apresentado em 2007. Só em 2018, e já nas mãos do Novo Banco, através do fundo FIMES Oriente, o projeto entrou em licenciamento, prevendo um investimento de 180 milhões de euros.

No final de 2010 a Promovalor tinha ativos totais de 654 milhões de euros. Com perto de três dezenas de trabalhadores, a empresa de Luís Filipe Vieira acumulava 1,6 milhões de metros quadrados construídos no espaço de uma década. O pior estava para vir.

3. Dos altos voos à queda do BES

Situemo-nos. Estamos em 2011 e entra a troika em Portugal. O Governo Sócrates cai, entra um novo Executivo, chefiado por Passos Coelho. Vieira vê o Futebol Clube do Porto ser campeão. Mas os negócios imobiliários têm de prosseguir. E o futebol também. De braço dado.

Em 2011 a Promovalor realiza um importante empréstimo com o suporte do BES. Emite 160 milhões de euros em “valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis” (VMOC): tratava-se de dívida com um prazo de 10 anos, ao fim dos quais esses títulos se convertiam em ações das empresas emitentes. Anos mais tarde acabaria por ser o Novo Banco a ficar com essa “batata quente”.

No mesmo ano 2011 a Capital Criativo, sociedade gestora de capital de risco fundada por Nuno Gaioso Ribeiro, acolhe entre os seus sócios Tiago Vieira, de forma a aproveitar a experiência deste no ramo imobiliário para posicionar a Capital Criativo nesse mercado.

Em 2012 é Luís Filipe Vieira quem convida Gaioso Ribeiro para vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica. Gaioso Ribeiro, já ouvido na CPI do Novo Banco, considera que esse convite nada teve a ver com a ida de Tiago Vieira para a Capital Criativo. “Sou benfiquista desde sempre, sócio ininterrupto desde que resido em Lisboa, após conclusão dos meus estudos universitários em Coimbra, acionista da Benfica SAD desde a oferta pública de subscrição de 2001, detentor de Título Fundador do estádio desde 2003”, afirmou Gaioso Ribeiro ao Expresso em 2020, para um artigo sobre o presidente do Benfica.

Vieira e Nuno Gaioso Ribeiro, CEO da C2 Capital Partners e ex-vice-presidente do Benfica

Vieira e Nuno Gaioso Ribeiro, CEO da C2 Capital Partners e ex-vice-presidente do Benfica

foto vitor mota/correio da manhã

Enquanto Portugal vai sendo “intervencionado”, as contas da Promovalor vão cavando um buraco cada vez maior. Até 2012 o grupo acumulara prejuízos de 107 milhões de euros. Em 2013 perde mais 51 milhões de euros e termina o ano com capitais próprios ainda positivos, de 4,9 milhões. E em 2014 entra em falência técnica: soma neste exercício outros 77 milhões de prejuízo e os capitais próprios entram no “vermelho”, negativos em 72 milhões de euros. A sangria continuaria no ano seguinte: em 2015 a Promovalor perdeu outros 90 milhões e aprofundou a cova, colocando os capitais próprios num valor negativo em 162 milhões de euros.

Mas não nos adiantemos. Em agosto de 2014 o BES cai com estrondo. O recém-criado Novo Banco decide fechar a torneira do financiamento ao futebol (ou pelo menos reduzir o caudal). A situação financeira da Promovalor era mais vermelha do que as camisolas do Benfica. Mas isso não impede Vieira de promover, com pompa e circunstância, uma enorme festa de inauguração do Sheraton Reserva do Paiva, no Brasil, com mais de um milhar de convidados e um concerto de Maria Rita.

A Promovalor patinava sobre gelo fino. O Novo Banco herdara um devedor que durante anos mantivera um relacionamento próximo com a cúpula do BES. Em outubro de 2014 o “Público” escrevia que “eram normais” os jantares na sede do BES entre Luís Filipe Vieira e o administrador financeiro do banco, Amílcar Morais Pires.

Segundo documentos a que o Expresso teve acesso, Morais Pires em 2013 aceitou um convite para ir a Londres assistir à final da Liga dos Campeões entre o Bayern Munique e o Borussia de Dortmund. O convite, que incluiu o também administrador do BES António Souto, partiu da Promovalor, através de Manuel Almerindo Duarte. A empresa de Vieira assumiu as despesas da viagem, com jato privado.

4. Novo Banco: ordem para reestruturar

A substituição do BES pelo Novo Banco provocou uma mudança na vida da família Vieira. A torneira do crédito ainda foi dando algum apoio nos primeiros tempos, mas os tempos eram outros. Os ambiciosos projetos imobiliários desenhados uns anos antes com o traço de arquitetos de renome não se concretizavam como pretendido. As contas de 2014 da Promovalor mereciam reservas e ênfases dos revisores de contas. As reservas adensavam-se em 2015, ano que a empresa fechou com um passivo de 279 milhões de euros.

A esmagadora maioria desse passivo era para com o Novo Banco. Em novembro de 2014 a administração da Promovalor chegou a propor ao banco, em carta endereçada ao administrador Vítor Fernandes, a que o Expresso teve acesso, várias soluções para a dívida, incluindo a dação em pagamento de alguns dos ativos.

Nessa altura, só em relação ao Novo Banco o grupo Promovalor tinha uma dívida de 249 milhões de euros, dos quais 110 milhões em Portugal, 131 milhões no Brasil e 8 milhões em Moçambique.

Eduardo Stock da Cunha, antigo presidente do Novo Banco, ouvido na CPI do Novo Banco.

Eduardo Stock da Cunha, antigo presidente do Novo Banco, ouvido na CPI do Novo Banco.

antonio pedro ferreira

E foi em 2015 que o Novo Banco procedeu à primeira reestruturação. Em julho desse ano um acordo com a Promovalor permite a esta ganhar quase três anos para reembolsar a sua dívida ao banco então liderado por Eduardo Stock da Cunha, em paralelo com a venda de 75% da empresa Verdelago (sociedade que iria desenvolver o “resort” homónimo no Algarve, num terreno com 75 hectares e 1500 metros de frente de mar em Castro Marim). A Promovalor manteve uma participação de 25%. O fundo Aquarius foi o comprador. Trata-se de um veículo da sociedade de capital de risco Oxy Capital que nesse mesmo ano passou a ter como administrador Joaquim Goes, ex-administrador… do BES.

Stock da Cunha, já ouvido na CPI do Novo Banco, declarou na semana passada aos deputados que a renegociação feita com a Promovalor “acrescentou valor”, admitindo que nos primeiros tempos do banco houve um aumento da exposição a esse devedor para “acabar determinados projetos” no Brasil e em Moçambique.

O seu sucessor no Novo Banco, António Ramalho, continuava com um problema para resolver. O setor do turismo em Portugal crescia, o negócio imobiliário em Lisboa prosperava. A Promovalor tinha ainda alguns terrenos. Mas para construir precisava de mais dinheiro. Em cima de um grupo atolado em dívida.

Chegamos a 2017. O Benfica é tetracampeão. Mas a Promovalor continuava a pressionar a relação de grandes devedores do Novo Banco. E é nesse ano que a instituição, já liderada por António Ramalho, avança para uma nova reestruturação. Antes dela, contudo, Vieira precisa de um apoio de emergência. Em março de 2017 o Novo Banco concede um empréstimo de 8,6 milhões de euros à Reserva do Paiva PE04, empresa brasileira da Promovalor ligada ao hotel já em operação em Recife. A empresa estava com dívidas a fornecedores e não tinha dinheiro para pagar.

Meio ano depois deste balão de oxigénio no Brasil, vem a reestruturação mais profunda da vida de Luís Filipe Vieira enquanto empresário. A solução é mais agressiva do que a concretizada em 2015, que havia permitido a Vieira conservar 25% do projeto Verdelago. A reestruturação de 2017 transfere para um novo fundo da Capital Criativo, o FIAE, a quase totalidade dos ativos restantes da Promovalor, incluindo terrenos em Lisboa, no Algarve e em Espanha e ainda o hotel Sheraton no Brasil e um edifício de escritórios em Moçambique.

Com a criação do FIAE, em novembro de 2017, o Novo Banco transforma uma parte da dívida da Promovalor numa participação de quase 96% no fundo. Além dos 133,9 milhões de euros de créditos sobre a Promovalor que são vendidos ao FIAE em troca das unidades de participação, o Novo Banco conserva no seu balanço financiamentos de 85,8 milhões de euros.

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foto josé carlos carvalho

Luís Filipe Vieira fica com quase 4% e a Capital Criativo com uma fração residual. Nesta operação Vieira é chamado a aportar 5 milhões de euros de dinheiro fresco para ficar com as unidades de participação equivalentes a quase 4% do fundo. Na sua audição na CPI, o fundador da Capital Criativo (agora chamada C2 Capital Partners), Nuno Gaioso Ribeiro, confirmou que Vieira entrou com os 5 milhões de euros, mas não soube precisar a origem desse dinheiro, embora tenha assegurado que passou pelos mecanismos de prevenção do branqueamento de capitais.

A reestruturação de 2017 não fez desaparecer as dívidas mas permitiu ao Novo Banco ganhar o controlo dos projetos e do seu desenvolvimento, com a expectativa de vir a recuperar os valores em dívida (agora convertidos em unidades de participação do FIAE) pela venda futura dos vários empreendimentos a desenvolver.

Contudo, Nuno Gaioso Ribeiro já assumiu no Parlamento que dificilmente o FIAE conseguirá cumprir alguns dos objetivos que tinha traçado para os primeiros cinco anos do fundo (que terminam no final de 2022). “Têm existido dificuldades operacionais no Fundo que podem comprometer, nesta conjuntura inesperada e no curto prazo, alguns objetivos previstos atingir ao fim de 5 anos”, assumiu o gestor quando foi ouvido na CPI.

Mas se a reestruturação de 2017 resolveu o destino dos ativos da Promovalor, o mesmo não aconteceu com uma outra imobiliária de Luís Filipe Vieira, a Imosteps. Esta sociedade, com uma dívida de 54,3 milhões de euros, em incumprimento, permaneceu no Novo Banco até 2019, quando foi incluída no pacote de crédito malparado conhecido como Nata 2, conforme escreveu a revista “Sábado” nesse ano. O fundo norte-americano Davidson Kempner comprou esta e outras dívidas com um desconto de cerca de 90%.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.

nurphoto/getty images

5. Benfica: a solução estava e não estava no (Novo) Banco

Em paralelo com a reestruturação da Promovalor, Luís Filipe Vieira viu o seu Benfica ser também parte de uma transformação no ano 2017. O Novo Banco já tinha decidido cortar a sua exposição ao futebol. Mas em junho de 2017 ainda acordou disponibilizar ao Benfica um financiamento de até 30 milhões de euros.

As águias têm vindo a privilegiar fontes alternativas de financiamento, para fugir à banca comercial, optando por empréstimos obrigacionistas, fundos especializados (como o britânico 23 Capital) e contratos de antecipação de receitas. Mas em 2020 o clube da Luz acabaria por acionar a linha de crédito disponibilizada pelo Novo Banco em 2017, utilizando 28 milhões de euros para salvar a sua tesouraria, num período em que tinha de reembolsar 48 milhões a detentores de obrigações.

Mas se o Novo Banco aceitou em 2017 continuar a financiar o Benfica, nesse mesmo ano também tomou a decisão de se desfazer da pequena participação que tinha na SAD encarnada.

A participação acionista de 7,97% tinha sido herdada do BES, banco que durante anos apoiou o Benfica (tal como o rival Sporting), incluindo na estruturação do fundo Benfica Stars Fund, criado para deter percentagens dos direitos económicos dos jogadores do clube.

Em maio de 2017 o Novo Banco vendeu aquela participação na Benfica SAD ao empresário José António dos Santos por 1,9 milhões de euros. O banco vendeu os títulos que tinha a 1,05 euros por ação. José António dos Santos, um dos donos da Valouro, reforçou então a sua participação para 12,7%, pois meses antes tinha comprado uma outra posição que pertencia à Somague.

José António dos Santos juntava-se assim ao construtor José Guilherme entre o restrito grupo de acionistas individuais da Benfica SAD. José Guilherme era então, tal como a Promovalor, outro dos grandes de devedores do Novo Banco, ainda que o construtor da Amadora tivesse um perfil de risco diferente, conseguindo ir amortizando dívida ao longo dos anos, primeiro com o BES e depois com o próprio Novo Banco.

A construção e o imobiliário, uma das maiores fontes de grandes dívidas ao BES e ao Novo Banco, acabaram por revelar grande proximidade com o futebol. O que, aliás, não foi um exclusivo do Benfica. Veja-se o caso do atual presidente do Braga, António Salvador, ex-dono da endividada Britalar. E de Filipe Soares Franco, antigo presidente do Sporting, e ex-presidente da Opway.

José António dos Santos, benfiquista ferrenho, tinha outros planos com Vieira além de ver jogos das águias na tribuna da Luz. Os dois cruzaram-se em pelo menos duas sociedades imobiliárias, uma com um projeto para a terceira idade no Algarve, outra com um empreendimento residencial para a Alta de Lisboa.

E em 2017 José António dos Santos também assumiu uma dívida da qual o presidente do Benfica era avalista perante o Novo Banco em relação a uma empresa de pneus da Amadora, a David Maria Vilar. A empresa (da qual Vieira foi sócio até 2012) entrou em insolvência em 2019.

Entre os credores estava o dono de uma outra empresa de pneus, a KHM Racing, que está instalada numa discreta zona residencial em Santo António dos Cavaleiros, na periferia de Lisboa. No mesmo edifício, discreto e sem o brilho dos modernos escritórios do Parque das Nações, passou a estar a sede da Promovalor depois das reestruturações da dívida.

Com os negócios da Promovalor nas mãos de terceiros (os fundos FIAE e Aquarius), Luís Filipe Vieira procurou outras oportunidades imobiliárias na companhia do agora maior acionista individual do Benfica. Mas procurou também novos negócios no próprio Benfica e um deles seria oferta pública de aquisição (OPA) mediante a qual o clube recompraria 28% do capital da SAD.

A operação, lançada no final de 2019, permitiria a José António dos Santos uma milionária mais-valia do investimento feito em 2017 na compra de ações ao Novo Banco e à Somague. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), contudo, teve reservas sobre o financiamento da OPA. Em março de 2020 o clube desiste da operação.

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josé sena goulão / lusa

Uma espécie de epílogo

Em 2020 a auditoria realizada pela Deloitte ao Novo Banco concluiu que a dívida do grupo empresarial de Luís Filipe Vieira ascendia a 760 milhões de euros, tendo provocado perdas, entre 2014 e 2018, de 225 milhões de euros ao Novo Banco, segundo noticiou em setembro o “Correio da Manhã”.

Está ainda por explicar a diferença entre aquele montante de 760 milhões de euros e os valores de dívida conhecidos do universo empresarial de Vieira: 249 milhões que o grupo Promovalor reconhecia em 2014, acrescidos de 160 milhões das VMOC e de 54 milhões de dívida da Imosteps. Algo que deverá ser esclarecido na auditoria que o Novo Banco encomendou à BDO sobre este tema específico.

Uns meses depois, em dezembro de 2020, o presidente do Novo Banco, António Ramalho, defendeu que a sua instituição nunca fez um perdão de dívida a Luís Filipe Vieira (o que sucedeu com diversos outros devedores). “Não houve, nesse cliente, noutros houve, rigorosamente perdão algum. Ponto. Pelo contrário houve um reforço de garantias que à data foram avaliadas em 70 milhões”, declarou o gestor em entrevista à SIC em dezembro do ano passado.

Nos seus últimos relatórios e contas a Benfica SAD reporta, quanto a Luís Filipe Vieira, os cargos de presidente da Promovalor II Business Advisers, da Verdelago Sociedade Imobiliária e da Imosteps Promoção Imobiliária, indicando ainda que Vieira detém um terço da empresa Sul Crescente (na qual a mulher de José António dos Santos também detém um terço) e que a sua filha Sara tem um terço da empresa Palpites e Teorias (na qual José António dos Santos tem outra terça parte).

Luís Filipe Vieira, que ao longo da última década passou de importante cliente do BES a grande devedor do Novo Banco, viu boa parte dos seus negócios desaparecer. Terá agora de os reconstruir, em retrospetiva, na comissão parlamentar de inquérito. Os deputados pedir-lhe-ão um pouco mais que palpites e dificilmente se irão satisfazer com teorias. Mr. Vieira, the floor is yours.

 

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Citação de Tio Hans, há 14 horas:

Na sexta-feira, Portugal entrou na lista verde do UK. Isto significa que, neste momento, o Algarve é praticamente o único destino de praia europeu que não implica 15 dias de quarentena no regresso ao UK. Quem quiser ir para Espanha, Grécia, Malta, França, etc. fica 15 dias fechado em casa.

Consequência imediata, os ingleses desataram a marcar viagens de avião para Faro. Os preços subiram exponencialmente e as companhias aéreas reagiram. Excluindo as lowcost, que têm uma flexibilidade anormal, a British Airways já a anunciou 4 rotas de aeroportos onde não tem bases para Faro.

A TAP, com pessoal em lay-off, com aviões parados, nada fez. Fica a assistir e a ver toda a gente a ganhar dinheiro. Não deve ser relevante para o país voar de Faro, ou então têm medo de apanhar DST ou algo do género.

Não é assim tão linear.

A TAP nao consegue competir no Point to Point, e isto sem contar com fatores externos como autorização de rotas etc etc. A TAP antes do covid queria entrar nesse modelo de negócio com a Portugalia, porque tem uma estrutura de custo muito inferior à TAP. Com covid caiu por terra.

Agora está a Portugalia a fazer voos da TAP porque com um avião da TAP nem sequer era rentável fazer alguns voos...

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Citação de Ego Sum, há 1 hora:

Não é assim tão linear.

A TAP nao consegue competir no Point to Point, e isto sem contar com fatores externos como autorização de rotas etc etc. A TAP antes do covid queria entrar nesse modelo de negócio com a Portugalia, porque tem uma estrutura de custo muito inferior à TAP. Com covid caiu por terra.

Agora está a Portugalia a fazer voos da TAP porque com um avião da TAP nem sequer era rentável fazer alguns voos...

A British Airways consegue e a TAP não?

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Citação de Tio Hans, há 7 horas:

A British Airways consegue e a TAP não?

A BA não é o melhor exemplo para comparar. Apesar de ser legacy funciona com uma estrutura de custos bastante baixa comparada com similares tipo AF e LH, mas a TAP para lá caminha com esta sangria.

Pelo que sei o objetivo deste programa é tentar trazer a TAP para custos similares à Austrian ou Swiss (ainda assim acima da Eurowings ou da Brussels) para poder ser integrada no grupo LH.

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Citação de Ego Sum, há 2 minutos:

A BA não é o melhor exemplo para comparar. Apesar de ser legacy funciona com uma estrutura de custos bastante baixa comparada com similares tipo AF e LH, mas a TAP para lá caminha com esta sangria.

Pelo que sei o objetivo deste programa é tentar trazer a TAP para custos similares à Austrian ou Swiss (ainda assim acima da Eurowings ou da Brussels) para poder ser integrada no grupo LH.

Voltamos ao mesmo. Se a TAP, baseada em Lisboa não consegue competir com a BA, baseada em Londres, no ponto a ponto, algo vai mesmo muito mal.

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Ai esta o exemplo a seguir da Estonia sem a carga fiscal de Portugal....

Claramente que os paises que melhor estao a nivel europeu teem a carga fiscal mais baixa (né IL?)

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Citação de Black Hawk, há 3 horas:

Ficaste mesmo assado por a TAP preferir Lisboa ao Porto, damn 😁

Se ficasse assado por isso, já estava morto há décadas lol.

A questão é, não cabe na cabeça de ninguém que uma empresa portuguesa, a pagar salários de Portugal não consiga competir com uma empresa inglesa, para mais baseada em Londres e que tem características similares. Que não consiga competir com a Ryanair é uma coisa, mas com a british airways? E aí sim, fico assado por parte dos meus impostos servirem para alimentar este monstro.

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Alguém com assinatura digital do público? Queria ver um artigo do P3 mas é exclusivo.

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Citação de Ticampos, há 1 hora:

Aqui: https://www53.zippyshare.com/v/dgpHTSFG/file.html

Citação de Castor, há 2 horas:

Alguém com assinatura digital do público? Queria ver um artigo do P3 mas é exclusivo.

Chuta o link.

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O Luís Monteiro retirou a candidatura a Gaia. 

"Face ao efeito público das calúnias lançadas contra mim e após ponderação, solicitei à comissão coordenadora concelhia do Bloco de Esquerda de Vila Nova de Gaia a minha substituição como cabeça de lista à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas", afirmou Luís Monteiro, numa nota enviada à comunicação social.

"Pela mesma razão, até que o processo judicial que promovi esclareça definitivamente a natureza daquelas acusações contra mim, não estarei disponível para integrar qualquer lista candidata a órgãos do Bloco de Esquerda", lê-se também na nota.

https://www.jn.pt/nacional/deputado-do-be-desiste-de-candidatura-a-camara-de-gaia-13713318.html

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