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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de noikeee, há 5 horas:

Tem de ser feito um estudo a essa gente para ver de facto qual é a principal razão que os leva a votar naquela m*rda. Porra, não acredito que haja 18% de portugueses que querem mesmo acabar com a democracia e ter um regime autoritário. Há de haver alguns, certo, mas não são tantos...

Será pela imigração, querem menos estrangeiros em Portugal? Será por acharem que não há segurança (através ou não de preconceitos contra imigrantes)? Será por paranóias sobre a "ideologia de género", e preconceitos contra pessoas LGBTQ e quererem restaurar o conceito de família tradicional mais rigido? Será por empatia com o Ventura, acharem que a linguagem que ele usa é mais parecida à do povo? Será por acharem que a despesa no estado com pessoas que recebem benefícios sociais, é a razão pela qual Portugal não é um país rico? Ou é mesmo porque querem um ditador e não gostam de democracia?

Estude-se esta m*rda. Para então poder combater essas ideias, explicar porque são erradas, e expor tudo o que pode vir junto caso estes gajos um dia sejam governo. E se nenhum argumento lógico resultar, apele-se à emoção dalguma outra forma. Nunca mais vamos sair daqui sem demover grande parte destas pessoas a votar naquilo.

É uma mistura de tudo(basta lembrar que a coisa mais aplaudida no discurso do Ventura depois das eleições foi ele a dizer que queria acabar com a ideologia de género nas escolas) e, como o @Burkina2008 disse, o facto da ditadura já ser uma memória distante para a grande parte do pessoal, faz com que o pessoal não tenha a noção de como se vivia nessa altura. Isso é extremamente bem visível nas gerações mais novas que, curiosamente, são cada vez mais as saudosistas, enquanto que o pessoal com mais de 50 anos, por "incrivel" que pareça, são os que menos votos dão ao Chega

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Citação de noikeee, há 6 horas:

Tem de ser feito um estudo a essa gente para ver de facto qual é a principal razão que os leva a votar naquela m*rda. Porra, não acredito que haja 18% de portugueses que querem mesmo acabar com a democracia e ter um regime autoritário. Há de haver alguns, certo, mas não são tantos...

Será pela imigração, querem menos estrangeiros em Portugal? Será por acharem que não há segurança (através ou não de preconceitos contra imigrantes)? Será por paranóias sobre a "ideologia de género", e preconceitos contra pessoas LGBTQ e quererem restaurar o conceito de família tradicional mais rigido? Será por empatia com o Ventura, acharem que a linguagem que ele usa é mais parecida à do povo? Será por acharem que a despesa no estado com pessoas que recebem benefícios sociais, é a razão pela qual Portugal não é um país rico? Ou é mesmo porque querem um ditador e não gostam de democracia?

Estude-se esta m*rda. Para então poder combater essas ideias, explicar porque são erradas, e expor tudo o que pode vir junto caso estes gajos um dia sejam governo. E se nenhum argumento lógico resultar, apele-se à emoção dalguma outra forma. Nunca mais vamos sair daqui sem demover grande parte destas pessoas a votar naquilo.

No meu mundo os votos no Chega foram por causa da imigração e do "o Ventura quando fala até tremem. Estão há 50 anos e não fazem nada."

Mas ou são pessoas muito burras, ou então não podem dissociar os apelos ao racismo, homofobia do resto. 

O que lhes digo é: se querem mudar as coisas radicalmente, têm a IL ou o BE. Votar no Chega, é um voto contra a democracia.

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Citação de El Colosso, há 1 hora:

Isso é extremamente bem visível nas gerações mais novas que, curiosamente, são cada vez mais as saudosistas, enquanto que o pessoal com mais de 50 anos, por "incrivel" que pareça, são os que menos votos dão ao Chega

Há estatísticas disso destas eleições?

Editado por kareca

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Citação de kareca, há 2 minutos:

Há estatísticas disso destas eleições?

Já andam por ai. Se bem me recordo, o Chega foi o mais votado entre os 18 e os 35, o PS mais votado nos maiores de 65

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Citação de El Colosso, há 17 minutos:

Já andam por ai. Se bem me recordo, o Chega foi o mais votado entre os 18 e os 35, o PS mais votado nos maiores de 65

Isso são estatísticas oficiais do INE ou sondagens?

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Citação de noikeee, há 7 horas:

Tem de ser feito um estudo a essa gente para ver de facto qual é a principal razão que os leva a votar naquela m*rda. Porra, não acredito que haja 18% de portugueses que querem mesmo acabar com a democracia e ter um regime autoritário. Há de haver alguns, certo, mas não são tantos...

Será pela imigração, querem menos estrangeiros em Portugal? Será por acharem que não há segurança (através ou não de preconceitos contra imigrantes)? Será por paranóias sobre a "ideologia de género", e preconceitos contra pessoas LGBTQ e quererem restaurar o conceito de família tradicional mais rigido? Será por empatia com o Ventura, acharem que a linguagem que ele usa é mais parecida à do povo? Será por acharem que a despesa no estado com pessoas que recebem benefícios sociais, é a razão pela qual Portugal não é um país rico? Ou é mesmo porque querem um ditador e não gostam de democracia?

Estude-se esta m*rda. Para então poder combater essas ideias, explicar porque são erradas, e expor tudo o que pode vir junto caso estes gajos um dia sejam governo. E se nenhum argumento lógico resultar, apele-se à emoção dalguma outra forma. Nunca mais vamos sair daqui sem demover grande parte destas pessoas a votar naquilo.

O Ventura foi o mais votado na faixa de população mais jovem e podem ser tiradas várias conclusões, das quais algumas foram aqui faladas, como a ausência de qualquer noção do que é viver em ditadura e o estilo anti sistema que pode ser cool para malta mais jovem. 

No entanto, há um fator que para mim é determinante e que penso não ter sido referido. Estamos a falar de uma parte de população que não vê televisão, não acompanha telejornais nem liga a política. O Chega tem uma presença forte nas redes sociais e os partidos tradicionais (PS e PSD à cabeça) não sabem comunicar com a malta mais jovem. Nem se trata de terem um discurso mais agressivo ou de mudar ideologias, simplesmente não sabem como chegar à malta mais jovem. 

Em França, o Macron ganhou bastante popularidade com a malta mais jovem ao usar o tiktok. É apenas um exemplo, não defendo que devam ir todos a correr para o tiktok.

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Citação de kareca, há 7 minutos:

Isso são estatísticas oficiais do INE ou sondagens?

Sondagens pelo ISCTE, e eu recordei-me mal. O partido com o voto mais jovem foi a IL. Dos 3 mais votados foi o Chega, e tambem foram o menos votado entre mais de 65

 

Se não estou enganado, o INE nunca fornece esses dados discriminados

Editado por El Colosso

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O JN também já tinha deixado esses dados. Os dois partidos que disputam o mesmíssimo eleitorado são a IL e o Livre (o @Plagio o Original tem razão), que é dos 18 aos 35 anos e ensino superior. O PSD curiosamente era o que garantia apoio de forma mais transversal. O PS fortíssimo nos 65+

Quem nunca ouviu de um amigo "eu não gosto do Ventura mas ele às vezes diz as verdades". Podem ter a certeza que todos os dias se cruzam com pessoas que em algum momento disseram isto e que desta vez decidiram ignorar a parte de não gostar do Ventura.

Editado por Mica
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Citação de Mica, há 1 minuto:

O JN também já tinha deixado esses dados. Os dois partidos que disputam o mesmíssimo eleitorado são a IL e o Livre, que é dos 18 aos 35 anos e ensino superior. O PSD curiosamente era o que garantia apoio de forma mais transversal. O PS fortíssimo nos 65+

Quem nunca ouviu de um amigo "eu não gosto do Ventura mas ele às vezes diz as verdades". Podem ter a certeza que todos os dias se cruzam com pessoas que em algum momento disseram isto e que desta vez decidiram ignorar a parte de não gostar do Ventura.

Eu tenho um amigo meu emigrado na China que disse isso 

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Citação de El Colosso, Agora:

Eu tenho um amigo meu emigrado na China que disse isso 

Se foi preciso dar um exemplo de um amigo na China tenho-te a dizer que tens muito bons amigos.

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Citação de Mica, há 15 minutos:

Se foi preciso dar um exemplo de um amigo na China tenho-te a dizer que tens muito bons amigos.

O resto ou vota na IL ou é mais do centrão

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GIuHNAzXwAEpULB?format=jpg&name=large

Citação de kareca, há 46 minutos:

Isso são estatísticas oficiais do INE ou sondagens?

é quase impossível determinar. As mesas de voto agora são por ordem alfabética em vez serem, como antigamente, por número de eleitor.

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cometi o erro de googlar e apareceu-me a thumbnail do post sobre a amanda lima

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Citação de Puto Perdiz, há 25 minutos:

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Se a Van der Leyen está, por essa via, o primeiro ministro também não é eleito democraticamente.

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Citação de kareca, há 1 hora:

Isso são estatísticas oficiais do INE ou sondagens?

Tendo em conta o carácter secreto do voto nem sei como se consegue dados oficiais disso sem ser sondagens 

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Citação de Cannonball, há 1 minuto:

Se a Van der Leyen está, por essa via, o primeiro ministro também não é eleito democraticamente.

Mas achas que ele faz a minima ideia como as instituições funcionam?

Apenas manda umas coisas para o ar, tal e qual o líder de outro partido 

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Citação de Tio Hans, Em 15/03/2024 at 10:09:

Não duvidando da capacidade técnica do Paulo Macedo, que é muita, o homem apresenta uma total ausência de empatia pelos outros. Não me parece uma boa solução para um governo que vai ter imenso que negociar escolher um tipo autoritário e prepotente.

Concordo plenamente. 

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A Van der Leyen tem um défice de legitimidade porque não foi a pessoa que o PPE apresentou a eleições como candidato a presidente da comissão.

É está opacidade da UE, onde tudo parece decidido por burocratas e sem que o voto sirva para algo, que funciona como fermento para os partido anti europeístas

Acham que basta paz e prosperidade, mas a medio prazo não chega, como hoje se percebe. As pessoas querem sempre sentir se incluídas, e não que uma elite de privilegiados é que decide

 

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Citação de Mica, há 1 hora:

O JN também já tinha deixado esses dados. Os dois partidos que disputam o mesmíssimo eleitorado são a IL e o Livre (o @Plagio o Original tem razão), que é dos 18 aos 35 anos e ensino superior..

Isso não é uma coisa boa. Essa geração de licenciados é a dos memes, dos posts das redes só de paragrafos de uma frase e um emoji no início ou fim de cada frase, dos cartazes edgy e que acham q se acreditarem muito no rbi ele vai aparecer

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Citação de Plagio o Original, Agora:

Isso não é uma coisa boa. Essa geração de licenciados é a dos memes, dos posts das redes só de paragrafos de uma frase e um emoji no início ou fim de cada frase, dos cartazes edgy e que acham q se acreditarem muito no rbi ele vai aparecer

huhcover.jpg

 

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O grosso dos votos no Chega não foram roubados a outros partidos, foram roubados à abstenção, aos desinteressados, aos descrentes, aos que estão fora do(s) sistema(s) que agora sentiram que havia alguém que falava para eles. E em Portugal há vários tipos de pessoas que se sentem apartados dos sistemas (social, económico, de comunidade, etc), alguns veramente se sentem por estes espoliados. Caracterizar os votantes como Burros ou Fascistas é um erro. Mas não tanto pela parte de se tal classificação é accurate ou não, é mais porque, independentemente de essa simplificação ser correcta ou não, são eleitores e temos sempre de viver, conviver e comungar de um país com eles. E isso, em democracia, significa que os temos de combater - ideologicamente - ou os conquistar. Começar a conversa chutando-os para canto na escala intelectual não fará muito por os conquistar.

 

Mas se reflectirmos bem, estes vários substratos de 'descontentes' já por aí andavam. Alguns com décadas a nutrir o seu particular ressentimento. Sem saber se todos os descontentes votaram no Ventura ou não, passo a caracterizar os vários tipos de descontentamentos que perpassavam na sociedade portuguesa, muitos dos quais meio que escondidos, remetidos ao silêncio, por serem impolutos de expressar em público.

Eu classificaria os vários descontentamentos em duas categorias. A Categoria A, a dos que, sinteticamente, foram criados por/com o 25 de Abril:

  • Sim, há os fascistas antigos. Caramba, este país teve 48 anos de regime autoritário e que, apesar de todos os pesares, não era universalmente impopular. O Estado Novo gozava de bom apoio, um pouco por todo o território, em diversas classes sociais, e, não fora a Guerra Colonial começar a sorver os filhos da nação, quantos mais anos duraria? Sim, há gente que se sente espoliada por Abril. Alguns literalmente, como os senhores da terra do Alentejo, donos de fazendas privadas do tamanho de Vila Nova de Cerveira, incluido a propriedade informal dos braços de trabalho que nele habitavam e que estavam adstritos à terra e ao senhor, geracionalmente, era uma situação feudal, arcaica, que uma sociedade moderna não podia tolerar. Aliás, tal reforma agrária, nos mesmos moldes e com os mesmo propósitos e os mesmo efeitos foi levada a cabo pela liberal Inglaterra na Irlanda no final do século XIX, mas como cá foi feita por barbudos de foice e martelo, consegue ser perpetuada em certos círculos como um crime soviético. E, seja como for, para as pessoas cuja propriedade passou de ter o tamanho de um município do norte a uma freguesia, esse descontentamento não passa nunca. E transmite-se às gerações seguintes. 
  • Ainda na senda dos descontentes com a transição de regime temos os retornados. Os retornados viviam, genericamente, como senhores. Os relatos que ouço da vida que os brancos levavam em Angola e Moçambique, o fausto, as mordomias, as condições de vida, muito superiores, em boa parte dos casos, ao que os mesmos brancos levavam aqui na Metrópole, vai sempre criar um ressentimento, um vero sentido de espoliação. Pouco importará, do seu ponto de vista, que esse fausto fosse conseguido às costas de trabalho que pode ser considerado pouco mais do que trabalho escravo, na opressão total de uma etnia por outra, um retornado tinha sol o ano inteiro, não precisava de usar casacos, tinha uma abundância alimentar de excelência, vivia num bairro de luxo de Luanda, moderno, com luzes e Casino, ou detinha sozinho lá no inetiror do Moxico uma fazenda do tamanho da ilha Terceira, e veio para Portugal com uma mão à frente e outra atrás. Esse descontentamento não passou nunca, infecta os herdeiros e eu até diria que é o descontentamento mais profundamente entranhado da sociedade portuguesa.
  • Também ainda no sendeiro de descontentes que a mudança criou há os descontentes, que eu diria de sociais. A brigada do respeitinho, vocês sabem, aquela gente que diz sempre "... mas havia respeito". Aquela gente que sente que se estilhaçou a ordem social natural, aquela gente assim do antigamente - ou com mentalidade disso - aquela gente cuja esposa não é seu semelhante, ou aquela gente que lamenta que a sua fé hoje em dia seja algo que tenha de exercer em casa, que lamentam que Deus tenha sido afastado da coisa pública. Há gente que gostava das coisas como elas estavam e nutre esse ressentimento à décadas.

E depois há os da categoria B, os descontentes modernos, os que são criados já em regime democrático, pela vida moderna:

  • Aqui o grande vector é composto pelos jovens. Como eu dizia logo na noite das eleições, citando uma conversa que havia acabado de ter com a minha mãe, os jovens sentem-se negligenciados por um país que, comparativamente à vida que levaram os seus país, apenas lhes deu a mais um canudo, mas lhes retirou quase tudo que os seus pais tiveram. Emprego estável? Zero. Salários condignos? Nada. Aumentos e progressões de carreira frequentes? Nicles (só no sector públicos os congelamentos duram desde o tempo da Manuela Ferreira Leite, duas décadas disto!). Casa? Ah ah. Possibilidade de comprar casa? Ah ah ah ah. Crédito Habitação? Bem ao seu pai demos-lhe 100% em 1991, mas a si só podemos dar 75%, portanto tem aí 75K de parte? Pronto, arrendar? Só se for uma quarto numa casa com mais 6 pessoas. "Mas eu tenho 33 anos, não tenho idade para viver com housemates, quero ter uma casa!". Bem....talvez lá fora possas ter, responde o país sem esconder o desinteresse.
  • Há depois os abandonados pela globalização económica e pela integração económica Europeia. Vocês sabem, lembram-se quando o Barreiro era um esteio da indústria? Quando o Vale do Ave era um potentado de manufactura? Antes de as fábricas fecharem e irem abrir noutras latitudes com outros custos? Pois bem, tais fenómenos económicos deixaram atrás de si um rasto de verdadeiros órfãos. Gente que nunca se conseguiu integrar na nova economia de serviços que as últimas décadas do século XX trouxeram ao país, gente de 50 e tal anos que fica no desemprego durante 10, antes de se puderem reformar, que não são contratáveis no mercado de trabalho, que vivem um limbo permanente. Gente que nalguns campos vêm o produto que produzem a não conseguir escoar condignamente porque, num mundo sem fronteiras, compete com o mesmo produto vindo de fora, e que custa x vezes menos. Há toda uma panóplia de gente que se sente atropelada pela economia global e que só vê isto a piorar quando as medidas climáticas que se avizinham começarem a doer.
  • Depois há os descontentes sociais. Este campo é caracterizado pela xenofobia, mais ou menos aberta, mais ou menos benigna, mais ou menos de direita, mas também de esquerda (ou o ódio aos nómadas digitais vocês acham que é alimentado por quem?). Pois bem, o país em 1975 era um país 100% branco. 100% católico. 100% de língua e etnia portuguesa. Vá existiam ciganos, mas esses era como se não existissem, aliás a não-existência é a grande característica secular da existência dos ciganos. Os anos trouxeram várias vagas de imigração que apresentaram sempre desafios que nem as autoridades nem a sociedade soube sempre resolver. Os Bairros da Jamaica ainda aí estão para provar um certo apartheid que a sociedade Portuguesa não aboliu. Tentou, fez muito, mas não sentiu que era um problema tal que merecesse ser extinto, apenas combatido. E quanto parecia que o país já tinha passado o cabo da Tormentas e que tinha já acolhido e integrado, com custo e alguns rancores, as comunidades africanas que chegaram nos anos 80, 90, eis que BAM! a contemporaneidade lhes traz gente ainda mais 'estranha'  - do ponto de vista de um Português - do Bangladesh, Nepal, de todo o subcontinente indiano, mais sírios refugiados de guerra, mais gente de sitios que muita gente nem tinha ouvido falar, com línguas, culturas e religiões distantes e exóticas, um novo mundo, e o que é novo causa sempre receio. Mais se lhe junta, por outro lado, o Americano com guita que vem viver para a Califórnia barata e com saúde à borla, mas que faz aumentar os preços das casas para os indígenas. Mais o inglês que se vem reformar para o sol ibérico, mas que ocupa agora uma ano inteiro uma casa que antes estava 10 meses no mercado de arrendamento. Mais o Francês que descobriu que Portugal existe, gostou, e anda a comprar prédios inteiros em Lisboa, para hotel, ou para arrendar a preços proibitivos. Mais o Brasileiro que vem com nota vinte da Faculdade de Itamirim e que por esse vaia passa à frente do português no acesso ao mestrado na sua própria faculdade, enfim, todo um sem fim de situações novas, de imigrantes que vêm quer para preencher o 'plantel' nas classes baixas da sociedade, mas também nas classes altas, fenómenos tão recentes que ainda parecem impossíveis de perceber, quanto mais de controlar e isso causa medos e descontentamentos.

Estes descontentamentos são fáceis de desvalorizar, desmontar, por vezes até ridicularizar, por quem está bem, quem está instalado, quem está enquadrado com o sistema económico, político e social. E até por quem, mesmo que não esteja bem na vida, nem bem enquadrado em todos os vectores, saiba - ou sinta - que, de um ponto de vista moral, ético, filosófico, é 'errado' expressar, ou sequer sentir, alguns desses descontentamentos, porque esses corporizam a xenofobia, ou o racismo, ou a misoginia, enfim, tudo coisas que são 'erradas'. Mas dizer aos descontentes que acima elenco que o seu sentimento é errado, ou é mau, ou é moralmente inadequado, ou é enviesado, ou é até mal direccionado, não faz nada para resolver as suas situações em concreto. Não faz nada para os combater nem conquistar.

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Um bom estudo é saber a percentagem de pessoas que vota no Chega e não tem casa comprada. 

Porque termos um milhão de Neros a pegar fogo a isto tudo é absolutamente legítimo. 

Uma pessoa sabe que o capitalismo é assim, que o mercado está a autorregular-se, que a alta demanda leva ao aumento dos preços onde apenas pessoas decentes conseguem comprar casa, etc. 

Aquele milhão de portugueses não tem literacia financeira. Não aceita que não merece ser dono de uma casa. Que não é a sua vez. Que estará 70 ou 80 anos nesta terra e não terá esse privilégio. 

Parece quase uma ditadura da precariedade. É difícil explicar a este milhão que a vida é assim mesmo e que devem ter juízo. 

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Citação de Che, há 5 minutos:

Um bom estudo é saber a percentagem de pessoas que vota no Chega e não tem casa comprada. 

Porque termos um milhão de Neros a pegar fogo a isto tudo é absolutamente legítimo. 

Uma pessoa sabe que o capitalismo é assim, que o mercado está a autorregular-se, que a alta demanda leva ao aumento dos preços onde apenas pessoas decentes conseguem comprar casa, etc. 

Aquele milhão de portugueses não tem literacia financeira. Não aceita que não merece ser dono de uma casa. Que não é a sua vez. Que estará 70 ou 80 anos nesta terra e não terá esse privilégio. 

Parece quase uma ditadura da precariedade. É difícil explicar a este milhão que a vida é assim mesmo e que devem ter juízo. 

Como é que se explica a um piromaníaco que não deve brincar com fósforos?

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Citação de Che, há 6 minutos:

Um bom estudo é saber a percentagem de pessoas que vota no Chega e não tem casa comprada. 

Porque termos um milhão de Neros a pegar fogo a isto tudo é absolutamente legítimo. 

Uma pessoa sabe que o capitalismo é assim, que o mercado está a autorregular-se, que a alta demanda leva ao aumento dos preços onde apenas pessoas decentes conseguem comprar casa, etc. 

Aquele milhão de portugueses não tem literacia financeira. Não aceita que não merece ser dono de uma casa. Que não é a sua vez. Que estará 70 ou 80 anos nesta terra e não terá esse privilégio. 

Parece quase uma ditadura da precariedade. É difícil explicar a este milhão que a vida é assim mesmo e que devem ter juízo. 

https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2022/01/06/50409-comprar-ou-arrendar-casa-77-dos-portugueses-escolhe-ser-proprietario

O jovem poeta da aldeia dizia que 20% da populacao portuguesa votou chega, portanto tá certo

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Citação de RAG, há 34 minutos:

A Van der Leyen tem um défice de legitimidade porque não foi a pessoa que o PPE apresentou a eleições como candidato a presidente da comissão.

É está opacidade da UE, onde tudo parece decidido por burocratas e sem que o voto sirva para algo, que funciona como fermento para os partido anti europeístas

Acham que basta paz e prosperidade, mas a medio prazo não chega, como hoje se percebe. As pessoas querem sempre sentir se incluídas, e não que uma elite de privilegiados é que decide

Não é fácil corrigir isso

Se votássemos diretamente no presidente da comissão europeia se calhar a Europa elegia mais um Trump ou um Ventura

Não vejo como as pessoas possam se sentir mais incluídas, aqui há uma ou duas páginas falamos numa possibilidade que é emergirem populistas centristas tipo Macron (ou até mesmo o Obama), mas depois isso parece resultar numa subida ainda mais agressiva da extrema direita quando esses populistas deixam de ser novidade e passam a ser o status quo.

Acho que a onda atual de extrema direita só acaba quando as pessoas virem consequências reais extremamente negativas de ter estes extremistas no poder, e que as façam sentir sensação de perigo real. Pode demorar muitos anos ou até décadas até isso acontecer. Outra coisa que acho urgente é regular ou controlar de alguma forma a desinformação nas redes sociais, mais uma vez não é fácil de o fazer, mas a internet ainda é muito um faroeste. E é difícil de controlar a internet de forma democrática, sem por em prática coisas que depois possam ser aproveitadas de forma nociva por potenciais futuros governos extremistas, que possam usar esses controlos como métodos de censura e propaganda.

Outra possibilidade de tentar fazer sentir as pessoas incluídas, é uma viragem à esquerda ao nível mais europeu, políticas que promovam a redistribuição de rendimentos à classe média e média-baixa e que os faça sentir menos explorados pelas elites. O problema desta opção é que tende a tornar os países menos eficazes na produtividade e no desenvolvimento económico a longo prazo, e a Europa já está a ficar para trás em produtividade, tendo há muito perdido o comboio para os Estados Unidos, e perdendo cada vez mais força geopolítica global. Com o investimento extra que agora será necessário fazer em defesa devido à ameaça da Rússia, e com o investimento extra para dar resposta à crise climática, ainda mais difícil é sobrar dinheiro para esta redistribuição. Depois as políticas de esquerda estão muito associadas a estas causas dos imigrantes e minorias, que podemos achar 100% justas e necessárias, mas são muito impopulares com este eleitorado que se pretende reconquistar.

Já agora, eu até nem sou contra políticas mais de esquerda se forem acordadas a nível internacional, por isso tenho uma tendência a votar um pouco mais à esquerda em eleições europeias. Não o faço a nível nacional porque acho que o maior problema de Portugal é estar a ficar para trás economicamente face ao resto do bloco europeu e aí a solução a longo prazo só pode ser a economia ser mais produtiva. Uma coisa é a Europa toda decidir que todos os países devem seguir a política X ou Y que promove a redistribuição de riqueza, outra é Portugal unilateralmente decidir o fazer e afastar investidores daqui para outros países europeus.

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