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Sumudica by Night

Incêndio Pedrogão Grande: 64 vítimas mortais confirmadas

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volto a colocar aqui esta questão:

alguém por aqui sabe de algum grupo da zona de lisboa e arredores que esteja a planear ir até amanhã para as zonas criticas para voluntariado? Quero ir e ajudar mas sem carro torna-se dificil. Não me importo de dividir a gota para lá. Ficarei lá até que precisem, sem data de regresso a casa

 

Não leves a mal o que te vou dizer, mas tens alguma experiência neste tipo de situações? É que no que toca ao combate, numa situação destas, o melhor é deixar trabalhar os profissionais, já estive em situações em que o tentar ajudar ia saindo caro, quer à pessoa, quer aos bombeiros. No apoio às vítimas, tendo em conta a situação é preciso ter muito "estômago" para lidar com um situação destas. Para além de ter lido que a ministra disse que havia excesso de voluntarismo, apesar de não saber ao certo ao que se referia, já para não falar dos acessos. mas se achares que podes contribuir, e que a tua contribuição pode fazer a diferença força.

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Não leves a mal o que te vou dizer, mas tens alguma experiência neste tipo de situações? É que no que toca ao combate, numa situação destas, o melhor é deixar trabalhar os profissionais, já estive em situações em que o tentar ajudar ia saindo caro, quer à pessoa, quer aos bombeiros. No apoio às vítimas, tendo em conta a situação é preciso ter muito "estômago" para lidar com um situação destas. Para além de ter lido que a ministra disse que havia excesso de voluntarismo, apesar de não saber ao certo ao que se referia, já para não falar dos acessos. mas se achares que podes contribuir, e que a tua contribuição pode fazer a diferença força.

não levo nada a mal :compinchas:

Experiência em incêndios não tenho, mas tenho alguma em voluntariado de outras ocasiões. Tenho um amigo que foi ontem para o quartel de bombeiros de Pedrogão Grande fazer de voluntariado pois precisavam de ajuda com as contribuições que foram feitas (receber, organizar, etc) e que a protecção civil estava a direccionar as pessoas para sitios/zonas onde precisavam de ajuda. Ainda agora liguei para o quartel e perguntei se ainda precisavam de ajuda e a moça que atendeu disse: "Claro que sim. Temos poucas pessoas e não estamos a dar conta do recado. Além disso também e necessário ajuda em outras localidades, mas isso já é a protecção civil que está a organizar".

 

Apenas quero ajudar nesta parte, onde sei que posso contribuir sem atrapalhar quem está a combater este inferno.

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Isto da aeronave que caiu ou não é um bocado caricato.

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não levo nada a mal :compinchas:

Experiência em incêndios não tenho, mas tenho alguma em voluntariado de outras ocasiões. Tenho um amigo que foi ontem para o quartel de bombeiros de Pedrogão Grande fazer de voluntariado pois precisavam de ajuda com as contribuições que foram feitas (receber, organizar, etc) e que a protecção civil estava a direccionar as pessoas para sitios/zonas onde precisavam de ajuda. Ainda agora liguei para o quartel e perguntei se ainda precisavam de ajuda e a moça que atendeu disse: "Claro que sim. Temos poucas pessoas e não estamos a dar conta do recado. Além disso também e necessário ajuda em outras localidades, mas isso já é a protecção civil que está a organizar".

 

Apenas quero ajudar nesta parte, onde sei que posso contribuir sem atrapalhar quem está a combater este inferno.

Nesse caso, força! Eu disse aquilo mesmo de maneira sincera, por preocupação, não procurei fazer qualquer tipo de julgamento. Ainda bem que não levaste a mal.

 

Isto da aeronave que caiu ou não é um bocado caricato.

É um bocado sim, também ainda não percebi bem o que se passou.

Editado por Enzo

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Foi uma explosão de uma botija de gás, pelos vistos.

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Tirar a floresta das mãos do eucalipto

 

As condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não se repetirão só nos próximos verões: repetir-se-ão já este verão.

 

João Camargo - https://www.publico.pt/2017/06/19/sociedade/noticia/tirar-a-floresta-das-maos-do-eucalipto-1776189

 

 

 

 

Estavam 40ºC ao fim da tarde em Lisboa. Em Santarém, o termómetro batia nos 45ºC. Ao mesmo tempo, em Pedrógão Grande, estavam 41ºC, e ventos fortes e irregulares. Parece que os incêndios entre o Norte do Alentejo e Coimbra tinham começado muito mais cedo, provocados por invulgares trovoadas secas. A Sul do país e em Lisboa tinha mesmo chovido, e, com um calor infernal e gotas grossas caindo, poderia dizer-se que estávamos bastante a sul, num clima tropical. No site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera dizia “Estamos fora do período crítico até 30 de Junho” em relação ao risco de incêndio, o que é o velho “normal”. No ano passado, na Madeira, em Agosto, com um clima bem mais húmido mas não menos quente, os incêndios florestais chegaram à noite à cidade do Funchal e também colheram vidas à sua passagem. Qual será o “novo normal” do clima onde vivemos? Ainda estamos a descobrir.

 

Mas, e o velho clima? Por que é que Portugal arde tanto mais que os restantes países mediterrânicos? O clima da zona mediterrânica é, de facto, propício à ocorrência de incêndios florestais no verão, fenómeno natural e ao qual a nossa flora e fauna (incluindo a humana) estavam adaptados. Ora, as últimas décadas viram um aumento da ocorrência de incêndios florestais, de área ardida e de ignições em Portugal. Um aumento que não foi acompanhado pelos nossos vizinhos de clima: Espanha, Grécia, Itália, Marrocos, Argélia. Em 1980, Portugal teve um registo de 2349 ocorrências de incêndios florestais e uma área ardida de 44 mil hectares. Em 2016, ano de baixas ocorrências, Portugal teve um registo de 13.079 e uma área ardida de 160 mil hectares. Em média passámos de 73 mil hectares de área ardida por ano na década de 80 para 150 mil hectares de área ardida por ano na década de 2000. O que mudou?

 

Além do clima, mudou o abandono rural e florestal, que explodiu e foi alimentado e explorado pela expansão descontrolada das plantações industriais de eucalipto e pela pequena plantação desordenada de eucalipto e pinheiro. Com o abandono, Portugal passou a ter uma floresta de matos, acácias, mimosas e eucaliptos para abastecer as fábricas da agora Navigator Company (ex-Portucel), da Altri, da Europac&Kraft e da Renova. E querem mais, como nos recordaram há menos de um ano atrás, que “Portugal devia estar orgulhoso de ter o eucalipto”. Nunca referem que somos o país com a maior área relativa do planeta. Nem Austrália, nem China, nem Brasil, mas Portugal. Mais de 9% de toda a área do país.

 

Não é uma novidade que o clima vai ficar mais quente. Além disso vai ficar menos húmido, o que significa que as condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não só se repetirão nos próximos verões: repetir-se-ão ainda este verão. E os verões, que fruto das alterações climáticas podem perfeitamente começar em Maio e terminar em Outubro, farão com que o “período crítico” de incêndios passe de três meses a seis. Aliás, só entre 1 de Janeiro e 12 de Abril deste ano, Portugal já tinha registado 2900 incêndios florestais. A natureza do Eucalyptus globulus é que não vai mudar, o facto de ser altamente inflamável, de se incendiar rapidamente e de projectar cascas incandescentes a mais de dois quilómetros de distância também não.

 

Portanto, colocamo-nos perante questões-chave sobre um novo futuro da floresta com alterações climáticas: se o que já tínhamos era uma floresta altamente vulnerável, essa vulnerabilidade só aumentará. Com o estado actual ou com mais abandono e mais monocultura inflamável (não só de eucalipto) e/ou desordenada, estamos a semear mais tragédias. As áreas florestais abandonadas devem ser nacionalizadas. O Estado deve geri-las. Deve ser travada imediatamente qualquer expansão de áreas de floresta industrializada. Introduzir um código florestal que ordena, organiza e vincula. Travar a desflorestação. Há espécies, maioritariamente autóctones, árvores bombeiras, que reduzem as ignições e a intensidade dos fogos florestais, e que têm de fazer parte de uma reconstituição da floresta nacional. Deve haver serviços florestais com pessoal e não gabinetes com poucos funcionários e sem capacidade de ir para o campo. É preciso mais milhares de guardas e vigilantes da natureza, um corpo totalmente subdimensionado para o país e as áreas protegidas que temos. Reforçar o combate. Não cumprimos o défice? A boa vontade do Eurogrupo para deixar o resgate de bancos de fora das contas também há-de servir para deixar o resgate do nosso território e das suas populações fora das folhas de Excel.

 

E continuará a haver fogos, mas menos incêndios catastróficos. Está na nossa mão fazer com que sejam menos violentos e menos frequentes. Para isso temos de tirar o apoio às celuloses e dá-lo às populações. E investir num futuro que não voe à vontade dos desejos de uma indústria que prolifera na decadência.

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Tirar a floresta das mãos do eucalipto

 

As condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não se repetirão só nos próximos verões: repetir-se-ão já este verão.

 

João Camargo - https://www.publico.pt/2017/06/19/sociedade/noticia/tirar-a-floresta-das-maos-do-eucalipto-1776189

 

 

 

 

Estavam 40ºC ao fim da tarde em Lisboa. Em Santarém, o termómetro batia nos 45ºC. Ao mesmo tempo, em Pedrógão Grande, estavam 41ºC, e ventos fortes e irregulares. Parece que os incêndios entre o Norte do Alentejo e Coimbra tinham começado muito mais cedo, provocados por invulgares trovoadas secas. A Sul do país e em Lisboa tinha mesmo chovido, e, com um calor infernal e gotas grossas caindo, poderia dizer-se que estávamos bastante a sul, num clima tropical. No site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera dizia “Estamos fora do período crítico até 30 de Junho” em relação ao risco de incêndio, o que é o velho “normal”. No ano passado, na Madeira, em Agosto, com um clima bem mais húmido mas não menos quente, os incêndios florestais chegaram à noite à cidade do Funchal e também colheram vidas à sua passagem. Qual será o “novo normal” do clima onde vivemos? Ainda estamos a descobrir.

 

Mas, e o velho clima? Por que é que Portugal arde tanto mais que os restantes países mediterrânicos? O clima da zona mediterrânica é, de facto, propício à ocorrência de incêndios florestais no verão, fenómeno natural e ao qual a nossa flora e fauna (incluindo a humana) estavam adaptados. Ora, as últimas décadas viram um aumento da ocorrência de incêndios florestais, de área ardida e de ignições em Portugal. Um aumento que não foi acompanhado pelos nossos vizinhos de clima: Espanha, Grécia, Itália, Marrocos, Argélia. Em 1980, Portugal teve um registo de 2349 ocorrências de incêndios florestais e uma área ardida de 44 mil hectares. Em 2016, ano de baixas ocorrências, Portugal teve um registo de 13.079 e uma área ardida de 160 mil hectares. Em média passámos de 73 mil hectares de área ardida por ano na década de 80 para 150 mil hectares de área ardida por ano na década de 2000. O que mudou?

 

Além do clima, mudou o abandono rural e florestal, que explodiu e foi alimentado e explorado pela expansão descontrolada das plantações industriais de eucalipto e pela pequena plantação desordenada de eucalipto e pinheiro. Com o abandono, Portugal passou a ter uma floresta de matos, acácias, mimosas e eucaliptos para abastecer as fábricas da agora Navigator Company (ex-Portucel), da Altri, da Europac&Kraft e da Renova. E querem mais, como nos recordaram há menos de um ano atrás, que “Portugal devia estar orgulhoso de ter o eucalipto”. Nunca referem que somos o país com a maior área relativa do planeta. Nem Austrália, nem China, nem Brasil, mas Portugal. Mais de 9% de toda a área do país.

 

Não é uma novidade que o clima vai ficar mais quente. Além disso vai ficar menos húmido, o que significa que as condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não só se repetirão nos próximos verões: repetir-se-ão ainda este verão. E os verões, que fruto das alterações climáticas podem perfeitamente começar em Maio e terminar em Outubro, farão com que o “período crítico” de incêndios passe de três meses a seis. Aliás, só entre 1 de Janeiro e 12 de Abril deste ano, Portugal já tinha registado 2900 incêndios florestais. A natureza do Eucalyptus globulus é que não vai mudar, o facto de ser altamente inflamável, de se incendiar rapidamente e de projectar cascas incandescentes a mais de dois quilómetros de distância também não.

 

Portanto, colocamo-nos perante questões-chave sobre um novo futuro da floresta com alterações climáticas: se o que já tínhamos era uma floresta altamente vulnerável, essa vulnerabilidade só aumentará. Com o estado actual ou com mais abandono e mais monocultura inflamável (não só de eucalipto) e/ou desordenada, estamos a semear mais tragédias. As áreas florestais abandonadas devem ser nacionalizadas. O Estado deve geri-las. Deve ser travada imediatamente qualquer expansão de áreas de floresta industrializada. Introduzir um código florestal que ordena, organiza e vincula. Travar a desflorestação. Há espécies, maioritariamente autóctones, árvores bombeiras, que reduzem as ignições e a intensidade dos fogos florestais, e que têm de fazer parte de uma reconstituição da floresta nacional. Deve haver serviços florestais com pessoal e não gabinetes com poucos funcionários e sem capacidade de ir para o campo. É preciso mais milhares de guardas e vigilantes da natureza, um corpo totalmente subdimensionado para o país e as áreas protegidas que temos. Reforçar o combate. Não cumprimos o défice? A boa vontade do Eurogrupo para deixar o resgate de bancos de fora das contas também há-de servir para deixar o resgate do nosso território e das suas populações fora das folhas de Excel.

 

E continuará a haver fogos, mas menos incêndios catastróficos. Está na nossa mão fazer com que sejam menos violentos e menos frequentes. Para isso temos de tirar o apoio às celuloses e dá-lo às populações. E investir num futuro que não voe à vontade dos desejos de uma indústria que prolifera na decadência.

 

é o país que temos, o importante é alimentar os lobbies

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E a Assunção Cristas ainda não apareceu para falar dos eucaliptos?

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E a Assunção Cristas ainda não apareceu para falar dos eucaliptos?

apareceu a dizer que no tempo certo estará no parlamento a fazer as perguntas que têm de ser feitas

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Esta Judite de Sousa é das coisas mais aberrantes da actualidade.

Só perguntas idiotas e insinuações.

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apareceu a dizer que no tempo certo estará no parlamento a fazer as perguntas que têm de ser feitas

 

Quando estava no governo, não haviam perguntas nenhumas :lol:

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Tirar a floresta das mãos do eucalipto

 

As condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não se repetirão só nos próximos verões: repetir-se-ão já este verão.

 

João Camargo - https://www.publico.pt/2017/06/19/sociedade/noticia/tirar-a-floresta-das-maos-do-eucalipto-1776189

 

 

 

 

Estavam 40ºC ao fim da tarde em Lisboa. Em Santarém, o termómetro batia nos 45ºC. Ao mesmo tempo, em Pedrógão Grande, estavam 41ºC, e ventos fortes e irregulares. Parece que os incêndios entre o Norte do Alentejo e Coimbra tinham começado muito mais cedo, provocados por invulgares trovoadas secas. A Sul do país e em Lisboa tinha mesmo chovido, e, com um calor infernal e gotas grossas caindo, poderia dizer-se que estávamos bastante a sul, num clima tropical. No site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera dizia “Estamos fora do período crítico até 30 de Junho” em relação ao risco de incêndio, o que é o velho “normal”. No ano passado, na Madeira, em Agosto, com um clima bem mais húmido mas não menos quente, os incêndios florestais chegaram à noite à cidade do Funchal e também colheram vidas à sua passagem. Qual será o “novo normal” do clima onde vivemos? Ainda estamos a descobrir.

 

Mas, e o velho clima? Por que é que Portugal arde tanto mais que os restantes países mediterrânicos? O clima da zona mediterrânica é, de facto, propício à ocorrência de incêndios florestais no verão, fenómeno natural e ao qual a nossa flora e fauna (incluindo a humana) estavam adaptados. Ora, as últimas décadas viram um aumento da ocorrência de incêndios florestais, de área ardida e de ignições em Portugal. Um aumento que não foi acompanhado pelos nossos vizinhos de clima: Espanha, Grécia, Itália, Marrocos, Argélia. Em 1980, Portugal teve um registo de 2349 ocorrências de incêndios florestais e uma área ardida de 44 mil hectares. Em 2016, ano de baixas ocorrências, Portugal teve um registo de 13.079 e uma área ardida de 160 mil hectares. Em média passámos de 73 mil hectares de área ardida por ano na década de 80 para 150 mil hectares de área ardida por ano na década de 2000. O que mudou?

 

Além do clima, mudou o abandono rural e florestal, que explodiu e foi alimentado e explorado pela expansão descontrolada das plantações industriais de eucalipto e pela pequena plantação desordenada de eucalipto e pinheiro. Com o abandono, Portugal passou a ter uma floresta de matos, acácias, mimosas e eucaliptos para abastecer as fábricas da agora Navigator Company (ex-Portucel), da Altri, da Europac&Kraft e da Renova. E querem mais, como nos recordaram há menos de um ano atrás, que “Portugal devia estar orgulhoso de ter o eucalipto”. Nunca referem que somos o país com a maior área relativa do planeta. Nem Austrália, nem China, nem Brasil, mas Portugal. Mais de 9% de toda a área do país.

 

Não é uma novidade que o clima vai ficar mais quente. Além disso vai ficar menos húmido, o que significa que as condições para a existência de tragédias como Pedrógão Grande não só se repetirão nos próximos verões: repetir-se-ão ainda este verão. E os verões, que fruto das alterações climáticas podem perfeitamente começar em Maio e terminar em Outubro, farão com que o “período crítico” de incêndios passe de três meses a seis. Aliás, só entre 1 de Janeiro e 12 de Abril deste ano, Portugal já tinha registado 2900 incêndios florestais. A natureza do Eucalyptus globulus é que não vai mudar, o facto de ser altamente inflamável, de se incendiar rapidamente e de projectar cascas incandescentes a mais de dois quilómetros de distância também não.

 

Portanto, colocamo-nos perante questões-chave sobre um novo futuro da floresta com alterações climáticas: se o que já tínhamos era uma floresta altamente vulnerável, essa vulnerabilidade só aumentará. Com o estado actual ou com mais abandono e mais monocultura inflamável (não só de eucalipto) e/ou desordenada, estamos a semear mais tragédias. As áreas florestais abandonadas devem ser nacionalizadas. O Estado deve geri-las. Deve ser travada imediatamente qualquer expansão de áreas de floresta industrializada. Introduzir um código florestal que ordena, organiza e vincula. Travar a desflorestação. Há espécies, maioritariamente autóctones, árvores bombeiras, que reduzem as ignições e a intensidade dos fogos florestais, e que têm de fazer parte de uma reconstituição da floresta nacional. Deve haver serviços florestais com pessoal e não gabinetes com poucos funcionários e sem capacidade de ir para o campo. É preciso mais milhares de guardas e vigilantes da natureza, um corpo totalmente subdimensionado para o país e as áreas protegidas que temos. Reforçar o combate. Não cumprimos o défice? A boa vontade do Eurogrupo para deixar o resgate de bancos de fora das contas também há-de servir para deixar o resgate do nosso território e das suas populações fora das folhas de Excel.

 

E continuará a haver fogos, mas menos incêndios catastróficos. Está na nossa mão fazer com que sejam menos violentos e menos frequentes. Para isso temos de tirar o apoio às celuloses e dá-lo às populações. E investir num futuro que não voe à vontade dos desejos de uma indústria que prolifera na decadência.

Concordo com quase tudo, também me faz confusão que salvar um banco não conte para o défice e que reestabelecer serviços florestais conte.

 

Mas cai-me um pouco mal estar a fazer-se um aproveitamento político disto, tão bem coordenado que vão conseguir fazer com que uma mentira repetida tantas vezes passe a ser verdade. Pena que este joguinho "Simon says" seja jogado a partir do sítio do costume e por gente que devia defender a liberdade de opinião e não servir de caixa de ressonância.

 

Ultimamente há uma tendência a ter uma ideia com base e fundamentação política e depois haver um seguidismo com argumentos bem preparados e por isso consistentes. Quando o assunto é mais ou menos obras nos grandes centros, apoio à cultura nos grandes centros, e outras coisas dispendiosas nesses mesmos locais, passa-me ao lado. Quando são aqui os provincianos a servir de joguete, começo a ficar f*dido.

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Que não seja “o fim disto tudo”

 

"“Pode ser o fim disto tudo”, desabafa um trabalhador da câmara. A população do concelho vive sobretudo de quatro grandes empregadores: a câmara, duas fábricas e o turismo. A Serração da Moita, que trabalhava madeira, ardeu por completo; a fábrica de lanifícios Albano Morgado ficou sem telheiro e não têm esperança que o turismo regresse tão cedo. Pelo meio, há quem tenha animais e agora têm um problema adicional, não sabem o que lhes dar de comer. Chegou muita ajuda para as pessoas, mas falta para os animais."

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apareceu a dizer que no tempo certo estará no parlamento a fazer as perguntas que têm de ser feitas

vai fazer perguntas a ela própria?

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Quatro notas soltas por parte de alguém (eu) que não percebe nada de Proteção Civil, de Bombeiros, de Fogos Florestais ou de Ordenamento de Florestas, mas tem umas ideias sobre cidadania e alguns anos como atento (tele)espetador:

 

1 - Fico um bocadinho confuso quando tantos pretendem linchar a Judite de Sousa na comunicação social e redes sociais por fazer reportagem ao lado de um cadáver coberto com um lençol branco quando há alguns meses todas as alminhas utilizadoras de redes sociais afanosamente partilhava uma foto de uma criança morta numa praia do médio oriente;

 

2 - Causa-me asco o aproveitamento político feito durante e após as catástrofes. Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministra da Administração Interna, Ministro da Agricultura, Secretário de Estado da Administração Interna, Oposição com ou sem responsabilidades governativas anteriores... Todos foram criticados e, alguns, até enxovalhados... Particular nojo por aqueles furiosos do teclado que no conforto e segurança dos seus lares se dedicam à ignóbil tarefa de atacar pessoas que estão no terreno a dar o melhor que podem e sabem só porque não são da sua cor política;

 

3 - Cada vez estou mais convencido que o povo português, em termos genéricos é bondoso, solidário e... ingénuo. Bondoso por natureza, solidário quando espicaçado e ingénuo ao ponto de indivíduos e empresas com menos escrúpulos dele se aproveitarem para faturar à grande à conta da sua bondade e solidariedade.

Com uma tragédia multiplicam-se as contas solidárias, as chamadas de valor acrescentado e os apelos às doações. Para ajudar os sobreviventes da tragédia, os familiares das vítimas, a reconstrução, os bombeiros exaustos e famintos... Esquecem-se nessas alturas os portugueses em geral que pagam impostos durante uma vida inteira para que o Estado tenha disponíveis os recursos necessários. Não se lembram ou não sabem que a Autoridade Nacional para a Proteção Civil tem dotação orçamental para fazer face às exigências. Não imaginam que a União Europeia tem fundos disponíveis para fazer face a estas situações e comparticipa no auxílio à reconstrução em 95% dos gastos. Não procuram sequer conhecer os mecanismos que lhes garantam que a sua contribuição chega, de facto, às pessoas que pretendem auxiliar. Confiam absolutamente que o custo da sua chamada telefónica vai servir para aliviar o sofrimento daquela senhora que viram na televisão e o pacote de leite que deixaram num qualquer quartel de bombeiros vai mesmo aliviar a sede do bombeiro que viram a combater as chamas. E entretanto o fisco, as cadeias de super e hiper-mercados, os operadores de telecomunicações, os bancos, os construtores civis e o madeireiros esfregam as mãos de contentes por este maná que lhes caiu do céu.

Como disse o Otávio Machado na CMTV ontem, quando tive a felicidade de passar por lá ao fazer zapping, se querem auxiliar os bombeiros, façam-se sócios das Associações de Bombeiros Voluntários! Não entupam os quartéis com mantimentos porque eles não têm vocação para gestão de stocks e o Estado tem obrigação e meios para manter os bombeiros em perfeitas condições de alimentação e conforto.

 

4 - Ano após ano, catástrofe após catástrofe o cenário é sempre o mesmo: as televisões convocam os especialistas disponíveis para que estes nos expliquem porque é que aconteceu a catástrofe e o que poderá ser feito para as evitar no futuro. Quanto aos especialistas dividem-se em 3 tipologias: os académicos, para quem a solução passa, invariavelmente, por mais estudos e assinalam o problema dos inúmeros já feitos que nunca saíram das gavetas; os operacionais, que apontam o dedo às condições excepcionais de clima e terreno, juntam-lhes a falta de meios e vão dizendo que fazem o que podem à espera de um milagre em termos políticos, sociais ou meteorológico que salvaguarde o país de outra catástrofe semelhante no futuro; e os políticos que gastam o seu (e o nosso) tempo a identificar qual foi o Governo ou o Ministro responsável pelo que aconteceu.

 

"Gosto" em particular daqueles que dizem que o ordenamento florestal e atualização de cadastros é um trabalho imenso que pode demorar uma década. Já os oiço a dizer isso há mais de 20 anos. E dá-me a ideia de que ainda não começaram... O raio dos ciclos eleitorais de 4 anos são uma chatice para este tipo de trabalhos...

Editado por Descartes

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As ondas de solidariedade já geraram uns bons milhões (assim por alto) mas ainda não sabemos de que forma é que estão ou vão ser gastos. Como é que isto depois de apresenta? É o estado que usa estes recursos e depois nos diz como é que usou?

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As ondas de solidariedade já geraram uns bons milhões (assim por alto) mas ainda não sabemos de que forma é que estão ou vão ser gastos. Como é que isto depois de apresenta? É o estado que usa estes recursos e depois nos diz como é que usou?

 

Ninguém sabe. E vamos ver se alguém presta contas...

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1 - Fico um bocadinho confuso quando tantos pretendem linchar a Judite de Sousa na comunicação social e redes sociais por fazer reportagem ao lado de um cadáver coberto com um lençol branco quando há alguns meses todas as alminhas utilizadoras de redes sociais afanosamente partilhava uma foto de uma criança morta numa praia do médio oriente;

 

O "linchar" da senhora, foi devido à hipocrisia de, não há muito tempo atrás, andar ela a pedir respeito pela morte do filho. Tudo certo, toda a gente tem o direito a fazer o luto dos seus, de não ter que ver dia sim, dia sim senhor, a vida de um filho exposta, e muitas vezes, difamada na praça pública.

 

A hipocrisia da Judite de Sousa é apresentada no momento em que faz reportagens ao lado de cadáveres que têm uma mãe, tal como ela é, que impede que se recolha, rapidamente, o último lugar de alguém com uma mãe, porque acha que deve fazer uma reportagem em cima de um reboque, e, pior que tudo, é uma das diretoras de informação de um canal que não tem escrúpulos a expor e difamar o filho falecido de uma mãe.

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Sim, eu bem sei que isto não passa de uma questão pessoal para com a Judite de Sousa alimentado pela carneirada habitual e que não tem nada a ver com o respeito às vítimas ou o recato na divulgação de imagens chocantes.

 

O facto de saber isso não me deixa, no entanto, menos confuso...

Editado por Descartes

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Quando um gajo que o jornalismo português não pode descer ainda mais de nível, eis que se põem a inventar notícias sobre um avião que caiu só para criar mais drama e pânico.

 

Escumalha.

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