Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
doom_master

Peripécias do Futebol Português

Publicações recomendadas

Citação de IlidioMA, há 11 minutos:

Deixem-me só pegar aqui nos vossos posts para falar um bocado que a gente, aqui no conforto do litoral, não pode cegamente aplicar as condições daqui ao interior, porque, simplesmente, no interior não há jogadores locais em numero suficiente que permita sequer, em muitos casos, haver um clube decente por distrito, o que explica o recurso a essa contratação/arrastão de jogadores de fora, em condições parcas e de forma, muitas vezes, obscura.

Mas vamos tentar olhar com os olhos de lá por um segundo. Vou-me reportar ao distrital de Bragança que conheço bem, mas imagino que seja aplicável igualmente a distritais da Guarda, Beja e Portalegre, distritos de população similar.

Se tivermos as rédeas de um clube, sei lá, do Lordelo ou de Odivelas, temos um campo de recrutamento natural muito grande. Tracem um círculo de 30km ao redor de Lordelo e de Odivelas e vejam a quantidade de pessoas, outros clubes e, consequentemente, jogadores ali radicados que estão à vossa disposição. Estando na 1ª Distrital e com projecto de subida, ou tento já subido ao CNS, como construir o plantel? Ali, é fácil. Mantem-se a base e vai-se buscar um tipo ao Paredes, ao Infesta, estica até Amarante, tens ali à disposição uma data de jogadores que podem reforçar o plantel sem grande distúrbio da sua vida corrente, continuam a morar na sua casa de Alfena e em vez de irem aos treinos em Paredes, passam a ir ao Lordelo. Porreira da vida. Se o exemplo for o de Odivelas, a ideia é similar.

Mas pensem agora que são o Macedo de Cavaleiros., smackdown in the middle do distrito de Bragança, portanto, não o mais recôndito. Sobem, que plantel joga agora no CNS? Bem começa logo pelo facto de os 25 jogadores que vocês têm no plantel de distrital, só para aí metade são dignos desse nome. Outra metade são meros curiosos,  gajos ali da terra, os poucos homens jovens que consegues alcançar ali, que vão jogar por uma de ajudar o clube da terra, uma de convívio, enfim, treinam de vez em quando, são tudo menos futebolistas. Muitas das vezes, são gajos que jogam um ano, no ano seguinte não, depois vão um ano jogar futsal, vão um ano para as obras em França, no ano seguinte voltam e lá se reinscrevem num clube qualquer do distrito, enfim, gajos que são do mais amador que há. Ou seja, não formam plantel que se possa apresentar no CNS - o que explica pq é que todas as equipas que subiram do distrital de Bragança ao CNS em dez anos, todas elas desceram de imediado, e quase todas em último e com poucos pontos somados

Como contrariar este cenário? Contratar. Onde?

Se fizermos o mesmo raio de 30km que há pouco aplicávamos em Lordelo e Odivelas, ali em Macedo de Cavaleiros, 30km depois...não estás em lado nenhum. Ainda não chegaste a Bragança nem a Mirandela. Está a léguas de Mogadouro, Miranda do Douro e Torre de Moncorvo. Talvez já se alcance Alfandega da Fé - concelho de 4000 habitantes, quantos jogadores lá vivem? - e nada mais. Num circulo de 30km ao redor de Macedo, não tens gente, não tens outros clubes, não tens jogadores que possas recrutar. Ou seja, ao contrário de um clube qualquer do Litoral, dos distritos de Braga, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto, os distritos onde todos vivemos, não tens ali à mão de semear jogadores que possam te reforçar o plantel sem nenhum percalço para a sua vida quotidiana. Sim, há-de haver - e conheço muitos - jogadores radicados em Bragança e Miranda que aceitam ir fazer um ano a Macedo - afinal é para ir jogar ao CNS - mas todos os dias lutam contra os quilómetros para sequer comparecer num treino. 

Ok, ali não dá para arranjar jogadores, é um distrito sem juventude, mas, caramba, o país não acaba no Rio Douro! Com certeza que dá para ir buscar jogadores de outro lado, não? Bem...se nem médicos aceitam ir para o interior - e há um incentivo salarial que os faria ganhar mais que no litoral - quanto mais jogadores semi-amadores, mudarem-se da zona de Coimbra, Lisboa, Porto para Trás-os-Montes, por um ano, para um clube que esperam que desça, e com certeza um clube que paga menos que os clubes de zonas mais economicamente vivazes do país. 

Ou seja, no final, resta este circuito shady de empresários mânfios, com carteiras de jogadores da Guiné e do Brasil, sempre com uma garantia de "não se preocupem, tudo legal". Os clubes do interior, do interior interior, lá do Portugal profundo que nem na Liga dos Últimos aparecia, têm pela frente uma escolha de Sofia: recorrer a práticas que sob muitos pontos de vista são equiparáveis a neo-esclavagismo ou perecer. E quem aceita a sua própria morte de bom grado?

 

 

ainda há dias falei com alguém de Gaia, que tem um projeto lá de futsal, sobre o projeto do Caldas, onde falei exatamente desse exemplo de "Lordelo" ou "Odivelas" que falas, pois num raio de 30Km, praticamente não existe qualquer equipa de relevância e onde o Caldas pode ir recrutar a seu belo prazer os melhores talentos de Óbidos, Bombarral, Peniche, Lourinhã, entre outras localizações.

 

Em relação ao parecer ou morte, se não existem condições, lamento dizer mas não podem aceitar de bom grado as soluções de empresários shady. Ou se aceitam, que garantam condições mínimas aos seus atletas, oferecendo que seja 1 ou 2 refeições por dia, ou então simplesmente não o fazem e continuam no seu registo de clube da terra. Tens exemplos precisamente de Portalegre de equipas que se recusaram subir para o CNS precisamente por não terem condições financeiras nem de recursos para subir para esse patamar.

Editado por HIM

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de IlidioMA, há 11 minutos:

Deixem-me só pegar aqui nos vossos posts para falar um bocado que a gente, aqui no conforto do litoral, não pode cegamente aplicar as condições daqui ao interior, porque, simplesmente, no interior não há jogadores locais em numero suficiente que permita sequer, em muitos casos, haver um clube decente por distrito, o que explica o recurso a essa contratação/arrastão de jogadores de fora, em condições parcas e de forma, muitas vezes, obscura.

Mas vamos tentar olhar com os olhos de lá por um segundo. Vou-me reportar ao distrital de Bragança que conheço bem, mas imagino que seja aplicável igualmente a distritais da Guarda, Beja e Portalegre, distritos de população similar.

Se tivermos as rédeas de um clube, sei lá, do Lordelo ou de Odivelas, temos um campo de recrutamento natural muito grande. Tracem um círculo de 30km ao redor de Lordelo e de Odivelas e vejam a quantidade de pessoas, outros clubes e, consequentemente, jogadores ali radicados que estão à vossa disposição. Estando na 1ª Distrital e com projecto de subida, ou tento já subido ao CNS, como construir o plantel? Ali, é fácil. Mantem-se a base e vai-se buscar um tipo ao Paredes, ao Infesta, estica até Amarante, tens ali à disposição uma data de jogadores que podem reforçar o plantel sem grande distúrbio da sua vida corrente, continuam a morar na sua casa de Alfena e em vez de irem aos treinos em Paredes, passam a ir ao Lordelo. Porreira da vida. Se o exemplo for o de Odivelas, a ideia é similar.

Mas pensem agora que são o Macedo de Cavaleiros., smackdown in the middle do distrito de Bragança, portanto, não o mais recôndito. Sobem, que plantel joga agora no CNS? Bem começa logo pelo facto de os 25 jogadores que vocês têm no plantel de distrital, só para aí metade são dignos desse nome. Outra metade são meros curiosos,  gajos ali da terra, os poucos homens jovens que consegues alcançar ali, que vão jogar por uma de ajudar o clube da terra, uma de convívio, enfim, treinam de vez em quando, são tudo menos futebolistas. Muitas das vezes, são gajos que jogam um ano, no ano seguinte não, depois vão um ano jogar futsal, vão um ano para as obras em França, no ano seguinte voltam e lá se reinscrevem num clube qualquer do distrito, enfim, gajos que são do mais amador que há. Ou seja, não formam plantel que se possa apresentar no CNS - o que explica pq é que todas as equipas que subiram do distrital de Bragança ao CNS em dez anos, todas elas desceram de imediado, e quase todas em último e com poucos pontos somados

Como contrariar este cenário? Contratar. Onde?

Se fizermos o mesmo raio de 30km que há pouco aplicávamos em Lordelo e Odivelas, ali em Macedo de Cavaleiros, 30km depois...não estás em lado nenhum. Ainda não chegaste a Bragança nem a Mirandela. Está a léguas de Mogadouro, Miranda do Douro e Torre de Moncorvo. Talvez já se alcance Alfandega da Fé - concelho de 4000 habitantes, quantos jogadores lá vivem? - e nada mais. Num circulo de 30km ao redor de Macedo, não tens gente, não tens outros clubes, não tens jogadores que possas recrutar. Ou seja, ao contrário de um clube qualquer do Litoral, dos distritos de Braga, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto, os distritos onde todos vivemos, não tens ali à mão de semear jogadores que possam te reforçar o plantel sem nenhum percalço para a sua vida quotidiana. Sim, há-de haver - e conheço muitos - jogadores radicados em Bragança e Miranda que aceitam ir fazer um ano a Macedo - afinal é para ir jogar ao CNS - mas todos os dias lutam contra os quilómetros para sequer comparecer num treino. 

Ok, ali não dá para arranjar jogadores, é um distrito sem juventude, mas, caramba, o país não acaba no Rio Douro! Com certeza que dá para ir buscar jogadores de outro lado, não? Bem...se nem médicos aceitam ir para o interior - e há um incentivo salarial que os faria ganhar mais que no litoral - quanto mais jogadores semi-amadores, mudarem-se da zona de Coimbra, Lisboa, Porto para Trás-os-Montes, por um ano, para um clube que esperam que desça, e com certeza um clube que paga menos que os clubes de zonas mais economicamente vivazes do país. 

Ou seja, no final, resta este circuito shady de empresários mânfios, com carteiras de jogadores da Guiné e do Brasil, sempre com uma garantia de "não se preocupem, tudo legal". Os clubes do interior, do interior interior, lá do Portugal profundo que nem na Liga dos Últimos aparecia, têm pela frente uma escolha de Sofia: recorrer a práticas que sob muitos pontos de vista são equiparáveis a neo-esclavagismo ou perecer. E quem aceita a sua própria morte de bom grado?

 

 

Boa crónica.

A AF Bragança já tem o seu destino: é ter o Bragança no CdP e o Mirandela na distrital, e no ano seguinte trocar posições.

O problema é mesmo o que referes: em Braga os clubes podem nascer como cogumelos, que, com o incentivo certo, arranjas sempre população local para jogar lá.

Agora em Bragança é outra história: Alto Trás-os-Montes (que inclui Chaves) tem tanta população como o concelho de Braga e tanta área como o distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto juntos.

Ainda assim, seja lá ou no litoral, não há como achar normal a presença de 12 argentinos de uma assentada num clube tão remoto como o Mirandês. Nem o Benfica no peak JJ teve tantos argentinos.

Compartilhar este post


Link para o post

dos poucos bons exemplos que temos recentemente no CNS foi o GRAP - mantiveram a sua raiz amadora pois sabiam que não tinham capacidade para  competir com outras equipas daquele patamar, e como era esperado, desceram e lá se encontram nas distritais. Preferiram manter a sua raiz do que mudar na esperança de conseguiram algo.

Crescimento tem sempre de ser sustentado, a não ser que exista alguém a meter dinheiro a sério num clube.

Compartilhar este post


Link para o post

coitado, afinal também foi vitima no processo todo. Isto de prometerem coisas e não cumprirem.... se ao menos existisse mecanismos legais para proteger contra isso, e se existisse capacidade de consolidar algum cash flow para as eventualidades.... mas que raio sei eu de gestão, não é? #FreeConguito

Compartilhar este post


Link para o post
Citação

Em conversa com esses quatro atletas, Conguito referiu que percebia a situação deles, mas que quem lhes devia dinheiro era o clube: não ele.

Porra, merece bem a m*rda que está para lhe cair em cima.

  • Concordo! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Sumudica by Night, há 6 minutos:

o diogo sena já lhe fez a cabeça toda

Já veio comentar a situação. "That's not Conguito that i used to know".

  • Like 2

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Mica, há 1 hora:

Ainda assim, seja lá ou no litoral, não há como achar normal a presença de 12 argentinos de uma assentada num clube tão remoto como o Mirandês. Nem o Benfica no peak JJ teve tantos argentinos.

Citação de HIM, há 1 hora:

Em relação ao parecer ou morte, se não existem condições, lamento dizer mas não podem aceitar de bom grado as soluções de empresários shady. Ou se aceitam, que garantam condições mínimas aos seus atletas, oferecendo que seja 1 ou 2 refeições por dia, ou então simplesmente não o fazem e continuam no seu registo de clube da terra. Tens exemplos precisamente de Portalegre de equipas que se recusaram subir para o CNS precisamente por não terem condições financeiras nem de recursos para subir para esse patamar.

eu não digo que concordo com a prática, apenas explicava porque é que ela se verifica mais facilmente num clube de um distrito desertificado do que num clube ali metido naquele eixo Porto-Braga, fulgurante ao nível industrial e económico.

@HIM deixa-me só discordar  - sem, contudo, propôr uma solução, que não tenho - com a tua ideia fatalista de um certo "sorry bro, se o interior não tem condições, fuck 'em joga-se bola só no litoral". No fundo é assim que funciona o país, vis-à-vis o interior, em tudo, não me posso surpreender que também o seja face ao futebol. Mas recuso-me a aceitar esse fatalismo lacónico que vete o interior a nem sequer ter a alegria do povo.

 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de IlidioMA, há 16 minutos:

eu não digo que concordo com a prática, apenas explicava porque é que ela se verifica mais facilmente num clube de um distrito desertificado do que num clube ali metido naquele eixo Porto-Braga, fulgurante ao nível industrial e económico.

@HIM deixa-me só discordar  - sem, contudo, propôr uma solução, que não tenho - com a tua ideia fatalista de um certo "sorry bro, se o interior não tem condições, fuck 'em joga-se bola só no litoral". No fundo é assim que funciona o país, vis-à-vis o interior, em tudo, não me posso surpreender que também o seja face ao futebol. Mas recuso-me a aceitar esse fatalismo lacónico que vete o interior a nem sequer ter a alegria do povo.

 

o que estou a dizer é que cada um tem de jogar com o que tem, simples. Pode existir investimento de um empresário qualquer, mas os clubes são igualmente responsáveis em garantir que pelo menos não faltem condições aos jogadores para praticar a sua profissão. Faltar comer e água é que nunca.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ghelthon, há 3 horas:

pUabL1u.png

 

É o pedro ribeiro da radio?

Citação de Plagio o Original, há 5 minutos:

É o pedro ribeiro da radio?

Eia cum crl é msm

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Plagio o Original, há 12 minutos:

É o pedro ribeiro da radio?

Eia cum crl é msm

Não é.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Jamarcus, há 1 minuto:

Não é.

É o mesmo nome completo

Edit: n é n

Editado por Plagio o Original

Compartilhar este post


Link para o post

Com esses nomes todos acabamos de descobrir que o @Tio Hans está metido nisto. E ainda estão aí mais uns quantos do fórum mas não vou dar com a língua nos dentes 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Jimpo, há 16 minutos:

Com esses nomes todos acabamos de descobrir que o @Tio Hans está metido nisto. E ainda estão aí mais uns quantos do fórum mas não vou dar com a língua nos dentes 

@Chandler

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de IlidioMA, há 3 horas:

Deixem-me só pegar aqui nos vossos posts para falar um bocado que a gente, aqui no conforto do litoral, não pode cegamente aplicar as condições daqui ao interior, porque, simplesmente, no interior não há jogadores locais em numero suficiente que permita sequer, em muitos casos, haver um clube decente por distrito, o que explica o recurso a essa contratação/arrastão de jogadores de fora, em condições parcas e de forma, muitas vezes, obscura.

Mas vamos tentar olhar com os olhos de lá por um segundo. Vou-me reportar ao distrital de Bragança que conheço bem, mas imagino que seja aplicável igualmente a distritais da Guarda, Beja e Portalegre, distritos de população similar.

Se tivermos as rédeas de um clube, sei lá, do Lordelo ou de Odivelas, temos um campo de recrutamento natural muito grande. Tracem um círculo de 30km ao redor de Lordelo e de Odivelas e vejam a quantidade de pessoas, outros clubes e, consequentemente, jogadores ali radicados que estão à vossa disposição. Estando na 1ª Distrital e com projecto de subida, ou tento já subido ao CNS, como construir o plantel? Ali, é fácil. Mantem-se a base e vai-se buscar um tipo ao Paredes, ao Infesta, estica até Amarante, tens ali à disposição uma data de jogadores que podem reforçar o plantel sem grande distúrbio da sua vida corrente, continuam a morar na sua casa de Alfena e em vez de irem aos treinos em Paredes, passam a ir ao Lordelo. Porreira da vida. Se o exemplo for o de Odivelas, a ideia é similar.

Mas pensem agora que são o Macedo de Cavaleiros., smackdown in the middle do distrito de Bragança, portanto, não o mais recôndito. Sobem, que plantel joga agora no CNS? Bem começa logo pelo facto de os 25 jogadores que vocês têm no plantel de distrital, só para aí metade são dignos desse nome. Outra metade são meros curiosos,  gajos ali da terra, os poucos homens jovens que consegues alcançar ali, que vão jogar por uma de ajudar o clube da terra, uma de convívio, enfim, treinam de vez em quando, são tudo menos futebolistas. Muitas das vezes, são gajos que jogam um ano, no ano seguinte não, depois vão um ano jogar futsal, vão um ano para as obras em França, no ano seguinte voltam e lá se reinscrevem num clube qualquer do distrito, enfim, gajos que são do mais amador que há. Ou seja, não formam plantel que se possa apresentar no CNS - o que explica pq é que todas as equipas que subiram do distrital de Bragança ao CNS em dez anos, todas elas desceram de imediado, e quase todas em último e com poucos pontos somados

Como contrariar este cenário? Contratar. Onde?

Se fizermos o mesmo raio de 30km que há pouco aplicávamos em Lordelo e Odivelas, ali em Macedo de Cavaleiros, 30km depois...não estás em lado nenhum. Ainda não chegaste a Bragança nem a Mirandela. Está a léguas de Mogadouro, Miranda do Douro e Torre de Moncorvo. Talvez já se alcance Alfandega da Fé - concelho de 4000 habitantes, quantos jogadores lá vivem? - e nada mais. Num circulo de 30km ao redor de Macedo, não tens gente, não tens outros clubes, não tens jogadores que possas recrutar. Ou seja, ao contrário de um clube qualquer do Litoral, dos distritos de Braga, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto, os distritos onde todos vivemos, não tens ali à mão de semear jogadores que possam te reforçar o plantel sem nenhum percalço para a sua vida quotidiana. Sim, há-de haver - e conheço muitos - jogadores radicados em Bragança e Miranda que aceitam ir fazer um ano a Macedo - afinal é para ir jogar ao CNS - mas todos os dias lutam contra os quilómetros para sequer comparecer num treino. 

Ok, ali não dá para arranjar jogadores, é um distrito sem juventude, mas, caramba, o país não acaba no Rio Douro! Com certeza que dá para ir buscar jogadores de outro lado, não? Bem...se nem médicos aceitam ir para o interior - e há um incentivo salarial que os faria ganhar mais que no litoral - quanto mais jogadores semi-amadores, mudarem-se da zona de Coimbra, Lisboa, Porto para Trás-os-Montes, por um ano, para um clube que esperam que desça, e com certeza um clube que paga menos que os clubes de zonas mais economicamente vivazes do país. 

Ou seja, no final, resta este circuito shady de empresários mânfios, com carteiras de jogadores da Guiné e do Brasil, sempre com uma garantia de "não se preocupem, tudo legal". Os clubes do interior, do interior interior, lá do Portugal profundo que nem na Liga dos Últimos aparecia, têm pela frente uma escolha de Sofia: recorrer a práticas que sob muitos pontos de vista são equiparáveis a neo-esclavagismo ou perecer. E quem aceita a sua própria morte de bom grado?

 

 

Que parvoíce de post, para não lhe chamar outra coisa.

A alternativa à falta de jogadores em quantidade e qualidade nas redondezas não pode ser o envolvimento em negócios de tráfico humano. Essa não deve ser alternativa para coisa nenhuma.

No cenário dos clubes do interior profundo, realidade que perentoriamente assumiste que desconheço porque chamas a ti o papel de representante do interior do país no fórum, há duas alternativas possíveis, mais ou menos realistas.

A primeira é jogar com a matéria prima que se tem: miúdos da terra que ainda não saíram para a faculdade, ou que por ali arranjaram emprego e foram ficando, etc. É a realidade de muitos clubes distritais dos tais que se recusam a subir, e foi por exemplo a realidade d'O Elvas na época passada no Campeonato de Portugal, em que metade do plantel eram miúdos de 18-20 anos.

A segunda, bem mais difícil, mas ambiciosa, é desenvolver um clube com com pés e cabeça e com uma ligação forte à cidade ou vila a que pertence. Não é em qualquer localidade que isto é possível, mas é exequível em qualquer capital de distrito do país. Dou um exemplo: uma das 6 equipas da AF Portalegre tem como patrocinador um stand de automóveis local. Do que sei, a grande maioria dos jogadores trabalha nessa empresa (vendedores de carros, mecânicos, administrativos, etc.) num ambiente familiar e com a segurança, contratualmente prevista, de saberem que não vão ser despedidos caso o clube os dispense (como se houvesse capacidade para os substituir...). Este modelo, se for bem estruturado e devidamente suportado na rede de PMEs local, permite que seja virtualmente possível contratar na pool de jogadores não profissionais do país inteiro.

O problema verdadeiramente difícil de ultrapassar estará no eventual desejo de transformação de clube amador em clube profissional, porque aí já exigirá que o clube tenha um volume de receitas que na maioria dos casos a estrutura empresarial local não conseguirá suportar. Mas porra, há um mundo de diferença entre ambicionar ter um clube profissional vs. um distrito português ter 6 clubes inscritos. E a solução não é cometer crimes.

  • Like 3

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...