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Caviar

FPF e Liga de clubes firmam acordo para centralizar direitos televisivos até 2027/28

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Citação de Pedro_Y2J, há 9 horas:

A centralização dos direitos desportivos faz todo o sentido para que haja uma competição justa e o mérito seja premiado, doa a quem doer.

Há dois players no mercado português, nada garante que o bolo final seja menor do que é atualmente (isto se for um concurso legítimo lol).

Cabe aos clubes saberem negociar e promover uma liga que seja atrativa para o mercado externo. Mas para isso é necessário mudar muita coisa.

Epá, se o bolo final for menor do que o atual tem que ir gente presa. Presumindo que ninguém quer saber dos outros 15 clubes, esta negociação garante 34 jogos de Benfica, Porto e Sporting. Isoladamente, cada um só negoceia 17. Presumir que a negociação conjunta só assegura uma soma aritmética ou até menos do que isso é ignorar qualquer lógica de mercado. Sempre foi a fraqueza dos "pequenos", essa incapacidade de perceber que, se se organizassem, tinham muito mais poder negocial do que isolados.

Lá que no fim o mais bem pago acabe a receber um pouco menos, acredito que aconteça. Mas daí a ser um desastre... Acho custoso. E lá porque há dois players agora, nada assegura que a centralização não suscite outros potenciais interessados. A Eleven também surge do nada e é tida como um projeto sonhador mal nasce. Vai-se a ver, ainda cá anda. E se ganha esse concurso, sujeita-se a matar a Sporttv.

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A minha tese de mestrado é, em parte, sobre este tema. Fazendo um resumo, temos de olhar para alguns aspetos chave:

-  A estrutura de mercado que é extremamente prejudicial à concorrência: os três maiores operadores são acionistas da Sport TV, o que pode causar problemas ao nível da distribuição de um eventual novo canal no mercado (tal como tentaram bloquear a Eleven Sports)

- Os valores conseguidos atualmente foram conseguidos num momento de mercado altamente concorrencial entre a NOS e a Meo, estando sobrevalorizados. Acresce o facto da tendência a nível internacional ser de descida no pós-covid (apenas os direitos internacionais é que vão permitindo sustentar os valores atuais, algo impossível para o mercado português)

- Apesar da Eleven ter ganho um fôlego ao ser adquirida pela DAZN, a Sport TV não tem capacidade financeira para subir muito mais os valores atuais, nem há hoje interesse dos operadores nisso (em Espanha por exemplo, a Vodafone já não inclui futebol na sua oferta, não era rentável face à Netflix, Amazon etc)

- Qualquer subida no valor dos direitos televisisos terá de ser suportada em última análise pelo consumidor português que já paga um dos valores mais altos entre as ligas europeias face ao rendimento disponível - o mesmo se formos ver o valor atual dos direitos televisivos face a outras métricas como o PIB ou a dimensão do mercado telecom em Portugal

Posto isto, para nenhum clube ser prejudicado, as receitas teriam de aumentar mais de 70% e a penetração de pay TV em Portugal duplicar. Parece utópico. Não há dúvidas que traria competitividade interna e, na minha opinião, a médio/longo prazo isso seria positivo para o futebol português. No entanto, a capacidade financeira dos ditos grandes poderia ficar afetada e prejudicar a sua performance nas competições europeias. 

Penso que a situação acabará por se resolver com a entrada de um player internacional (beIN à cabeça nesta corrida), pois caso contrário não percebo como é que clubes como o Benfica poderão estar tão ativos na defesa desta solução... 

Em breve a tese estará disponível e quando tiver mais tempo posso aprofundar o tema que agora provavelmente está a escapar-me alguma coisa 🙂 

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Citação de O Pastel, há 3 horas:

-  A estrutura de mercado que é extremamente prejudicial à concorrência: os três maiores operadores são acionistas da Sport TV, o que pode causar problemas ao nível da distribuição de um eventual novo canal no mercado (tal como tentaram bloquear a Eleven Sports)

 

Citação de O Pastel, há 3 horas:

- Apesar da Eleven ter ganho um fôlego ao ser adquirida pela DAZN, a Sport TV não tem capacidade financeira para subir muito mais os valores atuais, nem há hoje interesse dos operadores nisso (em Espanha por exemplo, a Vodafone já não inclui futebol na sua oferta, não era rentável face à Netflix, Amazon etc)

Bons pontos. Acho que a solução passa realmente por outro operador que não a Sport TV, independentemente de ser do interesse dos operadores ou não. 

Há sempre a questão do preço final para o consumidor aumentar ou não, porque neste momento quem quer ver a Liga Portuguesa + Ligas internacionais + Champions tem de subscrever 2 ou 3 canais diferentes. Se a Eleven ganhasse o concurso já seria diferente.

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Citação de Pedro_Y2J, há 35 minutos:

Há sempre a questão do preço final para o consumidor aumentar ou não, porque neste momento quem quer ver a Liga Portuguesa + Ligas internacionais + Champions tem de subscrever 2 ou 3 canais diferentes. Se a Eleven ganhasse o concurso já seria diferente.

Desconhecendo-se ainda como irá decorrer o concurso, à partida os jogos serão divididos em lotes. Nalguns países foi adicionalmente introduzida a clausula de "no single buyer" em que um único operador não pode deter todos os jogos. Portanto diria que provavelmente vão continuar a haver pelo menos dois operadores a deter os jogos da liga portuguesa (assim de repente acho que só nos Países Baixos é que um único canal transmite todos os jogos). 

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Ainda que indirectamente relacionado com o tema dos direitos televisivos, o canal Tifo Football lançou há dias um vídeo interessante, que aborda um "efeito secundário" da possível subida do preço final para o consumidor - a maior procura de canais ilegais de streaming. Tudo bem que o vídeo é baseado na realidade inglesa - que tem uma restrição curiosa e que desconhecia - mas diria que é um factor relevante para a discussão.

 

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Citação de O Pastel, há 1 hora:

Desconhecendo-se ainda como irá decorrer o concurso, à partida os jogos serão divididos em lotes. Nalguns países foi adicionalmente introduzida a clausula de "no single buyer" em que um único operador não pode deter todos os jogos. Portanto diria que provavelmente vão continuar a haver pelo menos dois operadores a deter os jogos da liga portuguesa (assim de repente acho que só nos Países Baixos é que um único canal transmite todos os jogos). 

Quais são os critérios de loteamento noutros países?

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Isto não é Física Quântica - perceber o porquê das pessoas optarem por streaming/IPTV em relação a pagar os canais legais parece-me simples.

Obviamente que ninguém no seu perfeito juízo prefere ver um jogo de futebol no computador, através de um site manhoso cheio de anúncios, popups e chats irritantes. É muito melhor ver numa box, onde até se pode puxar para trás à vontade e ver em qualidade altíssima, parece-me óbvio. É também por isto que eu prefiro, hoje em dia, ter Spotify em vez de sacar gigas e gigas de MP3, e de ter Netflix e, vez de sacar filmes/séries e legendas. É caro, mas compensa.

Já no futebol, não compensa assim tanto, porque o valor é estupidamente elevado. 38€/mês (sem multi-screen na SportTV, senão vai para 68€/mês) é ridículo. E portanto é perfeitamente normal que as pessoas fujam cada vez mais.

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Citação de Ghelthon, há 1 minuto:

Já no futebol, não compensa assim tanto, porque o valor é estupidamente elevado. 38€/mês (sem multi-screen na SportTV, senão vai para 68€/mês) é ridículo. E portanto é perfeitamente normal que as pessoas fujam cada vez mais.

Não só. Já nem sei que jogo pensei que ia dar na sporttv há tempos e em vez disso estavam a dar, em quase todos os canais, repetições de jogos do mundial.

Pelo menos numa stream um gajo nunca fica mal.

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Citação de Ghelthon, há 15 minutos:

Isto não é Física Quântica - perceber o porquê das pessoas optarem por streaming/IPTV em relação a pagar os canais legais parece-me simples.

Obviamente que ninguém no seu perfeito juízo prefere ver um jogo de futebol no computador, através de um site manhoso cheio de anúncios, popups e chats irritantes. É muito melhor ver numa box, onde até se pode puxar para trás à vontade e ver em qualidade altíssima, parece-me óbvio. É também por isto que eu prefiro, hoje em dia, ter Spotify em vez de sacar gigas e gigas de MP3, e de ter Netflix e, vez de sacar filmes/séries e legendas. É caro, mas compensa.

Já no futebol, não compensa assim tanto, porque o valor é estupidamente elevado. 38€/mês (sem multi-screen na SportTV, senão vai para 68€/mês) é ridículo. E portanto é perfeitamente normal que as pessoas fujam cada vez mais.

O multiscreen não custa mais 30euros que o serviço normal.

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Citação de Ghelthon, há 30 minutos:

Isto não é Física Quântica - perceber o porquê das pessoas optarem por streaming/IPTV em relação a pagar os canais legais parece-me simples.

Obviamente que ninguém no seu perfeito juízo prefere ver um jogo de futebol no computador, através de um site manhoso cheio de anúncios, popups e chats irritantes. É muito melhor ver numa box, onde até se pode puxar para trás à vontade e ver em qualidade altíssima, parece-me óbvio. É também por isto que eu prefiro, hoje em dia, ter Spotify em vez de sacar gigas e gigas de MP3, e de ter Netflix e, vez de sacar filmes/séries e legendas. É caro, mas compensa.

Já no futebol, não compensa assim tanto, porque o valor é estupidamente elevado. 38€/mês (sem multi-screen na SportTV, senão vai para 68€/mês) é ridículo. E portanto é perfeitamente normal que as pessoas fujam cada vez mais.

Eu era gajo de pagar uns 10, quanto muito 15 euros para ter sport tv em casa.

Querem o dobro disso, ando aqui a pedinchar streams no tópico de jogo. E depois é outra coisa. Eu só vejo jogos do Sporting e pouco mais. Se pagasse esses canais, secalhar estava o dia todo a dar audiência ao canal.

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Citação de Hammerfall, há 11 minutos:

Eu era gajo de pagar uns 10, quanto muito 15 euros para ter sport tv em casa.

Eu não estou disposto a dar mais do que isso por um canal de desporto.

Abri excepção no trimestre passado e subscrevi pela primeira vez (Eleven), precisamente pq está nesses preços e justificava pq via os jogos da Champions e Premier League.

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Citação de smashing_pumpkin, há 56 minutos:

O multiscreen não custa mais 30euros que o serviço normal.

Certo, vi o site na diagonal e vi isto:

GQUex6x.png

Mas suponho que isto seja então a subscrição dos 25.99€ + 4€ do multiscreen?

Citação de Hammerfall, há 38 minutos:

Eu era gajo de pagar uns 10, quanto muito 15 euros para ter sport tv em casa.

Querem o dobro disso, ando aqui a pedinchar streams no tópico de jogo. E depois é outra coisa. Eu só vejo jogos do Sporting e pouco mais. Se pagasse esses canais, secalhar estava o dia todo a dar audiência ao canal.

Num mercado concorrencial a sério, terias os operadores a oferecer packs de SportTV e Eleven a preços decentes. Assim, estou de acordo - o preço é demasiado alto. E felizmente nem é por uma questão de ter ou não ter o dinheiro, é mesmo achar que é demasiado para o que é.

Editado por Ghelthon
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O Spotify tem a vantagem de me oferecer o máximo de qualidade e ainda serviço personalizado, com curadorias para mim. As SportTVs da vida e Elevens muita das vezes deixam a desejar na qualidade e para ver 1 coisa que gosto tenho que levar com 300 que não gosto. Tiveram a decencia de criar o pack motores, vá lá, mas os comentários são fraquissimos e, para mim, são coisas que fazem parte da minha experiência em cada fim de semana de corrida. Se quisesse o que eles oferecem, ficava-me mais barato ir ao café ouvir o Jaquim a chamar nomes ao Hamilton ou Max e dizer que os Ferrari são muito rapidos em reta

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Citação de Ghelthon, há 3 horas:

Isto não é Física Quântica - perceber o porquê das pessoas optarem por streaming/IPTV em relação a pagar os canais legais parece-me simples.

Obviamente que ninguém no seu perfeito juízo prefere ver um jogo de futebol no computador, através de um site manhoso cheio de anúncios, popups e chats irritantes. É muito melhor ver numa box, onde até se pode puxar para trás à vontade e ver em qualidade altíssima, parece-me óbvio. É também por isto que eu prefiro, hoje em dia, ter Spotify em vez de sacar gigas e gigas de MP3, e de ter Netflix e, vez de sacar filmes/séries e legendas. É caro, mas compensa.

Já no futebol, não compensa assim tanto, porque o valor é estupidamente elevado. 38€/mês (sem multi-screen na SportTV, senão vai para 68€/mês) é ridículo. E portanto é perfeitamente normal que as pessoas fujam cada vez mais.

Por muito que pertinente que isto seja, os adeptos em Portugal não podem pedir simultaneamente equipas de qualidade e dinheiro nos seus clubes e depois torcer o nariz ao preço que ele acarreta para o público. É que a Sporttv nem sequer é um caso único, é até o caso comum pela Europa fora, pelo menos no que ao Ocidente diz respeito, com o acréscimo de, em vários países (Reino Unido, Itália, Espanha, Alemanha, pelo menos), estarem espalhados por mais do que um canal.

E, no fundo, não me parece (não tendo feito nenhum estudo sobre o assunto) que haja alguma situação ótima, pelo menos na maior parte das indústrias. O Spotify que é o caso mais bem-sucedido deste formato, por exemplo, não garante aos artistas o dinheiro que as vendas de CDs, etc, garantiam nos tempos pré-Internet, garantindo apenas um aumento em relação ao ~0 da pirataria.

Na televisão, já assistimos a um mercado super concorrencial a partir do sucesso da Netflix. E quando mais estiverem os produtos divididos pelos vários fornecedores, menos cada um dos fornecedores vale para o utilizador, levando novamente as pessoas à pirataria.

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Acho mal esta divisão dos direitos. Depois os nossos que vão à Europa ficam mais fracos e Portugal vai ser prejudicado. Todos sabem que dinheiro = resultados.
O dinheiro, tal como os adeptos, deviam estar juntos. Não digo só haver um clube (tipo, grande seca), mas tipo só 2 ou 3. A mentalidade tem que começar logo com os putos e só lhe dar 3 escolhas: então és do X, do Y ou do Z

Enquanto as coisas não são assim, disfrute-mos o que temos

(agora a sério o que não podemos disfrutar agora é o Real vs Barça de forma legal)  

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Citação de Quan Chi, há 5 horas:

Quais são os critérios de loteamento noutros países?

Podem ser vários, nomeadamente por jornada (ex: Boxing Day em Inglaterra é um pacote único), por dias ou horário, ou até considerando a "qualidade" dos jogos (ex: a TVI quando dava um jogo por jornada e tinha 10 jogos de cada "grande").

Há alguns critérios que devem ser seguidos, uma vez que esta centralização poderia ser considerada uma espécie de cartel no contexto da União Europeia, nomeadamente ao nível da duração dos contratos (que nunca serão tão extensos como os atuais).

Para finalizar, num caso extremo até pode reduzir o número de jogos disponíveis para o consumidor. Veja-se Inglaterra onde nem todos os jogos são transmitidos no mercado doméstico. 

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Citação de Quan Chi, Em 01/03/2023 at 16:00:

O argumento normalmente utilizado pelos opositores da centralização dos direitos televisivos é que se os clubes que vão às competições europeias receberem "ainda menos" que hoje (à escala europeia) então aí é que nem sequer vamos cheirar os oitavos da Champions (ou Superliga ou o que vier a existir). É um argumento válido. Mas diria que ninguém pode prever com rigor o impacto a longo prazo da centralização.

 

Citação de O Pastel, há 12 horas:

No entanto, a capacidade financeira dos ditos grandes poderia ficar afetada e prejudicar a sua performance nas competições europeias.

 

Vamos lá ser mais claros quanto a este argumento. A questão não é a performance europeia dos clubes grandes que poderá ficar afetada se receberem menos dinheiro dos direitos televisivos decorrente da centralização. O problema é que o acesso garantido desses clubes ao verdadeiro baú do tesouro que é a Liga dos Campeões ficará mais dificultado. A performance é, em termos financeiros, um bónus. O fator relevante é a garantia dos milhões distribuídos a quem lá entra.

Os orçamentos de FC Porto, Benfica e Sporting consideram essas receitas como dado adquirido. Naturalmente, os orçamentos de Famalicão, Estoril ou Marítimo não os consideram dada a alta improbabilidade de lá chegar.

O que importa para os Grandes é assegurar a presença assídua nos 3 primeiros lugares do campeonato. E, para isso, é fator importante, quiçá decisivo, que a diferença de orçamento entre esses 3 e os restantes seja a maior possível. E isso é exatamente o que se pretende contrariar com a centralização.

Desastre não é o Benfica receber menos 20 ou 30 milhões por ano. Desastre é ficar em 4º lugar sem acesso à Liga dos Campeões. E as probabilidades de isso acontecer aumentam se o Braga, o Vitória ou o Rio Ave tiverem direito a mais 5 ou 10 milhões do que recebem hoje.

O incremento da competitividade é ótimo para a globalidade do futebol português mas é péssimo para o sossego dos 3 Grandes. Não deixando de serem Grandes diminuiria a sua margem de conforto para terem épocas menos conseguidas.

Editado por Descartes
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Citação de Descartes, há 35 minutos:

 

 

Vamos lá ser mais claros quanto a este argumento. A questão não é a performance europeia dos clubes grandes que poderá ficar afetada se receberem menos dinheiro dos direitos televisivos decorrente da centralização. O problema é que o acesso garantido desses clubes ao verdadeiro baú do tesouro que é a Liga dos Campeões ficará mais dificultado. A performance é, em termos financeiros, um bónus. O fator relevante é a garantia dos milhões distribuídos a quem lá entra.

Os orçamentos de FC Porto, Benfica e Sporting consideram essas receitas como dado adquirido. Naturalmente, os orçamentos de Famalicão, Estoril ou Marítimo não os consideram dada a alta improbabilidade de lá chegar.

O que importa para os Grandes é assegurar a presença assídua nos 3 primeiros lugares do campeonato. E, para isso, é fator importante, quiçá decisivo, que a diferença de orçamento entre esses 3 e os restantes seja a maior possível. E isso é exatamente o que se pretende contrariar com a centralização.

Desastre não é o Benfica receber menos 20 ou 30 milhões por ano. Desastre é ficar em 4º lugar sem acesso à Liga dos Campeões. E as probabilidades de isso acontecer aumentam se o Braga, o Vitória ou o Rio Ave tiverem direito a mais 5 ou 10 milhões do que recebem hoje.

O incremento da competitividade é ótimo para a globalidade do futebol português mas é péssimo para o sossego dos 3 Grandes. Não deixando de serem Grandes diminuiria a sua margem de conforto para terem épocas menos conseguidas.

De acordo.

As receitas de direitos televisivos representam quase 40% dos orçamentos anuais de Porto, Benfica e Sporting. Com a partilha do bolo dos direitos televisivos, os valores recebidos por estas três equipas vão, na minha opinião, inevitavelmente descer (enquanto os dos restantes 15 irão aumentar, impactando a competitividade interna, como dizes e bem). Assim, um caso de não qualificação para a Liga dos Campeões torna-se mais possível e acrescentaria mais um rombo de 15M€.

Em paralelo, mesmo em caso de qualificação estas equipas que, por sua vez, já são os "pequenos" no meio dos tubarões europeus, terão menos meios financeiros para se baterem. Os quase 3M€ por vitória na fase de grupos da competição face ao prémio de presença podem parecer insignificantes, mas ainda são qualquer coisa... A centralização pode trazer alguma disrupção ao deserto que é o futebol português. Daí encarar com uma certa desconfiança esta abertura dos 3 "Grandes". 

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Citação de O Pastel, há 7 minutos:

De acordo.

As receitas de direitos televisivos representam quase 40% dos orçamentos anuais de Porto, Benfica e Sporting. Com a partilha do bolo dos direitos televisivos, os valores recebidos por estas três equipas vão, na minha opinião, inevitavelmente descer (enquanto os dos restantes 15 irão aumentar, impactando a competitividade interna, como dizes e bem). Assim, um caso de não qualificação para a Liga dos Campeões torna-se mais possível e acrescentaria mais um rombo de 15M€.

Em paralelo, mesmo em caso de qualificação estas equipas que, por sua vez, já são os "pequenos" no meio dos tubarões europeus, terão menos meios financeiros para se baterem. Os quase 3M€ por vitória na fase de grupos da competição face ao prémio de presença podem parecer insignificantes, mas ainda são qualquer coisa... A centralização pode trazer alguma disrupção ao deserto que é o futebol português. Daí encarar com uma certa desconfiança esta abertura dos 3 "Grandes". 

Se admitirmos que existe correlação direta entre os orçamentos dos clubes e a sua performance europeia podemos concluir que, tendencialmente, a prestação dos 3 Grandes iria ficar diminuída. No entanto temos o verso da medalha. Somos igualmente obrigados a concluir que a prestação dos clubes de 2ª linha seria superior à que apresentam hoje. Sendo a prestação incipiente desses clubes normalmente considerada como fator relevante para a nossa incapacidade de lutar pela subida aos 5 primeiros lugares do ranking da UEFA e a permanente ameaça de, ciclicamente, aparecer uma Rússia ou Países Baixos a relegar-nos para o 7º, há que admitir que em termos globais a maior capacidade dos clubes de 2ª Linha poderá ser benéfica nesse sentido.

 

Quanto à abertura dos 3 Grandes para a questão da centralização, não têm outro remédio. É uma decisão do Governo. O Pedro Proença foi eleito tendo a centralização dos direitos como principal prioridade do seu programa eleitoral. E, parecendo que não, o movimento dos 15 presidentes, liderado pelo Salvador, conseguiu uma união dos clubes médios e pequenos como nunca antes se tinha visto.

É evidente que os 3 Grandes estão, nesta altura, numa posição de minimização de danos. Vão estar dentro do processo de decisão procurando influenciar a equação que vai sustentar a divisão das verbas. E vão continuar, obviamente, com os seus esquemas de relações bilaterais com os outros clubes para continuar a alimentar as dependências destes.

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Citação de Descartes, há 22 minutos:

 

 

Vamos lá ser mais claros quanto a este argumento. A questão não é a performance europeia dos clubes grandes que poderá ficar afetada se receberem menos dinheiro dos direitos televisivos decorrente da centralização. O problema é que o acesso garantido desses clubes ao verdadeiro baú do tesouro que é a Liga dos Campeões ficará mais dificultado. A performance é, em termos financeiros, um bónus. O fator relevante é a garantia dos milhões distribuídos a quem lá entra.

Os orçamentos de FC Porto, Benfica e Sporting consideram essas receitas como dado adquirido. Naturalmente, os orçamentos de Famalicão, Estoril ou Marítimo não os consideram dada a alta improbabilidade de lá chegar.

O que importa para os Grandes é assegurar a presença assídua nos 3 primeiros lugares do campeonato. E, para isso, é fator importante, quiçá decisivo, que a diferença de orçamento entre esses 3 e os restantes seja a maior possível. E isso é exatamente o que se pretende contrariar com a centralização.

Desastre não é o Benfica receber menos 20 ou 30 milhões por ano. Desastre é ficar em 4º lugar sem acesso à Liga dos Campeões. E as probabilidades de isso acontecer aumentam se o Braga, o Vitória ou o Rio Ave tiverem direito a mais 5 ou 10 milhões do que recebem hoje.

O incremento da competitividade é ótimo para a globalidade do futebol português mas é péssimo para o sossego dos 3 Grandes. Não deixando de ser Grandes diminuiria a sua margem de conforto para terem épocas menos conseguidas.

Bem visto, escapou-nos esse ponto que é muito mais relevante, e que torna ainda mais estranho a aparente concordância em relação ao tema por parte dos presidentes dos 3 "grandes".

Reforço o teu ponto entrando no campo da futurologia (pois estamos a falar de alterações previstas para 2027): por altura da centralização provavelmente já estaremos num contexto de superliga europeia (seja via UEFA ou ECA) com regime de subidas e descidas entre várias divisões, pelo que uma época menos conseguida de um dos grandes pode significar não apenas uma época pontual sem Champions, mas sim uma descida de divisão europeia teoricamente muito mais difícil de recuperar. Dependendo dos moldes das futuras competições europeias, poderia significar nunca mais por os pés na "Champions" (primeira divisão).

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Na próxima temporada começa a Superliga europeia, reforma da Champions 

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