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SAS_Robben

O Culto do Futebol

Publicações recomendadas

Havia um user que jurava a pés juntos que o Recoba tinha jogado no Nacional. Não me lembro quem era o user nem de onde foi buscar essa ideia peregrina.

era o eusebio_fcp grande user, responsável por 35% das contas do cmpt

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era o eusebio_fcp grande user, responsável por 35% das contas do cmpt

Era o doutor Nelson Guedes.

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Mas o Recoba jogou no Nacional. :mrgreen:

 

Só se foi no Nacional da terra dele. :mrgreen:

 

era o eusebio_fcp grande user, responsável por 35% das contas do cmpt

 

Aranha do Norte!

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(...)

reyna_lg.jpg

 

Melhor jogador americano de sempre, imo.

 

Muita classe. Claudio Reyna.

 

A mãe dele era portuguesa.

 

Mas o melhor norte-americano de sempre é este:

 

bruce.jpg

 

Andou 1 ano a dizer antes do CM 2002 que Portugal era a seleção mais sobrevalorizada da história dos mundiais de futebol, que o lado esquerdo era uma autoestrada e que nunca na vida Portugal iria chegar longe nesse Mundial.

 

1º jogo, logo contra Portugal, faz duas surpresas que espantam por completo toda a gente: Reyna no banco e Mastroeni a titular, jogador que não tinha feito um único jogo na qualificação e que toda a gente dizia que ia aquecer banco no Mundial.

 

Resultado: O Matroeni destrói tudo o que Portugal fazia em termos ofensivos, o lado esquerdo foi efetivamente uma autoestrada e o McBride faz um jogaço (o primeiro desse Mundial onde esteve muito bem).

 

Depois chega na conferência de imprensa com aquele ar de boss e diz: "Eu não tinha avisado que íamos ganhar isto!" Rei :prayer: :lol:

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Culto do futebol, o tempo em que o mesmo era acarinhado pelas televisões,

 

t3rk.jpg

 

 

icon_pray.gif Não era preciso esperar até às 02:00 para vermos os resumos dos jogos, não tínhamos de levar com pseudo-comentadores, não havia medições de pilhinhas e os resumos não se cingiam só aos grandes.

 

E outro vulto do futebol em Portugal,

 

Domingo+Desportivo.jpg

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O Domingo Desportivo é, de muito longe, o melhor programa desportivo que alguma vez houve em Portugal.

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E aquele golo do Recoba nas Antas ainda ao serviço do Nacional da Madeira? Golaço de livre.

Bah, vinha aí fazer essa piada... :cadeirada:

 

--

 

Enrique_c_blaugranasdotcom.jpg

 

Luis Enrique. Classe.

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Falaram de Africanos e não mencionaram o Deus Negro. Yekini :prayer:

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Conforme prometido cá vão mais umas estórias do passado do nosso futebol:

 

2º EPISÓDIO

 

Fome na seleção!

 

Com poucas ou nenhumas mesuras se tratavam os jogadores de futebol nos anos 40. De tal modo que as viagens ao estrangeiro, que por esta altura se intensificaram, faziam-se quase sempre de comboio ou de autocarro. Exceção foi a deslocação à Suiça, em maio de 45. De avião. Um pandemónio. Toda a comitiva a vomitar, o pânico da aterragem, a tremura de uma emoção nova.

 

Bem pior foi o regresso, depois da derrota por 1-0. 72 horas de comboio. Os futebolistas foram postos em carruagens de segunda classe e, para a viagem, receberam um saco de campanha com duas sandes, duas bananas, duas laranjas, uma garrafa de laranjada ou de cerveja. Os dirigentes da seleção acomodaram-se nos vagões-cama de primeira classe e, à sorrelfa, exigiram para si toda a alimentação que se levara para os jogadores em latas de conserva, temendo-se que em Basileia faltassem mantimentos. Não faltaram. Mas faltaram aos futebolistas no regresso a casa. Aos dirigentes não.

 

Durante a viagem Peyroteo e Amaro descobriram o logro, por muito pouco não houve rebelião. Para acalmar os ânimos distribuiram-se francos pelos jogadores «para que comprassem comida durante qualquer escala do comboio»... O dinheiro foi deitado pelas janelas, por revolta e por haver quem percebesse que de nada valeria, já que França e Espanha viviam ainda os despojos da guerra - e à penúria de tudo...

 

 

«A pátria confia em vós...»

 

Para o primeiro encontro internacional de futebol a disputar no Estádio Nacional, símbolo assumido do Estado Novo que Salazar idealizara, escolhera-se, naturalmente, um Portugal-Espanha, jogo, como todos os anteriores, indispensável ao equilíbrio psíquico das nossas gentes.

 

Duas semanas antes os bilhetes já estavam esgotados vendendo-se, alguns, por especial favor ou bons ofícios, no mercado negro a... 100 escudos! Uma fortuna, então. Era a esperança da primeira vitória sobre os espanhóis.

 

Gerou-se tal entusiasmo que, por exemplo, dois catraios, Carmindo de 12 anos e Ernesto de 15, partiram do Porto à aventura. Escondidos sob os bancos do comboio ainda conseguiram chegar a Aveiro. Descobertos, foram postos na rua. Fizeram todo o restante trajeto até Lisboa a pé. Chegaram massados de cansaço, descobriram uma porta aberta na cidade desconhecida, aconchegaram-se nas escadas, um guarda-noturno tomou-os à conta de gatunos, mandou-os para a Tutoria. Choraram, mas presos ficaram...

 

Correu célere a notícia da sua aventura. Chegou aos jornalistas d'A Bola que foram buscá-los para os levar ao jogo. Viveram o momento mais apaixonante das suas vidas. Carmindo lamentou o facto de o portista Catolino ter ficado no banco. «Poderia ter marcado os golos que faltaram para Portugal ganhar à Espanha.»

 

A seleção empatou 2-2. Regressaram de automóvel - outra nova e indescritível sensação - à boleia de um comerciante. E nos bolsos ainda lhe puseram 30 escudos, que fora o dinheiro que A Bola ficara fiel depositária para suportar os custos da viagem de regresso, oferecido por três beneméritos.

 

Dois meses volvidos, a tentativa de desforra, na Corunha. A seleção viajou de autocarro. O cansaço da jornada foi sendo refrigerado pelos incitamentos populares que se foram vendo escritos em tarjas várias: «A Pátria confia em vós»; «Pátria gloriosa. Filhos heróis»; «Portugueses, um Portugal maior»

 

Apesar de tudo, Portugal voltou a perder. Por 2-4. Em 16 encontros nem um triunfo, a não ser moral... Peyroteo abriu o ativo. Francisco Ferreira desperdiçou uma grande penalidade quando o resultado estava em 1-2. Portugal alinhou com Azevedo; Cardoso e Francisco Ferreira; Amaro, Feliciano e Moreira; Espírito Santo, Gomes da Costa, Peyroteo, Quaresma e Rafael. Os dois golos da seleção couberam a Peyroteo, que o presidente da Federação espanhola considerou «simplesmente espantoso»...

 

 

O adeus de Pinga

 

Artur de Sousa, que com o apodo de «Pinga» haveria de «tornar o futebol num manancial riquíssimo de atitudes cheias de beleza», logrando, ao serviço do F.C. Porto, dois títulos de campeão, e que «com a sua classe acendeu labaredas de entusiasmo nos campos do país», anunciou em outubro de 45 a sua decisão de abandonar o futebol, quando já era o maior mito portista. Sê-lo-ia por muito mais tempo.

 

Polémica a sua última entrevista, ao dizer que havia futebolistas internacionais que já nem sabiam dar um pontapé numa bola.

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio

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O Pinga é tão antigo que a minha avó foi empregada dele :lol: Ele morava em Ermesinde quando jogava no FC Porto.

Editado por RicardoBarbosa

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Excelente, Descartes, mais logo reputo. Estás a ler isso de algum lado? É que tem mesmo aquela escrita dramática, parece que se está a ler um excerto de um livro. :mrgreen:

 

Custa acreditar que a selecção era tão miserável antigamente, falo de recursos financeiros. Seria um cenário actualmente impensável, de todas as formas.

Bota ainda mais insólitas! :)

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Excelente, Descartes, mais logo reputo. Estás a ler isso de algum lado? É que tem mesmo aquela escrita dramática, parece que se está a ler um excerto de um livro. :mrgreen:

 

Custa acreditar que a selecção era tão miserável antigamente, falo de recursos financeiros. Seria um cenário actualmente impensável, de todas as formas.

Bota ainda mais insólitas! :)

 

É retirado de uma publicação que A Bola lançou há quase 20 anos e que guardo religiosamente.

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Quantos anos tem A Bola?

E já agora, antigamente o destaque benfiquista era tão gritante como se diz? É um tema interessante a abordar, o MO da imprensa de há uns bons anos.

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A Bola foi fundada em 1945.

 

E sempre teve inclinação benfiquista. Os seus 3 fundadores eram benfiquistas e dois deles chegaram a ser jogadores do Benfica (o Cândido de Oliveira e o Ribeiro dos Reis). O Ribeiro dos Reis foi também treinador e dirigente. O Cândido de Oliveira não chegou a treinar o Benfica (treinou o Sporting) mas nunca escondeu a sua costela benfiquista.

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Às vezes sinto-me o único leitor assíduo d'A Bola a morar na cidade do Porto... É o jornal que leio todos os dias desde que me lembro, seguramente há mais de 10 anos.

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Segundo li algures, o Cândido de Oliveira despediu-se do Sporting, depois de ter sido campeão, por ter sido acusado por dirigentes do Sporting em usar uma táctica completamente arriscada, num jogo contra o Benfica, dizendo que estava a fazer aquilo por ser benfiquista. Acabou por os golear.

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O Caso Vital

 

Poucos já se recordarão, mas em 1948, há cerca de 62 anos, o Atlético Clube de Portugal cortou relações com o Futebol Clube do Porto, naquele que ficou conhecido como o “Caso Vital”.

 

Eduardo Martins Vital era jogador do Atlético, avançado. Tinha vindo para o Atlético devido à necessidade de o Clube sentir em reforçar a sua equipa principal, numa época em que o Presidente da Direcção era o Capitão Alcino Júlio Pires. Assim, foi através do Presidente da Direcção que foram estabelecidos contactos com os “Onze Unidos do Montijo” afim de assegurar a transferência de dois jogadores: Vital e Caninhas.

 

Para o caso interessa-nos agora, e somente, Vital.

 

Os números das duas transferências fazem-nos actualmente sorrir, mas os aldegalenses receberam do Atlético, pelos dois jogadores, a quantia, considerável para a época, de trinta mil escudos, isto é; 150 euros na moeda actual. Vital recebeu ainda um prémio de transferência no valor de vinte e cinco mil escudos, pago pelo Atlético, do qual assinou recibo, que certamente ainda estará nos arquivos da Tapadinha. Tudo legal e no enquadramento da Lei vigente naquela época.

 

Durante a época de 1947-1948, os dois jogadores, Caninhas e Vital, foram autores de excelentes exibições e atraíram as atenções gerais, sobretudo Vital, que pelo seu posicionamento em campo, na linha avançada, originou um festival de futebol e golos. Vital é ainda hoje o detentor do record do jogador que mais golos marcou, num só jogo e na 1ª Divisão, pelo Atlético: seis, num fantástico e épico Atlético – Olhanense cujo resultado foi 10-4.

 

Esta situação atraiu naturalmente a cobiça de terceiros clubes que tentara de alguma forma aliciar o jogador para mudar de camisola. Assim, durante o ano de 1948 um clube com quem o Atlético mantinha as melhores e cordiais relações começou a cobiçar de forma inequívoca o jogador. Esse clube, à época da mesma dimensão do Atlético, era o Futebol Clube do Porto. A situação foi tal que a determinada altura toda a imprensa desportiva alardeava o interesse dos portistas em Vital. Começou a estalar o verniz, quando, evidentemente, foi publicado que Vital haveria recebido, do Futebol Clube do Porto, um sinal de dez mil escudos, como prova evidente dos nortenhos.

 

A notícia indignou a Direcção do Atlético que quis tirar a limpo, junto do jogador, o que se passava.

Vital tudo negou e redigiu um texto que assinou e que cuja transcrição na íntegra é a seguinte:

 

Declaro por minha honra de que não recebi dinheiro algum de qualquer director do Futebol Clube do Porto, e que não desejo mudar futebol por qualquer outro clube que não seja o Atlético Clube de Portugal. Tudo o que se disse sobre uma possível transferência minha para qualquer outro clube, é falsa.

 

Este documento foi reconhecido notarialmente no cartório do Dr. Féria Theotónio. Em Lisboa, a 28 de Maio de 1948.

 

Se calhar até falava verdade, pelo que se passou a seguir poderemos imaginar que o dinheiro veio pelas mãos do roupeiro, por exemplo, e não de nenhum director portista, e os desejos mudam-se, como se sabe.

Apesar do formal desmentido de Eduardo vital, os boatos foram-se avolumando e a 15 de Junho de 1948, o Atlético envia um ofício ao Futebol Clube do Porto perguntando se teria havido, da parte de alguém afecto àquele clube. Alguma aproximação ou aliciamento ao jogador Eduardo Vital. Na Tapadinha ainda hoje se aguarda a resposta a esse ofício…

O silêncio da Direcção do Futebol Clube do Porto foi interpretado em Alcântara como se algo estivesse evidentemente a passar. Assim, como precaução, a Direcção do Capitão Pires endereçou a 22 de Junho, ao sr. Director Geral dos Desportos, um oficio pondo-o ao corrente das manobras revoltantes que o Futebol Clube do Porto estaria a efectuar a fim de contar com o concurso do jogador Vital. Para além disso, a 7 de Julho de 1948, o Atlético volta a endereçar à direcção portista, liderada por Cesário bonito, novo ofício, confirmando o anterior, que torna a não obter resposta.

Dias depois confirmava-se: apesar do documento assinado, sob compromisso de honra, que para Vital teria um valor que poderemos considerar como simbólico, o jogador pedia a sua transferência para o Futebol Clube do Porto, ao abrigo do Decreto 32946, artº 32º, §1º, que estabelecia a possibilidade dessa transferência se o Atleta fosse ocupar profissionalmente um lugar na função pública fora da área do clube que representava.

Só que esse emprego era hipotético e na repartição de finanças do Porto nunca ninguém soube quem era o servente Vital, como veremos.

O Atlético Clube de Portugal esperou serenamente os acontecimentos, já que considerava a questão da ocupação de cargo público uma farsa, e assim o considerou, efectivamente, o sr. Director Geral dos Desportos que indeferiu o pedido.

Assim que se soube do despacho do sr. Director Geral dos Desportos, o jogador Vital, que já se encontrava na cidade invicta, regressou a Lisboa e apresentou-se na Tapadinha, voltando inclusive a alinhar pelo Atlético na festa de homenagem que se fizera naquela época a Carlos Canuto, o grande fundador do Carcavelinhos, em jogo que opôs o atlético ao Benfica.

 

Vital, uma vez na capital, endereçou a 4 de Setembro uma carta ao sr. Ministro da educação Nacional, pedindo a anulação da transferência. Tudo parecia ter voltado á normalidade.

Pura ilusão, porém. A 7 de Setembro de 1948, porém, um volte-face surpreendente. O Atlético recebe o ofício nº 0/402, da federação portuguesa de Futebol, com o seguinte teor:

 

Levo ao conhecimento de vª Exª que Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional, por seu despacho de 4 do corrente, determina que se considera transferido para o Futebol Clube do Porto, desde a data da sua nomeação para o Porto, o jogador Eduardo Martins Vital.

 

Na mesma data, a 7 de Setembro, o jogador Vital remeteu ao Ministro das Finanças o documento que passamos a transcrever:

 

Eduardo Martins Vital vem por este meio, para os devidos efeitos, declarar a Vossa Excelência, que desiste do lugar de servente da Repartição de Finanças do Distrito do Porto, pelo que roga a Vª Exª se digne mandar cancelar a sua nomeação.

 

Apesar do pedido de anulação de transferência subscrito pelo jogador Vital, a 14 de Setembro, o jogador recebe da Federação Portuguesa de Futebol o seguinte e singular ofício:

 

Para seu conhecimento e devidos efeitos, abaixo se transcreve o teor do despacho exarado por Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional, no requerimento de anulação do seu pedido de transferência para o Futebol C. do Porto: «Indeferido. Esta pretensão corresponde a um novo pedido de transferência para Lisboa apresentado extemporaneamente, visto o interessado já estar transferido para o Porto, embora sob a condição da sua nomeação para um lugar público».

 

É evidente que o Ministro, Fernando Andrade Pires de Lima, ignorou o despacho do Director-Geral dos Desportos, algo só possível graças ao regime corporativista em que se vivia.

Naturalmente o que salta à vista é que a trama foi bem feita, e se é notável a rapidez com que despachavam os Ministros do Estado Novo, coisa que não se consegue hoje, apesar das tecnologias emergentes, também se concebe que a carta de Vital ao Ministro seria o “sinal” que iria despoletar que o resultado desta trama fosse desfavorável ao Atlético.

Portanto, Vital foi transferido para o Futebol Clube do Porto porque ia trabalhar como servente na repartição de finanças daquela cidade, mas desistiu do lugar no dia em que a transferência foi consumada. Obviamente “pornográfico”!

 

No entanto, o Atlético não desarmou, embora soubesse que as forças em confronto eram desiguais, sabendo da razão que lhe assistia. Assim, efectuou uma larga exposição ao Ministro explanado as “aventuras” do jogador Vital e o comportamento da direcção do Futebol Clube do Porto. Claro que era óbvio que portistas e Ministro estavam conluiados pelo que as esperanças eram reduzidas.

O resultado da explanação do Atlético ao ministro foi insólito, estado Novo no “seu melhor”. Em resposta, o Ministério mandou instaurar um inquérito a jogador Vital, por comportamento incorrecto, tendo a Federação Portuguesa de Futebol nomeado inquiridor (ou será inquisidor?) Manuel Cachulo da Trindade, então Secretário-Adjunto da associação de futebol de Coimbra.

 

Na sequência, em reunião extraordinária de Direcção, a 19 de Setembro de 1948, eram cortadas relações desportivas com o Futebol Clube do Porto, tendo a mesma Direcção, nessa data, demitindo-se colectivamente, mostrando não serem tão apegados ao lugar como outras direcções de clubes actuais.

 

Resta recordar que todo este processo acabou por não ser benéfico para as partes envolvidas. O Atlético perdeu um excelente jogador, Vital viu a sua carreira ensombrada e nunca chegou a brilhar no Futebol Clube do Porto, e o FC Porto não tirou grande proveito do jogador… ou será que contratou para desfalcar?

 

Para concluir, relembremos que este corte de relações durou alguns anos. Na época de 1954-1955 o Sport Lisboa e Benfica serviu de intermediário na reaproximação dos dois emblemas, tendo tudo ficado resolvido a 30 de Janeiro de 1955 quando, para selar a reconciliação, se disputou na Tapadinha um amigável Atlético – FC Porto. Em disputa estava a Taça Reconciliação que acabou por ficar em Alcântara já que o Atlético ganhou por 4-1, com hat-trick de Henrique Ben David e mais um golo de Castíglia.

 

Há ainda uma história deliciosa relacionada como Caso vital e que remonta a 1952, o ano em que o Futebol Clube do Porto inaugurou o defunto Estádio das Antas, a 28 de Maio, feriado da Revolução Nacional, como se dizia à época.

Basicamente, para a inauguração do seu estádio, o Futebol Clube do Porto achou por bem que este fosse ornamentado com as bandeiras de todos os clubes que à época militavam na 1ª Divisão, mas havia um problema que era o facto de FC Porto e Atlético estarem de relações cortadas. Ainda assim, a Direcção do Futebol Clube do Porto enviou um ofício à Tapadinha a requisitar a cedência da Bandeira para ornamentar o Estádio das Antas durante a inauguração.

Formalmente, o Atlético informou o Futebol Clube do Porto que estavam de relações cortadas com o clube e que, logicamente, não podia aceder ao pedido.

Mas na verdade é que, ao que se sabe hoje, dentro do FC Porto não havia qualquer animosidade com o Atlético. Então, a Direcção do FC Porto resolveu simplesmente mandar fazer uma bandeira igual à do Atlético. Ou seja, mesmo de relações cortadas o FC Porto desfraldou a bandeira do Atlético no dia da inauguração do Estádio das Antas. Conforme cita o jornal “O Porto”, ao relembrar o episódio, em 1955, a propósito da reconciliação: “(…) a sua linda bandeira flutuou ao vento. Esteve erguida à frente de toda a gente num dos mastros de honra das Antas e recebeu, ao ser erguida, o aplauso de 50 mil pessoas!”

Ao que parece, Atlético Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto estavam de relações cortadas mas não eram inimigos. Que diferentes eram aqueles tempos, quando comparados aos de hoje.

 

Infelizmente não nos foi possível localizar qualquer imagem de Eduardo Martins Vital.

 

Texto: Nuno Almeida

Pesquisa: Vítor Rodrigues

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Este Deus

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+ este Deus

 

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a darem bolas a estes deuses

 

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Croacia :heart:

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