Ir para conteúdo
What

Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

A historia de Portugal como é ensinada nas escolas é obviamente "abrilhantada"

 

O Emperio portugues não foi sequer um dos 10 maiores da historia e existem inumeros episodios historicos em que Portugal foi fraco ou derrotado que tentamos "esconder" ou considerar menos importantes nos livros de historia.

 

Aliás a nivel social Portugal até no seculo XV e XVI estava atrasado em relação à Europa Central

Compartilhar este post


Link para o post

Lá está, sempre que há um descontentamento generalizado a que o sistema em vigor não consegue dar resposta, acabam por ser feitas escolhas extremas, como foi o que aconteceu nos EUA, e como aconteceu por cá, na Alemanha, em Itália, na Rússia pré-URSS, etc. E não tem obrigatoriamente de ser uma coisa má: primeiro, porque por trás de um discurso populista não tem de estar obrigatoriamente um tirano (o Trump, continuo a dizer, a única convicção que tem é que pode fazer melhor que os outros que lá estiveram porque ele é o maior, e adaptou o discurso de campanha àquilo que as pessoas queriam ouvir), caso contrário, Portugal já teria uns quantos à espera da sua oportunidade nos partidos fora do arco do poder; depois, porque obriga o "sistema" a reagir e a focar-se de novo nas necessidades da população, sob pena de este se extinguir.

 

Talvez esta eleição do Trump venha a ser a terapia de choque que se precisava para finalmente se encarar o problema da ascensão da extrema-direita em todo o mundo e, sobretudo, as reais razões que estão por trás dessa crescente "simpatia" por parte das populações. Por isso talvez não seja totalmente claro que a Hillary fosse a escolha menos má. Prolongar o status quo por mais 4 anos com a eleição de uma pessoa ainda menos competente e mais corrupta do que aquilo que estamos habituados poderia provocar danos irreversíveis e legitimar ainda mais as razões que estão por trás do apoio crescente às personalidades e partidos de extrema direita. Por muito mau que possa parecer o Trump e se tenha em conta os apoios sinistros que tem recebido, sabemos que ele pôs expectativas desajustadas à realidade, e que o culto da personalidade rapidamente se vai esgotar quando não apresentar os resultados esperados e acabar por não cumprir uma boa parte das promessas que fez durante a campanha (já deu sinais disso). E no final do seu mandato não vai ser tarde demais para retomar o curso natural da democracia americana.

 

Não podia estar mais de acordo... (apesar de achar que Trump vá durar os 8 anos completos e não 4, à imagem de G.W.Bush, porque conseguirá esconder a verdadeira realidade económica e social, resultante do seu primeiro mandato , as transições na sociedade , incluindo o voto , não costumam ser repentinas, mas graduais), de resto não falaria melhor que tu :wink:

Talvez seja a hipótese de no longo prazo, a América eleger um Bernie Sanders, (não ele, por motivos óbvios, idade), ligeiramente mais à esquerda que todos os anteriores.

 

Quanto à URSS, pré, durante e pós, na realidade, e isto sou eu que penso, os russos, nunca tiveram uma democracia sólida e eleições realmente livres, começando pelo Czarismo que foi o exemplo de um regime absoluto com pseudo-eleições, em que só participavam as elites, teve as eleições parcialmente livres da URSS ( em 1917, pós-Revolução, que deram a vitória aos Socialistas Revolucionários de Chernov, ficando os Bolcheviques de Lenine em 2º, e os Mencheviques de Martov e Trotsky em 3º, no entanto a vontade popular não foi respeitada, e os Bolcheviques, tomaram o poder, porque ganharam Moscovo, as grandes cidades, onde se concentrava o poder, e o voto dos militares, que foram decisivos, sendo um dos elementos para terem vencido a Guerra Civil Russa, enquanto os mais pobres e os camponeses, que votaram nos Socialistas Revolucionários, acabaram descartados), a partir daí acabou a Democracia Soviética e começou a Ditadura Soviética do Proletariado, longe do que se desejava, aliás, foi mesmo por causa desse exemplo em que a URSS deu um tiro ao lado, que a Esquerda tem tantas dificuldades em ainda hoje se assumir como uma alternativa em muitos países, não pela crítica da sua ideologia em si, mas pela crítica do que aconteceu na URSS ( sobretudo na era de Estaline), de resto, ocorreram as parcialmente livres do ano de 1991 até ao ano 1999 ( muitas delas legislativas que até foram ganhas pelo PC da Rússia), a partir daí Putin tomou as rédeas do poder e transformou a Rússia numa Pseudo-Democracia, onde ganha com mais de 60% ou até 70% dos votos, logo à 1ª volta.

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

Talvez esta eleição do Trump venha a ser a terapia de choque que se precisava para finalmente se encarar o problema da ascensão da extrema-direita em todo o mundo e, sobretudo, as reais razões que estão por trás dessa crescente "simpatia" por parte das populações. Por isso talvez não seja totalmente claro que a Hillary fosse a escolha menos má. Prolongar o status quo por mais 4 anos com a eleição de uma pessoa ainda menos competente e mais corrupta do que aquilo que estamos habituados poderia provocar danos irreversíveis e legitimar ainda mais as razões que estão por trás do apoio crescente às personalidades e partidos de extrema direita. Por muito mau que possa parecer o Trump e se tenha em conta os apoios sinistros que tem recebido, sabemos que ele pôs expectativas desajustadas à realidade, e que o culto da personalidade rapidamente se vai esgotar quando não apresentar os resultados esperados e acabar por não cumprir uma boa parte das promessas que fez durante a campanha (já deu sinais disso). E no final do seu mandato não vai ser tarde demais para retomar o curso natural da democracia americana.

 

Espero que tenhas razão, isto deve ter sido das poucas coisas optimistas com sentido que li nos últimos dias. Sinceramente acho é que isto foi a porta de abertura para muita coisa medonha que vai por aí, e para uma instabilidade imprevisível que pode rapidamente se tornar imparável.

 

Tipos como o Bannon não deveriam tar minimamente perto da Casa Branca. É um mestre ultra-eficaz da desinformação com motivações muito sinistras. Se o Trump se torna numa marionete dele (porque o Trump apesar de ser um génio orador, não aparenta ter uma ideologia coerente ou ter sequer uma noção completa do que implica exactamente ser presidente), isto tem tudo para correr muito bem para as intenções muito más dele.

Compartilhar este post


Link para o post

Quero ver se amanhã "rebato" com calma o Stout e o Enzo sobre o Obama mas queria deixar uma palavra sobre os imigrantes ilegais.

 

Para mim não é só um problema achar que isto é encapotar uma limpeza racial. Para mim é mesmo um problema ver as implicações sociais, económicas e politicas disto.

Muitos destes imigrantes vivem nos USA há várias décadas no pais. Há famílias onde o pai é ilegal e a mãe e filhos legais. Há outros onde só os filhos são legais.

 

É também gente que faz trabalho em agricultura, serviços de casa e afins que nenhum americano aceita fazer.

Pode ter um impacto económico que já foi estimado entre 300 e 600 mil milhões de dólares.

 

Estamos a falar do desmenbrar de familias consolidadas e que produzem e consumem.

 

Não é de todo tão simples como dizer que "Ah, eles são ilegais!"

 

Sobre a Hillary e ela ser "criminosa de guerra", não entro por ai porque se assim for então começo no Churchill, passo pelo Truman, digo um olá ao De Gaulle e acabo no Bush e no Blair.

 

 

 

Não encontrei um video com a imagem "normal" :S

Editado por SAS_Robben

Compartilhar este post


Link para o post

john oliver tears yummy!

 

Vá, toma lá!

 

 

 

Bernie :heart:

Compartilhar este post


Link para o post

Black, isso de Portugal ter tantos combatentes na Conquista de Ceuta como os que combateram em Agincourt pode ter a ver com o sistema feudal da época? Será que Portugal tinha um sistema mais centralizado que Inglaterra ou França, o que talvez permitia recolher mais soldados para as hostes? Já que a maioria dos exércitos na Idade Média eram junções de pequenos exércitos de senhores.

 

Tinha, de certo modo. Isto não é fácil de explicar em poucas palavras, até porque não havia um contexto generalizado em toda a Europa, bem pelo contrário. Cada reino tinha as suas próprias especificidades, uma matriz cultural muito própria e um meio de gestão do poder e da guerra ditados pela soma dos contextos sociais, territoriais, políticos...

 

A ideia generalizada dos senhores feudais, popularizada em filmes ou séries como Game of Thrones, acaba por ser uma ideia muito mais característica da França, por exemplo, do que de Portugal. A França sim, era um reino enorme; num período em que as vias de comunicação eram praticamente inexistentes, a soberania régia acabava por não chegar a muitos pontos do território, o que propiciava a ascensão dos poderes locais e de uma aristocracia que sabia cercear esse vazio de poder, agindo como autênticos reis dentro do próprio reino. Os reis franceses nem meios tinham de evitar isto, visto não haver um sistema burocrático centralizado capaz de garantir o poder régio em todo o território, nem meios para chegar aos mesmos em caso de abusos. Por exemplo, os capetíngios, a primeira dinastia de reis da França, diziam-se "reis dos franceses", não da França, precisamente porque eram os soberanos do povo, mas não do território; neste mandavam os poderes locais, que reconheciam a soberania real mas eram quem tinha o domínio efectivo no terreno.

 

Só para dar uma ideia, quando o rei Luís VI, o Grande, subiu ao trono em 1108, os seus territórios, isto é, os domínios directamente sob a sua governação, pouco mais eram do que o espaço entre os rios Sena e Loire, o que corresponde a um espaço ridículo em relação ao tamanho da actual França. Claro que isto levou a que surgissem senhores feudais poderosos, capazes de levantar exércitos tão numerosos como os do rei francês (e em muitos casos mais fortes).

 

A Guerra dos Cem Anos foi precisamente causada pela luta pela soberania do território entre vários senhores, sendo que entre eles estivam precisamente os reis francês e inglês. Foi uma guerra provocada mais por disputas feudais do que um conflito entre nações como é mais habitual interpretarmos uma guerra. Isto é curioso e dava um texto engraçado, porque o rei inglês era também "dono" de vastos territórios em França, estando no entanto sujeito pelas regras da vassalidade a prestar homenagem ao rei da França (ya, o rei de Inglaterra jurava fidelidade ao rei de França pois este era o soberano legítimo das possessões francesas que possuía - deixem esta ideia assentar :mrgreen: ). Quando Eduardo III subiu ao trono de Inglaterra, decidiu também reclamar o trono de França por via da sua ascendência e recusou prestar juramentos de fidelidade a Filipe VI; ora, um vassalo (o rei de Inglaterra) a recusar os juramentos vassálicos ao seu rei e senhor (o de França), claro que este confiscou-lhe os territórios e lá surgiu a célebre Guerra dos Cem Anos.

 

Em Portugal era diferente. O território era mais pequeno, menos populoso e globalmente menos rico, o que não ajudou a que se criassem grandes senhores feudais. Certo, havia sempre uma certa aristocracia mais poderosa, mas numa escala insignificante em relação ao que se passava no reino gaulês. Aqui, o que havia eram mecanismos de recrutamento e organização militares muito bem delineados. Por exemplo, eram nomeados oficiais régios (coudéis, salvo erro) responsáveis pela avaliação dos bens nos locais onde estavam destacados e que faziam uma lista do tipo de armamento que cada pessoa devia possuir, conforme os bens de cada um: os mais abonados eram obrigados a ter e manter um cavalo, os seguintes talvez fossem obrigados a ter arneses e bacinete, ou bestas, ou outro equipamento defensivo qualquer.

 

Para dar uma ideia da qualidade da organização, havia um método de recrutamento chamada "besteiros do conto". Definiam-se uma carrada de unidades de recrutamento a nível nacional (no século XV eram entre 200 e tal a 300) que ficavam responsáveis pela organização de X unidades de besteiros por cada povoação, sendo esse X definido pelo seu número de habitantes e pela sua localização (as povoações na região de fronteira eram obrigadas a dar mais besteiros do que outras onde houvesse menor probabilidade de ataque inimigo). No total, o rei de Portugal conseguia em poucas semanas reunir 5 mil besteiros através deste sistema.

 

Era por isto (e mais que não vem agora ao caso, para não alongar demasiado o post) que Portugal conseguia reunir exércitos tão vastos em tão pouco tempo. Organização e preparação. Por isso conseguimos reunir tanta gente para atacar Ceuta, por exemplo.

 

A historia de Portugal como é ensinada nas escolas é obviamente "abrilhantada"

 

O Emperio portugues não foi sequer um dos 10 maiores da historia e existem inumeros episodios historicos em que Portugal foi fraco ou derrotado que tentamos "esconder" ou considerar menos importantes nos livros de historia.

 

Aliás a nivel social Portugal até no seculo XV e XVI estava atrasado em relação à Europa Central

 

É natural que assim seja e é-o em todos os países. Trata-se de um método relativamente simples de enaltecer as grandes figuras do passado nacional e criar algum fervor nacionalista. Portugal não é excepção.

 

Quanto ao resto, pah, isso se calhar nem os Estados Unidos o são. Não sei onde pretendes chegar com isso, mas novamente o digo, isso é natural. Vês algum inglês a falar do tempo em que as frotas portuguesas garantiam a defesa da costa inglesa porque eles não o conseguiam fazer sozinhos, ou julgas que os espanhóis estudam Aljubarrota ou a conquista de Madrid pelos portugueses? :lol:

 

Os posts de história do Puro são o maior tesouro deste fórum.

 

Shaft :heart:

Editado por Black Hawk

Compartilhar este post


Link para o post

Duterte, Putin, Le Pen, Michaloliakos, Farage, O Mundo já teve vários sinais iniciais... muitos dos mesmos que eram a favor da tomada de parte da Ucrânia pela Rússia, são muitos dos mesmos que agora atacam Putin. Muitos dos que defendiam a saída da UE por parte do Reino Unido, são agora acérrimos defensores da sua permanência. Muitos dos que diziam que nunca votariam Clinton, são os mesmos que dizem que afinal votariam nela.

Mas só agora que surgiu Trump é que o Mundo realmente se preocupa? Porque razão deixámos o populismo avançar tanto (mesmo na Europa)? Pela mesma razão pela qual não compreendemos que muitos americanos votariam Trump, achámos graça e dissemos que Trump não passaria de um engraçadinho sem 2 miolos de testa ... um outsider.

Pobre humanidade... tão ingénua... e ao mesmo tempo hipócrita, que se deixa enganar, e vai dos 8 ao 80, numa questão de dias ( desde que toque no cerne basilar da sociedade ocidental como a conhecemos, os EUA).

Isto faz-me lembrar os atentados, que ocorrendo de igual forma (vamos supor) no Ocidente e no Médio Oriente ou em África, é muito mais motivo de destaque o primeiro, mesmo que o número de mortes seja 1/10.

Mas Trump tinha de ser eleito, é a vacina para nunca mais voltarmos ( espero eu que por umas boas décadas, pois um dia voltaremos) a cair em Populismos no Mundo.

Se Trump não tivesse sido eleito, e tivesse sido Clinton, daqui a 8 anos, algum Hitler da vida ganharia as eleições americanas e a Europa não abriria os olhos, é uma lição importante.

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

A ideia generalizada dos senhores feudais, popularizada em filmes ou séries como Game of Thrones, acaba por ser uma ideia muito mais característica da França, por exemplo, do que de Portugal. A França sim, era um reino enorme; num período em que as vias de comunicação eram praticamente inexistentes, a soberania régia acabava por não chegar a muitos pontos do território, o que propiciava a ascensão dos poderes locais e de uma aristocracia que sabia cercear esse vazio de poder, agindo como autênticos reis dentro do próprio reino. Os reis franceses nem meios tinham de evitar isto, visto não haver um sistema burocrático centralizado capaz de garantir o poder régio em todo o território, nem meios para chegar aos mesmos em caso de abusos. Por exemplo, os capetíngios, a primeira dinastia de reis da França, diziam-se "reis dos franceses", não da França, precisamente porque eram os soberanos do povo, mas não do território; neste mandavam os poderes locais, que reconheciam a soberania real mas eram quem tinha o domínio efectivo no terreno.

Malditos Dukes no Crusader Kings II, às vezes conseguiam convocar exércitos maiores que o meu :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Nem vou entrar por aí... :mrgreen:

 

É só mesmo para mostrar aquela contradição. Votamos contra um governo e logo a seguir elegemos um gajo que no essencial defendeu esse governo durante 4 anos, porque parece um porreiro na televisão. Também pode dar para os dois lados que o AC também aparecia todas as semanas na televisão. O que é verdade é que não foi a política a decidir pelo menos uma das eleições e isso para mim é preocupante...

 

Não sei se considero uma eleição onde o vencedor tem menos votos que o adversário como democrática, mas mesmo assumindo que sim, nem é isso que está em causa.

Eu não estou a dizer para não se respeitar, no sentido de acatar, os resultados das eleições. Estou a dizer que eu não respeito a decisão de votar no homem, é uma decisão mais que merdosa. Nem estou a dizer que não respeito os votantes nele, apesar de obviamente não respeitar uns bons milhões deles....

 

Uma decisão só por ser democrática, não tem necessariamente de ser respeitada. Se alguém que diga que quer acabar o que o Hitler começou for eleito democraticamente, é uma decisão que merece respeito?

 

14% dos votos foram de candidatos Esquerda para candidatos Direita de uma para a outra e porquê? Não foi uma mudança assim tão brusca como possas imaginar. Aliás, de 1994 para 1995 tiveste uma mudança quase tão brusca como essa, na eleição de Guterres. Tens que pensar que há muito mais gente de Direita em Portugal do que se julga, muitas deles descontentes com PPC, não votando nele portanto, o candidato a PM sugerido pelo PSD era ele, que todos conhecemos muito bem pelos anos de governo, e mesmo assim alcançou 38% dos votos, na coligação, se o PSD mudar para o Rui Rio, e ele fizer oposição a sério, as sondagens equilibram mais novamente ( sempre com o PS na dianteira).

 

Infelizmente, se for a opção maioritária de toda a humanidade, terias de a acatar, ou não serias democrático, mas aí tens uma humanidade completamente alienada. Como naqueles cenários do livro 1984, Admirável Mundo Novo ou Fahrenheit 451 ( este último nunca li)

A grande questão do Século XXI, para mim, é onde começa e acaba a Democracia.

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

"Exactamente iguais". "Afinal nem é assim tão mau". "Era tudo tanga"...

 

NYT-1.jpg?w=318

 

 

Se pudesses voltar atrás no tempo, matavas o Trump?

Compartilhar este post


Link para o post

Voltemos atrás no tempo, gostava que em caso de interesse, vissem este vídeo, de 1958, uma entrevista mais atual que nunca, uma visão sobre o futuro ( em relação a 1958):

 

 

Excerto:

 

''Tomemos um pouco a história dolorosa que aconteceu há pouco tempo, da ascensão de Hitler ao poder que foi muito eficaz, quais foram os métodos de Hitler?

Hitler usou a força bruta, o terror, mas também usou uma forma muito eficiente de propaganda, ele usava todos os dispositivos modernos da sua época, como a rádio ( ou os jornais, ou os Jogos Olímpicos, não podia usar a TV, nem a Internet, nem o Twitter), em que aproveitou tudo o que conseguia, assim estava apto a impor a sua vontade numa imensa massa de pessoas. Apesar disso, os alemães não deixavam de ser um povo extremamente instruído.''

 

-Sabemos tudo isso, mas como poderemos estar a imitar tal coisa da propaganda na América? Está a sugerir tal paralelo?

 

''(...)A questão é, parecem-me haver métodos possíveis, métodos superiores em alguns aspetos aos de Hitler, que poderiam ser usados de forma ainda mais nefasta.

Sinto que não podemos ser apanhados de surpresa, pelo nosso próprio avanço tecnológico. Como já aconteceu no passado. As condições sociais estão sujeitas à mudança, chegando a cenários que as próprias pessoas não previram, fazendo coisas que não queriam fazer''.

 

-O que quer dizer? Que a televisão tem um efeito negativo na sociedade?

 

''A televisão é usada sobretudo de forma inofensiva, com o intuito de distrair as pessoas, mas ela é um instrumento tão poderoso que pode ser utilizado para transmitir uma visão unilateral, e insistente numa única visão o tempo todo. A televisão em si é um instrumento neutro, que pode ser utilizado tanto para bem como para mal. O mesmo se pode dizer de coisas como a Energia Atómica, que pode destruir através de bombas ou substituir até as energias fósseis.'' (...) a ditadura do futuro, não será uma ditadura que convence através do terror, ou violência física pura, (mas sim, ''validando'' esses métodos, como racionais, penso que Huxley queira dizer isso) , como se costuma dizer , pode-se fazer tudo de uma arma, menos sentarmo-nos em cima dela.''

Compartilhar este post


Link para o post
''Tomemos um pouco a história dolorosa que aconteceu há pouco tempo, da ascensão de Hitler ao poder que foi muito eficaz, quais foram os métodos de Hitler?

Hitler usou a força bruta, o terror, mas também usou uma forma muito eficiente de propaganda, ele usava todos os dispositivos modernos da sua época, como a rádio ( ou os jornais, ou os Jogos Olímpicos, não podia usar a TV, nem a Internet, nem o Twitter), em que aproveitou tudo o que conseguia, assim estava apto a impor a sua vontade numa imensa massa de pessoas. Apesar disso, os alemães não deixavam de ser um povo extremamente instruído.''

 

A propaganda vale o que vale nos dias de hoje. Especialmente quando tens acesso a milhões de pessoas, milhões de ideias, via Internet.

 

Se há coisa que estas eleições puseram a nu, é que nem toda a manipulação e investimento em medias convencionais/alternativos poderá cobrir uma má candidatura. Aproveitar-se das fraquezas do povo para fortalecer narrativas já é outra coisa. E foi isso que o Trump fez.

 

Vá, toma lá!

 

 

 

Bernie :heart:

 

Bernie was the candidate America needed, but not the one it deserved.

 

:cry:

Compartilhar este post


Link para o post

A propaganda vale o que vale nos dias de hoje. Especialmente quando tens acesso a milhões de pessoas, milhões de ideias, via Internet.

 

Se há coisa que estas eleições puseram a nu, é que nem toda a manipulação e investimento em medias convencionais/alternativos poderá cobrir uma má candidatura. Aproveitar-se das fraquezas do povo para fortalecer narrativas já é outra coisa. E foi isso que o Trump fez.

 

Bernie was the candidate America needed, but not the one it deserved.

 

:cry:

 

Bernie ganharia fácil em qualquer país europeu. Má candidatura de Trump, sem dúvidas, mas o mau de que falamos não é sinónimo de fraco/pouco poderoso, nem burro é sinónimo de louco... É uma junção ( a meu ver) que não devia ser feita pela língua portuguesa, induzindo-nos em erro.

As frases que coloquei, não são minhas, mas de Huxley, ele é tão mal compreendido ainda nos dias hoje, como outros pensadores distintos, Nietzsche, Camus, Sartre, Bakunin, mesmo Marx , que toda a gente julga entender a fundo, é muito deturpado, tanto pela direita ( sobretudo por ela) como pela esquerda, e por aqui fora, etc... etc...

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

Bernie ganharia fácil em qualquer país europeu. Má candidatura de Trump, sem dúvidas, mas o mau de que falamos não é sinónimo de fraco/pouco poderoso, nem burro é sinónimo de louco... É uma junção ( a meu ver) que não devia ser feita pela língua portuguesa, induzindo-nos em erro.

As frases que coloquei, não são minhas, mas de Huxley, ele é tão mal compreendido ainda nos dias hoje, como outros pensadores distintos, Nietzsche, Camus, Sartre, Bakunin, mesmo Marx , que toda a gente julga entender a fundo, é muito deturpado, tanto pela direita ( sobretudo por ela) como pela esquerda, e por aqui fora, etc... etc...

 

A má candidatura de que falei era da Hillary e não do Trump. O Trump aproveitou-se do gangbang dos media para criar a narrativa de que ele está sozinho contra todos e resultou. De que estava a lutar contra o sistema, porque efectivamente o sistema atacou-lhe de todas a formas e feitios.

 

No fim, quem se riu foi ele.

Compartilhar este post


Link para o post

Continuando a conversa de escritores que escreveram há décadas coisas que hoje em dia fazem mais sentido que nunca:

 

In his commercials Reagan used the smooth, teleprompter-perfect tones of the TV auto-salesman to project a political message that was absolutely the reverse of bland and reassuring. A complete discontinuity existed between Reagan's manner and body language, on the one hand, and his scarily simplistic far-right message on the other. Above all, it struck me that Reagan was the first politician to exploit the fact that his TV audience would not be listening too closely, if at all, to what he was saying, and indeed might well assume from his manner and presentation that he was saying the exact opposite of the words actually emerging from his mouth.

https://en.wikipedia.org/wiki/Why_I_Want_to_Fuck_Ronald_Reagan

 

I think fascism does need a leader. But the leader may take an unexpected form. And I suggest in the book that our equivalent of the ranting führer is the cable channel chat show host. The thing about führers and messiahs is that they always come out of the least expected places - deserts, usually. But of course the shopping malls and retail parks in England in 2006 are a desert by any yardstick you care to apply. I mean, consumerism itself is a vast desert. A desert without a single oasis as far as I can see. But the point one of the characters makes, several times, is that we don't need a ranting, jackbooted messiah. It’s almost a fascism lite - horrible phrase, but you know what I mean. But the underlying motivation is probably the same.

http://thequietus.com/articles/10265-toby-litt-jg-ballard-interview-extract

 

 

Ticampos, essa conversa de que a "humanidade é ingénua" e de que certos escritores estudados até à exaustão são "mal compreendidos" pode fazer sentido mas não tem grande aderência adesão à realidade.

 

EDIT: Tens razão, Vaart, embora na minha cabeça esta expressão até faça sentido enquanto sinónimo de ligação à realidade.

Editado por whatever

Compartilhar este post


Link para o post

 

Ticampos, essa conversa de que a "humanidade é ingénua" e de que certos escritores estudados até à exaustão são "mal compreendidos" pode fazer sentido mas não tem grande aderência adesão à realidade.

 

 

Estudados até à exaustão? Uma coisa é dizeres-me isso em relação aos académicos especializados (talvez menos de 5% da população), outra é dizeres-me isso em relação à população em geral. Pela tua lógica, seria banal uma conversa de café sobre o Niilismo ou a Vontade de Poder de Nietzsche, ou sobre o Materialismo Dialético de Karl Marx/Engels , algo que eu considero que esteja muito longe da realidade.

Faz sentido, mas não tem adesão à realidade? Faltou explicar porquê...

Quanto à humanidade, por ela não ser ingénua, é que criou a política do Apaziguamento antes da 2ª Guerra Mundial ou esperou a eleição de Trump como algo até bastante provável, que num caso e noutro, acabou nas consequências que todos nós sabemos.

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora

×
×
  • Criar Novo...