Ir para conteúdo
What

Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

A Marisa tem mais qualidade que a Catarina e só tem que continuar a trabalhar e ganhar mediatismo para ser a futura líder (daqui a algum tempo, que me parece que a Catarina não saí tão cedo). Pode ser que tenha novamente uma boa votação nas presidenciais, se o Louçã não quiser ir.

Editado por Syn

Compartilhar este post


Link para o post

Tirei o dia para reflectir sobre o shitshow que foram as eleições e sobre o facto de esta população me dizer cada vez menos. Não obstante de ter amigos que votam em todas as forças, aqui no CMPT há uma maior representatividade de opiniões que se afastam daquelas com as quais convivo diariamente.

estou agora com duas questões/afirmações.

Quem não vota porque “não acredita no sistema”, “pq não quer perpetuar os mesmos de sempre” e “pq não muda nada” não passa de preguiçoso/e deveria ter algum tipo de “sanção” (perda de benefícios, de determinados direitos, etc). Change my view

o voto, em Portugal, precisa de ser obrigatório..Change my view. 

 

  • Concordo! 2

Compartilhar este post


Link para o post

É meterem na comunicação social "vai faltar o combustível", e meterem lá as mesas de voto nas bombas. 

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Em relação ao voto obrigatório, sou contra. Se não existirem sanções, como multas, ia tudo continuar na mesma. É o caso de vários países, como na Grécia, em que o voto é obrigatório mas existiu mesmo assim 40 a 45% de abstenção nestas europeias. Se existissem sanções, muito provavelmente íamos ver uma grande parte da população a votar nos tiriricas e nos PNRs de Portugal, pelo deboche e para não serem sancionadas. Acho que não iria resolver nada no primeiro caso, iria piorar ainda mais no segundo.

Em relação à primeira afirmação, também não sou fã mas entendo. Acho que não devemos enveredar por um crédito social, em que quem vota pode fazer algumas coisas e quem não vota não pode. Somos todos iguais, todos cidadãos, e devemos, como tal, ter todos os mesmos direitos e deveres. Por outro lado tenho um conflito interno, porque tendo os mesmos direitos e deveres, também devíamos todos votar.

Em vez de se colocar o voto obrigatório, acho que se devia apostar na educação em relação aos partidos políticos, em cidadania nas escolas, aulas sobre o nosso sistema, aumentar o debate nas camadas jovens e incentivar ao voto a partir de nós, sociedade que vota, e também a partir partidos políticos. Não sei bem como é que isto se faria, não tenho ideias, mas o Governo podia bem encomendar estudos a universidades portuguesas e a especialistas para estudarem o porquê de a abstenção ser tão alta e porque é que é mais baixa noutros países, bem como a forma de apelar ao voto por lá.

  • Concordo! 1

Compartilhar este post


Link para o post

O problema do voto obrigatório é que depois seria preciso limpar os cadernos eleitorais e nenhum partido está muito interessado em fazê-lo, sobretudo o PS, PSD e CDU porque os ordenados dos autarcas, assim como os mandatos para a Assembleia da República, estão indexados ao número de eleitores da região.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Voto obrigatório e tinhamos a eleição do Tino de Rans para Presidente.

O que falta é educar as pessoas, mas infelizmente a maior parte nem percebe o que custou ter este direito...

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Syn, há 58 minutos:

Em relação ao voto obrigatório, sou contra. Se não existirem sanções, como multas, ia tudo continuar na mesma. É o caso de vários países, como na Grécia, em que o voto é obrigatório mas existiu mesmo assim 40 a 45% de abstenção nestas europeias. Se existissem sanções, muito provavelmente íamos ver uma grande parte da população a votar nos tiriricas e nos PNRs de Portugal, pelo deboche e para não serem sancionadas. Acho que não iria resolver nada no primeiro caso, iria piorar ainda mais no segundo.

Em relação à primeira afirmação, também não sou fã mas entendo. Acho que não devemos enveredar por um crédito social, em que quem vota pode fazer algumas coisas e quem não vota não pode. Somos todos iguais, todos cidadãos, e devemos, como tal, ter todos os mesmos direitos e deveres. Por outro lado tenho um conflito interno, porque tendo os mesmos direitos e deveres, também devíamos todos votar.

 Em vez de se colocar o voto obrigatório, acho que se devia apostar na educação em relação aos partidos políticos, em cidadania nas escolas, aulas sobre o nosso sistema, aumentar o debate nas camadas jovens e incentivar ao voto a partir de nós, sociedade que vota, e também a partir partidos políticos. Não sei bem como é que isto se faria, não tenho ideias, mas o Governo podia bem encomendar estudos a universidades portuguesas e a especialistas para estudarem o porquê de a abstenção ser tão alta e porque é que é mais baixa noutros países, bem como a forma de apelar ao voto por lá.

Subscrevo tudo isto em relação à abstenção. Acrescento ainda a esse último parágrafo a responsabilidade dos próprios partidos, porque a grande maioria das campanhas são verdadeiras lixeiras que não trazem nada de bom para debate nem vontade à grande maioria das pessoas para ir votar.

Compartilhar este post


Link para o post

Passei toda a escolaridade obrigatória sem ouvir um único minuto de política ou algo diretamente relacionado com a mesma. Ainda cheguei a ter formação cívica no 9º ano mas tenho a certeza que não se falou em nada disso, foi antes para fazer os TPCs e completar provérbios...

A maioria das pessoas da minha idade não foi votar, "não ligo nada a isso", "não percebo nada disso", "nem sequer sei quem são os candidatos". É mau pensar assim, mas é extremamente difícil convencer um a um de que estão errados, o mais fácil mesmo é incutir algo no sistema de ensino que procure combater a falta de interesse generalizada nestes temas.

O problema de passar isto para o ensino é a preparação que o professor tem e que tipo de mensagem transmite: se vai transmitir as suas ideias políticas (errado) ou se vai simplesmente explicar tudo o que está à superfície e deixar o aluno perceber por si de que lado está.

Editado por Mica

Compartilhar este post


Link para o post

As ascensão de partidos como o PAN e o BE era completamente expectável tendo em conta que são os únicos partidos que tentam resolver os problemas atuais e não atacam o outro lado do espectro em plena campanha eleitoral.

Estes dois partidos preocupam-se em combater as alteracoes climáticas, a regular os direitos LGBT,a legalização da canábis,a despenalização/legalização da eutanásia.Estes são os grandes temas que são urgente em resolver/regularizar.É impensável a um jovem votar no PSD,CDU ou CDS quando estes são tão conservadores socialmente.

Uma palavra ainda para o PEV que podia ter se tornado numa das grandes forças politicas deste pais se não vivesse a conta do eleitorado do PCP.Os partidos verdes estão cada vez a crescer mais e o PEV cada vez mais proximo do abismo.

Compartilhar este post


Link para o post
 
 
 
Citação de Syn, há 1 hora:

Em relação ao voto obrigatório, sou contra. Se não existirem sanções, como multas, ia tudo continuar na mesma. É o caso de vários países, como na Grécia, em que o voto é obrigatório mas existiu mesmo assim 40 a 45% de abstenção nestas europeias. Se existissem sanções, muito provavelmente íamos ver uma grande parte da população a votar nos tiriricas e nos PNRs de Portugal, pelo deboche e para não serem sancionadas. Acho que não iria resolver nada no primeiro caso, iria piorar ainda mais no segundo.

Em relação à primeira afirmação, também não sou fã mas entendo. Acho que não devemos enveredar por um crédito social, em que quem vota pode fazer algumas coisas e quem não vota não pode. Somos todos iguais, todos cidadãos, e devemos, como tal, ter todos os mesmos direitos e deveres. Por outro lado tenho um conflito interno, porque tendo os mesmos direitos e deveres, também devíamos todos votar.

Em vez de se colocar o voto obrigatório, acho que se devia apostar na educação em relação aos partidos políticos, em cidadania nas escolas, aulas sobre o nosso sistema, aumentar o debate nas camadas jovens e incentivar ao voto a partir de nós, sociedade que vota, e também a partir partidos políticos. Não sei bem como é que isto se faria, não tenho ideias, mas o Governo podia bem encomendar estudos a universidades portuguesas e a especialistas para estudarem o porquê de a abstenção ser tão alta e porque é que é mais baixa noutros países, bem como a forma de apelar ao voto por lá.

Eu poercebo que o voto obrigatório possa levar a uma certa infantilização do eleitorado. O voto obrigatório tem de ser sempre acompanhado de uma sanção. Eu via o voto obrigatório como uma medida de emergência. Uma medida que visa promover (obrigar) uma cidadania ativa. Uma medida que visa levar as pessoas a participar mais na vida política. De certo modo é como aprender a andar de bicicleta com rodadinhas que, a dado momento, terão de ser retiradas. Dir-me-ão, que pode levar aos votos do "deboche", dos Tiriricas. Concordo, em parte. 

Quanto ao bold, não acho que uma medida exclua a outra. A aposta na educação - nao só em em temas relacionados com a cidadania ativa, é algo que defendo desde sempre. É vergonhoso qualquer pessoa adulta não ter "interesse" nem "saber" o que se passa na política do país. Mais educação? Mais campanhas de sensibilização? Sem dúvida. Apenas acho que isso, per se, não chega.

Citação de Lebohang, há 1 hora:

O problema do voto obrigatório é que depois seria preciso limpar os cadernos eleitorais e nenhum partido está muito interessado em fazê-lo, sobretudo o PS, PSD e CDU porque os ordenados dos autarcas, assim como os mandatos para a Assembleia da República, estão indexados ao número de eleitores da região.

Seria um belo primeiro passo 🙂 

Citação de Axadrezado, há 45 minutos:

Voto obrigatório e tinhamos a eleição do Tino de Rans para Presidente.

O que falta é educar as pessoas, mas infelizmente a maior parte nem percebe o que custou ter este direito...

Again, educação e voto obrigatório não devem ser temas que se excluem. Educação? Sempre. Voto obrigatório? Acho que seria interessante equacionar para a nossa realidade de um país desinteressado.

Isso e novos mecanismos de comodidade para quem vota no estrangeiro. Fazer 400 ou 500km para votar não me parece ideal. Temos de deixar de ter medo de utilizar, em pleno, as tecnologias que temos.

Citação de D'artagnaN, há 6 minutos:

As ascensão de partidos como o PAN e o BE era completamente expectável tendo em conta que são os únicos partidos que tentam resolver os problemas atuais e não atacam o outro lado do espectro em plena campanha eleitoral.

Estes dois partidos preocupam-se em combater as alteracoes climáticas, a regular os direitos LGBT,a legalização da canábis,a despenalização/legalização da eutanásia.Estes são os grandes temas que são urgente em resolver/regularizar.É impensável a um jovem votar no PSD,CDU ou CDS quando estes são tão conservadores socialmente.

Uma palavra ainda para o PEV que podia ter se tornado numa das grandes forças politicas deste pais se não vivesse a conta do eleitorado do PCP.Os partidos verdes estão cada vez a crescer mais e o PEV cada vez mais proximo do abismo.

Eu sou jovem (pelo menos gosto de acreditar que sim). Para mim há outros temas que relevam mais para o meu dia-a-dia do que a regularização dos direitos LGBT, a questão da canabis (onde estou de acordo sobre a necessidade de regular) ou a teutanásia. São temas que a mim, enquanto jovem empresário de 31 anos, me dizem pouco. Para mim é mais importante perceber o que o meu país vai fazer para não criar obstáculos a minha tentativa de criaçao de riqueza e emprego. Preocupa-me olhar para o futuro e tentar entender como vai o Estado pagar a fatura social. Porque não posso eu optar por algo que não a Segurança Social (quando muitos são os que antecipam a sua falência a breve trecho). Preocupa-me que exista, na minha ótica, um excessivo protecionismo do trabalhador e que os empregadores sejam sempre vistos como o diabo na terra. Isto e muitas outras coisas. Preocupa-me o futuro do nosso planeta.

Tudo isto para dizer que, não obstante a importância desses temas, enquanto jovem não são aqueles que mais me preocupam.

  • Like 2

Compartilhar este post


Link para o post

Estamos no século 21 e para mim é impensável essas questões ainda não estejam regularizadas.Não consigo ( e todas as pessoas jovens que conheço pensam assim) votar em partidos conservadores como esses 3 e preocupa-me atribuir uma maioria absoluta ao PS (depois do governo do Sócrates,acho que todos tem receio disso).Por isso resta-me os outros dois partidos com assentos na AR,pensando apenas nas legislativas em que votar em partidos pequenos e um voto perdido.
 

Claro que tu sendo empresário terás tendência a votar em partidos mais liberais economicamente,acho que mais depressa votava no IL que no PSD ou CDS,mas a maior parte dos jovens ainda está a estudar ou acabou de tirar o curso e está no mercado de trabalho,daí votarem mais nos partidos da esquerda politica.

Editado por D'artagnaN

Compartilhar este post


Link para o post

Não discordo, na plenitude. Agora preocupa-me que sejam "apenas" essas as grandes questões que hoje em dia interessam aos teus jovens. 

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ghelthon, há 3 horas:

CDS no final da corda é lindo de se ver.

Btw, acham que em Outubro vai ser muito diferente disto? @Ticampos

Se as eleições tivessem sido ontem, terias tido estes resultados:

PS - 40.34  
PSD - 22.54%
BE - 9.33%
CDS - 5.55%
PAN - 5.21%
CDU - 4.86%
A - 1.55%
B - 1.37%
LIVRE - 1.28%
IL - 0.85%
NC - 0.80%
MRPP - 0.76%
PNR - 0.55%
PDR - 0.44%
PURP - 0.38%
PTP - 0.24%
MAS - 0.18%
NULOS, BRANCOS E INVÁLIDOS: 3.77%

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

Obrigar o povo a votar não irá impedi-lo de votar com displicência. Mais vale votarem poucos, mas que saibam, no mínimo, aquilo em que estão a votar. 

Tomar essa medida seria uma receita perfeita para que parasitas como o Basta ganhassem ainda mais notoriedade. 

  • Concordo! 2

Compartilhar este post


Link para o post

Vou começar a votar no MRPP. Ou no pan. 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de doom_master, há 23 minutos:

Interessante. Teríamos um PS + BE + quem? PAN?

Com aquelas percentagens, PS + BE chegaria muito provavelmente.

Algo como PS, BE e Livre seria o meu cenário ideal nas próximas legislativas.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de w0, há 3 horas:

Tirei o dia para reflectir sobre o shitshow que foram as eleições e sobre o facto de esta população me dizer cada vez menos. Não obstante de ter amigos que votam em todas as forças, aqui no CMPT há uma maior representatividade de opiniões que se afastam daquelas com as quais convivo diariamente.

estou agora com duas questões/afirmações.

Quem não vota porque “não acredita no sistema”, “pq não quer perpetuar os mesmos de sempre” e “pq não muda nada” não passa de preguiçoso/e deveria ter algum tipo de “sanção” (perda de benefícios, de determinados direitos, etc). Change my view

o voto, em Portugal, precisa de ser obrigatório..Change my view. 

 

Parece-me que estás a misturar alhos com bugalhos, meter toda a abstenção no mesmo saco é não só errado, como perigoso e deixa antever um certo preconceito entre cidadãos de primeira, de segunda, educados, ignorantes, que contam, que não contam. Da mesma forma que ontem por 3 vezes o Presidente da Republica veio menorizar quem decidiu não votar e do mesmo modo que ninguém de nenhum partido conseguiu ou sequer tentou analisar o porquê da abstenção chegar praticamente aos 70%, ficando-se pelas lamentações, e alheando-se  e fingindo não perceber, especialmente aqueles que se alternam há décadas no poder, que a culpa é quase só sua.

Factos, vives num país onde a participação politica se limita a meter um papel numa caixa, onde a militância e o activismo políticos, quer por partidos quer por causas, são menorizados quando não alvo de chacota, onde os 2 principais partidos não tentam assim tão afincadamente como isso mudar a imagem que têm de um antro de carreiristas ou clube de influências. Onde a decisão politica, os processos, a linguagem, está a anos de luz do dia-a-dia das pessoas e as campanhas eleitorais bem como o acto eleitoral parou nos anos 90. Onde a educação escolar, como já foi referido, é nula no fomentar quer de um espírito critico quer do conhecimento politico ou da cidadania. Se juntas a isso o facto de estas serem umas eleições Europeias que acontecem num momento de paz social brutal em Portugal (esquecendo o ruído de grupos minoritários instrumentalizados), onde os temas Europeus passaram totalmente ao lado daquilo que foi a comunicação dos partidos durante estes meses, sendo nós um país onde os temas que fracturam a Europa não se aplicam por aí além, não pode haver milagres, ninguém quis saber disto para nada, como historicamente ninguém quer saber de eleições Europeias, elas nunca foram uma prioridade, são usadas pelos próprios intervenientes mais como forma de medir como as coisas estão em "casa" e apoiar ou castigar governos do que outra coisa. E já toda a gente percebeu isso. Aliás, na Europa Central há ontem uma inversão na participação nas eleições precisamente por causa disso, porque ao contrário de Portugal lá há questões Europeias na ordem do dia cujas posições, ao contrário de aqui, estão extremadas. Quando assim é, as pessoas participam. Quando é aparentemente para "nada" ou para serem peões em joguinhos partidários, não.

Queres voto obrigatório? Pensa primeiro como fomentar a participação cívica e associativa no dia-a-dia, pensa primeiro em obrigar à participação dos pais nas reuniões de pais da escola dos filhos e a terem um papel na sua educação. Pensa em melhorar as condições laborais dos trabalhadores e facilitar a sua vida, as suas tarefas domésticas e o seu ócio. Pensa em como pode o CM deixar de ser o jornal mais lido em Portugal, etc, etc, há uma serie de coisas que vêm primeiro e que certamente podem transformar uma sociedade de "deixa andar" num espaço de participação e de gente informada, curiosa e participativa.

 

 

Editado por antifa
  • Like 18
  • Concordo! 3

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de antifa, há 27 minutos:

Parece-me que estás a misturar alhos com bugalhos, meter toda a abstenção no mesmo saco é não só errado, como perigoso e deixa antever um certo preconceito entre cidadãos de primeira, de segunda, educados, ignorantes, que contam, que não contam. Da mesma forma que ontem por 3 vezes o Presidente da Republica veio menorizar quem decidiu não votar e do mesmo modo que ninguém de nenhum partido conseguiu ou sequer tentou analisar o porquê da abstenção chegar praticamente aos 70%, ficando-se pelas lamentações, e alheando-se  e fingindo não perceber, especialmente aqueles que se alternam há décadas no poder, que a culpa é quase só sua.

Factos, vives num país onde a participação politica se limita a meter um papel numa caixa, onde a militância e o activismo políticos, quer por partidos quer por causas, são menorizados quando não alvo de chacota, onde os 2 principais partidos não tentam assim tão afincadamente como isso mudar a imagem que têm de um antro de carreiristas ou clube de influências. Onde a decisão politica, os processos, a linguagem, está a anos de luz do dia-a-dia das pessoas e as campanhas eleitorais bem como o acto eleitoral parou nos anos 90. Onde a educação escolar, como já foi referido, é nula no fomentar quer de um espírito critico quer do conhecimento politico ou da cidadania. Se juntas a isso o facto de estas serem umas eleições Europeias que acontecem num momento de paz social brutal em Portugal (esquecendo o ruído de grupos minoritários instrumentalizados), onde os temas Europeus passaram totalmente ao lado daquilo que foi a comunicação dos partidos durante estes meses, sendo nós um país onde os temas que fracturam a Europa não se aplicam por aí além, não pode haver milagres, ninguém quis saber disto para nada, como historicamente ninguém quer saber de eleições Europeias, elas nunca foram uma prioridade, são usadas pelos próprios intervenientes mais como forma de medir como as coisas estão em "casa" e apoiar ou castigar governos do que outra coisa. E já toda a gente percebeu isso. Aliás, na Europa Central há ontem uma inversão na participação nas eleições precisamente por causa disso, porque ao contrário de Portugal lá há questões Europeias na ordem do dia cujas posições, ao contrário de aqui, estão extremadas. Quando assim é, as pessoas participam. Quando é aparentemente para "nada" ou para serem peões em joguinhos partidários, não.

Queres voto obrigatório? Pensa primeiro como fomentar a participação cívica e associativa no dia-a-dia, pensa primeiro em obrigar à participação dos pais nas reuniões de pais da escola dos filhos e a terem um papel na sua educação. Pensa em melhorar as condições laborais dos trabalhadores e facilitar a sua vida, as suas tarefas domésticas e o seu ócio. Pensa em como pode o CM deixar de ser o jornal mais lido em Portugal, etc, etc, há uma serie de coisas que vêm primeiro e que certamente podem transformar uma sociedade de "deixa andar" num espaço de participação e de gente informada, curiosa e participativa.

 

 

Não vejo como estou a misturar alhos com bugalhos, sabendo todos nós, de forma empírica, é certo, que as pessoas que não votam por protesto são, efetivamente, uma minoria. Podíamos, ainda, discutir se, mesmo em protesto, o mesmo não seria mais ruidoso em forma de voto em branco, mas admito que tennhamos uma visão divergente nesse ponto. Porém não me vais querer convencer que quem quer protestar contra o sistema prefaz 70% da população abstencionista. Acho muito complicado conseguirmos determinar a verdadeira percentagem de pessoas desinteressadas na política versus aquelas que entendem que o acto de não aparecerem para votar é uma forma de demonstrar desagrado. Responsabilizar, quase em exclusivo, os políticos de carreira é, na minha ótica, também um erro. Deixa de parte o desinteresse generalizado das pessoas naquilo que é a vida cívica. As pessoas discutem afincadamente as nomeadações da casa dos segredos, se foi ou não penalti, mas raras, ou nenhumas, alguma vez participou, de forma ativa, na vida política (lato sensu). Portanto essa desresponsabilização das pessoas é muito útil quando se quer passar a mensagem que os políticos são todos maus. Não posso aceitar que, em 17 partidos/movimentos e afins, não existam suficientes para dinamizar a participação das pessoas. É demasiado simplista dizer: são todos maus e por culpa deles e da alternância ninguém se interessa.

Eu aceitaria o teu primeiro facto se, olhando a outros actos eleitorais - que não as europeias, a abstençao (vulgo desinteresse) fosse diferente. Que não é. Acabas, acto eleitoral atrás de acto eleitoral, por assistir aos mesmos padrões: as pessoas não se envolvem. Demitiram-se há muito de qualquer participação ativa. E os poucos que o fazem, muitos deles fazem-nos mecanicamente, sem questionarem porque motivo apoiam A, B ou C. É clubismo cego. É assim porque sempre foi assim. Mas isso não pode ser apenas responsabilidade dos políticos, dos carreiristas e dos interesses. Aliás, estamos sempre a bater na mesma velha argumentação. A do sistema estar dominado, a de serem sempre os mesmos, a da clientela, do caciquismo e do carreirismo. Mas no final do dia, poucos são os que desafiam, civicamente, o que se encontra estabelecido. E é aqui que quero bater. Nós, os poucos que vamos debatendo estes assuntos, somos uma minoria, infelizmente. Pegando na conversa da chacota, é curioso que menciones isso. Sempre que se fala das Jotas, no geral, parte-se imediatamente do preconceito (em parte justificável) que quem a elas se junta é por mero interesse no carreirismo político (na péssima aceção da palavra). Tratando-se de Jotas de centro direito ou centro esquerda, é comum vermos um chorrilho de críticas aqueles que dão o seu tempo para integrar, por exemplo, comissões políticas. Não haverá aqui também um misturar de alhos com bugalhos, de meter tudo no mesmo saco e adotar uma postura de que há jotas de primeira, de seguinda e de terceira? É que daquilo que se lê e ouve, apenas são válidos os jovens de movimentos fora do espectro PS-PSD-CDS. E aqui concordo contigo. Estes são (e serão) sempre motivos de chacota, mesmo que pague o justo pelo pecador.

Porém, e não obstante ter explicado em 2 ou 3 outros comentários, a tua argumentação tende a dar ideia que eu defendo o voto obrigatório e que não defendo mais educação, mais ações tendentes a fomentar a participação cívica e associativa no dia-a-dia. Em momento algum disse isso. Aliás, até fui claro ao afirmar que pedia ambos. Todas elas andam de mãos dadas, apesar de insistires em separar e fazer passar a ideia que eu defendo uma em detrimento da outra. 

Mas ainda bem que falas da educação, pois tantas e tantas vezes se fala nela, mas pelos piores motivos. Mas é, efetivamente, ai que começa. Pais que não dão o exemplo formam filhos que não terão interesse, por vezes por desconhecimento, de uma vida cívica ativa. Estamos todos em acordo, aqui. 

Agora relativamente às questões laborais. Este é e será sempre um tema fraturante. E podemos ficar aqui os dois a debater toda uma vida que, no final do dia, teremos sempre uma visão diametralmente oposta. Tu vais me dizer que faltam condições aos trabalhadores. Eu vou-te dizer que concordo, em parte, e em situações específicas, mas que também falta flexibilidade ao empregador. E não vamos sair daqui. 

Por último, o exemplo do CM, da CMTV, dos programas de bola e das casas dos segredos. Também aqui estamos de acordo. Mas somos um povo como tantos outros da era moderna. Vivemos deste fast food de entretenimento, com pouca exigência quanto à qualidade e mensagens dos conteúdos. 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Carmelo Anthony, há 1 hora:

Interessante é este dado:

 

Caí com estrondo a conversa da treta dos políticos que Portugal é um país imune aos extremismos e populismos, um partido racista e populista com menos de um mês de vida (oficialmente) faz um resultado que permitiria colocar um deputado na AR, e logo nas primeiras eleições que participa.

Compartilhar este post


Link para o post

O voto obrigatório ia levar a que muito boa gente fosse votar "só porque sim", sem saber bem no que vota. Não me parece uma solução viável nem indicada.

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

×
×
  • Criar Novo...