Cannonball Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Mayday, há 12 horas: Pronto, a JKM está a ver se afasta o Rui Tavares das eleições de Janeiro do partido. Sabe que saindo o RT sai quase toda a gente e abre-lhe caminho. Acho que está a tentar fazer isso e a enterrar-se por completo, acho que lhe vai sair o tiro pela culatra. Compartilhar este post Link para o post
D'artagnaN Publicado 26 Novembro 2019 Afinal a joacine também gagueja quando pensa 🤣🤣 2 Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 26 Novembro 2019 (editado) o Rui Tavares é o maior. Quando era eurodeputado deu trabalho à amante e vivia com ela em bruxelas enquanto tinha ex-mulher dele,a brasileira socióloga, cá em Pt. btw, o Livre anda à deriva. Até agora só se mexeram para apresentar o projecto do Arístedes de Sousa Mendes ao panteão. Na questão da nacionalidade andaram a dormir, o BE, PCP e PAN já se anteciparam e eles deixaram passar o prazo para apresentar o projecto. Editado 26 Novembro 2019 por Puto Perdiz Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 26 Novembro 2019 A Joacine vai ser um peso morto durante 4 anos no Parlamento. Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Slade, há 8 minutos: A Joacine vai ser um peso morto durante 4 anos no Parlamento. nope, até às eleições/comício ou lá o que eles vão fazer ela vai ser um peso morto. Se ficar à frente de partido ou se sair e ficar como independente ela vai começar a trabalhar. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 26 Novembro 2019 Uma das coisas que reparei foi que no comunicado da JKM estava lá escrito "esquerda solidária, igualitária e anti-colonial" e no texto do Rui Tavares ontem no Público estava "esquerda verde e europeia". #lol Basicamente ninguém se entende e isto vai acabar invariavelmente pela JKM ganhar e o partido virar radicalmente à esquerda ou o Rui Tavares ganhar e a JKM virar independente e concorrer com um partido novo às próximas legislativas. Compartilhar este post Link para o post
D'artagnaN Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 34 minutos: Uma das coisas que reparei foi que no comunicado da JKM estava lá escrito "esquerda solidária, igualitária e anti-colonial" e no texto do Rui Tavares ontem no Público estava "esquerda verde e europeia". #lol Basicamente ninguém se entende e isto vai acabar invariavelmente pela JKM ganhar e o partido virar radicalmente à esquerda ou o Rui Tavares ganhar e a JKM virar independente e concorrer com um partido novo às próximas legislativas. E absteve-se num voto de condenação pelo o reconhecimento do Trump aos colonatos israelitas na Cisjordânia..Irónico.. Compartilhar este post Link para o post
Cannonball Publicado 26 Novembro 2019 Eu acho que a Joacine se está a enterrar - diz que não recebeu instrucções claras de voto mas são temas em que o LIVRE tem posição assumida e vincada e que ela como membro do Grupo de Contacto tinha mais que obrigação de a saber. Depois também põe-se a dizer que vai enfrentar o Conselho de Jurisdição a pedido do Rui Tavares, mas a decisão foi votada pelo grupo todo. Compartilhar este post Link para o post
IlidioMA Publicado 26 Novembro 2019 que casa a arder do crl. Estou enojado. Fui eu votar nisto? Não era suposto ser este o partido da união das esquerdas?? Nem se conseguem manter unidos entre si?? Acabem lá com o Livre, voltem para o Bloco, ou fundem-se com o PS, mas não façam estas figuras, por amor da santa. Compartilhar este post Link para o post
Vimaranes1922 Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 2 horas: Uma das coisas que reparei foi que no comunicado da JKM estava lá escrito "esquerda solidária, igualitária e anti-colonial" e no texto do Rui Tavares ontem no Público estava "esquerda verde e europeia". #lol Basicamente ninguém se entende e isto vai acabar invariavelmente pela JKM ganhar e o partido virar radicalmente à esquerda ou o Rui Tavares ganhar e a JKM virar independente e concorrer com um partido novo às próximas legislativas. A JKM tem o carisma de uma batata. Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 26 Novembro 2019 dou um beijo a quem partilhar aqui para eu ler https://www.publico.pt/2019/11/24/sociedade/reportagem/rocas-sao-tome-eramos-obrigados-trabalhar-nao-tinhamos-voz-1894194 Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 26 Novembro 2019 Citação de IlidioMA, há 1 hora: que casa a arder do crl. Estou enojado. Fui eu votar nisto? Não era suposto ser este o partido da união das esquerdas?? Nem se conseguem manter unidos entre si?? Acabem lá com o Livre, voltem para o Bloco, ou fundem-se com o PS, mas não façam estas figuras, por amor da santa. Não confundir a árvore com a floresta. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Plagio o Original, há 42 minutos: dou um beijo a quem partilhar aqui para eu ler https://www.publico.pt/2019/11/24/sociedade/reportagem/rocas-sao-tome-eramos-obrigados-trabalhar-nao-tinhamos-voz-1894194 Enquanto o @Syn não aparece com a notícia completa podes sempre ler algo relacionado com isso: São Tomé e Príncipe: A escravatura durou até à independência Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 14 minutos: Enquanto o @Syn não aparece com a notícia completa podes sempre ler algo relacionado com isso: São Tomé e Príncipe: A escravatura durou até à independência eu acho assustador isto ter acontecido à tão pouco tempo atrás Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Plagio o Original, há 2 minutos: eu acho assustador isto ter acontecido à tão pouco tempo atrás Muito provavelmente não leste mas o Equador do MST é baseado neste assunto. Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 2 minutos: Muito provavelmente não leste mas o Equador do MST aborda esse assunto. Equador do MST? Li o artigo sim Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Plagio o Original, há 2 minutos: Equador do MST? Li o artigo sim Falei de ler o livro (Equador do Miguel Sousa Tavares). Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 1 minuto: Falei de ler o livro (Equador do Miguel Sousa Tavares). n gosto do homem tem cara de parvo Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Lebohang, há 34 minutos: Enquanto o @Syn não aparece com a notícia completa podes sempre ler algo relacionado com isso: São Tomé e Príncipe: A escravatura durou até à independência obrigado pela identificação, às vezes não vejo os posts. @Plagio o Original assina o jornal seu pelintra gostinha Semedo Correia recebe-nos em sua casa no Casal da Mira, um bairro de realojamento no concelho da Amadora. A acompanhá-la está a filha Lucinda e o neto recém-nascido, que a avó tem no colo durante grande parte da conversa. Sentamo-nos no sofá de sua casa a ouvir as memórias, por vezes interrompidas com memórias mais recentes que envolvem mostrar fotografias de filhos. Agostinha Semedo, de 74 anos, nasceu na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Lá, trabalhou para o Estado colonial a carregar palha e pedras, a limpar estradas, mas não se lembra exactamente a partir de que idade. “Rebentei o corpo desde criança. Não tenho costas, tenho os ossos escangalhados”, queixa-se, mexendo nelas com a mão. A memória por vezes falha, sobretudo quando se trata de especificar datas concretas. Pelas contas, deve ter imigrado para São Tomé e Príncipe (STP) com uns 20 anos, por volta de 1964. Já tinha um filho e foi “procurar uma vida melhor”. A mãe morreu durante a fome de 1947, tinha ela nascido há pouco tempo — duas das piores fomes em Cabo Verde foram entre 1941 e 43 e entre 1947 e 48, quando morreram cerca de 45 mil pessoas, segundo o historiador George E. Brooks. Por isso, muitos cabo-verdianos imigraram para São Tomé como contratados (estima que tenham sido cerca de 80 mil, entre 1900 e 1970). Em São Tomé, o trabalho era pesado, lembra Agostinha Semedo. Passava por encher tinas de cacau cru e transportá-las, por exemplo. “Só trabalhava. Começava as 6h30. Se não acabasse, não ganhava. O contrato eram três contos durante três anos”. Durante o período colonial, milhares de angolanos, cabo-verdianos e moçambicanos foram trabalhar para as roças de São Tomé e Príncipe em regime de contratados. Muitos já morreram, mas ainda há sobreviventes que, depois da descolonização, vieram para Portugal. Conhecemos Agostinha Correia em Setembro, durante a sua participação na sessão Memórias Africanas de Portugal, no âmbito de dois projectos de investigação, Afro-Port Afrodescendência em Portugal (do ISEG) e Discursos Memorialistas e a Construção da História (da Faculdade de Letras), com coordenação de Inocência Mata e de Iolanda Évora, que aconteceu na Culturgest. Na sessão, Agostinha Correia falou brevemente sobre a sua vida nas roças. Hoje a viverem em Portugal, os cabo-verdianos Agostinha Correia, Ilda Vaz (que também esteve na sessão), Balbina Vaz, Alice Semedo, Maria José Neves, João Delgado ou Belarmino Fortes lembram ao PÚBLICO esse período em que os africanos ficavam nas sanzalas, separados por nacionalidades. Segundo o antropólogo Gerhard Seibert, o recrutamento de serviçais começou no início do século XX e até ultrapassou o número de são-tomenses: em 1921, a população total era de 59.055, sendo 44.501 contratados e 20.190 nativos. Mas, por causa do declínio da produção de cacau, em 1961, quando foi abolido o indigenato, os contratados reduziram-se a 22 mil. Agostinha Correia lembra-se de ver muitos cabo-verdianos a apanhar cacau, coco, café, a capinar. Ela própria era isso que fazia — capinava, em grandes áreas, “como deste prédio até lá ao fundo”, aponta, exemplificando com um bloco inteiro de edifícios. “Sempre agachada”. Por isso tem problemas de coluna. Foram 16 anos, quase 17, a trabalhar em STP, na roça Rio d’Ouro e nas suas dependências. Havia a casa grande, onde estavam os colonos, e a sanzala, onde estavam os trabalhadores. Na sanzala não havia trabalhadores brancos, afirma. Dos seus oito filhos, seis nasceram nas roças de STP. A sua casa, de telha, tinha uma única divisão; a cozinha e a casa de banho eram partilhadas. Trabalhava com outros cabo-verdianos, e não com são-tomenses, porque com são-tomenses “só depois do 25 de Abril”. E os patrões humilhavam os trabalhadores? “Sim”, responde. “Mas a gente que busca a vida tem que aguentar”. No seu tempo, já não havia castigos corporais. “Ninguém me punha a mão”, diz. Um dos patrões, porém, tentava seduzir as mulheres. Contava-se a história de que ele tinha atirado uma mulher que lhe resistiu contra um forno. “Só portugueses é que mandavam lá.” Não lhe punham a mão, mas o sistema era duro. Parecia “o tempo da escravatura, era obrigatório trabalhar.” Mal dava à luz, passado um mês voltava à labuta, não ia para o mato, ficava no terreiro. Na mão, que não mexe completamente bem, tem uma marca de catana que lhe acertou. Descreve o que fazia como “trabalho forçado”. Porque “não podia descansar, era obrigada a trabalhar”. “Graças a Deus saí com vida. Os patrões mudaram depois das independências. Os portugueses vieram todos embora”. Agostinha Correia ainda se lembra do que dizia na roça onde esteve: “Quem está fora não entra, quem está dentro não sai”. O trabalho coercivo e o trabalho não-livre Uma exposição que está neste momento da Assembleia da República, O Direito sobre Si Mesmo: 150 Anos da Abolição da Escravatura no Império Português, comissariada pelos historiadores Miguel Bandeira Jerónimo e José Pedro Monteiro, faz uma ligação entre a escravatura e o “trabalho coercivo” como o que foi praticado em STP. Refere que o período seguinte à abolição legal da escravatura em 1869 foi “marcado pela persistência de várias modalidades de trabalho não-livre”, a que Portugal deu continuidade com “assinalável atraso” em relação a outros países. Portugal resistiu à assinatura da convenção sobre trabalho forçado de 1930, ratificando-a apenas em 1956. Isto, “vários anos depois de todos os outros impérios europeus”. A questão do trabalho forçado marcou a história do chamado “terceiro império português”, continuam: “As condições desumanas, as violências e brutalidade infligidas aos sujeitos africanos foram uma constante”. Seriam, aliás, denunciadas, por exemplo, no caso do Cacau Escravo (que conduziu ao boicote do cacau são-tomense pelos chocolateiros britânicos Cadbury), em que se revelava a situação de trabalho em STP, lembra um painel na exposição — e houve várias situações semelhantes. A institucionalização do trabalho obrigatório foi acompanhada pelo estatuto do indígena, desde a sua criação em 1926 — indígena era um africano que não era civilizado e que não tinha plenos direitos, sendo obrigado a trabalhar. Na exposição, são apresentados códigos de 1889, 1914 e 1928, que revelam diferenças: no de 1914 há abolição de castigos corporais e no de 1928 o dever de trabalhar deixa de ser legal e passa a ser “só” moral. Mas só depois do Código do Trabalho Rural, em 1962, e da abolição do regime de indigenato, no ano anterior, é que “todas as formas de trabalho forçado foram juridicamente abolidas”. Quanto às verdadeiras consequências, é outra questão. Aos 82 anos, a irmã de Agostinha Correia, Alice Semedo, também recorda esse período. Fala-nos com a panela ao lume, meio com pressa, à janela de uma das casas que fica entre paredes já destruídas no Bairro 6 de Maio, onde Agostinha viveu até há três anos. Nascida em Cabo Verde, Alice Semedo completou 18 anos em STP. Vive há 23 anos em Portugal. Lembra-se que a primeira roça onde trabalhou em STP foi em Boa Entrada. E lá ficou durante seis anos até ir para a roça Amparo II e depois para Água Casada, “a dependência”; pelas contas, terá chegado ali em 1956. O trabalho? “Apanhar coco e cacau, a capinar longos pedaços.” Trabalhava até às 17h. Havia também tarefas a executar depois dessa hora, mas a memória falha a Alice Semedo. “Quando levantávamos, íamos para o trabalho.” No ano em que imigrou, o castigo tinha acabado, “mas o branco estava nervoso, quando uma coisa não estava bem gritavam connosco, zangavam-se, ofendiam”. Na roça teve vários filhos. A seguir ao parto, descansava um mês e fazia trabalho no terreiro. Até ir para a creche, o bebé andava com ela e chegava a levá-lo às costas para o mato. O dia-a-dia era assim: às quatro ou cinco horas tocava o sino. Era preciso arranjar-se rapidamente. Cada pessoa tinha a sua “casa” de uma divisão só. Casa de banho e cozinha eram partilhados com o resto. “Mas vivi bem. Trabalho rijo, na chuva, no sol. Tirava cacau, dez tinas; quebrava coco no mato, juntava coco, 30 sacos por tarefa.” Dos patrões, diz: “Quando estava em Água Casada, eram duros, mas não batiam.” Conta um episódio em que o capataz lhe chamou nomes. “E eu também lhe chamei. Disse para eu calar a boca, e eu disse: ‘Cala tu’. Forçava-me a levar coisas na cabeça. Eu estava grávida de sete meses, e ninguém sabia.” Alice respondia ao capataz. Trabalhar no mato com os filhos às costas Trabalhar até ao fim da gravidez e mesmo pouco depois de dar à luz era uma prática, segundo Alice Semedo, mas também segundo Maria José Neves. Sentada à porta do prédio no Casal da Mira, Maria José Neves não tem memória de datas. E mesmo em relação aos acontecimentos, nem sempre se lembra. “Sei que sou de 20 de Novembro de 1934”, diz. Natural de São Vicente, diz que esteve quase dez anos como contratada. O processo começava em Cabo Verde, num escritório onde os contratados iam “dar o nome”. “Eles davam duas mudas de roupa, lençóis e cobertor e depois a gente esperava. Quando havia barco, íamos. Ficávamos em São Tomé, num quintal grande, parecia. Quando chegava o dia, aparecia o patrão da roça, que vinha buscar a gente para trabalhar.” Trabalhavam todos os dias, só ao domingo é que não, segundo diz. A chamada fazia-se de madrugada, ela tinha que estar na bicha “para responder ao ponto”. Quem não aparecia ficava com o dia descontado, mesmo que fosse por estar doente, recorda. Ganhava 40 escudos por mês, e havia “um descontinho que juntavam para a caixa para nos dar quando acabassem os três anos” do contrato. “Eles davam um saco para apanhar o cacau ou a catana para capinar. Outros iam varrer, outros regar.” Eram os portugueses que “mandavam”. Uma vez por semana, iam buscar a comida, carne e peixe era raro. Nas roças, lembra-se de conviver com outros cabo-verdianos. Quando teve uma filha, ficou durante um mês no terreiro a trabalhar, mas logo a seguir levava a filha para o mato, às costas. Não tinha alternativa senão trabalhar. “Era o regime, a gente era mandado e tinha que fazer o que eles queriam”, comenta. “O trabalho lá era duro, havia sempre gente atrás para ver o que estávamos a fazer, se houvesse um acidente e tivéssemos que ficar sem trabalhar, descontavam o ordenado.” O sistema de contratos em São Tomé não foi sempre o mesmo. Existiram variações ao longo do século. Em termos práticos, “a aplicação e impacto na coerção legalizada variavam de colónia para colónia”, segundo Miguel Bandeira Jerónimo e José Pedro Monteiro referem ao PÚBLICO. Os castigos e o “não-descanso” Um aspecto importante de São Tomé era que existia um fluxo activo de serviçais (trabalhadores angolanos e moçambicanos, mas também provenientes do Gabão, por exemplo, e, mais tarde, cabo-verdianos). Só que, sublinham, “a razão legal” não chega “para perceber as dinâmicas” concretas e diversas do modo das roças. Por exemplo, em relação aos castigos corporais, abolidos legalmente em 1914, pode ler-se “num relatório do Curador-Geral dos Indígenas de 1947 que ‘os serviçais vivem e trabalham contrafeitos’, a tal ponto que muitos se haviam suicidado... (…). E acrescentava que só através de uma ‘disciplina severa’, assente em ‘sanções expeditas’ e ‘bem sentidas’, é que os ‘agentes dos patrões’ conseguiam, muitas vezes, assegurar a constância no trabalho.” Esta era uma realidade detectada, aliás, pelas autoridades que faziam inspecções às condições laborais. Por isso os alertas sobre a ilegalidade dos processos não eram raros, acrescentam. E “outros funcionários afirmavam que a abolição dos castigos corporais devia ser uma transição gradual que evitasse ‘a brusca ruptura do equilíbrio [que] poderia produzir perturbações na disciplina de tão grande massa’... A velha alegação de que os africanos tinham uma ‘reconhecida resistência (...) ao trabalho’ aconselhava calma nas reformas...” Os contratados trabalhavam todos os dias, incluindo ao domingo (geralmente cinco horas, mas nos outros dias cerca de nove), referem. O pagamento do salário envolvia “amiúde práticas de retenção”, diz Miguel Bandeira Jerónimo, já que, em certas circunstâncias, “metade do seu salário era depositado num fundo de repatriamento apenas desembolsado quando regressavam ao país de origem”. “Das 21h às 5h30, ficavam trancados nas sanzalas. O seu regime laboral era rígido e apenas lhes permitia sair da roça aos domingos”, lembra o antropólogo Gerhard Seibert que, como outros especialistas, como Augusto Nascimento, têm abordado esta e outras questões relativas à história de São Tomé. Miguel Bandeira Jerónimo afirma que “existiam, naturalmente, variações de roça para roça, muitas vezes por razões que se prendiam com características pessoais do roceiro, não propriamente pela bondade do sistema”. Mas ficam várias interrogações nesta “história por fazer”: nas questões de natureza mais política e económica das instituições, mas também “na reconstituição das tribulações das vidas individuais e das comunidades”. “Não aceitava, estava armado com catana” Belarmino Fortes tem 89 anos e sobe pelas escadas ao terceiro andar do prédio onde mora. Vive na Amadora, no Casal da Boba, onde foram realojadas várias famílias de origem africana. Em casa tem frases religiosas. Hoje a sua vida é estar no bairro e ir à igreja. “Já passei por muito”, desabafa. Lembra o período em que “um homem não podia falar nem discutir com os brancos, eles é que mandavam”. Mas isto não significa que ele se resignasse. Também de Cabo Verde, Belarmino Fortes chegou a São Tomé aos 18 anos. No barco, ele e muitos contratados dormiam no porão, sobre um pano estendido no chão, ao lado de mulheres, homens e crianças, numa viagem que durava uma semana. Quando chegou a São Tomé, “era escravatura”, recorda. “Chegávamos e eles faziam a divisão [das pessoas] para as roças.” A Belarmino calhou Água Izé. Deram-lhe um ferro, para cortar capim, e às quatro da madrugada chamavam. “Com chuva ou com frio, a pessoa tinha que estar na formatura”, lembra. Na roça, dormia “numa casinha”, “cada pessoa tinha um quarto”, deitava-se em cima de folhas de bananeira. Tem memória de, no mato, os homens tirarem o cacau e as mulheres carregarem-no. Pelo meio-dia almoçavam o que lhes davam na roça, fuba, farinha de banana, arroz ou peixe seco — “carne era difícil”. Lembra-se de trabalhar até às 18h, todos os dias, incluindo ao domingo: “Era dia de descanso, mas tinha que se trazer o capim”. O ordenado? Três mil escudos para três anos, lembra. “No tempo do Gorgulho, houve guerra em Batepá. Vi muitas pessoas a fugir” — Belarmino refere-se a um dos episódios sangrentos da história do colonialismo, o massacre de Batepá, em 1953, quando a recusa de são-tomenses trabalharem nas roças levou a ordens do coronel Carlos Gorgulho para matar mais de mil são-tomenses (calcula-se, não há dados exactos). Este é um episódio que espelha a violência do colonialismo português. Naquela altura, “quem mandava eram pessoas poderosas”, lembra Belarmino. Recorda que um dos patrões da roça de Porto Alegre dizia: “‘Aqui não há feriado para os negros, vamos a trabalhar’.” E descreve assim aquele tempo: “Era escravatura porque éramos obrigados a trabalhar”. “Se parávamos a falar com outro, vinham o capataz com chicote e ‘pumba’.” Mas descreve-se a si próprio como alguém que afrontava: “Eu sou um refilão e não aceitava, estava armado com a catana.” Cada pessoa na sanzala tinha a sua “casa”, uma divisão. Mas para sair tinha que pedir autorização. “Não tínhamos voz.” Estivesse ou não doente, tinham era de trabalhar. Chamavam-lhe “preto”, tratavam-no mal. Nas roças ficou três anos, depois foi viver para a cidade, vender legumes e fruta que cultivava na horta: “Ganhava mais num ano do que em três nas roças”, comenta. Mais tarde, foi para Angola e lá combateu ao lado dos portugueses. “Passámos mal, mas eu não ia lutar a favor dos angolanos. Tinha que segurar a farda. Não podia fugir do regime daqui”, explica, sobre o seu posicionamento. Hoje, quase 60 anos depois, acha que os angolanos tinham razão, “a terra era deles”, mas era preciso defender a pátria. “Fui “mentalizado assim...” Depois veio para Portugal, ainda antes das independências, para trabalhar na construção civil. Trabalhar com roupa molhada e descalços A experiência de Ilda Vaz e do marido, João Delgado, tem várias semelhanças, até pela idade que os aproxima. Ilda Vaz, de 52 anos, nasceu na Assomada, em Santiago. Imigrou para STP com os pais, contratados para Monte Café, em 1969. Nas roças, “a comida não prestava”, conta. Hoje, a mãe de Ilda, Balbina Vaz, vive com ela. Há pormenores que Ilda Vaz relata de memória indirecta. Falamos com esta família em dois dias diferentes, o primeiro sem a matriarca Balbina. Ilda conta o que depois Balbina confirma: “O colchão do meu pai e da minha mãe eram sacos de palha, com uma manta por cima. Não tinha cama, era tipo escravo”, comenta. Os filhos dormiam todos na mesma divisão, no chão, por cima de mantas. Em 1973, segundo as suas contas, foram para outra roça, Ponta Figo. A mãe também trabalhava a apanhar café e a capinar palha. Ganhava 40 escudos por mês. Balbina Vaz tem 81 anos e recorda-nos o período em que havia “trabalho forçado”. Levantava-se às 4h e voltava as 17h. Não havia dias de descanso. “Nem um dia. Se estivesse com criança a dar de mamar, levava-o nas costas, para o mato”, com chuva e mosquitos e cobras no chão. Já não apanhou os castigos de chicote. “Eu era trabalhadeira, o patrão gostava de mim. Mas se quiséssemos sair de uma roça para ir para outra, eles não deixavam.” As mulheres recebiam menos do que os homens, afirma. Parte do ordenado ficava retido. “Era duro”, afirma. Ilda Vaz, hoje trabalhadora de limpeza, vive no Casal da Boba, na Amadora. Mãe de três filhos, é batucadeira no grupo Batukadeiras Bandeirinhas da Boba e criadora de letras que vão buscar memórias suas e da família. Acha que quando os pais imigraram de Cabo Verde para trabalhar nas roças, com medo de passar por outro período de fome, acabaram, afinal, por encontrar piores condições. De experiência directa, lembra-se de estar na creche e “passar mal”. Balbina Vaz confirma: preferia ter ficado em Cabo Verde, tinha melhores condições. Na sanzala, viviam apenas trabalhadores negros. Na altura em que os pais estavam em STP, já não havia castigos corporais, havia exploração, “desprezo”, “tratavam as pessoas como burras, atrasadas”. O patrão forçava-os a trabalhar. Ilda Vaz não foi à escola, mas aprendeu sozinha a ler. A mais velha de quatro, ficava a tomar conta dos irmãos. Também de origem cabo-verdiana, o marido João Delgado, de 55 anos, já nasceu em São Tomé, na Roça Ponta Figo. Lembra-se que os pais se levantavam às 4h e tal da manhã. Fizesse sol ou tempestade, tinham que responder à chamada de presença. Às vezes, passavam fome. O trabalho era de segunda-feira a sábado, mas ao domingo tinham que carregar feixes de palha. Aos seis/sete anos, João Delgado aprendeu a trabalhar, e foi também nessa altura que começou a ir à escola. A casa era um quarto “para a família toda”. Casa de banho? “Não havia! Era no mato”, comenta. A cozinha partilhava-se. O trabalho era duro, “no meio de ol, chuva, num terreno muito inclinado, era pesado carregar as tinas de cacau”, lembra, porque ele próprio também o fez. Quando chovia, “às vezes a farda não secava, a pessoa ia trabalhar toda molhada”. Trabalhavam debaixo de água, enquanto o feitor e o capataz estavam debaixo de chapéu, conta, a rir. E iam para o mato descalços, porque as botas eras usadas apenas pelos capatazes. No dia-a-dia, os contratados aguardavam instruções. O capataz chegava ao quintal e dizia: “Hoje é apanha de cacau. E a conta são dez sacos”, relata João Delgado. “[O capataz] chegava lá e ele dizia: ‘Daqui para ali, é fulano; dali para ali, é outra pessoa’. Se não acabasse de apanhar, no dia seguinte voltava.” João Delgado lembra também que raramente se comia carne — uma vez por “mês, ou isso”. “Era chique”, comenta. Havia abusos dos capatazes e feitores? “Se não fizessem as tarefas, não ganhavam.” As regras na roça era manter o silêncio a partir de determinada hora: nem crianças podiam chorar porque “o patrão não queria ouvir barulho”. Balbina Vaz conta um episódio de tentativa de abuso sexual de um capataz, mas ela afrontou-o: desconfiada, foi fazer queixa ao marido e inventou que precisava de ir ao hospital. Isto porque já tinha ouvido histórias de encarregados que violavam mulheres. Ficou com medo. João Delgado garante que os mais velhos relatavam que os portugueses faziam jogo com os contratados das diferentes origens; os “filhos da terra”, são-tomenses, não dormiam nas sanzalas. “Iam aos moçambicanos e diziam: ‘Têm que ter cuidado com os cabo-verdianos, eles podem matar’. Iam aos cabo-verdianos fazer a mesma intriga: ‘Não se metam com os moçambicanos, que eles podem matar’. Havia jogos de conflito. Era para criar medo uns dos outros.” Ilda Vaz intervém: “Os cabo-verdianos e moçambicanos tinham sanzala à parte.” Já os são-tomenses não trabalhavam como contratados, lembram. Conta que os mais velhos “reclamam” que antes “havia castigo, mas não passavam fome”. Ilda Vaz responde: “Isso é abuso, tipo: ‘Engorda esse porco, para eu comer amanhã.’ Prefiro que deixem com fome, mas que tratem com respeito.” Num dos painéis da exposição que está na Assembleia da República lemos que a contestação ao trabalho forçado foi incorporada pelas populações africanas e esteve nas agendas de líderes nacionalistas. Amílcar Cabral escreveu: “Na ‘zona de silêncio’ africana 11 milhões de seres humanos vivem como servos no seu próprio território”, “mantidos na ignorância e submetidos a trabalho forçado”. 2 Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 26 Novembro 2019 obg @Syn infelizmente, o único jornal que eu consigo fazer doações é ao fumaça. e msm assim é menos q pagaria pelo publico 1 Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 26 Novembro 2019 Esse artigo foi escrito por alguém com apenas os quatro anos de instrução primária? Compartilhar este post Link para o post
Caviar Publicado 26 Novembro 2019 http://publico.pt/psuperior Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Black Hawk, há 35 minutos: Esse artigo foi escrito por alguém com apenas os quatro anos de instrução primária? Não li, mas é da Joana Gorjão Henriques. Compartilhar este post Link para o post
IlidioMA Publicado 26 Novembro 2019 Citação de Black Hawk, há 1 hora: Esse artigo foi escrito por alguém com apenas os quatro anos de instrução primária? fds, mesmo. custou de caraças ler. Se eu pedisse à minha sobrinha de 14 anos para escrever este artigo tenho a certeza que sairia uma peça melhor. Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 26 Novembro 2019 a joacine ainda vai acusar o bloco de racismo e machismo 1 Compartilhar este post Link para o post