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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Thierry Henry, há 10 horas:

Por acaso isto é uma coisa que sempre me deixou um bocado na dúvida. O que é a classe média? 

Para a OCDE, compreende quem auferem entre 75 % e 200 % do rendimento mediano do país. Em 2024, esse valor em Portugal foi de 1013,94 € líquido, portanto estamos a falar de um valor entre 760,46 € e 2027,88 € líquidos. Claro que à vista dos valores, é muito complicado colocarmos alguém que receba 800 €/mês dentro da classe média.

O conceito mais académico de classe média define que será um indivíduo ou família que, com o rendimento disponível, consegue suprir todas as suas necessidades básicas (habitação, alimentação, saúde, etc.) e aceder, de forma razoável, a formas variadas de cultura e lazer. Para além disso costuma incluir-se neste lote indivíduos ou famílias com formação superior e empregos com estabilidade social e financeira (professores, médicos, engenheiros, advogados, gestores, arquitectos, etc.). 

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Citação de Lebohang, há 2 horas:

Está a passar um pouco despercebido mas todas as sondagens mais recentes estão a dar o Bloco de Esquerda com valores entre os 1.5 e os 2%, a confirmar-se só elegem no Porto e Lisboa. 

tenho uma aposta pendente de que o Bloco só elege 2

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Citação de Lebohang, há 3 horas:

Está a passar um pouco despercebido mas todas as sondagens mais recentes estão a dar o Bloco de Esquerda com valores entre os 1.5 e os 2%, a confirmar-se só elegem no Porto e Lisboa. 

O passar despercebido é mesmo o reflexo do BE. Estão literalmente a transformar-se em insignificantes.

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Citação de antifa, há 1 hora:

tenho uma aposta pendente de que o Bloco só elege 2

1 no Porto e outro em Lisboa? 

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Citação de Peplin, há 1 hora:

Para a OCDE, compreende quem auferem entre 75 % e 200 % do rendimento mediano do país. Em 2024, esse valor em Portugal foi de 1013,94 € líquido, portanto estamos a falar de um valor entre 760,46 € e 2027,88 € líquidos. Claro que à vista dos valores, é muito complicado colocarmos alguém que receba 800 €/mês dentro da classe média.

O conceito mais académico de classe média define que será um indivíduo ou família que, com o rendimento disponível, consegue suprir todas as suas necessidades básicas (habitação, alimentação, saúde, etc.) e aceder, de forma razoável, a formas variadas de cultura e lazer. Para além disso costuma incluir-se neste lote indivíduos ou famílias com formação superior e empregos com estabilidade social e financeira (professores, médicos, engenheiros, advogados, gestores, arquitectos, etc.). 

Esse último lote é média alta.

Classe média é malta que trabalha, por exemplo, como distribuidor, num armazém, camionistas, motoristas de autocarro/comboios, mecânicos, trabalhadores da construção civil, eletricistas, picheleiros... estes últimos, por agora serem profissões com pouca adesão entre as novas gerações, muitas vezes ganham bem mais que um engenheiro ou um professor. 

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Citação de bug, há 2 horas:

Acho que estas são as eleições onde não dá para votar no menos mau, porque são todos.

Eu vou votar no menos mau. Basicamente tenho duas opções

A) um gajo que se não é simplesmente corrupto é no mínimo muito pouco ético, está sorrateiramente a conceder mais e mais pontos de vista aos fascistas e com tiques autoritários, acabou de gerir bastante mal uma semi-calamidade em Portugal, tem um governo que me parece sinceramente incompetente, mas se ganhar talvez consiga uma maioria suficiente para termos alguma estabilidade... até o caso que paira sobre ele (e que é totalmente inaceitável) reaparecer daqui a uns meses e deitar fora completamente essa estabilidade. Ou pior ser substituído sem ir a eleições por um gajo que queira mesmo fazer uma aliança com os fascistas 

B) um gajo que está um pouco mais à esquerda do que as posições políticas com que me identifico, parece francamente impulsivo e mal preparado para o cargo, tem metade do partido a afiar as facas para se virar contra ele, e se ganhar vai ter estabilidade absolutamente nenhuma porque o bloco da direita terá sempre mais votos

Tudo o resto não merece o meu voto nem anda perto de eleger no meu círculo eleitoral, tirando uns gajos regionalistas que se entrarem no parlamento vão andar a vender o cu a cada votação de orçamento para pequenas vitórias locais, como o famoso deputado do queijo Limiano

Não gosto de nenhuma das opções, mas acho que na mesma está mais ou menos implícito em quem vou votar

Citação de Peplin, há 1 hora:

Para a OCDE, compreende quem auferem entre 75 % e 200 % do rendimento mediano do país. Em 2024, esse valor em Portugal foi de 1013,94 € líquido, portanto estamos a falar de um valor entre 760,46 € e 2027,88 € líquidos. Claro que à vista dos valores, é muito complicado colocarmos alguém que receba 800 €/mês dentro da classe média.

O conceito mais académico de classe média define que será um indivíduo ou família que, com o rendimento disponível, consegue suprir todas as suas necessidades básicas (habitação, alimentação, saúde, etc.) e aceder, de forma razoável, a formas variadas de cultura e lazer. Para além disso costuma incluir-se neste lote indivíduos ou famílias com formação superior e empregos com estabilidade social e financeira (professores, médicos, engenheiros, advogados, gestores, arquitectos, etc.). 

Se calhar esta definição da OCDE mete logo em perspetiva o quão baixo e perto do salário mínimo é o salário mediano em Portugal...

Editado por noikeee

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Citação de hugoooo_17, há 11 minutos:

Esse último lote é média alta.

Classe média é malta que trabalha, por exemplo, como distribuidor, num armazém, camionistas, motoristas de autocarro/comboios, mecânicos, trabalhadores da construção civil, eletricistas, picheleiros... estes últimos, por agora serem profissões com pouca adesão entre as novas gerações, muitas vezes ganham bem mais que um engenheiro ou um professor. 

Muito desses, nas estatísticas são considerados classe baixa ou média baixa e na realidade, atendendo aos rendimentos reais (muitos não declarados), são classe média ou média alta. Apesar de a nossa classe média ser uma miséria relativamente a outros países europeus, na realidade tenho a percepção que será maior do que dizem as estatísticas. 

Btw posso ter neste caso o mesmo problema de percepção que os cheganos com o crime .

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Citação de Bashir, há 30 minutos:

O passar despercebido é mesmo o reflexo do BE. Estão literalmente a transformar-se em insignificantes.

E esta progressividade de casos mais ou menos escandalosos nos sucessivos governos não ajuda nada, ao contrário daquilo que possam pensar, a que os partidos alternativos encontrem espaço público para mostrar aos cidadãos as suas ideias.

Mas também, não é como se o lamaçal corresse atrás deles...

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Citação de noikeee, há 44 minutos:

Eu vou votar no menos mau. Basicamente tenho duas opções

A) um gajo que se não é simplesmente corrupto é no mínimo muito pouco ético, está sorrateiramente a conceder mais e mais pontos de vista aos fascistas e com tiques autoritários, acabou de gerir bastante mal uma semi-calamidade em Portugal, tem um governo que me parece sinceramente incompetente, mas se ganhar talvez consiga uma maioria suficiente para termos alguma estabilidade... até o caso que paira sobre ele (e que é totalmente inaceitável) reaparecer daqui a uns meses e deitar fora completamente essa estabilidade. Ou pior ser substituído sem ir a eleições por um gajo que queira mesmo fazer uma aliança com os fascistas 

B) um gajo que está um pouco mais à esquerda do que as posições políticas com que me identifico, parece francamente impulsivo e mal preparado para o cargo, tem metade do partido a afiar as facas para se virar contra ele, e se ganhar vai ter estabilidade absolutamente nenhuma porque o bloco da direita terá sempre mais votos

Tudo o resto não merece o meu voto nem anda perto de eleger no meu círculo eleitoral, tirando uns gajos regionalistas que se entrarem no parlamento vão andar a vender o cu a cada votação de orçamento para pequenas vitórias locais, como o famoso deputado do queijo Limiano

Não gosto de nenhuma das opções, mas acho que na mesma está mais ou menos implícito em quem vou votar

Se calhar esta definição da OCDE mete logo em perspetiva o quão baixo e perto do salário mínimo é o salário mediano em Portugal...

Mas não te parece que já chegou a hora de deixar de votar na estabilidade? Isso deveria ser o trabalho dos partidos, não do povo. Não será tempo de exigir aos políticos mais seriedade da única forma que podemos verdadeiramente, nas urnas?

Estou no mesmo dilema que tu, contudo não consigo pensar em nada de bom que possa vir do meu voto legitimar esta forma de governação.

Em alguma altura, o PS e o PSD terão de ser penalizados pelo que têm feito.

Editado por John Bonifácio
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Citação de John Bonifácio, há 38 minutos:

Mas não te parece que já chegou a hora de deixar de votar na estabilidade? Isso deveria ser o trabalho dos partidos, não do povo. Não será tempo de exigir aos políticos mais seriedade da única forma que podemos verdadeiramente, nas urnas?

Estou no mesmo dilema que tu, contudo não consigo pensar em nada de bom que possa vir do meu voto legitimar esta forma de governação.

Em alguma altura, o PS e o PSD terão de ser penalizados pelo que têm feito.

Pode ser injusto para quem não está perto duma solução política que o consiga fornecer, mas a estabilidade tem algum valor.

Agora, como disse, acho que apesar da conversa toda, não vamos ter estabilidade nem ganhe um nem ganhe o outro... portanto... sim, talvez não deva ser um fator...

Editado por noikeee

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Citação de hugoooo_17, há 1 hora:

Esse último lote é média alta.

Classe média é malta que trabalha, por exemplo, como distribuidor, num armazém, camionistas, motoristas de autocarro/comboios, mecânicos, trabalhadores da construção civil, eletricistas, picheleiros... estes últimos, por agora serem profissões com pouca adesão entre as novas gerações, muitas vezes ganham bem mais que um engenheiro ou um professor. 

Para a realidade portuguesa provavelmente, mas eu estava a basear-me na definição teórica. As profissões liberais, historicamente, inserem-se na classe média. 

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Citação de John Bonifácio, há 1 hora:

Mas não te parece que já chegou a hora de deixar de votar na estabilidade? Isso deveria ser o trabalho dos partidos, não do povo. Não será tempo de exigir aos políticos mais seriedade da única forma que podemos verdadeiramente, nas urnas?

Estou no mesmo dilema que tu, contudo não consigo pensar em nada de bom que possa vir do meu voto legitimar esta forma de governação.

Em alguma altura, o PS e o PSD terão de ser penalizados pelo que têm feito.

Não é que eu alguma vez tenha sido fã do voto útil, mas sou cada vez mais contra. Voto em quem tem o programa e os candidatos com que mais me identifico. O sistema político é que está errado em ignorar tantos votos, não serei eu.

Voto útil só em eleições uninominais e em segundas voltas.

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Citação de noikeee, há 1 hora:

Pode ser injusto para quem não está perto duma solução política que o consiga fornecer, mas a estabilidade tem algum valor.

Agora, como disse, acho que apesar da conversa toda, não vamos ter estabilidade nem ganhe um nem ganhe o outro... portanto... sim, talvez não deva ser um fator...

Pois a mim parece que a estabilidade apenas tem servido para que aqueles que se têm servido do Estado se mantenham regularmente no governo e outros organismos governativos.

E o que mais temos assistido é a governantes e políticos dispostos a abdicar de todo o tipo de estabilidade se isso significar ganhos pessoais e partidários.

Citação de andriy pereplyotkin, há 9 minutos:

Não é que eu alguma vez tenha sido fã do voto útil, mas sou cada vez mais contra. Voto em quem tem o programa e os candidatos com que mais me identifico. O sistema político é que está errado em ignorar tantos votos, não serei eu.

Voto útil só em eleições uninominais e em segundas voltas.

O meu voto útil foi-o, mas não para mim, por isso sou forçado a concordar contigo em pleno.

 

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Citação de noikeee, há 1 hora:

Pode ser injusto para quem não está perto duma solução política que o consiga fornecer, mas a estabilidade tem algum valor.

Agora, como disse, acho que apesar da conversa toda, não vamos ter estabilidade nem ganhe um nem ganhe o outro... portanto... sim, talvez não deva ser um fator...

Exato. A estabilidade tem valor. O problema é que os maiores partidos colocam o ónus da estabilidade no eleitor mas é deles a responsabilidade de o assegurar (conforme referiu o 13).

No atual cenário só há 2 vias para uma possível estabilidade: articulação séria, mais ou menos formal, entre o PS e o PSD ou entre um destes partidos e o Chega. E nem o PS nem o PSD nos estão a dar garantias que tal possa vir a suceder. Ou por causa das linhas vermelhas impostas ao Chega ou por causa do "bicho papão" do Bloco Central que, segundo muitos, só favoreceria o Chega que ficaria como líder incontestado da oposição. É a quadratura do círculo.

Acresce a isso o facto de termos, há pouco mais de um ano, uma maioria absoluta que acabou por se revelar ainda mais instável, corroída por dentro.

O povo (os eleitores) fica, assim, naturalmente desencantado. Pedem-lhe que vote para assegurar estabilidade. Ele vota, dá maiorias absolutas, dá vitórias a um ou a outro, mas as coisas ficam cada vez mais instáveis. Porque os políticos e os partidos não se entendem.

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Vamos juntar todos e spammar essas sondagens num tino da vida

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Citação de Descartes, há 1 hora:

No atual cenário só há 2 vias para uma possível estabilidade: articulação séria, mais ou menos formal, entre o PS e o PSD ou entre um destes partidos e o Chega. E nem o PS nem o PSD nos estão a dar garantias que tal possa vir a suceder. Ou por causa das linhas vermelhas impostas ao Chega ou por causa do "bicho papão" do Bloco Central que, segundo muitos, só favoreceria o Chega que ficaria como líder incontestado da oposição. É a quadratura do círculo.

Acresce a isso o facto de termos, há pouco mais de um ano, uma maioria absoluta que acabou por se revelar ainda mais instável, corroída por dentro.

O povo (os eleitores) fica, assim, naturalmente desencantado. Pedem-lhe que vote para assegurar estabilidade. Ele vota, dá maiorias absolutas, dá vitórias a um ou a outro, mas as coisas ficam cada vez mais instáveis. Porque os políticos e os partidos não se entendem.

Concordo mas as sondagens neste momento, um bocado fora do que se esperava, tão a indicar uma votação que fica perto duma 3ª possibilidade: uma maioria absoluta AD+IL. O problema é que com o Montenegro à frente, com o que se sabe sobre ele agora, não acredito que traga estabilidade para 4 anos.

O Chega veio enconar completamente o sistema político português pelas razões que enumeraste. Nem f*de nem sai de cima, e esta dinâmica só aumenta o desencantamento do povo, o que por seu turno tem tendência a lhes dar mais votos. Quando a única solução para sairmos disto é o contrário, é eles terem menos percentagem de votos. Parece uma inevitabilidade que a certo ponto eles se tornarão líderes da oposição, o que depois é perigoso pois ficam em 1º lugar para capitalizar o descontentamento com o governo de então.

Mas a história política é longa e já houve muitas "inevitabilidades" destas no passado. A ascensão do fascismo parecia inevitável nos anos 30. Do comunismo nos anos 50 ou 60 ou 70 - ao ponto dos Estados Unidos terem promovido uma série de guerras horríveis para o tentar prevenir. O capitalismo liberal casado com a democracia, nos anos 90 ia tomar conta do mundo todo. Mas depois o mundo dá muitas voltas. Não consigo ver neste momento o que vai travar esta trajetória atual da extrema direita, mas talvez possa acontecer: uma reação política de sobrevivência nacional a fascistas agressivos doutros países (ver efeito Trump no Canadá); ou as consequências da extrema direita no poder se tornarem reais e muito gravosas (ver como o Trump perdeu a eleição devido ao Covid); ou uma regulação das redes sociais para evitar propaganda nociva; ou até mesmo a ilegalização deste tipo de partidos. Não sei, o mundo é muitas cenas e o futuro também.

---

Mudando de assunto. Outro tema que acho fascinante olhando às sondagens, é onde é que foi parar os votos de esquerda em Portugal, que todos somados parecem perto duma das piores votações de sempre (senão a pior). Penso que não será uma causa única, mas uma soma de muitos fatores:

- um líder do PS mais à esquerda que faz perder uma porção de votos ao centro

- desgaste acumulado de liderança de muitos anos do PS

- mais alguma pequena % dos votos ao centro a penderem para o PSD, devido à tal percepção do PSD estar mais próximo da "estabilidade" (e do líder ser o incumbente)

- a entrada nos cadernos eleitorais de jovens viciados em redes sociais onde a propaganda de direita está a ganhar, e que não têm memória da austeridade e da Troika

- a retirada dos cadernos eleitorais (falecimentos, acamados etc) de uma população mais velha com anticorpos à direita, devido à memória do pré-25 Abril alguns dos quais inclusive eram comunistas

- as bandeiras do Bloco de Esquerda que previamente eram populares com os jovens (na altura que eu era jovem...), deixaram de ser causas que ganham votos porque já foram todas elas adoptadas em Portugal: o aborto, o casamento homossexual e adoção por casais homossexuais, a despenalização das drogas "leves", etc. As novas bandeiras (direitos transgénero etc) são cada vez causas mais esotéricas e muito mais impopulares

- a entrada em Portugal de novos votantes (imigrantes) com inclinação política mais à direita, não acredito que muitos dos brasileiros p.ex votem à esquerda do PS, nem os indostânicos que são muito conservadores

- a imigração em si também é muito impopular e isso inclina a votação toda para a direita, pois a esquerda é mais pró-imigração que a direita

- a entrada em cena do Livre fragmenta mais a votação na esquerda o que se pode traduzir em menos deputados em alguns círculos eleitorais

- lideranças pouco carismáticas (Raimundo) ou polarizadoras (Mortágua)

- seria de pensar que a esquerda capitalizaria e muito com a crise da habitação (aliás até eu que neste fórum pareço "de direita" comparado com a maioria, tendo a concordar mais com a esquerda neste tema), no entanto a entrada em cena do Chega rouba votos de protesto até mesmo neste tema (?)

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Citação de Lebohang, há 9 horas:

Está a passar um pouco despercebido mas todas as sondagens mais recentes estão a dar o Bloco de Esquerda com valores entre os 1.5 e os 2%, a confirmar-se só elegem no Porto e Lisboa. 

Não me surpreende, sinceramente. A maioria dos meus amigos são de esquerda, à esquerda do PS, tudo malta que vota/já votou BE... e acho que ninguém tem grande vontade de votar neles, por uma razão ou outra. Está a ir tudo para CDU e L. E eu também. Tenho bastante desgaste em relação ao BE e nem sei bem porquê, porque até gosto bastante da Mariana.

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Citação de noikeee, há 14 minutos:

Concordo mas as sondagens neste momento, um bocado fora do que se esperava, tão a indicar uma votação que fica perto duma 3ª possibilidade: uma maioria absoluta AD+IL. O problema é que com o Montenegro à frente, com o que se sabe sobre ele agora, não acredito que traga estabilidade para 4 anos.

O Chega veio enconar completamente o sistema político português pelas razões que enumeraste. Nem f*de nem sai de cima, e esta dinâmica só aumenta o desencantamento do povo, o que por seu turno tem tendência a lhes dar mais votos. Quando a única solução para sairmos disto é o contrário, é eles terem menos percentagem de votos. Parece uma inevitabilidade que a certo ponto eles se tornarão líderes da oposição, o que depois é perigoso pois ficam em 1º lugar para capitalizar o descontentamento com o governo de então.

Mas a história política é longa e já houve muitas "inevitabilidades" destas no passado. A ascensão do fascismo parecia inevitável nos anos 30. Do comunismo nos anos 50 ou 60 ou 70 - ao ponto dos Estados Unidos terem promovido uma série de guerras horríveis para o tentar prevenir. O capitalismo liberal casado com a democracia, nos anos 90 ia tomar conta do mundo todo. Mas depois o mundo dá muitas voltas. Não consigo ver neste momento o que vai travar esta trajetória atual da extrema direita, mas talvez possa acontecer: uma reação política de sobrevivência nacional a fascistas agressivos doutros países (ver efeito Trump no Canadá); ou as consequências da extrema direita no poder se tornarem reais e muito gravosas (ver como o Trump perdeu a eleição devido ao Covid); ou uma regulação das redes sociais para evitar propaganda nociva; ou até mesmo a ilegalização deste tipo de partidos. Não sei, o mundo é muitas cenas e o futuro também.

---

Mudando de assunto. Outro tema que acho fascinante olhando às sondagens, é onde é que foi parar os votos de esquerda em Portugal, que todos somados parecem perto duma das piores votações de sempre (senão a pior). Penso que não será uma causa única, mas uma soma de muitos fatores:

- um líder do PS mais à esquerda que faz perder uma porção de votos ao centro

- desgaste acumulado de liderança de muitos anos do PS

- mais alguma pequena % dos votos ao centro a penderem para o PSD, devido à tal percepção do PSD estar mais próximo da "estabilidade" (e do líder ser o incumbente)

- a entrada nos cadernos eleitorais de jovens viciados em redes sociais onde a propaganda de direita está a ganhar, e que não têm memória da austeridade e da Troika

- a retirada dos cadernos eleitorais (falecimentos, acamados etc) de uma população mais velha com anticorpos à direita, devido à memória do pré-25 Abril alguns dos quais inclusive eram comunistas

- as bandeiras do Bloco de Esquerda que previamente eram populares com os jovens (na altura que eu era jovem...), deixaram de ser causas que ganham votos porque já foram todas elas adoptadas em Portugal: o aborto, o casamento homossexual e adoção por casais homossexuais, a despenalização das drogas "leves", etc. As novas bandeiras (direitos transgénero etc) são cada vez causas mais esotéricas e muito mais impopulares

- a entrada em Portugal de novos votantes (imigrantes) com inclinação política mais à direita, não acredito que muitos dos brasileiros p.ex votem à esquerda do PS, nem os indostânicos que são muito conservadores

- a imigração em si também é muito impopular e isso inclina a votação toda para a direita, pois a esquerda é mais pró-imigração que a direita

- a entrada em cena do Livre fragmenta mais a votação na esquerda o que se pode traduzir em menos deputados em alguns círculos eleitorais

- lideranças pouco carismáticas (Raimundo) ou polarizadoras (Mortágua)

- seria de pensar que a esquerda capitalizaria e muito com a crise da habitação (aliás até eu que neste fórum pareço "de direita" comparado com a maioria, tendo a concordar mais com a esquerda neste tema), no entanto a entrada em cena do Chega rouba votos de protesto até mesmo neste tema (?)

Pode ser que eu me engane (tenho-me enganado imensas vezes nestes exercícios previsionais) mas acho que essa possibilidade de maioria absoluta AD+IL não passa de wishful thinking. E até pode ter um efeito contrário como se verificou quando o Costa foi buscar a maioria absoluta em 2022. Havia sondagens em vésperas do dia das eleições que davam empate técnico e, até, a vitória do Rui Rio.

Quanto ao esvaziamento da esquerda concordo praticamente com todos os pontos que elencaste, mas eu tenho uma abordagem mais simplista com 3 causas fundamentais:

1 - A questão económica

Sabe-se que as pessoas tendencialmente votam mais à esquerda quando vivem pior e mais à direita quando vivem melhor. E o que se passou, nas últimas décadas, é que, em média, os portugueses vivem melhor. Com o desemprego a níveis historicamente baixos e com mais poder de compra.

2 - A questão demográfica

Sabe-se igualmente que as pessoas ao envelhecer tendem a moderar as suas posições. Mais radicais na juventude e mais moderados na velhice. Com a inversão da pirâmide demográfica (aumento da esperança média de vida e diminuição da natalidade) é natural que os partidos à esquerda do PS mais progressistas vejam um enfraquecimento da sua base natural de apoio.

3 - A atratividade das novas gerações

Os jovens, que deveriam substituir as anteriores gerações, costumam ser atraídos pelas novidades. Hoje em dia o BE e o PCP não têm essa dinâmica, são considerados os partidos em que os pais e avós dos jovens votavam. Hoje são mais atrativos o Livre, a IL e o Chega, consoante os posicionamentos de cada um.

 

É um desafio para a esquerda à esquerda do PS. A necessidade de se reinventarem. Não sei se o conseguirão.

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