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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de sd_campeao, há 15 minutos:

Mas pelo que aconteceu ou pela declaração? Porque da parte médica, considerando as informações que passam cá para fora, não me parece ter havido neglicência. Ela foi a uma consulta de rotina, tinha hipertensão arterial ligeira, e até foi observada na urgência.

Relativamente à quantidade de partos nas ambulâncias, gostava sinceramente de saber 2 coisas:

1. Se realmente houve um aumento do número de partos em ambulancias em relação aos anos anteriores ou se é apenas maior destaque da comunicação social.

2. Porque há tantos transportes de grávidas em ambulâncias. O normal é as pessoas irem pelos próprios meios. A grande maioria dos partos demoram horas. As mulheres ficam em casa com contrações até elas serem terem um intervalo determinado de tempo e só depois vão para a maternidade. Estranho ocorrerem tantos (se sao assim tantos) em ambulancias. É porque nao tem meios proprios? É porque demoram muito a ativar as equipas de emergencia? Ou são apenas os partos rápidos que acontecem sempre?

 

Sabes uma coisa que também começou a haver recentemente? Mais ou menos desde a altura em que os malandros da comunicação social começaram a ter uma predisposição em noticiar esses partos não acompanhados da maneira suposta? Foi a obrigatoriedade das grávidas ligarem antes pela linha SNS 24. Eu também gostava sinceramente de saber o tipo de atendimento que as coitadas que têm partos em ambulâncias tiveram; o tempo que demoraram a ser atendidas e o aconselhamento que tiveram. Já para não falar das situações em que as grávidas andam a passear nas ambulâncias a percorrer meio país até encontrarem uma maternidade em condições para as receber.

De qualquer maneira, abençoadas são aquelas que têm os partos nas ambulâncias. Pior são as que têm os bebés nas salas de espera dos hospitais, à porta de casa depois de terem estado no hospital e serem mandadas de volta. Ou aquela pobre senhora que esteve no hospital, foi mandada de volta para casa e faleceu no dia seguinte com paragem cárdio-respiratória e nem a bebé se salvou. Quem lhe dera ter entrado em trabalho de parto numa ambulância... Mas, lá está, era uma guineense que só veio cá para aceder ao nosso SNS para ter a criança... Nem portuguesa era, quanto mais portuguesa de bem.

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As declarações de hoje do Montenegro de que não é o privado que vai salvar o SNS mas sim o SNS que vai aliviar o privado também são um tratado. É toda uma visão da saúde que não tenho dúvidas estará em prática a médio prazo. 

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Citação de Descartes, há 12 minutos:

Sabes uma coisa que também começou a haver recentemente? Mais ou menos desde a altura em que os malandros da comunicação social começaram a ter uma predisposição em noticiar esses partos não acompanhados da maneira suposta? Foi a obrigatoriedade das grávidas ligarem antes pela linha SNS 24. Eu também gostava sinceramente de saber o tipo de atendimento que as coitadas que têm partos em ambulâncias tiveram; o tempo que demoraram a ser atendidas e o aconselhamento que tiveram. Já para não falar das situações em que as grávidas andam a passear nas ambulâncias a percorrer meio país até encontrarem uma maternidade em condições para as receber.

De qualquer maneira, abençoadas são aquelas que têm os partos nas ambulâncias. Pior são as que têm os bebés nas salas de espera dos hospitais, à porta de casa depois de terem estado no hospital e serem mandadas de volta. Ou aquela pobre senhora que esteve no hospital, foi mandada de volta para casa e faleceu no dia seguinte com paragem cárdio-respiratória e nem a bebé se salvou. Quem lhe dera ter entrado em trabalho de parto numa ambulância... Mas, lá está, era uma guineense que só veio cá para aceder ao nosso SNS para ter a criança... Nem portuguesa era, quanto mais portuguesa de bem.

O meu discurso não é extremista, propagandista nem tão pouco procuro descredibilizar a situação. Pelo contrário. Gostava era de ter mais dados concretos sobre estes casos. Principalmente perceber o que motiva acontecerem todas estas situações (se realmente é significativamente superior ao que acontecia previamente). Seja por atraso no atendimento das linhas de apoio (chamadas / ambulâncias), falta de formação das grávidas ou ausência de hospitais à distancia / tempo aceitável.

Relativamente à situação da mulher que morreu, não sei nada do caso tirando a informação que foi transmitida na comunicação social. Mas, tendo em conta isso, não vejo neglicência. Talvez no futuro se saiba mais. Obvio que tem que ser investigado e analisado. Mas não é isso que parece. É assumido que houve um erro grave já à cabeça. A medicina infelizmente não é matemática. Muitas pessoas morrem de morte súbita sem patologia conhecida previamente (que podem ter mas não ser conhecida). E a gravidez acarreta um estado de instabilidade fisiologica para o organismo que pode aumentar acontecimentos adversos. Mas como disse, há que ser obviamente analisado.

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Não sei porque dizem que a Ministra deve ser demitida, está a fazer um ótimo trabalho naquilo que é o seu objetivo....destruir o SNS.

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Citação de sd_campeao, há 19 minutos:

O meu discurso não é extremista, propagandista nem tão pouco procuro descredibilizar a situação. Pelo contrário. Gostava era de ter mais dados concretos sobre estes casos. Principalmente perceber o que motiva acontecerem todas estas situações (se realmente é significativamente superior ao que acontecia previamente). Seja por atraso no atendimento das linhas de apoio (chamadas / ambulâncias), falta de formação das grávidas ou ausência de hospitais à distancia / tempo aceitável.

Relativamente à situação da mulher que morreu, não sei nada do caso tirando a informação que foi transmitida na comunicação social. Mas, tendo em conta isso, não vejo neglicência. Talvez no futuro se saiba mais. Obvio que tem que ser investigado e analisado. Mas não é isso que parece. É assumido que houve um erro grave já à cabeça. A medicina infelizmente não é matemática. Muitas pessoas morrem de morte súbita sem patologia conhecida previamente (que podem ter mas não ser conhecida). E a gravidez acarreta um estado de instabilidade fisiologica para o organismo que pode aumentar acontecimentos adversos. Mas como disse, há que ser obviamente analisado.

Podes não estar a ser nenhuma dessas coisas mas pareceu-me que estavas a passar paninhos quentes à situação.

É claro que todos gostaríamos de conhecer dados. E é, de facto, estranho que não o saibamos. Há com certeza números de partos em ambulâncias ao longo dos anos. Porque é que não são divulgados publicamente?

Em todo o caso há que ter memória. Partos em ambulâncias sempre existiram e sempre foram noticiados. A diferença é que até há poucos anos eram uma raridade nas notícias e agora são banais. Tu deste a entender que isso poderá passar por uma intencionalidade dos órgãos de comunicação social que terão uma agenda própria para atacar o Governo. Eu, por outro lado, acho muito estranho que no passado também houvessem tantos casos e eles só passavam alguns, poucos. Porque seria? Se fosse para não prejudicar o(s) Governo(s) da altura nem noticiariam nenhum.

Sim, sempre houve grávidas a falecer. A diferença? A Marta Temido demitiu-se na sequência de uma dessas mortes. A ministra atual desculpa-se com a nacionalidade das falecidas.

 

EDIT: Após uma simples pesquisa no Google:

Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), até meados de setembro de 2025, tinham sido contabilizados 32 partos nestas condições, aos quais se somam mais dois partos assistidos pelos Bombeiros da Moita nas últimas semanas.

"Já assistimos a 15 partos em ambulância, é um recorde que nós não procuramos nem o queremos sequer. O local para a mãe ter uma criança é na maternidade. Não vamos andar para trás", refere Pedro Ferreira, Comandante dos Bombeiros Voluntários da Moita, em declarações à Euronews.

Em 2022 tinham sido contabilizados 25 partos em ambulâncias, em 2023 foram 18 e, em 2024, 28.

Mais dados interessantes aqui: https://pt.euronews.com/saude/2025/10/21/numero-de-partos-em-ambulancias-dispara-devido-a-encerramento-de-urgencias

Editado por Descartes

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Na SIC Notícias há pouco teorizava se que existem tantos partos em ambulâncias porque a ministra está a atacar interesses instalados e que a esses interesses da jeito provocar partos em ambulância para queimar a ministra.

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O desempenho desta ministra tem sido um tratado. Não acerta uma.

Qual a necessidade de mudar de INEM para ANEM? Gastar milhares ou milhões em logótipos? É isso que vai resolver os problemas na saúde?

É que INEM até soava bem.

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Citação de SAS_Robben, há 8 minutos:

Na SIC Notícias há pouco teorizava se que existem tantos partos em ambulâncias porque a ministra está a atacar interesses instalados e que a esses interesses da jeito provocar partos em ambulância para queimar a ministra.

Hoje à hora de almoço também assisti a dois episódios da "Operação Limpeza" que até deixaram os jornalistas indignados. A Cátia Nobre até ultrapassou os seus deveres e emitiu opinião com grande veemência.

Primeiro entrevistaram o presidente do Sindicato Independente dos Médicos que, basicamente, veio defender as PPP dando a entender que os problemas decorrem destas terem acabado por todo o país. Deixando um argumento maravilhoso de que só se noticiam as desgraças propiciando aproveitamentos políticos quando o SNS funciona de forma fantástica, dando como exemplo o facto de haver por ano dezenas de milhares de partos mas só alguns correrem mal.

Depois veio um antigo Diretor Clínico do Hospital de Cascais (que, curiosamente -- ou talvez não - se mantém como PPP) a dissertar sobre a captura de alguns hospitais por parte de alguns sindicatos e ordens profissionais que estará, segundo ele, na base de todas as dificuldades que a Ministra tem em mãos, apesar do excelente trabalho que tem feito. E apontou como exemplos o funcionamento da Direção Executiva do SNS (que, digo eu, a Ministra dinamitou mal entrou no Ministério) e o alargamento das ULS. Por acaso, medidas lançadas pelo PS. Só faltou referir que, finalmente, o INEM tem um novo presidente e os 4 helicópteros a funcionar 24 horas por dia (desde que tenham peças).

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Desde que vi uma grávida que (pensava que) estava a ter um aborto a ser aconselhada no balcão de admissão a ir para a rua e ligar para a saúde 24 (e aconselhada inclusive a dizer que "por acaso estou perto da maternidade x") já nada me admira. 

A culpa não era da funcionária, que estava a cumprir ordens e lá conseguiu que a mulher fosse atendida ali, mesmo com este esquema, mas de facto é demonstrativo do que estão a fazer ao SNS. 

Era uma situação que claramente precisava de um atendimento rápido nas urgências e teve de se andar com aquelas m*rda. 

Já para não falar que a ministra fala em "ah e tal a grávida que morreu não foi seguida em lado nenhum!"... Experimentem fazer as ecografias de acompanhamento da gravidez sem ter de recorrer a clínicas privadas (pelo menos em Lisboa). Na melhor das hipóteses marcam a do primeiro trimestre no início do terceiro. Que era o que ia acontecer à minha filha. 

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Citação de HappyKing, há 1 hora:

As declarações de hoje do Montenegro de que não é o privado que vai salvar o SNS mas sim o SNS que vai aliviar o privado também são um tratado. É toda uma visão da saúde que não tenho dúvidas estará em prática a médio prazo. 

Provavelmente a razão pela qual o único partido além da AD que não pede a demissão da Ministra ser a Iniciativa Liberal

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Citação de Lebohang, há 2 minutos:

Provavelmente a razão pela qual o único partido além da AD que não pede a demissão da Ministra ser a Iniciativa Liberal

E o PCP.

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Citação de Jamarcus, há 4 minutos:

E o PCP.

Por razões diferentes.

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Dentro de alguns meses vamos estar a ter esta discussão mas sobre a educação. Mas não se preocupem porque não é a privada que vai salvar a escola pública, é a escola pública que vai aliviar a privada.

Dentro de dois anos, a e-redes vai aliviar a Iberdrola e a CP vai aliviar o grupo Barraqueiro

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O advogado de José Sócrates, Pedro Delille, renunciou ao mandato de defensor do antigo primeiro-ministro no julgamento da Operação Marquês, tendo o tribunal ordenado a nomeação de um advogado oficioso para assegurar a defesa do ex-governante.

A informação foi confirmada aos jornalistas por fonte do Tribunal Central Criminal de Lisboa, que precisou que a renúncia deu entrada esta manhã.

O advogado oficioso já se encontra na sala de audiências, mantendo-se a sessão agendada para hoje, destinada à audição de testemunhas.

https://sicnoticias.pt/especiais/operacao-marques/2025-11-04-advogado-de-jose-socrates-renuncia-a-defender-antigo-primeiro-ministro-8952b320?fbclid=IwY2xjawN2sMFleHRuA2FlbQIxMQBicmlkETE0WFp3VXNiejh1RGRmTE1iAR7IMyssLnPTSOv5auqfHIUseNA9bY_5nlDVssVlvDFzEgU0KnU1EG8gyH5egg_aem_7t7RZ_rZDZSSIic_gXzutw 

Até o próprio advogado já se fartou do homem?

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Citação de Simeone, há 1 hora:

O advogado de José Sócrates, Pedro Delille, renunciou ao mandato de defensor do antigo primeiro-ministro no julgamento da Operação Marquês, tendo o tribunal ordenado a nomeação de um advogado oficioso para assegurar a defesa do ex-governante.

A informação foi confirmada aos jornalistas por fonte do Tribunal Central Criminal de Lisboa, que precisou que a renúncia deu entrada esta manhã.

O advogado oficioso já se encontra na sala de audiências, mantendo-se a sessão agendada para hoje, destinada à audição de testemunhas.

https://sicnoticias.pt/especiais/operacao-marques/2025-11-04-advogado-de-jose-socrates-renuncia-a-defender-antigo-primeiro-ministro-8952b320?fbclid=IwY2xjawN2sMFleHRuA2FlbQIxMQBicmlkETE0WFp3VXNiejh1RGRmTE1iAR7IMyssLnPTSOv5auqfHIUseNA9bY_5nlDVssVlvDFzEgU0KnU1EG8gyH5egg_aem_7t7RZ_rZDZSSIic_gXzutw 

Até o próprio advogado já se fartou do homem?

É só mais uma jogada para desacreditar o julgamento e a justiça portuguesa.

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Citação de SAS_Robben, há 12 horas:

Na SIC Notícias há pouco teorizava se que existem tantos partos em ambulâncias porque a ministra está a atacar interesses instalados e que a esses interesses da jeito provocar partos em ambulância para queimar a ministra.

Portugal pioneiro e inovador nas maternidades móveis. Montenegro bem.

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Falar para os abandonados

Falar para os abandonados

O PSD radicalizou-se porque o polo à sua direita o ameaçou. A política só se reequilibra se o polo à esquerda recuperar. Conseguindo criar, como o Chega, um “novo” eleitorado. Falando para os abandonados pela promessa meritocrática e pelo Estado que se degrada

Há exatamente uma semana, o primeiro-ministro montou um palco com oito bandeiras nacionais para equiparar a aprovação do OE à da lei da nacionalidade. Nesse dia, Leitão Amaro, que já acusara o PS de “reengenharia demográfica”, rebranding da teoria conspirativa ultrarradical da substituição, declarou, no parlamento: “hoje Portugal fica mais Portugal”. No espírito de festa com o Chega, podia ter acrescentado que "não é o Bangladesh".

Este é o PSD mais à direita de sempre, porque nem tem o álibi da crise, como Passos. Radicalizou-se porque o chão da política se inclinou. E qualquer político de centro-esquerda parece estar obrigado a dar provas prévias de moderação, sendo a abstenção o pináculo da sua existência. De cada vez que o faz, ajuda a deslocar o centro relativo para o espaço entre neoliberais e autoritários. Até Seguro, antigo líder do PS, ter medo de dizer que é de esquerda.

Para além das políticas da imigração e da nacionalidade, o governo tentou sucessivas propostas fiscais, do IRS Jovem às de “apoio” à habitação (que levaram ao previsível aumento dos preços), descaradamente regressivas. Mostrando o cinismo, o discurso do governo muda quando se fala de propinas, com o ministro da Educação a defender o seu aumento porque “a gratuitidade é regressiva”. Para baixar impostos aos ricos, a justiça fiscal não interessa, porque todos ganham. Para aumentar propinas aos pobres (quem tem memória sabe bem dos limites dos apoios sociais), a progressividade passa a ser o alfa e ómega da política. Progressividade fiscal dispensa progressividade nos direitos. É por isso que ela é tão importante. Isto, na realidade, não é novo na agenda do PSD.

E está na calha a mais agressiva contrarreforma laboral, a única verdadeira política com princípio, meio e fim deste governo (avisei para o extremismo competente da jurista escolhida, logo na tomada de posse do primeiro governo de Montenegro), que nem tenta disfarçar com qualquer procura de consenso. O extremismo está no conteúdo, de que já aqui falei. E está na forma. Sabendo que a proposta não pode ser início de conversa, recorreu à chantagem: ou a UGT negoceia qualquer coisa, para aparecer na fotografia, ou o único interlocutor será o Chega, no parlamento. É para isto que a extrema-direita serve: pôr o país a falar da burca enquanto ajuda a acabar com os direitos laborais dos que votam nele. Ajudar os de cima enquanto entretém os de baixo com os que estão mesmo no chão.

O PSD virou à direita porque o Chega e a IL ameaçaram o seu flanco direito. Da mesma forma, o PS virou à esquerda (por dois anos) quando BE e PCP tiveram, juntos, mais de 18%, o suficiente para Costa depender deles. PS e PSD não têm, como partidos de poder, grandes limites programáticos. A sua posição é determinada pelo lugar para onde fogem os votos (e os interesses).

Quem queira reequilibrar a política portuguesa tem de olhar para o polo em declínio: o da esquerda. Só o seu reforço conseguirá reequilibrar o sistema partidário e impedirá a convergência do PS, aproximando-se da radicalização da direita. E só ela pode travar a migração do voto popular desencantado para a extrema-direita. Derrotada a ala esquerda do PS e sendo provável a derrota nas presidenciais, os partidos mais à esquerda devem refletir sobre o papel que querem ter. A erosão do PS apenas degradará o ambiente político para resistir. O futuro não é por aí.

Nem Livre, nem PCP, nem BE, reduzidos a menos de 9%, estão, por si só, em condições de criar um polo popular que se bata pelo voto atraído pelo Chega. Não está o Livre, porque a sua militância, organização, programa e liderança dirigem-se a um eleitorado urbano qualificado, podendo crescer um pouco, na melhor das hipóteses, com o desalento com o PS. Não está o PCP, porque lhe falta ginástica tática, tem demasiado lastro e é quem agora está a perder voto popular para a extrema-direita, que substitui por intelectuais radicalizados perdidos pelo BE. Não está o Bloco de Esquerda, bloqueado na sua queda, leveza estratégica e incapacidade de ganhar raízes no povo a que chegou em 2009 e 2015.

Não sei, nem é isso que agora interessa, quem pode construir este polo e o papel de cada um destes partidos. Sei que não é partindo o PS ou unindo pequenas forças que lá chegam. É fazendo o que o Chega fez: ir para lá dessas contas, criando “novo” eleitorado.

É falando para os desencantados. Para os que foram esquecidos pela promessa meritocrática, abandonados por um Estado que se degrada. Jovens forçados a viver em casa dos pais; populações rurais cercadas de abandono e extrativismo intensivo; licenciados empurrados para emigração por uma economia viciada em salários baixos e futuros precários; funcionários públicos desmotivados por anos de desprezo; moradores de bairros periféricos maltratados e subúrbios mal planeados; famílias que desesperam por consultas e creches porque os recursos públicos servem para dar borlas fiscais aos de sempre; pequenos empresários ultrapassados por chicos-espertos com bons contactos.

É mobilizando, não tenho receio de o dizer, o ressentimento. Mas essa mobilização serve para unir o que a extrema-direita divide. Como espero que o mostre hoje Zohran Mamdani, candidato a mayor de Nova Iorque (voltarei a ele na edição impressa), com o seu "otimismo implacável", nas palavras de Stephen Colbert, o "populismo" de esquerda não é simétrico ao de direita, mas pode ser vencedor.

Os que julgam que a resposta está em ceder ao ataque aos trabalhadores imigrantes (como tentou e falhou a alemã Sahra Wagenknecht) não percebem que a derrota não está na incapacidade de vencer a extrema-direita no seu terreno, está na incapacidade de impor outro campo onde lutar. Porque andamos a discutir burcas e nacionalidade perante uma crise da habitação de proporções estruturais? Porque não se consegue sintetizar a nova lei laboral em algumas das suas medidas chocantes, mostrando como o Chega está sempre do lado do mais forte?

Como se vê em França, nos EUA e até na Alemanha, há espaço para crescer, sobretudo entre os jovens. Um bom começo é falar menos dos heróis de 1975 e mais para os desencantados de 2025. De tanto defender conquistas, a esquerda deixou de conquistar os descontentes da situação. É isso que está a matá-la.

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Citação de Jamarcus, há 1 hora:

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💀

fds vi esse momento em direto e cuspi-me todo

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Citação de Descartes, há 19 horas:

Hoje à hora de almoço também assisti a dois episódios da "Operação Limpeza" que até deixaram os jornalistas indignados. A Cátia Nobre até ultrapassou os seus deveres e emitiu opinião com grande veemência.

Eu ontem também ouvi um a dizer que o Montenegro queria fazer desta Ministra a sua Leonor Beleza...como se isso fosse uma coisa boa.

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Citação de Axadrezado, Agora:

Eu ontem também ouvi um a dizer que o Montenegro queria fazer desta Ministra a sua Leonor Beleza...como se isso fosse uma coisa boa.

E das grávidas os seus hemofílicos, já agora.

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