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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Mayday, há 29 minutos:

É só aqui que concordo com Satre, vs Camus. O lado humanista de Camus que defendia que a revolta era o único meio para atingir o fim essencial da felicidade e chegar ao encontro determinante com a liberdade, aqui, neste contexto, nestes momentos, não tem (total) validade porque essa revolta é uma revolta interior, uma revolta de espírito, uma revolta que nunca se opõe à vida humana, e hoje podemos adicionar que nunca se opõe à propriedade privada, nunca a sacrificaria pela defesa e manutenção de princípios fundamentais comuns a todos, igualitários e equitativos.

Camus defendia a independência das colónias Francesas, da Argélia, onde nasceu, mas não defendia os movimentos de libertação. Camus defendia a possibilidade de ambos, os árabes e os descendentes dos colonos, viverem numa Argélia livre em igualdade. O que seria sempre injusto porque para os árabes nunca seria exactamente uma libertação plena. Tudo no plano da utopia. Uma vez perguntaram-lhe porque é que se ele defendia a independência se opunha aos movimentos de libertação e ele respondeu que entre a justiça e a mãe, escolhia a mãe.

Satre estava errado, e ficou do lado errado da história mesmo entre os comunistas, ao defender a ideia desvirtuada do comunismo Stalinista e as suas atrocidades, mas no plano teórico consegue ter razão. Para defendermos eficazmente os nossos princípios temos que conseguir sacrificar alguma coisa. Camus defendia a independência da Argélia mas apenas se isso não exigisse um sacrifício da sua parte, o abandono da sua pátria, e prejuízo para a sua mãe. 

É aqui que encontro um paralelismo com a situação actual. Não é possível querer uma mudança pedindo que as coisas fiquem como estão. 

Não vamos conseguir defender a democracia, os nossos direitos, liberdades e garantias, os valores humanistas, de quem se predispõe sem exame de consciência a meter 10000 soldados na rua contra o seu próprio povo, de quem pede violência contra os manifestantes, de quem incita o ódio contra minorias, põe em causa os valores democráticos e mais um sem fim de acções antagonistas, fazendo apenas marchas pacíficas, incapazes de encarar o sacrifício. Assim é uma vitória para os opressores. Abrir um parêntesis para dizer que a destruição da propriedade privada e a pilhagem de lojas não faz parte da revolta, é aproveitamento e táctica desestabilizadora para justificar algumas acções, como pudemos testemunhar. 

A resposta violenta, martirizada, pode também não ser a solução, Martin Luther King e Malcom X defendiam reacções diferentes e tiveram o mesmo fim, perderam ambos. Pode acontecer que a força do inimigo seja sempre superior. Mas a história não deixa dúvidas, quando não estamos no terreno da justiça, da liberdade, do bem senso, da democracia, a violência, para qualquer um dos lados, é sempre a mais eficaz. Não há revoluções pacificas, todas as revoluções são violentas.

Os idealismos, por si só, não resultam perante um opressor violento. Todos os idealismos pós renascimento se concretizaram depois da violência. 

Não teríamos vencido os nazis e os fascistas sem contrapor com a mesma violência. E o grande dilema de Curchill foi vencido quando compreendeu que nunca venceria a Guerra se não sacrificasse as vidas que sacrificou no desembarque da Normandia. Que teria sido do mundo se perante a loucura nazi e fascista tivéssemos só agido pacificamente, de que teria valido a coragem dos anti-fascistas se se tivessem revoltado apenas interiormente e não agissem, não se opusessem?

Tolstoi, Gandhi, Camus, Thoreau, todos eles admitiam a importância da revolta como fundamental, no entanto, apenas uma revolta interior e individual. Perderam quase sempre perante a força do opressor. E não por caso, quase todos, se isolaram da sociedade e do mundo, à excepção de Camus. A desobediência civil de Thoreau contra as politicas xenófobas e populistas de James K. Polk (O Donald Trump do século XIX) foi deixar de pagar impostos, mas quando saiu da cabana onde vivia isolado e foi à cidade engraxar os sapatos, prenderam-no. Esta revolta mesmo que interior e individual é importantíssima, têm todos razão, mas quando é a defesa dos nossos princípios colectivos que está em quase a revolta tem que ganhar outra dimensão, uma dimensão de ataque e defesa mais concreta. A ideia do homem revoltado de Camus é a forma mais consciente de viver, mas individualista e apática perante contextos como este.  

Camus tinha, em parte, razão numa coisa. É uma hipocrisia condenar a violência de um lado e justificar a violência do outro. Mas dependendo do que está em causa, a violência pode ser justificável. Este argumento pode ter pouca força porque depende sempre da perspectiva. Da perspectiva do opressor também há uma razão, uma moral, uma certeza. Mas o mal e o bem não deixam dúvidas a ninguém, acredito eu.

Foi sempre a rebelião das massas, a rebelião do colectivo que nos trouxeram a uma mundo que consideramos, não perfeito, mas mais justo e equilibrado, que lhe acrescentou valores e dignidades. Com mais ou menos sacrifícios. 

Claro, a morte de Donald Trump deveria ser metafórica, uma derrota, a sua morte politica, mas isso parece ser uma realidade impossível, não só pela análise do seu comportamento recente mas o comportamento do passado histórico. Compreenderemos melhor esta revolta quando, e se, Donald Trump perder as eleições e se recusar a aceitar os resultados, quando lançar o caos e tudo cair pelas mãos de um individuo e por um individuo.

Se acontecer na América, acontecerá em todo o lado.

Donald Trump tem que servir de exemplo. 

Não sou a favor da violência, mas compreendo-a e por vezes acho-a necessária. 

Eh lá, não conhecia essa tua veia filosófica, estás inspirado hoje. Sim, sem sombra de dúvidas, muitas vezes é preciso violência. A grande dúvida está em quando saber usá-la, de que modo, é saber se estamos a passar a fronteira do razoável ou não. Dou um exemplo, a violência religiosa de seitas/religiões que ao longo da história usaram violência exclusivamente por razões de fanatismo. Eu não tenho dúvidas que muitas dessas pessoas teriam boas intenções, assim como muitas outras de outras áreas (muitos votantes Republicanos até podem ser boas pessoas e votar por tradição ou família, por exemplo). O que interessa no fundo é saber se compensa a violência nesta matéria em específico. Vou dizer uma opinião que tenho, que podem achar polémica ou não. Acho que é inevitável e seria bom para os EUA uma separação enquanto país o mais rapidamente possível. São 2 facções de pessoas completamente distintas, incompatíveis entre si. Enquanto se forçar uma falsa união, a metade democrata pagará sempre pela outra parte que pouco tem em comum. O estado de NY ou California tem mais a ver com a Europa que com o estado do Kentucky ou do Wyoming. 

Editado por Ticampos

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Citação de Ticampos, há 11 minutos:

Eh lá, não conhecia essa tua veia filosófica, estás inspirado hoje. Sim, sem sombra de dúvidas, muitas vezes é preciso violência. A grande dúvida está em quando saber usá-la, de que modo, é saber se estamos a passar a fronteira do razoável ou não. Dou um exemplo, a violência religiosa de seitas/religiões que ao longo da história usaram violência exclusivamente por razões de fanatismo. Eu não tenho dúvidas que muitas dessas pessoas teriam boas intenções, assim como muitas outras de outras áreas (muitos votantes Republicanos até podem ser boas pessoas e votar por tradição ou família, por exemplo). O que interessa no fundo é saber se compensa a violência nesta matéria em específico. Vou dizer uma opinião que tenho, que podem achar polémica ou não. Acho que é inevitável e seria bom para os EUA uma separação enquanto país o mais rapidamente possível. São 2 facções de pessoas completamente distintas, incompatíveis entre si. Enquanto se forçar uma falsa união, a metade democrata pagará sempre pela outra parte que pouco tem em comum. O estado de NY ou California tem mais a ver com a Europa que com o estado do Kentucky ou do Wyoming. 

A dualidade é essa.

Mas há quem sempre tenha entendido que o uso do mal (da violência) é sinónimo de poder. As religiões, por exemplo. Os EUA, por exemplo.

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Citação de Rain Dog, há 11 horas:

Eu gosto muito da personagem do Mayday, mas onde é que se traça o limite?

Vamos mesmo comparar o desejo de morte de um indivíduo com o incitamento à perseguição e assassínio de uma classe profissional (incluindo perseguição às suas famílias?).

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Citação de Mayday, há 5 horas:

É só aqui que concordo com Satre, vs Camus. O lado humanista de Camus que defendia que a revolta era o único meio para atingir o fim essencial da felicidade e chegar ao encontro determinante com a liberdade, aqui, neste contexto, nestes momentos, não tem (total) validade porque essa revolta é uma revolta interior, uma revolta de espírito, uma revolta que nunca se opõe à vida humana, e hoje podemos adicionar que nunca se opõe à propriedade privada, nunca a sacrificaria pela defesa e manutenção de princípios fundamentais comuns a todos, igualitários e equitativos.

Camus defendia a independência das colónias Francesas, da Argélia, onde nasceu, mas não defendia os movimentos de libertação. Camus defendia a possibilidade de ambos, os árabes e os descendentes dos colonos, viverem numa Argélia livre em igualdade. O que seria sempre injusto porque para os árabes nunca seria exactamente uma libertação plena. Tudo no plano da utopia. Uma vez perguntaram-lhe porque é que se ele defendia a independência se opunha aos movimentos de libertação e ele respondeu que entre a justiça e a mãe, escolhia a mãe.

Satre estava errado, e ficou do lado errado da história mesmo entre os comunistas, ao defender a ideia desvirtuada do comunismo Stalinista e as suas atrocidades, mas no plano teórico consegue ter razão. Para defendermos eficazmente os nossos princípios temos que conseguir sacrificar alguma coisa. Camus defendia a independência da Argélia mas apenas se isso não exigisse um sacrifício da sua parte, o abandono da sua pátria, e prejuízo para a sua mãe. 

É aqui que encontro um paralelismo com a situação actual. Não é possível querer uma mudança pedindo que as coisas fiquem como estão. 

Não vamos conseguir defender a democracia, os nossos direitos, liberdades e garantias, os valores humanistas, de quem se predispõe sem exame de consciência a meter 10000 soldados na rua contra o seu próprio povo, de quem pede violência contra os manifestantes, de quem incita o ódio contra minorias, põe em causa os valores democráticos e mais um sem fim de acções antagonistas, fazendo apenas marchas pacíficas, incapazes de encarar o sacrifício. Assim é uma vitória para os opressores. Abrir um parêntesis para dizer que a destruição da propriedade privada e a pilhagem de lojas não faz parte da revolta, é aproveitamento e táctica desestabilizadora para justificar algumas acções, como pudemos testemunhar. 

A resposta violenta, martirizada, pode também não ser a solução, Martin Luther King e Malcom X defendiam reacções diferentes e tiveram o mesmo fim, perderam ambos. Pode acontecer que a força do inimigo seja sempre superior. Mas a história não deixa dúvidas, quando não estamos no terreno da justiça, da liberdade, do bem senso, da democracia, a violência, para qualquer um dos lados, é sempre a mais eficaz. Não há revoluções pacificas, todas as revoluções são violentas.

Os idealismos, por si só, não resultam perante um opressor violento. Todos os idealismos pós renascimento se concretizaram depois da violência. 

Não teríamos vencido os nazis e os fascistas sem contrapor com a mesma violência. E o grande dilema de Curchill foi vencido quando compreendeu que nunca venceria a Guerra se não sacrificasse as vidas que sacrificou no desembarque da Normandia. Que teria sido do mundo se perante a loucura nazi e fascista tivéssemos só agido pacificamente, de que teria valido a coragem dos anti-fascistas se se tivessem revoltado apenas interiormente e não agissem, não se opusessem?

Tolstoi, Gandhi, Camus, Thoreau, todos eles admitiam a importância da revolta como fundamental, no entanto, apenas uma revolta interior e individual. Perderam quase sempre perante a força do opressor. E não por caso, quase todos, se isolaram da sociedade e do mundo, à excepção de Camus. A desobediência civil de Thoreau contra as politicas xenófobas e populistas de James K. Polk (O Donald Trump do século XIX) foi deixar de pagar impostos, mas quando saiu da cabana onde vivia isolado e foi à cidade engraxar os sapatos, prenderam-no. Esta revolta mesmo que interior e individual é importantíssima, têm todos razão, mas quando é a defesa dos nossos princípios colectivos que está em quase a revolta tem que ganhar outra dimensão, uma dimensão de ataque e defesa mais concreta. A ideia do homem revoltado de Camus é a forma mais consciente de viver, mas individualista e apática perante contextos como este.  

Camus tinha, em parte, razão numa coisa. É uma hipocrisia condenar a violência de um lado e justificar a violência do outro. Mas dependendo do que está em causa, a violência pode ser justificável. Este argumento pode ter pouca força porque depende sempre da perspectiva. Da perspectiva do opressor também há uma razão, uma moral, uma certeza. Mas o mal e o bem não deixam dúvidas a ninguém, acredito eu.

Foi sempre a rebelião das massas, a rebelião do colectivo que nos trouxeram a uma mundo que consideramos, não perfeito, mas mais justo e equilibrado, que lhe acrescentou valores e dignidades. Com mais ou menos sacrifícios. 

Claro, a morte de Donald Trump deveria ser metafórica, uma derrota, a sua morte politica, mas isso parece ser uma realidade impossível, não só pela análise do seu comportamento recente mas o comportamento do passado histórico (passo a redundância). Compreenderemos melhor esta revolta quando, e se, Donald Trump perder as eleições e se recusar a aceitar os resultados, quando lançar o caos e tudo cair pelas mãos de um individuo e por um individuo.

Se acontecer na América, acontecerá em todo o lado.

Donald Trump tem que servir de exemplo. 

Não sou a favor da violência, mas compreendo-a e por vezes acho-a necessária. 

Belo texto. E concordo na sua maioria. É quase inevitável a violência existir nas grandes mudanças (a não ser que o lado opressor caia de velho).E se a violência é sempre má, há momentos em que é menos condenável. Mas, para mim, terá que ser sempre uma reacção violenta direccionada ao sistema que queremos abolir e não individual, pelo menos ao nível dos peões. Facilmente aceito colocar o alvo num líder do mal (e tendo em conta a história americana até me espanto por ainda não terem tentado nada) mas acho inaceitável individualizar quem está no terreno. O inimigo num campo de batalha não pode ser transportado para o dia a dia, isto se quisermos manter os valores para os quais lutamos. Por isso para mim é bastante diferente atacar um polícia durante um confronto ou atacá-lo enquanto membro da sociedade. Se ultrapassarmos essa linha, essa moral, entraremos numa espiral de violência sem ideologia, criminosa.

  • Concordo! 2

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conversa de ovelhas. tudo isto é feito para 'nos' dividir como humanos. e resulta, because sheep

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Citação de jean-luc godard, há 13 minutos:

ya man eu cá já estou no plano do transhumano 

#transrights

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Citação de jean-luc godard, há 17 minutos:

ya man eu cá já estou no plano do transhumano 

Eu por vezes dou por mim no da Transdev...

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São textos como esse do Mayday que me fazem feliz por fazer parte desta comunidade. O fórum está cheio de malta super clarividente e é incrível poder sorver um pouco que seja do vosso conhecimento. Mucho love para vcs todos. 

 

Editado por Pablo Honey

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O deputado da iniciativa liberal comparou a discriminação a pessoas negras ou da comunidade romani à discriminação a investidores bolsistas.

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O discurso político e a própria transformação política não é, nem nunca será um mar de rosas. Hoje vivemos a realidade que Robespierre construiu, uma personagem política à qual resistiram pela sua actuação impetuosa. O próprio perguntou se queriam uma revolução sem revolução. 

Nos estados unidos assistimos ao rastilho daquilo que será a transformação do sistema político anglosaxonico, ainda que sejam ligeiras mudanças no modus operandi da máquina do Estado. 

Eu não quero saber se o meu discurso fere a sensibilidade de quem é moderado quando aquilo que eu defendo transcende o espectro político. 

Editado por Che

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No Debate Parlamentar desta tarde, sobre a luta contra o racismo. A direita portuguesa está, realmente, num estado lastimável. 

 

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Citação de jean-luc godard, há 52 minutos:

O deputado da iniciativa liberal comparou a discriminação a pessoas negras ou da comunidade romani à discriminação a investidores bolsistas.

🤣🤣

Juro que não percebo a estratégia destes gajos, para além dos outdoors e tal. 

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Citação de jean-luc godard, há 6 horas:

O deputado da iniciativa liberal comparou a discriminação a pessoas negras ou da comunidade romani à discriminação a investidores bolsistas.

Mais um bocado era parceiro ali do Ventura. 

Para ele "o racismo é um fantasma que não existe e só serve para esconder a corrupção". 

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Pois é, quando não saem das suas bolhas, dá nestas patacoadas surreais.

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Espero bem que isso tenha sido uma (desprezável) jogada política para não perder mais eleitores lol. Tinha o Rui Rio muito mais em conta. 

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