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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Uma coisa é certa, estive a refletir bem... e o Enzo tem razão numa coisa, nem sempre votar no menos mau, dando validade a algo com que não concordamos totalmente, acaba por ser positivo em relação à posição incoformada contra o sistema existente (ex. Sartre quando recebeu o Nobel e o recusou) , imaginem um cenário, na década de 30, em que Hitler e Salazar fossem os 2 candidatos, em qual deles votaríamos? Salazar por ser menos mau que Hitler???

Nesse aspeto, estamos a seguir uma filosofia política utilitarista levada ao extremo...

Editado por Ticampos

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Muslim ban statement 'removed' from Donald Trump's website

 

Isso foi daquelas coisas polémicas que disse só por dizer numa altura em que achou que lhe poderia trazer votos. Depois de ser eleito presidente manteve o discurso sobre os imigrantes ilegais, mas acho que não voltou a tocar no resto. E espero que assim se mantenha. Excluindo as fronteiras, eles já têm um controlo apertado sobre quem entra e sai do país, não é preciso tomar medidas drásticas e discriminatórias.

Não é preciso, de facto, mas ele tem essa ideia bem vincada, e quem anda à volta dele também. De qualquer maneira, dou-lhe uma ligeira razão na questão da fronteira com o México - há que controlar melhor aquilo, porque de facto há uma entrada enorme de imigrantes ilegais e de droga nos EUA por ali. Mas a solução para isso não passa por um muro nem por um ban aos mexicanos, evidentemente.

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Uma coisa é certa, estive a refletir bem... e o Enzo tem razão numa coisa, nem sempre votar no menos mau, acaba por ser positivo em relação à posição incoformada contra o sistema (ex. Sartre quando recebeu o Nobel e o recusou) , imaginem um cenário, na década de 30, em que Hitler e Salazar fossem os 2 candidatos, em qual deles votaríamos? Salazar por ser menos mau que Hitler???

Nesse aspeto, estamos a seguir uma filosofia política utilitarista levada ao extremo...

 

 

O que o Salazar fez ao pé do Hitler parece uma brincadeira de crianças. Assim postas as coisas, já depois de sabermos tudo, parece que o Salazar é o menos mau. Mas também podemos reflectir sobre o que o Salazar faria no contexto do Hitler. Será que não atingiria um nível igualmente demoníaco? Uma coisa é liderar um Portugal com pouco poder bélico, outra coisa totalmente diferente é liderar uma Alemanha. O que faria também um Mussolini naquele contexto? Ou um Franco? Qual deles o menos mau? É tudo uma questão de contextos.

 

Eu acho difícil escolher o menos mau entre dois trastes. Aliás, provavelmente os pensamentos de ambos até se assemelham. Se pudessem transformavam os EUA num país de brancos onde não houvesse espaço para outras raças e religiões, qualquer um deles. Porque ambos são preconceituosos. Se pudessem...

 

Não existe grande diferença entre os líderes desse tempo e os de agora a nível de pensamento, existe apenas uma II Guerra Mundial pelo meio que ainda está bem presente e serviu de lição, por agora. O Trump tem um discurso que se assemelha mais com os lideres desse tempo enquanto que os outros adoptaram uma postura mais moderada, mas naquilo que pensam sobre raça, religião e territorialidade, não serão assim tão diferentes uns dos outros.

Editado por Enzo Dios Perez

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Como diria o outro... Perante isto tudo... Imagens valem mais que 1000 palavras.

 

Imagem de Trump com os Clintons, todos felizes e contentes

 

+ Imagens

 

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Sei lá eu se eles se os Clinton e o Trump são assim tão contrários como pessoas e mesmo nas suas ideologias... Sei lá eu se os Clintons pensam mesmo aquilo que dizem que pensam, e se nos pensamentos mais íntimos dela, será assim tão tolerante perante as minorias. O que vejo é que eles sempre foram grandes amigos (O Trump e os Clintons), de resto nós só conhecemos o que cada um diz da boca para fora...

Apesar de inicialmente não concordar com o Enzo, e continuar a não concordar com certas coisas, os argumentos dele perante a Clinton, para mim, fazem todo o sentido, ela é horrível, assim como o Trump também o é, e não adianta dizermos que ela é má... Estamos a mascarar a realidade nesse ponto. Posso parecer uma pessoa instável, que muda de opinião facilmente, sem uma opinião firme, mas de opiniões firmes estão as ditaduras cheias...

Editado por Ticampos

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Visitante

Posso estar errado, mas eu nem acho que seja mau querer deportar imigrantes ilegais. Isso é o que todos os países fazem, ou não? Está na lei.

 

Não sei se já foste aos Estado Unidos, mas lá tens emigrantes ilegais que já fazem a sua vida há anos e anos, e são habitantes americanos normais, só que sem papéis. Tenho o caso dos meus tios-avós que foram para lá depois do 25 de Abril, e só passada mais de uma década é que conseguiram os papéis. E entretanto trabalhavam, tinham uma casa, tinham filhos já nascidos lá, etc ;)

 

O que o Salazar fez ao pé do Hitler parece uma brincadeira de crianças. Assim postas as coisas, já depois de sabermos tudo, parece que o Salazar é o menos mau. Mas também podemos reflectir sobre o que o Salazar faria no contexto do Hitler. Será que não atingiria um nível igualmente demoníaco? Uma coisa é liderar um Portugal com pouco poder bélico, outra coisa totalmente diferente é liderar uma Alemanha. O que faria também um Mussolini naquele contexto? Ou um Franco? Qual deles o menos mau? É tudo uma questão de contextos.

 

Eu acho difícil escolher o menos mau entre dois trastes. Aliás, provavelmente os pensamentos de ambos até se assemelham. Se pudessem transformavam os EUA num país de brancos onde não houvesse espaço para outras raças e religiões, qualquer um deles. Porque ambos são preconceituosos. Se pudessem...

 

Não existe grande diferença entre os líderes desse tempo e os de agora a nível de pensamento, existe apenas uma II Guerra Mundial pelo meio que ainda está bem presente e serviu de lição, por agora. O Trump tem um discurso que se assemelha mais com os lideres desse tempo enquanto que os outros adoptaram uma postura mais moderada, mas naquilo que pensam sobre raça, religião e territorialidade, não serão assim tão diferentes uns dos outros.

 

O Salazar não tinha pouco poder bélico. Tendo em conta que ele não tinha ambições territoriais para além da conservação das colónias (ao contrário do Hitler), Portugal estava infinitamente melhor armado do que os africanos, e estes só aguentaram o que aguentaram por combaterem em guerrilha, que tornava tudo mais difícil para nós ;) E o contexto de Portugal era diferente do da Alemanha quando o Salazar chegou ao poder, mas não era muito melhor: Portugal era um país falido e falhado, depois da queda da monarquia, com sucessivos governos curtos, assassínios, uma ditadura militar, maçonaria por todo o lado, etc.

Editado por Visitante

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O Salazar não tinha pouco poder bélico. Tendo em conta que ele não tinha ambições territoriais para além da conservação das colónias (ao contrário do Hitler), Portugal estava infinitamente melhor armado do que os africanos, e estes só aguentaram o que aguentaram por combaterem em guerrilha, que tornava tudo mais difícil para nós ;) E o contexto de Portugal era diferente do da Alemanha quando o Salazar chegou ao poder, mas não era muito melhor: Portugal era um país falido e falhado, depois da queda da monarquia, com sucessivos governos curtos, assassínios, uma ditadura militar, maçonaria por todo o lado, etc.

 

Tinha muito pouco, mas mesmo muito pouco, se comparares com uma Alemanha, uma França, uma Inglaterra, uma URSS, uns Estados Unidos ou um Japão da 2ª Guerra Mundial. Claro, se compararmos Portugal com o Nauru, ainda hoje somos uma potência militar.

Quanto ao resto, se as condições sociais e políticas de Portugal e Alemanha eram semelhantes no início da década de 30, não se compara o desenvolvimento tecnológico, a capacidade de produção e população de ambos os países, mesmo naquela altura.

 

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Apesar de tudo, eu na difícil escolha entre Clinton e votar em branco ou num partido sem representação política, votaria Clinton com muitas reticências (teria que refletir muito antes de tomar essa decisão), não por aquilo que ela pensa ou defende em teoria ( que é o que eu defendo em relação a muitos tema-chave), mas sim porque Trump legitima um discurso de ódio e tensão racial, que pelo menos agora, até ver, os Democratas não legitimam (há 30/40 anos alguns ainda legitimavam, os partidos são mutáveis).

Editado por Ticampos

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Visitante

Tinha muito pouco, mas mesmo muito pouco, se comparares com uma Alemanha, uma França, uma Inglaterra, uma URSS, uns Estados Unidos ou um Japão da 2ª Guerra Mundial.

Quanto ao resto, se as condições sociais e políticas de Portugal e Alemanha eram semelhantes em 1930, não se compara o desenvolvimento tecnológico, a capacidade de produção e população de ambos os países, mesmo naquela altura.

 

Mas não tinha muito pouco. O poder bélico é relativo, e o nosso tem de ser comparado com aqueles com quem estávamos em guerra.

 

E calma, eu disse que o nosso contexto não era muito melhor do que o alemão, não disse que as condições políticas e sociais eram semelhantes, porque não eram. O desenvolvimento tecnológico daí em diante dependeu de inúmeros factores, muitos dos quais ainda fazem a diferença hoje, mas não esqueçamos que no fundo, as estratégias de ambos eram muito diferentes: o Hitler chegou ao poder com uma ideia clara do que ia fazer, com um povo sedento de vingança, e tratou logo de criar uma industria de proporções enormes a partir de bases já existentes (muitas das grandes empresas alemãs da actualidade já existiam na altura); o Salazar chegou primeiro a Ministro das Finanças, com o objectivo único de sanear as contas públicas de um país predominantemente agrário, e onde alavancou o seu bom trabalho para obter mais poder e certificar-se que se manteria assim, isolando o país de todo o Mundo.

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Bem, nos pontos que colocas, concordo em todos eles, portanto tens razão , o que não quer dizer que eu estivesse errado, a nossa visão das coisas não é tão diferente como possas julgar, a forma como assumiram o poder é distinta e os seus objetivos iniciais também, e isso advém de estarmos a tratar de países com condições distintas, logo nunca poderiam assumir o poder da mesma forma.

Importa salientar um ponto em que não fundamentei bem o suficiente, quando eu disse que as condições sociais e políticas eram semelhantes, estava-me a referir a uma 1ª República e a uma República de Weimar muito frágeis e inexperientes que permitiram a ascensão de líderes populistas/fascistas como Salazar e Hitler, ambos os países estavam a passar dificuldades tanto sociais como políticas em relação ao passado de crescimento territorial que tinham tido (Portugal nas Decobertas, Alemanha, na reunificação e Guerra Franco-Prussiana) e sentiam-se ultrajados (revanchismo) por razões semelhantes (Portugal pelo Ultimato Inglês, decorrente do mapa cor-de-rosa português que esteve em discussão na Conferência de Berlim e a Alemanha, pelo Tratado de Versalhes de 1919, em que perdeu parte do território europeu e todas as suas colónias africanas ). É normal que tanto a 1ª República como a República de Weimar, tenham caído em pouco tempo, perante uma ideologia de teor fascista, que defendia a recuperação ( ou a manutenção de territórios no caso de Portugal) de territórios perdidos e o Imperialismo.

Editado por Ticampos

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Pouco poder bélico é como quem diz, que um país com 8 milhões de habitantes capaz de enviar 150 mil almas e manter activas três frentes de combate a milhares de quilómetros de distância não é assim tão desabonado quanto isso.

 

Aliás, Portugal sempre foi um país com uma capacidade de mobilização militar acima da média. Só de recordar que quando fomos para Ceuta reunimos mais de 20 mil homens, isto numa altura em que a população portuguesa rondaria um milhão de pessoas, se tanto. A Batalha de Azincourt, travada no mesmo ano por Inglaterra e França e uma das mais importantes da Guerra dos Cem Anos, teve entre 20 a 30 mil... no total dos dois exércitos. E os dois reinos eram, obviamente, muito mais numerosos e ricos do que nós.

 

Podemos ter muitos defeitos, mas bolas, sabemos lutar :mrgreen:

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Pouco poder bélico é como quem diz, que um país com 8 milhões de habitantes capaz de enviar 150 mil almas e manter activas três frentes de combate a milhares de quilómetros de distância não é assim tão desabonado quanto isso.

 

Aliás, Portugal sempre foi um país com uma capacidade de mobilização militar acima da média. Só de recordar que quando fomos para Ceuta reunimos mais de 20 mil homens, isto numa altura em que a população portuguesa rondaria um milhão de pessoas, se tanto. A Batalha de Azincourt, travada no mesmo ano por Inglaterra e França e uma das mais importantes da Guerra dos Cem Anos, teve entre 20 a 30 mil... no total dos dois exércitos. E os dois reinos eram, obviamente, muito mais numerosos e ricos do que nós.

 

Podemos ter muitos defeitos, mas bolas, sabemos lutar :mrgreen:

 

Verdade! os portugueses conseguem fazer das tripas coração, de forma quase milagrosa, superar-se, e têm uma capacidade de mobilização fenomenal em tempo de guerra, somos um país de sucesso militar, senão já teríamos passado à história e não teríamos a história que tivémos, mas lembremos que pouco falamos das nossas derrotas (apenas Alcácer de Quibir é normalmente citada, além da Batalha de La Lys na 1ª Guerra Mundial, mas há muitos outros exemplos, Lisboa por exemplo, foi conquistada pelo Condado Portucalense, então pertencente a Leão em 1093 e perdida em 1095, não conquistámos Badajoz em 1169, perdemos a Batalha de Pedroso em 1071 que nos teria dado a independência, muito antes da data histórica real, perdemos inúmeros territórios para os Holandeses, Espanhóis e Otomanos, na Restauração da Independência e ao longo da 4ª Dinasta, como partes da Indonésia ou o Qatar, fomos invadidos e conquistados temporariamente em 1807, pelos Franceses de Junot, perdemos a guerra final com os Persas pelo controlo de Ormuz, etc...) e focamo-nos apenas nas grandes vitórias (como Aljubarrota e a tática do Quadrado, a 2ª Conquista de Lisboa aos Mouros em 1147 e na repulsão final das últimas 2 Invasões Francesas ), que foram mesmo grandes (ultrapassando as derrotas) e há que dar o mérito merecido, é natural que todos os países se foquem mais nas suas vitórias.

Editado por Ticampos

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Nenhum país tem um histórico bélico imaculado, é natural que assim seja. De qualquer forma, o nosso forte nem foi tanto a qualidade dos combatentes, mas a capacidade de mobilização e a diplomacia. Diplomaticamente, Portugal foi quase sempre brilhante, e só isso justifica que tenhamos resistido até hoje.

 

Verdade! os portugueses conseguem fazer das tripas coração, de forma quase milagrosa, superar-se, e têm uma capacidade de mobilização fenomenal em tempo de guerra, somos um país de sucesso militar, senão já teríamos passado à história e não teríamos a história que tivémos, mas lembremos que pouco falamos das nossas derrotas (apenas Alcácer de Quibir é normalmente citada, além da Batalha de La Lys na 1ª Guerra Mundial, mas há muitos outros exemplos, Lisboa por exemplo, foi conquistada pelo Condado Portucalense, então pertencente a Leão em 1093 e perdida em 1095, não conquistámos Badajoz em 1169, perdemos a Batalha de Pedroso em 1071 que nos teria dado a independência, muito antes da data histórica real, perdemos inúmeros territórios para os Holandeses, Espanhóis e Otomanos, na Restauração da Independência e ao longo da 4ª Dinasta, como partes da Indonésia ou o Qatar, fomos invadidos e conquistados temporariamente em 1807, pelos Franceses de Junot, perdemos a guerra final com os Persas pelo controlo de Ormuz, etc...) e focamo-nos apenas nas grandes vitórias (como Aljubarrota e a tática do Quadrado, a 2ª Conquista de Lisboa aos Mouros em 1147 e na repulsão final das últimas 2 Invasões Francesas ), que foram mesmo grandes (ultrapassando as derrotas) e há que dar o mérito merecido, é natural que todos os países se foquem mais nas suas vitórias.

 

Ai, que morreu um llama nos Andes...

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Muslim ban statement 'removed' from Donald Trump's website

 

Isso foi daquelas coisas polémicas que disse só por dizer numa altura em que achou que lhe poderia trazer votos. Depois de ser eleito presidente manteve o discurso sobre os imigrantes ilegais, mas acho que não voltou a tocar no resto. E espero que assim se mantenha. Excluindo as fronteiras, eles já têm um controlo apertado sobre quem entra e sai do país, não é preciso tomar medidas drásticas e discriminatórias.

Não, não foi. Já depois disso se falou que iria haver um bloqueio à entrada de imigrantes vindos de países "conotados com terrorismo". O ban não é pela religião (que era obviamente estúpida), é pelo país da origem.

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Vá, agora explica :mrgreen:

A táctica do quadrado é mais um dos mitos da nossa história, como aliás quase tudo que envolve a batalha de Aljubarrota. A disposição táctica dos portugueses foi uma cópia da táctica que os ingleses usaram com sucesso nas batalhas de Crécy e Azincourt: infantaria apeada com lanças no centro, arqueiros - os longbowmens ingleses - e besteiros nas alas protegidos por estacas e fossos. Basicamente, a formação portuguesa era parecida com isto:

 

Arqueiros..............................................................Arqueiros

....Arqueiros.......................................................Arqueiros

......................Infantaria Infantaria Infantaria

 

Ou seja, nós nem usámos quadrado, nem usámos uma táctica nova. No que tivemos muito mérito foi na preparação da batalha: soubemos escolher o local perfeito, provocar os castelhanos a atacar no momento certo - errado para eles - e na hora perfeita: eles ficaram de frente para o sol, numa hora de muito calor em pleno Agosto, numa zona baixa em que tinham de subir uma ladeira para chegar aos portugueses, com fossos, covas-de-lobo e estacas pelo caminho. Ainda por cima a maior parte do exército franco-castelhano estava perdido no meio do matagal porque o exército português os obrigou a fazer um corta-mato, de maneira que a maior parte deles não teve tempo de chegar ao campo de batalha antes da vitória portuguesa.

E há a padeira, que obviamente não foi uma figura real.

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Os posts de história do Puro são o maior tesouro deste fórum.

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Ah, aquele tópico onde ele (principalmente, mas tenho ideia que não era só ele) desconstruía momentos históricos era das melhores coisinhas que havia por aqui, de facto.

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Ironicamente uma das batalhas onde se fala de inovação e de pensamento bélico fora do contexto da época praticamente não é muito conhecida na história portuguesa que é a batalha de Monte Claros em 1665 (considerada uma das batalhas decisivas na Restauração da Independência)

 

Naquele livro da colecção do Expresso ("Grandes Batalhas da História de Portugal") dizem que "é talvez a batalha que melhor demonstra a transição do pensamento militar do confronto directo para a manobra e o emprego de cada uma das armas da época - infantaria, cavalaria, artilharia - nas suas funções militares próprias de combate. Pensamento em mudança que se vai progressivamente consolidando até às campanhas napoleónicas, mais de um século depois. Batalha que se tivesse sido travada no centro da Europa, e mais descrita por cronistas alemães, franceses ou ingleses, constituiria uma referência na historiografia militar."

 

É uma descrição impressionante feita num livro que até foi coordenado pela Academia Portuguesa da História, portanto parece ser fidedigno.

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Ai, que morreu um llama nos Andes...

 

Sim, a célebre e famosa tática do Quadrado, que nos contam nas aulas de história... como uma verdade fatual.

Mas se ela aconteceu ou não como nos contam ( e não, não aconteceu ), não retira nem adiciona qualquer validade ao meu argumento de que a história militar de Portugal é demasiado bem vista pelos portugueses, aliás, de certo modo até pode adicionar, pois vai em linha com esse argumento, com que tu próprio parcialmente concordaste ( a nossa história bélica também não é completamente imaculada ), e vai em linha porque os portugueses costumam dizer que inventámos a tática nessa batalha, ''beneficiando'' a visão de que Portugal é inovador e bem sucedido ( e fomos, mas noutros aspetos, como tu referiste ).

Editado por Ticampos

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Black, isso de Portugal ter tantos combatentes na Conquista de Ceuta como os que combateram em Agincourt pode ter a ver com o sistema feudal da época? Será que Portugal tinha um sistema mais centralizado que Inglaterra ou França, o que talvez permitia recolher mais soldados para as hostes? Já que a maioria dos exércitos na Idade Média eram junções de pequenos exércitos de senhores.

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Portanto a nossa sorte foi não termos posto o Schellotto no lado direito?

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Bem, nos pontos que colocas, concordo em todos eles, portanto tens razão , o que não quer dizer que eu estivesse errado, a nossa visão das coisas não é tão diferente como possas julgar, a forma como assumiram o poder é distinta e os seus objetivos iniciais também, e isso advém de estarmos a tratar de países com condições distintas, logo nunca poderiam assumir o poder da mesma forma.

Importa salientar um ponto em que não fundamentei bem o suficiente, quando eu disse que as condições sociais e políticas eram semelhantes, estava-me a referir a uma 1ª República e a uma República de Weimar muito frágeis e inexperientes que permitiram a ascensão de líderes populistas/fascistas como Salazar e Hitler, ambos os países estavam a passar dificuldades tanto sociais como políticas em relação ao passado de crescimento territorial que tinham tido (Portugal nas Decobertas, Alemanha, na reunificação e Guerra Franco-Prussiana) e sentiam-se ultrajados (revanchismo) por razões semelhantes (Portugal pelo Ultimato Inglês, decorrente do mapa cor-de-rosa português que esteve em discussão na Conferência de Berlim e a Alemanha, pelo Tratado de Versalhes de 1919, em que perdeu parte do território europeu e todas as suas colónias africanas ). É normal que tanto a 1ª República como a República de Weimar, tenham caído em pouco tempo, perante uma ideologia de teor fascista, que defendia a recuperação ( ou a manutenção de territórios no caso de Portugal) de territórios perdidos e o Imperialismo.

 

Lá está, sempre que há um descontentamento generalizado a que o sistema em vigor não consegue dar resposta, acabam por ser feitas escolhas extremas, como foi o que aconteceu nos EUA, e como aconteceu por cá, na Alemanha, em Itália, na Rússia pré-URSS, etc. E não tem obrigatoriamente de ser uma coisa má: primeiro, porque por trás de um discurso populista não tem de estar obrigatoriamente um tirano (o Trump, continuo a dizer, a única convicção que tem é que pode fazer melhor que os outros que lá estiveram porque ele é o maior, e adaptou o discurso de campanha àquilo que as pessoas queriam ouvir), caso contrário, Portugal já teria uns quantos à espera da sua oportunidade nos partidos fora do arco do poder; depois, porque obriga o "sistema" a reagir e a focar-se de novo nas necessidades da população, sob pena de este se extinguir.

 

Talvez esta eleição do Trump venha a ser a terapia de choque que se precisava para finalmente se encarar o problema da ascensão da extrema-direita em todo o mundo e, sobretudo, as reais razões que estão por trás dessa crescente "simpatia" por parte das populações. Por isso talvez não seja totalmente claro que a Hillary fosse a escolha menos má. Prolongar o status quo por mais 4 anos com a eleição de uma pessoa ainda menos competente e mais corrupta do que aquilo que estamos habituados poderia provocar danos irreversíveis e legitimar ainda mais as razões que estão por trás do apoio crescente às personalidades e partidos de extrema direita. Por muito mau que possa parecer o Trump e se tenha em conta os apoios sinistros que tem recebido, sabemos que ele pôs expectativas desajustadas à realidade, e que o culto da personalidade rapidamente se vai esgotar quando não apresentar os resultados esperados e acabar por não cumprir uma boa parte das promessas que fez durante a campanha (já deu sinais disso). E no final do seu mandato não vai ser tarde demais para retomar o curso natural da democracia americana.

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Não sei se já foste aos Estado Unidos, mas lá tens emigrantes ilegais que já fazem a sua vida há anos e anos, e são habitantes americanos normais, só que sem papéis. Tenho o caso dos meus tios-avós que foram para lá depois do 25 de Abril, e só passada mais de uma década é que conseguiram os papéis. E entretanto trabalhavam, tinham uma casa, tinham filhos já nascidos lá, etc ;)

 

Who fucking cares? Força de deportação neles.... :|

 

Não sei se em menor ou maior número, mas cá em Portugal também há casos desses. É impressionante a facilidade com que se fala contra imigrantes ilegais. Para qualquer um de nós ir para um país onde não fazes ideia onde é que vais poder dormir à noite seria um pesadelo, mas quando falam deles parecem uns aproveitadores do pior.Ainda por cima nos EUA até acho que muitas vezes eles acabam a pagar impostos e não recebem nenhum dos benefícios...

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Classe, Stout, classe.

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