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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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a atração dos gunas pelo Chega devia ser caso de estudo

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Citação de antifa, há 15 minutos:

a atração dos gunas pelo Chega devia ser caso de estudo

Tenho o carro numa garagem do outro lado da rua de uma escola básica, quando nas sextas-feiras por volta das 13.30 vou à garagem para tirar o carro apanho a rush hour da miudagem a sair da escola e a quantidade de malta a passar discursos do Chega, tik toks do Chega ou músicas do Bolsonaro é assustadora 

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Citação de antifa, há 25 minutos:

a atração dos gunas pelo Chega devia ser caso de estudo

Acham cool

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eu pensava que essa miudagem à volta dele era mais por ser um "famoso", estivesse um castelo branco e o fascínio era o mesmo

Editado por Apocalypse Now

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Mas não é só putos, as badalhocas de pijama que param no café e os zés das apostas que vendem umas plaquitas de ganza também adoram e são os primeiros a dizer que os imigrantes têm de ir trabalhar. A piada faz-se sozinha. 

Editado por antifa
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Então o Srº Primeiro Ministro vai até ao TC para não divulgar a lista de clientes? Surreal. 

Está de caras que pode fazer com que o governo caia, embora o Seguro já o disse que não o faz. E então, fica de caras que o PPC está-se a fazer para ser indigitado PM. 

Quem diria....

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Citação de challenger, há 3 horas:

Futurália. Por isso é que tens aí em cima a foto do outro com miudagem.

Grandes filhos da p*ta hipócritas. E ainda se queixam da indoutrinação 

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Mais uma necessária reforma estrutural a caminho: Projeto do CDS sobre uso de bandeiras segue em frente no Parlamento, esquerda acusa centristas e Chega de “perseguição” da comunidade LGBT

Citação

O CDS considera que nos últimos anos assistimos a uma “descaracterização” que conduziu a “polémicas completamente desnecessárias”. Na perspetiva dos centristas, há bandeiras que têm lugar nos edifícios públicos - como a bandeira nacional, da União Europeia, das regiões e autarquias. Já as “bandeiras de movimentos ideológicos, partidárias, reivindicativas desta ou daquela casa, de associações privadas, clubes desportivos ou origem estrangeira se não for de acordo com as respectivas regras particulares” não devem ser hasteadas nestes espaços.

 

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Citação de kareca, há 7 horas:

Ao menos o zé tuga já foi atestar semana passada

E esta semana vai outra vez.

 

Citação de Lebohang, há 20 minutos:

Eles escreveram mesmo "desta ou daquela casa"?

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Citação de antifa, há 3 horas:

Mas não é só putos, as badalhocas de pijama que param no café e os zés das apostas que vendem umas plaquitas de ganza também adoram e são os primeiros a dizer que os imigrantes têm de ir trabalhar. A piada faz-se sozinha. 

Isto não é tudo malta que antes não iria votar? E não queria saber da politica para nada?

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Citação de aFilipe8, há 3 horas:

Então o Srº Primeiro Ministro vai até ao TC para não divulgar a lista de clientes? Surreal. 

Está de caras que pode fazer com que o governo caia, embora o Seguro já o disse que não o faz. E então, fica de caras que o PPC está-se a fazer para ser indigitado PM. 

Quem diria....

Já não sentia tanto entusiasmo para saber quem é quem desde o fim da novela do cadeirudo.

Editado por Mayday
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Citação de challenger, há 7 horas:

Futurália. Por isso é que tens aí em cima a foto do outro com miudagem.

Mais uma do Expresso

mw-1280

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Os putos são estúpidos.

Nós também o fomos, mas enquanto nós arricávamos a vida em andaimes de obras paradas, eles postam toda a m*rda na rede social para likes. O que importa é o engajamento. 

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Citação de antifa, há 9 horas:

Mas não é só putos, as badalhocas de pijama que param no café e os zés das apostas que vendem umas plaquitas de ganza também adoram e são os primeiros a dizer que os imigrantes têm de ir trabalhar. A piada faz-se sozinha. 

Estamos em 2026, isto já não é novidade, aconteceu nos Estados Unidos há 10 anos, as razões tão mais do que estudadas - dão uma narrativa àquelas pessoas que é mais fácil de entender, fazem-se sentir representados, dão-lhes uns culpados para a razão de estarem na m*rda e dão uma esperança de que tudo vai mudar se só votarem nestes gajos que falam diferente dos outros e mais parecido a como eles pensam (e das 350 coisas contraditórias que o Chega diz, basta pegarem no soundbite ou 2 que apela à pessoa em particular). Para além dos algoritmos nas redes sociais só lhes aparecerem lavagem de cérebro altamente direcionada.

Não sei como se sai daqui porque não vejo uma narrativa alternativa que cole, e não vejo força suficiente para reformar o espaço online e terminar com esta lavagem de cérebro. Acho que este ciclo só quebra quando os gajos chegarem ao poder (ou cá, ou lá fora em ainda mais países) e aconteça uma catástrofe qualquer que as pessoas associem à extrema-direita e tenham medo que volte a acontecer. Acho que nem a subida de 20, 30, 40, 50 cêntimos do gasóleo se as pessoas vão associar ao Trump, quanto mais ao facto do Trump ser extrema-direita e estes também serem.

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Citação de Mayday, há 15 horas:

Os putos são estúpidos.

Nós também o fomos, mas enquanto nós arricávamos a vida em andaimes de obras paradas, eles postam toda a m*rda na rede social para likes. O que importa é o engajamento. 

Pelo menos os que caiam deixavam de votar.

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Citação de challenger, há 16 horas:
Spoiler

Francisco trabalhou num clube de padel e vivia com relativo desafogo. Entre semanas tranquilas de aulas e períodos mais intensos, com torneios e jogos, no fim do mês levava para casa, em média, €2800 líquidos, mais do dobro do salário médio em Portugal. O recibo mensal dividia-se em três parcelas: salário mínimo, subsídio de alimentação e compensação por quilómetros com carro próprio. Deslocações em trabalho poucas fez, folhas de quilómetros nunca preencheu. Em média, 2/3 do salário durante praticamente dois anos foi “pago por fora”. Oficialmente é um trabalhador que ganha o salário mínimo.

Raquel é consultora de tecnologias de informação (TI) e, com mais de uma década de trabalho, já passou por algumas empresas. Num dos sítios, entre salário-base e subsídios de isenção de horário e de alimentação, levava oficialmente para casa €1300 líquidos. A isto acresciam entre €300 e €500 por mês de compensação por quilómetros com carro próprio. Tal como Francisco, nunca preencheu folhas de quilómetros, o valor “aparecia automaticamente no recibo”, conta. Cerca de 20% do seu salário era “pago por fora”. No emprego seguinte o pacote remuneratório foi mais elaborado.

Recebia o salário-base e todos os meses mais cerca de €900 à parte. No final do ano passou um ato único sobre a totalidade do extra que foi recebendo, como trabalhadora independente. Com uma avaliação do primeiro ano positiva, para a segurar na empresa — e para regularizar a situação — foi-lhe proposta a integração dos extras na remuneração, mas através de um cartão Coverflex. Recusou. “Não pago a renda com Coverflex.”

Propuseram-lhe então que criasse uma empresa em nome individual, onde receberia como prestação de serviços. Recusou e saiu: “Não estou a ganhar mais, mas estou numa situação de transparência.”

Maria trabalha há oito anos num restaurante. Tem contrato, em regra trabalha seis dias por semana, e oficialmente recebe o salário mínimo. Todos os meses leva para casa mais €300 ou €400, em numerário. Mais de 25% do seu salário é pago “por fora”. O empregador nunca falhou com os extras, mas, mãe de duas crianças, quando teve licença parental, viu-se aflita. “Na restauração é assim, o que é que posso fazer?” E, “se declarasse tudo, ficava com menos dinheiro”, e ele faz falta.

Já Carolina trabalha num grupo de comunicação social e todos os meses recebe uma parte em quilómetros. A percentagem do que é “pago por fora” é bem mais baixa do que os 63% de Francisco, os 20% de Raquel e os 25% de Maria, mas é igualmente regular, e um valor fixo. Seja através de quilómetros nunca feitos, ou da apresentação de faturas de restaurantes gastas a título pessoal, a prática está generalizada na empresa. O peso das falsas despesas já foi maior, mas “instituiu-se e foi ficando”. “É a forma de nos darem alguns aumentos, é uma prática que acaba por beneficiar todos”, reconhece.

Qual é a novidade?

Francisco, Raquel, Maria e Carolina são nomes fictícios de trabalhadores que falaram com o Expresso, mas os casos que nos relataram são reais.

Alguns podem chocar pela dimensão da ilegalidade, outros pelo tipo de esquemas usados, mas nenhum surpreende pelas práticas, que se multiplicam. “Os relatos não me surpreendem mesmo nada. Com os salários que se declaram, era impossível Portugal ter o parque automóvel que tem e as despesas de consumo que tem”. “O sistema está todo armadilhado”, e todos os atores colaboram, diz-nos Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia do Porto, e com um trabalho sobre economia paralela onde estima que, em Portugal, quase 35% do PIB não está registado.

Para quem acompanha a atividade inspetiva, também não há surpresas. “Os pagamentos extra a título de ajudas de custo, de quilómetros, e viaturas da empresa para uso pessoal estão generalizados, e não é só nas pequenas empresas. Também nas grandes”, diz Nuno Barroso, da Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT). “É rara uma inspeção a uma empresa em que não haja correções”, nota. Gonçalo Rodrigues, do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), subscreve: “São práticas reiteradas, que ocorrem em larga escala e há vários anos. As empresas sabem que não são apanhadas.”

Na Segurança Social a perspetiva é igual: “É um problema geral, e não envolve apenas os trabalhadores. Há membros de órgãos estatutários [gestores] que tiram milhares de euros assim”, aponta Paulo Reis, do Sindicato Nacional da Inspeção (SNISS).

No plano individual, e no curto prazo, este tipo de esquemas beneficiam tanto os empregadores como os funcionários. Mas em termos agregados e no médio e longo prazo fazem mossa. “Provocam concorrência desleal entre empresas cumpridoras e não cumpridoras”, “com menos receita o Estado cumpre pior as suas funções de eficiência e equidade”, e “distorce a justiça social”, enumera Óscar Afonso.

“Anda uma parte do país a pagar os impostos que outros não pagam”, simplifica Gonçalo Rodrigues, do STI. Além disso, estes fenómenos distorcem a realidade estatística, indicando salários médios mais baixos do que os que existem no país, e criam injustiças ao permitirem o acesso a apoios sociais a quem não é efetivamente elegível.

“Se alguma coisa corre mal, estamos lixados”

Em termos individuais, mais tarde ou mais cedo os impactos também se sentem. Raquel, que falou com o Expresso, percebeu cedo as implicações. “No início de carreira os mais jovens podem apreciar a informalidade, mas à medida que os anos passam, a perspetiva altera-se. Quando fui de baixa, ‘fiquei apertada’. Se alguma coisa corre mal, estamos lixados”, disse-nos. Maria também, quando engravidou das duas filhas e recebeu o subsídio parental pelo salário mínimo. E durante a pandemia, trabalhadores de vários sectores, como o da aviação, onde as ajudas de custo são boa parte do salário (ver texto complementar), também o sentiram.

Situações de desemprego e a chegada à idade da reforma, onde as pensões se revelam inferiores à expectativa, são outros momentos em que este impacto se torna mais visível.

Melhor é impossível?

Desde logo, reforçando a fiscalização, que é insuficiente, diz Gonçalo Rodrigues. “A Autoridade Tributária (AT), que devia ser o garante da justiça social, não fiscaliza o que deve, não inspeciona o que poderia, e não vai buscar à economia paralela o que devia.” O presidente do STI diz que “há grande falta de proatividade da AT”. Mais: com o excesso de centralização, “a AT transformou-nos em burros com palas, metem-nos um fardo de palha à frente e temos de comê-lo, quando há um campo verdejante ao lado”, diz, numa alusão ao facto de os problemas estarem à vista de todos, mas de não haver vontade política de os atacar.

Nuno Barroso, da APIT, concorda. “Que eu saiba, não há alertas automáticos”, que comparem regularmente o peso das ajudas de custo na remuneração total. As deteções, na sua maioria, resultam de atos inspetivos, e para esses é preciso ter gente no terreno, que escasseia. Além de proatividade e planos bem definidos, há também alterações legislativas a promover.

Na Segurança Social a inspeção até é proativa, garante Paulo Reis, mas esbarra na escassez de informação e nos tribunais. Ao contrário da AT, que na declaração mensal de remunerações (DMR) recebe informação sobre os salários sujeitos e isentos de impostos, a Segurança Social só tem informação sobre as remunerações sujeitas. Querendo informação, tem de pedi-la ao Fisco e cruzá-la com dados próprios. DMR única não há, apesar de ser falada há anos, cruzamento automático de informação com o Fisco também não: “Existe troca de informação mediante protocolo, mas não é imediata.”

Para Paulo Reis, “é preciso maior aproximação de bases contributivas entre Segurança Social e Fisco. Não faz sentido de outra forma”. Depois, é preciso mexer no sigilo fiscal e bancário: “temos de aprender com os nórdicos em matéria de transparência”.

Depois ainda, é preciso alterar a legislação das ajudas de custo. “Os tribunais têm sido muito facilitadores da situação. Há juízes para quem nem a falta de mapas de quilómetros constitui prova bastante. Assim é difícil. É preciso alterar a legislação.” Gonçalo Rodrigues propõe que as empresas sejam obrigadas a enviar o SAF-T completo ao Fisco (ficheiro com informação contabilística), uma iniciativa que já esteve em cima da mesa, mas recuou, face ao protesto dos contabilistas. Óscar Afonso deixa ainda uma sugestão mais geral: “A elevada carga fiscal é um incentivo à economia não declarada. Se houvesse uma reforma do Estado, em que se baixasse a despesa pública, os impostos poderiam ser aliviados.”

O Ministério das Finanças e o Ministério da Segurança Social não responderam às questões do Expresso a tempo do fecho da edição semanal, onde este trabalho se insere.

Entretanto, o Ministério das Finanças garantiu, genericamente, que “o controlo de remunerações não declaradas é uma área que merece particular relevo no âmbito dos controlos inspetivos”, assegurando que “esta é uma das áreas que será alvo de atenção no plano de combate à fraude e evasão fiscal que está a ser preparado pelo Governo”.

Já o Ministério da Segurança Social, garante que o Instituto da Segurança Social, através das suas unidades de fiscalização, tem realizado numerosas ações de fiscalização (proativas e reativas) com o objetivo de verificar o pagamento regular de ajudas de custo e de pagamento ao quilómetros".

Detalha ainda que “está em curso uma ação nacional dedicada à Inadequação de vínculo contratual durante o primeiro trimestre de 2026". Esta iniciativa “visa verificar a regularidade dos vínculos contratuais estabelecidos relativamente a falsas prestações de serviço e todas as formas de trabalho não declarado, ou subdeclarado, incluindo falsos estágios e falso voluntariado, mesmo nos casos em que o prestador de serviço atue como empresário em nome individual ou através de sociedade unipessoal. Bem como a inadequação de vínculo a termo resolutivo e no âmbito do trabalho temporário”.

    “Os jovens apreciam a informalidade mas com os anos a perspetiva altera-se. Quando fui de baixa, ‘fiquei apertada’”

Raquel

    “Só com os salários que se declaram, seria impossível Portugal ter o parque automóvel e o consumo que tem”

Óscar Afonso

    “Na restauração é assim, o que é que posso fazer? E se declarasse tudo, ficava com menos dinheiro”

Maria

    “Anda uma parte do país a pagar os impostos que outros não pagam, a AT é responsável por esta injustiça social”

Gonçalo Rodrigues

    “Os tribunais têm facilitado. Há juízes para quem nem a falta de mapas de quilómetros constitui prova bastante”

Paulo Reis

    “Falsas ajudas de custo estão generalizadas. E não é só nas PME. Nas grandes empresas também existem”

Nuno Barroso

Divulgar impacto dos extras na pensão

O impacto de ajudas de custo e complementos salariais foi analisado no último “Livro Verde sobre a Sustentabilidade da Segurança Social”. Os peritos alertam para o facto de os complementos terem crescido muito nos últimos anos, nuns casos como formas disfarçadas de remuneração, noutros apenas aproveitando as regras legais, com “consequências na proteção social dos trabalhadores”. Diz-se também que, tal como estão, as regras impedem que se perceba os salários reais. Entre as propostas constam a fusão da declaração mensal de remunerações (DMR) entre Fisco e Segurança Social, que tem muito menos dados; que os rendimentos sujeitos a IRS e a Segurança Social sejam harmonizados; e que os cidadãos sejam informados sobre quanto perdem na pensão por receberem extras. EM

 

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Citação de rcoelho14, há 6 minutos:
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Francisco trabalhou num clube de padel e vivia com relativo desafogo. Entre semanas tranquilas de aulas e períodos mais intensos, com torneios e jogos, no fim do mês levava para casa, em média, €2800 líquidos, mais do dobro do salário médio em Portugal. O recibo mensal dividia-se em três parcelas: salário mínimo, subsídio de alimentação e compensação por quilómetros com carro próprio. Deslocações em trabalho poucas fez, folhas de quilómetros nunca preencheu. Em média, 2/3 do salário durante praticamente dois anos foi “pago por fora”. Oficialmente é um trabalhador que ganha o salário mínimo.

Raquel é consultora de tecnologias de informação (TI) e, com mais de uma década de trabalho, já passou por algumas empresas. Num dos sítios, entre salário-base e subsídios de isenção de horário e de alimentação, levava oficialmente para casa €1300 líquidos. A isto acresciam entre €300 e €500 por mês de compensação por quilómetros com carro próprio. Tal como Francisco, nunca preencheu folhas de quilómetros, o valor “aparecia automaticamente no recibo”, conta. Cerca de 20% do seu salário era “pago por fora”. No emprego seguinte o pacote remuneratório foi mais elaborado.

Recebia o salário-base e todos os meses mais cerca de €900 à parte. No final do ano passou um ato único sobre a totalidade do extra que foi recebendo, como trabalhadora independente. Com uma avaliação do primeiro ano positiva, para a segurar na empresa — e para regularizar a situação — foi-lhe proposta a integração dos extras na remuneração, mas através de um cartão Coverflex. Recusou. “Não pago a renda com Coverflex.”

Propuseram-lhe então que criasse uma empresa em nome individual, onde receberia como prestação de serviços. Recusou e saiu: “Não estou a ganhar mais, mas estou numa situação de transparência.”

Maria trabalha há oito anos num restaurante. Tem contrato, em regra trabalha seis dias por semana, e oficialmente recebe o salário mínimo. Todos os meses leva para casa mais €300 ou €400, em numerário. Mais de 25% do seu salário é pago “por fora”. O empregador nunca falhou com os extras, mas, mãe de duas crianças, quando teve licença parental, viu-se aflita. “Na restauração é assim, o que é que posso fazer?” E, “se declarasse tudo, ficava com menos dinheiro”, e ele faz falta.

Já Carolina trabalha num grupo de comunicação social e todos os meses recebe uma parte em quilómetros. A percentagem do que é “pago por fora” é bem mais baixa do que os 63% de Francisco, os 20% de Raquel e os 25% de Maria, mas é igualmente regular, e um valor fixo. Seja através de quilómetros nunca feitos, ou da apresentação de faturas de restaurantes gastas a título pessoal, a prática está generalizada na empresa. O peso das falsas despesas já foi maior, mas “instituiu-se e foi ficando”. “É a forma de nos darem alguns aumentos, é uma prática que acaba por beneficiar todos”, reconhece.

Qual é a novidade?

Francisco, Raquel, Maria e Carolina são nomes fictícios de trabalhadores que falaram com o Expresso, mas os casos que nos relataram são reais.

Alguns podem chocar pela dimensão da ilegalidade, outros pelo tipo de esquemas usados, mas nenhum surpreende pelas práticas, que se multiplicam. “Os relatos não me surpreendem mesmo nada. Com os salários que se declaram, era impossível Portugal ter o parque automóvel que tem e as despesas de consumo que tem”. “O sistema está todo armadilhado”, e todos os atores colaboram, diz-nos Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia do Porto, e com um trabalho sobre economia paralela onde estima que, em Portugal, quase 35% do PIB não está registado.

Para quem acompanha a atividade inspetiva, também não há surpresas. “Os pagamentos extra a título de ajudas de custo, de quilómetros, e viaturas da empresa para uso pessoal estão generalizados, e não é só nas pequenas empresas. Também nas grandes”, diz Nuno Barroso, da Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT). “É rara uma inspeção a uma empresa em que não haja correções”, nota. Gonçalo Rodrigues, do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), subscreve: “São práticas reiteradas, que ocorrem em larga escala e há vários anos. As empresas sabem que não são apanhadas.”

Na Segurança Social a perspetiva é igual: “É um problema geral, e não envolve apenas os trabalhadores. Há membros de órgãos estatutários [gestores] que tiram milhares de euros assim”, aponta Paulo Reis, do Sindicato Nacional da Inspeção (SNISS).

No plano individual, e no curto prazo, este tipo de esquemas beneficiam tanto os empregadores como os funcionários. Mas em termos agregados e no médio e longo prazo fazem mossa. “Provocam concorrência desleal entre empresas cumpridoras e não cumpridoras”, “com menos receita o Estado cumpre pior as suas funções de eficiência e equidade”, e “distorce a justiça social”, enumera Óscar Afonso.

“Anda uma parte do país a pagar os impostos que outros não pagam”, simplifica Gonçalo Rodrigues, do STI. Além disso, estes fenómenos distorcem a realidade estatística, indicando salários médios mais baixos do que os que existem no país, e criam injustiças ao permitirem o acesso a apoios sociais a quem não é efetivamente elegível.

“Se alguma coisa corre mal, estamos lixados”

Em termos individuais, mais tarde ou mais cedo os impactos também se sentem. Raquel, que falou com o Expresso, percebeu cedo as implicações. “No início de carreira os mais jovens podem apreciar a informalidade, mas à medida que os anos passam, a perspetiva altera-se. Quando fui de baixa, ‘fiquei apertada’. Se alguma coisa corre mal, estamos lixados”, disse-nos. Maria também, quando engravidou das duas filhas e recebeu o subsídio parental pelo salário mínimo. E durante a pandemia, trabalhadores de vários sectores, como o da aviação, onde as ajudas de custo são boa parte do salário (ver texto complementar), também o sentiram.

Situações de desemprego e a chegada à idade da reforma, onde as pensões se revelam inferiores à expectativa, são outros momentos em que este impacto se torna mais visível.

Melhor é impossível?

Desde logo, reforçando a fiscalização, que é insuficiente, diz Gonçalo Rodrigues. “A Autoridade Tributária (AT), que devia ser o garante da justiça social, não fiscaliza o que deve, não inspeciona o que poderia, e não vai buscar à economia paralela o que devia.” O presidente do STI diz que “há grande falta de proatividade da AT”. Mais: com o excesso de centralização, “a AT transformou-nos em burros com palas, metem-nos um fardo de palha à frente e temos de comê-lo, quando há um campo verdejante ao lado”, diz, numa alusão ao facto de os problemas estarem à vista de todos, mas de não haver vontade política de os atacar.

Nuno Barroso, da APIT, concorda. “Que eu saiba, não há alertas automáticos”, que comparem regularmente o peso das ajudas de custo na remuneração total. As deteções, na sua maioria, resultam de atos inspetivos, e para esses é preciso ter gente no terreno, que escasseia. Além de proatividade e planos bem definidos, há também alterações legislativas a promover.

Na Segurança Social a inspeção até é proativa, garante Paulo Reis, mas esbarra na escassez de informação e nos tribunais. Ao contrário da AT, que na declaração mensal de remunerações (DMR) recebe informação sobre os salários sujeitos e isentos de impostos, a Segurança Social só tem informação sobre as remunerações sujeitas. Querendo informação, tem de pedi-la ao Fisco e cruzá-la com dados próprios. DMR única não há, apesar de ser falada há anos, cruzamento automático de informação com o Fisco também não: “Existe troca de informação mediante protocolo, mas não é imediata.”

Para Paulo Reis, “é preciso maior aproximação de bases contributivas entre Segurança Social e Fisco. Não faz sentido de outra forma”. Depois, é preciso mexer no sigilo fiscal e bancário: “temos de aprender com os nórdicos em matéria de transparência”.

Depois ainda, é preciso alterar a legislação das ajudas de custo. “Os tribunais têm sido muito facilitadores da situação. Há juízes para quem nem a falta de mapas de quilómetros constitui prova bastante. Assim é difícil. É preciso alterar a legislação.” Gonçalo Rodrigues propõe que as empresas sejam obrigadas a enviar o SAF-T completo ao Fisco (ficheiro com informação contabilística), uma iniciativa que já esteve em cima da mesa, mas recuou, face ao protesto dos contabilistas. Óscar Afonso deixa ainda uma sugestão mais geral: “A elevada carga fiscal é um incentivo à economia não declarada. Se houvesse uma reforma do Estado, em que se baixasse a despesa pública, os impostos poderiam ser aliviados.”

O Ministério das Finanças e o Ministério da Segurança Social não responderam às questões do Expresso a tempo do fecho da edição semanal, onde este trabalho se insere.

Entretanto, o Ministério das Finanças garantiu, genericamente, que “o controlo de remunerações não declaradas é uma área que merece particular relevo no âmbito dos controlos inspetivos”, assegurando que “esta é uma das áreas que será alvo de atenção no plano de combate à fraude e evasão fiscal que está a ser preparado pelo Governo”.

Já o Ministério da Segurança Social, garante que o Instituto da Segurança Social, através das suas unidades de fiscalização, tem realizado numerosas ações de fiscalização (proativas e reativas) com o objetivo de verificar o pagamento regular de ajudas de custo e de pagamento ao quilómetros".

Detalha ainda que “está em curso uma ação nacional dedicada à Inadequação de vínculo contratual durante o primeiro trimestre de 2026". Esta iniciativa “visa verificar a regularidade dos vínculos contratuais estabelecidos relativamente a falsas prestações de serviço e todas as formas de trabalho não declarado, ou subdeclarado, incluindo falsos estágios e falso voluntariado, mesmo nos casos em que o prestador de serviço atue como empresário em nome individual ou através de sociedade unipessoal. Bem como a inadequação de vínculo a termo resolutivo e no âmbito do trabalho temporário”.

    “Os jovens apreciam a informalidade mas com os anos a perspetiva altera-se. Quando fui de baixa, ‘fiquei apertada’”

Raquel

    “Só com os salários que se declaram, seria impossível Portugal ter o parque automóvel e o consumo que tem”

Óscar Afonso

    “Na restauração é assim, o que é que posso fazer? E se declarasse tudo, ficava com menos dinheiro”

Maria

    “Anda uma parte do país a pagar os impostos que outros não pagam, a AT é responsável por esta injustiça social”

Gonçalo Rodrigues

    “Os tribunais têm facilitado. Há juízes para quem nem a falta de mapas de quilómetros constitui prova bastante”

Paulo Reis

    “Falsas ajudas de custo estão generalizadas. E não é só nas PME. Nas grandes empresas também existem”

Nuno Barroso

Divulgar impacto dos extras na pensão

O impacto de ajudas de custo e complementos salariais foi analisado no último “Livro Verde sobre a Sustentabilidade da Segurança Social”. Os peritos alertam para o facto de os complementos terem crescido muito nos últimos anos, nuns casos como formas disfarçadas de remuneração, noutros apenas aproveitando as regras legais, com “consequências na proteção social dos trabalhadores”. Diz-se também que, tal como estão, as regras impedem que se perceba os salários reais. Entre as propostas constam a fusão da declaração mensal de remunerações (DMR) entre Fisco e Segurança Social, que tem muito menos dados; que os rendimentos sujeitos a IRS e a Segurança Social sejam harmonizados; e que os cidadãos sejam informados sobre quanto perdem na pensão por receberem extras. EM

 

Um dos maiores cancros deste país.

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Citação de Lebohang, há 19 horas:

A sobre a propaganda eleitoral que fica nas ruas por meses após as eleições? Não é importante, mas mete nojo.

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Citação de challenger, há 22 minutos:

Um dos maiores cancros deste país.

eu sei que é moda dizer "neste país" mas acredita que não só não é exclusivo a Portugal, como nem sequer chega aos calcanhares do que se faz noutros países, tanto os que têm economias fortes como os mais pobres. O mundo é assim.

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Já falaram sobre isso, mas li o livro “Por dentro do Chega” do Miguel Carvalho e recomendo. O único aspeto negativo, para mim, prende-se com a estrutura do livro. O autor menciona imensa gente e torna-se difícil de interligar tudo. 

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Citação de John Bonifácio, há 21 horas:

A sobre a propaganda eleitoral que fica nas ruas por meses após as eleições? Não é importante, mas mete nojo.

Isto! Estou farto de abrir a janela de manhã e ver a cara da Catarina Martins. E já foi pior porque até há pouco tempo via tb a do Almirante.

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Então o Montenegro usou os serviços jurídicos do Estado para se defender num caso estritamente pessoal? 

Ainda mais fascinante esta notícia - uma fragilidade, pelo menos ética, tão clamorosa - ser notícia de rodapé.

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Citação de aFilipe8, Em 13/03/2026 at 17:54:

Então o Srº Primeiro Ministro vai até ao TC para não divulgar a lista de clientes? Surreal. 

Está de caras que pode fazer com que o governo caia, embora o Seguro já o disse que não o faz. E então, fica de caras que o PPC está-se a fazer para ser indigitado PM. 

Quem diria....

Não acho remotamente possível o AJS indigitar o PPC.

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