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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Descartes, há 13 horas:

Vou contar-vos uma história para refletirem. Há cerca de 50 anos, pouco depois do 25 de abril, começaram a aparecer os super-mercados. Ainda não se sonhava com hiper-mercados ou centros comerciais. Não havia Continentes nem Pingos Doces. Existia nessa altura uma prática curiosa. Que se denominava, coloquialmente, de "depósito". Em que consistia? Num método simples. As pessoas iam ao Super-Mercado onde existia uma área identificada como "DEPÓSITO" e entregavam garrafas vazias. Pela quantidade de garrafas entregues recebiam um talão de desconto que abatia no valor das compras que iam fazer. Era uma coisa engraçada. E ainda não se falava de ambiente, de alterações climáticas, de aquecimento global, de reciclagens e tudo isso... Mas funcionava. Porque é que deixou, em poucos anos, de se praticar? Simples. Porque entraram no mercado os grandes operadores cujo foco se dirigiu para matérias de rentabilidade, de maximização do lucro e de contenção de despesas. Demorámos décadas e várias experiências falhadas até regressarmos a um conceito parecido. Só que mais complexo e menos amigável.

essa é talvez das coisas mais chatas para alguém como eu que trabalha dentro do mundo da economia circular. Esta cena do Volta não só não é nova na Europa como era como se faziam as coisas há 50 anos. Simplesmente leva um branding e algum melhoramento tecnológico para captar investidores e clientes porque se tem ar ou metodologia antiga, não é sexy... e again, isto não é a solução ideal, a solução ideal é substituir esses materiais por materiais que degradam mais rápido que não contaminem a natureza + restrições à produção e aplicação de materiais nocivos. Só que neste mundo, isto é o melhor que se consegue até agora.

Existe uma legislativa europeia lançada o ano passado creio (PPWR) que vai forçar upstream a alterações, porque não só implica o design para reciclagem do que entrar na UE até um certo ponto, mas mais importante (porque a reciclagem não é uma solução por si, é o menos mau, portanto não é uma solução que altere o sistema) pode criar vantagens competitivas a quem produzir com materiais não necessários de reciclar, porque essa legislação não interessa para eles.

Sendo realista, acho que é idealista porque no final de contas isto está muito influenciado pelo lobby de combustíveis fosseis, que são os produtores de plástico, portanto há questões de dependência para se ter sucesso (first things first, resolver os subsídios de produção de combustíveis fósseis), mas existem medidas como o Volta que são acima de tudo uma questão comportamental que tem de ser reintroduzida na sociedade, porque uma grande parte disto não é reciclar, é criar incentivos para recusar certos materiais na sociedade e acelerar mudanças de hábitos de consumo. Não se vai ter uma solução perfeita mas como se disse, Portugal tem a vantagem de não ser o primeiro a realizar isto, a implementação já tem os erros corrigidos de casos do Norte da Europa. A fornecedora da maquinaria é uma empresa séria com experiência vasta na Europa (TOMRA, norueguesa) e podem trazer muito boas lições aos recicladores e coletores de lixo portugueses sobre este processo porque são das empresas mais bem sucedidas na Europa no sector.

Posso-vos dizer que a nível de como se lida com resíduos Portugal está a precisar de um choque, principalmente a nível legislativo e executivo, e isto é um bom projecto para se acelerar as coisas.

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Citação de Simeone, há 29 minutos:

Carlos Brito defendia algo parecido aos termos da Geringonça, um abandono da posição praticamente isolacionista do PCP e plataformas de entendimento entre PCP e restantes partidos de esquerda e PS.

Basta ver a forma como hoje em dia o PCP olha para o legado da Geringonça e até alguns comentários no Reddit de malta do r\EsquerdasPortugal para se perceber que há ali muita frieza nas reações à sua morte por causa da experiência.

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Citação de Lebohang, há 3 minutos:

Carlos Brito defendia algo parecido aos termos da Geringonça, um abandono da posição praticamente isolacionista do PCP e plataformas de entendimento entre PCP e restantes partidos de esquerda e PS.

Basta ver a forma como hoje em dia o PCP olha para o legado da Geringonça e até alguns comentários no Reddit de malta do r\EsquerdasPortugal para se perceber que há ali muita frieza nas reações à sua morte por causa da experiência.

Só para complementar. O Carlos Brito e mais dois militantes do PCP, no início do século propuseram uma mudança política do PCP, a que referes. Eram os renovadores comunistas. O PCP resolveu o assunto à PCP, expulsou os outros dois e não fez o mesmo ao Carlos Brito devido à importância deste no partido, não houve coragem para o correr.

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Publicado (editado)

O Carlos Bruto queria anular a natureza e o funcionamento interno do PCP, que é o que o distingue de todos os outros partidos. Entre outras coisas, queria abraçar o eurocomunismo, que teve o resultado que teve nos partidos comunistas que o abraçaram, e queria a diluição do PCP noutras plataformas de esquerda, como a que há em Espanha, com o resultado que tambem está à vista para os comunistas espanhóis.

Não era algo idêntico à "geringonça" que ele queria. 

Edit: e já agora, o Carlos Brito não foi expulso do partido porque ao contrário do que se pensa, não é assim tão simples haver uma expulsão no PCP. Não tem a ver com coragem ou falta dela. Nem vontade ou falta dela também. 

Editado por dpitz

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Citação de dpitz, há 1 hora:

Entre outras coisas, queria abraçar o eurocomunismo, que teve o resultado que teve nos partidos comunistas que o abraçaram,

Segundo lugar nas Legislativas de forma quase consistente do PCI sob a liderança do Berlinguer na Itália nos anos 70 e 80?

Nunca saberemos o que o EuroComunismo daria se as Brigadas Vermelhas não tivessem raptado e morto o Aldo Moro e colocado um ponto final no Compromisso Histórico, muito honestamente.

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Citação de Lebohang, há 10 minutos:

Segundo lugar nas Legislativas de forma quase consistente do PCI sob a liderança do Berlinguer na Itália nos anos 70 e 80?

Nunca saberemos o que o EuroComunismo daria se as Brigadas Vermelhas não tivessem raptado e morto o Aldo Moro e colocado um ponto final no Compromisso Histórico, muito honestamente.

E o que aconteceu ao PCI? Perdeu a identidade, perdeu a ligação aos bairros e as fábricas e ironicamente com o fim da URSS (de que tanto se quis afastar), diluiu-se e foi ao fundo...

Recentemente lá perceberam os erros e abandonaram essas teses e estão a voltar a recuperar a identidade operária é marxista leninista 

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Citação de dpitz, há 20 horas:

O Carlos Bruto queria anular a natureza e o funcionamento interno do PCP, que é o que o distingue de todos os outros partidos. Entre outras coisas, queria abraçar o eurocomunismo, que teve o resultado que teve nos partidos comunistas que o abraçaram, e queria a diluição do PCP noutras plataformas de esquerda, como a que há em Espanha, com o resultado que tambem está à vista para os comunistas espanhóis.

Não era algo idêntico à "geringonça" que ele queria. 

Edit: e já agora, o Carlos Brito não foi expulso do partido porque ao contrário do que se pensa, não é assim tão simples haver uma expulsão no PCP. Não tem a ver com coragem ou falta dela. Nem vontade ou falta dela também. 

Por outro lado, em Portugal o caminho escolhido deu um resultadão.

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RTP cortou comentário crítico do Governo de peça sobre inflação. Direção e jornalista contradizem-se

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“Os que estão no Governo, é tudo para o saco deles e os pobres cada vez mais pobres!”, exclamava uma idosa. O desabafo feito no Mercado de Benfica, em Lisboa, juntou-se a outros de outros populares que foram questionados por uma jornalista da RTP no âmbito de uma peça sobre o aumento do custo de vida. O excerto de vox-pop apareceu já no final de uma peça sobre inflação, que foi transmitida no final de abril no “Telejornal” na RTP. Mas causou controvérsia.

Resultado? Pouco depois, a mesma peça foi transmitida na RTP Notícias, mas já sem as palavras críticas dessa idosa ao Governo. O Conselho de Redação resolveu então pedir esclarecimentos à autora da peça, a jornalista Soraia Ramos, e ao diretor de informação da estação pública, Vítor Gonçalves, que apresentaram versões contraditórias. Os membros eleitos do órgão retomarão assim o tema na próxima reunião de Conselho de Redação da RTP.

“Quais foram os motivos da alteração da reportagem sobre a inflação que passou no telejornal dia 30 de abril? Sabemos que foi cortada na parte final quando uma idosa opinou sobre o aumento de custo de vida. Quem efetuou esse corte? Quem ordenou esse corte? Tiveste conhecimento prévio?”, questionou o órgão representativo dos jornalistas, segundo um comunicado a que o Expresso teve acesso.

A direção de informação da RTP argumentou que a afirmação em causa — “é tudo para o saco deles”, visando de forma geral os políticos — “não acrescentava informação relevante ao tema tratado, não tinha relação direta com as causas identificadas para o fenómeno em análise e, sobretudo, lançava um anátema indiscriminado sobre a classe política” e poderia “amplificar uma visão populista” e “desinformada”, sem “qualquer enquadramento factual” que a justificasse.

E garantiu que a decisão de retirar esse excerto foi tomada “após a jornalista responsável pela peça ter sido informada”, assim como a sua editora e a coordenadora do jornal onde a reportagem foi transmitida no “Telejornal”.

Informação que foi contrariada pela repórter, Soraia Ramos, que garantiu não saber quem cortou a peça, nem deu a indicação nesse sentido: “Só soube desse corte mais de 24h depois, quando vi o que foi para o ar cortado, porque me chamaram a atenção para isso”, afirmou a jornalista, acrescentando que logo a seguir à transmissão da peça recebeu um telefonema da subdiretora, Luísa Bastos, e uma mensagem do diretor de informação, Vítor Gonçalves, criticando a inclusão daquele depoimento da popular.

Este é mais um caso recente que levou à tomada de posição do Conselho de Redação da RTP. Ainda esta semana, os conselhos de redação da TV e Rádio da RTP alertaram na Assembleia da República para a mudança de imagem e aquilo que consideram corresponder à ‘perda de identidade’ das suas marcas.

 

E esta que passou ao lado há uns dias:

RTP deu prejuízo em 2025, após 15 anos de resultados líquidos positivos

Spoiler

"Infelizmente, depois de 15 anos a anunciar resultados positivos, a RTP vai registar em 2025 um prejuízo de 3,9 milhões de euros", afirma o Conselho de Administração em mensagem no relatório e contas com o título "Um ano de grandes mudanças". O documento foi conhecido esta quarta-feira.

Segundo a administração liderada por Nicolau Santos, os prejuízos registados no ano passado decorrem de dois vetores: “receitas trancadas desde 2016 e o aumento geral de todo o tipo de encargos nesse período, num contexto em que a sustentabilidade financeira é condição para assegurar a missão de serviço público.”

Se durante "vários anos a inflação muito baixa permitiu acomodar estas duas tendências, a subida acentuada dos encargos nos últimos três anos, devido ao aumento dos preços, conduziu inevitavelmente a que as contas entrassem no vermelho, apesar de a empresa ter feito um enorme esforço de contenção e de ter beneficiado, em particular, com o facto de ter reduzido fortemente a sua estrutura".

A 6 de janeiro, a administradora financeira da RTP, Sónia Alegre, já tinha avançado que o grupo estimava terminar o ano de 2025 com 3,9 milhões de euros negativos, projetando que em 2026 o resultado seja melhor, mas que se agrave em 2027. Em 2024, a RTP tinha registado um lucro de 341 mil euros.

Entretanto, a Contribuição para o Audiovisual (CAV) totalizou 195,7 milhões de euros em 2025, um aumento homólogo de 1,2%. "Esta evolução é estritamente justificada pelo incremento orgânico do número de subscritores (base de incidência da contribuição)", lê-se no documento. O pagamento da CAV vem na fatura da eletricidade.

Em 2025, o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) caiu 42,3% face ao ano anterior para 7,35 milhões de euros. Refira-se que o critério de apuramento do EBITDA da RTP em 2025 foi "objeto de revisão face à metodologia aplicada em 2024", segundo a empresa.

 

RTP entre líderes

 

A RTP foi também foco de atenção por ter sido marcada para 8 de maio a eleição dos membros no Conselho de Opinião da emissora. O ato eleitoral tinha sido adiado por dúvidas se os candidatos propostos pelo Chega respeitavam o Estatuto dos Deputados.

A Comissão Parlamentar de Transparência concluiu, por unanimidade, que os três candidatos propostos pelo Chega, todos eles deputados (Patrícia Carvalho, Bernardo Pessanha e Jorge Galveias), podiam fazer parte desse órgão sem que tal constituísse uma violação do Estatuto dos Deputados.

Ao contrário do Conselho de Opinião da RTP, na reunião de hoje da conferência de líderes não ficaram ainda marcadas as eleições para os juízes em falta no Tribunal Constitucional, nem a segunda tentativa de eleição do provedor de Justiça. A próxima conferência de líderes está prevista apenas para 29 de maio, o que indicia que a eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional e para o Provedor de Justiça pode passar para junho.

 

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A pedido do PCP, sobre a gratidão a Carlos Brito

A pedido do PCP, sobre a gratidão a Carlos Brito

Com meio século de militância, oito anos de prisões, tortura, clandestinidade, e quinze de liderança parlamentar, a morte do antigo braço direito de Cunhal mereceu uma nota do PCP com uma única frase e um título a deixar claro que só o fazia a pedido da imprensa. Carlos Brito deixou de ser do PCP, mas não abandonou os seus valores. Para quem sai, uma eterna ingratidão. Mas se a dissidência é sempre traição, a militância nunca levará a um lugar de liberdade, autodeterminação e realização pessoal

Luiz Pacheco disse, em várias entrevistas, que decidiu militar no PCP quando assistiu ao funeral de Ary dos Santos. Sentiu inveja daquela fraternidade, daquele espírito de camaradagem. Claro que não teve direito ao mesmo. Não basta ter cartão para ser da tribo.

Posso quase dizer que nasci no PCP. Quase toda a minha família era militante muito ativa e entrei com 12 ou 13 anos para a JCP, num tempo ainda marcado pela politização pós-revolucionária. Escrevi sobre essa relação emocional forte — que perdura nas minhas paixões e irritações até hoje — no texto “Sarja e Liberdade”. Sei do conforto e do desconforto dessa camaradagem. Das alegrias, da força que dá e do preço que se paga pela sua pesada carga emocional. Quanto mais o coletivo nos reforça, mais exige de nós. É natural. Por isso, é saudável deitar alguma água fria na paixão, para que o indivíduo não sucumba ao coletivo — da mesma forma que precisamos de gelo no individualismo que nos torna egoístas sem sentido de pertença e de dever.

Saí jovem, perto dos 20 anos, do Partido Comunista. Por razões políticas (crescente distância do modelo soviético e perceção dos bloqueios internos à democracia) e, sem ressentimento, por uma coisa mais profunda, que chocava com a minha personalidade em formação: a relação passional com a dissidência. Para quem está dentro, toda a camaradagem. Para quem abandona — sempre por fraqueza, ganância, falta de princípios, cobardia —, o desprezo que se dedica à traição. Uma eterna ingratidão. O partido nada deve; tudo lhe é devido. Não estou obviamente a falar de mim, que recebi um sentido de disciplina sem ter de empenhar mais do que o sobejo tempo que a juventude me dava. Estou a falar do que fui vendo à minha volta, com pessoas com toda a vida entregue à causa e ao partido.

Aos 17 anos, Carlos Brito aderiu ao MUD Juvenil e, poucos anos depois, estava nas fileiras do PCP. Aos 20, foi preso pela PIDE pela primeira vez. Voltaria a sê-lo mais duas vezes, cumprindo um total de oito anos de prisão. Foi submetido à tortura do sono, ao isolamento e a espancamentos. Fugiu do Aljube em 1957, esgueirando-se por um algeroz e correndo pelos telhados de Lisboa. Em 1966, assumiu, na clandestinidade, a responsabilidade por diversas ações de propaganda contra o regime. Em 1967, chegou à direção do partido e teve um papel central na mobilização do PCP para o 25 de Abril. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e exerceu o mandato de deputado de 1976 a 1991, sendo líder parlamentar durante 15 anos. Foi candidato presidencial em 1980 (preparando a desistência para Ramalho Eanes) e assumiu a direção do “Avante!” de 1992 a 1998. Depois de claras divergências, foi suspenso do partido em 2002. Nunca mais voltou.

Quem queira saber o lugar central que ocupou pode ler Álvaro Cunhal — Sete Fôlegos de um Combatente escrito por Carlos Brito. Não serve vinganças nem reescritas da história. Não é um arrependimento, nem uma estátua ao líder. É lúcido e rigoroso. Muito útil para perceber uma parte da nossa história e a centralidade de Carlos Brito no quase meio século em que militou no PCP. Não teve o destaque de outros ex-comunistas porque não dava à direita o pré-fabricado primário que ela desejava.

No dia da sua morte, o PCP enviou uma nota às redações cujo título já diz tudo: “A pedido de vários Órgãos de Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito.” Em letras grandes, de uma forma pueril, deixa-se claro: sem o pedido da imprensa, o silêncio seria a opção. Depois, uma única frase para resumir meio século de militância e pesadas responsabilidades: “Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar."

Um homem que passou oito anos nas prisões do regime, que fugiu do Aljube pelos telhados, que liderou a organização clandestina do PCP em Lisboa no próprio dia 25 de Abril, que foi braço direito de Cunhal durante décadas, que presidiu à bancada parlamentar durante quinze anos e que escreveu sobre o líder histórico com uma seriedade e uma isenção raras merece uma frase com o aviso prévio de que vem a pedido. Quem a terá escrito não sacrificou um décimo do que Carlos Brito sacrificou. E não honra a história do PCP, que também se faz dos que saíram.

Depois de deixar de ser militante, Brito não abandonou os seus valores. Foi, até morrer, um democrata, um homem de esquerda, um combatente, um antifascista, um crítico do capitalismo selvagem e um defensor dos direitos do povo e dos trabalhadores. Deixou de ser do PCP, não deixou de ser quem era. Seguiu um caminho diferente sem mudar de lado na luta. Se o tivesse feito, a sua história também não se apagaria, como não se apaga a de Zita Seabra, para ir buscar um exemplo extremo. Mas, no seu caso, isso nem sequer serve de atenuante para este comunicado. Quem sai, não volta e não se remete ao silêncio é um traidor.

A gratidão, e não só a lealdade, é constitutiva da política. Se sair da tribo é traição, então a tribo nunca nos levará a um lugar de liberdade, autodeterminação e realização pessoal. Se a dissidência é crime, a militância não liberta.

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Citação de Descartes, há 22 horas:

Por outro lado, em Portugal o caminho escolhido deu um resultadão.

se se analisar apenas do ponto de vista da burguesia - exclusivamente eleitoral -  por cá também está a haver diminuição da representatividade, sim. 

Do ponto de vista da influência social, por lá ficaram a zeros. Sobretudo ao nível de organização nos locais de trabalho e de força no movimento sindical. Isso é o que faz diferença num partido comunista, por muito apertadas que as curvas sejam em determinados momentos históricos. É determinante, aliás. 

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Citação de dpitz, há 11 minutos:

se se analisar apenas do ponto de vista da burguesia - exclusivamente eleitoral -  por cá também está a haver diminuição da representatividade, sim. 

Do ponto de vista da influência social, por lá ficaram a zeros. Sobretudo ao nível de organização nos locais de trabalho e de força no movimento sindical. Isso é o que faz diferença num partido comunista, por muito apertadas que as curvas sejam em determinados momentos históricos. É determinante, aliás. 

E por aqui a zeros continuam, praticamente. Basta ver os resultados eleitorais e, sabendo bem que será diferente nos centros urbanos maiores, quando aqui em Vila Real aparecem notícias sobre "iniciativas do PCP", são literalmente 7 velhotes a falar num café sobre um assunto.

Mas, mesmo que residual, a militância é fervorosa, isso é verdade. Um tio meu, que deve estar nos 70 anos, reformado, solteiro e sem filhos, não sai daqui. Não faz férias, não passeia, nada. A vida dele resume-se a cuidar do pequeno rebanho que arranjou depois da reforma. Mas crl, não falha um Avante. Mete-se na excursão e lá vai ele passar o fim-de-semana à capital.

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Citação de Tio Hans, Em 07/05/2026 at 22:01:

Morreu o Carlos Brito.

festa duro no comité central do PCP

Citação de Petar Musa, Em 08/05/2026 at 20:07:

Durante uns tempos nos Açores vigorou nalgumas cidades uns contentores de plástico que devolviam dinheiro a cada x gramas.

Depois acabou porque começou a haver uma polémica porque os mais necessitados andavam a revirar lixo para depois ir lá depositar.

polémico por fazerem o trabalho que os outros deveriam fazer.

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Citação de Ghelthon, Em 08/05/2026 at 12:08:

Isto do Volta é uma treta pegada. Eu faço reciclagem há decadas, e agora até resíduos alimentares separo, porque vivo numa cidade que os recolhe. Mas acabo, como toda a gente na mesma situação, "punido" da mesma forma como quem até aqui não fazia.

Far-me-ia sentido um modelo de recompensa, não de tara. Quem quiser ir entregar as garrafas nas máquinas, ganha os 0.10€ na mesma, pagos pelo Estado, por exemplo. De certeza que haverá aí fundos europeus relacionados com o ambiente que podiam ser canalizados para isto.

Das coisas que mais me irrita é ver o cidadão cumpridor a ser penalizado. E acontece em muitas coisas, este imposto encapotado é só mais uma.

Outro aspecto importante: agora pagamos mais 10 cêntimos. Para onde vão esses 10 cêntimos? Para o vendedor ou para o produtor?

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E outro aspecto, lojas sem receptáculos do Volta podem cobrar 10 cêntimos a mais dado que não têm os vales?

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Citação de Ghelthon, há 1 hora:

Outro aspecto importante: agora pagamos mais 10 cêntimos. Para onde vão esses 10 cêntimos? Para o vendedor ou para o produtor?

Nem para um nem para outro. Esse valor é para o projecto. Manutenção de equipamentos, ações de sensibilização, etc.

Citação de PRFA47, há 46 minutos:

E outro aspecto, lojas sem receptáculos do Volta podem cobrar 10 cêntimos a mais dado que não têm os vales?

Todas as lojas / pontos de venda têm de cobrar o valor.

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Em Espanha introduziram um imposto sobre cada kilograma de plástico produzido/importado. O valor é pago pelo primeiro elemento da cadeia de consumo, podendo ser repercutido no preço de cada transação a jusante.

Zero entropia, investimento mínimo em implementação e manutenção, mais fundos libertados para mitigar a quantidade de plásticos que saem fora do ciclo de reciclagem.

Que burros...

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Citação de Rei_Patricio, há 59 minutos:

Nem para um nem para outro. Esse valor é para o projecto. Manutenção de equipamentos, ações de sensibilização, etc.

Ou seja, por cada embalagem, quem a vende tem de enviar 10 cêntimos ao projecto?

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