rcoelho14 Publicado 20 Maio 2025 Citação de noikeee, há 1 minuto: Concordo. As redes sociais precisam de regras apertadas. Tu abres uma conta e o teu algoritmo é só conteúdo de extrema direita. Tu vês 2 ou 3 videos de um gajo a fazer uma cabana na floresta e de repente o teu algoritmo está cheio de gajos de teorias de conspiração e doomsday preppers. O X é só bots e desde que o Musk entrou, é um antro de nazis, não faz sentido ainda ser permitida na UE. Voto no Chega foi expressão de “decepção total”. “Votei no Chega para abanar isto tudo” Spoiler Joaquim Alfredo Batatinha tem 73 anos, sete anos passados na guerra em Angola. Enquanto ex-combatente, sente orgulho e associa essa sua condição a ser “muito bem tratado” na Associação Centro de Bem-Estar Social dos Reformados e Idosos de Setúbal. Aqui almoça em muitos dias da semana. Daqui leva o jantar. O jantar é “uma sopinha, um copo de água e ver televisão”. De camisa de riscas bem engomada sob um colete de malha grená, Joaquim Batatinha está pronto a dar respostas ao que o levou a votar no Chega em 2024 e agora de novo nas eleições de domingo. “Eu estou farto, fartinho do PS e do PSD, do PSD e do PS, no Governo. É este que vai dar o trambolhão à cambada. Aí está a minha resposta: votei no Chega por estar saturado.” “O PS está ligado ao Sócrates. Escrevi-lhe uma carta quando ele estava preso em Évora dizendo-lhe que ficasse lá muitos natais. Cheguei muitas vezes a votar no PSD, mas o Passos Coelho cortou-me na pensão, e criou taxas e sobretaxas. O PSD acabou para mim com o Passos Coelho. Escusam de me aparecer a prometer mundos e fundos”, continua. Quis dar uma oportunidade ao André Ventura, de quem, em primeiro lugar, espera “que melhore da sua saúde". A servir-lhe as refeições, como voluntária, está Lídia Graça, 80 anos, actual e antiga militante do PCP. “Infelizmente, o Chega ganhou em Setúbal e cresceu muito no resto do país." Só vislumbra uma razão para um concelho com o poder autárquico nas mãos da CDU, de forma ininterrupta, desde 2001, ter dado a vitória à direita populista radical. “Esta juventude não sabe o que foi passar miséria antes do 25 de Abril. Houve uma altura em que isto era tudo barracas. O meu marido foi perseguido pela PIDE. Eu não fui, mas tenho cartão de militante desde muito nova”, vai dizendo, já sentada, todas as refeições terminadas, mas ainda de avental. Vai abanando com a cabeça à medida que diz "não imaginava que o Chega ganhasse, aqui ninguém imaginava". "Concordo com ele" sobre os imigrantes Joaquim Batatinha não pensou nisso, não imaginou cenários. Como ele, outros eleitores recentes do Chega em Setúbal acreditam que André Ventura "não chega lá acima mas é o único que pode abanar isto tudo". Quem o diz é o senhor José, que prefere o meio anonimato. "Votei nele por isso." É comerciante e não sabe como podem reagir as pessoas. Como para José, o voto de Joaquim Batatinha foi a expressão da “decepção total” com o PSD e de uma alternância perpetuada entre este e o PS à frente do Governo. Luís Matos é militante do PCP e ex-dirigente sindical “Quanto aos imigrantes, concordo com ele”, diz sobre André Ventura. “Quanto à segurança, concordo com ele. Quanto aos militares, à PSP, à GNR, à PJ, concordo com ele. Quanto à Saúde, espero que ele tenha capacidade e sabedoria para resolver o problema do Serviço Nacional de Saúde, embora eu tenha médico de família. E espero que melhore as pensões dos reformados.” E quanto à atitude com as outras bancadas na Assembleia da República? “Faz muito bem de falar assim. A gente não vai lá com palavrinhas mansas. O que a gente precisa é de ser forte”, continua. À porta da associação, já depois de terminada a distribuição dos almoços aos reformados, Lídia Graça mostra conforto em dar palavras ao desalento. Luís Matos, de 73 anos, passa à porta da associação, vê-a, hesita e faz-lhe uma grande festa, como ela também a ele. “Já não nos víamos há 10 ou 15 anos”, exclamam um ao outro. Conhecem-se dos tempos do PCP, onde Lídia Graça agora vai menos. Cauê Gomes votou em Bolsonaro e vive em Portugal desde Março de 2024. Partilham esse passado e a crença de que o voto que colocou o Chega na frente em sete dos 13 concelhos do distrito de Setúbal não foi de protesto. “É um voto por ignorância”, diz Luís Matos. “As pessoas já não têm a formação ideológica que tinham há 50 anos. É mais pelas televisões” que vão sabendo o que se passa, diz o jurista que foi presidente da mesa da Assembleia Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) na década de 80. Com o desmantelamento das grandes indústrias, dos estaleiros da reparação de navios, da Setenave à Lisnave, com o fim da indústria pesqueira e conserveira em larga escala, deslassa-se a união da classe operária. "Não havendo indústria, não havendo organização dos trabalhadores, aparecem os Venturas a pretexto de uma pseudo bandeira anticorrupção”, continua, relembrando Setúbal como bastião da luta operária, como o Alentejo enquanto berço das lutas operárias do sector agrícola. Os portugueses deixaram esse trabalho agrícola, enquadra, e sentem a ameaça dos imigrantes. “As pessoas votam no partido que é contra.” Maria de Lurdes Lima Mas mesmo entre imigrantes e a comunidade cigana, “Ventura recolhe apoios”, sublinha Luís Matos. Não longe da associação, no Largo da Fonte Nova, o brasileiro Cauê Gomes, de 30 anos, carrega ao ombro, para trás e para a frente, o balde preenchido até cima com pedras, que o colega lhe faz chegar por uma corda da janela do 1.º andar. "Um efeito Bolsonaro" Em Portugal desde Março de 2024 vindo de Rio Grande do Sul “por uma vida melhor”, Cauê Gomes aguarda autorização de residência e não tem direito ao voto, mas identifica-se com o discurso do Chega contra a imigração. “Sou bolsonarista”, confirma com um sorriso. “Portugal abre a porta a pessoas que querem mudar de vida. Não tenho nada contra qualquer nacionalidade. Não quero atrapalhar portugueses, só melhorar de vida. Mas o que eu vejo é uma coisa muito escandalosa: pessoas que só vêm para Portugal por um documento”, diz sobre outros imigrantes. Como no Brasil, também trabalha na construção por conta própria; em Portugal, presta serviços a um empresário português. “Pago tudo e faço o meu trabalho honestamente, tem muita gente que já não gosta de fazer o que eu faço”, diz, referindo-se aos portugueses. Há um efeito semelhante ao de Bolsonaro no Brasil e de Trump nos Estados Unidos, acredita Luís Matos, no sentido em que “o Chega vai buscar votos a todo o lado, e até à CDU”. “Nestas eleições em Setúbal, há um conjunto de bairros sociais onde o Chega ganhou muito." Luísa Leitão, 39 anos, foi vice-presidente de uma mesa de voto no bairro social da Bela Vista, e confirma. "Na minha mesa, o Chega teve maioria absoluta", garante. "Não faz sentido. As pessoas que vivem dos seus salários mínimos votarem no Chega. Acho que são enganadas pela falta de informação e pela desinformação que é influenciada pelo populismo, e não pela pela realidade." Muitas pessoas estão revoltadas, contrapõe Maria de Lurdes Lima que trabalha há sete anos à comissão como taxista. “As pessoas trabalham de sol a sol, quando há outras que vivem dos subsídios, que ganham mais do que eu própria”, continua a ex-bancária, de 65 anos, que trabalhou como secretária do departamento internacional do Crédito Agrícola. Nestas eleições, votou pela primeira vez e escolheu o Chega. “Gosto do discurso de André Ventura, de abolir as portagens e proporcionar benefícios para o povo. É alguém que pensa um bocado nas pessoas e não apenas no seu bolso.” Diz que já foi roubada, porque "não há polícia" nas ruas e, quando há, "não faz nada de jeito". E acrescenta: "Não há fiscalização para conter a multiplicação de condutores de TVDE de outros países que conduzem sem carta e sem licença.” Rosa Pedro com a nora e o filho Revolta por outras razões Rosa Pedro também sente revolta, mas por outras razões. Acompanhou a noite eleitoral e custou-lhe ver o apoio dado a Ventura em Setúbal, onde vive desde que nasceu há 37 anos. Já é avó de duas meninas. “Fiquei muito descontente porque o Chega é racista, porque diz coisas contra todos os ciganos”, diz a mulher pequenina, que fala em insultos e discriminação. “Há ciganos que roubam? Há. Mas há-os de todas as etnias. E não são todos os ciganos que roubam." Caminha pelo centro da cidade, em direcção a casa, ao lado da filha e do filho, da nora e do genro, todos com menos de 20 anos, e pais de duas bebés de meses, primas, que dormem frente a frente num carrinho de alcofa. “Eu sou cigana e já tive muitos trabalhos em restaurantes", diz. "As pessoas não nos dão trabalho. Quando me visto de forma diferente e as pessoas nem sabem que sou cigana, dão-me trabalho. Estou descontente porque a vitória do Chega aqui quer dizer que há muito racismo em Setúbal. Agora a gente não sabe o que vai vir dali.” Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 Citação de Thierry Henry, há 3 minutos: O que é que já saiu? Só ouvi o Comissão Política, manda aí mais alguns interessantes. 😄 Fora do Baralho, Bloco Central, tens a cena do Expresso da Manhã também Citação de El Shafto, há 2 minutos: Este fórum ainda é capaz de me impressionar. Cum crl. A minha cara quando acordei às 6 e tal e vi que o mesmo pessoal pouco antes ainda estava aqui a discutir o mesmo 2 2 Compartilhar este post Link para o post
Jamarcus Publicado 20 Maio 2025 @Elvis Eu duvido que o PSD tenha interesse numa coisa deste género, mas... 1 Compartilhar este post Link para o post
Banks29 Publicado 20 Maio 2025 Citação de rcoelho14, há 2 minutos: Voto no Chega foi expressão de “decepção total”. “Votei no Chega para abanar isto tudo” Ocultar conteúdo “O PS está ligado ao Sócrates. Escrevi-lhe uma carta quando ele estava preso em Évora dizendo-lhe que ficasse lá muitos natais. Cheguei muitas vezes a votar no PSD, mas o Passos Coelho cortou-me na pensão, e criou taxas e sobretaxas. O PSD acabou para mim com o Passos Coelho. Escusam de me aparecer a prometer mundos e fundos”, continua. Quis dar uma oportunidade ao André Ventura, de quem, em primeiro lugar, espera “que melhore da sua saúde". Eu tinha falado da faixa etária dos 30-50 mas nos mais idosos é a mesma questão, a AD dificilmente volta a ter uma maioria absoluta neste país enquanto a troika estiver na mente das pessoas e já se passou 15 anos. 1 Compartilhar este post Link para o post
noikeee Publicado 20 Maio 2025 O PS tem responsabilidades sim no crescimento do Chega, primeiro por várias opções na altura do Costa que se focou sempre só e apenas em cortar as pernas do PSD, e depois pela opção catastrófica (embora seja muito mais fácil falar agora) do PNS em aceitar ir a eleições agora. Agora, não consigo precisar a % de responsabilidades do PS, e será sempre uma pequena fração das verdadeiras causas deste crescimento que já falei aqui várias vezes e que são internacionais... Redes sociais, etc etc. 1 Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 Citação de Jamarcus, há 2 minutos: @Elvis Eu duvido que o PSD tenha interesse numa coisa deste género, mas... O melhor da noite das eleições foi a IL não contar para o totobola. O Chega não se mete nisso para não perder o eleitorado reformado e/ ou que votava esquerda que ainda não está totalmente em modo zombie.. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de Lip McBoatface, há 1 hora: Venho fazer o meu apelo trimestral neste tópico para se falar de temas com maior efeito nocivo na vida dos portugueses, mesmo que algumas pessoas pensem que a imigracao o é. O meu passatempo favorito nas últimas semanas tem sido perguntar aos colegas de trabalho que são vocais pelo Chega, e se fartam de falar dos problemas da imigração, qual tem sido o impacto que ela tem no seu dia a dia. Vê-los estrebuchar com ausência de argumentos, pois aquelas caixinhas de ressonância que têm dentro do crânio não ressoam nada mais do que os chavões que lêem no Twitter, é divertido. Editado 20 Maio 2025 por Black Hawk 3 Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de rcoelho14, há 13 minutos: Voto no Chega foi expressão de “decepção total”. “Votei no Chega para abanar isto tudo” Mostrar conteúdo oculto Joaquim Alfredo Batatinha tem 73 anos, sete anos passados na guerra em Angola. Enquanto ex-combatente, sente orgulho e associa essa sua condição a ser “muito bem tratado” na Associação Centro de Bem-Estar Social dos Reformados e Idosos de Setúbal. Aqui almoça em muitos dias da semana. Daqui leva o jantar. O jantar é “uma sopinha, um copo de água e ver televisão”. De camisa de riscas bem engomada sob um colete de malha grená, Joaquim Batatinha está pronto a dar respostas ao que o levou a votar no Chega em 2024 e agora de novo nas eleições de domingo. “Eu estou farto, fartinho do PS e do PSD, do PSD e do PS, no Governo. É este que vai dar o trambolhão à cambada. Aí está a minha resposta: votei no Chega por estar saturado.” “O PS está ligado ao Sócrates. Escrevi-lhe uma carta quando ele estava preso em Évora dizendo-lhe que ficasse lá muitos natais. Cheguei muitas vezes a votar no PSD, mas o Passos Coelho cortou-me na pensão, e criou taxas e sobretaxas. O PSD acabou para mim com o Passos Coelho. Escusam de me aparecer a prometer mundos e fundos”, continua. Quis dar uma oportunidade ao André Ventura, de quem, em primeiro lugar, espera “que melhore da sua saúde". A servir-lhe as refeições, como voluntária, está Lídia Graça, 80 anos, actual e antiga militante do PCP. “Infelizmente, o Chega ganhou em Setúbal e cresceu muito no resto do país." Só vislumbra uma razão para um concelho com o poder autárquico nas mãos da CDU, de forma ininterrupta, desde 2001, ter dado a vitória à direita populista radical. “Esta juventude não sabe o que foi passar miséria antes do 25 de Abril. Houve uma altura em que isto era tudo barracas. O meu marido foi perseguido pela PIDE. Eu não fui, mas tenho cartão de militante desde muito nova”, vai dizendo, já sentada, todas as refeições terminadas, mas ainda de avental. Vai abanando com a cabeça à medida que diz "não imaginava que o Chega ganhasse, aqui ninguém imaginava". "Concordo com ele" sobre os imigrantes Joaquim Batatinha não pensou nisso, não imaginou cenários. Como ele, outros eleitores recentes do Chega em Setúbal acreditam que André Ventura "não chega lá acima mas é o único que pode abanar isto tudo". Quem o diz é o senhor José, que prefere o meio anonimato. "Votei nele por isso." É comerciante e não sabe como podem reagir as pessoas. Como para José, o voto de Joaquim Batatinha foi a expressão da “decepção total” com o PSD e de uma alternância perpetuada entre este e o PS à frente do Governo. Luís Matos é militante do PCP e ex-dirigente sindical “Quanto aos imigrantes, concordo com ele”, diz sobre André Ventura. “Quanto à segurança, concordo com ele. Quanto aos militares, à PSP, à GNR, à PJ, concordo com ele. Quanto à Saúde, espero que ele tenha capacidade e sabedoria para resolver o problema do Serviço Nacional de Saúde, embora eu tenha médico de família. E espero que melhore as pensões dos reformados.” E quanto à atitude com as outras bancadas na Assembleia da República? “Faz muito bem de falar assim. A gente não vai lá com palavrinhas mansas. O que a gente precisa é de ser forte”, continua. À porta da associação, já depois de terminada a distribuição dos almoços aos reformados, Lídia Graça mostra conforto em dar palavras ao desalento. Luís Matos, de 73 anos, passa à porta da associação, vê-a, hesita e faz-lhe uma grande festa, como ela também a ele. “Já não nos víamos há 10 ou 15 anos”, exclamam um ao outro. Conhecem-se dos tempos do PCP, onde Lídia Graça agora vai menos. Cauê Gomes votou em Bolsonaro e vive em Portugal desde Março de 2024. Partilham esse passado e a crença de que o voto que colocou o Chega na frente em sete dos 13 concelhos do distrito de Setúbal não foi de protesto. “É um voto por ignorância”, diz Luís Matos. “As pessoas já não têm a formação ideológica que tinham há 50 anos. É mais pelas televisões” que vão sabendo o que se passa, diz o jurista que foi presidente da mesa da Assembleia Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) na década de 80. Com o desmantelamento das grandes indústrias, dos estaleiros da reparação de navios, da Setenave à Lisnave, com o fim da indústria pesqueira e conserveira em larga escala, deslassa-se a união da classe operária. "Não havendo indústria, não havendo organização dos trabalhadores, aparecem os Venturas a pretexto de uma pseudo bandeira anticorrupção”, continua, relembrando Setúbal como bastião da luta operária, como o Alentejo enquanto berço das lutas operárias do sector agrícola. Os portugueses deixaram esse trabalho agrícola, enquadra, e sentem a ameaça dos imigrantes. “As pessoas votam no partido que é contra.” Maria de Lurdes Lima Mas mesmo entre imigrantes e a comunidade cigana, “Ventura recolhe apoios”, sublinha Luís Matos. Não longe da associação, no Largo da Fonte Nova, o brasileiro Cauê Gomes, de 30 anos, carrega ao ombro, para trás e para a frente, o balde preenchido até cima com pedras, que o colega lhe faz chegar por uma corda da janela do 1.º andar. "Um efeito Bolsonaro" Em Portugal desde Março de 2024 vindo de Rio Grande do Sul “por uma vida melhor”, Cauê Gomes aguarda autorização de residência e não tem direito ao voto, mas identifica-se com o discurso do Chega contra a imigração. “Sou bolsonarista”, confirma com um sorriso. “Portugal abre a porta a pessoas que querem mudar de vida. Não tenho nada contra qualquer nacionalidade. Não quero atrapalhar portugueses, só melhorar de vida. Mas o que eu vejo é uma coisa muito escandalosa: pessoas que só vêm para Portugal por um documento”, diz sobre outros imigrantes. Como no Brasil, também trabalha na construção por conta própria; em Portugal, presta serviços a um empresário português. “Pago tudo e faço o meu trabalho honestamente, tem muita gente que já não gosta de fazer o que eu faço”, diz, referindo-se aos portugueses. Há um efeito semelhante ao de Bolsonaro no Brasil e de Trump nos Estados Unidos, acredita Luís Matos, no sentido em que “o Chega vai buscar votos a todo o lado, e até à CDU”. “Nestas eleições em Setúbal, há um conjunto de bairros sociais onde o Chega ganhou muito." Luísa Leitão, 39 anos, foi vice-presidente de uma mesa de voto no bairro social da Bela Vista, e confirma. "Na minha mesa, o Chega teve maioria absoluta", garante. "Não faz sentido. As pessoas que vivem dos seus salários mínimos votarem no Chega. Acho que são enganadas pela falta de informação e pela desinformação que é influenciada pelo populismo, e não pela pela realidade." Muitas pessoas estão revoltadas, contrapõe Maria de Lurdes Lima que trabalha há sete anos à comissão como taxista. “As pessoas trabalham de sol a sol, quando há outras que vivem dos subsídios, que ganham mais do que eu própria”, continua a ex-bancária, de 65 anos, que trabalhou como secretária do departamento internacional do Crédito Agrícola. Nestas eleições, votou pela primeira vez e escolheu o Chega. “Gosto do discurso de André Ventura, de abolir as portagens e proporcionar benefícios para o povo. É alguém que pensa um bocado nas pessoas e não apenas no seu bolso.” Diz que já foi roubada, porque "não há polícia" nas ruas e, quando há, "não faz nada de jeito". E acrescenta: "Não há fiscalização para conter a multiplicação de condutores de TVDE de outros países que conduzem sem carta e sem licença.” Rosa Pedro com a nora e o filho Revolta por outras razões Rosa Pedro também sente revolta, mas por outras razões. Acompanhou a noite eleitoral e custou-lhe ver o apoio dado a Ventura em Setúbal, onde vive desde que nasceu há 37 anos. Já é avó de duas meninas. “Fiquei muito descontente porque o Chega é racista, porque diz coisas contra todos os ciganos”, diz a mulher pequenina, que fala em insultos e discriminação. “Há ciganos que roubam? Há. Mas há-os de todas as etnias. E não são todos os ciganos que roubam." Caminha pelo centro da cidade, em direcção a casa, ao lado da filha e do filho, da nora e do genro, todos com menos de 20 anos, e pais de duas bebés de meses, primas, que dormem frente a frente num carrinho de alcofa. “Eu sou cigana e já tive muitos trabalhos em restaurantes", diz. "As pessoas não nos dão trabalho. Quando me visto de forma diferente e as pessoas nem sabem que sou cigana, dão-me trabalho. Estou descontente porque a vitória do Chega aqui quer dizer que há muito racismo em Setúbal. Agora a gente não sabe o que vai vir dali.” Qualquer semelhança dessas personagens, seja o velho na miséria, trolha bolsonarista, etc, com os latinos que votaram Trump e foram deportados é pura coincidência. Editado 20 Maio 2025 por antifa Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 20 Maio 2025 Citação de Black Hawk, Agora: O meu passatempo favorito nas últimas semanas tem sido perguntar aos colegas de trabalho que são vocais pelo Chega, e se fartam de falar dos problemas da imigração, qual tem sido o impacto que ela tem no seu dia a dia. Vê-los estrebuchar com ausência de argumentos, pois aquelas caixinhas de ressonância que têm dentro do crânio não ressoam nada mais do que as gordas que lêem no Twitter, é divertido. Eu sou um sortudo do caraças. Entre a minha família e os meus amigos está tudo fdd com o resultado do Chega e mesmo no trabalho, onde não consigo escolher os meus colegas, estava tudo com uns cornos do tamanho do mundo, ontem. Compartilhar este post Link para o post
Jamarcus Publicado 20 Maio 2025 Citação de antifa, Agora: O melhor da noite das eleições foi a IL não contar para o totobola. O Chega não se mete nisso para não perder o eleitorado reformado e/ ou que votava esquerda que ainda não está totalmente em modo zombie.. Sim, e também acho que uma boa parte do eleitorado do PSD também não iria à bola com alterações nesse sentido. Apesar de tudo, a obrigação de haver um SNS e escola pública deve ser quase consensual. O Chega para revisões constitucionais vai querer reduzir o número de deputados e a IL não entra nisso porque senão quase desaparecem. Portanto até estou confiante que não mexem. A menos que o preâmbulo lhes faça mesmo muita impressão. Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 20 Maio 2025 curiosamente conheço um casal de contabilistas um bocadinho nabos que estão muito contentes, deve ser uma coisa de classe mesmo @Tibraco Compartilhar este post Link para o post
smashing_pumpkin Publicado 20 Maio 2025 Citação de Tio Hans, há 1 minuto: Eu sou um sortudo do caraças. Entre a minha família e os meus amigos está tudo fdd com o resultado do Chega e mesmo no trabalho, onde não consigo escolher os meus colegas, estava tudo com uns cornos do tamanho do mundo, ontem. Igual aqui. Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de Tio Hans, há 5 minutos: Eu sou um sortudo do caraças. Entre a minha família e os meus amigos está tudo fdd com o resultado do Chega e mesmo no trabalho, onde não consigo escolher os meus colegas, estava tudo com uns cornos do tamanho do mundo, ontem. Aqui igual, não tenho ninguém minimamente próximo que vote chega. Por outro lado ontem fui puxar ferro e com os cornos que estava tive de me por no crl para não me passar porque estava lá uma brasileira (lol) a falar de uma m*rda qualquer de um indiano com passaporte português, alguma m*rda que viu no tiktok ou assim. Editado 20 Maio 2025 por antifa Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 20 Maio 2025 Citação de Tio Hans, há 1 minuto: Eu sou um sortudo do caraças. Entre a minha família e os meus amigos está tudo fdd com o resultado do Chega e mesmo no trabalho, onde não consigo escolher os meus colegas, estava tudo com uns cornos do tamanho do mundo, ontem. No trabalho da minha namorada estava tudo lixado e já a falarem em emigrar. No meu há uma forte implantação de cheganos, infelizmente. Na minha família nem comento, é um desespero, mas tal seria de esperar dado ter muitos elementos familiares ligados a forças de segurança. São mato para aquele partido. Compartilhar este post Link para o post
Foster Publicado 20 Maio 2025 Citação de Tio Hans, há 2 horas: Há que distinguir duas coisas nesse milhão de riqueza. Uma coisa é ter um milhão em cash, em dinheiro, em depósitos. Sim, é muito. Em Portugal, dados os rendimentos é imenso. Não será assim tanto na Alemanha ou no Luxemburgo mas continua a ser um valor muito significativo. Outra coisa é ter um milhão de património. "Basta" ter comprado uma casa ou um apartamento de dimensões razoáveis, nos anos 90, no Porto ou em Lisboa que hoje não se está assim tão longe de ter um património desse valor. E isso faz dessas pessoas ricas? Duvido imenso. Que foi o que eu falei. 1 milhão de património. 1 milhão líquido sem nenhum património (tendo em conta que as pessoas provavelmente querem comprar casa etc) também se vai num instante. Agora patrimónios de 100, 200, 300, 1000 milhões chega a um ponto que é demais mas isto teria de ser um teto mundial senão qualquer pessoa põe-se a andar, vai ficar aqui a ser limitada para quê? Já bem basta o AIMI e as tabelas de IRS serem tão penalizadoras para tão poucochinho comparando com os outros países europeus. Compartilhar este post Link para o post
AntiZio Publicado 20 Maio 2025 Portugal é tão racista que a discussão se centra em torno do racismo explicito e não implícito. Há 90% do país a votar para pertencer a instituições racistas mas o que interessa é discutir a malta que tem dificuldades em atar os sapatos. Porque será que ninguém quer fazer cumprir a constituição? É suposto serem proibidos partidos racistas e fascistas. Se a lei não é suficiente porque não fazem nada para resolver a situação? Compartilhar este post Link para o post
challenger Publicado 20 Maio 2025 Citação de Tio Hans, há 7 minutos: Eu sou um sortudo do caraças. Entre a minha família e os meus amigos está tudo fdd com o resultado do Chega e mesmo no trabalho, onde não consigo escolher os meus colegas, estava tudo com uns cornos do tamanho do mundo, ontem. Eu na família próxima, namorada, pais, irmão e cunhada, amigos próximos tenho quase a certeza que ninguém votou Chega. Agora se começar a alargar para tios, primos, quase ninguém é vocal mas tenho a certeza que alguns meteram lá a cruzinha. Compartilhar este post Link para o post
BrunoCardoso Publicado 20 Maio 2025 Acabei de ter um grande exemplo para ver como são as coisas: Tenho reparado que a minha mãe no facebook ultimamente anda com alguns posts, poucos mas anda infelizmente, sobre alguns vídeos que andaram aí a rolar de imigrantes que recebem X e Y, ou seja propaganda chegana. Algo que nunca esperava, mas também sei que é uma pessoa facilmente manipulada (tal como muitas). Pronto, ela liga-me e começa a falar de trabalho e descontos: "Os descontos", "Para o futuro", etc etc E eu sabendo perfeitamente que ela anda a postar isso e a origem disso e eu virei-me e disse: Eu: Para quê que estamos a falar em descontos se por exemplo as pessoas votaram em partidos que provavelmente vao querer privatizar a segurança social? Ela: Ai é? Eu: É pois claro, várias pessoas votaram em partidos que querem acabar com isso, ou retirar grande parte. Muitas pessoas ainda vão é voltar ao tempo do Passos Coelho. Ela: Olha eu não sabia isso, sabes que eu não percebo nada de politica. (com ar de surpreendida por desconhecimento da realidade) Ela não vota, mas acredito que não faltarão exemplos de pessoas que votaram, sem saber em que estão a votar, mas que são influenciadas/manipuladas pelo o que vêem. As redes sociais é o veiculo mais perigoso para a democracia. 3 Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 20 Maio 2025 O Instagram era a última que me faltava eliminar, fico com o LinkedIn porque coiso. Não sinto falta nenhuma de redes sociais. Noutras notícias, fico apreensivo com a qualidade dos candidatos a secretario geral do PS. Espero bem que este governo dure 4 anos porque o PS também vai precisar deles. Compartilhar este post Link para o post
Jamarcus Publicado 20 Maio 2025 Citação de BrunoCardoso, há 1 minuto: Acabei de ter um grande exemplo para ver como são as coisas: Tenho reparado que a minha mãe no facebook ultimamente anda com alguns posts, poucos mas anda infelizmente, sobre alguns vídeos que andaram aí a rolar de imigrantes que recebem X e Y, ou seja propaganda chegana. Algo que nunca esperava, mas também sei que é uma pessoa facilmente manipulada (tal como muitas). Pronto, ela liga-me e começa a falar de trabalho e descontos: "Os descontos", "Para o futuro", etc etc E eu sabendo perfeitamente que ela anda a postar isso e a origem disso e eu virei-me e disse: Eu: Para quê que estamos a falar em descontos se por exemplo as pessoas votaram em partidos que provavelmente vao querer privatizar a segurança social? Ela: Ai é? Eu: É pois claro, várias pessoas votaram em partidos que querem acabar com isso, ou retirar grande parte. Muitas pessoas ainda vão é voltar ao tempo do Passos Coelho. Ela: Olha eu não sabia isso, sabes que eu não percebo nada de politica. (com ar de surpreendida por desconhecimento da realidade) Ela não vota, mas acredito que não faltarão exemplos de pessoas que votaram, sem saber em que estão a votar, mas que são influenciadas/manipuladas pelo o que vêem. As redes sociais é o veiculo mais perigoso para a democracia. Medidas como a segurança social são universalmente extremamente populares. Nem os Trumpistas têm coragem de dizer que querem acabar com aquilo, mesmo nesse caso extremo o eleitorado é a favor. Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 20 Maio 2025 Não citem o Foster que ele já não é membro do CMPT 16 2 Compartilhar este post Link para o post
whatever Publicado 20 Maio 2025 Para quem tem redes sociais, o Luís Paixão Martins já deu sinal de vida? Não será melhor alguém ir lá bater à porta para ver se o homem está bem? 1 Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 20 Maio 2025 Citação de Mica, há 10 minutos: O Instagram era a última que me faltava eliminar, fico com o LinkedIn porque coiso. Não sinto falta nenhuma de redes sociais. Noutras notícias, fico apreensivo com a qualidade dos candidatos a secretario geral do PS. Espero bem que este governo dure 4 anos porque o PS também vai precisar deles. Não consigo viver sem as moças do Instagram <3 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 20 Maio 2025 Citação de rcoelho14, há 35 minutos: Voto no Chega foi expressão de “decepção total”. “Votei no Chega para abanar isto tudo” Mostrar conteúdo oculto Joaquim Alfredo Batatinha tem 73 anos, sete anos passados na guerra em Angola. Enquanto ex-combatente, sente orgulho e associa essa sua condição a ser “muito bem tratado” na Associação Centro de Bem-Estar Social dos Reformados e Idosos de Setúbal. Aqui almoça em muitos dias da semana. Daqui leva o jantar. O jantar é “uma sopinha, um copo de água e ver televisão”. De camisa de riscas bem engomada sob um colete de malha grená, Joaquim Batatinha está pronto a dar respostas ao que o levou a votar no Chega em 2024 e agora de novo nas eleições de domingo. “Eu estou farto, fartinho do PS e do PSD, do PSD e do PS, no Governo. É este que vai dar o trambolhão à cambada. Aí está a minha resposta: votei no Chega por estar saturado.” “O PS está ligado ao Sócrates. Escrevi-lhe uma carta quando ele estava preso em Évora dizendo-lhe que ficasse lá muitos natais. Cheguei muitas vezes a votar no PSD, mas o Passos Coelho cortou-me na pensão, e criou taxas e sobretaxas. O PSD acabou para mim com o Passos Coelho. Escusam de me aparecer a prometer mundos e fundos”, continua. Quis dar uma oportunidade ao André Ventura, de quem, em primeiro lugar, espera “que melhore da sua saúde". A servir-lhe as refeições, como voluntária, está Lídia Graça, 80 anos, actual e antiga militante do PCP. “Infelizmente, o Chega ganhou em Setúbal e cresceu muito no resto do país." Só vislumbra uma razão para um concelho com o poder autárquico nas mãos da CDU, de forma ininterrupta, desde 2001, ter dado a vitória à direita populista radical. “Esta juventude não sabe o que foi passar miséria antes do 25 de Abril. Houve uma altura em que isto era tudo barracas. O meu marido foi perseguido pela PIDE. Eu não fui, mas tenho cartão de militante desde muito nova”, vai dizendo, já sentada, todas as refeições terminadas, mas ainda de avental. Vai abanando com a cabeça à medida que diz "não imaginava que o Chega ganhasse, aqui ninguém imaginava". "Concordo com ele" sobre os imigrantes Joaquim Batatinha não pensou nisso, não imaginou cenários. Como ele, outros eleitores recentes do Chega em Setúbal acreditam que André Ventura "não chega lá acima mas é o único que pode abanar isto tudo". Quem o diz é o senhor José, que prefere o meio anonimato. "Votei nele por isso." É comerciante e não sabe como podem reagir as pessoas. Como para José, o voto de Joaquim Batatinha foi a expressão da “decepção total” com o PSD e de uma alternância perpetuada entre este e o PS à frente do Governo. Luís Matos é militante do PCP e ex-dirigente sindical “Quanto aos imigrantes, concordo com ele”, diz sobre André Ventura. “Quanto à segurança, concordo com ele. Quanto aos militares, à PSP, à GNR, à PJ, concordo com ele. Quanto à Saúde, espero que ele tenha capacidade e sabedoria para resolver o problema do Serviço Nacional de Saúde, embora eu tenha médico de família. E espero que melhore as pensões dos reformados.” E quanto à atitude com as outras bancadas na Assembleia da República? “Faz muito bem de falar assim. A gente não vai lá com palavrinhas mansas. O que a gente precisa é de ser forte”, continua. À porta da associação, já depois de terminada a distribuição dos almoços aos reformados, Lídia Graça mostra conforto em dar palavras ao desalento. Luís Matos, de 73 anos, passa à porta da associação, vê-a, hesita e faz-lhe uma grande festa, como ela também a ele. “Já não nos víamos há 10 ou 15 anos”, exclamam um ao outro. Conhecem-se dos tempos do PCP, onde Lídia Graça agora vai menos. Cauê Gomes votou em Bolsonaro e vive em Portugal desde Março de 2024. Partilham esse passado e a crença de que o voto que colocou o Chega na frente em sete dos 13 concelhos do distrito de Setúbal não foi de protesto. “É um voto por ignorância”, diz Luís Matos. “As pessoas já não têm a formação ideológica que tinham há 50 anos. É mais pelas televisões” que vão sabendo o que se passa, diz o jurista que foi presidente da mesa da Assembleia Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) na década de 80. Com o desmantelamento das grandes indústrias, dos estaleiros da reparação de navios, da Setenave à Lisnave, com o fim da indústria pesqueira e conserveira em larga escala, deslassa-se a união da classe operária. "Não havendo indústria, não havendo organização dos trabalhadores, aparecem os Venturas a pretexto de uma pseudo bandeira anticorrupção”, continua, relembrando Setúbal como bastião da luta operária, como o Alentejo enquanto berço das lutas operárias do sector agrícola. Os portugueses deixaram esse trabalho agrícola, enquadra, e sentem a ameaça dos imigrantes. “As pessoas votam no partido que é contra.” Maria de Lurdes Lima Mas mesmo entre imigrantes e a comunidade cigana, “Ventura recolhe apoios”, sublinha Luís Matos. Não longe da associação, no Largo da Fonte Nova, o brasileiro Cauê Gomes, de 30 anos, carrega ao ombro, para trás e para a frente, o balde preenchido até cima com pedras, que o colega lhe faz chegar por uma corda da janela do 1.º andar. "Um efeito Bolsonaro" Em Portugal desde Março de 2024 vindo de Rio Grande do Sul “por uma vida melhor”, Cauê Gomes aguarda autorização de residência e não tem direito ao voto, mas identifica-se com o discurso do Chega contra a imigração. “Sou bolsonarista”, confirma com um sorriso. “Portugal abre a porta a pessoas que querem mudar de vida. Não tenho nada contra qualquer nacionalidade. Não quero atrapalhar portugueses, só melhorar de vida. Mas o que eu vejo é uma coisa muito escandalosa: pessoas que só vêm para Portugal por um documento”, diz sobre outros imigrantes. Como no Brasil, também trabalha na construção por conta própria; em Portugal, presta serviços a um empresário português. “Pago tudo e faço o meu trabalho honestamente, tem muita gente que já não gosta de fazer o que eu faço”, diz, referindo-se aos portugueses. Há um efeito semelhante ao de Bolsonaro no Brasil e de Trump nos Estados Unidos, acredita Luís Matos, no sentido em que “o Chega vai buscar votos a todo o lado, e até à CDU”. “Nestas eleições em Setúbal, há um conjunto de bairros sociais onde o Chega ganhou muito." Luísa Leitão, 39 anos, foi vice-presidente de uma mesa de voto no bairro social da Bela Vista, e confirma. "Na minha mesa, o Chega teve maioria absoluta", garante. "Não faz sentido. As pessoas que vivem dos seus salários mínimos votarem no Chega. Acho que são enganadas pela falta de informação e pela desinformação que é influenciada pelo populismo, e não pela pela realidade." Muitas pessoas estão revoltadas, contrapõe Maria de Lurdes Lima que trabalha há sete anos à comissão como taxista. “As pessoas trabalham de sol a sol, quando há outras que vivem dos subsídios, que ganham mais do que eu própria”, continua a ex-bancária, de 65 anos, que trabalhou como secretária do departamento internacional do Crédito Agrícola. Nestas eleições, votou pela primeira vez e escolheu o Chega. “Gosto do discurso de André Ventura, de abolir as portagens e proporcionar benefícios para o povo. É alguém que pensa um bocado nas pessoas e não apenas no seu bolso.” Diz que já foi roubada, porque "não há polícia" nas ruas e, quando há, "não faz nada de jeito". E acrescenta: "Não há fiscalização para conter a multiplicação de condutores de TVDE de outros países que conduzem sem carta e sem licença.” Rosa Pedro com a nora e o filho Revolta por outras razões Rosa Pedro também sente revolta, mas por outras razões. Acompanhou a noite eleitoral e custou-lhe ver o apoio dado a Ventura em Setúbal, onde vive desde que nasceu há 37 anos. Já é avó de duas meninas. “Fiquei muito descontente porque o Chega é racista, porque diz coisas contra todos os ciganos”, diz a mulher pequenina, que fala em insultos e discriminação. “Há ciganos que roubam? Há. Mas há-os de todas as etnias. E não são todos os ciganos que roubam." Caminha pelo centro da cidade, em direcção a casa, ao lado da filha e do filho, da nora e do genro, todos com menos de 20 anos, e pais de duas bebés de meses, primas, que dormem frente a frente num carrinho de alcofa. “Eu sou cigana e já tive muitos trabalhos em restaurantes", diz. "As pessoas não nos dão trabalho. Quando me visto de forma diferente e as pessoas nem sabem que sou cigana, dão-me trabalho. Estou descontente porque a vitória do Chega aqui quer dizer que há muito racismo em Setúbal. Agora a gente não sabe o que vai vir dali.” Ainda bem que os cidadãos de Setúbal que estão "cansados" e "frustrados" votaram Chega. Agora devido ao crescimento do partido no distrito terão Ricardo Reis a representá-los no Parlamento, o assessor que saudou a morte do Odair Moniz como menos um eleitor do Bloco. Pelo menos a decisão pateta que tiveram teve como consequência a eleição de um pateta Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 20 Maio 2025 novo objetivo de vida: receber 2k por mês enquanto trolha até ter o património de um milhão. diligência é a sua própria recompensa sei q é troll de gente triste mas fico azedo com estas m*rda Compartilhar este post Link para o post