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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Su1, há 40 minutos:

Ou um gajo acordar às 3 da manhã para meter a cara em gelo com casca de banana.

eu acho que vi isso

o gajo acordou às 4 e não fez nada durante duas horas, a meditar e o crl, e dps foi ao ginásio às 6 😂

Editado por Plagio o Original

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Citação de mike, há 19 horas:

Para a imigração proponho o seguinte:

Empresas anualmente apresentam a uma autoridade competente e criada para esse efeito os seus lucros, com base nos lucros apresentam uma proposta de recrutamento estrangeiro. E com nisso sao dados visas para imigrantes.

Porquê?

- Deixa de uma loja a dar contrato de trabalho a 5k pessoas e a faturar 2k por mês.

- empresas que percisem de facto de emigrantes vão ser obrigadas a mostrar lucroa e como tal a pagar impostos sobre os mesmos.

- Quem entra tem contrato de trabalho. E pode ao fim de 6 meses aceder ao SNS. Evita turistas de saude. 

- O estado cria cotas, de x% do total de população Total do pais a quem é permitida a entrada. Exemplo: população total do pais é 10M, sao emitidos 100k visas. 

Os visas sao distribuidos por paises com base em semelhancas culturais, por exemplo, Brasil 20%, Angola 10% etc. Estes valores seriam negociados com os paises em questão.

- imigrantes desempregados têm 6 meses para encontrar trabalho, depois são enviados de volta. Durante este periodo o emigrante tem direito ao aubsidio de dessmprego, na proporcao de 1 mes por cada ano trabalhado. Os empregadores têm de justificar o despedimento.

Quem cumpre tem vantagem em futuras aplicações, caso nao seja um despedimento por justa causa. Quem nao cumpre e for apanhado nao volta ca mais.

- crimes violentos antes de 10 anos de permanência sao expulsão imediata.

- 10 anos em Portugal e podem pedir nacionalidade e todos os direitos iguais a todos os Portugueses, se cumprirem certas condições, como: - falam português.

       - teste sobre cultura portuguesa

       - Estar empregado

- o imigrante pode trazer a sua familia: - se provado quem tem condições para a sustentar( valores teriam de ser definidos). 

-o imigrante pode pagar uma contribuição extra para o estado em caso de ter dependentes menores, se o fizer ao fim de 6 meses estes teem direito a educação e sistemas de saude.

Criancas nascidas no estrangeiras podem pedir nacionalidade Portuguesa depoia de estarem no pais durante mais de 10 anos e frequentarem o sistema de educação Portugues.

Se com 18 anos nao tiver os 10 anos de educação em Portugal, anos de trabalho serão contados. Em adicao os 6 meses apos deixar a escola, serao dados 2 meses extra por cada ano em Portugal para procura de trabalho.

- Cônjuges seguem as mesmas regras aplicadas ao imigrante trabalhador. No entanto o emigranrw empregado tem a possibilidade de pagar uma contribuição extra a seguranca social. Nesse caso o conjugue terá dereito a SNS.

 

 

Pronto é isso, chamem-me faxo por querer emigração, controlada.

 

 

Eu tive de "férias" e prometi a mim mesmo que não ia buscar nenhuma das parvoíces que se disseram para aí. Mas este post não posso deixar escapar. Não só pela xenofobia aqui muito bem patente, como pelo non sense de qualquer uma destas "propostas" e, claro está, pelo camião de atropelos à Língua Portuguesa que remata (mesmo no sentido de matar o morto) o Camões. 

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Citação de whatever, há 1 hora:

Para quem tem redes sociais, o Luís Paixão Martins já deu sinal de vida? Não será melhor alguém ir lá bater à porta para ver se o homem está bem?

O gajo agora está como comentador no canal NOW que pertence a CMTV

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Citação de whatever, há 1 hora:

Para quem tem redes sociais, o Luís Paixão Martins já deu sinal de vida? Não será melhor alguém ir lá bater à porta para ver se o homem está bem?

Não sei o que se passou desde a noite eleitoral, mas depois daquele bife com o Santana Lopes o homem ficou com o fusível queimado.

Editado por Puto Perdiz

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Chegou

mw-320

Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa

Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope.

Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia.

Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios.

Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto.

Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva.

As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.”

No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres.

Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade.

Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros.

A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas.

Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa.

Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas.

Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema.

E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda.

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Citação de Lebohang, há 11 minutos:
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Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa

Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope.

Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia.

Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios.

Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto.

Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva.

As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.”

No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres.

Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade.

Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros.

A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas.

Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa.

Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas.

Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema.

E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda.

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Citação de Lebohang, há 9 minutos:
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Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa

Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope.

Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia.

Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios.

Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto.

Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva.

As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.”

No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres.

Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade.

Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros.

A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas.

Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa.

Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas.

Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema.

E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda.

Ao ler este texto assim rapîdamente so me vem a cabeça que so estamos a pagar a factura do investimento unico em turismo que foi feito desde a geringonça. Nao houve linha condutora de investimento no pais para aproveitar o boom inicial e mudar para algo diferente do turismo.

Para além de que me custou imenso a ler tal como me custa a ouvir a Clara Ferreira Alves.

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Citação de What, há 35 minutos:

Isto é mesmo uma dúvida e não me estou a armar em esperto, mas... num caso desses a avaliação das finanças do imóvel chegaria a esses valores? É que p.ex. a minha casa praticamente duplicou de valor em 5 anos, mas não creio que tenha subido proporcionalmente na avaliação feita pelas finanças. 

A minha também deve ter duplicado de valor e nas finanças passou de 90mil para 100mil. 

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Citação de Lebohang, há 13 minutos:
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Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa

Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope.

Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia.

Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios.

Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto.

Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva.

As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.”

No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres.

Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade.

Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros.

A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas.

Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa.

Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas.

Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema.

E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda.

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Esta só está bem a chorar. Ora dos preços das casas, ora de arroz de carabineiros. 

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Citação de andriy pereplyotkin, há 2 minutos:

A Clara Ferreira Alves é uma alegoria.

Lembrei me daquela crónica do Raquel Varela a falar de comer ostras enquanto assistia as manifs em Paris 

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Citação de SAS_Robben, há 2 minutos:

Lembrei me daquela crónica do Raquel Varela a falar de comer ostras enquanto assistia as manifs em Paris 

f*da-se, uma das melhores de sempre. Sim, é o mesmo campeonato.

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"Um amigo abastado que se sente cidadão de segunda."

Imagino o problema dele.

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Citação de kareca, há 8 minutos:

"Um amigo abastado que se sente cidadão de segunda."

Imagino o problema dele.

05:38

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Citação de BrunoCardoso, há 1 hora:

Acabei de ter um grande exemplo para ver como são as coisas:

Tenho reparado que a minha mãe no facebook ultimamente anda com alguns posts, poucos mas anda infelizmente, sobre alguns vídeos que andaram aí a rolar de imigrantes que recebem X e Y, ou seja propaganda chegana. Algo que nunca esperava, mas também sei que é uma pessoa facilmente manipulada (tal como muitas).

Pronto, ela liga-me e começa a falar de trabalho e descontos:

"Os descontos", "Para o futuro", etc etc

E eu sabendo perfeitamente que ela anda a postar isso e a origem disso e eu virei-me e disse:

Eu: Para quê que estamos a falar em descontos se por exemplo as pessoas votaram em partidos que provavelmente vao querer privatizar a segurança social?

Ela: Ai é?

Eu: É pois claro, várias pessoas votaram em partidos que querem acabar com isso, ou retirar grande parte. Muitas pessoas ainda vão é voltar ao tempo do Passos Coelho.

Ela: Olha eu não sabia isso, sabes que eu não percebo nada de politica. (com ar de surpreendida por desconhecimento da realidade)

Ela não vota, mas acredito que não faltarão exemplos de pessoas que votaram, sem saber em que estão a votar, mas que são influenciadas/manipuladas pelo o que vêem. As redes sociais é o veiculo mais perigoso para a democracia.

A tua ainda diz que não percebe nada de política. A minha também andava a partilhar, tive duas discussões com ela, tentei explicar lhe que aquela m*rda era de extrema direita e mt provavelmente falso e ela ontem sai se com "se as coisas n mudarem nas próximas eleições voto no chega".

Já nem forças tenho para discutir mais. Estou só deprimido.

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A Clara Ferreira Alves dá sinais de dificuldade a disfarçar a chalupice a cada ano que passa.

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Citação de Longineu, há 2 minutos:

A tua ainda diz que não percebe nada de política. A minha também andava a partilhar, tive duas discussões com ela, tentei explicar lhe que aquela m*rda era de extrema direita e mt provavelmente falso e ela ontem sai se com "se as coisas n mudarem nas próximas eleições voto no chega".

Já nem forças tenho para discutir mais. Estou só deprimido.

Deve ser muito complicado lidar com essas m*rda em família imediata. Eu (felizmente) só tenho uma tia que faz esse serviço. Chateei-me um par de vezes e depois desisti, só me preocupo em ir falando com a minha avó a ver se aquilo não se pega.

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Citação de Tio Hans, há 43 minutos:

Não. Nunca. A avaliação das casas pelas finanças anda sempre abaixo.

ainda bem,

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Citação de andriy pereplyotkin, há 2 minutos:

Deve ser muito complicado lidar com essas m*rda em família imediata. Eu (felizmente) só tenho uma tia que faz esse serviço. Chateei-me um par de vezes e depois desisti, só me preocupo em ir falando com a minha avó a ver se aquilo não se pega.

É. Ainda mais porque eu estou a ver ser nos tirados coisas, do SNS por exemplo, que aqui é literalmente uma questão de vida ou morte.

Mas o problema são os brasileiros, os nepaleses, os indostanicos, etc, etc.

E nem eu pedir para se quer protestar, que vote num partido mais pequeno, vai lá.

 

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Tal como o autor do artigo que postaram aqui ontem, fazer perguntas genuínas sobre o porquê costuma resultar mesmo. Não precisam de ficar indignados com uma coisa que não podem controlar. Sendo familiares* vale bem o tempo de fazer as perguntas do porquê e como é que eles acham que o Chega vai resolver isso. Levar a conversa para um patamar mais profundo faz com que as pessoas pensem nas consequências.

*assumindo que são familiares que gostam, claro

Editado por Mica

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Citação de SAS_Robben, há 34 minutos:

Lembrei me daquela crónica do Raquel Varela a falar de comer ostras enquanto assistia as manifs em Paris 

Adoro a França

Adoro vir a França. Comi ostras da Bretanha, discuti temperaturas do vinho, vi debates de rua sobre o estado do mundo, e passei por uma manifestação de jovens de 15 e 16 anos em solidariedade com os trabalhadores contra o aumento da idade da reforma. Tudo fervilha. Dirigentes sindicais ocuparam um supermercado, os do sector eléctrico desligaram a luz aos gabinetes dos deputados que votaram a favor da reforma. É outro mundo. A Universidade onde estou tem manifs todos os dias. Incluindo amanhã à hora em que vou dar aulas. Aprende-se muito neste país. No fundo estão a exigir comer ostras. Estamos juntos. Vive la France!

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Citação de Mica, há 1 minuto:

Tal como o autor do artigo que postaram aqui ontem, fazer perguntas genuínas sobre o porquê costuma resultar mesmo. Não precisam de ficar indignados com uma coisa que não podem controlar. Sendo familiares vale bem o tempo de fazer as perguntas do porquê e como é que eles acham que o Chega vai resolver isso. Levar a conversa para um patamar mais profundo faz com que as pessoas pensem nas consequências.

Não dá porque a conversa volta sempre ao mesmo assunto. Imigração. Ou porque seja quem está no poleiro nunca muda nada e é preciso um abanão.

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Estamos num país em que 90% dos partidos apoiam instituições que apoiam um país cortar comida a outros durante meses e quando dá "ajuda humanitária" são dois camiões cheios de lençois funerários:

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E depois temos os que querem fazer parte destas instituições a insultar os outros por serem racistas que não sabem o que é um talher de peixe. 

Editado por AntiZio

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Graças a deus que na família imediata não tenho de lidar com chalupas mas desconfio que um primo meu votou Chega e o filho dele (metade tuga, metade tailandês) é um desses jovens influenciados por Tik Toks da vida, até tem uma cruz latina no perfil do Insta lol

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Citação de Longineu, há 12 minutos:

Não dá porque a conversa volta sempre ao mesmo assunto. Imigração. Ou porque seja quem está no poleiro nunca muda nada e é preciso um abanão.

E quando vai ao tema da imigração, o que é que fazes? Dizes que não vale a pena e abanas a cabeça, ou elucidas o lado positivo da imigração, a razão pela qual ela existe, o impacto no desemprego entre portugueses (provavelmente nulo), entre outras coisas?

Nem sempre estamos num dia que nos apetece embarcar por aí, mas se souberes bem o que estás a dizer levas a conversa para onde quiseres, isso te garanto.

O que podem é fugir com o rabo à seringa, como o Foster e o @André Sousa fizeram ontem comigo (este último só está de blackout, por isso ainda tenho a esperança de continuar a conversa). Mas aí não há nada a fazer, não foste tu que não conseguiste argumentar.

Editado por Mica

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