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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de HappyKing, há 1 minuto:

Aquelas declarações surgem nesse âmbito já.

E aquelas aquando dos desacatos que acabaram com o ataque ao autocarro também foram muito populares por aqui. Tal como o seu investimento em mais policiamento e câmeras de vigilância pelo concelho fora. Está a cavalgar a onda da tal percepção de insegurança.

Curiosamente, não o vi indignado quando recentemente um polícia baleou um autocarro e deixou um jovem em estado grave por causa de um desacato no trânsito ¯\_(ツ)_/¯

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o que eu não dava para voltar a Portugal e viver numa aldeia na zona centro com um ordenado de 800€

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Citação de Rain Dog, há 11 minutos:

o que eu não dava para voltar a Portugal e viver numa aldeia na zona centro com um ordenado de 800€

Ordenado bom e morar no interior é incrível, posso confirmar.

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Citação de Mica, há 1 hora:

5% da população ativa são 275000 pessoas, e existem pessoas fora desses 5% que vivem bem: boas reformas, salários acima do salário médio com casa paga/renda baixa, e outros casos em menor dimensão (menor dimensão como quem diz, assumo que muita gente recebe por fora e não estão nesses 5%)

Por isso é possível viver bem em Portugal. Não é para todos, tampouco para a maioria, mas também não era isso que se estava a discutir.

 

Claro que é possível. Assim como também podemos dizer que é possível viver bem num país qualquer de terceiro mundo, basta estar no top 1% da população.

 

A verdade é que a larga maioria dos jovens não tem uma vida financeiramente estável em Portugal. 

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Citação de Thierry Henry, há 46 minutos:

Falando da realidade que conheço, da malta de economia/gestão, a realidade da esmagadora maioria de quem terminou o curso há 8/9 anos como eu é bem acima da média. É ser competente e não ter medo de saltar de empresa para empresa, quem se acomoda em certo sítio é quem acaba a ter menos progressão. 


Esqueceste de um fator importante a sorte. Podes ser muito competente mas se não tiveres ninguém que aposte em ti, vais andar sempre na mesma roda. AH, mas salta de empresa em empresa, claro que salto se tiver apoio familiar para isso e caso não esteja a ganhar durante dois meses não me faça diferença. Se esse "apoio" familiar não existir, não me posso dar ao luxo de andar a experimentar empresas. 

Tinha colegas que ganhavam pouco mais que o salário mínimo e quando era mais novo dizia-lhes: se não estás contente muda e arrisca. Depois cresci e vi a parvoíce que foi-lhes dizer isso. São pais e mães, que precisam de cuidar dos filhos, pagar alimentação, pagar casa, que precisam de muita estabilidade para dar o próximo passo. Eu era um puto, que se corresse mal, voltava para a casa dos meus pais, comida e roupa lavada sem ninguém a depender de mim. 

E nem vou falar, de possivelmente viveres perto de um grande centro urbano, com outras empresas e condições, etc, etc
 

Citação de toze2, há 50 minutos:

Opa mas isso é sacar números do rabo. 

Novamente, em momento algum disse que isso não é verdade e não acontecer. Estou a dizer que não é verdade que seja impossível. 

O meu ponto é que dizer que isso é impossível, além de não ser verdade, é algo que ao ser propagado normaliza que isso é a verdade e que a única solução para se ter uma vida digna é imigrar que por sua vez retira qualquer tipo de tentativa de melhoria do que quer que seja. Já estás derrotado à partida. 

E eu não estou a dizer que o disseste, estou-te a dizer é que a grande esmagadora das pessoas licenciadas ganham pouco e vivem mal, não é por acaso que Portugal era ou é o país da Europa onde se saí mais tarde da casa dos pais. Claro que é possível, basta ter 0.05% das pessoas que o consiga fazer que o torna possível.

 

Editado por Alonso.

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Sair de casa dos pais para ir viver num quarto até aos 35 nem devia ser considerado viver

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Citação de Alonso., há 6 minutos:

Esqueceste de um fator importante a sorte. Podes ser muito competente mas se não tiveres ninguém que aposte em ti, vais andar sempre na mesma roda. AH, mas salta de empresa em empresa, claro que salto se tiver apoio familiar para isso e caso não esteja a ganhar durante dois meses não me faça diferença. Se esse "apoio" familiar não existir, não me posso dar ao luxo de andar a experimentar empresas. 

Tinha colegas que ganhavam pouco mais que o salário mínimo e quando era mais novo dizia-lhes: se não estás contente muda e arrisca. Depois cresci e vi a parvoíce que foi-lhes dizer isso. São pais e mães, que precisam de cuidar dos filhos, pagar alimentação, pagar casa, que precisam de muita estabilidade para dar o próximo passo. Eu era um puto, que se corresse mal, voltava para a casa dos meus pais, comida e roupa lavada sem ninguém a depender de mim. 

E nem vou falar, de possivelmente viveres perto de um grande centro urbano, com outras empresas e condições, etc, etc

À saída da faculdade acho que esses fatores acabam por estar mais ou menos equiparados, pelo menos falando daqueles que se decidem por ficar por cá a trabalhar. E sim, no meu caso falo do Porto e naturalmente aqui é em Lisboa haverá muitas mais oportunidades do que no resto do país. 

Quanto à parte de ir saltando entre empresas provavelmente não me expliquei bem, mas não me referia a ficar desempregado à espera de algo novo, dizia sim andar em entrevistas a ver se aparecia algo melhor para saltar fora. 

De resto, estava só a dar um exemplo de como os bons salários não são exclusivos ao IT. Sei perfeitamente que a maioria das pessoas da minha idade, e vejo-o pelo meu grupo de amigos do secundário, tem imensas dificuldades em ter uma boa vida, sobretudo quem não teve a oportunidade de seguir para uma licenciatura no final do 12º. 

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Citação de Robe, há 2 horas:

Só por curiosidade: Tens a certeza disto?

Já lá fui 2x e aquilo parece-me idêntico a Lisboa. A ideia que tenho é que os preços da habitação também são sufocantes lá.

No dia a dia os preços são mais caros

só é um exemplo mas uma amiga minha comprou um T2+1 por 200k (precisa de umas obras mas nada de mais) na zona do hospital de Sant Pau que tem muitos bons acessos. É literalmente impossível arranjar algo assim em Lx com localização e acessos equivalentes.

Editado por Apple
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Citação de joe, há 30 minutos:

 

Claro que é possível. Assim como também podemos dizer que é possível viver bem num país qualquer de terceiro mundo, basta estar no top 1% da população.

 

A verdade é que a larga maioria dos jovens não tem uma vida financeiramente estável em Portugal. 

bold: era isso que se estava a discutir 😄

Não é preciso falar em 1%. Entre salários altos, reformas boas e uma vida bem orientada com um salário acima do salário médio pode-se viver bem. Não tens de ter a capacidade de meter todos os meses 1000€ na Degiro para dizer que tens uma vida boa.

Infelizmente para cada português que vive desafogadamente e não se priva de nada de essencial, existem muitos mais que fazem ginástica para sobreviver ao mês. Também por isso não me interessa dar demasiado foco a esta conversa, porque não, viver bem em Portugal não é um standard.

Editado por Mica

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Citação de Lebohang, há 4 horas:

Não conheço ninguém da minha família que vote Chega porque não falo com nenhum familiar.

também não conheço nenhum. Quando dizem que votam Chega acontece algo e morrem.

Citação de Lebohang, há 4 horas:

Adoro a França

Posted on April 19, 2023

Adoro vir a França. Comi ostras da Bretanha, discuti temperaturas do vinho, vi debates de rua sobre o estado do mundo, e passei por uma manifestação de jovens de 15 e 16 anos em solidariedade com os trabalhadores contra o aumento da idade da reforma. Tudo fervilha. Dirigentes sindicais ocuparam um supermercado, os do sector eléctrico desligaram a luz aos gabinetes dos deputados que votaram a favor da reforma. É outro mundo. A Universidade onde estou tem manifs todos os dias. Incluindo amanhã à hora em que vou dar aulas. Aprende-se muito neste país. No fundo estão a exigir comer ostras. Estamos juntos. Vive la France!

A França não é como a rua dela que estava a ficar repleta de lupems com mau aspecto.

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"Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva."

Clara Ferreira Alves deveria ter feito serviço público e dito a localização destes prédios

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obrigado pelo tópico da conversa, precisava de uma desculpa para listar o meu património em bullet points e o seu valor, aqui está:

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Citação de Lebohang, há 7 horas:
Citação

Chegou

mw-320

Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa

Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope.

Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia.

Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios.

Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto.

Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva.

As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.”

No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres.

Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade.

Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros.

A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas.

Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa.

Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas.

Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema.

E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda.

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Surreal alguém ter coragem de publicar isto

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Citação de antifa, há 9 minutos:

Surreal alguém ter coragem de publicar isto

É importante conhecer os prejudicados da globalização e as classes desfavorecidas que votam no Chega, como o casal lisboeta proprietário de uma casa de férias na Costa Alentejana.

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Só agora tive a oportunidade de ler. Confesso que estou a gostar desta versão pedante da CFA a explicar aos incultos as amarguras da vida, com bacalhaus à Gomes de Sá e arroz de carabineiros horríveis à mistura. 

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Passei os olhos pela caixa de comentários do artigo da CFA e acho que um dos elementos do casal com casa na Costa alentejana deixou o seu bitaite:

Temos uma casa na costa Vicentina. Em menos de dez anos a pequena povoacao foi engolida pelos trabalhadores to sub continente asiatico. Da ultima vez que participei na pequena procissao da Senhora dos Navegantes, tipica das pequenas aldeias, com a banda e o padre e os moradores locais a dar a volta as ruas com o andor a frente, eramos nos o centro das atencoes, uma especie de National Geographic ao contrario, em que os novos moradores nas casas agora transformadas em dormitorios, nos tiravam fotos, uma populacao de Indus a verem esta estranha procissao a passar.

Em menos de dez anos a mercearia da Dona Isabel, onde eu ia a correr ao almoco porque faltava algo, e pagava mais tarde, ou ficava nos dois dedos de conversa para saber as ultimas, desapareceu. E agora um mini mercado indiano. Gente trabalhadora e simpatica. Mas ja nao e a mercearia. O resto dos estabelecimentos vao fechando, mais Kabobs, mais mini mercados, um Alentejo que troca o capote pelo turbante.

Mesmo sem cair no racismo, o facto e que estas comunidades estao a desaparecer. E preciso viver ali para se ver isso. Mais 20 anos e grande parte do Alentejo sera um pais estrangeiro.

E preciso nao esquecer que este processo foi iniciado pelos Portugueses, pela falta de mao de obra, pela ganancia de fazer mais e pagar menos. Agora esta fora de controlo.

Mas o problema na e so a imigracao, mas a forma como Portugal (mais uma vez) nao pensou bem na coisa. Primeiro faz-se e depois logo se ve. Pois...

A subida do Chega nao e sorpresa, e um resultado.

Finalmente, para aqueles que se queixam dos imigrantes, vejo nestas discussoes uma falta de civismo e educacao, atacam-se as pessoas no cobarde conforto de quem nao tem que dar a cara. Nao so Lisboa, mas Portugal, e a " cultura" portuguesa, estao cada vez mais... selvagens.

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Citação de kareca, há 13 minutos:

Isso é claramente IA

A IA não dá erros ortográficos, quando(!!) muito escreve em PT-BR

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Citação de antifa, há 1 hora:

Surreal alguém ter coragem de publicar isto

Já não é a primeira vez que o faz, mas nunca deixa de ser fascinante ver como alguém consegue transformar a experiência habitual de viver numa cidade europeia em 2025 numa qualquer teoria sociológica de bolso onde o culpado acaba por ser sempre invariavelmente o outro. E o mais engraçado ainda é capaz de ser aquela sensação de como tudo parece piorar à medida que se vai lendo, principalmente aqueles fortes argumentos como a empregada que tem culpa de ser brasileira ou a dos russos e ucranianos com os seus belos "carrões", apenas para referir alguns dos grandes azares para quem já vai, pelo menos, na sua 3ª habitação em tão curto espaço de tempo.

Editado por Interstellar
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A evolução de "os imigrantes são maus porque não trabalham" para "os imigrantes trabalham mas são maus porque existem" é fascinante. 

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Os meus parabéns a quem está ali na RTP3 e não dá uma cadeirada nos cornos do Frazão. Até a jornalista já mandou voltar à faculdade. 

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Citação de antifa, há 7 minutos:

A evolução de "os imigrantes são maus porque não trabalham" para "os imigrantes trabalham mas são maus porque existem" é fascinante. 

Há pouco nas notícias da RTP foram a peniche falar com um pescador e um zé da tasca e ambos disseram isso. Trabalham mas são muitos.
Como se combate isto? Impossível.

Editado por kareca

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Citação de Thierry Henry, há 5 minutos:

Os meus parabéns a quem está ali na RTP3 e não dá uma caldeirada nos cornos do Frazão. Até a jornalista já mandou voltar à faculdade. 

Ri me mais do que devia 

Citação de kareca, Agora:

Há pouco nas notícias da RTP foram a peniche falar com um pescador e um zé da tasca e falaram exatamente isso. Trabalham mas são muitos.

O chega ganhou em Peniche! Chamem o user de lá!

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