Robe Publicado 20 Maio 2025 Citação de toze2, há 28 minutos: Repara obviamente que há problemas. Eu muito provavelmente nos próximos 2-3 anos vou viver para Barcelona. É ridiculo saber que vou ganhar mais 15% lá que cá e o custo de vida é semelhante sendo que comprar casa lá é significativamente mais barato que em Lisboa. Mas eu já vivo bem cá, não é essa a questão. Temos problemas grandes, mas daí a ser impossível viver bem em Portugal vai uma distância grande. Como respondi acima, eu sei disso, até porque como disse o meu plano passa por ir para Barcelona a curto/médio prazo. Mas eu já vivo bem em Portugal, não é esse o drivers para mudar. E como eu vivo conheço muitas pessoas da minha idade que vivem também. Dizer que é impossível um jovem licenciado viver bem em Portugal é mentira. Colocando as coisas nestes termos é que propagamos uma mensagem que não é verdadeira e tiramos aos jovens a vontade de lutar por melhorar as condições do nosso país. Só por curiosidade: Tens a certeza disto? Já lá fui 2x e aquilo parece-me idêntico a Lisboa. A ideia que tenho é que os preços da habitação também são sufocantes lá. No dia a dia os preços são mais caros Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 20 Maio 2025 No final de contas vamos todos acabar por dar os nossos exemplos ou exemplos de quem conhecemos e não vamos chegar a concordância. Há gente que vive confortável em Portugal, claro. Mas creio que também é óbvio que muitos recém licenciados, como se falava em cima, vivem com a corda na garganta nos seus primeiros empregos e a progressão salarial também não é exponencial com o tempo. O meu exemplo é que com mestrado, o meu primeiro emprego foi no Banco de Portugal em 2020 a ganhar 1200 euros. Meio ano depois comecei a procurar e vim para Madrid a ganhar 3x mais. Igual a mim tenho bastantes amigos que foram para Londres, Paris, Luxemburgo, Frankfurt (quase como a CFA lol) O custo de vida no estrangeiro não é tão superior ao viver em Lisboa, nem na habitação, nem nos supermercados, e ganha-se bastante mais para viver desafogado. Ir-me embora para mim foi a melhor decisão da minha vida e não creio que conseguisse chegar a um nível de vida de viver sozinho, poder fazer a minha vida e ainda poupar em Portugal com a experiência que tenho. Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 20 Maio 2025 Citação de Lebohang, há 55 minutos: Ganha-se mais cá na área de IT do que em França, p.e. Ando a ser enganado então! Compartilhar este post Link para o post
joe Publicado 20 Maio 2025 Citação de Mica, há 1 hora: Claro que é possível viver bem em Portugal, e conheço muita gente que vive bem, até fora de IT. Mas para quem ganha 3K o problema não é viver mal ou bem, é descontar 1K. Por isso é que é quase impossível alguém dizer que vive bem, vai sempre ter algo para se queixar. 3k por mês põe-te no top 5% do país, ou perto disso. Mais de metade do país nem 1000€ ganha. Os problemas de uns e outros são diferentes. Assim como este fórum é uma bolha no que diz respeito às preferências políticas, acho que também o é em relação ao vencimento médio. Temos aqui muitos geeks de IT, com um ordenado completamente diferente da média portuguesa. Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de joe, há 11 minutos: 3k por mês põe-te no top 5% do país, ou perto disso. Mais de metade do país nem 1000€ ganha. Os problemas de uns e outros são diferentes. Assim como este fórum é uma bolha no que diz respeito às preferências políticas, acho que também o é em relação ao vencimento médio. Temos aqui muitos geeks de IT, com um ordenado completamente diferente da média portuguesa. 5% da população ativa são 275000 pessoas, e existem pessoas fora desses 5% que vivem bem: boas reformas, salários acima do salário médio com casa paga/renda baixa, e outros casos em menor dimensão (menor dimensão como quem diz, assumo que muita gente recebe por fora e não estão nesses 5%) Por isso é possível viver bem em Portugal. Não é para todos, tampouco para a maioria, mas também não era isso que se estava a discutir. Editado 20 Maio 2025 por Mica Compartilhar este post Link para o post
rcoelho14 Publicado 20 Maio 2025 Citação de joe, há 2 minutos: 3k por mês põe-te no top 5% do país, ou perto disso. Mais de metade do país nem 1000€ ganha. Os problemas de uns e outros são diferentes. Assim como este fórum é uma bolha no que diz respeito às preferências políticas, acho que também o é em relação ao vencimento médio. Temos aqui muitos geeks de IT, com um ordenado completamente diferente da média portuguesa. https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/basta-ganhar-2-000-euros-brutos-por-mes-para-fazer-parte-dos-10-mais-ricos-do-pais/ Isto em 2023, 2000€ brutos e fazias parte dos 8% mais ricos. Segundo isto, e se não me enganei nas contas, 3000k põe-te nos 4.5% maiores vencimentos https://www.seg-social.pt/estatisticas-detalhe/-/asset_publisher/GzVIhCL9jqf9/content/trabalhadores-dependentes?filter=mensal Compartilhar este post Link para o post
toze2 Publicado 20 Maio 2025 Citação de Robe, há 49 minutos: Só por curiosidade: Tens a certeza disto? Já lá fui 2x e aquilo parece-me idêntico a Lisboa. A ideia que tenho é que os preços da habitação também são sufocantes lá. No dia a dia os preços são mais caros Opa eu já ando a ver o mercado de casas em Barcelona há mais ou menos 1 ano. Os preços de aluguer são semelhantes a Lisboa mas 5-10% mais baratos. A nível de casas novas os valores são significativamente mais baixos. Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 20 Maio 2025 Citação de fornix, há 1 hora: Acho que foi por chamar "facho do crl" ao JohnyM, se não me engano (e a ideia com que fiquei foi que tinha sido num tom irónico e não propriamente perjorativo). Já nem sei, foram demasiadas nhecas nhecas nas últimas 50 páginas. Depois de "quando muito", podemos entrar numa fase crítica sobre o termo "pejorativo". Resolva-se já. 2 1 1 Compartilhar este post Link para o post
Solero Publicado 20 Maio 2025 Não é que mude grande coisa, mas o salário não corresponde a património e uma boa parte da população recebe parte do salário por baixo da mesa. Ainda assim, admitindo que há muita gente a viver bem, é notório que a larga maioria vive para pagar contas e uma boa parte só o consegue com apoios sociais ou recorrendo a créditos. 1 Compartilhar este post Link para o post
challenger Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de Solero, há 5 minutos: Não é que mude grande coisa, mas o salário não corresponde a património e uma boa parte da população recebe parte do salário por baixo da mesa. Ainda assim, admitindo que há muita gente a viver bem, é notório que a larga maioria vive para pagar contas e uma boa parte só o consegue com apoios sociais ou recorrendo a créditos. Exacto, ter em conta que esses dados acima são os oficiais, como é óbvio os salários reais são superiores com a quantidade de malta que recebe parte do salário por baixo da mesa. Editado 20 Maio 2025 por challenger Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 20 Maio 2025 Citação Ricardo Leão, autarca de Loures e dirigente socialista, afirmou, à "Rádio Renascença", que o Partido Socialista deve recentrar-se. Que não caia “no erro, e digo com toda a frontalidade, de continuarmos a ter aqui uma corrente no PS, os chamados wokistas, muito ligada à esquerda, que defendem um conjunto de coisas que não é isso que a população está à espera do PS”, apelou Leão, convicto e que muitos votos tradicionalmente do PS foram para o Chega. “É voto do PS e o PS tem que se recentrar, tem que ir ao encontro dos problemas das pessoas e não foi isso que aconteceu, infelizmente não foi isso que aconteceu”, expressou Ricardo Leão. Compartilhar este post Link para o post
toze2 Publicado 20 Maio 2025 Citação de jean-luc godard, há 1 hora: No final de contas vamos todos acabar por dar os nossos exemplos ou exemplos de quem conhecemos e não vamos chegar a concordância. Há gente que vive confortável em Portugal, claro. Mas creio que também é óbvio que muitos recém licenciados, como se falava em cima, vivem com a corda na garganta nos seus primeiros empregos e a progressão salarial também não é exponencial com o tempo. O meu exemplo é que com mestrado, o meu primeiro emprego foi no Banco de Portugal em 2020 a ganhar 1200 euros. Meio ano depois comecei a procurar e vim para Madrid a ganhar 3x mais. Igual a mim tenho bastantes amigos que foram para Londres, Paris, Luxemburgo, Frankfurt (quase como a CFA lol) O custo de vida no estrangeiro não é tão superior ao viver em Lisboa, nem na habitação, nem nos supermercados, e ganha-se bastante mais para viver desafogado. Ir-me embora para mim foi a melhor decisão da minha vida e não creio que conseguisse chegar a um nível de vida de viver sozinho, poder fazer a minha vida e ainda poupar em Portugal com a experiência que tenho. Mas repara, isto é verdade. O que não é verdade é dizer que é impossível jovens licenciados viverem bem em Portugal. Foi só o ponto por onde peguei. 1 Compartilhar este post Link para o post
Robe Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de Solero, há 20 minutos: Não é que mude grande coisa, mas o salário não corresponde a património e uma boa parte da população recebe parte do salário por baixo da mesa. Ainda assim, admitindo que há muita gente a viver bem, é notório que a larga maioria vive para pagar contas e uma boa parte só o consegue com apoios sociais ou recorrendo a créditos. Estive este verão em Corfu e em muitos restaurantes tinhas ao balcão uma nota em inglês que dizia algo do genero "Se o restaurante não passar fatura, o cliente não é obrigado a pagar". Disseram-me lá que fez parte de uma das medidas de combate à economia paralela deles. Seria bonito se fizessem o mesmo em PT Editado 20 Maio 2025 por Robe 1 Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 20 Maio 2025 Citação de Robe, há 4 minutos: Estive este verão em Corfu e em muitos restaurantes tinhas ao balcão uma nota em inglês que dizia algo do genero "Se o restaurante não passar fatura, o cliente não é obrigado a pagar". Disseram-me lá que fez parte de uma das medidas de combate à economia paralela deles. Seria bonito se fizessem o mesmo em PT Apodixi please 2 Compartilhar este post Link para o post
Cannonball Publicado 20 Maio 2025 Citação de Lebohang, há 12 minutos: https://www.publico.pt/2024/10/30/local/noticia/autarca-loures-defende-despejo-piedade-participantes-disturbios-2110067 https://observador.pt/2024/11/14/ricardo-leao-nao-posso-aceitar-ser-condenado-por-uma-frase-menos-feliz/ É este. Compartilhar este post Link para o post
Robe Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de kareca, há 2 minutos: Apodixi please É isso mesmo! Nunca mais chegava ao "Apodixi". Na altura comentei com a minha namorada que isto levava à falência 70% dos restaurantes em Portugal. 2 meses antes tinhamos estado no Algarve e tinhamos de andar com dinheiro para todo o lado. Editado 20 Maio 2025 por Robe Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 Citação de joe, há 47 minutos: Assim como este fórum é uma bolha no que diz respeito às preferências políticas, acho que também o é em relação ao vencimento médio. Temos aqui muitos geeks de IT, com um ordenado completamente diferente da média portuguesa. deprimi agora Compartilhar este post Link para o post
Alonso. Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de toze2, há 14 minutos: Mas repara, isto é verdade. O que não é verdade é dizer que é impossível jovens licenciados viverem bem em Portugal. Foi só o ponto por onde peguei. para 90% dos licenciados que não estão ligados a IT sim é a realidade. É andar a saltar entre +50e ou em estágios profissionais. Editado 20 Maio 2025 por Alonso. Compartilhar este post Link para o post
doom_master Publicado 20 Maio 2025 Citação de Lebohang, há 28 minutos: Aí está ele, de volta em grande. E vai ganhar as eleições aqui com uma margem maior sobre a CDU que nas últimas, cheira-me. Compartilhar este post Link para o post
toze2 Publicado 20 Maio 2025 Citação de Alonso., há 7 minutos: para 90% dos licenciados que não estão ligados a IT sim é a realidade. É andar a saltar entre +50e ou em estágios profissionais. Opa mas isso é sacar números do rabo. Novamente, em momento algum disse que isso não é verdade e não acontecer. Estou a dizer que não é verdade que seja impossível. O meu ponto é que dizer que isso é impossível, além de não ser verdade, é algo que ao ser propagado normaliza que isso é a verdade e que a única solução para se ter uma vida digna é imigrar que por sua vez retira qualquer tipo de tentativa de melhoria do que quer que seja. Já estás derrotado à partida. Compartilhar este post Link para o post
HappyKing Publicado 20 Maio 2025 (editado) Citação de doom_master, há 4 minutos: E vai ganhar as eleições aqui com uma margem maior sobre a CDU que nas últimas, cheira-me. Aquelas declarações surgem nesse âmbito já (mostrar que é diferente do PS atual numa perspectiva de campanha de autárquicas). Editado 20 Maio 2025 por HappyKing Compartilhar este post Link para o post
hugoooo_17 Publicado 20 Maio 2025 Citação de Lebohang, há 4 horas: Citação Chegou Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa Aqui não há cenários nem suposições. Apenas coisas que aconteceram e me aconteceram. Nos últimos anos. O modo como vivemos. “The Way We Live Now”, um título de Anthony Trollope. Precisei de um reforço da vacina do tétano e da difteria. Nunca foi um processo complicado. Dirigia-me ao Centro de Saúde. Agora, qual era o Centro de Saúde? Tendo mudado de casa, recebera uma carta de um desses mil organismos públicos, avisando do novo centro, X. Tinha de me inscrever online, já. Inscrevi. Nunca funcionou. Tentei telefonar, nunca funcionou. Dirigi-me ao dito centro, não era ali. Filas enormes e uma burocracia pior do que no passado. Digitalização? Sério? O meu centro afinal era Y. Telefonei para o SNS24, ao cabo de várias tentativas e longas esperas. O meu centro também não era Y, era Z. Vacina? Presencial. Na hora. E comunicavam-me que não tinha médico de família atribuído. O médico fora embora. Marquei a vacina, dia e hora. O centro era um barracão numa rua esconsa da Lapa. Estava vazio. Uma rececionista informou que estavam em greve. O SNS24 não sabia. Tem de vir cá, tirar senha e esperar na sala que costuma estar cheia. Não é presencial? Tem de tirar senha na mesma. Fui a segunda vez, centro cheio depois da greve. Fui a terceira, depois de voltar a marcar com o SNS24, atendida por um funcionário brasileiro que disse que também ele não tinha médico de família. Era um problema geral. À terceira vez passava um minuto, exatamente um minuto, do horário de atendimento para a vacina. Pode ir ver se a enfermeira ainda lá está, se estiver, peça-lhe. Estando fora do horário tem de voltar a marcar. A voz é ríspida e rígida. Fui ver da enfermeira. Profissional, rápida e competente, deu-me a vacina. Continuo sem médico de família. Tenho um seguro de saúde, mas a certas horas o hospital privado é igual a um público. Máquinas para quase tudo. E, para dobrar a curva de um desses hospitais, ilegalmente postado em frente ao Tejo, passo uma hora na agressiva fila da Ponte 25 de Abril sem conseguir penetrar a faixa de acesso. Belíssima ideia, construir ali o hospital, sem acessos próprios. Morei durante anos num prédio com portugueses. As reuniões de condomínio eram sinistras, ninguém queria gastar dinheiro. Mudei para outro prédio, no mesmo bairro. Todo o prédio era habitado por estrangeiros, mais ricos decerto, a maioria brasileiros. Pensei que seria mais fácil. Piorou. Ninguém tinha o menor interesse pelo prédio, que era ou a segunda casa de veraneio ou o expediente para rendimento. Com uma administração tão desinteressada como os estrangeiros, o primeiro grande problema que o prédio teve, infiltrações de águas e fungos nas paredes, e uma medonha toxicidade, ninguém quis saber e fui ignorada. Batalhei, apresentei queixas na Câmara e Direção-Geral de Saúde, consegui resultados oficiais. O Instituto Ricardo Jorge analisou os fungos tóxicos e foi competente e profissional. Os estrangeiros tiveram de concordar com as obras coercivas. A reabilitação do prédio era apenas maquilhagem, tínhamos sido enganados. Seguiram-se obras longas e caríssimas. E ações judiciais, entregues ao ritmo e inoperância da justiça portuguesa. Imaginem o resto. Tive de sair de casa e arrendar outra casa. Caríssima. Num bairro adjacente e num condomínio privado. Com outros problemas. Não há portugueses. Nómadas digitais, turistas ocasionais, russos e ucranianos com grandes carros, um inquilino que empesta o prédio e a casa com cheiro de canábis, uma população incerta que desliza a intervalos. Uma espécie de hotel da beira do mundo e de vaga-mundos. Por cima do andar que arrendei, começaram festas noturnas com barulho e álcool. A Polícia foi chamada três vezes e foi competente, ágil e profissional. Os inquilinos foram expulsos, parece que a casa era usada para fins inconfessáveis com senhoras da noite. Parece também que em Lisboa é habitual isto acontecer em prédios novos e sem gente certa. Bordel de luxo. Com drogas à mistura. As drogas, gás hilariante, foram abandonadas no lixo. Lisboa tornou-se uma selva. As obras no prédio onde tenho a casa foram todas feitas por imigrantes. Sem eles, não havia obras. Todas as mudanças que tive foram feitas por e com estrangeiros. Todos os sarilhos foram resolvidos com a ajuda de imigrantes, alguns nacionalizados. Ucranianos, uma formidável brigada de trabalho, agilidade e profissionalismo. E brasileiros, africanos. Interroguei um arquiteto amigo sobre a falta de empresas portuguesas e operários para fazer as obras. “Estão todos na Comporta a ganhar dinheiro.” No centro comercial onde costumo ir às compras, tem tudo lá dentro, desde cinemas a restaurantes gourmet, uma nova categoria, fui observando como a brigada de empregados foi sendo substituída. Saíram os portugueses, entraram os brasileiros para o atendimento. Os africanos estão na limpeza, e alguns asiáticos ascenderam às cozinhas. Alguns, não sabem cozinhar, ninguém ensinou. E no repasto gourmet, com assinatura de um chefe famoso, serviram-me um bacalhau à Gomes de Sá que era um monte de batatas fritas às rodelas a nadarem em azeite frito. Era tão execrável que deixei intacto. Ninguém parece supervisionar a população de empregados que mudam como as estações. Baratos. Noutro restaurante gourmet, mais um chefe, um arroz de carabineiros era uma massa miserável. Os preços aumentaram, come-se melhor e mais barato num bistrô de Paris num bairro chique. Quando não são imigrantes, são jovens, presume-se que baratos. Comentários ouvidos nas mesas do lado. “Agora já sei onde não vir comer em Lisboa.” “É o que dá porem imigrantes a cozinhar comida portuguesa. É pior do que a Glovo.” Os comensais brasileiros, ricos, não se queixam e dominam a cena. Com os angolanos ricos. Não importámos apenas os pobres. Num restaurante onde gostava de ir, os empregados portugueses competentes, ágeis e profissionais foram mandados embora. E substituídos. Imigrantes ou nacionalizados, muitos brasileiros. O cavalheiro que costumava receber as pessoas, desaparecido. Os preços aumentaram, mais que a inflação. O restaurante é de estrangeiros. Perde-se qualquer sentido de familiaridade e hábito de trato, que faz parte da qualidade de vida numa cidade e a torna menos desumana. Tal como no condomínio privado, estamos no reino da transitoriedade, da impessoalidade. Num ginásio, uma nova população chegou. Nómadas, estrangeiros com dinheiro. Mais cosmopolita decerto. Na receção, ouve-se “isto aqui parece o Bangladesh”. Fora do ginásio, dezenas de motos e bicicletas, amontoadas, esperam clientes. É gente a mais para a procura, claramente. As malas amarelas às costas, para que ninguém tenha o incómodo de andar umas centenas de metros. A vida em Lisboa piorou, os serviços pioraram, encareceram mais que a inflação, e as empresas que vivem do turismo e da hospitalidade pedem mais imigrantes, mas o que pedem é mais gente barata e explorada. Eles ganham, os lisboetas fora desta “bolha”, como se diz agora, estão descontentes e incertos, apanhados na voragem de incertezas. Uma padaria junto ao prédio onde tenho a casa foi vendida aos espanhóis. Um grupo com um nome que em português passa mal. Rodilha. Conheço-os de Madrid. A qualidade vai baixar. Fast food disfarçada. Servida por imigrantes. Num cartaz a palavra Padaria foi apagada e por cima colada a palavra Almoço. Teme-se o pior. E ainda falam em soberania nacional a propósito do apagão. Em tanta coisa somos uma província pobre de Espanha, e para Madrid e Barcelona emigram agora os nossos jovens qualificados. Fechado o Reino Unido. Um dia, o espaço Schengen acabará, quando os populistas dominarem a Europa. Faço parte de um grupo de pais órfãos. Os nossos filhos emigraram para o estrangeiro com os diplomas. Uma geração altamente qualificada por universidades portuguesas, públicas e privadas, e estrangeiras para os mestrados. Estão em Londres, Nova Iorque, Singapura, Xangai, Hong-Kong, São Paulo, Milão, Madrid. Ou na Alemanha e na Suíça, para onde já emigram brasileiros com a nacionalidade portuguesa que aqui não vingaram. Nenhuma desta população itinerante regressará a Portugal, onde não tem futuro. Os pais órfãos envelhecem longe dos filhos, amargurados. Privilegiados ou não, emigrantes de luxo ou não, as famílias separaram-se e a coesão social sofre danos. Portugal não trata bem os velhos. O imigrante empurra a cadeira de rodas. Um casal amigo, classe média educada, sempre foram liberais, confessa num jantar que a família votou no Chega. Toda. Velhos e novos. Têm uma casa na costa alentejana e dizem que não suportam o peso da imigração. As estufas. Não suportam os paquistaneses, belicosos. No mesmo jantar, o resto dos convivas solta exclamações de horror. Distantes do problema. E noutro jantar, outro amigo, liberal, generoso e abastado, sim, privilegiado, diz que se sente, como outros portugueses, um cidadão de segunda no seu país. E repete. Um cidadão de segunda. a clara deve comer cogumelos mágicos às manadas. no outro dia era o jovem na pastelaria que não sei quê... hoje mudou de apartamento 10x e alguém lhe disse isto e aquilo. nunca vi ninguém cujo o interlocutor lhe conta imediatamente a vida inteira e os seus profundos desagrados semana sim semana sim. Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 20 Maio 2025 Citação de Cannonball, há 18 minutos: https://www.publico.pt/2024/10/30/local/noticia/autarca-loures-defende-despejo-piedade-participantes-disturbios-2110067 https://observador.pt/2024/11/14/ricardo-leao-nao-posso-aceitar-ser-condenado-por-uma-frase-menos-feliz/ É este. Keir Starmer das barracas Compartilhar este post Link para o post
Thierry Henry Publicado 20 Maio 2025 Citação de Alonso., há 12 minutos: para 90% dos licenciados que não estão ligados a IT sim é a realidade. É andar a saltar entre +50e ou em estágios profissionais. Falando da realidade que conheço, da malta de economia/gestão, a realidade da esmagadora maioria de quem terminou o curso há 8/9 anos como eu é bem acima da média. É ser competente e não ter medo de saltar de empresa para empresa, quem se acomoda em certo sítio é quem acaba a ter menos progressão. 5 Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 20 Maio 2025 Citação de Robe, há 29 minutos: Estive este verão em Corfu e em muitos restaurantes tinhas ao balcão uma nota em inglês que dizia algo do genero "Se o restaurante não passar fatura, o cliente não é obrigado a pagar". Disseram-me lá que fez parte de uma das medidas de combate à economia paralela deles. Seria bonito se fizessem o mesmo em PT Seria o mesmo choro como foi na COVID, quando os apoios foram em função da facturação do ano anterior. Até tremeram. Compartilhar este post Link para o post